História Jardins Suspensos - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, Kris Wu
Personagens D.O, Kai, Kris Wu, Suho
Tags Fluff, Junmyeon, Kid!jongin, Krisoo, Kyungmyeon, Kyungsoo, Yifan
Visualizações 209
Palavras 4.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


[ MAISOUMENOS REVISADO ]

amo vocês

Capítulo 10 - As melhores panquecas do mundo


No começo era o silêncio. Os olhares incertos, as mãos inquietas sobre os joelhos. Estavam sentados na diagonal um do outro, Insung no sofá e Kyungsoo em sua poltrona favorita. Yifan havia se oferecido para fazer um pouco de chá, já que era óbvio que o homem mais velho estava com frio, levando em conta a vermelhidão de seu nariz (que também poderia ser resultado de alguns minutos de choro compulsivo). Enquanto isso, além do som da água quase fervendo, era apenas silêncio.

 

Kyungsoo sabia que tinha muitas perguntas que queria fazer, e sabia também que precisaria responder muitas delas, mas nenhuma conseguia romper a barreira entre sua mente confusa e sua língua travada.

 

–Eu procurei por você durante todo esse tempo. –Insung disse, sorrindo para si mesmo, quebrando o silêncio por alguns segundos, pare que ele voltasse, interrompido pelo chiar da chaleira na cozinha.

 

Logo Yifan voltara para a sala com duas xícaras em uma pequena bandeja de plástico, alguns saquinhos com ervas e o bule quente que deixou sobre a mesa com uma proteção por baixo. Se ofereceria para servir os dois, mas sabia que precisava sair daquela casa logo, para que pai e filho pudessem ter uma longa conversa que já havia sido adiada por tempo suficiente.

 

–Eu vou... –Yifan murmurou, chamando a atenção dos dois. –Se precisar de mim, pode me ligar... –Continuou a falar, colocando rapidamente uma das mãos no ombro de Kyungsoo que levantou-se quase que imediatamente, segurando a ponta da manga de sua camisa, como quem agradecesse, e ao mesmo tempo pedisse para ficar mais tempo. Yifan não queria, porém, atrapalhar aquele momento de qualquer forma, mas os olhos de Kyungsoo pediam para ficar.

 

–Eu atrapalhei vocês, não foi? –O homem mais velho disse, se levantando também, sem olhar na direção do filho. –Me desculpa Kyungsoo, eu posso voltar outra hora. Está tarde mesmo... –Continuou, levantando uma das mãos para colocar o cachecol ao redor do pescoço, quando Kyungsoo segurou seu punho com firmeza, mas ainda delicado.

 

–Pai, a gente tem que conversar. Acabar logo com isso... –Kyungsoo disse em tom baixo, sobrancelhas tensas e voz coberta de pura seriedade. –Yifan, se você pude... Só ficar no quarto com o Jongin, pra ele não acordar... –Virou-se para o outro, que assentiu com uma leve hesitação, virou nos próprios calcanhares e foi até o quarto. Assim que ouviu a porta do quarto fechar-se, tornou a sentar, com um gesto pedindo que o pai fizesse o mesmo.

 

Pediram desculpas ao mesmo tempo, sem nem mesmo saber pelo que estavam a se desculpar. Kyungsoo tinha em sua mente a ideia de que deveria ter procurado pelo pai mais cedo, apesar de estar tão ocupado criando seu filho e tentando seguir em frente. Insung pensava que deveria ter procurado mais e mais rápido, ter encontrado Kyungsoo mais cedo, para que ele não precisasse ter passado nem um segundo sozinho.

Eram desculpas cheias de ressentimentos que não deveriam ser guardados, pela culpa de algo que, não tiveram culpa alguma.

 

–Se eu não estivesse dirigindo naquele dia... –Insung começou a falar, apertando mais ainda o cachecol em suas mãos, mas antes que pudesse continuar, sentiu o calor das mãos de seu filho sobre as suas.

