História Jogo de Máscaras - Capítulo 30


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Lemon, Naruto, Sasuke, Sasunaru, Yaoi
Visualizações 307
Palavras 3.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Capítulo 30 - Tire sua máscara de amigo leal


Deidara praguejou audivelmente ao colocar a bolsa de gelo sobre o lado esquerdo do rosto. Sasuke não havia se segurado nem um pouco ao socá-lo três vezes antes que Naruto o contivesse. Remexeu-se no sofá de sua casa e suspirou com dor de cabeça.

Quando Neji lhe disse que Ten-Ten havia feito um acordo com Sasuke, duvidara, conhecia bem demais o amigo para acreditar que ele havia simplesmente aceito ajudá-los. E estava certo. Sasuke só estava naquela reunião com Ten-Ten por mérito de Itachi. Reposicionou o gelo na face. Doía, mas sabia que havia merecido tanto os socos quanto as palavras duras de Sasuke e o olhar frio que o julgava.

Quando conheceu Hiashi Hyuga, era como Sasuke, fazia o mesmo que ele, ao irritar as pessoas erradas; enquanto Sasuke focava em Orochimaru, prefeito na época, ele pesquisava sobre Hiashi e um acordo suspeito para a alteração nos direitos trabalhistas. Assim como Sasuke, perdeu a noção do perigo e começou a seguir Hiashi, o que resultou na descoberta de um jantar entre o político e o dono do jornal onde trabalhava. Alertou Pain, mas era óbvio que não tinham como fazer algo a respeito na época. Quem acreditaria? Precisava de provas.

Começou a ser mais persistente, seguia Hiashi quase todos os dias da semana até ser pego por um dos seguranças dele. Tudo naquele dia havia dado errado. Hiashi já o tinha notado e, então, emboscou-o facilmente em uma de suas propriedades privadas. Sentado no jardim do político, cercado por três seguranças armados, Deidara viu Hiashi se aproximar com uma pasta e o notebook que carregava sempre em sua mochila.

— Você não desiste fácil, não é? Achei que ia parar de me seguir depois de uma semana ou duas, mas aqui está você... — Hiashi falou, com falso pesar, e colocou a pasta e o notebook sobre a mesa. — Terá que me desculpar, mas exclui alguns arquivos.

Deidara sorriu, irônico, não era como se não tivesse uma cópia de todos os documentos salvos em um local protegido.

— Antes de começarmos, acho que você gostaria de ler o que está na pasta. Eu espero, não se preocupe.

Deidara estreitou o olhar e se inclinou sobre a mesa, pegou os papéis e os leu em silêncio. Achou seu extrato bancário, os empréstimos, as dívidas, tudo detalhadamente exposto em várias páginas. Além disso, havia uma ficha familiar, um quadro bem estudado de seus pais e irmão, além de alguns amigos próximos, suas profissões, suas localizações, rendas, dificuldades financeiras, históricos médicos de alguns e até processos. Depois, deparou-se com o seu próprio perfil. Além das informações básicas, havia ali o relato de seu último processo, o que ganhara ao publicar fotos que “difamavam a senador Mitashi”, e também o histórico de seu computador dos últimos meses, incluindo alguns e-mails e conversas privadas.

— Parece que alguém fez o dever de casa — debochou, embora o medo em sua voz não estivesse tão escondido quanto queria.

— Continue lendo, a última parte é a minha favorita.

Deidara massageou a nuca e olhou para os lados enquanto o coração acelerava, temeroso. Precisava sair dali, sabia disso tanto quanto sabia que não havia modo de conseguir escapar. Folheou os documentos e achou a última parte. Recostou-se na cadeira e balançou a cabeça em descrença à medida que lia.

— Darei entrada no processo amanhã — Hiashi explicou, sério. — E, como deve imaginar, um certo amigo não terá outra escolha a não ser demiti-lo por justa causa, uma vez que botou o jornal em risco ao invadir uma propriedade privada. Vai ser uma história bem triste, admito. Desempregado, endividado, com um novo processo que certamente irá perder e, assim, uma nova e generosa multa a pagar. Pergunto-me se essa sua curiosidade vale realmente tanto assim...

