História Jogos Reais - Capítulo 13


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Científica, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Muito obrigada aos favoritos e todo o carinho. ♥♥
O capítulo de hoje é cheio de ação, os Jogos Reais estão começando de fato!
Boa leitura

Capítulo 13 - Combate sangrento


– Podemos fazer isso de maneira pacífica; o que acham? – pergunta Nicholas com um sorriso. As chamas dançam em suas mãos, um lembrete ardente do quanto ele é poderoso.

Eu permaneço ao seu lado, na defensiva. Entretanto, nossos adversários não se intimidam. Pelo contrário, esboçam até um sorriso satisfeito em seus lábios prateados.

– Passividade não existe em meu vocabulário, alteza – informa debochadamente o Ninfoide.

Engulo em seco. Eles não irão desistir. Se ao menos eu pudesse usar meus poderes, talvez conseguisse ajudar Nicholas. O príncipe assume sua posição de ataque ao meu lado; os braços abertos. O ar ondula-se ao seu redor pelas ondas de calor emanadas pelo seu corpo ardente. Só agora percebo o bracelete em seu pulso, emitindo faíscas para todos os lados.

– A luta irá se arrastar, Mae. Em nome dos Jogos – diz. – Você é rápida; precisa distrair o Verde.

– E você, Nicholas? O Osanos é um Ninfoide e...

– Deixe comigo.

Nossos adversários avançam em nossa direção, firmes e macabros. Estão prontos para atacar. Embora sinta o calor de Nicholas próximo de mim, ainda sinto medo. Muito medo. Estamos em desvantagem. Vai ser um massacre.

O príncipe traça uma parede de fogo diante de nós. A terra queima com suas chamas, mas não posso deixar de observar a fraqueza de seu fogo. Nicholas está desgastado assim como eu. As caminhadas, à noite mal dormida, a sede... Tudo isso contribuiu para o nosso desgaste. Estamos cansados.

Nicholas tenta acertá-los com suas bolas de fogo; mas o Osanos as apaga com um único gesto, com suas próprias bolhas de água. Ele abre caminho pelo riacho como se estivesse abrindo cortinas; a água é sua aliada. Seus braços se erguem e ele se envolta num turbilhão de águas; criando um arco cristalino sobre si.

– Prepare-se – diz Nicholas, buscando pela a minha mão. Eu me aproximo, preparando meus músculos parar correr o máximo que posso.  Osanos apaga a parede de fogo a nossa frente com um único gesto. – Agora! – Ele dá o sinal e eu recuo aos poucos, depois acelero ao máximo para o interior da selva.

À medida que me distancio, espero ouvir os passos de meu adversário. Mas não ouço nada. Seu silêncio me perturba. Estaria escondido? É uma armadilha? Onde ele está? Tudo está estranhamente normal...

São os gritos que me fazem voltar ao riacho. Nicholas está lutando contra seus dois adversários. Como ele havia me dito; a luta está se arrastando em nome dos Jogos. Osanos e o Welle já poderiam o tê-lo matado, mas não o fizeram. Ainda.

O príncipe tenta torrá-los dentro de seus próprios uniformes, enquanto suas mãos emanam fogo para seus trajes. Osanos apaga as chamas; ainda assim, é queimado e uiva de dor. O Welle, por outro lado, atrai as raízes das plantas mais próximas – que se enroscam nas pernas de Nicholas, fazendo-o cair para frente e bater com o rosto no chão. Por um momento – um curto espaço de tempo –, seus olhos esmeraldas encontram os meus. Seu rosto está pálido demais; sangue prateado escorre pela lateral de sua testa.

Ele ainda está vivo. Mas não por muito mais tempo.

– Nicholas! – grito, embora saiba que de nada adiantará meus gritos. Não posso fazer nada além de observá-lo. Nada.

Osanos cria um globo de água turbulenta e feroz para aprisionar meu aliado dentro de si. A água ferve; seu fogo é em vão. Seu corpo agita-se, suas mãos se chocam contra a parede de água, mas é inútil. A água está ganhando agora. Nicholas vai se afogar.

