História Jogo de Máscaras - Capítulo 31


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Lemon, Naruto, Sasuke, Sasunaru, Yaoi
Visualizações 528
Palavras 5.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 31 - Capítulo 31 - Vista sua máscara de desespero


Hiashi não era burro, ele sabia jogar e, portanto, notar os movimentos dos seus adversários, ainda mais os mais próximos dele. Ten-Ten, por algum motivo, estava erguendo os escudos, aumentado as visitas aos pais, principalmente à mãe. O pai de Ten-Ten era um inimigo que não gostaria de ter, mas a mãe, uma senadora... não, Hiashi nem queria imaginar o quanto a mãe de Ten-Ten poderia mover para ajudar a filha se ela pedisse. Talvez, tivesse ido um pouco longe ao submeter Ten-Ten ao exame de gravidez. Ela agora não parava de ir aos eventos públicos com Neji, de montar uma fantasia para a mídia, de trazer a opinião pública a seu favor e, apesar de ele ter provas contra Neji e algumas contra Ten-Ten, usá-las era... complicado.

As provas que possuía contra os dois também o incluíam, era uma faca de dois gumes. Além disso, Neji era um covarde e Ten-Ten, cautelosa, logo, até o esquema do hospital aparecer, os esquemas em que eles haviam entrado não eram grande coisa. E, por isso, só por isso, estava montando aquela armadilha para o sobrinho. Precisava de algo sólido contra Neji, algo que faria Ten-Ten recuar e abaixar suas defesas, de quebra isso poderia até dar a ele um modo de controlá-los por um tempo, até as eleições talvez.

A reunião que aconteceria naquela noite era, literalmente, um alívio para muita gente. Todos os que se reuniriam ali, exceto ele próprio, significava um incômodo, uma carta do baralho que precisava ou ser jogada fora ou tirada da mesa por um tempo. É claro que o esquema que organizariam estava fadado ao fracasso, tudo tinha sido já devidamente arquitetado com alguns policiais, juízes, promotores, advogados. Em poucos meses, haveria uma delação, uma investigação, o escândalo viria à tona, com certeza os ratos medrosos entregariam todos os nomes por uma chance de fugirem da pena, mas o nome de Neji seria ignorado em troca de algumas promessas, e isso garantiria a Hiashi que Neji não afundasse junto com os demais ratos a perderem a cabeça, mas ainda lhe daria a chance de chantageá-lo quando preciso.

 Pelo menos, naqueles últimos dias, não havia tido notícias do jornalista. A ameaça a Itachi dera certo? Duvidava. Ou Ten-Ten o tinha dobrado no tempo em que ficaram a sós? Quem diria que aquela garota mimada com quem casara o sobrinho se tornaria tão ardilosa quanto os pais...

Olhou-se no espelho, terminando de abotoar as mangas compridas da camisa vinho. Colocou o relógio no pulso, checou o horário e ordenou que preparassem seu carro. Já era hora.

* * *

Neji alisava a cintura de Ten-Ten com carinho enquanto ela arrumava a gola de sua camisa. Ela estava de cabelos soltos, com um robe de seda branco, a barriga começava a se pronunciar, e os dedos dele eram atraídos como ímãs para a região, contornando-a repetitivamente em uma mistura de pensamentos e sensações. Era relaxante, como se agora aquela fosse uma carícia íntima, um novo elo que os aproximava e tornava tudo mais... deles, só deles.

Segurou as mãos dela e a beijou de leve nos lábios. Ela riu, baixo, e arqueou a sobrancelha sem entender.

— Beijo de boa sorte? — Ela riu ao se afastar e caminhar até a estante onde o celular apitava, e Neji sorriu.

— Hiashi? — ele perguntou enquanto ela lia as mensagens no celular.

— Não, Deidara — corrigiu. — Lembre-se do que combinamos, certo? Evite falar muito sobre o esquema, não dê a sua opinião, só faça com que os outros falem. Além disso, faça citarem Hiashi.

— E, enquanto Deidara estiver gravando, devo deixar claro que apenas estamos ali para denunciar aquilo e Hiashi apenas — completou.

