História Juntos pela Menrtira - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Casamento, Comedia Romantica, Mentiras, Namoro, Namoro De Mentira, Noivado, Original, Romance
Exibições 14
Palavras 4.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Depois de muito tempo, estou postando o segundo capítulo.
Espero que gostem

Capítulo 2 - Capítulo 2 - Piloto Gato


 

Capítulo 2 - Piloto Gato

 Não foi surpresa encontrar Hugo dormindo e babando no meu amado sofá quando saí do banho. O corpo grande ocupava o sofá todo, na real, faltava sofá! As pernas compridas e cabeludas estavam para fora, e no chão três garrafas de cerveja vazias.

Nem para botar no lixo reciclável ele teve a disposição de pôr! 

Conhecia Hugo a pouco mais de meio ano, ele era tudo o que não queria: um metido a garotão garanhão que se achava a última bolacha do pacote, irresponsável na maior parte do tempo e preguiçoso.

Ele era um cara que queria um apartamento legal para morar, e eu precisava alugar o apartamento para consegui terminar de pagar o curso de piloto de linha aérea. Hugo nunca tinha sido minha primeira, –  ou última opção. – Mas tinha cismado com o apartamento 1423, pagou os primeiros três meses a vista, conseguiu expulsar quatro faxineiras com sua bagunça e preguiça. Em dois meses criamos uma espécie de amizade estranha, aos sábados arrumávamos o apartamento dele, –  isso quando eu não tinha voo, –  almoçamos e jantamos juntos ou eu deixava comida pronta para ele comer. Quando eu não estava em casa Hugo cuidava do meu apartamento, molhava as plantas e abria as janelas para arejar o lugar, mas não saia do meu sofá e entupia minha geladeira de porcarias e cerveja.

 Agora eu tinha um amigo bêbado de ressaca no meu sofá que enrolava os pais dizendo que ia arranjar alguém e dar netinhos fofos e babões para os pais. Esse pequeno drama dele com as promessas, –  que eu e ele sabíamos, –  que ele nunca ia cumprir, toda semana era algum tipo de desculpa. Parecia até novela!

 Hugo trabalhava em casa com Desenvolvimento de Jogos junto com alguns amigos. Minha pequena dor de cabeça constante.

 Catei as três garrafas, se eu desse com uma delas, –  ou com todas, Hugo tinha uma cabeça muito dura, –  na cabeça dele me livraria da pequena dor de cabeça constante que Hugo era para mim. Mas, perderia o meu precioso aluguel, coisa que não valia a pena, infelizmente!

Pondo as garrafas no lixo voltei para a sala. Hugo dormia pesadamente no meu sofá de dois lugares, a baba escorria da boca entreaberta e se alojava no tecido. Agora eu teria que conviver com meu sofá com cheiro de baba!

 – Vai dormir no seu apartamento! –  grunhi enquanto sacudia as costas dele.

 Sacudi mais algumas vezes, tudo que consegui foi um "me deixa" e "Eu cuidei das benditas plantas".  E meu sonho de ter uma casa só para mim se foi quando aluguei meu apartamento do andar de baixo, se Hugo não estava trabalhando no quarto dele, ele estava me azucrinando ou babando no meu sofá.

Comecei o almoço quase duas horas da tarde ao som do ronco constante de Hugo, as vezes me sentia a empregada dele, mas a culpa era totalmente minha por ter começado com essa história de cozinhar para dois. O fato é que querendo ou não viver absolutamente sozinha não é aquilo tudo que eu imaginava. Hugo poderia ser um adolescente mimado e preguiçoso quase sempre, mas, ele me tirava da ociosidade na maioria das vezes. Minha escala como piloto comercial era bem confortável, me dava liberdade para fazer com que eu quisesse do meu tempo livre. De vez em quando eu poderia ser solicitada caso precisassem dos meus serviços. Mas mesmo assim, eu tinha muito tempo disponível para fazer com que eu quisesse. Geralmente depois que aluguei o apartamento para ele, gastava meu tempo discutindo com ele.

