História Just to keep my hands on you - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Família, Gays, Mintae, Romance, Shinee, Yaoi
Visualizações 330
Palavras 11.858
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Lemon, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello peoples! Ces tão bem? Então ta bão!

Aparece na cara mais limpa e lavada depois de dois meses desaparecida.
Fazer o que né gente!!!

Tenho muita coisa a dizer não, só que a vida é uma caixinha de surpresas nee!!!

Espero que gostem, e não se assustem com o tema...
(Quase 12 mil palavras, quem eu sou mesmo? Poisss é, a loca da Lay Mint q n sabe se controlar)

Boa leitura
Desculpem os erros de português (essa sou eu)

Capítulo 1 - Eu estarei lá por você!


Fanfic / Fanfiction Just to keep my hands on you - Capítulo 1 - Eu estarei lá por você!

 

 

 

Just to keep my hands on you...

Eu estarei lá por você!

 

 

 

 

 

Acordou mais irritado do que o comum. E sabia bem o porquê, sabia o motivo que tinha o deixado mais nervoso:

 Aquela maldita foto.

A imagem congelada daquele semblante despreocupado enquanto sustentava nos dedos longos um copo de café, tinha o deixado com os nervos exaltados. E por Deus! Que droga de cor de cabelo era aquela?

 

Pra Taemin, as noites mais conturbadas não eram as que passava na rua bebendo, vandalizando, ou perturbando alguma vizinhança alheia. As noites mais conturbadas para o moreno eram as que ele passava em seu quarto de menino da classe alta, trancado naquele castelo de gelo – apelido que ele mesmo o deu – dentro do condomínio fechado.

Nessas noites ele pensava em como sua vida tinha chegado aonde chegou, pensava no passado, pensava nos motivos de ter virado a grande vergonha da sua família burguesa. E principalmente...

Pensava nele.

Pensava em como seu mundo era cinza antes da chegada do outro, em como o mais velho foi paciente e insistente em se aproximar de si, em como ele foi envolvido calorosamente pelo sorriso quente e pelos braços protetores de seu hyung quando ainda era criança. Se lembrou de quando o outro teve que ir estudar fora e de como a ausência mesmo que pouca, o fez descobrir que amava o mais velho além da irmandade.

Sim, foi quando Minho finalmente foi pra faculdade que o mais novo sentiu coisas estranhas no peito e sabia que não era apenas afeto fraterno. E a certeza disso foi em um dos fins de semana que o irmão sempre vinha pra casa. Taemin tinha 14 anos, e eles se beijaram pela primeira vez enquanto acampavam no jardim. Dali em diante as próximas visitas do irmão renderam mais beijos, mais carinhos, mais intimidade, até os anos passarem e eles se tornarem ambos o que são agora...

Quase estranhos.

Lembrar dele era algo tão forte pra Taemin que ele jurava poder sentir as mãos quentes do mais velho o tocando, jurava que podia sentir a fricção da pele morna sobre seu corpo.

E foi pensando no irmão, que o menor pegou o celular e foi vasculhar a vida do outro, raramente fazia isso, mas a saudade estava apertando o seu peito e ele queria ver aquele rosto, mesmo que fosse apenas pela tela do eletrônico. E foi ai que se deparou com algo que não foi de seu agrado.

Ele estava simplista, sentado em uma cafeteria, segurando um copo de café, e posando com um rosto tranqüilo ao lado de mais três garotas. Não era uma foto sua, e sim uma marcação de uma das moças. Não havia nada demais, ele não estava abraçado a nenhuma delas, e nem próximo demais. Mas o simples fato de vê-lo ali, calmo e sereno, enquanto seu mundo particular estava desabando, o fez jogar o celular a certa distância na cama, mergulhar o rosto no travesseiro, e chorar.

Sozinho ele podia, sozinho ele podia mostrar toda tristeza dentro de si, justamente porque não havia ninguém pra ver, sozinho ele não precisava usar sua mascara de garoto mau e sem sentimentos.

-Sinto sua falta. – Seus lábios sussurraram abafados contra o travesseiro.

Aquele misto de saudade e ódio mexeu tanto consigo naquela noite, que o fizera desistir de fugir pela sacada, aceitando adormecer extremamente chateado, magoado, triste e melancólico.

 

Dormir nervoso rendeu a conseqüência de acordar ainda mais cansado do que antes, e ainda mais irritado. Levantou-se da cama, e antes de qualquer outra coisa, levou os dedos com unhas pintadas de preto até a maçaneta da gaveta do criado mudo, tirou de lá um maço de cigarros e um isqueiro, mas antes fixou bem os olhos nas inúmeras cartelas de antidepressivos, umas quase no fim e outras inteiramente completas.

Perguntou-se mentalmente quando havia se rendido aos remédios extremamente fortes receitados por  aquele psiquiatra doido cujo sua “querida” madrasta o levou forçado a pouco menos de ano atrás. Mas ele sabia a resposta, sabia que em algum ponto da vida havia se perdido completamente.  

-Unf... Droga. – Bufou batendo forte a gaveta...

Caminhou descalço pelo quarto, abriu sua sacada, e foi atingido por uma forte onda de frio, mas não se importou. Limpou a neve do beiral, debruçou-se sobre o mesmo, e habilidosamente acendeu seu cigarro.

Junto com a primeira tragada observava a vizinhança fúnebre, as arvores estavam cheias de neve, o chão só não o estava porque com toda certeza as maquinas limpa-neve já tinham passado por ali antes mesmo de qualquer um acordar – privilégios de ser um morador de bairro nobre – Mas mesmo com todo o frio e a paisagem pintada de branco, o lugar ainda conseguia ser bonito – mais um privilégio que ele tinha por morar em uma cidade não tão grande – Só que a muito ele não via beleza real em nada.

Não se lembrava de quando tinha começado a perceber o quanto tudo e todos pareciam tão falsos e mecânicos. As pessoas, os lugares. Tudo tão falso que o dava náuseas. Tentava a todo custo quebrar isso com sua onda de rebeldia, mas a falsidade reinava soberana ainda mais para ele, simplesmente porque sua família era rica.

