História Jung's Fight - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Ji Soo Kim
Personagens Personagens Originais
Tags Ji Soo, Moon Lovers, Wang Jung
Exibições 39
Palavras 4.904
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Fantasia, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Mais uma da série "esse dorama não me deixa dormir", trouxe uma one shot do Jung, de Moon Lovers.
Espero que gostem.
Ela se passa depois da tortura da Hae Soo, antes dele dizer que não agiria mais como irmão mais novo para ela.
Quem assiste vai antender, quem não não terá problemas nenhum.
Espero que gostem.

Capítulo 1 - My Savior


Fanfic / Fanfiction Jung's Fight - Capítulo 1 - My Savior

O lugar parecia que viria a baixo quando o homem magricelo que conduzia as apostas anunciou o meu irmão. Ele saiu das sombras em que se encontrava e se virou para a multidão do outro lado da sala, sem camisa, tenso, mas parecendo confiante. Ele caminhou com segurança ao centro do ringue improvisado como se aquele fosse o seu lugar de direito e, olhando para suas lutas passada, eu achava que realmente era.

O seu oponente foi anunciado sem grande comoção, apesar de ele ser um lutador conhecido na área também. Ele parecia convencido que iria derrubar meu irmão hoje e o sorriso torto desfigurando suas feições juvenis, fez um arrepio correr por meu corpo e eu olhei para meu irmão preocupada. Meu irmão não gostava que eu participasse de suas lutas de nenhuma forma, mas eu sempre dava um jeito de vir sem ele saber. Eu me preocupava demais com essas lutas, que ele só fazia para ajudar em casa, pois a situação não era boa para ninguém. A seca estava deixando todos muito nervosos e os guardas reais mais atentos. E saber que meu irmão se arriscava tanto para ajudar a mim e a mãe só fazia com que eu me sentisse pior.

O oponente dele parou em sua  frente  e se inclinou mais para ele, sussurrando algo em seu ouvido. Eu vi o meu irmão olhar para a platéia, parecendo procurar alguém e seu olhar se deteve quando ele me viu, longe do ringue, mas em sua linha e visão. Vi sua  mandíbula cerrar enquanto ele voltava seu olhar para seu oponente que sorriu ainda mais satisfeito por  ter conseguido uma reação do meu irmão.

Os dois se encaravam enquanto esperavam o inicio do combate. A expressão de meu irmão não se alterou e seu oponente parecia achar graça disso. Meu irmão parecia um pouco mais preocupado agora, mas não demonstrava isso. Ele mantinha a sua expressão da mesma forma quando entrou no ringue, mas eu o conhecia e comecei a pensar em sair dali. Talvez fosse por causa do que aquele cara disse para ele que ele estava assim e como ele olhou em minha direção, poderia ser alguma ameaça.

Eu me virei para sair, decidindo esperar lá fora ate tudo terminar, mas o local estava muito cheio e quando tentei sair, tudo o que consegui foi ter braços fortes me empurrando na direção errada e alguns palavrões lançados em minha direção. Do meu lado, um homem alto com vestes escuras e um gorro em sua cabeça preta estava olhando o ringue como se sua vida dependesse disso. Eu fui empurrada e acabei esbarrando nele, mas ele nem ao menos se mexeu. Desisti depois de levar um soco na lateral do meu corpo e apenas me virei para ver a luta.

Quando o juiz fez o som que dava início à luta,meu irmão assumiu uma postura defensiva , estudando seu adversário que não demorou a investir contra ele.

Meu coração se apertou em meu peito e eu esqueci tudo e todos enquanto olhava aflita para o combate que se iniciava.Os dois estavam sendo cautelosos apesar do sorriso nos lábios do oponente do meu irmão.

 Eu torcia a mão uma na outra enquanto via o oponente de meu irmão fazer uma investida contra ele e ele desviar, fazendo com que o outro acertasse somente o ar. Fiquei na ponta dos pés quando a multidão se agitou por conta do combate e amaldiçoei a minha estatura diminuta. Perdi a linha de visão, apoiando-me em quem quer que fosse para conseguir enxergar melhor o que estava acontecendo.  Cotovelos golpeavam as laterais do meu corpo e ombros esbarravam em mim, fazendo com que eu ricocheteasse de um lado para o outro, como se eu fosse um brinquedo na mão de uma criança. Tentei achar um caminho para frente, para poder enxergar o que se seguia, mas estava difícil para mim. Todos ali eram homens e muito maiores e mais fortes que eu.