 – Você vai cortar o dedo ainda se continuar a cortar cebola enquanto fica viajando! –  A voz do Hugo me tirou de meus pensamentos. Larguei a faca no lado da tábua assustada e me virei para trás.

 Hugo fez uma careta e balançou a cabeça, deu a volta pela bancada de mármore e entrou na cozinha.

 – Parece que comi um animal morto! –  reclamou abrindo a geladeira tirando uma garrafa de água.

 Fiz careta tentando não imaginar a cena ou sentir o cheiro do hálito de animal morto dele. Hugo bebeu a água da garrafa toda em dois goles grandes.

 – Estava precisando disso! –  comentou admirando a garrafa vazia.

 Me virei para a tábua e voltei a cortar as cebolas.

 – Você está é precisando de um banho. –  resmunguei baixo terminando de cortar a cebola.

 – Meia revoltadinha você está hoje, em? –  botou a garrafa na pia. O sarcasmo rolava pela cozinha.

 Peguei uma panela e pus na boca do fogão acesa revirando os olhos. Coloquei óleo e comecei a cortas os tomates.

 – Me deixa fedelho!

 Mesmo de costas eu sabia que ele tinha levantado a sobrancelha direita e cruzado os braços.

 – Não sou fedelho, sou quase cinco anos mais velho que você! –  ouvi ele falar sério.

 Com cuidado pus as cebolas na panela com óleo quente e me virei para ele.

 – Fedelho! – Repeti com intenção de irritar ele, e conseguindo.

 Hugo ficou levemente vermelho, os lábios se comprimiram em um bico infantil.

 – Meio metro! –  sibilou desafiante. 

 Puxei o ar com força sentindo a raiva começar a dar sinal de vida, Hugo parecia pronto para guerra, mesmo que só de bermuda jeans e descalço. Apontei para ele com a faca.

 – Birrento! Mimado, infantil, bagunceiro e criança! Só não falo coisa pior por que não quero enfiar essa faca em você! – Ameacei fazendo a maior cara de maníaca que consegui enquanto apontava a ponta da faca na direção do peito nu dele.

 Hugo levantou as mãos para cima na defensiva louco para rir. Baba seca estava grudada no canto da boca até o queixo.

 – Além de tudo isso é babão! –  me virei para a pia.

 Hugo se pôs atrás de mim, botando as mãos em meus ombros começou a massagear com calma.

 – Só não vou retrucar porque você tem uma faca na mão e está fazendo meu almoço! –  argumentou com o humor leve.

 Senti meus músculos relaxarem com a pressão suave das mãos dele. Hugo conseguia fazer pedra virar macarrão com as mãos maravilhosas que ele tinha. Mas não era sempre que eu ganhava uma massagem assim de graça, e Hugo fazendo massagem era algo raro que eu deveria aproveitar. 

 – Não é só porque você está fazendo massagem em mim, que você não vai ter que comer a salada! – Resmunguei sentindo o sangue circular por meus músculos.

 Ouvi a risada dele, uma risada quase infantil que eu aprendi a me acostumar e não estranhar. Hugo poderia ser o que quer que fosse, mas que quando queria, ele era um grande amigo. 

Ele mastigava a alface como se estivesse comendo pedra ou algo pior.  

– Por que eu estou comendo isso mesmo? –  resmungou de boca cheia.

Segurei a risada e engoli o macarrão.

– Por que esse foi nosso combinado, eu cozinho e você come o que eu cozinhar, sem exceções! – Enchi a boca de salada.

 Hugo fez careta e voltou a comer sem deixar de fazer careta para a área saudável do prato. 

– Como vai o jogo? 

 Hugo fez uma cara pensativa e suspirou.

 – Dei uma empacada legal, eu e o Gabriel entramos em desacordo com o final. –  Deu de ombros enquanto cortava a carne.