Taemin voltou pra dentro do quarto quando seu rosto ficou anestesiado de frio. Olhou pras paredes e um sorriso amargo brotou dos lábios grossos. Sua farda estava pendurada impecavelmente num cabide suspenso na parede. Mesmo sabendo que ele pouco ia à aula, a empregada sempre a deixava lá, limpa, passada e organizada.

O moreno fez uma careta ainda olhando pra mesma. Havia se tornado maior de idade naquele ano, e pra ele aquilo já não parecia combinar mais consigo, mas a culpa de ainda ter que usá-la era inteiramente sua, ele sabia. Pois das poucas vezes que ia ao colégio, mais poucas ainda eram pra estudar, ou melhor, nenhuma delas era pra estudar.

Naquele dia decidiu ir ao colégio, ciente que suas aparições eram quase como eventos importantes na escola. Nunca admitiria, mas quando estava se sentindo um zero a esquerda, resolvia aparecer, só pra ser o centro das atenções e ter seu ego inflado, o fazendo voltar a ser o belo “bad boy” que se tornou.

Vestiu o uniforme da forma que quis, sem esquecer-se de um pesado casaco, e colocou a mochila nas costas mais como algo simbólico do que algo realmente necessário, já que ele provavelmente não a usaria pra nada, pois além de estar quase vazia – exceto por certos remédios que nem ele sabia por que levava – não tinha intenções de fazê-la útil. No fim, era um bom acessório por ser bonita e cara.

Passou silenciosamente pelo salão de entrada da mansão, viu os empregados de relance, e viu de longe sua madrasta lhe lançar um olhar desgostoso, e sem se importar nem um pouco, saiu porta a fora indo de encontro à gigantesca garagem.

Um dos motoristas quis o impedir de pegar seu carro, alegando que seu pai tinha o proibido. O garoto teve vontade de rir, porque as palavras do empregado saíram tão desacreditadas de si mesmo que ele pensou que o outro só falara por falar, pois já sabia que o menor não obedeceria.

Taemin era um especialista em quebrar regras.

Estalou a língua no céu da boca, entrou no veiculo, e partiu naquela manhã. Mas a verdade é que ele estava angustiado, mais angustiado que o habitual.

Ele estava tendo dias maus, na verdade, os anos estavam sendo maus com ele, e o único que poderia concertar tudo isso estava longe demais. Longe demais concentrado em sua carreira. Sentia-se a segunda opção, ou bem menos, ou talvez nem opção mais ele fosse.

Sua atitude poderia ser a mais infantil do mundo, mas ser rebelde foi o modo que ele achou pra descontar as frustrações. De toda forma, a vida nunca fora tão boa pra si. Ele achava que tinha todo o direito de agir como agia.

Sua mãe havia falecido de uma doença degenerativa quando ele tinha cinco anos, mas o golpe fatal no pobre foi quando seu pai adentrou a mansão com uma mulher e um garoto ao seu lado, os apresentando como sua nova família, sendo que sua mãe havia morrido a pouco mais de um mês. O homem levou à amante e o filho dela pra morarem consigo sem ao menos esperar a esposa esfriar no túmulo.

Por esses e inúmeros outros motivos que lhe apareceram durante sua vida, ele achava que tinha todo o direito de ser a pessoa problemática que era.

 

Mal estacionou o carro e todos já o olhavam, e seu sorriso ladino entregou que era esse o tipo de atenção que ele gostava. Saiu do carro caminhando tão ritmado que era quase como se tocasse uma música de fundo. Passou pelos portões fazendo o porteiro retorcer o nariz, e logo a frente pode ver sua turma.

Ao contrario de si, seus amigos freqüentavam as aulas, mesmo sendo tão atrasados quanto ele. E apesar desse desencontro na escola, eles sempre foram próximos, pois fora do colégio eram quase uma gangue.

A realidade é que o menor ia aquele lugar simplesmente pra vadiar e tirar a paz do ambiente. Ele olhava ao seu redor e contemplava seus pequenos atos de vandalismo por todo lado. Isso era, aqueles que ainda não tinham sido concertados, pois rica como era a instituição, nada permanecia defasado por muito tempo.

-Parece que já trocaram aquelas janelas. – Disse mais pra si do que pros outros ao seu lado.

-Sim, e pintaram os muros ontem. – Kai completou com um sorriso arteiro nos lábios. – Mas os vasos do vestiário ainda não foram trocados, desde que você os explodiu. – Aquilo fez o moreno rir, acompanhado dos outros.

-Que vergonha! Meu pai paga caro, pra isso? – Fez uma voz de falsa ofensa, o que só causou mais risos.

 

Como esperado, ele e seu bando mataram todas as aulas dos primeiros horários, os professores os viam andar livremente pelo colégio, a inspetora também. Mas quando era o pestinha do Lee a liderá-los, não tinham o que fazer.

Se o Lee não soubesse como tudo no mundo é falso, ele até se espantaria por ainda não ter sido expulso do colégio, mas como tudo é uma farsa, ele fazia o que bem entendia, pois repeti-lo de ano era inevitável, mas expulsá-lo dali era impossível. Sua família era mantenedora assídua e generosa do colégio, e por isso o Lee nunca tomou uma sequer advertência que fosse.

Mas ao mesmo tempo em que se sentia o deus daquela escola, se sentia preso pelo sistema. Pois que deus fajuto ele era que não conseguia nem se ver livre de vez daquele lugar? No fim, ele não era deus nada, mas sim mais uma marionete do dinheiro de seu pai.

Isso o irritava profundamente, sentia como se estivesse gritando, mas todos apenas pudessem o ouvir por sussurros incompreendidos, e por isso ainda o mantinham preso naquele mundinho escroto manipulado pelas mãos de quem mais tem.

 

 

No meio da bagunça do refeitório ele era facilmente achado na mesa que mais chamava atenção, pois além de conter os meninos mais bonitos da escola, tinham os mais baderneiros também. Os risos e deboches altos, os lanches voando de uns pros outros em forma de provocações, e até alguns talheres sendo estragados simplesmente porque eles estavam entediados.

O moreno fumava, mesmo que fosse proibido – claro – e ria alto de alguma piada contada pelos amigos, quando presenças femininas se aproximaram da mesa.