Deidara suava frio. Não poderia pegar outro empréstimo, o último ainda pagava a multa do processo que perdera para a senador Mitashi. Também não havia como pedir dinheiro aos pais, nem a Sakura ou a Sasuke que, por sinal, estava tendo que pedir dinheiro ao irmão graças ao atentado que havia sofrido e que tinha acabado com o carro dele. Hiashi parecia se divertir, o sorriso mínimo e a postura calma lhe diziam que o jogo já havia terminado. Não tinha o que fazer, havia ido longe demais, como Sakura tanto o alertara para não ir.

— Eu tenho duas opções agora. — Hiashi olhou o céu enquanto cruzava as pernas. — Na primeira, eu ligo para a polícia e te denuncio, abro o processo amanhã, você é demitido e sabe-se lá como irá pagar o que deve. Gosto dessa opção, elimino de vez um empecilho com ela. Contudo, vocês são como baratas, é só me livrar de um que aparecem mais dois! E, por isso, temos a segunda opção, de que, particularmente, gosto muito mais. Eu não ligo para a polícia, não te processo, pago sua dívida e não acho que meu amigo do jornal vá se importar em te oferecer um aumento pelo seu excepcional trabalho e discrição. Em troca, é claro, peço que se cale, chega de matérias acusatórias e de perseguições. Além disso, seria extremamente útil para mim ter um par de olhos dentro do jornal; apesar do meu amigo ser o dono, é ruim para ele intervir direto e também é difícil saber a tempo de... pessoas como você, que se intrometem onde não são nem convidadas nem bem-vindas.

Não é difícil imaginar o resultado da conversa.

No começo, Deidara havia apenas se calado, mudou o foco das matérias, e todos julgaram que a mudança tinha sido pelo atentado que Sasuke havia passado. Óbvio que odiava a situação, entretanto, tornou-se cômodo permanecer nela.

Alguns meses depois, o sobrinho de Hiashi assumiu a prefeitura. Conheceu-o em um jantar discreto, quando Hiashi lhe “pediu” que fizesse matérias favoráveis a Neji naquele primeiro ano de mandato. Não foi difícil, uma vez que, ao menos naquele período de tempo, Neji mostrava-se um prefeito exemplar, mostrando serviço e comparecendo a todos os compromissos marcados.

Parecia um trabalho quase que justo, ou era isso que se dizia toda vez que se sentia culpado por gastar o dinheiro em roupas caras, em quadros que admirava, em todas as peças que queria assistir ou nas viagens que agora fazia sem ter que se preocupar com as contas no final do mês. No final daquele ano, Neji promoveu uma exposição de arte especial, e Deidara foi, como em todas as outras, e logo reconheceu o artista como sendo um dos seguranças de Hiashi. Ao que indicava, Ten-Ten havia descoberto o hobby do segurança, Sai, e, em troca de alguns pequenos favores a ela, propôs a exposição no museu ícone da grande cidade.

Foi naquele dia que a conheceu. Ten-Ten tinha sido discreta ao se aproximar e lhe presentear com um dos quadros de Sai, o mais valioso segundo o artista, em agradecimento pela ajuda prestada naquele ano. Certamente, ela já sabia de seu gosto por arte: Hiashi ainda tinha a pasta com sua ficha e monitorava suas idas, frequentes desde que seu salário havia aumentado, a galerias, teatros e museus. Não demorou a entender que lidar com a primeira dama era muito melhor que com Hiashi; melhor e mais seguro. Era nítida a desaprovação dela pelos métodos violentos a que Hiashi recorria de vez em quando e, vendo a rivalidade entre os dois, Deidara logo escolheu de que lado ficar.