 Hugo trabalhava junto com Gabriel e mais alguns amigos, Gabriel, Lorenzo e Bruno. Gabriel era o mais sem vergonha deles e Bruno o mais tímido, Lorenzo era o "brizão", Hugo era o mais preguiçoso. Hugo e Gabriel viviam discutindo sobre qualquer coisa, as vezes parecia que eles viviam só para isso. Quando tinha reunião deles, Hugo não me deixava entrar no apartamento 1423, alegava que era a "noite das cuecas", só sei que no outro dia de manhã cedo estava Hugo na minha porta quase implorando por ajuda pois a ressaca estava brava.

 –  Juro que não quero ser chata ou irônica, mas, você e o Gabriel vivem se brigando! – Mordi um pedaço de salsicha.

 Hugo fez careta ao escutar o nome do amigo, terminando de comer ele empurrou o prato para frente e cruzou os dedos com os cotovelos em cima da mesa.

 – Amo macarrão com salsicha e salada. – Piscou para mim.

Teria mandado ele tomar banho se não tivesse com a boca cheia de macarrão.

– E como vai a paquera com o piloto gato? –  Hugo fez careta ao elogiar ele.

 A salsicha virou uma massa pegajosa em minha boca e o desejo de me esconder de baixo da mesa se apossou de mim.

 – Piloto gato? –  repeti me fazendo de desentendida.

 Hugo revirou os olhos, um sorriso malicioso surgiu nos lábios dele, e isso me apavorou um pouco. Quando esse preguiçoso sorria assim não era sinônimo de muita boa coisa.

 – Vai se fazer de “desentendida”? Acha mesmo que não notei que você anda toda arrumadinha e toda melosa no telefone? –  malícia gritava no tom dele –  você fica toda derretida quando fala com o tal do piloto gato!

 Engoli a salsicha com ajuda do suco de laranja, sobre o olhar atento de Hugo tentei demonstrar tranquilidade. Desde quando ele se tornou tão observador?

 – Piloto gato? –  me fiz de desentendia colando um sorriso amarelo no rosto.

 Hugo bateu as mãos na mesa agitado. – É, ouvi você falar para a Amanda que tinha um piloto gato –  ele quase gargalhou –  e que ele era solteiro...

 Minha tentativa de demonstrar tranquilidade foi traída pela concentração de sangue em meu rosto, fato que só aumentou o sorriso de Hugo.

 – Viu, você nem consegue disfarça. Então, existe mesmo um piloto! –  instigou com malícia na voz e nos olhos.

Puxei o ar para dentro dos pulmões com vontade de correr para o quarto e me esconder dele.

 – É, tem um piloto gato. –  Vi o sorriso dele crescer. – Mas, ele é comprometido! –  meu tom murchou junto com o sorriso dele.

 Hugo se inclinou para frente e semicerrou os olhos enquanto me encarava sério e do nada se afastou. 

– Olha, para ele largar a namorada dele por você de duas uma: ou ele é cego e não gosta da namorada ou é burro e galinha! –  e explodiu e gargalhada. 

Minha vontade de sumir foi embora e a vontade de atacar a mesa na cara dele foi grande.

 – Pelo menos eu consigo arranjar alguém e namorar por mais de uma semana e não tenho que ficar prometendo para meus pais que vou tomar jeito e arranjar alguém, e muito mesmo tenho medo de compromisso! – Praticamente gritei batendo na mesa.

 Hugo parou de rir na hora, o olhar mortal que ele me enviou teria me feito ficar com as pernas bambas de medo se eu não conhecesse ele e se não estivesse brava.

 – Vai se catar meio metro! –  rugiu batendo os punhos na mesa irritado.

 Foi minha vez de rir, Hugo estava vermelho e com um bico nos lábios.

 – Não debocha disso, pode não parecer, mas é uma situação delicada. –  resmungou emburrado. 

Cruzei os braços.

 – Então não debocha da minha situação! –  retruquei ácida.

 Hugo suspirou.

 –  Olha Ágata, não pede o impossível! Você, meio que pede isso, pode ter o cara que quiser e fica caidinha por um que não pode ter. Sério, cai fora, antes que essa situação fique péssima para você! –  Hugo aconselhou com simpatia, como um amigo, deixando de lado todo o deboche e implicância infantil típica dele.