-O que as ladys querem? Essa área é meio perigosa, vocês não acham? – Kai as interceptou com sua maior cara de malvado.

-Ei, Taemin-Ssi! – Elas o ignoraram por completo. – Soubemos que seu irmão virou cardiologista em um hospital importante de Seul, pa-pa-parabens! – Se curvaram.

O de cabelos pretos apenas as encarou, jogou a fumaça do cigarro no rosto de ambas, e se levantando com uma mão no bolso.

-Eu não tenho irmão. – Deu as costas saindo do refeitório, deixando todos para trás.

Ele nunca foi seu irmão, talvez por um tempo, mas depois, definitivamente NÃO.

 

-Taemin, o que deu em você cara? – Kai o pegou um pouco de surpresa quando apareceu do nada segurando em seu ombro.

-Nada. Vamos sair daqui, esse lugar me sufoca. – Saiu andando mais uma vez em direção ao muro dos fundos. Olhou pra trás e seus amigos estavam parados sem saber o que fazer. – Vocês não vêm? Então vou me divertir sozinho. – Sorriu de banda jogando a bituca de cigarro no chão a amassando com as botas pesadas.

Aquilo foi à deixa pra toda a turma o seguir causando a maior arruaça pelo caminho.

 

                                                                       XXXX

 

 

Minho havia dormido pouco naquela noite, e depois de receber uma mensagem de sua mãe –dizendo o quanto as coisas estavam piorando em casa – e outra do seu chefe – o chamando com urgência – Seu dia acabou ficando ainda mais tenso.

Fazia muito frio na capital, e ali na estação de trem, parecia muito mais. Tivera um ontem e um hoje cansativos, mas não podia ignorar a angustia em seu peito. Pegaria um trem e iria pra sua cidade, precisava conferir com seus olhos o que estava acontecendo.

Sentou-se no banco de espera colocando de lado sua mochila, que tinha pouca bagagem, já que na casa de seus pais haviam tantas coisas suas quanto no atual apartamento que morava.

O alto teria uma grande viagem pela frente, quase seis horas, e foi pensando nisso que se arrependeu de estar pegando o trem das dezesseis, mas foi chamado no hospital às pressas e seu chefe o garantiu que depois ele teria seus dias merecidos de folga.

Não é algo que ele possa controlar, nunca foi. Tinha plena consciência disso, e do que estava perdendo por conta disso também.

 

Dez pras dezesseis seu destino na estação foi anunciado, e ele escolheu esse transporte justamente por ser mais rápido, sem paradas, sem pausas. Subiu no vagão, sentou-se no lugar indicado pelo numero do seu bilhete, e agora só restava esperar.

Falando assim perecia super fácil, mas a agitação no coração do alto estava o deixando ansioso, e ele conseguia suar mesmo com todo aquele frio. A mochila foi jogada pra debaixo do banco, as mãos se cruzaram em cima dos joelhos erguidos pelas pontas dos pés que se movimentavam pra cima e pra baixo fazendo o corpo se sacudir por inteiro.

A senhora ao seu lado o perguntou se estava tudo bem, e lhe ofereceu um chá que aparentemente ela trouxera numa pequena garrafa térmica, e ele por puro medo de sofrer um colapso, aceitou. O líquido doce e quente realmente o acalmou, e trouxe de volta a sanidade a sua cabeça. A senhora, notando isso, apenas sorriu e o mandou descansar.

Recostou sua cabeça no vidro, fechou os olhos, mas não dormiu.

Depois de um tempo, seu celular vibrou no bolso, se assustou com o objeto, pois seu corpo tinha entrado num transe o fazendo perceber que tinha perdido a total noção do tempo. Tirou o aparelho pra fora e sentiu as mãos tremerem...

 

Minnie:

Se eu ligar pro seu cel vc vai me atender?

                                                                18:45

 

Olhou pra janela e estava escuro, olhou de novo pro celular e já eram vinte e quatorze. Desesperou-se por dentro. Taemin tinha tentando falar consigo, mas como estava no trem por todo esse tempo, com toda certeza seu celular ficou fora de área durante o percurso.

Taemin nunca ligava, nunca mandava mensagens no Kakao talk, nunca mandava mensagens de texto, nunca tentava se comunicar com ele de forma nenhuma. E pra ele está fazendo isso, pra ele está o pedindo isso, algo de grave provavelmente estaria acontecendo com o menor.

Com esse pensamento, sentiu o peito apertar, como se não tivesse ar dentro de si. E pra piorar, ainda tinha quase duas horas de viagem. Teve vontade de pular da janela, sentia que se corresse chegaria mais rápido, sentia que sua agonia faria suas pernas se movimentarem muito mais ligeiro que o trem, mas claro, isso era impossível.

Não havia nada que ele podia fazer, não havia nada mais a se fazer, se não esperar.

 

                                                                      XXXX

 

A cada esquina conhecida que o taxi virava, ele sentia calafrios, e não hesitou em saltar do mesmo com rapidez após pagar o motorista.

Sentiu-se mal educado por não cumprimentar as pessoas que trabalhavam no condomínio da forma que deveria, e o sentimento se repetiu por tratar os funcionários da mansão da mesma forma em seu caminho até as grandes portas duplas de madeira.

Quando passou pelas mesmas, a mochila foi jogada ao chão e a nostalgia o atingiu em cheio. Parou no grande salão de entrada e ficou olhando as escadas elegantes, ao qual ele e o irmão desciam gritando e correndo freneticamente nos dias que aquele lugar ainda era pelo menos um pouco feliz.

-FILHO! – Mei o olhou estupefata. Depois de um ano ele simplesmente apareceu, do nada. – O que faz aqui? Ho meu Deus! Você não avisou nem nada, como está bonito, poderia ter te preparado alguma coisa e obrigado aquele filhote de diabo a ficar pra te receber. – A mulher elegante veio até o mais alto se esticando para abraçá-lo e desatando a falar coisas que Minho não fazia questão de compreender...

-Onde está ele?

-Hãm? – Ela se afastou.

-Taemin, onde está Taemin? – A mulher o encarou no fundo dos olhos.

-Eu não sei, Minho. – Baixou os olhos pesarosamente. – Então foi por isso que veio?