— Isso. Duas vezes, uma no começo, outra no meio do evento. Comentários simples, demonstrações de repúdio ou nojo pelo que estão tramando, coisas assim. — Ela deu de ombros, como se fosse óbvio. — Já está no horário?

— Sim — ele respondeu. — Seria melhor se você fosse, sabe jogar com eles melhor que eu...

Ela sorriu abertamente e se aproximou dele. Arrumou-lhe o fio solto do cabelo, passando os dedos pelas mechas presas no rabo de cavalo médio e elegante. Balançou a cabeça de um lado para o outro enquanto respondia:

— Preciso cuidar de outros assuntos enquanto você estiver lá.

— Do quê? — Ele franziu o cenho.

— Finanças. Só por precaução.

— Algum problema com nossas contas?

— Não, por enquanto não, mas quero saber quanto receberemos pelos últimos investimentos que fizemos e quando ocorrerá. Alguns dos títulos já deram lucro e preciso saber quanto exatamente.

— Está querendo viajar?

— Quem sabe? — Ela piscou, divertida. — Confie em mim, só quero ter em mente o quanto temos disponível.

Neji concordou, embora não visse lógica naquilo. Contudo, confiava em Ten-Ten e, se ela dizia que aquilo era importante, então era. Despediu-se brevemente. Seu motorista já havia buscado Deidara e, sendo assim, quando entrou no carro, viu-o mexendo no celular impacientemente.

Cumprimentou-o como manda a educação, sem ser respondido. O trajeto foi silencioso, cada um perdido em seus próprios pensamentos e objetivos. As luzes da cidade brilhavam, iluminando a agitação da vida que continha em suas ruas àquela hora da noite. Já não havia trânsito, mas, ainda assim, demoraram cerca de quarenta minutos para chegarem à residência que sediaria o encontro.

O carro entrou, passando pelos portões e parando na garagem coberta onde outros já estavam. Deidara saiu primeiro do veículo e mostrou a Neji, discretamente, os dois gravadores que carregava consigo, um preso à cintura e outro na manga do casaco chamativo.

— Estão funcionando? — Neji inquiriu.

— Óbvio.

— Então vamos fazer com que falem o máximo possível — comentou naturalmente. — Precisamos desmascarar Hiashi e todo esse esquema sujo.

Deidara não lhe deu atenção, olhando uma última vez para o carro estacionado antes de começar a seguir Neji. É, já era hora...

* * *

Sasuke era um perigo para si mesmo algumas vezes, várias vezes, mais vezes do que qualquer um poderia gostar.

Ele acordou bem e contente, e isso já era por si só sinal de problema. Abraçou o corpo quente de Naruto em seus braços e esfregou o rosto contra a nuca dele antes de abrir os olhos. Sentiu a movimentação na cama e ergueu minimamente a cabeça para ver Pandora se ajeitando no colchão perto de seus pés. Ouviu Naruto resmungar, sonolento, e se arrepiou com a respiração dele contra seu pescoço.

— Bom dia. — Naruto bocejou e sorriu.

Sasuke sorriu quando Pandora se ergueu rapidamente e avançou como pôde para perto de Naruto, pulando na cama e lambendo-lhe a face e as mãos.

— Eu já te expliquei que essa frase é um perigo. — Sasuke sorriu, inconformado, enquanto Naruto ria e tentava se desvencilhar do filhote. Sentou-se e encostou as costas na cabeceira. — Bom dia, Pandora, vem cá, vem.

A cachorra pareceu feliz com a atenção do dono, inquieta enquanto ele passava as mãos em suas orelhas, tentando se aproximar à medida que Sasuke ria baixo e segurava-lhe a cabeça para acariciá-la. Enquanto isso, Naruto aproveitou para se levantar e ir primeiro ao banheiro.

Sasuke pegou o celular no criado mudo, deixando Pandora deitar-se sobre suas pernas. Havia duas mensagens de Deidara não lidas. A reunião dos políticos seria à noite, e Sasuke já tinha combinado com Deidara sobre um adicional ao plano que Ten-Ten havia lhes proposto. Só não podia contar a Itachi e Sakura, muito menos a Naruto daquela vez, já que havia prometido a Hinata que não o faria.