 

–Não foi sua culpa. –Kyungsoo murmurou, colocando-se de joelhos a frente do pai. –Não foi nossa culpa, tudo que aconteceu, foi por algum motivo. –Completou, segurando com força as mãos do homem que a sua frente parecia tentar conter as lágrimas.

 

Os Do nunca tiveram medo dos próprios sentimentos. O avô de Kyungsoo sempre dizia, que esconder seus sentimentos, apenas os fariam frios e indiferentes, que a única pessoa a sofrer daquele mal seriam eles mesmos e aqueles a quem amavam. Quando precisassem chorar, que chorassem, sem medo. Não precisavam provar nada a ninguém, estar triste ou inseguro, não era uma fraqueza. Reconhecer seus momentos de insegurança era sinal de força, força suficiente para que pudessem levantar mais rapidamente, e seguir em frente com dignidade.

 

Então quando Kyungsoo apagava com sua mão quente as lágrimas do rosto de seu pai, não era por ter vergonha delas, mas para assegurar que não mais precisaria se preocupar com aquela situação.

 

–Me desculpa por não ter te procurado mais cedo. –Insung murmurou, segurando as mãos do filho, olhando para elas. Conseguia lembrar-se perfeitamente de quando ainda eram pequeninas e desapareciam dentro das suas. Agora Kyungsoo era um homem, não mais a criança que ele carregava nas costas, não mais o garoto que se escondia debaixo das cobertas quando uma tempestade forte fazia as janelas sacudirem. Kyungsoo era alguém completo, seus olhos transmitiam segurança, integridade. Ele havia crescido tanto, desde a última vez que o havia visto.

 

–Me desculpa por não ter ido atrás de você. –O rapaz respondeu, apertando as mãos dos pai, e olhando para elas. Pequenos cortes curados, cicatrizes que pareciam novas e algumas nem tanto. Aquilo chamou a atenção de Kyungsoo quase que imediatamente, mas foi distraído pelo analisar dos dedos do mais velho. Não carregava mais a aliança igual a de sua mãe.

 

–Nos separamos logo depois que você foi embora. –Insung interrompeu as suposições silenciosas de Kyungsoo, fazendo com que ele retornasse a olhar em sua direção. –Ela... –O homem engoliu a seco, pesava em sua mente se era necessário, ou se valeria a pena contar tudo o que havia acontecido em sua vida durante aquele tempo. Insung não queria trazer mais sentimentos ruins para a cabeça de seu filho, não queria cobri-lo de ainda mais incertezas e preocupações.

 

O mais velho respirou profundamente, soltando as mãos de Kyungsoo que sentou-se novamente no sofá, e serviu um pouco de chá para os dois. Insung tinha o cachecol sobre o colo e uma das mãos contra o rosto.

 

–Ela levou suas irmãs. –Ele disse, com olhos fechados, com medo de presenciar a reação de Kyungsoo. –Sua mãe, uma semana depois d'eu ter acordado, pegou tudo e foi embora com suas irmãs. Ela levou todo nosso dinheiro, todas as economias, o dinheiro pra sua faculdade, pra abrir nossa loja... Tudo. –Continuou, engolindo mais uma vez o nó em sua garganta. –Um mês depois eu recebi uma ordem de despejo. Eu fui burro, de ter deixado tudo no nome dela... Tudo, eu perdi tudo. Ela vendeu nossa casa, o carro... E eu não fiz nada pra evitar isso, só... Estava em choque... Você tinha desaparecido, ela levou minhas filhas de mim e mais aquilo eu não... Não sabia o que fazer...

 

A mão de Insung tremia claramente, quando tentou pegar a xícara de chá quente. Um pouco da água caiu contra sua pele, o fazendo chiar de dor e encolher a mão de volta para perto do corpo.

Kyungsoo levantou-se imediatamente e correu até a cozinha, trazendo em seguida um pequeno pano umedecido em água fria, o qual colocou sobre a mão do pai.