-É claro, você me manda uma mensagem daquelas e espera que eu fique indiferente? – Ele disse visivelmente irritado. – Então eu chego aqui e você nem ao menos sabe onde ele está?

-Como se eu, ou qualquer outra pessoa pudesse o controlar. – Ela riu em escárnio.

-Onde está meu pai?

-Viajou a negócios ontem, amanhã de manhã já deve estar de volta.

-Você devia prestar mais atenção no Taemin quando o papai não está em casa. – Disse como se fosse óbvio.

-Até tentei trancá-lo ontem no quarto, e por incrível que pareça, dessa vez ele não fugiu pela sacada, mas hoje de manhã ele saiu de uniforme, e apesar de ficar esperando pelo diretor me ligar a qualquer momento por mais um ato de vandalismo desse garoto, eu fiquei mais tranqüila. Só que ele ainda não voltou.

-Ignorando o fato de que você o tratou como um animal o trancando no quarto. Taemin sai de casa às sete da manhã, não volta até as dez da noite, e você não está nem um pouco preocupada? – Havia indignação naqueles olhos grandes.

-É claro que estou preocupada, mas o que eu posso fazer, Minho? Taemin simplesmente só faz o que quer.

-Meu Deus ele mal fez dezenove anos, você devia cuidar dele! Que tipo de mulher você é? Que tipo de mãe? Por isso ele nunca te aceitou, e ás vezes você me faz acreditar no que Tae tanto me dizia, que você queria o lugar da senhora Lee em todos os aspectos, menos no aspecto de mãe dele!

-NÃO DIGA ESSAS COISAS! DEMORA UMA ETERNIDADE PRA VIR PRA CASA E QUANDO VEM SÓ QUER ME COBRAR? EU JÁ NÃO SEI MAIS O QUE FAZER TÁ BEM!? – Ela tinha os olhos molhados e as palavras altas tremulavam. – Eu-eu o levei a psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, mas ele nunca melhora, ele nunca muda, pelo contrario, parece ficar cada vez pior.

-Já experimentou dar amor? Ou ouvir o que ele tem a dizer alguma vez? – Minho cuspiu as palavras em sua cara.

-Eu não sou esse tipo de mulher, você sabe. – Engoliu o choro e voltou a o encarar.

-Claro que eu sei, eu, mais que ninguém, sei. – Sorriu amargo. – Você ao menos ligou pra policia, senhora Lee? – Foi à vez de sua mãe rir amargo.

-Se Taemin estivesse com eles, com certeza já saberíamos.

-Como assim?

-Ele bate cartão na delegacia todas às semanas, na verdade, não faz nem quatro dias que eu o busquei lá, o delegado só não o prende de verdade porque você sabe da influencia do seu pai nessa cidade. – Minho coçou as temporãs, não estava conseguindo acompanhar.

Era isso que estava acontecendo enquanto ele estava tentando construir sua carreira? Se soubesse teria vindo antes, muito antes.

-A que ponto você está Minnie? – Disse pra si mesmo.

-Você não viu nada Minho, ele está virando um completo marginal, além de encher o corpo de furos e rabiscos, virou alguém totalmente desequilibrado, e está levando o nome da nossa família pra lama. Mas isso não vai ficar assim.

-Isso é uma ameaça?

-Não, é uma atitude pro bem dele. Já convenci o pai de vocês a mandá-lo ano que vem pra um colégio militar na Suíça, lá ele vai tomar jeito e parar de difamar nosso nome em todo lugar.

-Então é nisso que você pensa? Que se dane a saúde mental do Taemin, o que importa é mandá-lo pra bem longe pra preservar o nome da família que você sempre quis ter? Você é horrível!

-O que quer que eu faça, Minho? Taemin fez dezenove anos e a três não sai do terceiro ano escolar, e com certeza não é porque é burro, pois ele tem uma mente maquiavélica que funciona genialmente. Ele simplesmente não vai às aulas e quando resolve ir só sabe vadiar e causar problemas. Eu preciso fazer esse garoto se formar, eu sou a senhora dessa casa, já está mais do que na hora dele aceitar isso!

-Eu aceitei que você é mesquinha, fria, e egoístas, porque é minha mãe, mas Taemin não precisa aceitar isso!

 

Minho não era filho do senhor Lee. Seu pai – um homem muito bom – já tinha falecido há um tempo quando sua mãe conheceu o empresário milionário e virou sua amante.

O Senhor Lee nunca foi mau para ele, pelo contrario, quando visitava sua casa sempre era cordial, divertido, e acima de tudo, ele foi sincero, contando sobre sua família e que não pretendia os abandonar.

O pequeno Choi era novo demais pra saber se era certo ou errado um homem que tinha um filho e uma esposa doente cultivar praticamente outra família. Mas era agradecido ao senhor Lee, por cuidar de si e de sua mãe com muito carinho.

Quando Sang ficou viúvo, não teve vergonha nenhuma de adotá-los de vez como sua nova família, casando com sua mãe e os levando para morar naquela mansão enorme e luxuosa.

Mas quando Minho viu os olhos castanhos e tristes de Taemin pela primeira vez, sentiu que tinha que o recompensar por ter roubado sua casa, seu pai, e sua vida, então decidiu que seria o melhor irmão mais velho que o menor poderia querer, já que a diferença de idade era de quase seis anos.

E mesmo com toda relutância inicial da parte do mais novo, ele foi, ele foi o melhor irmão do mundo para Taemin, até eles se envolverem demais.

Minho sabia que mais dia menos dia, o fato de ser tão mais velho que o outro, acabaria por afastá-los, mas nunca imaginou que Taemin ficaria daquela forma, nunca imaginou que o menor estava se afundando brutalmente daquele jeito.

Depois que começou a cursar medicina na capital,começou a ficar difícil voltar pra casa. No inicio ele vinha todos os fins de semana e feriados, depois somente de três em três meses, e então passou a vir só no final de cada semestre, até que se formou e começou sua residência de especialização, foi ai que tudo piorou drasticamente, quase não ia mais em casa, e durante a reta final isso se tornou cada vez mais impossível, até chegar ao ponto  do alto passar mais de um ano sem visitar a família fisicamente.