Tentou conter a animação durante o dia e fugiu descaradamente do olhar atento do irmão mais velho. Antes do horário programado com Deidara, arrumou-se e, aproveitando que Itachi tinha saído para comprar algo, decidiu que partiria logo. Naruto o observou a cada momento, sem dizer nada, mas pausando o jogo e esperando o momento certo para intervir:

— Sasuke...

— Não pergunte — falou, correndo para pegar a carteira e a câmera profissional sobre a mesa de centro.

— Essa câmera é da Hinata, não é? — Naruto reconheceu de cara. — Por que está com ela?

Sasuke pegou a chave da moto e voltou-se a Naruto, beijou-lhe os lábios breve e repetidamente, sem conter a animação e a adrenalina que o coração bombeava a todo instante.

— Não pergunte, não se preocupe e não saia de casa, vou voltar um cedo. Ah, não deixe Itachi surtar, certo? — Sorriu de canto.

E, sem dar tempo para resposta, saiu de casa rapidamente, deixando um Naruto confuso e preocupado para trás.

Dirigiu com calma, apesar de querer correr. Quando chegou ao prédio, teve sua entrada autorizada por Deidara e estacionou a moto em um canto discreto e vazio. Felizmente, não precisou esperar muito até que um luxuoso carro entrasse no estacionamento também. Chegou o celular, Deidara lhe confirmara que aquele era o motorista de Neji. Esperou Deidara descer até onde estavam e aproveitou-se, de que quando ele começou a distrair o motorista, para entrar no porta malas do veículo.

Itachi o mataria por aquilo, certamente o mataria, mas não importava. Sasuke não confiava em Ten-Ten, só um idiota o faria. Quem lhe garantiria que teria uma cópia da gravação de Deidara? Quem lhe garantiria que no dia seguinte Neji e Hiashi não fossem se unir novamente? Afinal, eles eram parentes! Quem lhe garantiria que as provas da reunião daquela noite seriam mesmo usadas? Que Ten-Ten não chantageasse Hiashi em busca de benefício próprio? Ninguém! Somente Sasuke era sua própria garantia! Registraria o evento, reuniria provas suas e, se Ten-Ten quebrasse o acordo, ele ainda teria como encurralar Neji.

Silenciou o celular, ouviu Neji entrar no carro e, como combinado, só deixou o veículo quinze minutos depois que chegaram ao destino final, quando não havia nenhuma voz por perto, nenhum som de motor ligado. A roupa escura o ajudava, uma vez que era noite, as áreas do jardim próximas à garagem também lhe eram de boa serventia, criando uma área mal iluminada entre os arbustos para que ele se esgueirasse até um pilar de pedra lisa.

Tinha que agir naquele momento inicial, enquanto todos estavam chegando, visto que, depois, todos os convidados se retirariam à uma sala fechada para discutir o que planejavam. Vestiu o capuz do moletom e preparou a câmera. Escondido pelo pilar, um arbusto e a má iluminação, abaixado, posicionou a câmera e começou seu trabalho. Fotografou cada convidado, sem perder um de vista. O grupo sentado em volta de uma mesa escura, fotografo, os dois políticos mais afastados que riam e bebiam, fotografados, uma deputada que fingia ouvir outros dois conversaram, fotógrafos, Neji, sozinho, fotografado! Cada aperto de mão foi registrado também, cada sorriso falso, cada máscara social hipócrita, tentou captar tudo, ciente de que em breve já teria que ir embora.

Sorriu com aquilo, sentia-se bem, sentia-se vivo só pela possibilidade de poder desmascarar cada convidado ali...

Para terminar, registrou a surpresa de Hiashi ao ver Orochimaru chegar. Conteve a vontade de segui-los, ser pego ali o levaria à ruína certamente. Mas queria tanto... Respirou fundo, optando por permanecer onde estava, não podia se arriscar daquela forma, e o número de ligações perdidas de Itachi só naqueles minutos lhe cobravam certa responsabilidade.