 

–Ela... –Kyungsoo murmurou, enquanto abaixado a frente do outro, segurando o pano contra sua mão. –Foi quem me expulsou de casa... Ela não te contou sobre isso? –Questionou em voz hesitante, e a reação de seu pai respondeu rapidamente a pergunta. Insung não sabia que havia sido expulso.

 

–Ela disse que você tinha fugido, que estava com raiva do que havia acontecido. Raiva de mim. –Insung confessou, tornando a derramar lágrimas. –Ela disse que o pequeno, tinha morrido com a mãe. –Continuou. –Mas eu descobri, eu fui no hospital, perguntei pro médico que atendeu ela e eles me contaram que estava tudo bem com a criança. Eu decidi então que ia atrás de você, mas aí sua mãe... E tudo começou a desmoronar. –Insung respirou fundo, e deixou o pano umido sobre a bandeja na mesa. –Só um ano depois eu consegui começar a me ajeitar, arranjei um emprego com uns carregamentos, e em todo meu tempo livre eu procurava pistas de onde vocês pudessem estar.

 

Kyungsoo ouvia atentamente, enquanto bebia seu chá em silêncio. Aquela história era bizarra demais, mas conhecendo sua mãe, não era improvável. A mulher que o expulsou de casa seria, muito, capaz de despir seu pai de toda dignidade que havia construído com o tempo, e deixá-lo para morrer sozinho.

 

–As pistas me levavam em direções opostas, ou eu ia atrás de sua mãe e suas irmãs, ou eu ia atrás de você. –Insung esticou a mão mais uma vez para pegar a xícara, desta vez mais calmo, sem as mãos trêmulas como antes. –Eu vim atrás de você, por medo... Medo de que você não tivesse sido capaz de se reerguer, ou medo de encarar sua mãe... É uma situação triste de qualquer jeito.

 

–Eu fico feliz que você tenha vindo até mim primeiro. –Kyungsoo admitiu, colocando sua xícara sobre a mesa. –Eu já deixei o senhor sozinho tempo o suficiente, e agora se você vai atrás da minha mãe e das meninas, eu quero ir junto. –Continuou, olhando para o pai que o observava com certo receio.

 

–Não me sinto confortável com isso... –Insung admitiu, também colocando sua xícara sobre a mesa. –Tenho medo do que ela possa fazer com você... Com meu neto... –Tornou a olhar para o filho que parecia compreender seu receio, mas ainda parecia decidido no que fazer.

 

–Vamos pensar sobre isso amanhã. –Kyungsoo murmurou, levantando-se. –O senhor está hospedado em algum hotel?

 

–Na verdade não... –Insung deu meio sorriso, passando uma das mãos pela nuca, ao levantar-se também. –Vim de trem direto pra cá, não trouxe nem malas nem nada. Eu só... Quando recebi o e-mail do detetive que eu contratei pra te encontrar, só peguei meu dinheiro e vim. Só queria te ver, nem pensei duas vezes.

 

Kyungsoo sorriu, passando então uma das mãos pelo ombro do pai, puxando-o para um abraço ainda um pouco tímido, mas esperado, um abraço repleto de saudade e alívio.

 

–Vou te emprestar alguma roupa minha, se bem que eu acho que nada vai caber em você... –Kyungsoo comentou, lembrando logo como seu pai era consideravelmente mais alto que ele. –Não sei porque acabei nascendo tão parecido com ela. –Resmungou, caminhando até o quarto.

 

Abriu a porta lentamente, para não acordar Jongin, e não evitou que seu sorriso crescesse ainda mais ao ver Yifan deitado ao lado de seu filho, já adormecido, enquanto o pequeno se aninhava contra o peito do professor. Tentou sacudir os pensamentos de como aquilo era o que mais queria em sua vida, ao lembrar-se que seu pai estava logo atrás de si.