Mas na cabeça de Minho, nada do que ele fazia, a intensidade que estudava, a velocidade que aprendia as coisas, o empenho maior que dos outros pra se tornar um médico reconhecido logo, nada disso era por seu ego, nada disso era por si mesmo.

Ele notava a cada visita rápida a sua casa que os olhos de Taemin perdiam o brilho, que ele já não era aquela criança alegre, mas sim, uma cínica e cheia de ironias e deboches. Minho sabia que Tae estava se destruindo aos poucos. Ele sabia, e colocou em sua mente que seria alguém importante logo, alguém digno o bastante pra poder cuidar dele da maneira que ele merecia.

Mas olhando o ponto que a situação tinha chegado, ele compreendeu que Taemin não pensava como ele, que Taemin não entendia seu esforço, ele não notou que tudo que o Choi fizera durante os anos era apenas pra o alcançar.

 

O celular do moreno tocou, e por puro reflexo ele atendeu sem nem ao menos ver quem ligava.

-Alo?

-Mi-Minho! Vo-cê-me atendeu!

-TAE? TAEMIN? ONDE VOCÊ ESTÁ? ONDE ESTÁ? – O desespero tomava conta da sua voz...

-Hyunnng- eu-eu quero que você morra! – A voz embolada, embargada, e desengonçada, parecia estar saindo a sufoco de choro.

-Taemin, amor, onde você está? Só me diga onde você está baby!

-Onde mais eu estaria? – Minho ainda ouviu uma breve risada de ironia até o telefone ficar mudo.

-DROGA! – Antes que ele jogasse o celular longe, sua mãe agarrou sua mão com as dela.

A mulher encarou o rosto do filho e os olhos vermelhos e marejados entregaram que ela estava tão esgotada daquela situação quanto qualquer outro.

-Mi-Minho, eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo. Mas eu tentei, do meu jeito, mas tentei. Eu não acho certo o tipo de relação que vocês dois tem, mas eu fiz vista grossa durante todo esse tempo porque eu realmente acredito que o único que pode controlar essa criança amargurada é você. Se for esse relacionamento que vai salvar esse garoto, eu realmente ficarei feliz. Talvez seja a única atitude nobre que já tomei em toda minha vida com relação a ele. Mas eu te peço, por favor, ajude o Taemin. – Minho sabia, sabia que no fundo sua mãe se sentia culpada, e que aquela foi praticamente uma confissão

-Eu farei. – Soltou-se das mãos de sua mãe, mas antes beijou as costas de uma delas, e saiu porta a fora, rumo à garagem.

O motorista o entregou a chave do carro que ele costumava dirigir quando ia pra casa, e sem dizer uma palavra, nem mesmo de agradecimento, ele entrou no veiculo e deu partida, totalmente sem rumo.

Estava na estrada dirigindo sabe-se lá pra onde, tentava buscar na memória o que a última frase do menor queria dizer. Porque sim, Taemin era desses, de deixar enigmas na sua cabeça, mesmo que talvez a vida dele próprio estivesse em jogo, e a julgar pela amargura e pela forma que mandou o mais velho morrer, Minho sabia que ele com certeza estava a beira de algum abismo, seja um físico, ou um interno.

“Onde mais eu estaria?”

A curta frase martelava em seu cérebro enquanto ele dirigia agora pela avenida principal da cidade. Sua mente buscou todos os lugares que Taemin gostava, todos os que já tinham ido juntos. Mas ele sentia que talvez não conhecesse mais o menor como achava, ele sumiu por mais de um ano, Tae se tornou muitas coisas nesse tempo, e poderia ter descoberto inúmeros outros lugares sem ele.

Aquela idéia voltou a apertar seu peito.

“Onde mais eu estaria?”

...

...

-Não pode ser. – Sussurrou e parou bruscamente o carro, causando buzinas desesperadas atrás de si. Virou o veiculo no primeiro contorno que viu e fez o caminho de volta. – Como eu não me lembrei? MERDA! – Bateu com as mãos no volante enquanto dirigia de volta pro condomínio...

Passou reto pelo porteiro e por sua casa, dirigiu até o fim da rua e dobrou a esquerda, dirigindo também até o fim, até o lugar vazio que não havia mais casas, somente um parque para crianças, completamente coberto por neve.

Taemin costumava se esconder ali quando era mais novo, e sempre que voltava pra casa e recebia uma bronca acompanhada de “onde você se meteu?” ele respondia “estava aqui o tempo todo, onde mais eu estaria?

Minho também se lembrou de como ele ficou bravo quando o mais velho descobriu seu esconderijo. Pois aquele era o parque mais longe e sombrio do lugar, nunca ninguém brincava, ou ia ali, apenas Taemin.

Com o tempo aquele virou o parque deles, eles brincavam apenas os dois, até crescerem e se perderem um do outro em algum momento da vida.

Desceu do carro completamente afoito, as botas faziam marcas grandes na neve que cobria todo parque, desde o chão até os brinquedos. Seus olhos percorriam o local desesperados. E quando viu de longe um corpo deitado de braços abertos no meio da neve, foi atingido por uma onda de desespero tão grande que disparou a correr. As lagrimas escorriam por suas bochechas, sentia os olhos arderem e ficarem desfocados. Cambaleou algumas vezes por ser difícil correr na neve e conseqüentemente caiu prostrado diante do seu irmão.

-Tae-min ? Tae! –Estava ofegante e cansado, mas suas mãos batiam frenéticas no rosto pálido a sua frente... – ME RESPONDA DROGA! TAEMIN! – Ergueu o corpo do chão o arrastando pro seu colo, em seguida tirou seu próprio cachecol e enrolou no pescoço descoberto do menor.

-Há- você veio mesmo, ou é só uma miragem desses malditos remédios? Hum? – Abriu os olhos e riu. Sua voz estava embolada demais e com certeza aquilo não era só bebida... – Esse seu cabelo está mesmo muito ridículo. – Riu sem forças.

Minho olhou pra situação do garoto, ainda estava de uniforme escolar, apesar de o casaco pesado cobri-lo quase por completo. Os cabelos pretos estavam mais longos e contrastavam com os flocos de neve presos entre os fios. Seus lábios estavam um pouco ressecados e roxos, assim como alguns pontos em seu rosto... O mais velho pensava em quanto tempo ele estava ali naquele frio pra se encontrar naquele estado.

