História Jumper - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Assassino, Mistério, Romance Policial, Suspense, Vingança
Exibições 2
Palavras 1.432
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Prólogo


“De todos os animais, o homem é o único que é cruel. É o único que inflige dor pelo prazer de fazê-lo.”
Mark Twain

Não tenho mais que fazer meus passos serem silenciosos, não sentidos no chão da cidade, úmido e gelado. Estou em casa, isso me dá uma sensação de conforto infinito, o que não se pode dizer do meu amigo amarrado no canto da sala. Ele está preso em um daqueles postes de dança, que é o melhor que pude colocar na minha recente mudança, não tive tempo para uma obra, talvez mandar fazer uma coluna apropriada. Sua boca está tampada com uma daquelas fitas isolantes, acredite em mim, funciona. Mas se não funcionasse, seus gritos não seriam ouvidos. Quem estaria por perto de um mansão bem isolada? Foi difícil de conseguir comprar essa aqui, porque eu queria que fosse bem isolada e por tabela, mansões são para serem mostradas.

Estou sentado naquela poltrona macia de couro, bebendo uísque caro. O homem ainda se contorce, pobre homem. Não tenho porque observar aquela cena, manterei ele ali até ter vontade de dar um fim nisso. Pego meus cigarros e meu uísque. Ainda sorrio sádico ao sair, o homem me olha desesperado, lágrimas escorrem pelo seu rosto. Abro a porta e a brisa noturna bate em meu rosto, gelada e com cheiro de chuva próxima. Que bom. Tranco a porta e me sento nas escadas que dão acesso ao meu novo lar. Acendo o cigarro, dou um longa tragada e observo a fumaça pairando no ar.

Não há mais aquela sensação de por um segundo estar preenchido. Não há a excitação deslumbrante antes do ato. Matar era a única coisa capaz de afogar minhas mágoas . Fazer esquecer de tudo. Meus assassinatos ocorrem há quatro anos. Não sinto remorso e nem agora, na  falta do prazer, o sinto. Porém algo se perdeu e não encontro mais. Intervenção divina? Sim, um assassino que ainda acredita em Deus, mesmo sabendo que Ele o abomina. Fumo mais dois cigarros, bebo mais uísque, estou pronto. Se não há prazer, o que eu tenho em prolongar? 

Na gaveta daquele móvel que me incomoda na sala, eu guardo algumas lâminas, grandes facas para usufruir. Eu entro, o homem está quase dormindo, também já estava bêbado quando eu o peguei no bar e passam das quatro horas da manhã. Seus olhos cheios da umidade recente das lágrimas se abrem e fecham num ritmo lento. Estão pregando de sono. A única coisa que o mantém acordado é o terror e este está prestes a acabar.

“As lágrimas não pedem perdão, mas o alcançam.” 
Santo Ambrósio

...
13 ANOS ATRÁS

...

Eu estava encolhido no canto da sala de aula. A professora fazia perguntas e recebia as respostas oralmente. Era a quinta semana seguida que eu me recusava a participar daquilo. Não por temer não saber as respostas, mas sim temer chamar atenção desnecessária. Eu me mantinha deitado sobre a carteira, às vezes orando, outras fixando o vazio. O sinal, que anunciaria o começo de minha tortura, tocaria dali a poucos minutos. O intervalo. Toquei discretamente o crucifixo preso em uma corrente, em torno do meu pescoço. Quando o sinal tocou, suspirei baixo.

Acuado e amedrontado saí da sala. O refeitório era logo adiante. Da localização da minha sala até ele eram minutos de caminhada, pois ela uma das mais distantes. Ao chegar ao local apinhado de gente e brilhando de limpo, senti agonia. Fui para um mesa ao canto, mantendo-me sozinho. Passei brevemente na lanchonete, pegando um refrigerante e um hambúrguer, paguei a Sr.Colton e fui para a mesa.

Comia no silêncio, mergulhado nos pensamentos. Até a avistar sorrindo maleficamente para mim. Os cabelos estão soltos, ela está com um jeans claro e a blusa do uniforme. Ela nunca usa maquiagem, mas é bonita sem cosméticos. Ela têm diversos meninos gravitando atrás dela e usava isso para me infernizar. Tentei terminar de comer pelo menos, mas a comida estava seca em minha boca. Ela andou sorrindo, com quatro meninos a sua volta.