Insung tinha o ombro encostado contra o batente da porta, observando o homem que dormia na cama de seu filho, ao lado de seu neto. Por mais que sentisse um pouco de ciúmes daquela cena, já sentia certa simpatia pelo homem.

 

–Aqui. –Kyungsoo sussurrou, entregando uma muda de roupas e uma toalha para o pai. –Pode tomar banho, o banheiro é no fim do corredor. Enquanto isso eu arrumo o sofá pr'a gente dormir lá. –Comentou, indicando para o pai aonde o banheiro ficava, em seguida fechou a porta atrás de si, sem fazer barulho.

 

–Você não vai dormir com seu filho? –Insung perguntou, olhando como Kyungsoo ainda segurava a maçaneta da porta. –Não se preocupa comigo Kyungsoo, vai lá. Você deve ter que trabalhar cedo amanhã, não quero te perturbar. –Insistiu, batendo levemente no ombro do filho, para que fosse se deitar.

 

E assim foi, com o corpo pesado, sob o som da respiração suave de Yifan e Jongin e o chuveiro no fim do corredor, deixou-se pegar no sono, que ao fim, poderia dizer que foi uma das melhores noites que havia passado a dormir, desde que Jongin parou de acordar cinco vezes por noite com fome.

 

 

 

 

Não convidei vocês. –Junmyeon reclamou ao sentar-se na mesa de jantar, repleta de comida, toda a família reunida. –Quer dizer, Sehun, Junsu e Yoochun, eles eu convidei. –Continuou, colocando o guardanapo branco sobre o colo.

 

Seu pai sentava ao fim da mesa, em seu lado direito a madrasta, do outro lado, suas irmãs mais novas.

 

–Você não deveria falar desse jeito com seu pai. –A mulher falou sem nem mesmo olhar para o enteado, enquanto cortava um pedaço de pão sobre o prato delicado a sua frente.

 

–Você nem deveria falar nada. –Junmyeon respondeu com todo o veneno possível, ajeitando com calma os talheres ao lado do prato, deixando-os perfeitamente alinhados.

–Não fale assim com sua mãe. –O pai esbravejou e assustou-se quando Junmyeon se levantou, batendo com as mãos contra a mesa.

 

–Ela não é minha mãe! –Gritou, batendo as mãos com força contra a mesa e levantando-se, eliminando qualquer burburinho que se pudesse estar pela mesa. As gêmeas encaravam seus pratos com olhares tristes, Junsu olhava para o irmão enquanto segurava a mão de Yoochun debaixo da mesa e Sehun passava uma das mãos pelo braço do amigo, tentando acalmá-lo.

 

–Só viemos até aqui porque soubemos da sua ideia estúpida de largar a central do Japão. –O patriarca falou com calma, sem mesmo levantar o olhar para o filho, mais preocupado em preparar algo para comer.

 

Junmyeon sentou-se novamente, ainda com a mão de Sehun em seu braço. Ele realmente esperava uma reação diferente de seu pai, mas não era de total surpresa que ele estivesse mudado, depois de tanto tempo convivendo com “aquela mulher”.

 

–A central de Osaka vai ficar em ótimas mãos, Miyuki é perfeitamente capaz de gerir a empresa. –Respondeu, braços cruzados contra o peito, sentado em má postura. Sua madrasta pensou em falar para que se sentasse corretamente, mas preferiu manter-se calada.

–A central Japonesa foi feita para que você gerisse, não entendo seus motivos de deixá-la nas mãos de alguém que não é da nossa família. –O homem voltou a falar, ainda com calma.

 

–Essa ideia foi criada pra me tirar de perto de você, isso sim. Minha imagem estava destruindo a da sua querida esposa, então você resolveu exilar o filho podre pra deixar só a família boa na cara da mídia. –Junmyeon retrucou usando de toda sua raiva e cinismo para tentar atiçar o pai. –Voltar para o Japão não é algo que eu queira, simplesmente porque cansei de ser a ovelha negra. Amo meus irmãos, e gosto de estar perto do senhor, mesmo que você não tenha mais a mesma vontade de ter minha presença aqui, minha vida agora vai aqui e há alguém que me faz querer ficar aqui, mais do que tudo isso. –Continuou a falar, apenas na menção de um outro alguém, vendo o pai levantar o rosto em sua direção.

