História Jogos Reais: Lados Opostos - Capítulo 12


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Científica, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Antes de tudo, queria me desculpar pela demora. E quero agradecer também pelos novos favoritos! ♥♥
Boa leitura!

Capítulo 12 - Longo dia


Fanfic / Fanfiction Jogos Reais: Lados Opostos - Capítulo 12 - Longo dia

Agradeço pela mão quente que cobre minha boca. Do contrário, eu teria feito algo estúpido como gritar. Penso em suas palavras “Eu posso até matá-la, se quiser. Melhor; vamos decidir na moeda”.

Traição. É a primeira palavra que me vem à mente, o que é risível, já como não há nenhuma traição aqui. Para haver traição é preciso ter tido um pacto de confiança antes. E somos tributos. Uma hora ou outra teríamos que nos enfrentar. Ainda assim, é difícil imaginar que Alba esteja me caçando com os Carreiristas. Por outro lado, em uma parte fria e egoísta de mim, sinto-me aliviada. Os Carreiristas não permanecerão muito tempo com ela e sua morte será um obstáculo a menos a ser enfrentado. Em seguida, outra lembrança surge e novamente suas palavras me inquietam “Vou ficar bem chateada se você estiver me usando para ganhar vantagem”. 

Mas na verdade, ela mesma me usou para ganhar vantagem nos Jogos. Mais ainda; usou-me para ganhar a confiança dos Carreiristas, dos prateados. Meus olhos continuam arregalados até mesmo quando o grupo de Carreiristas desaparece sobre a escuridão junto com Alba – minha possível aliada. Dois prateados ainda permanecem, encarando o corpo da garota, Helen, por um momento. Ficam em silêncio até perceberem que não podem mais ser ouvidos e abafam a voz para falar.

– Você acha mesmo que o Calore está com a garota?

– É possível. Será que a tola comprou aquela historinha de favorita do príncipe?

– Depois daquela reação patética? – zomba. – É óbvio.

– Isso não importa. Só quero ver quando os encontrarmos.

Assim como o restante do grupo, eles desaparecem pela folhagem. Quando seus passos pesados não passam de uma lembrança, Nicholas afasta sua mão e respira fundo, aliviado pela partida dos Carreiristas. Algo me diz que ele percebe minha confusão interna, dando-me todo o espaço de que preciso, sem questionamentos. Novamente fico agradecida pelo seu gesto.

As folhas das árvores balançam e um aerodeslizador se materializa, bem em cima de nossas cabeças, erguendo o corpo de Helen para cima com um conjunto de grades metálicas que é abaixado. Nicholas e eu precisamos nos afastar um pouco. Meus olhos seguem o corpo da garota que agora não passa de um cadáver prateado.

São necessários poucos minutos de reflexão para que eu entenda que é melhor desistir de entender Alba, deixá-la seguir seu próprio caminho e se jogar dentro do furacão. O príncipe já voltou para nosso acampamento e está concentrado no céu, como se estivesse vendo algo. Percebo que talvez ele esteja acometido pelos mesmos medos que os meus. Estamos sendo caçados. Não irão desistir até que nosso sangue seja derramado sobre suas botas.

Eu me aproximo, encolhendo-me ao seu lado, desejando descansar. Desejando um pouco de água. Desejando tudo o que está fora de nosso alcance.

Penso em Harper. É ridículo, mas me apego a esse pensamento com força. Ele saberia o que fazer; sempre soube o que era melhor para mim. Sempre me protegeu dos perigos que, comparados com minha situação atual, já não valem mais nada. Ele estaria ao meu lado. É um caçador experiente; suas cicatrizes mostram isso. Mas ele não está aqui. E por mais que deseje, Nicholas não é Harper. Não sabe sobreviver em uma floresta. Nunca precisou.

Sinto-me sozinha. Não importa o garoto que está deitado ao meu lado, neste momento, ele é tão frágil quanto eu. Estamos expostos. E estamos sendo caçados. Preparo-me para aguentar o próximo dia ou o próximo pesadelo. Em minha cabeça, não há diferença alguma entre esses dois termos.

Surpreendentemente, eu adormeço. E nenhum pesadelo me assombra.

Os primeiros raios da manhã me despertam. Preciso acostumar meus olhos com a luz da manhã, mas não perco muito tempo com isso. Ao meu lado, o príncipe já está desperto. Seu rosto está suado, assim como a gola da sua camisa. Imagino que eu esteja suada também.