As coisas avulsas ao redor da criança também roubaram sua atenção. O celular moderno estava jogado coberto por neve, havia um litro de vodka vazio, e algumas cartelas de antidepressivos. Minho pegou uma das embalagens vazia e agora sabia por que Taemin estava nesse estado deplorável.

-QUEM TE DEU ISSO? QUANTOS-QUANTOS VOCÊ TOMOU? – Taemin apenas riu... – QUE MERDA TAEMIN, VOCÊ NÃO É NENHUM LOUCO, QUEM TE PRESCREVEU ESSAS PORCARIAS?

-Pergunte pra sua mãezinha. – O garoto se contorceu, e mal conseguia manter seus olhos abertos, parecia que a mistura fatal estava começando a fazer efeito.

-E você tomou tantos Tae... Por quê? Droga, por quê?

-Eu-eu quero morrer, hyung! – Seus olhos que até então só exibiam deboche, se encheram de lagrimas. – Me deixe morrer.

-Eu não posso. Nunca poder-

Antes da fala do Choi ser pontuada, os olhos do menor se reviraram nas orbes, ele emitiu gemidos de dor agonizantes, seu corpo começou a se debater e saliva em excesso escorria do canto de seus lábios...

 Minho sabia bem o que era aquilo. Taemin estava tendo uma convulsão, Taemin estava à beira da morte.

 

                                                                   XXXX

 

-Choi Minho?

-Sou eu. – Levantou-se aflito da sala de espera e foi de encontro ao médico.

-Você é o acompanhante de Lee Taemin,não é?

-Sim. Somos irmãos de criação. Como ele está? –Passou a mão pelos cabelos recém platinados tentando parecer mais apresentável. Mas não funcionou.

Minho estava acabado. Rosto deformado pelo choro silencioso, olhos vermelhos, mãos tremulas. E apesar de tudo, tentava manter o controle.

-Ele está bem, depois da lavagem, fizemos a desintoxicação e ele tomou soro. Na verdade já pode ir pra casa, mas se você preferir podemos o manter internado aqui por um tempo, pra ele conversar com outros médicos. – Minho sabia o tipo de “outros médicos” que o doutor falava, mas não admitiria isso. Taemin não era um louco desequilibrado, era só uma criança perdida.

-Não, obrigado pela preocupação, mas vou levá-lo pra casa... – Foi o mais educado que conseguiu.

-Então vou o dar alta e pedir pra um dos enfermeiros o trazer.

-Que bom... – Tentou sorrir, mas falhou miseravelmente.

-E obrigado pelos primeiros socorros corretos, isso salvou a vida do seu irmão, soube que você também é médico. O garoto tem sorte em ter sido você a o achar. – Minho apenas assentiu, na verdade não se sentia orgulhoso em nada. – Foi uma tentativa clara de suicídio, e nesses casos nós aconselhamos a família a procurar auxilio psicológico, ele é um menino bonito, novo, saudável, cheio de vida pela frente, seria uma tragédia o perder pra uma doença da alma.

-Faremos isso doutor.  Obrigado mais uma vez.

Doença da alma, aquilo mexeu com Minho, talvez todos naquele casarão estivessem sofrendo desta mesma doença.

 

 

 

O enfermeiro chegou empurrando Taemin em uma cadeira de rodas. Minho logo se pós no lugar do mesmo, despediu-se corretamente e saiu daquela ala hospitalar após assinar a alta do menor.

Todos ali os conheciam, eles eram os filhos do grande empresário Lee Sang – o homem que mandava e desmandava naquela cidade – as pessoas e funcionários encaravam a cena pasmos. E Minho sabia que com certeza eles virariam assunto na cidade por vários dias.

O moreno sabia que estavam sujeitos a isso, na verdade, ele deu graças pelo médico que os atendeu ser um novato transferido, ou iria ser ainda mais constrangedor e traumatizante para Taemin.

Minho empurrava Tae pelo hospital segurando as lagrimas, e sentindo todos aqueles olhares pesados sobre os seus ombros. Ele queria gritar para todos ali, queria dizer que Taemin não precisava da pena de nenhum deles. Mas naquele momento sentiu quem nem um fio de voz sairia de sua garganta.

Ajeitou o irmão no banco do carona e o mesmo virou pro lado sem dizer uma palavra sequer. E enquanto Minho dirigia de volta pra casa, assistia o rosto apático e sem vida de Tae recostado no banco.

 

                                                                        XXXX

 

Quando passaram pelas portas da mansão, sua mãe estava ao longe, com seu robe preto elegante, de pernas cruzadas, sentada sobre um dos enormes sofás de luxo em veludo cor de azul safira. E apesar de ser quatro da manhã, a mulher não havia dormido um minuto sequer. Quando viu Taemin escorado em Minho já foi logo se levantando e indo em direção aos dois no meio do salão de entrada.

-O que você fez desta vez, seu peste? – Taemin ergueu o rosto pra ela e quando a mesma viu o semblante fúnebre do garoto, deu dois passos para trás, completamente assustada.

Minho a olhou piedoso e mostrou uma das palmas como quem pede por compaixão.

-Por favor, agora não. – Dito isso, olhou pra uma das empregadas que também estava com olhos arregalados... – Sei que é tarde, mas pode pedir pra alguém fazer algo leve para Taemin comer? – A moça assentiu freneticamente e saiu correndo rumo à cozinha.

Então passaram a subir as escadas em um silêncio cortante.

 

 

O platinado abriu a porta do quarto do outro, mas quando ia entrar, Taemin estagnou. O mais alto o olhou de forma curiosa, e pela primeira vez depois do ocorrido, Tae resolveu falar.

-Esse lugar me deixa triste. – Saiu em um sopro de voz e Minho apenas suspirou fundo e assentiu, caminhando com o garoto pro quarto que era seu.

Nem ele mesmo havia entrado no local desde que chegou, mas como de costume, estava tudo em perfeita ordem, e principalmente, do jeitinho que ele havia deixado da última vez.

Guiou Taemin direto pro seu banheiro, e enquanto a banheira se enchia de água extremamente quente, ele despia o menor devagar, podendo ver agora de quais furos e rabiscos sua mãe falara mais cedo.

