História Jikook - O Comandante - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!jimin, Jikook, Jimin, Jungkook, Namjin, Suga, Top!jungkook, Vhope
Exibições 98
Palavras 2.216
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Crianças


Jimin não conseguia respirar direito.

  Jungkook era um desgraçado por fazer uma ameaça daquele tipo. O ruivo inspirou e expirou várias, buscando pelas palavras certas, tinha que pensar em tudo muito bem. Não que estivesse com medo de morrer ou que o comandante mesmo quisesse torturá-lo até a morte, não era sobre isso. Era sobre Taehyung. Ele não podia, e não ia, deixar nada acontecer com aquele garoto.

— Jungkook, isso é loucura. Você não pode fazer isso – Hoseok interrompeu, franzindo a testa como se o outro estivesse inseno – Ele é só uma criança.

— Ainda não fiz nada, Hoseok. Ele me pediu um momento para explicar e é isso que eu estou dando – o comandante falou, como se nada dependesse daquilo. – Jimin, pode começar a falar.

  Começou a pensar sobre seus vizinhos. Alguns deles trabalhavam no castelo e alguns ainda tinham a estúpida ideia de roubar algo de um dos caminhões carregados que saía da colheita. Isso fez Jimin pensar: Como os guardas descobriam sobre os roubos com tanta rapidez e eficiência? Como poderiam saber onde cada trabalhador escondia cada coisa? Sua mente e sua memória começaram a trabalhar. Tentava se recordar de seus vizinhos e lembrava claramente de ver aquelas elevações em suas peles.

— Taehyung, me diz uma coisa. Quando você estava no castelo, eles já te deram alguma vacina, além das que você toma por causa da diabetes? – se virou para o garoto, forçando um tom de voz estável assim que viu seu rostinho machucado e um filete de sangue escorrendo de seu lábio inferior. Assim que o mais novo assentiu, Jimin olhou para Jungkook, que franzia a testa, tentando entender o que se passava ali. – Taehyung trabalhava no castelo. E, assim como todos que trabalhavam lá, ele recebeu um rastreador em seu corpo. Não foi pedido, sequer consultam sua opinião, apenas colocam como se fosse uma simples vacina. Assim que o chip entra em seu organismo, ele transmite os dados para quem os controla, na sala de controle. O reino manda que todos os empregados do castelo tenham esses rastreadores para que não tentem roubar as cargas, sei disso porque meus vizinhos tinham. Não precisa necessariamente ser aplicado no pulso, pode ser no antebraço, na nuca ou no calcanhar, como eu já vi. – fez uma pausa, agora querendo explicar sobre como eles ficaram sabendo daquilo. – É por isso que o guarda do Reino disse que seria fácil achar o lugar que queria, porque ele sabia que eles têm os dados de Taehyung lá. Felizmente, nós não temos acesso ao arsenal.

— E você julga ser possível que há mais destes aqui? – Jeon perguntou, se mostrando realmente interessado, o que Jimin apreciou. – Algumas pessoas que moram aqui vieram de lá. Penso que há mais rastreadores.

— É bem capaz. – Jimin suspirou, mais aliviado por seu amigo não estar mais em perigo. – Não acha que devemos remover o do Taehyung primeiro, comandante? Assim podemos ver como é, talvez entender como funciona.

   Foi a vez de Hoseok se pronunciar. Ele foi até Taehyung e o chamou com uma das mãos, logo recebendo o mais novo em seus abraços. O outro o abraçava apertado, ainda tremendo por causa do susto. O médico olhou para Jungkook.

— Vou tirar o chip. Se encontrem mais portadores do rastreador, mandem para a minha sala. – Hoseok pegou Taehyung no colo. Antes de sair, se virou para um homem musculoso que estava na porta. – Lee, preciso que você me traga linha e gaze.

  Jimin queria sair com eles, ficar na enfermaria até que Tae estivesse melhor, mas Jungkook segurou seu pulso de forma firme, como se pedisse para que ele ficasse. E isso o deixou apavorado.

— Quanto à vocês, quero que façam uma busca nos chalés por todos que vieram do Reino e procurem pelo chip na pele. Assim que acharem, levem-nos para a enfermaria, como o Hoseok disse. – falou em voz alta, que era bem capaz de estremecer qualquer um ali. Quando Jungkook ficava com raiva, uma veia em seu pescoço se tornava bem visível e seu maxilar ficava tenso, o que o deixava com a aparência mais velha do que realmente era. – Não quero nada daqueles desgraçados aqui.