Preparou-se para ir embora quando deduziu que já possuía fotos o suficiente, contudo, seu sorriso se desmanchou quando percebeu dois seguranças à sua frente. Não, eles não o tinham visto, ainda. Os dois estavam de costas para si, conversando, aproveitando a área mais externa para fumar. Sasuke prendeu a respiração e permaneceu imóvel. Teria que torcer para que aqueles homens não se virassem e olhassem melhor para onde estava; além disso, teria que ficar ali, quietinho, esperando por uma chance de escapar sem ser visto.

E ele achando que voltaria cedo para casa...

* * *

Itachi percebeu na hora que havia algo errado. Assim que pisou em casa, viu a expressão culpada e preocupada de Naruto e soube que aquilo não era um bom sinal. Contou até dez enquanto procurava por Sasuke no apartamento e ouvia o relato de uma Naruto confuso. Sentou-se no sofá e respirou fundo, no celular, uma mensagem de Sasuke: “não se preocupe, estou com Deidara”.

Ah, que ironia... Aquilo era para acalmá-lo?? Era para significar alguma coisa?

O correr do relógio alimentava a angústia de Itachi. Naruto já o havia visto fazer cinco ou seis ligações sem sucesso para Sasuke. Sentado no sofá, Itachi agora mantinha o celular em mãos, desbloqueando a tela toda vez que ela se apagava, procurando mensagens de Sasuke, a espera de uma ligação sequer.

— Itachi, ele está bem, não vai acontecer nada — tentou acalmá-lo, incerto sobre se deveria ou não falar com ele.

Itachi riu com sarcasmo e apertou o antebraço, circundando com o polegar a tatuagem que ali havia em um tique.

— Você não conhece ele... — respondeu ríspido.

— Olha, eu sei que está preocupado, mas Sasuke não é burro, ele não vai se expor a perigo algum.

— E você fala isso por..? — Itachi elevou a voz sem perceber, nervoso. — Há quanto tempo você o conhece? O quanto você conhece dele para dizer isso?

Naruto respirou fundo, Itachi estava fora de si. A preocupação nos olhos dele ultrapassava o normal, e Naruto enxergava a angústia e o pânico que o dominavam.

— Você não conhece Sasuke, não como eu — Itachi murmurou, dolorido. — Não entende... Ele não vai se por em risco? É isso o que acha? Sasuke não tem qualquer apreço ao seu bem-estar e não terá se isso significar alcançar seus objetivos.

Naruto acariciou a cabeça de Pandora e deixou que ela subisse no sofá para deitar parcialmente em seu colo.

— Ele não é tão irresponsável assim, Itachi, você não pode ser tão super protetor o tempo todo. Ele já é maior de idade, tem sua própria vida, não pode querer deixá-lo sob as suas asas para sempre — falou com cuidado.

 Itachi o encarou e riu, sem humor algum, balançando a cabeça para os lados.

— Sabe o que aconteceu quando não dei atenção a ele? Quando o deixei viver fora das “minhas asas”? — debochou, irritado. — Na primeira vez, ele tentou se matar! E quase conseguiu se eu não chegasse a tempo... Na segunda, ele foi parar no hospital de tanto estudar para o vestibular, tinha “esquecido” de comer e dormir, sabia? Na terceira, foi para outro hospital por acúmulo de trabalho, estresse e má alimentação! Na quarta, ele se meteu em política, irritando tanto Orochimaru a ponto de queimarem o carro dele! E eu nem sei se eles queriam só o carro ou se foi sorte Sasuke não estar nele! E agora Hiashi me chamou para ameaçar Sasuke, deixando mais do que claro que quer meu irmão fora dos assuntos dele! Então, não! Não estou sendo super protetor, não vou me acalmar, não vou deixar de me preocupar sabendo que qualquer dia desses ele pode irritar a pessoa errada ou abandonar de vez sua saúde para alcançar algum objetivo ou perder a vontade de viver de novo! — gritou, tão alto que Pandora ergueu-se sobre o colo de Naruto e desceu do sofá rapidamente. Respirou fundo, dando-se conta do choque na expressão assustada de Naruto. — Ele é meu irmão... — sussurrou, dolorido. — Você não sabe como é... não vou me arriscar a perdê-lo mais uma vez... Você não sabe como é a sensação, como é ter consciência de que segundos separaram a pessoa que você mais ama da morte, como é saber que, de alguma forma, contribuiu para aquela decisão dela...