 A raiva sumiu com as palavras dele. Hugo me fazia ser bipolar, provocava isso! Era um tipo de dom que ele tinha, conseguia me fazer borbulhar em raiva pura e segundos seguintes explodir em gargalhadas.  Sentimentos conflitantes que em meio ano me habituei a conviver.

 – Nunca disse que investiria nele. –  me defendi com o tom calmo.

Hugo revirou os olhos. 

– Mas, se o cara, sabe, resolver investir em você... –  suspirou. – Toma cuidado, essa história é a mais clichê de todas, e a mulher quase sempre sai chorando e como vilã no final! Não quero que você fique chorando enquanto faz o meu almoço, já basta esses troços esquisitos que você me obriga a comer. –  apontou para a salada.

 Sorri com humor. Esse era o jeito dele de demonstrar preocupação, no fundo Hugo não era tão egoísta e turrão. Mas bem lá no fundo mesmo!

– Obrigada! 

Hugo se levantou enquanto se espreguiçava, bocejando pegou o prato dele e pôs na pia.

 –  eu lavo a louça! –  gritou da cozinha.

 Sorri animada.

 Pena que ele nem sempre era assim, tão prestativo! 

Hugo foi embora assim que lavou a louça, resmungando que precisava dormir para poder virar a madrugada trabalhando. A casa ficou silenciosa e espaçosa, e meu sofá continuou babado. Às vezes Hugo parecia que fazia isso de propósito!

Calcei o meu par de tênis e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo firme e peguei meus óculos de sol, tranquei a porta e caminhei com calma na direção do elevador. Seu Roberto levou um pequeno susto quando passei pela mesa dele no Hall de entrada. Se ele continuasse assim logo, logo teria um infarto.

Caminhei sem pressa até chegar no parque. O sol brilhava com preguiça no céu e o vento quente deixava o clima abafado e meio sufocante, contribuía com a preguiça que começava a tomar conta do meu corpo. Talvez a convivência com o preguiçoso do Hugo tenha passado um pouco da indisposição dele.

 Comecei a correr em volta do parque tentando expulsar o resquício da preguiça que peguei do Hugo do corpo. Não demorou muito, em vinte e cinco minutos eu já estava transpirando e parecia que tinha percorrido uma maratona, suor pingava de minha testa, sentia o espaço entre os seios e alguns fios do meu cabelo grudavam na nuca.

Meu Deus, ou esse calor está me matando ou eu estou muito fora de forma!

Tive que fazer uma parada para um descanso. Apoiando, mas mão nos joelhos arfando muito, abaixei a cabeça olhando para o chão cansada.

– Essa é uma bela posição, certo Ágata?

Congelei na posição constrangida, eu conhecia essa voz!  Me levantei devagar ainda arfando e virei para trás sentindo o arrependimento cair sobre os ombros.

– Arthur? – Exclamei assustada dando de cara com o assunto do meu almoço de hoje com Hugo: O piloto gato, vulgo Arthur.

– Eu te assustei não foi? – Perguntou humorado com um sorriso nos lábios.

Cocei a nuca suada constrangida enquanto sentia o rosto começar a arder lentamente. Arthur assim como eu estava com roupas para caminhada e suado, o cabelo loiro brilhava como se ele tivesse acabado de sair do salão.

– É, assustou! –  falei ao mesmo tempo que soltei uma risada sem graça. – Não esperava te encontrar, muito menos por aqui!

Arthur pareceu arrependido por um momento, mas o arrependimento cedeu lugar a animação.

– Quer tomar um suco? Tem uma barraquinha aqui perto, eles vendem um suco bem maneiro! 

Esse seria o momento que eu deveria negar, como Hugo tinha enfatizado hoje no almoço, Arthur era comprometido.

– Acho melhor não. Sua namorada não vai gostar nem um pouco de saber que você 

–  Namorada? –  Arthur me interrompeu surpreso, os olhos verdes estavam ligeiramente arregalados, o rosto se contorcia em confusão e surpresa.