  Assim que os soldados saíram da sala, os dois ficaram sozinhos novamente. Jimin encarava o chão, sentindo o olhar de Jungkook sobre si. Ele era intenso demais, cada coisa sobre ele, o jeito que ele mantinha os braços juntos na frente do corpo, o jeito que seus olhos transmitiam uma calmaria sem igual, mas ele mesmo era uma tempestade. Primeiro, disse que ia matar os dois garotos, agora pediu para que eles ficassem sozinhos. Era realmente difícil entendê-lo, mas Jimin gostava de tentar.

— Obrigado... – limpou a garganta, finalmente tomando coragem para dizer algo. – Por ter me dado a chance de explicar.

— Parece se importar muito com Taehyung. – observou, sério.

Jimin assentiu, subitamente sorrindo ao se lembrar do jeito doido que conheceu Tae. Eles quase se mataram no primeiro dia e agora o ruivo estava disposto a morrer por ele.

— É, ele é como meu irmãozinho mais novo.

— Cuidado. Um amor desses pode te matar.

— O que quer dizer com isso?

— Que ele é seu ponto fraco. Amar alguém te deixa mais vulnerável.

  Jungkook novamente sendo aleatório nos piores momentos possíveis. Jimin foi até a mesa de madeira que ficava do lado da parede do trono, encostando seu corpo. Percebeu que havia vários esboços em folhas velhas de papel ali, eram desenhos, mapas, apenas números rabiscados...As folhas eram uma confusão, exatamente como o dono delas.

— Fala isso como se não tivesse um ponto fraco também, comandante.

— Na verdade, não tenho. Eu não...– o outro desviou o olhar para o ruivo, ainda com as feições banhadas em calmaria. Foi até a escrivaninha onde Jimin estava encostado e se aproximou, mais uma vez demonstrando que não sabia nada sobre espaço pessoal. – Eu não sinto nada.

— Não sente amor? Como poderia não sentir?

— Fui treinado para proteger meu povo e respeitar meu mestre. É tudo que eu preciso saber. – falou, quase como se fosse um discurso ensaiado.

  Jimin começou a pensar sobre a vida do garoto. Provavelmente, ele havia perdido seus pais quando era mais jovem, talvez seu mestre fosse a única coisa mais próxima de família que ele tinha. Desde bem cedo, o treinaram para ser o comandante que eles precisavam. Alguém corajoso, um verdadeiro líder. Chegou à conclusão de que Jungkook não passava de alguém solitário, as únicas interações humanas que tinha eram baseadas em política e na guerra. O ruivo se sentiu desconfortável com aquilo.

— Não pode ser tudo. E o dia do Santuário?

  Assim que disse aquilo, se arrependeu de ter tocado no assunto. Sequer sabia se Jungkook tinha conhecimento dos boatos, não imaginava como ele iria reagir. Tinha medo de estragar a primeira conversa normal que eles tiveram. Os lábios do outro mexeram levemente e Jimin não sabia dizer se aquilo era um sorriso, já que nunca viu o mais novo fazer isso, mas presumiu que era.

— O Santuário só serve para me relaxar. Comandar um povo chega a ser assustador, até mesmo para mim, sentir um pouco de prazer te faz esquecer um pouco das obrigações, mesmo que seja só durante o orgasmo. – o encarou, recebendo um olhar de confirmação. Jimin deveria estar com uma cara muito feia naquele momento, pois Jungkook inclinou a cabeça. – Parece assustado.

  Jimin tratou de voltar ao normal mordendo o lábio inferior.

 — É tudo novidade para mim.

— Ah, tem um pequeno diário... Aqui explica muito sobre os Rebeldes e todo o processo para se tornar um comandante – Jungkook procurou por algo nas gavetas da escrivaninha, logo tirando dali um caderno com pouquíssimas folhas. Fazia muito tempo que Jimin não via um caderno, não usavam mais coisas como aquela. – Claro que não fui eu que escrevi, meu ego não é tão grande assim. Foi a Chayo, nossa primeira comandante e fundadora dos Rebeldes. Assim que acabar de ler, me devolva.

  Jimin assentiu, agradecido pelo fato daquele livro existir. Estava curioso demais sobre aquele povo e sabia que Jungkook não tinha tempo para lhe explicar tudo.

— É que você é tão novo. – deixou escapar o pensamento que esteve em sua cabeça desde o dia anterior. – Quando eu ouço você falar, me parece um velho, não um garoto de 18 anos. Não é cedo demais para assumir tanta coisa? Quero dizer, você é responsável pela vida de centenas de pessoas.

Jungkook ia responder aquilo, mas um homem abriu a porta da sala. Ele parecia mais velho que ambos, seus cabelos eram escuros e possuía uma expressão entediada no rosto. Usava uma jaqueta preta surrada e mão enluvada carregava uma faca. Jimin o reconheceu como Yoongi, o homem para o qual Jin apontou na mesa do jantar.

— Temos que treinar. – falou, em um tom rígido.