“Eu não conseguia dormir, com medo de que acordaria com ele morto, medo de que ele tentasse algo enquanto eu dormia. Deixá-lo sozinho então... era uma tortura, como se uma voz ficasse na minha cabeça, sussurrando que eu estava sendo negligente. Peguei a mania de verificar discretamente os pulsos dele em busca de qualquer sinal que indicasse que ele estava se machucando. — Engoliu em seco, rindo sem jeito e de forma nervosa, não conseguindo que os olhos não marejassem. — Quando estava longe, ligava pelo menos duas vezes ao dia, porque eu não trabalharia sem saber que ele estava bem e não dormiria sem essa certeza, sem saber como foi o dia dele, sempre atento a qualquer sinal de tristeza ou de tédio. Na época em que ele tentou se matar... ele se desculpou enquanto eu chorava, pediu desculpas porque ele não sabia que eu me importava com ele, porque achava que a morte dele não me afetaria em nada! — Pressionou com força a tatuagem e engoliu a vontade de chorar que sempre voltava ao se lembrar daquele episódio. — Quando alguém próximo a você tenta algo assim, não dá para seguir em frente tão facilmente, não dá para viver sem um alarme na sua mente apitando a cada momento, não dá para esquecer e não se culpar... Ele...”

Itachi arregalou os olhos e se levantou de repente, deixando o celular cair no chão. Naruto o viu ir até a janela, e ouviram o ronco da moto seguido pelo som do portão da garagem se abrindo. Pandora apareceu correndo, mostrando-se contente ao parar diante da porta, pulando e arranhando a madeira. Naruto permaneceu sentado, sem voz, a mente revirada pelas novas informações, o coração batendo acelerado por tudo aquilo, o gosto amargo na boca.

Sasuke entrou em casa, o sorriso aberto e sincero desarmando parte da raiva de Itachi e lhe trazendo uma onda de alívio inexplicável. Naruto se levantou discretamente e saiu da sala. Itachi encarou Sasuke, socando-o no peito sem usar força, puxando-o pela nuca e o abraçando em seguida.

— Por favor, quando for fazer algo assim, me avise. Por favor, me avise, Sasuke — pediu e se afastou para olhá-lo diretamente. — Não vou te impedir, vou tentar, óbvio que vou, mas não saia dessa forma, não deixa a minha imaginação solta alimentando meu medo. Por favor, não faça, otouto...

Sasuke baixou os olhos e suspirou, concordando diante do tom de súplica do irmão mais velho. Contrariado, coçou a nuca e respondeu:

— Me desculpe. Eu sabia que você não deixaria... Te aviso da próximo.

— Conseguiu o que queria ao menos? — Itachi o soltou.

— Sim. — Sasuke sorriu, satisfeito. — Peça comida pra gente enquanto descarrego as fotos — sugeriu e franziu o cenho em seguida ao ver Naruto com a mochila nas costas. — Já vai?

— Estava apenas esperando você voltar — respondeu sem encará-lo, mexendo nervosamente nas chaves do carro. — Pode abrir a garagem?

Sasuke assentiu, desconfiado, e deixou a câmera com Itachi antes de acompanhar Naruto. Abriu o portão e sentiu a mão de Naruto se fechar em volta da sua, trêmula. Seu corpo foi girado, a mão foi à sua cintura, apertando-a firmemente, enquanto a outra segurava-lhe pela nuca e o trazia para um beijo.

Transparente. Naruto era extremamente transparente. A preocupação, o medo e a confusão estavam explícitos, expostos em cada toque, olhar e até mesmo no beijo lento e profundo que compartilhavam. Itachi devia ter falado demais... Sim, tinha certeza, os olhos avermelhados do irmão bem como a postura estranha de Naruto, o clima de quando chegara, tudo denunciava um pouco do que tinha acontecido. Bem, não podia culpar Itachi de qualquer forma e não era como se aquele fosse um assunto proibido.