Além das orelhas furadas, o menor tinha tatuado nas costas o sistema solar em linha reta, de forma que pegava do inicio da nuca até o fim das escapulas, no interior do antebraço esquerdo havia uma bússola grande, e na costela direita uma pequena libélula – dessa o alto tinha certeza que sua mãe não sabia – Todas muito bem feitas apenas em contornos pretos, fortes, e bonitos. Eram belas por si só, mas em Taemin haviam ficado muito mais, o menor combinava com esse tipo de coisa, isso, Minho não podia negar, e se fosse em outro momento ele até pararia para admirá-las. Em um momento feliz, ele faria isso, ao invés de chamá-lo de delinqüente como sua mãe fizera.

Tae parecia um morto vivo, seu rosto não tinha nenhuma expressão e estava super branco, seus olhos estavam caídos e parados em um ponto fixo no nada, o corpo não tinha nenhum reflexo e não reagia as mãos do Choi tirando-lhe as roupas. Na verdade, Taemin se sentia morto, sentia que seu corpo estava ali, mas que sua alma tinha partido junto com os antidepressivos e o álcool.

Minho Também tirou as próprias roupas, mas ao contrario do moreno que estava completamente nu, permaneceu com a roupa intima. Calmamente ele guiou o outro pra dentro da água, fazendo o menor sentar-se entre suas pernas.

E numa quietude sepulcral, ele foi dando banho no mais novo. Jogava-lhe a água quente nas costas, no cabelo, e não ouvia nem mesmo a respiração do outro. Taemin não fazia barulho e não movia sequer um dedo.

Já Minho, estava se segurando, segurando o choro entalado na garganta, segurando aquela dor horrível de ter passado pela pior sensação da sua vida. Ele quase se sentia velando o corpo vivo da pessoa que amava, mesmo estando com ele ali, bem em seus braços.

Seus pulmões pareciam inchar em suas costelas de uma forma que sentia que a qualquer momento sua caixa torácica fosse explodir, tamanha angústia e lagrimas estavam guardadas ali dentro.

Ele tentou, tentou muito se conter pra não tornar aquele momento ainda mais pesaroso e triste. Mas quando Taemin repousou as costas em seu abdômen e inclinou levemente a cabeça a deitando em seu peito, ele viu do alto uma lagrima solitária rolar pela bochecha branca. Aquilo foi o ponto de largada pra que um soluço do fundo da sua alma se partisse ecoando pelas paredes do luxuoso banheiro.

Chorou...

Chorou alto, forte, de uma forma que fazia todo seu corpo tremer dentro da banheira, de forma que fazia Taemin tremer junto dele. Suas mãos apertavam e abraçavam forte a criança a sua frente. Entre soluços altos, ele beijava o topo da cabeleira preta e deixava toda sua agonia se manifestar em forma de gotas grossas de lagrimas carregadas de culpa.

-Me-Me perdoe! – Apertava o outro entre os braços enquanto todo seu coração era feito em pedaços.

 

                                                                  XXXX

 

Taemin agora estava vestido em um dos seus pijamas quentes, deitado na cama de casal do irmão, devidamente coberto e comendo lentamente a sopa que a empregada tinha trazido há poucos minutos atrás. Comia em silêncio sobe o olhar do mais velho, que também já trajava um pijama quente.

Minho tirava-lhe os cabelos que caiam no rosto quando ele olhava pra bandeja, e sorria mínimo. A cor branca morta já não estava mais na pele do outro, ele tinha voltado ao seu tom bonito de marfim puro, devido ao banho quente. Os lábios também voltaram a ter o rosado bonito, mesmo que ainda estivessem com vestígios do ressecamento. Só de ver aquela aparência, Minho já se sentia menos doído.

O menor bebeu o suco de amoras que tanto gostava assim que a última colherada de sopa foi tomada, e então o irmão pegou a bandeja, se levantando e a repousou na escrivaninha longe da cama.

O mais alto passou a andar pelo quarto, verificando se a sacada estava bem trancada, fechando bem o blecaute, e ligando o aquecedor numa temperatura confortável, tudo pro bem estar de Taemin.

-Por que você veio? – A voz baixa e falha, por pouco uso até então, se fez presente no quarto, roubando a atenção do mais velho.

Minho se virou, ficou bem de frente pro outro, o encarando de pé na beirada da cama.

-Vim te ver. – Respondeu sério.

-Unf... Conta outra.

-Sim, eu vim te ver. Minha mãe mandou uma mensagem ontem bem ced-

-Há, claro! Ela foi dizer o quanto eu estava acabando com o nome da família, sim, por isso você veio, pra me por na linha. – As palavras saiam cheias de deboche.

-Não, eu vim porque estava preocupado, agoniado, e principalmente. – Fez uma pausa e se sentou na cama de banda, olhando pro outro e levando mais uma vez as mãos aos cabelos do menor. – Vim porque estou com saudades.

Taemin queria gritar com ele, o xingar e o bater. Mas era seu hyung, seu precioso hyung que ele tanto amava, que ele tanto precisava, bem ali na sua frente. E mesmo que ele tivesse inúmeros motivos em sua cabeça pra ser mal criado com o maior, ele só conseguia o responder mentalmente: “SIM! Eu também estou morrendo de saudades de você!”

Seu orgulho não permitiu dizer as palavras em voz alta, mas fechou os olhos e esfregou mais a bochecha na palma que lhe acariciava.

-Porque você fez aquilo, baby? De todas as pessoas do mundo, nunca pensei que faria uma coisa dessas. Eu fiquei tão assustado, tive tanto medo de perder você, nunca me perdoaria por isso. – Se aproximou mais, sem tirar a mão da face angelical em nenhum momento.

-Esse ano que você se foi tem sido tão difícil, eu sofri tanto, sua ausência mexeu tanto comigo que eu fui me afundando e quando percebi tinha perdido pedaços de mim em lugares que não faço idéia. No fundo eu queria chamar atenção, eu queria que alguém me visse, me ouvisse, mas nada adiantou. – Soluçou e puxou o ar.