A manhã já começou insuportável. Quente e abafada. Os pássaros começam a cantar e os animais já despertam para mais um dia. Assim como em minha província, tudo está silencioso. Por um momento, com os olhos fechados, posso até imaginar que estou em uma caçada com Harper.

– Precisamos nos mexer – instrui Nicholas. – E depressa.

Nosso acampamento está desfeito, com todos os nossos suprimentos guardados e todos os indícios de que estivemos aqui apagados.

– Você fez um ótimo trabalho – digo.

– Não sou muito de ficar parado.

Ele coloca a mochila nas costas e respira fundo o aroma da selva. Em seguida, avança por entre a folhagem. Eu o acompanho, embora não saiba ao certo para onde iremos.

Temos um longo dia pela frente, penso comigo mesma.

 

 

 

O sol nasce no céu, e mesmo estando escondido pelas folhas das árvores, parece brilhar intensamente, ofuscando nossa visão. À medida que o dia passa, sei que teremos grandes problemas relacionados com a desidratação. Fazemos pausas, embora que constantes, para recuperarmos todo o nosso desgaste, mas ainda assim, estamos exaustos.

A sede queima em minha garganta, um lembrete torturante da minha atual necessidade. Minha cabeça lateja e sinto as constantes batidas do meu coração, aceleradas demais para meu gosto. Quando paramos pela décima vez somente nesta manhã, meus olhos se alegram ao ver um coelho saltitando em nossa volta. Ele não tem tempo de correr pela vida; já estou com a nossa faca em mãos e eu o acerto.

Limpo a carne – uma prática comum para mim. E separo uma pequena porção da gordura do animal. Nicholas me observa, admirado.

– Por que a surpresa? – pergunto, lançando um olhar sobre o ombro.

– Achava que você só caçava – ele responde.

– Você também me disse que caçava – replico com um sorriso.  – Deveria saber assim como eu que é necessário limpar a carne.

Ele sorri torto.

– Existiam pessoas para isso. Eu só atirava.

– Bem, alteza, eu não tive a mesma sorte. E eu espero que você não se importe em colocar um pouco de gordura em seus lábios. – Estendo um pouco da gordura do coelho e ele contrai o rosto. – Vamos. Coloque um pouquinho para não ressecar a boca. É a melhor opção.

– Certo, mas se eu me recusar a fazer isso?

– O problema será seu. Não sou eu quem ficará com os lábios ressecados.

Com uma careta, o príncipe passa um pouco da gordura nos lábios. Eu faço o mesmo. Tento não ficar ofegante e desesperada por comida ou água, mas é inútil. Estamos apenas no começo e já estou sofrendo os efeitos da desidratação com rapidez.

O príncipe cozinha o coelho com suas próprias chamas e as apaga antes de nossa fogueira se tornar um alarme para os outros. Enquanto isso, eu me livro de todas as partes desnecessárias do coelho – o rabo, os pés, os miúdos, a pele. Se andássemos com essas partes, atrairíamos um animal faminto com toda a certeza.

Nicholas e eu improvisamos um espeto com galhos de árvore. Cada um serve-se com um pedaço e minha boca se enche d’água quando observo aquela fonte de energia em minhas mãos. Sou ainda mais recompensada quando enfio a carne na boca, suspirando por estar consumindo alguma proteína de verdade.

Espero que os Idealizadores estejam nos transmitindo agora. Quero que os patrocinadores nos vejam; saibam que sabemos caçar, que somos uma aposta lucrativa. Precisamos atrair patrocinadores, embora eu imagine que temos uma fila inteira querendo nos bancar. Mas não conheço o mentor de Angeles – ele jamais usaria um patrocínio do príncipe para me ajudar – e sei que se depender de Hector – o velho e bêbado Hector – não receberei nenhuma dádiva.

Talvez eu esteja errada. Espero estar errada.

Pegamos nossos equipamentos e tapamos todos os nossos indícios, chutando um pouco de terra sobre nossa fogueira. O restante da carne é armazenado em um saco plástico que guardo na mochila para usarmos mais tarde.  Os resmungos do meu estômago cessam, dando lugar a sede. Água é a nossa prioridade máxima agora.

À medida que caminhamos, sinto minhas pernas falharem. Não por conta das longas caminhadas, mas pela falta de água que estou sentindo. À minha frente, Nicholas já começa a tropeçar em seus próprios pés. Tento ignorar nossas fraquezas, tentando seguir caminho, mas é inútil. Não importa; não posso simplesmente seguir caminho e abandonar meu aliado para trás. Eu me odiaria por isso.