Um homem escorregou e ia caindo bem em cima de mim, eu não tive tempo de me afastar, eu só fiquei lá e esperei o impacto, mas ele não veio. Quando eu olho para cima, o homem com a capa estava com o braço esticado na minha frente e conseguiu desviar o maior para o lado. Meus olhos se encontraram com o dele e eu me encolhi com o que eu vi nos dele. Eles estavam praticamente mortos, uma dor escondida atrás do castanho escuro. Não havia brilho ali.

Ele se afastou assim que o homem cambaleou para longe, sem uma palavra, sem um segundo olhar para mim e eu fiquei com uma sensação estranho sobre ele.Ao contrário dos outros, ele não parecia estar ali para se divertir, ele parecia estar ali para arrumar problemas.

Um grito geral me tirou de meus pensamentos e fez com que minha atenção se voltasse para a luta. Mas agora, eu já não podia ver mais nada. Mais uma vez tentei ir para frente e enquanto eu tentava passar, eu recebia olhares irritados ou olhares que eu preferia ignorar qual o sentido por trás deles. A maioria ali me conhecia, mas isso não significava que eles teriam respeito de mim ou medo como tinham do meu irmão. Ate porque ele estava ocupado naquele instante, seria fácil uma menina como eu sumir aqui.

Mas mesmo com aqueles homens me olhando, meus pensamentos continuavam naquele estranho com a capa preta.

Quando enfim cheguei lá na frente, vi aliviada que meu irmão tinha agarrado o oponente com seus braços fortes, apesar de não parecer muito, e tentava jogá-lo no chão. Quando ele se inclinou,iniciando esse movimento,o outro deu uma joelhada no rosto dele. Antes que ele pudesse se recuperar, o outro atacou repetidas vezes. Eu fechei os olhos, rezando para que meu irmão saísse dessa luta sem muitos machucados como da ultima vez. Demorou algum tempo para ele se recuperar, apesar de ter vencido aquela luta também.Os punhos cerrados socavam o rosto ensanguentado do meu irmão com força, mas ele apenas se defendia com seus braços.

Senti um empurrão em minhas costas e me desequilibrei,quase caindo no chão. Segurei-me no homem parado a minha frente que não pareceu sentir minha tentativa de usá-lo como amparo. Olhei para trás para ver quem tinha empurrado, mas era difícil saber se quem foi o culpado.Todos empurravam todos ali e pareciam a beira de um frenesi coletivo conforme meu irmão apanhava.

Vi novamente o homem da capa nessa minha busca e meus olhos ficaram presos nele. Sua postura era rígida, sua mão estava apertadamente fechada em punhos e mesmo de longe eu podia ver que ele estava se segurando para não entrar no ringue e lutar ele mesmo.

Meu irmão dizia que ele lutava para poder espantar seus demônios. Se isso fosse verdade para todos, aquele homem com o olhar tão intenso na luta parecendo querer estar lá e não apenas assistindo,parecia estar em seu próprio inferno particular e os seus demônios pareciam estar ganhando.

Ele se destaca claramente naquele mar de rostos, como se não pertencesse aquele lugar.

Quando olhei para frente novamente, vi meu irmão aproveitar uma brecha nos socos de seu oponente e se esquivar com maestria e rapidez, ficando de costas para seu oponente. O lugar pareceu ficar em silêncio enquanto a multidão esperava o que meu irmão iria fazer. Levou apenas alguns segundos, mas pareceu levar uma eternidade até ele agir. Eu pensei que ele tinha desviado do golpe, mas ele fez um círculo completo e esmagou com o cotovelo o nariz do adversário, quebrando-o e fazendo sangue jorrar na platéia. Seu oponente  caiu no chão de terra batida com um som oco, e, por um breve momento, a sala ficou totalmente em silêncio.

Quando o juiz contou até cinco e o homem não levantou, ele deu a luta por encerrada e  a multidão explodiu. Fui empurrada com todo aquele movimento de gente indo e vindo. As pessoas queriam parabenizar meu irmão, outros apenas pegar seu dinheiro ou alguns poucos, queriam reclamar da vitória.