 

–Algum dos seus casos passageiros, suponho. –O homem largou os talheres sobre a mesa, fazendo barulho em nível exagerado. –Não importa quão boa seja essa foda, não é mais importante do que a empresa que eu construí para continuar no nome dos meus filhos. –Continuou, apoiando os cotovelos na mesa. A madrasta pareceu reclamar do linguajar do marido a frente das crianças, mas este não pareceu nem um pouco abalado. –Ou você toma vergonha na cara e volta pra Osaka, ou pode se considerar demitido e fora do meu testamento. –Deu de ombros, voltando a comer sem preocupação.

 

A mesa tornou a ficar em silêncio, Junsu olhava para o irmão com clara preocupação em seu olhar, ainda mais acentuada quando o viu levantar-se rapidamente, seguido de Sehun, e sair de sua própria casa sem qualquer palavra a ser dita.

 

–Enfie um pouco de senso na cabeça de seu irmão. –O mais velho da mesa disse com tom muito mais suave em sua voz, para o outro filho que encarava o próprio prato.

–O senhor é que está precisando de mais senso nessa sua cabeça velha. –Junsu respondeu, levantando o rosto para o outro que olhava para o filho sem parecer surpreso. –Parece que o veneno finalmente entrou na sua corrente sanguínea, meu velho. Só não ajude a destilar isso como sua esposa faz. Me desculpem meninas, mas estamos todos cansados dessa situação.–Continuou, levantando-se em seguida, levando Yoochun consigo.

 

O silêncio retornou, enquanto as gêmeas pareciam recusar a comer, a madrasta comia com se nada acontecesse a sua volta, e o mais velho olhava para a porta por onde seus filhos haviam passado, maxilar tenso e pensamento distante.

 

 

 

Kyungsoo sabia que precisava acordar, mas o calor que tomava conta de seu corpo era o suficiente para não querer levantar de seu futon. Abriu os olhos com calma, lembrando-se aos poucos do que havia passado durante a noite, e com isso sorriu para si mesmo. Deitado de lado, agarrado em uma almofada, tentou mover-se, mas sentiu que algo o impedia.

Tentou virar apenas o rosto, dando de cara com o rosto ainda sonolento de Yifan. Algo que, se em circunstancias normais, o faria pular e gritar em desespero e vergonha, parecia tão certo, que apenas o fazia querer ficar mais tempo naquela posição.

 

Os braços de Yifan o abraçavam pela cintura, as longas pernas do professor se enrolavam nas suas e todo seu corpo encostava-se no de Kyungsoo. Era uma cena perfeita. Enquanto movia o corpo no abraço do outro, deitando-se de frente para ele, levou carinhosamente uma das mãos ao rosto do rapaz, afastando alguns teimosos fios de cabelo que caíam contra sua testa. Nunca havia reparado, não até aquele momento, como as bochechas de Yifan eram fofas. Não segurou seu próprio sorriso, ao passar as pontas dos dedos pelo rosto do outro.

 

Yifan resmungou algo incompreensível e sonolento, abrindo os olhos em seguida, sem pressa. Ainda tinha Kyungsoo em seus braços, e estava cada vez mais certo de que aquilo era um sonho, quando o viu aninhar-se contra seu abraço em vez de fugir.

 

–Bom dia... –O mais novo disse, passando uma das mãos pelas costas de Yifan enquanto o abraçava de volta. –Não queria te acordar, você estava tão calmo dormindo... –Continuou a murmurar, enquanto o outro levava uma de suas mãos aos cabelos de Kyungsoo. Era salvo dizer, que se surpreendeu, ao sentir os lábios quentes de Kyungsoo contra seu pescoço, não só uma vez, mas mais do que foi capaz de contar. Beijos calmos, mas que eram passíveis de deixar algumas marcas.