Joguei meu peso todo na perna direita, com um sorriso amarelo apontei para a aliança dourada no dedo dele. Que merda de cara Arthur era? Ele levantou a mão esquerda e sorriu para a aliança com carinho.

– Não existe namorada nenhuma! –  comentou rindo. – Essa aliança é do meu pai! –   e tirou a aliança do dedo e me entregou.

Ela era leve e lisa, mas bem desgastada, levantei ela a altura dos olhos com a intenção de ler a gravação.

– Elisandra! –  Li em voz alta levantando a sobrancelha direita.

Arthur sorriu tirando a carteira do bolso e tirou a identidade e me entregou. A foto da identidade dele era um pouco mais nova, ele estava com o cabelo loiro quase raspado e uma cara emburrada.

– Pareço um delinquente nessa foto! –  riu sozinho. –  Elisandra é o nome da minha mãe, pode ver na identidade.

Elisandra Diabella Baruch era o nome da mãe dele que constava na identidade. Devolvi a identidade para ele, se não existia namorada... Arthur sorriu, ele sempre sorria! 

– Sério que seu sobrenome é Baruch? –  perguntei rindo.

Ele fez uma cara de "não tive opção sobre a escolha" e afirmou com um meio sorriso ao estilo sedutor.

– Então vamos tomar um suco? –  e o sol de uma forma estranha brilhou mais forte.

Arthur me guiou em uma caminhada tranquila e curta até um quiosque simpático de madeira, nas janelas de vidro tinha alguns vasinhos com flores que enfeitavam o lugar e davam um ar mais natural. Entramos quietos e suados. Sentamos na mesa ao lado da janela aberta, um de frente para o outro.

Se isso era uma barraquinha para ele não queria saber o que era um quiosque para ele!
– Por que você usa a aliança do seu pai? –  perguntei enquanto folheava o cardápio, meus olhos voavam pelos nomes dos vários sucos, mas com os ouvidos atentos a resposta.

Arthur esfregou os dedos um nos outros e respondeu com uma cara pensativa.

– Não existe um porque certo. Só achei errado meu pai jogar a aliança dele fora como minha mãe fez! Quando ele resolveu aceitar o divórcio, a primeira coisa que a vi fazer foi jogar a aliança no lixo. –  coçou a nuca desconfortável. – Não tive a oportunidade de impedir que ela fizesse isso, mas tive com meu pai. Talvez seja uma lembrança de que um dia eles foram felizes juntos. – Levantou o rosto e sorriu constrangido. –  “Frescura” isso não? –  e gargalhou levemente.

Mordi a língua para não o repreender. Fiquei dividida entre ser sincera e dizer meu costumeiro "que merda cara" e dizer que ele se expressou de uma forma grosseira, ou ser mais concedente e dizer "um pouco", mas a situação pediria mais simpatia, certo?

– É legal da sua parte querer preservar uma memória tão bonita e delicada. –  fui simpática.

Arthur pareceu ficar orgulhoso dele mesmo o sorriso cresceu nos lábios e ele pareceu ficar mais confiante.

– Achei que você ia dizer algo como: que merda cara!

Sorri meio que no automático, uma risada nervosa e meia forçada, foi o melhor que consegui fazer, Arthur pareceu não perceber e me acompanhou rindo com humor. Me senti um pouco mal por isso, realmente foi algo que eu queria falar, mas seria muito grosseiro e eu não queria ser grosseira com o cara que –  agora sem impedimentos –  queria impressionar!

– Então, o que vamos pedir? –  Arthur perguntou com o cardápio em mãos, mas com os olhos em mim e o sorriso amigável nos lábios.

Comprimi os lábios pensativa enquanto passava os olhos pelo cardápio, comecei a me sentir levemente nervosa com a intensidade com que Arthur me olhava. Cocei o pescoço quase nervosa.

Quase!

– Um suco de abacaxi com hortelã e quiche de frango! 

Arthur fez cara de pensativo virou e desvirou o cardápio duas vezes.

– Suco de acerola e pão de queijo. –  mais um sorriso.

Era um sorriso bonito, um baita sorriso!