Um sorriso aliviado atravessa meu rosto enquanto meu irmão me olha de cima do ombro de alguém que o parabenizava e fiquei ainda mais feliz em ver que ele estava bem.

 Eu ainda estava sorrindo para ele quando senti uma mão pesada segura meu braço e eu olho assustada para trás, desviando minha atenção do meu irmão.

Um homem alto e forte  ri com seus dentes amarelos para mim e pergunta.

_Você é a irmãzinha dele não é?_ele não esperou eu responder, ele apenas saiu me puxando como se eu não pesasse nada e eu olho para trás tentando ver meu irmão, que agora tenta se soltar de todos aqueles ao seu redor para vir para mim, mas não consegue.

_Me solte!_Eu grito para o grandão mais ele nem sequer parece me ouvir. Eu tento chamar a atenção de alguém para me ajudar, mas todos parecem ocupados demais para prestar atenção em qualquer coisa.

Eu me viro para o grandão e dou uma mordida em sua mão, fazendo o se surpreender e afrouxar seu aperto em mim. Eu aproveito isso e me solto dele, me lançando para frente e correndo para pedir ajuda. Vejo aquele homem de antes e vou com tudo para perto dele e quando estou a dois passos de chegar a ele, as mãos grandes do homem voltam a me segurar.

_ Sua Vadia louca!_Ele rosna para mim, me puxando de volta. O homem a minha frente parecia muito absorto em seus pensamentos para perceber o que acontecia a sua volta e em uma ultima tentativa de chamar sua atenção eu ergo minha mão e tento segurar sua capa. Eu consigo por muito pouco e  assim que ele sente o puxão em sua roupa, ele olha para trás. Ele olha direto para mim e levanta uma sobrancelha de forma interrogativa.

_Me ajude.—grito para ele e é quando ele percebe o cara atrás de mim, me puxando para fora agora e tentando me fazer calar a boca.

Sua expressão muda e ele não demora a agir se jogando para cima do meu captor e o socando com força no queixo dele o que fez com que o grandão se desequilibrasse e cambaleasse para trás, sem deixá-lo se recuperar, deu uma rasteira nele e ele caiu com um baque, fazendo as pessoas ao redor se afastarem e observar a luta que se iniciava. O grandão tentou rolar para longe, mas o homem de capa afundou-se e prendeu-o com os joelhos, a mão pronta para golpeá-lo. Ele acertou uns cinco golpes antes de ser detido por outro homem, provavelmente  amigo do cara que estava apanhando. Esse novo louco que entrou na luta acerta um soco no cara da capa  e ele sai  rolando de costas. A capa saiu de seu corpo, mostrando pela primeira vez seu rosto.

A pele dele é cor de marfim, quase impecável. Sem manchas de sol como a maioria ali, sem nem mesmo algum hematoma causado por alguma briga. Os olhos são quase tão escuros quanto o cabelo e amendoados. Uma mecha de seu cabelo escuro paira sobre a testa mesmo com aquela faixa preta em sua cabeça, cobrindo seu olho. Ele é mais alto que eu, mais ou menos a mesma altura do meu irmão. Eu olho para ele por mais alguns segundos e são seus olhos que me prendem a atenção.  Não são suaves, mas ardentes. Ele não desvia o olhar da luta e parece muito absorto nela, quase como se quisesse estar lá no lugar de um dos lutadores.

 Ele estava com a respiração acelerada e o olhar afiado para essa nova ameaça, mas parecia satisfeito.  Ele parece pronto para lutar contra eles. Seus olhos mostram o que passou por minha cabeça antes, seus demônios estavam ganhando a luta com ele.

Nessa hora eu não sabia se corria ,se ficava ou se chamava alguém para ajudar. Minha vontade era de fechar os olhos e fingir que nada disso era real. Uma mão aperta meu ombro e eu pulo assustada, pronta para gritar, mas quando olho para a pessoa percebo que é o meu irmão e quase desmaio, aliviada.

_Você tem que sair daqui. _Diz ele sem me olhar, em posição de defesa pronto para atacar se preciso.Seu lábio está sangrando e ele tem um corte acima do olho que não para de sangrar.

_E você?_pergunto preocupada e ele me olha, sorrindo de forma relaxada enquanto diz.