Sem pensar, busco pela nossa mochila e me armo com a nossa faca. Pego uma pedra – uma pedrinha inofensiva – e atiro contra a nuca do Welle. Ele vira-se, confuso, até seus olhos castanhos encontrarem os meus. Sua confusão transforma-se em raiva.

– Você acredita que eu não faço a mínima ideia de como ela foi parar aí? – provoco. Pelo canto do olho, vejo suas raízes recuando, livrando Nicholas de suas garras.

Claramente irritado, o Verde manipula a natureza ao nosso redor, erguendo raízes e plantas com espinhos aterrorizantes. Preciso mantê-lo longe de Nicholas, penso comigo mesma. Até que Osanos esteja morto. Eu o atraio para o interior da selva novamente, desviando dos galhos a minha frente que se transformam em armas pelas mãos de meu adversário. Quando acho que estou em uma distância segura; que estou o cansando, sinto minha garganta se fechando.

Solto um grito agudo.

Não são mãos que me impedem de respirar; são cipós e raízes que trancam minha garganta. Tento arrancá-los, mas o Verde é mais poderoso do que eu. Ele me pressiona contra uma árvore; seus cipós enrolando-se entre minhas pernas. Alguns espinhos fincam em minha pele e sangue vermelho escorre de meu pescoço, grudando-se em minha jaqueta.

Olho para cima, em uma tentativa fracassada de encontrar algo para me puxar, mas só há o pico das árvores. Minha cabeça gira; minha visão turva e meu coração acelera. Não se mexa”, sussurro para mim mesma. “Mantenha o controle da situação”. Poupo minhas energias, enquanto minha garganta fecha-se aos poucos. Não posso perder o controle. Seria o passo final para a minha morte.

Estou encurralada. O Welle aperta ainda mais as raízes em meu pescoço. Suas mãos se contraem até certo ponto que parecem desfiguradas. Gelo, minha mente grita. GELO! GELO!

Continuo me sufocando.

Minhas pernas se chocam contra a árvore, implorando para serem libertadas. Os cipós dificultam que meu sangue percorra todas as extremidades de meu corpo. Mas meu adversário não sente compaixão. Seus lábios se contorcem em um sorriso macabro; uma mistura doentia de prazer e maldade.  

Fraca, permito que meu corpo relaxe. Uma luz ofuscante aproxima-se. Quero relaxar, reconhecer minha derrota, morrer agora mesmo. A rainha Agatha tinha razão. Eu sou uma vermelha frágil. Um pequeno imprevisto que é facilmente destruído. Uma garota vermelha com poderes de prateados que não podem nem usá-los para se defender. Uma vermelha de nada.

As mãos de Welle erguem-se para o golpe final.

– Adeus, garotinha gelada – debocha. – E esse apelido? É por causa daquele vestido ridículo?

Como na minha sessão particular, não consigo prever minhas ações. Meu poder percorre meu corpo, ansiando para ser libertado novamente, emanando de mim como lâminas geladas e incrivelmente afiadas. Os cipós morrem ao meu toque, congelando-se à medida que meu poder percorre suas raízes. Estou convocando minhas próprias chamas geladas.

– Diabos – sussurra meu adversário.

Ele recua para trás e tropeça em uma de suas próprias armadilhas. Seus pés se enroscam nos cipós, enquanto eu me liberto. Toco em minha garganta – machucada, mas ainda inteira. Para meu alívio, não pareço ter ficado com nenhuma sequela grave.

A sensação de poder me anima, embora que ainda me assuste. Eu tentei guardar este segredo dentro de mim. As ameaças da rainha ainda ecoam em minha cabeça “Você não poderá usar de seus poderes na arena, limitando-se apenas com suas capacidades humanas. Mesmo em situações de risco a sua própria vida”. Talvez, quando eu morrer em breve, ela deixe passar minha teimosia. Preciso me concentrar neste pensamento.