Chamamos a atendente que praticamente correu para a nossa mesa, anotou nossos pedidos sem tirar os olhos de Arthur e demorou quase cinco segundos a mais para levar nossos pedidos. Não que eu tenha contado!

– Então, e o que o seu namorado vai falar quando souber que você está aqui tomando suco com um cara tão bonito e simpático –  ele gargalhou baixinho –  como eu?

Fiz cara de pensativa tentando entrar na onda e não me desesperar por ele achar que eu era comprometida. Respirei devagar batucando as unhas na mesa, Arthur esperava a resposta com paciência.

– Que namorado? –  brinquei.

Um suspiro aliviado foi o que ouvi, Arthur se encostou na cadeira relaxado, parecia que tinha corrido uma maratona enorme e só agora pode descansar. Isso me fez ficar meio "boba" de um jeito bom, me deu esperanças, isso eu não sabia se era bom!

– Não existe namorado. –  murmurei fingindo aborrecimento. Descansando o antebraço na mesa vi Arthur se inclinar para frente apoiando os cotovelos na mesa.

– Não sei se posso falar que é uma pena. Queres uma resposta amigável ou sincera? 

Olhos sérios e sorriso contido. Isso era algo bom? 

– Acho que, a sincera, certo? –  tentei não soar nervosa, não sei se consegui, mas me senti derreter por dentro quando vi o sorriso dele abrir.

– Fico feliz em saber que você está solteira! – Falou com sinceridade em um tom meio envergonhado.

Ai meu santo, com uma resposta dessas junto com um sorriso desses é para desmoralizar qualquer um! Meu rosto deveria estar um pimentão, bem vermelho, meu rosto ardia mais que o próprio inferno. Meu Deus, eu estava me sentindo uma adolescente desesperada por um namorado!

Não tive a chance de responder de imediato, nossos pedidos chegaram e a atendente resolveu monopolizar a atenção de Arthur.

– Se nós precisarmos de algo, vamos chamar! –  um sorriso gelado e uma cara de maníaca do bairro foi o suficiente para a garota se afastar carrancuda. 

Arthur parecia segurar o riso olhando para os pães de queijo no prato quadrado. Revirei os olhos cutucando minha quiche de frango com o garfo fazendo de tudo para segurar o beiço que ameaçava crescer em meus lábios. Se Hugo estivesse aqui já estaria se contorcendo no chão me chamando de desesperada. Talvez eu o chutaria como resposta, Hugo sempre acabava apanhando de algum jeito!

–  Mulher de atitude! – Mordeu um pão de queijo.

Mexi os ombros e joguei o cabelo para trás fazendo minha melhor pose de "fodona" que consegui fazer. Me senti um pouco patética, mas Arthur riu de um jeito amigável. Diminuiu o patético para ridícula.

– Tem garotas que não se tocam. –  resmunguei antes de comer a quiche.

Mas que merda de quiche bom!

Ouvi a risada abafada de Arthur e levantei os olhos.

– O que foi? –  perguntei olhando para os lados.

Balançando a cabeça de leve ele respondeu.

–  Falasse de um jeito engraçado fazendo uma careta. –  ele parou de rir na hora. – Me desculpe por rir. Só achei, espontâneo da sua parte! 

Meu Deus, o que falei que eu não sei?

– Você falou –  fez uma pausa breve – Mas que merda de quiche bom! –  tentou imitar minha voz fracassando bonito. Hugo fazia direitinho, conseguia captar até minhas caretas de uma forma impressionante, se ele não estivesse caçoando de mim até acharia engraçado quando ele fazia isso. 

– Tudo bem, eu de vez em quando penso alto. É normal!

Arthur me olhou estranho.

– Eu sou normal eu juro! –  falei rápido demais, desesperada demais, normal de menos!

Minha mão direita voou no pulso esquerdo dele, meus dedos apertaram a pele quente por impulso. O contato repentino assustou nós dois, Arthur não sabia se esboçava surpresa ou ânimo, ou os dois, mas parecia...  Contente!