Não havia sido um mau negócio. Tinha até mesmo ganhado a oportunidade de tentar se promover com aquilo. Em um ou dois meses, mostrou a Ten-Ten alguns quadros que ele havia rascunhado e conseguiu convencê-la a deixá-lo expor uma única vez assim como ela havia feito com Sai. Uma bobagem, mas uma oportunidade única, algo que ele sabia que não conseguiria fazer de novo quando aquele esquema ruísse. E ela permitiu com a condição de que a ajudasse a manter seus encontros com Kiba Inuzuka em segredo, intervindo sempre que possível para que nenhuma matéria nunca fosse publicada a respeito.  

E tudo caminhou bem até que Sasuke começou a ver, explorar e expor os erros de Neji. Era como assistir a uma tragédia. Deidara já sabia que em algum momento aquela brincadeira teria um fim e percebeu que o início da queda daquele seu castelo de cartas começou com Sasuke, animado, dizendo-lhe que tinha um novo alvo: o prefeito Neji Hyuga.

Era um pesadelo. Via as matérias crescerem, Sasuke ficar mais e mais engajado no assunto, e Hiashi, mais irritado. Tentou convencer o amigo a mudar de foco, a escolher outro político, a fazer qualquer outra coisa antes que chamasse mais atenção, antes que ele não pudesse mais o acobertar para Ten-Ten. Entretanto, Sasuke não era de desistir tão fácil, e a notícia que o assistente dele publicou atraiu mais olhos do que deveria.

Ten-Ten o chamou naquele dia.

Ela perguntou quem era o Sasuke, quis saber de tudo, e ele omitiu o máximo possível, não queria envolver Sasuke naquilo! Por ironia do destino, havia recebido uma mensagem de Itachi dias antes perguntando se o irmão estava bem, se continuava a se alimentar e se havia dado entrada no hospital por estresse novamente. Usou isso a seu favor. Deu a entender para Ten-Ten que conseguiria fazer a cabeça do amigo se houvesse algum estímulo. E foi assim que conseguiu o dinheiro para ir a Akatsuki.

O plano era simples. Levaria Sasuke para a Akatsuki, ele usaria o dinheiro de Ten-Ten, Deidara lhe contaria tudo no dia seguinte e, assim, haveria um impasse. Sasuke não poderia fazer nada enquanto não pagasse a dívida com ela; também não poderia mais publicar caso não quisesse ser exposto, afinal, havia entrado em um bordel usado por políticos, em sua maior parte, corruptos; até a reputação dele seria comprometida, quem acreditaria nas matérias de um jornalista que teve a noite paga pela primeira dama em um estabelecimento, no mínimo, suspeito?

Era uma forma rápida de tirar Sasuke do jogo sem que algo pior acontecesse, mas, como se para contrariar a todos, Sasuke saiu da Akatsuki naquela primeira noite sem fazer absolutamente nada. Simplesmente foi embora! E levou junto a coragem de Deidara para levar aquele plano adiante. Ten-Ten assumiu o jogo então.

Ela lhe perguntou se a casa do amigo estaria vazia. Assustou-se, mas garantiu que tiraria Sasuke de casa e o levou novamente a Akatsuki como ela solicitou. Pelo que ela havia explicado, só vasculhariam a casa em busca do computador, nada mais, e o susto pela invasão deveria ser suficiente para deixar Sasuke um pouco mais distante de Neji. Além disso, daria a ele um novo objetivo: descobrir quem havia invadido a casa e, nesse meio tempo, ele não atacaria a candidatura de Neji. Caso isso desse errado, ainda teriam como usar a Akatuski contra Sasuke.

A casa que era para estar vazia, não estava, a invasão em busca do computador não achou nada e, para piorar, Deidara soube que o jogo só tinha se complicado quando descobriu que a cachorra do amigo tinha sido baleada e que Sakura estava em choque. Sasuke não só buscaria quem havia armado aquilo, ele acharia os responsáveis.

É claro que Ten-Ten não lhe deu ouvidos, ela achava que, daquela forma, mesmo que lamentasse o ocorrido, Sasuke de fato não iria mais perseguir Neji e, então, o objetivo estava concluído. Além disso, haviam até mesmo tirado Sasuke da liderança do caderno de política do jornal. Não havia perigo.