Agora, no entanto, meu único obstáculo está correndo na minha direção oposta. Ele derruba árvores para dificultar meu caminho e preciso reunir todas as minhas forças para não ser atingida. Quando sei que não posso mais alcançá-lo, piso com força no chão, esperando que meu gelo percorra todo o caminho que já não consigo mais.

Incrivelmente, meu gelo domina o solo úmido, espalhando-se em várias direções, congelando qualquer coisa que esteja em seu caminho. Eu observo até o Welle tropeçar em suas próprias botas e o gelo consumir seu corpo, congelando-o e fazendo-o contorcer-se arrepiado. Eu me aproximo; minhas mãos geladas e pequenos flocos formando-se ao redor de meu pulso.

Ele tenta me derrubar com os seus poderes, atraindo todas as plantas ao nosso redor. Mas a natureza recua ao entrar em contato com o gelo, temendo o meu poder.

– Por favor... – ele sussurra, os dentes rangendo. – Por favor.

Só consigo me lembrar do garoto que tentou matar Nicholas. O garoto que estava pronto para me matar. O garoto que sentia prazer em matar.

– Seu maldito – xingo-o. – Não me faça odiar você mais do que já odeio.

Preparo minhas chamas geladas para acabar com ele. Não quero ver seu sangue, embora deseje que ele morra. Não sou como ele. Desvio o olhar.

– Você vai para o inferno se fizer isso – ele diz, a voz afetada.

Sou muito maior que este corpo. Sou mais fria do que meu gelo. E este garoto também. Meu poder o paralisa, congelando-o por completo até sua respiração enfraquecer e parar naturalmente. O tiro do canhão é a certeza de que ele está morto.

Em vez de sair; abandoná-lo aqui na selva, eu caio de joelhos sobre seu corpo. Minhas mãos continuam agitadas pelo poder que tiveram que exercer. Eu fecho seus olhos com a palma de minha mão, jamais conseguiria encarar seus olhos sem vida. Você o matou, uma voz ecoa dentro da minha cabeça. Você deveria ter medo de si mesma.

E eu tenho. Tenho medo. Não consigo suportar esta energia horrível que cresce dentro de mim. Eu acabei de matá-lo. Com minhas próprias mãos. Com os meus poderes.

Eu me levanto, tentando seguir em frente, evitando ao máximo encará-lo. Quando estou a alguns metros de distância, as folhas balançam e sei que o aerodeslizador está aqui para levar seu corpo. Não consigo deixar de pensar que sua família está chorando por sua morte, desejando que eu seja a próxima. Eu tirei a oportunidade deste garoto voltar para a casa, mas ele faria o mesmo comigo.

Quando seu corpo é erguido pelas garras metálicas, lembro-me de meu aliado ferido. Nicholas ainda está lutando contra Osanos.

Eu acelero o passo, desviando das árvores e das folhas das palmeiras que dificultam a minha visão. Quando passo por uma árvore enorme e velha, um grupo pequeno de sanguessugas gruda-se em minha pele. Tento afastar os insetos, mas ainda assim não consigo evitar que eles me machuquem. Maravilha. Até os insetos são meus inimigos.

Abro caminho por entre a folhagem exuberante e encontro a cachoeira e o nosso riacho. Nossos suplementos permanecem intactos, abandonados à beira do riacho. Sangue prateado impregna sobre a terra úmida, gotejante e fresco. O combate deve ter finalmente acabado.

Mas onde ele está? Onde Nicholas está? Dou voltas, tentando encontrá-lo. Nem Osanos está aqui. Meu coração para quando vejo um corpo boiar sobre o riacho, um uniforme manchado de prata. O cadáver está virado para baixo; não consigo reconhecer seu dono.

Não pode ser ele, sussurro. Eu me aproximo com cautela, deixando a água bater em meus calcanhares. Respiro fundo.

– Nicholas? Nicholas? – chamo. Minha respiração está ofegante.

Em resposta, ouço o tiro do canhão.


Notas Finais


Bjss


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