_Eu vou ficar bem.

_Mas..._Eu começo a tentar discutir com ele, mas seis novos homens nos cercam. Os amigos do meu irmão estão ocupados mais a frente, só o tem aqui e o cara da capa, que acaba se aproximando de nós quando mais três homens o encurrala. Eu congelo atrás do meu irmão e meu coração pula uma batida, depois acelera o triplo, o medo está borbulhando meu sangue, adrenalina correndo por minhas veias. Nós estávamos encurralados e não tinha como isso acabar bem.

Um dos homens avança e o cara da capa vai para cima dele, socando-o no rosto e fazendo com que ele caia no chão. Os outros estão apenas olhando quando ele parte para cima do homem caído e começa a socar seu rosto sem parar. Outro vem por trás dele e o chuta, mas ele não parece notar, ele apenas continua a socar o homem caído quase o levando a inconsciência. Outro vem por trás e o soca no rosto, fazendo-o cair para frente. Ele se levanta rapidamente, sangue escorrendo pelo seu rosto, mas isso não o parou. Ele veio rapidamente para cima de seu atacante e lhe deu um soco rápido que fez um som sibilante enquanto acertava sua mandíbula. Aproveitando a chance, ele lançou-se contra ele e executando um golpe que o fez desembarcar no chão duro. Ele se recuperou rapidamente, ficou de pé e pronto para o contra-ataque.

Meu irmão age nessa hora, vai para cima dele e o tira de lá, empurrando-o na minha direção e chutando um dos homens que avançaram aproveitando a brecha que se formou.

_Tire-o daqui._Ele não falou com o cara e sim comigo Assim como eu, ele percebeu que ele estava pronto para  se jogar em toda e qualquer luta. Então eu peguei a sua mão e corri para fora sem parar.

Eu o guia pelo local como se ali fosse a minha própria casa sem soltar sua mão não parando até chegar na saída. Hesito brevemente quando vejo mais dois homens entrando correndo no armazém.

Ele solta a minha mão e começa a ir à direção deles, mas eu o detenho.

_Você quer tanto morrer assim?_digo a ele e ele me olha com raiva. Tenho que suprimir o lampejo de irritação que sinto quando penso que meu irmão está lá, tentando nos dar tempo para fugir e tudo que esse cara quer é dar uns socos em alguém. Puxo minha mão. — Que seja!_digo para ele e saio correndo, mas paro quando percebo que tem um homem vigiando e assim que ele me vê, ele sorri de forma asquerosa. O cara de repente avança e pega meu braço me arrastando para ele.

—Deixe-me ir! — Eu grito, chutando quando ele me aproxima mais dele. Tento fazê-lo perder o equilíbrio, reunindo  toda a minha força e o soco na lateral, causando-lhe uma dor e o afastando. Nesse momento, o cara da capa aparece e o manda para longe, empurrando-o, e segura a minha mão .

—Não se preocupe,eu salvarei você.Eu prometo.—Diz ele enquanto segura firmemente minha mão e nós dois saímos correndo dali.Ele liderando o caminho e eu o seguindo.

Nós não paramos até achar que estamos seguros, até não ver ninguém nos seguindo ou qualquer pessoa perto de nós dois. Ele não solta a minha  mão em nenhum momento. Quando não dá mais para correr, quando estamos cansados demais, ele apenas para e se joga no chão, arfando alto. Eu vou junto com ele, quase colidindo nele, pois nossas mãos ainda estão unidas e assim permanecem durante todo o tempo que levamos para nos recompormos.

Quando eu posso respirar normalmente, olho para o lado e vejo-o olhando para o céu como se tivesse uma coisa muito importante lá. Como se a resposta de todas as suas duvidas estivessem escondidas atrás das nuvens.

_Você estava querendo morrer lá?_pergunto e ele vira seu rosto para mim.

_Sim._Não há hesitação em sua resposta nem arrependimentos. Ele disse o que queria dizer. Por alguns segundos nós apenas nos olhamos.

_Por quê?_pergunto num tom de voz baixo como se isso diminuísse o peso da minha pergunta.

_Eu não mereço estar vivo._Há tanta amargura em sua voz que eu me pergunto o que de tão errado esse cara fez para ter tanta culpa em seu tom.