Que ilusão...

Sabia que não seria tão fácil e, como se Hiashi pudesse ler seus pensamentos, não demorou que recebesse a ordem de conseguir uma cópia dos arquivos do computador de Sasuke. Antes disso, mais uma vez, tentou convencer o amigo a deixar aquele assunto quieto, a esquecer a invasão ou Neji, a tirar férias! Mas, diante da recusa, aproveitou-se de uma vez quando o visitou com Sakura, antes de Itachi chegar, para copiar os arquivos. Não tinha sido difícil e odiou-se por aquilo. Sasuke estava pesquisando justamente quem poderia ter invadido a casa, e Deidara tinha apenas pedido para olhar o notebook, o que Sasuke permitiu sem desconfiar de nada. Copiou os arquivos prometendo ajudar com a pesquisa e, depois, mesmo apagando as matérias mais comprometedoras contra Neji antes de repassar o pendrive, Hiashi ainda achou que Sasuke podia ser um problema.

Perguntou a Ten-Ten se não poderiam usar o caso da Akatsuki contra Sasuke com medo de que Hiashi decidisse o que fazer, mas ela negou: Hiashi já havia interferido e ela não achava mais que Sasuke cooperaria. Óbvio que só entendeu a primeira dama um pouco depois quando descobriu que o garoto de programa com quem Sasuke havia dormido era ninguém menos que o queridinho de Neji! E não só isso... Sasuke não estava só dormindo com Naruto, estava se envolvendo com ele, levando-o para casa! Usar isso contra Sasuke era uma faca de dois gumes uma vez que Naruto poderia virar-se contra Neji.

— O que Hiashi vai fazer? — perguntou, receoso, e, antes que Ten-Ten respondesse, o celular dele tocou.

Ela o olhou e deu de ombros ao indicar o celular.

— Acho que você vai saber antes de mim — ela rebateu, contrariada.

Plantar as drogas na gaveta de Sasuke não foi difícil. Ainda que Pain soubesse que Sasuke era inocente, Deidara teve que convencer o chefe a não encobrir Sasuke. Entregara-se naquele momento. Pain percebeu o que estava acontecendo, e Deidara só teve o tempo de pedir que ele demitisse Sasuke para que o amigo parasse de continuar se expondo ao perigo! Hiashi havia lhe mandado incriminar Sasuke com a esperança de que Pain chamasse a polícia e que a reputação do jornalista caísse com isso, o que viria depois? Felizmente, Pain tinha concordado, não por ele, mas por Sasuke, porque ele sabia que Sasuke continuaria a se colocar em xeque sempre que tivesse a oportunidade ali dentro do jornal.

E, então, como se não bastasse Sasuke causando-lhe dor de cabeça, notou Sakura seguindo os passos dele. Na exposição dos seus quadros, no evento que Ten-Ten havia lhe prometido, percebeu Sakura seguindo Hiashi e quase foi pego por ela após uma conversa com ele e Orochimaru. Dissimulou e, graças ao cansaço dela, convenceu-a a ir para casa.

No dia seguinte, descobriu sobre o envolvimento de Sasuke e de Naruto e, dias depois, que o amigo não só havia saído com o Naruto para investigar mais sobre Neji, como também havia ido à casa de Kiba Inuzuka! Ele não tinha apenas complicado a situação, ele havia declarado guerra! Ten-Ten tinha ido parar no hospital ao tentar consertar aquilo!

Passou a noite em claro, tentou achar algum meio de impedir que Hiashi fosse atrás de Sasuke, contudo, pela manhã, Sai estava em sua casa e lhe desferiu dois socos. Nada grave, mas que deixaria marcas.

— Quando Sasuke lhe perguntar, diga que Hiashi mandou alguém te bater e que você conseguiu fugir, entendeu? — Sai perguntou, indiferente.

— Está sabendo de alguma coisa?