Como vamos conseguir água? “Mantenha o controle da situação”, peço para mim mesma. Eu avalio nossas opções. Há o lago. Não. Jamais conseguiríamos chegar a tempo sem morrer desidratados ou pelas mãos de nossos colegas Carreiristas. Esperar que chova? Péssima ideia. Não há nuvens no céu e os Idealizadores jamais nos dariam água de mão beijada.

Continuar procurando. Essa é a nossa opção.

Sinto o sol queimar minhas costas à medida que continuamos. Cada passo é um esforço doloroso e angustiante, mas me recuso a parar. Não paramos. Temo que se parar agora, não terei forças para continuar depois. Já estou certa de que o fim está próximo quando tropeço novamente e, desta vez, não tenho forças para levantar. Minha respiração está acelerada e só consigo enxergar o pico das árvores. O céu está distante; os pássaros voam sobre nossas cabeças. Deixe-me morrer aqui! Não quero mais sofrer!

Fecho os olhos.

 

 

 

– Mae! Mae! – Sinto um chacoalhar em meu ombro. – Levanta!

Abro meus olhos com dificuldade. Vejo o rosto suado e cansado de Nicholas. Será que dormi? Por quanto tempo?

– Eu descobri uma coisa. – Seus olhos se iluminam, transformando-se em pedras verdes brilhantes. – Há uma cachoeira aqui perto; estávamos no caminho certo.

Quase salto, animada. Reúno minhas últimas forças e me sento.

– Eu dormi? Por quanto tempo?

– Acho que por alguns minutos.

– Bom. Mas o que você viu exatamente?

– Uma cachoeira. Não cheguei a me aproximar. Mas é um grande passo, não é?

Eu aceno com a cabeça, concordando.

A cachoeira é belíssima. Nicholas e eu nos esgueiramos pela vegetação, agachando-nos entre a folhagem densa e baixa que nos seve de esconderijo. É como uma caçada. Permaneço com os ouvidos apurados e os olhos atentos, observando qualquer movimento suspeito.

Permanecemos imóveis, aguardando a movimentação de algum tributo. O esquema é simples: nenhum tributo conseguiria sobreviver sem água nesta arena abafada. Pelo que sabemos, existem duas fontes de água: o lago pantanoso – água contaminada com agentes patogênicos – e este riacho. Não seria difícil ignorar que pode haver outros tributos em busca de água também.

Como nada acontece, nos avançamos em direção ao riacho. Preciso me controlar para não mergulhar a cabeça na água e engolir toda a água que posso. Enchemos a garrafa e, com as mãos trêmulas e ansiosas, purifico-a com algumas gotas de iodo. É necessário esperar meia hora para que o efeito das gotas purifique-a – uma eternidade de pura agonia.

Não seja precipitada, digo para mim mesma. Um gole de cada vez. Lentamente, um gole de cada vez. Nicholas e eu intercalamos goles em um período de tempo. Preparo outra garrafa para levarmos.

Eu lanço um olhar sobre o ombro novamente e flagro o príncipe com a água na altura de seus joelhos. Por um momento, não sei ao certo o que ele está fazendo. Mas à medida que sua camisa desliza de suas costas, eu desvio o olhar; as minhas bochechas rubras como meu sangue.

Que estupidez! Eu espero com as costas viradas a ele, enquanto lava seu uniforme. Tento lavar minhas mãos na parte rasa, limpando a sujeira acumulada em minhas unhas. Sinto a água em meus calcanhares mover-se em um ritmo estranho.

Nicholas aproxima-se de mim e agarra meu cotovelo.

– Vamos dar o fora daqui. Agora!

Ele me arrasta para fora da cachoeira. Mas sou teimosa e permaneço parada, tentando entender alguma coisa. Do outro lado da cachoeira, observo duas figuras se esgueirando pela mata. Dois prateados.

– Não acredito! – diz o mais alto. – Aquilo tudo era verdade? A vadiazinha conquistou mesmo sua atenção, meu príncipe.

– Um Ninfoide – sussurra Nicholas em meu ouvido, enquanto recuamos devagar.

É claro. O Ninfoide. Nenhuma outra arma seria de mais importância para si do que a própria água.

– Já adotamos uma tática mais defensiva, certo? – começa Nicholas com cautela.

– O que quer dizer com isso? – questiono, embora já saiba a resposta.

– Está na hora de adotar uma medida ofensiva.

O príncipe está animado. É um soldado. Não existe nada que o alegre mais do que estratégias militares. Eu concordo com a cabeça, escondendo o meu verdadeiro terror em relação a sua tática ofensiva.

Em outras palavras, está na hora de matar.


Notas Finais


Bjss


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