_Você é um fugitivo?_pergunto incisiva, querendo mesmo saber do que ele estava tentando fugir e o olho de forma direta agora.

_Não..._ele diz e eu relaxo um pouco. Pelo menos eu não teria que me preocupar com guardas do palácio  atrás de mim por apenas andar por ai com um fugitivo._Eu sou pior._O seu tom de voz me assusta agora.

Meu irmão  sempre dizia para não andar com qualquer um e cá estava eu do lado de alguém que se dizia pior que um fugitivo.

_Eu sou um inútil._Ele diz olhando para mim e o seu olhar carrega uma dor que eu reconhecia, eu via essa mesma dor quando meu irmão voltava para casa quando perdia uma luta, quando ele não podia ajudar a minha mãe._Quando eu não desvio o olhar do dele, ele volta a olhar o céu e coloca a mão em cima de seu olho enquanto diz. — Talvez você devesse ir.

_Por quê?_retruco e ele solta um longo suspiro.

_Eu não tenho nada a oferecer.

_Você me ajudou quando eu estava em perigo._digo como se para lembrá-lo do que ele fez lá atrás e ele dá um riso cheio de escárnio.

_Eu só fugi...Isso é o que eu sempre faço.

_Você não podia ajudar lá._ declaro em voz baixa. Silêncio. Ele não se move. Depois de um silêncio longo ele diz como se para ele mesmo.

_Eu nunca posso. Eu sempre tenho que correr.

_Fugir te manteve vivo, o que há de errado nisso?                                                      

Ele me encara, e sua expressão é difícil de interpretar. Tem alguma coisa realmente intensa no modo como ele olha para mim e isso me faz sentir desconfortável.

_Eu vi a mulher que eu gosto ser torturada e tudo o que eu fiz foi sentar e esperar que ela aguentasse. E quando eu soube que ela estava bem, eu fugi, pois eu não tinha coragem de enfrentá-la. Que tipo de homem eu sou?

_As vezes isso é tudo que se pode fazer, por mais que nos esforcemos para ser de alguma ajuda. Sentar e esperar que as coisas deem certo é a coisa mais difícil, mas não a pior.

_Como pode não ser a pior?

_Você poderia ter morrido para ajudá-la. Ela está bem não está?_Eu não tenho que sentir raiva dele, mas eu sinto. Por que as pessoas acham que sempre tem se sacrificar para ser o herói?De repente, as palavras começam a brotar da minha boca e eu estou muito irritada._ Ela aguentou porque sabia que precisava aguentar , porque tinha pessoas aqui fora que esperavam que ela aguentasse para que pudessem cuidar dela.

_Isso é um monte de merda, você sabe?_ ele diz e eu posso dizer que ele realmente acha isso. Os olhos estão cravados nos meus. Depois de um instante ele balança a cabeça e, sem dizer nada se levanta como se fosse ir embora.

A raiva em mim diminui dando lugar a uma tristeza familiar. Aquela que eu sinto todas as vezes que vejo meu irmão voltar para casa todo machucado e tudo o que posso fazer é sorrir enquanto limpo seus ferimentos, fingir que não vejo ele se encolher de dor a noite enquanto tenta dormir. Esse garoto, ele podia não saber, mas eu o entendia mais que ele próprio e foi por isso que eu disse as palavras seguintes.

_Talvez._Digo com força para ele prestar atenção no que eu vou dizer e isso surte efeito. Ele para e fica lá esperando que eu continue. e eu o faço._Mas esse monte de merda é o que mantém pessoas como nós sãs._ Minha voz sai mais dura do que a situação talvez exija, mas eu não me importo. Ele precisa ver que é o que nós podemos fazer.

Aguentar a dor daqueles que amamos é pior do que a nossa própria.

_Você acha que é o único que tem que assistir alguém que gosta sofrer e não poder fazer nada? Você acha que é o único que sofre por alguma injustiça?_Minha visão é ofuscada pelas lágrimas e eu fecho os olhos com força tentando mantê-las para mim._Onde você tem vivido? No palácio?Acorda! _O vejo recuar alguns passos e seus olhos estão me avaliando com cuidado. Eu apenas continuo._A vida é um monte de merda e todo dia um monte de gente sofre por causa disso. Esperar que o melhor aconteça é só o que muitas pessoas podem fazer pois esperança é tudo o que restou para elas. Isso não é nenhuma vergonha.

