História Jazigo - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias IU, Justin Bieber
Tags Drama, Espanha, Julieta, Justin Bieber, Romance, Romeu
Exibições 118
Palavras 1.689
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey, there!
Mais uma oneshot porque estou completamente viciada em escrevê-las.
Esta é uma das minhas preferidas por ser intensa e dramática, do jeito que eu gosto. Não ficou tão longa como de costume, mas amei cada detalhe como está.
— Justin Bieber como Justin Bieber
— IU como Isabella Chong
— Quero agradecer a Jhen por ter me indicado a IU para a personagem, ela é perfeita!
— Um agradecimento para o Marcos, quem lacrou mais uma vez na capa e no banner. Obrigada.
Sem mais, boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Jazigo - Capítulo 1 - Capítulo Único

Meus olhos amendoados e inchados crispam ao encarar a janela. Do outro lado, a árvore estreita balança os galhos secos num sopro que me assustaria semanas atrás. Não de medo, mas de ansiedade. Eu estava despreparada para o luto. A vibração contra porta sempre me confundia com batidas. Eu queria acreditar que seria o Justin ali. O vento sempre me pregava peças, porém, agora, estou treinada. Neste instante, o vazio faz parte de mim.

Ouço uma sequência de murros suaves na madeira. Eu sei que, independentemente do que eu diga, a minha mãe entrará. Sendo assim, migro os orbes puxados e pequeninos para o teto branco, reparando no cantinho a descascar. Eu não quero olhá-la. Tenho medo que perceba que estive chorando há pouco. Aliás, chorar é tudo o que eu tenho feito nestas três semanas e cinco dias. Ouço um estrondo de louças e ergo as sobrancelhas finas.

— Suponho que não queira descer para almoçar. — respondi negativamente com um ranger de garganta. — Você precisa superar, Bella. Não pode se esconder da vida neste quarto.

— Mãe, eu já superei. Estou bem. — menti, sem hesitar. — Eu só não dormi bem à noite. — isso não deixa de ser verdade.

Ela se senta na cama e encaixa os dedos nos meus fios de cabelos lisos. O carinho é breve, contudo o suficiente para me fazer sorrir.

— Isabella Chong... — suspira. — Você cresceu tão rápido. Eu nem consigo imaginar como eu me sentiria no seu lugar.

— Mamãe, com todo o respeito, a senhora não está ajudando. — ela riu.

— Não cheguei ao ponto que eu queria. — advertiu. — Você é forte. Admiro muito isso em ti.

Mal sabe ela que, por dentro, eu estou em pedaços. O meu contra-argumento é um sorriso parcial. Não quero ficar explicando.

Como se minha mãe percebesse a minha pouca vontade, ela se levanta e segue em direção a saída. Porém, antes de partir, balbucia algumas palavras as quais não consigo decifrar e sai.

Escuto o ruído da porta fechar, assim que ela se retira. Sento-me na cama, em seguida enxergo o prato de comida sobre a escrivaninha. O brilho da faca me distrai, cândido como as paredes do quarto. Levanto o corpo enfraquecido, sigo até a janela e arranco flores do pequeno canteiro que há ali. Suspiro, na tentativa de retirar a dor de meu peito.

Caminho até o criado mudo ao lado da cama. Observo a minha foto abraçada a Justin na festa de formatura. Não sou capaz de conter o sorriso que ergue os meus lábios.

Como não sentir falta da noite em que nos entregamos pela primeira vez?

Descarto as flores murchas diante ao porta retrato e coloco as recém-colhidas. A lágrima grossa nasce no canto de meus olhos castanhos. Os orbes os quais ele costumava chamar de "seus olhinhos puxados". Céus, que saudade deste apelido.

— Nós nos encontraremos em breve, Jus. — murmuro entredentes. — Eu te amo.

Lembrar-me-ei todos os dias da vez em que pedalamos de Toledo a Madrid. O vento balançava nossos cabelos conforme acelerávamos os pés contra os pedais. As pausas estratégicas para nos beijarmos era a melhor parte. Eu ainda posso sentir os lábios dele tocarem a minha orelha. Até mesmo o calor que fazia na pele quando ele sussurrava "você é linda".

O meu pulmão quase saltava para fora pelo cansaço, assim como o suor em minha testa grudava totalmente meu cabelo no rosto. Aquele parque de diversões que fomos era tão luxuoso e incrível. Eu senti como se fosse a primeira vez de uma criança na Disney. Justin sabia o quanto aquela mísera viagem significou para mim. O gosto do sorvete de amarena retorna a minha boca e, em forma de resposta, os olhos transbordam as lágrimas presas. Prendo a respiração e solto-a com pesar.

Ele fez tudo para me agradar desde o início. Justin Bieber sabia como satisfazer as pessoas. O garoto do braço fechado de tatuagens percebeu o meu sonho de conhecer o mar e pintou uma tela com praia só para me presentear ao dizer, pela primeira vez, "eu te amo". Não, ele falou: "Bella, eu acho que... amo você". Ainda lembro os olhos cor de âmbar migrando de um lado para o outro enquanto as bochechas pálidas ruborizavam. "Você o quê?" Perguntei sem acreditar no que ouvira. Ele preencheu o peito de ar e corrigiu com toda a certeza: "Eu te amo, Isabella Chong." No momento em que as minhas mãos tremeram, Justin me beijou da forma mais lenta e tensa de todas as nossas vidas. Por mais contraditório que isso possa parecer.

Contradição. Sem dúvidas, eu e Bieber éramos paradoxos. Minhas amigas costumam me perguntar o que fazíamos para conseguir nos aturar com personalidades tão diferentes. Ainda não sei responder, no entanto, eu acredito que nossas diferenças eram o que mais nos encantavam um no outro. Ele me explicando as matérias impossíveis de cálculo, enquanto eu o ajudava a decorar os acontecimentos da história. O que nos divergia atiçava ainda mais nossa vontade de descobrir o outro.