Forcei um sorriso sem graça, ele grudou no meu rosto congelando minhas bochechas de uma forma desagradável. Nossos olhos se concentraram na minha mão no pulso dele, recolhi a mão tão rápido quando ela foi parar lá.

Comemos quietos, cada um em seus pensamentos. Esse era o momento em que eu poderia agir como uma adulta que eu já era e ignorar minhas bolas foras e continuar tentando fazer o gol da vitória, mas não, me calei como uma perdedora no banco do reserva. 

Patético!

–  O que é patético? –  Arthur perguntou de supetão.

Olhei para ele meia assustada e meia surpresa com a maior cara de perdida.

– O que que é patético? –  perguntei enfiando a quiche na boca.

Arthur olhou para o pão de queijo e gargalhou baixo.

– Acho que você pensou alto outra vez.

Esse era o momento que eu enfiaria o rosto em um buraco. De preferência um bem fundo!

Abri a boca para responder, dar alguma explicação lógica e alegar que eu não era nenhuma anormal maluca, mas Arthur foi mais rápido.

– O que acha de sair amanhã? Sabe, dançar se divertir? –  e comeu o último pedaço do pão de queijo dele.

Não me engasguei com a quiche, mas ela desceu como uma pluma. Meu coração bateu tão rápido com o convite que achei que enfartaria antes do Seu Roberto.

Respirei fundo para me acalmar. Tá legal, já devia estar na cara que eu queria sair com ele, não precisava bancar a desesperada também!

– Seria legal! Bem legal. – Bebi pela primeira vez o suco.

Que arrependimento!

Meu rosto se contraiu involuntariamente. O suco parecia ser de limão sem açúcar, azedo feito o inferno. Devo ter feito a cara de cachorro banguela chupando limão, pois Arthur gargalhou tão alto que não conseguiu esconder. 

Pisquei algumas vezes tentando esquecer o gosto horroroso do suco enquanto sacudia a

Cabeça para os lados abanando o rosto com as mãos. Como se isso fosse ajudar em algo. Mas que coisa ruim!

Arthur tentou se controlar respirando fundo coçando a garganta. Segurou a tampa da mesa tentando respirar fundo.

– Pega aqui o meu! –  me ofereceu o suco. 

Não pensei duas vezes, aceitei bebendo logo em seguida para tirar o gosto amargo do suco. Minha reação foi diferente dessa vez, o suco dele estava incrivelmente no ponto, ao contrário do meu, que parecia ser o suco do... sei lá o que!

– Está tão ruim assim? – Perguntou curioso.

Empurrei o copo para ele, e com uma careta falei: – Experimenta!

Minha voz soou com tom de desafio, Arthur não pensou duas vezes e bebeu. E quase cuspiu na minha cara!

Ele meio que engasgou e engoliu, um conflito interno que se desenrolava no rosto dele.

Foi minha vez de gargalhar alto, nem escondi isso! Minha risada ecoou pela parede de madeira, minha barriga doeu um pouco.

– Eu disse que estava ruim! –  avisei rindo.

Arthur pegou o copo do suco dele que estava pela metade, bebeu quase tudo em um gole.
– Ruim é apelido, isso está horrível! – Exclamou alto incrédulo.

Só ri em resposta, a cena rolava ainda dentro de minha cabeça. Meu celular vibrou no meu bolso, tirei o celular e vi quem era.

Hugo!

Fiquei tentado em ignorar, mas a última vez que o ignorei ele resolveu povoar meu apartamento com suas meias fedidas.

– Um minuto! – Sorri para Arthur enquanto atendia a ligação. – O que foi Hugo? –  perguntei sem muita paciência.

Ouvi um suspiro e um resmungo.

– Preciso da sua ajuda! 


Notas Finais


É isso ai gente!
Consegui postar o segundo capítulo, e estou muito animada com o rumo que ela está tomando (mesmo que esse ainda é o segundo capítulo), estou mega empolgada!
Espero que vocês também estejam tão empolgados como eu.
Obrigada por lerem esse cap, até a próxima!

Dúvidas, criticas e elogios são sempre bem vindos!


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