_Eu não..._Eu não deixo ele falar, eu apenas continuo. Eu preciso continuar.

_Nesse momento meu irmão está lá, rodeado de pessoas que querem o ver morto enquanto eu estou aqui, consolando um garotinho mimado que acha o mundo muito injusto. _Não posso mais segurar as lágrimas que escorrem pelo meu rosto ,quentes e constantes. Eu limpo-as com o dorso da mão mas elas não param de escorrer e eu desisto.Deixo-as cair livre enquanto eu continuo._E você sabe porque eu continuo aqui? Porque isso é tudo o que eu posso fazer!_Essa ultima parte foi dita como um grito de desespero. Eu olho para ele que só me encara e de repente vejo reconhecimento em seus olhos e isso faz com que eu me acalme um pouco. Eu respiro fundo e falo com a voz mais calma depois de alguns segundos de silêncio entre nós.

 "Meu irmão me viu saindo de lá em segurança e isso basta para ele se manter firme e fazer o que precisa fazer. Eu queria poder ir lá e matar cada um daqueles bastardos que encostaram a mão no meu irmão mas eu não posso pois isso pode fazer com que ele fique em desvantagem. Tudo o que eu posso fazer é sentar aqui e esperar...E rezar."

 Ele desvia o olhar e seu rosto se torna pensativo e compreensivo. Eu quero me bater por chorar assim na frente de um estranho, mas também estou aliviada por poder dizer essas palavras para alguém. Era difícil carregar esse sentimento o tempo todo e não poder mostrar  como eu  realmente me sinto. Talvez ele me entenda, ou talvez não, mas de alguma forma eu sei que ele o faz.

_Ele é bem durão, ele vai sair bem de lá._Diz ele suavemente e sorri quando olho para ele, tentando me confortar. Eu sorrio também e é a minha vez de olhar para o céu.

_Eu sei. Eu conheço ele. Ele é forte e sabe o que está fazendo._digo com orgulho e esperança que assim seja hoje novamente.

_Me desculpe. — Ele parece mais jovem agora, vulnerável, e parece haver alguma coisa brilhando no canto do seu olho que eu não sei dizer o que é, mas é bem melhor que as sombras que dançavam ali antes.

_Não se desculpe, isso faz com que você pareça patético._digo batendo em seu braço e ele ri. Eu olho para cima para o céu, que já está escurecendo rapidamente, e percebo que ele faz o mesmo. _Quando você vir a pessoa que você gosta novamente mostre para ela o que você pode fazer e faça aquilo que você puder sem se lamentar pelas coisas que você não pode mudar. _digo e olho para ele só para notar que ele estava me encarando. Sinto meu rosto esquentar um pouco, mas não deixo ele saber disso. Eu acrescento._Fique mais forte para poder lutar as batalhas que você pode ganhar.

_Você tem quantos anos?_Não posso deixar de sorrir quando ele faz essa cara de espanto.

_Muitos mais do que algumas pessoas pensaram que eu sobreviveria.

_Sabe..._diz ele com um sorriso brincando em seus lábios. O seu rosto se torna mais jovem dessa forma, mais bonito. Eu fico ali olhando como um boba e pensando em como o seu sorriso era bonito._Se eu tivesse conhecido você antes, eu teria me apaixonado por você.

Eu sinto meus olhos se alargando conforme o que ele diz faz sentido para mim e tento não o deixar perceber isso. Eu faço o que sempre faço em situações assim.

_Uma pena para mim..._Digo e ele sorri, provavelmente achando que isso é um elogio. Então é a minha vez de sorrir e completar._Eu ia gostar de ver você sofrendo para tentar me conquistar.

_Como é?_é a vez dele parecer surpreso.  Eu gosto de como é fácil falar e brincar com ele.

_Você não faz meu tipo...É bonito demais._Eu faço um movimento com as mãos indicando o rosto dele e sua sobrancelha se ergue.

_E isso é ruim?_ele parece realmente sincero em sua pergunta.

_Para mim sim._Dou de ombros e baixo a minha cabeça, brincando com uma pedrinha no chão com meus pés enquanto digo._  Homens bonitos não costumam olhar para pessoas como eu._declaro e dou um sorriso triste.