Cortou o beijo e segurou Naruto pelo queixo, forçando-o a encará-lo. Os olhos azuis refletiam insegurança, confusão, e Sasuke sorriu de leve ao se afastar e vestir sua máscara de ignorante, fingindo não ter notado nada do que estava acontecendo.

— Avise Hinata que devolverei a câmera assim que possível.

— Ah, claro. — Naruto tentou sorrir. — Amanhã, me explica o que foi fazer, certo?

Sasuke notou a incerteza na pergunta e mordeu a língua para se manter indiferente a aquilo.

— Certo. — Sorriu.

Naruto o beijou novamente, apenas um leve encostar de lábios, e entrou no carro para, em seguida, deixar a casa. Sasuke soltou o ar dos pulmões e bagunçou os cabelos. Pensaria naquilo depois, agora, precisava descarregar a câmera e, depois, verificar se Deidara já havia chego em casa com a gravação.

Já Naruto... Naruto não pensou para onde estava dirigindo de fato. Queria falar com Hinata, mas ela estava com Hanabi graças a uma de suas tias havia dado um jeito de burlar aquela proibição ridícula que os pais delas impuseram. Gaara estava ocupado, preocupado demais com a artista, e Naruto não queria ser mais um peso, ainda mais quando o assunto em si não interessava a Gaara.

Dirigiu sem destino, aproveitando-se de que aquela ação o acalmava. As palavras de Itachi ressoavam em sua mente e traziam à tona algumas lembranças. Recordava-se da vez que Sasuke o tinha abordado na manifestação em frente à sua faculdade, ele não havia comido aquele dia e chegara a quase passar mal, quando foram falar com a garçonete no restaurante não foi diferente e muitas outras vezes tinha presenciado Itachi cobrando do irmão um pouco mais de cuidado com as refeições. Sakura também lhe tinha dito algo sobre as mensagens de Itachi, sobre o fato de Sasuke ter que avisar o irmão sempre que saía do trabalho ou coisas do gênero. Achava exagero, um pouco irritante até, mas, agora...

Não era irmão de Sasuke, aliás, nem possuía irmãos, então, não sabia como era estar no lugar de Itachi, contudo, era próximo o bastante de Hinata para entender como era a preocupação dela em relação a Hanabi. Se um dia algo parecido acontecesse a Hanabi, Naruto duvidava que Hinata um dia a deixaria fazer qualquer coisa sem seu conhecimento.

Além disso, Sasuke não parecia se importar com o cuidado extra de Itachi. Óbvio que ele resmungava quando tinha que fazer algo que o irmão mais velho não aprovaria, contudo, Naruto não se lembrava de uma única vez em que Sasuke de fato se queixou da preocupação de Itachi. Ele enviava as mensagens no horário, raramente atrasava, e parecia gostar da atenção que recebia.  

Mas... tentar se matar? Por quê? Não entendia isso. Olhando para Sasuke, não conseguiria adivinhar que ele já havia passado por aquilo, muito menos o motivo que o levara a tal ato. E a ideia de que ele podia tentar algo novamente o deixava... no mínimo, desconfortável. Não. Ele não tentaria de novo. Por que faria?

Sentiu o coração acelerar e apertou o volante. Não conseguia pensar naquela possibilidade, suas mãos suavam frio, seu peito parecia se comprimir, sua mente buscava por uma saída para o pânico que o invadia só com a imagem que evocava. Se Sasuke morresse...

Parou o carro bruscamente. Respirou fundo e fechou os olhos, alheio às buzinas em protesto pela irresponsabilidade.