Puxo o celular do bolso e bisbilhoto a minha pasta favorita, as de fotos antigas do nosso namoro. Eu amo as engraçadas e com careta, contudo as minhas preferidas são as quentes. Esta em que as mãos de Bieber fartam em meus seios pequenos sobre o vestido de formatura foi a nossa primeira ousada. Adolescentes e imprudentes, estávamos a todo vapor. A sede pela perda da virgindade nos consumia. No próprio banheiro do auditório, fizemos daquele lugar público nosso canto privado. A dor era cortante a ponto de não ser amenizada pelo álcool nas veias.

Aquele momento foi a nossa vitória depois de tantas tentativas falhas na minha casa. O dia em que meu pai nos pegou sozinhos no quarto também está registrado. Justin adorava me fotografar em momentos inusitados. Eu estou só de sutiã na imagem. Impressionante como uma coisa que sempre me incomodou muito que é o tamanho de meus seios o agradava tanto. Ele adorava admirar meu corpo e fazer com que eu me sentisse linda.

Acredito que essa fosse a essência dele: arrancar sorrisos de todas as pessoas que ama. Sei que ele me amava. Não tinha como não ser. Ergo meu rosto para cima, encarando o céu d’outro lado do vidro e grito:

— Eu não duvidei do amor! — as palavras rasgam a minha garganta. — Justin!

As lágrimas escorrem por meu rosto, balbucio palavras tortas de saudades. Mas, ao mesmo tempo, eu não posso esquecer as coisas ruins. Por mais que às vezes eu as deseje de volta só para ter novamente o que era bom. Nosso namoro não foi perfeito, nenhum é. Éramos muito diferentes. Tudo era motivo para brigar. Aquilo estava exaustivo. A pior parte era sempre ter a sensação de que a culpa era minha.

Eu sei que não sou fácil de lidar nem a pessoa menos ciumenta do mundo, mas ele provocava. Não havia motivo para tamanha simpatia com as meninas da faculdade. Carona era demais. Ele não podia reclamar, as colegas usavam saias ainda menores que as minhas e os mamilos marcando na blusa tiravam a atenção de qualquer um. Malditos silicone, pele bronzeada e cabelos loiros. Era óbvio que eu me sentia inferiorizada. A sociedade impõe que esta é a perfeição. Justamente o contrário de tudo o que eu sou.

Não poderia reclamar do escândalo que ele fez ao me ver ajoelhada diante do meu primo autista para fechar sua calça. Porém, reclamei. Em um relacionamento de dois anos, a confiança é indispensável. Meu interior ferve só de lembrar das palavras ríspidas.

"Sua vadia!" Ele berrou ao me ver naquela posição. "Safada, imunda, mentirosa..." Começou a me chamar dos nomes mais chulos que passavam na mente. A minha resposta foi a mais clichê de todas. "Justin, não é nada disso que está pensando." Ele riu em tom irônico. "Eu juntei dinheiro todo esse tempo para conseguir comprar passagens para Ibiza, para você finalmente conhecer o mar e você chupa um deficiente?" Humilhou-me sem piedade.

"Não ofenda o Pablo, ele não tem culpa." Revidei. "Então, você não desmente que estava chupando este cara?" Nem me dispus a respondê-lo. "Não devo explicações a quem desconfia do meu caráter." Ele bufou. "Eu te amei, vagabunda." Murmurou. "Isso não é amor, Justin." Foi tudo o que eu disse. "Eu tenho nojo de ti. Você não merece conhecer o mar comigo." Num momento súbito de fúria, disparei: "Espero que as ondas te afoguem."

Eu me odeio por isso. A culpa que carrego no peito faz questão de me assombrar todas as noites. Sonho, inclusive, com os gritos de socorro do ex-namorado a se afogar. Imagino que ele deva ter protestado até o último segundo. A correnteza devia estar muito forte. Tanto quanto a dor que sinto.

Eu quero ele ao meu lado, preciso dizer ainda o amo. Já não tenho mais motivo para viver. Todos os planos para o futuro eram ao lado dele. Com as lágrimas nos olhos, o brilho dos talheres volta a incomodar. Levanto-me para tampá-los e observo o livro de Shakespeare sobre a escrivaninha. Respiro fundo e abro-o na última página, relendo o tão doloroso final:

"Já dentro do jazigo, Romeu bebe o veneno e morre ao lado de Julieta. Momentos depois, Julieta acorda e vê, ao seu lado, o corpo morto de seu marido. Inesperadamente, Julieta pega o punhal de Romeu e mata-se, pois já não tem motivos para viver." Abaixo o livro, colocando-o de volta à mesa. Encaro meu reflexo no espelho preso à parede. Inclino meu pescoço, analisando a veia espessa. Puxo a faca afiada pelo cabo e retorno a cama.

Assim que me sento, recolho as flores em frente à foto do falecido. Suspiro um tanto apreensiva. Fecho meus olhos para tomar coragem. Eu estava morta há dias, no entanto ninguém percebia. Nem eu. Justin levou a minha alma consigo.

— Espero te encontrar na eternidade, meu amor.

Sem mais tempo a perder, movo a lâmina contra a jugular no pescoço. O corte diagonal é certeiro. Agonizo por alguns segundos, notando a visão embaçar. A última coisa que me lembro de fazer é jogar as flores sobre mim quando tombo para trás em meio à escuridão.


Notas Finais


Espero que se emocionem e gostem tanto quanto eu. ♥
Obrigada por lerem.
Um beijo,
Lali


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