 Estou dizendo um monte de coisa a esse desconhecido que eu nunca pensei que pudesse dizer a alguém.

 Silêncio.

Quando eu desvio o olhar do dele,envergonhada pelo que disse e por sua falta de resposta,o que me envergonhou mais, ele dá alguns passos para frente, segura meus braços me fazendo olhar para ele um pouco surpresa e diz.

_Eu estou olhando._Nós dois  nos encaramos e ...._E estou gostando do que vejo.

Tenho a impressão de que meu coração vai explodir quando ele termina de dizer as palavras. De repente me torno consciente de coisas que eu não tinha notado antes. Sinto até mesmo o cheiro de sabonete, roupas limpas apesar de onde ele estava e alguma coisa que deve ser de garoto.

Percebo que fiquei em silencio tempo demais e ainda estou o encarando. Limpo a garganta e digo, sorrindo.

_É uma pena então.

_Sim,é.

Ouço o meu nome ser gritado em algum lugar perto e olho para a direção que o som vem. Ele , de repente, fica com o corpo tenso e se coloca na minha frente em uma postura protetora. Eu olho para as suas costas e sinto um pequeno sorriso se abrir em meus lábios. Ele era do tipo de cara que se jogava no perigo para salvar quem ele achava que deveria ser salvo sem nem perguntar o porque ele estava em perigo em primeiro lugar eu percebi isso. E era fácil gostar dele por isso.

_Você está ai._Ouço meu irmão dizer e saio de trás do meu protetor e corro para ele, para ver o tamanho do estrago. Ele tem machucado por todo seu rosto e suas roupas estão todas sujas de sangue. Não posso dizer se é dele ou de seus oponentes.

_Você está horrível._digo de forma brincalhona e ele bagunça meu cabelo. Eu tento me afastar mas ele me segura perto dele enquanto diz.

_É bom ver você também._eu sinto o alivio nas palavras dele e sinto meu coração mais leve Eu também estava aliviada de ele estar bem. Eu olho para o garoto que estava parado lá nos olhando e sei que ele pode ver o quão aliviada eu estava.

_Vamos para casa?_pergunta meu irmão me afastando e olhando para meu rosto.

_Sim._eu respondo e ele me abraça. Ele olha para o outro homem e dá um aceno de cabeça para ele antes de dizer.

_Obrigada por manter a minha irmã segura.Te devo uma bebida.

_ Não foi nada._ele responde meio sem jeito.

_Para mim, foi._digo e ele me olha, acenando com a cabeça e sorrindo.

Provavelmente nós dois nunca mais nos veríamos mas eu sabia que não iria esquecê-lo tão cedo e ia sempre agradecer por tudo que ele me fez hoje, mesmo que ele não saiba de o quão grande foi eu ter dito tudo aquilo para ele. Para ele pode ter sido só a explosão de uma menina com medo, mas para mim, foi o peso de uma vida sendo tirado de minhas costas. Todas as palavras que nunca pude dizer e que me fazia querer explodir as vezes. E eu seria grata por ele mesmo que ele não soubesse disso.

_Vamos!_meu irmão diz e nos guia para casa, mas antes de eu me afastar, eu me viro e pergunto para o garoto que me salvou hoje a noite.

_Qual é o seu nome?_Ele parece hesitar por um instante, mas me responde.

_Wang Jung.

_Como o do príncipe?_questiono sem ter certeza de que ele está falando a verdade. Eu acho que não.

_Exatamente como o do príncipe._Diz ele sorrindo e se vira, indo embora.

Eu sorrio também e volto a minha atenção para meu irmão que me olha de forma interrogativa. Eu dou de ombros e  deixo meu irmão me guiar para casa para que eu possa lutar as minhas batalhas, aquelas que eu sei que posso ganhar.

Eu espero que ele ganhe as próximas batalhas dele também. Eu gostaria de vê-lo de novo e ouvir dizer que ele ganhou e sorrisse para mim mais uma vez.

 


Notas Finais


O que acharam?
Confesso que o final não me agradou , mas foi o que eu consegui ...
Sou péssima com finais kkkk

Espero que tenham se divertido enquanto liam...
Obrigada e ate mais !!!


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