— Não muito. Sei que dessa vez Hiashi não mandou ninguém atrás nem de Naruto nem de Sasuke, mas ele estava numa reunião com Orochimaru, então...

— Todas as possibilidades abertas?

— Sim. E, Deidara... — chamou-o já na porta, prestes a sair. — Sabe que não dá para ficar em cima do muro nessa situação, não sabe?

Ignorou-o e bateu a porta com força. Não precisava que lhe dissessem o óbvio.

Como Sai havia lhe recomendado, mentiu para Itachi e Sasuke quando apareceram em sua casa, à noite, de repente. Pegou o celular de Sakura e, ao ouvir as suspeitas de Sasuke de que Hiashi havia enviado documentos pessoais de Hinata para a amiga, entendeu. Hiashi estava atacando as pessoas próximas a Sasuke e a Naruto.

Encarou o celular nas mãos. Queriam que ele descobrisse o IP, mas ele já o sabia de cor. E, enquanto se decidia sobre passar ou não a informação para Sasuke, Itachi simplesmente recuperou o celular e disse que iriam embora. Assim que eles saíram, recapitulou tudo o que havia dito, o que tinha feito, e socou a parede quando percebeu que havia deixado escapar que sabia sobre o envolvimento de Sakura e Hinata quando, obviamente, ele não poderia saber.

Itachi não tinha como conectar tudo só com aquilo, tinha? Quer dizer, era um único detalhe, uma única linha de um extenso tecido, ele não podia o encurralar com aquilo.

No dia seguinte, acordou com chamadas perdidas tanto de Hiashi quanto de Ten-Ten. Alguma coisa havia acontecido, algo grave. Olhou seu e-mail e viu a matéria que Sakura havia publicado. Vestiu-se com pressa e dirigiu para o jornal o mais rápido que pôde, ao receber uma mensagem de Sai avisando que Hiashi o havia mandado para lá atrás de Sakura. Conferiu as mensagens: nada. Hiashi não tinha lhe dito isso. Ligou para Ten-Ten e a sondou discretamente, ela também não estava ciente de que Hiashi tinha planejado agir.

Agradeceu a Sai e pediu que ele lhe desse alguns minutos de vantagem para que pudesse tirar Sakura do prédio. Interrompeu a conversa dela com Pain e a apressou sem mais explicações. Acompanhou-a de longe e suspirou aliviado quando viu que Itachi e Sasuke esperavam por ela no térreo. Deixou-se cair ao chão, respirando profundamente enquanto se acalmava.

Hiashi estava agindo pelas costas de Ten-Ten, ou seja, eles haviam definitivamente parado de colaborar um com o outro. E a confirmação disso chegou dois dias depois, quando a primeira dama lhe telefonou. Contou o que tinha acontecido para ela, apesar de ter certeza de que Sai já o fizera, e soube sobre Itachi ter ido na casa dela examiná-la. O cerco estava se fechando. Perguntou o que fariam, e tudo o que recebeu foi um endereço e uma hora para uma reunião sobre o acordo que ela tinha feito com Itachi.

E chegando lá... Era como se sua máscara tivesse caído assim que olhou para Sasuke, como se, a cada soco que recebia dele, sua máscara se quebrasse até não sobrar nada para lhe cobrir o rosto e as mentiras. Enfim, seu castelo de cartas foi totalmente ao chão.

Ten-Ten não parecia arrependida, mas como esperar diferente, não é? Aquilo era um jogo, e ele, mais uma peça. Descartável, aliás.

Teve que contar a maior parte do que fizera a Sasuke, de resto, ele já sabia, Itachi havia descoberto. Ten-Ten fingia não prestar atenção na conversa, mas Deidara sabia muito bem que ela estava tomando nota de tudo que dizia. Ao final, Sasuke se recusava a olhá-lo. Ten-Ten explicou a Deidara que seria ele a acompanhar Neji na reunião que Hiashi preparara e que devia gravar tudo o que pudesse comprometer um pequeno grupo de políticos que ela já havia listado.