“... achava que a morte dele não me afetaria em nada”. As palavras de Itachi invadiram sua mente, roubando-lhe todos os outros pensamentos. Naruto arregalou os olhos e jogou a cabeça para trás. A morte de Sasuke com certeza o afetaria, talvez mais do que quisesse admitir em voz alta até. Ele sabia disso? Sasuke sabia disso, certo? Estavam naquele “envolvimento” há alguns meses já, Sasuke sabia que significava algo para si, não sabia? Afinal, ele não ia embora pela manhã antes de Sasuke acordar como faria com qualquer outro, eles estavam juntos no caso contra Neji, eles saíam juntos, eles se permitiam demonstrações de afeto mesmo quando algum dos amigos estava por perto. Sasuke sabia, não sabia?

“... ele não sabia que eu me importava com ele”. Naruto acelerou o carro e deu meia volta. Dirigiu o mais rápido que pôde, como se o motor do carro pudesse refletir as batidas aceleradas e desesperadas do coração. Não soube quanto tempo perdeu andando a esmo na cidade nem quanto tempo demorou para voltar à casa de Sasuke. E isso importava? Não.

Buzinou mais de três vezes diante do portão da garagem. Viu a cortina se abrir minimamente na sala e, então, o portão se abriu. Estacionou rapidamente e desligou o carro assim que viu Sasuke abrir a porta e caminhar em sua direção visivelmente confuso. Saiu do carro e bateu a porta com força.

Não pensava.

Puxou Sasuke contra seu corpo pelo braço e segurou-lhe a nuca enquanto sequestrava os lábios dele em um beijo afoito. Girou-o, prensando-o contra o capô do carro e relaxando um pouco os músculos quando sentiu as mãos de Sasuke passando por eles, por cada um deles, dos braços às costas, à nuca, enroscando em seu cabelo e puxando de leve os fios curtos da região. Suspirou profundamente. O que estava fazendo não importava. Precisava de Sasuke, precisava senti-lo vivo, mostrar que o queria, que se importava, dizer algo (se conseguisse)!

E como foi bom quando Sasuke cruzou as pernas em sua cintura e impôs o seu ritmo ao beijo... Como foi bom sentir a boca dele guiar a sua, comandando o beijo e se fazendo presente! Era estranho, era estranho porque beijar Sasuke era diferente de qualquer outro, e não falava isso da boca para fora, era mesmo diferente! Beijá-lo era acender um pavio, ia-se queimando lentamente, despertando todo o seu corpo à medida que se aproximava do gran finalle. Seu coração se pronunciava, batendo tão forte contra o peito que, naquele momento, tudo o que Naruto queria era que Sasuke pudesse ouvi-lo, senti-lo, ficar ciente daquela arritmia que devia levar seu nome como causa.

Uniu mais os corpos, as mãos entraram pelo moletom que Sasuke usava e apertaram-lhe a carne. Mas Sasuke diminuiu o beijo, sorrindo de leve, chupando o lábio inferior de Naruto em meio aos selinhos que depositava na boca avermelhada.

— O que aconteceu? — Sasuke perguntou baixo, os olhos negros um pouco atrapalhados pela camada de desejo que se acumulava na retina.

— Nada... nada... — Naruto capturou-lhe os lábios novamente, mas sentiu as mãos de Sasuke em seus ombros, afastando-o com cuidado.

— Explique... — mandou, puxando o cabelo de Naruto mais forte propositalmente.

— Só me deixe ficar com você agora — resmungou, soltando-se da mão de Sasuke encostando as testas. — Eu...

Sasuke piscou, buscando alguma resposta para aquela afobação de Naruto.

— Não tenho problema algum com você passar a noite aqui, comigo. — Sasuke deixou-se ser beijado, mas desviou o rosto para poder completar o pensamento. — Mas quero que me explique... Ah... pera, está jogando sujo... — gemeu quando a mão de Naruto apertou seu membro ainda escondido pela calça. — Naruto, fale...

Naruto xingou, frustrado, quando Sasuke segurou sua mão e o afastou de fato, saindo de cima do carro. Ele estava risonho, confuso com um sorriso de canto no rosto. E Naruto mordeu o lábio inferior ao sentir um frio no estômago. Agira impulsivamente, ido até ali achando que resolveria tudo passando a noite com Sasuke e agora tinha que dar respostas, respostas que não tinha consolidadas, mas que as sentia, profundamente sentia.