Kyungsoo segurava a camisa de Yifan com força, enquanto empurrava o próprio corpo contra o do mais velho, que usava sua mão para empurrar a camisa de Kyungsoo delicadamente para cima, tocando sua cintura.

 

–Eu tive um sonho bom. –O professor murmurou, apertando os dedos contra a pele de Kyungsoo. –Sonhei que você estava dormindo do meu lado, e sorria pra mim, e os pássaros cantavam, e nada podia interromper a gente. –Continuou, abrindo um pequeno sorriso quando sentiu Kyungsoo rir suavemente contra seu pescoço.

 

O que poderia ter continuado, foi interrompido, ao contrário do que Yifan sonhava, pelos passos pequeninos, pesados e corridos pelo chão quente, e o corpo nada pesado de Jongin se jogando sobre os corpos dos dois mais velhos.

 

–Bom dia! –Ele gritou, se colocando rapidamente entre os dois homens que logo abriram espaço para que o pequeno se deitasse. –Pai, o Tio Insung está fazendo panquecas! –Jongin disse, deitando-se de costas para Yifan, com a cabeça apoiada no braço do professor.

 

–Então acho melhor nós nos levantarmos e irmos experimentar essas panquecas. –Kyungsoo disse, movendo o corpo para empurrar-se e ficar sentar no chão, quando foi segurado pelas pequenas mãos de seu filho contra seu peito.

 

–Espera! –Ele exclamou, empurrando o pai para deitar-se mais uma vez. Jongin continuava entre os dois, mas agora, enquanto segurava uma das mãos do pai, procurava a de Yifan. –Quero ficar aqui mais um pouquinho. –Murmurou, segurando enfim a mão do professor com sua outra mão e colorando as duas sobre sua barriga, em seguida fechando os olhos, sem esconder o sorriso em seu rosto e as bochechas delicadamente coradas.

 

Kyungsoo e Yifan trocaram um olhar diferente de todos os que haviam trocado até aquele momento. Era como se tudo estivesse no lugar que deveria estar, como se tudo ao redor deles se encaixasse perfeitamente, enquanto ambos sentiam a respiração leve de Jongin, mãos juntas sobre a barriga rechonchuda do pequenino.

De certo haviam perdido qualquer noção de tempo, puxados de volta para a realidade, quando Insung apareceu na porta do quarto, rosto coberto em farinha.

 

–Ah, me desculpem… –Insung deu dois passos para trás, e voltou a fugir para a cozinha, mas era tarde demais. O silêncio havia sido quebrado pelos roncos baixos de Jongin e a risada baixa de Kyungsoo ao ver o rosto envergonhado do próprio pai.

 

–Acho melhor a gente levantar… –Kyungsoo disse, puxando delicadamente sua mão de perto da de Yifan, que levantou-se antes do outro. –As panquecas do meu pai costumavam ser ótimas, de verdade. –Comentou, enquanto cutucava Jongin para acordar, mas este apenas virou o corpo de lado e continuou a dormir, arrancando mais um sorriso de Kyungsoo.

 

–A gente ainda tem que conversar. –Yifan murmurou, sem olhar na direção de Kyungsoo. Passou uma das mãos pelos cabelos, empurrando os fios soltos para longe do rosto. –Mas agora não é o melhor momento. –Continuou, vendo que Jongin começava a acordar sozinho, com um biquinho desagradado, que logo sumiria.

 

–É algo muito urgente? –Kyungsoo perguntou, pegando Jongin no colo enquanto ele resmungava algo sobre querer comer enquanto dormia. –Se for, a gente pode falar durante meu almoço hoje. –Levantou-se sem precisar de ajuda, ainda carregando seu pequeno urso no colo. Yifan levantou-se em seguida, espreguiçando os braços para o ar enquanto estalava as costas.