No final, Sasuke e Naruto saíram do prédio com pressa, sem dar abertura para que Deidara se aproximasse. Ten-Ten girou a caneta sobre a mesa e suspirou ao se levantar. Deidara a encarou. Não podia dizer que sentia raiva propriamente dita, afinal, ela só antecipara o momento em que Sasuke descobriria tudo, mas, ainda assim, a punhalada nas costas ardia.

— Não me olhe assim... sabe porque fiz isso, preciso de você com Neji quando o dia chegar — ela falou, sem encará-lo, a atenção fixa no céu através da janela.

— Sei porque fez isso... — ele respondeu. — E não foi só por essa reunião, está tramando algo.

Ela deu de ombros, sem desmenti-lo. Ele deixou o prédio alguns minutos depois e, hesitante, dirigiu até o prédio de Sakura. Era óbvio que ela também já sabia de tudo, então não se surpreendeu por não ser atendido. Em seguida, foi até sua própria casa e, ao abrir a porta, não conteve o riso surpreso, sem humor, quase que melancólico, quando viu papéis revirados na sala e seu notebook ligado sobre o sofá. Reuniu todos os documentos e os arrumou novamente, notando sem muita dificuldade que todos que diziam relação a Neji ou a Hiashi haviam sumido. No computador, a mesma coisa. As pastas haviam sido excluídas, o e-mail aberto e todos os sites de hospedagem de arquivos de que se utilizava também. Não havia nada que indicasse que um dia havia possuído qualquer arquivo sobre os políticos. Três pendrives estavam destruídos no chão e o HD externo, que tinha certeza de ter escondido muito bem, jazia desmontado em vários e vários pedaços.

Riu, com escárnio, com raiva, e não pensou duas vezes ao arremessar o computador contra a parede. Tinha perdido todos os arquivos contra Neji e Hiashi que colecionara naqueles anos e, para piorar, agora eles sabiam que não era inteiramente de confiança.

Respirou fundo, sentindo o rosto doer onde Sasuke o batera. E foi assim, depois de tudo isso, que terminou sentado no sofá, com uma bolsa de gelo no rosto, sozinho e sem nem ao menos saber o que faria dali em diante.

* * *

Ten-Ten havia conversado com a mãe logo após ficar sozinha na sala de reuniões. Pedira a ela, novamente, que convidasse Kaguya para algum evento e que tocasse no assunto sobre o esquema. Diferentemente de seu pai, que era apenas um deputado com muitos contatos e amigos que lhe deviam favores, sua mãe era uma senadora de presença forte, de opinião inquestionável, de histórico impecável apesar de todas as suspeitas que tentavam levantar sobre o rápido enriquecimento da família. Sendo assim, um convite dela para um almoço ou qualquer que fosse o evento era, no mínimo, especial, e Kaguya nunca recusaria.

Felizmente, não precisou de muito para que a mãe entendesse o que precisava fazer exatamente. Se queriam entregar Hiashi e Orochimaru para os leões, seria ainda melhor se eles dois não se unissem para se defender, ou seja, seria mais fácil derrubá-los se um desconfiasse do outro. Precisava armar uma situação, deixar Orochimaru receoso quanto a Hiashi, fazer com que o tio de Neji não pudesse mais confiar em Orochimaru para que, dessa forma, quando as acusações fossem a público, eles gastassem toda sua energia culpando um ao outro.

E, segundo o hacker que Sai havia contratado, com os arquivos sobre Hiashi encontrados no computador de Deidara, material eles tinham de sobra para acusar Hiashi de qualquer coisa.

Esperou Neji sair da reunião, resumiu-lhe tudo o que havia acontecido quando ele não estava presente e deram as mãos já dentro do carro. Tinham movido a primeira peça do jogo, agora era esperar o movimento adversário para poder continuar jogando.


Notas Finais


Reviews?
Surtos ou reclamações?

Responderei os reviews amanhã <3


Link da minha page: https://www.facebook.com/mypieceofdream/


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...