Jimin encarou aquilo como uma deixa para sair, então se inclinou levemente em uma reverência desajeitada para Jungkook e caminhou em passos largos até a porta. Tinha que admitir que queria logo começar a ler aquele diário, mas tinha coisas para fazer.

  Havia pensado sobre o que o comandante disse, sobre cada um ter uma função e decidiu trabalhar na enfermaria, sendo assistente de Hoseok ou qualquer coisa que ele quisesse. Teve que fazer aquilo, pois não era forte o suficiente para ser um soldado e também não tinha coragem de ser um caçador, o que o deixava sem escolha.

— Achei que não viria nunca. – Hoseok falou, quando o ruivo apareceu no lugar. Estava vendo a enfermaria pela primeira vez. As paredes eram cobertas por azulejos, alguns estando quebrados, haviam duas camas e o resto do cômodo era coberto por uma cortina fina. Não era muito luxuoso, mas deveria ser o suficiente para o médico trabalhar. – Por que Jungkook queria que você ficasse?

  Taehyung estava dormindo em uma das camas, agora com um curativo no pulso. O sangue em seu lábio foi retirado, mas seu olho ainda estava em pouco roxo. Jimin sentia-se péssimo em ver aquele machucado ali, mas não podia deixar de se sentir aliviado, agora sabendo que ele estava à salvo.

— Na verdade, eu não sei, apenas conversamos sobre toda essa coisa de escolher os comandantes, só isso. – Jimin deu de ombros. Passou as costas da mão no rosto de Taehyung encarou um ponto fixo por um tempo. – Ele é um cara bem inteligente.

— Sim, ele é. – Hoseok concordou, um pouco desconfiado dos elogios. Ia dizer mais alguma coisa, porém alguns soldados entraram no lugar e deixaram algumas pessoas com os chips ali. – Enfim...Vamos, temos muito trabalho pela frente.

  Não muito longe dali, nos dormitórios, Namjoon e Jin repousavam na cama de baixo do beliche. Não era exatamente um repouso, já que ambos faziam questão de não pararem de se beijar nem que fosse por um minuto, consumando a saudade em seus corpos. Eram cada vez mais raros os encontros dos dois e isso estava acabando com eles por dentro.

— Tem certeza que ninguém vai entrar? – Namjoon perguntou.

— Uau, você tem mesmo medo que alguém descubra. – Jin falou, balançando a cabeça em negação. Se afastou levemente do outro.

Era sempre assim. Namjoon ficava quase paranóico quando eles ficavam juntos, como se alguém fosse ver à qualquer momento. Jin entendia o porquê daquilo, mas sua cabeça paranóica não podia deixar de criar várias paranóias sobre aquilo. Eles eram complicados.

— Não é isso. É que...Você sabe como o Jungkook é. Se soubesse sobre nós, ele nunca mais me deixaria ir em alguma missão. Ele não ia querer que você ficasse sozinho se eu morresse, eu sei como ele é – o soldado suspirou, deixando um breve selinho nos lábios do outro. – Eu ficaria aqui para sempre.

Jin sorriu.

— Talvez seja isso que eu quero.

— É por isso que estamos nos escondendo agora. Mas, quando tudo isso acabar, quando não houver mais Reino e Chung-Hee seja só mais um nome, eu juro que vamos para um lugar bem longe de toda essa loucura. – o mais novo prometeu, entrelaçando seus dedos. – Vamos viver juntos para sempre.

Jin vivia por este dia desde que conhecera o soldado.

(X)

Jimin lia o diário de Chayo, chocado com os métodos dos Rebeldes. Ali, em letras cuidadosamente escritas, mesmo que o papel já estivesse desgastado, estava documentada a história do grupo.

"Quando escolhemos as crianças que deverão treinar como aprendizes do comandante, tomamos como critério a falta de uma família ou de alguém responsável. No período de treino, as crianças são ensinadas que o que elas tinham entre si não era amizade, eles eram adversários, mas não deveriam negar ajuda quando lhes era solicitado.

O mestre deve selecionar os dois aprendizes que se saem melhor, tanto na luta quanto em atender as necessidades de um povo. Quando eles completam a idade mínima de 16 anos, ou quando ocorre a morte do comandante, os dois devem lutar na arena até que só sobre um. Este será, então, nomeado.

Um comandante deve ser frio e impiedoso, mas também justo e inteligente, sabendo lutar pelas pessoas certas. Ele nunca poderá construir uma família ou ter amigos fixos, deve se isolar de todas as relações que não sejam políticas e meditar sobre o que significa ser um líder.

Apenas acreditamos que, enquanto nós resistirmos, o Reino nunca irá tirar a esperança do povo, que luta unido. O rei deveria temer o seu povo, não o contrário.

A quem interessar,

a primeira comandante."



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