— Eu...

Sasuke arqueou a sobrancelha com a coloração que subiu ao rosto de Naruto de repente. Tombou a cabeça para o lado, analisando melhor a cena. Rosto corado, mãos inquietas, olhos baixos, testa que se franzia toda vez que ele desistia de falar, nervosismo aparente... Naruto estava...

Deu um passo na direção dele, atraindo a atenção dos olhos azuis. A segurança toda que ele tinha quando o agarrou ali parecia ter evaporado e agora ele o olhava com... expectativa? Não, ansiedade, talvez até um pouco de receio. Se estivesse na mente de Naruto, saberia que também havia uma dose de arrependimento, afinal, não queria falar nada, então por que estava ali? Por que não dizia que era tudo um engano e saía? Ou então desconversava e...

— Naruto? Isso não tem a ver com o que Itachi te contou, tem? ­— perguntou direto, já tendo confirmado com o irmão a conversa que tivera com Naruto mais cedo. — Porque, se for, saiba que eu estou muito bem e ponto final, não fique tão preocupado quanto Itachi. Aliás, você não tem motivo algum para se preocupar.

— É claro que tenho! — Naruto se exaltou e quis morder a própria língua quando Sasuke arqueou a sobrancelha. — Quer dizer, como não me preocupar? Estamos... você sabe... é óbvio que eu me preocuparia com você.

Sasuke sorriu de canto e encurtou um pouco mais a distância.

— Desculpe, mas pode repetir exatamente a parte do “estamos”? Estamos o que, Naruto?

Naruto recuou e engoliu em seco. Coçou a nuca e desviou o rosto para a porta na esperança de que Itachi ou Pandora aparecesse. Contudo, Sasuke segurou-lhe o rosto e o virou, decidido a ir com aquela conversa até o final.

— Estamos o que, Naruto?

— Saindo... — optou por responder, evasivo.

— E você se preocupa com todos com quem sai assim? — Sasuke debochou. — Hum... que pena, esperava outra coisa — provocou e se afastou um pouco.

— Não! — Naruto arregalou os olhos e a mão se fechou em volta do braço de Sasuke. “... ele não sabia que eu me importava com ele”! As palavras de Itachi o assombraram, novamente, e Sasuke ficou sério ao perceber que a provocação tinha causado um resultado além do esperado. — Eu... não sei... — sussurrou. — Estamos juntos?

Sasuke franziu o cenho e mudou o peso de uma perna para a outra.

— Você quer um rótulo? — perguntou, surpreso, querendo entender o motivo daquilo.

— Não, eu... — Naruto corou e olhou para os lados. — Eu... queria dizer... Ai que droga, Sasuke...

— Não gosto de rótulos, mas você precisa de um?

— Não, não é nada disso — Naruto apressou-se a dizer, estalando a língua no céu da boca. — Ok. — Respirou fundo. — Eu... eu só queria dizer que você é importante para mim, muito, que eu me importo com você. Então, sim, eu me preocupo, ok? Não faça aquilo de novo, por favor... — soltou tudo em um único fôlego.

A surpresa de Sasuke foi inevitável. Aquelas palavras não eram as que esperava ouvir, mas tinham um peso maior do que se podia pensar... Os ombros caíram, relaxados, e ele riu, sem graça, constrangido enquanto o olhar se tornava doce mesmo que não quisesse mostrar o quanto aquilo o abalara. De repente, era como se os papéis se invertessem. Seu coração acordou, como se lhe cobrasse uma atitude diante da declaração.

Naruto era encantadoramente surpreendente... Como era possível?

Seu cérebro deligou, seus pés o guiaram para perto de Naruto, suas mãos o puxaram pela camisa, seus lábios o beijaram com carinho e seu coração se atreveu, teimoso, a dizer aquilo que vinha tentando suprimir ou esquecer:

— Isso é bom, Naruto, porque estou apaixonado, e você vai ter que assumir a responsabilidade por isso.


Notas Finais


Reviews?

Seguinte! Vou responder os reviews assim que possível! Estou meio (muito) corrida, mas né?
beijinhos <3


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