 

–Não é urgente, mas é importante. –Yifan disse com a voz rouca, antes de pigarrear e dar um pequeno sorriso para o outro, que ajeitava Jongin em seu colo. –E é bom, assim tenho um motivo pra te ver mais uma vez. –Continuou, passando uma das mãos pelo lado da cabeça de Kyungsoo, sentindo o cabelo negro deslizar por entre seus dedos.

 

–Olha, desculpa interromper mais uma vez. –Insung disse, fazendo os dois homens quase pularem para longe um do outro. –Mas é que as panquecas estão ficando frias, e Soo, você sabe como elas ficam horríveis frias… –Explicou, ainda com um pouco de farinha no cabelo.

 

 

Enquanto Yifan lavava a louça (depois de muito insistir e teimar), Kyungsoo tinha Jongin no colo terminando de dar pedaços de panqueca para o filho, e Insung observava tudo com um sorriso bobo no rosto.

 

–Então, “Tio Insung”? –Kyungsoo questionou, torcendo as sobrancelhas para o pai que abriu um sorriso ainda maior.

 

–Ele acordou e me viu na cozinha, sei lá… Achei melhor não contar de cara, é uma coisa que era melhor você falar. Só falei que meu nome era Insung, o “Tio” foi por conta dele. –Brincou, perguntando em seguida para Jongin se ele queria mais calda de chocolate em suas panquecas, o que ele recusou (por surpresa de ambos pai, e avô).

 

Kyungsoo então colocou Jongin sentado em sua cadeira um pouco mais alta, e esperou que o filho terminasse de mastigar para poder falar com ele sem que estivesse distraído.

 

–Filho, você gostou desse senhor, não é mesmo? –Kyungsoo perguntou enquanto colocava uma das mãos no ombro de Insung. A resposta imediata veio na forma de um sorriso grande e sujo de chocolate, e dois polegares virados para cima. –Isso é bom, porque, sabe… –Kyungsoo parecia tentar encontrar as palavras certas, para que tudo não parecesse algo demais para que o pequeno pudesse entender. –Esse senhor é meu pai, ou seja, seu avô.

 

Esperou por alguma resposta confusa de Jongin, ou alguma estranheza, mas o filho apenas jogou os braço no ar e gritou com toda a força em seus pequenos pulmões. “Meu vovô faz as melhores panquecas do mundo!”.

Por mais que Kyungsoo, naquele segundo, quisesse chorar, suas lágrimas seriam de apenas felicidade, enquanto seu pai também jogava os braços para o ar e ambos celebravam a presença um do outro em suas vidas.

 

Para Jongin era simples. Havia ganhado um avô, que era alto, engraçado, e sabia fazer panquecas. Para Kyungsoo era mais simples ainda, havia ganhado seu pai de volta, e por mais que alguns caminhos tortos estivessem por ser percorridos em seu futuro, sentia-se mais preparado do que nunca para seguir em frente.


Notas Finais


OLHA SÓ QUEM NÃO DEMOROU UMA ETERNIDADE PRA ATUALIZAR mds joga confete no ar pq isso é motivo de festa, manas trazem os doces e manos os salgados, e aquele pessoal não-binário entra com a birita.

Vamos deixar claro um negócio.

Na minha história não tem homofobia. Sabe pq? Pq eu quero acreditar em um mundo em que a gente possa amar quem a gente quiser sem essa meleca de gente querendo empatar a foda. Então não, nessa história não vai ter gente xingando o amiguinho pq é gay. Não sei se teve isso nos outros capítulos, pq eu sou cagada da vida e não leio das coisas que eu escrevo, mas a partir de agora não tem mais isso. flw? vlw!

Então é isso gente gata, gente delícia, gente que eu amo tanto. Vamo que vamo, e vamos na reza que eu ainda posto mais uns 2 capítulos pelo menos dessa história antes do fim do ano. Amém deus.

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