— Ora, ora. — Sua voz é doce, mas cheia de malícia. — Benzinho. — Ela sorri de novo, eu seguro as lágrimas. — Vejam porque esta escola está indo por água abaixo ! — Ela ri e aponta, seguido dos risos horrorosos dos grandalhões. — Tirem esse lixo daqui!

Tudo que Mellody Baker mandava era realizado, sendo assim, não tive escolha. Quatro garotos maiores do que eu me puxaram. Eu costumava gritar, mas não hoje. Eu tinha tanto ódio dentro de mim , que isso impediu a tristeza de vir. Fui jogado pela porta que dava acesso ao ginásio. Meu corpo se chocou violentamente com o chão gelado e com algo mais. A chuva recente tinha deixado poças de água imunda. Meu jeans estava manchado da água e eu estava a sentindo penicar a pele. 

O riso e a gozação ao redor de mim era evidente, afinal, mais uma vez Benjamin foi maltratado e humilhado. E para eles isso é divertido, é bom. A risada dela é a mais ouvida, minha dor é boa para ela. Quando eles cansam e se vão , eu viro o rosto. As lágrimas frias começam a escorrer pelo meu rosto, meu coração se aperta , de ódio. Eu vou me vingar dela, demorasse anos , milênios , eu vou atrás dela. E ela vai se arrepender de cada segundo da vida dela, principalmente, os que ela me fez ser humilhado. 

“Perdoar é próprio de almas generosas; guardar rancor é próprio de criaturas duras e cruéis, de gente má e baixa.” 
Juan Luís Vives

...

Presente

...

Ao pensar na humilhação que ela me fez passar, meu braço empurra a faca e eu a seguro firmemente contra o corpo moribundo do bêbado. O sangue molha a lâmina, encharca minhas mãos e pinga no chão. Minha camisa está cheia de respingos. A roupa do morto está cheia de sangue, brilhando contra a luz fraca. Sinto a sensação se espalhar pela mão, chegando até a minha mente e me deixando entorpecido, é como se eu estivesse me drogando. É o prazer da morte.

Mas é algo que não sinto a tanto tempo que questiono sua veracidade, matar há tanto tempo não me dá prazer. Porém, vejo a ligação, ao pensar nela,  meu ódio é real. É forte, é indomável. E isso me dá um prazer imensurável. Isso só pode dizer algo. A hora da vingança chegou, quero o sangue dela em minhas mãos.

Eu sempre pensei em como me vingaria. Talvez eu a cortasse, talvez a queimasse para ela saber o que a aguarda do outro lado. Talvez a pendurasse em ganchos de aço, que arrancariam nacos de sua pele. Mas talvez um saudável jogo comigo seja a solução. A fazer sofrer por tanto tempo, que a morte será um presente, que eu demorarei a dar. Quanto mais penso, mais a quero, se contorcendo de dor ao meu lado.

Passo a mão ensaguentado nos fios rebeldes, uma adrenalina sem fim percorre meu corpo. Estou êxtase. Arranco o corpo do poste de dança, carrego até o bosque ao redor da propriedade e faço uma imensa fogueira. Queimar é a melhor opção para me livrar dos corpos aqui, se a natureza não espalhasse as cinzas, eu mesmo o faria amanhã. A parte onde faço a fogueira é rocha pura, o que evita que o fogo se espalhe. Jogo o corpo e acendo o fogo. O corpo morto queima, sem dor.

O cheiro é ruim, eu me afasto. Caminho até a minha mansão, são vinte minutos de caminhada. Limpo o chão da enorme sala, surpreso com a quantidade de sangue. Esfrego e limpo, o cheiro da água sanitária irritando meu nariz. Minhas roupas vão direto para a máquina e jogo cloro, na esperança que limpe. Tudo que faço nessa cidade é diferente do meu antigo ritual após matar.

Caminho até o banheiro, o corpo cheio de terra e sangue, e minhas unhas com minúsculos pedaços de pele. Escolho tomar uma ducha prolongada, a água quente anestesia meus músculos, o vapor dança ao meu redor. Lavo o cabelo, retiro o sangue seco e o que ainda ainda escorria. Desligo o chuveiro e coloco apenas uma cueca, não sei por quê, mas a morte me dá calor. Matar é uma tarefa árdua e não acaba na morte em si.  Limpo a faca, a guardando no fundo falso com carinho. Foi com ela nas mãos que o prazer de matar voltou para mim, talvez com ela eu matasse Mellody. E depois...Eu mesmo poderia dar um fim a mim. Se eu me vingasse, já poderia morrer em paz.

 



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