Os olhos lacrimejavam e ele dizia as palavras de forma aflita enquanto suas mãos apertavam forte o parte do pijama que lhe cobria o peito, como se segurasse o coração pra ele não saltar pra fora.

-Então eu acordei com aquela melancolia, aquela dor que não ia embora, eu vi você, vi sua foto e pensei: “ele está bem, está maravilhoso sem mim, ótimo sem o garoto problema na vida dele” Mas mesmo pensando tudo isso, eu não podia, não podia me desprender das nossas memórias, eu não podia me desprender do meu apego por você. O medo de deixar o nosso nós acabar me fez querer ser melhor por alguns instantes, sozinho eu nunca conseguiria, mas pensei que se você fosse minha luz eu podia, podia fazer tudo certo, pensei que se eu chamasse você no telefone e você estivesse pra mim do outro lado, eu conseguiria. –Tirou uma das mãos do peito e limpou bruscamente as lágrimas grossas do rosto. – Mas ai eu já estava lá, já tinha tomado todas aquelas coisas, já estava no chão sem força nenhuma pra lutar sozinho. Apenas pensando que se você estivesse aqui, tudo seria diferente.

Taemin nunca foi de chorar, mas naquele momento era inevitável, não conseguia, e sentia que nem queria, parecia um grande alivio poder finalmente botar tanto as palavras, como as lagrimas pra fora.

-Quando eu abri meus olhos e te vi, mesmo de inicio achando ser coisa da minha mente, eu me arrependi, me arrependi do que fiz, simplesmente porque não tinha controle do meu corpo pra poder te abraçar. Simplesmente porque não tinha forças nos meus braços pra te tocar. E isso foi assustador, como se tudo o que eu mais precisasse estivesse bem ali na minha frente, mas ainda assim inalcançável. – A cabeça que estava baixa até o momento, ousou se levantar e olhar pro rosto do mais velho. – Eu quero viver hyung, mas sem você, eu simplesmente não consigo. – Fez um semblante de quem tinha dito algo que apesar de ruim, era inevitável.

Minho o abraçou num rompante, apertando entre os braços...

-Não se preocupe amor, não se preocupe. A partir de hoje, todas as vezes que você chorar, eu estarei lá. Todas as vezes que você gritar, mas ninguém quiser te ouvir, eu vou estar lá pra gritar por você. Estou me agarrando a isso Tae, estou me segurando a um nós, eu nunca te deixaria ir. Só você não percebeu que durante todo esse tempo eu estive correndo, correndo apenas pra conseguir manter minhas mãos em você. Eu não sei mais o que tenho que fazer pra te mostrar que eu sempre vou estar aqui ou em qualquer lugar por você, mas que você também tem que estar lá por mim! O amor só sobrevive se for mútuo, Tae, então, por favor, viva, e esteja lá por mim também.

Taemin que até então estava imóvel o abraçou de volta, de forma apertada e sussurrou...

-Eu vou está, Minho.

 

Ele dormiu nos braços do mais velho aquela noite.

 

                                                                     XXXX

 

-Pai? – Minho disse em um tom mais alto, após dois toques na porta do escritório do mesmo.

-Entre. – Escutou ao longe e logo foi abrindo a porta.

O senhor alto, magro, e de cabelos castanhos escuros, abriu um belo sorriso quando viu o platinado passar pela porta. Logo foi se levantando e indo o abraçar.

-Há, aqui está o nosso grande médico! – Minho sorriu aberto, foi inevitável.

Ele tinha uma ótima relação com Sang, o homem o adotou e lhe deu tudo na mesma medida que deu ao filho legítimo, por isso o “filho” mais velho tinha tanto apresso e carinho pelo mesmo.

-Estou tão feliz que esteja em casa, seu cabelo está tão diferente! – Riu bagunçando-os. – Como você está? – Beijou o rosto do platinado e o encarou com os olhos brilhantes.

-Eu estou ótimo, pai. Trabalhando muito, mas feliz por finalmente conseguir alcançar meus objetivos.

-É uma sensação maravilhosa não? Quando você finalmente chega aonde quer!

-Sim, é maravilhosa!

-É, eu sei bem. – O homem deu as costas e foi sentar em sua cadeira atrás da imponente mesa que usava pros negócios. Minho também se sentou do lado oposto a mesa do seu pai. – Estou tão orgulhoso de você, uma pena você ter vindo por conta dessas circunstancias terríveis. – O outro sabia do que o pai falava, e suspeitava que ele também já soubesse da tentativa de suicídio do irmão mais novo.

-Suponho que já saiba do que aconteceu ontem.

-Claro. O que é que eu não sei nessa cidade, principalmente com relação aos meus filhos? – Suspirou triste. – Estão sendo tempos difíceis com Taemin, e eu me senti um péssimo pai quando não me espantei com a ligação do diretor do hospital me contando o que tinha acontecido nessa noite. No fundo, era como se eu já esperasse que mais dia menos dia ele fizesse isso, e mesmo assim não pude fazer nada.

-Não se culpe, ninguém deveria. – Ele dizia aquilo ao pai, mas o próprio se culpava a cada segundo pelo que tinha acontecido.

-Espero que as coisas melhorem a partir do ano que vem, de todo coração espero que o colégio militar na Suíça endireite o seu irmão, ou eu estarei perdido.

-É sobre isso que quero falar com o senhor. – Aquilo chamou atenção de Sang, que se debruçou sobre a mesa, como quem estava interessado demais no assunto. – Não o levem pra esse lugar, isso só acabaria com a sanidade mental dele.

-Mas o que eu devo fazer então, Minho? Taemin está descontrolado, nem a mim ele respeita, ele tem peitado até os policiais aqui da cidade.

-Eu vou o levar comigo. – Disse com firmeza.

-Como? – Seu pai parecia não acreditar.

-Isso mesmo. Vou levá-lo pra morar comigo no meu apartamento em Seul.

-Minho, meu filho, sei que quer ajudar, mas aquele garoto na cidade grande só vai te desgastar, e agora você tem uma profissão importante, deixe que eu e sua mãe cuidemos disso.

-Não. Eu vou o levar.

-Eu não sei Minho, ele pode atrapalhar sua carreira.

-Tenho certeza que não, pai. Você sabe que se tem uma pessoa que pode o controlar, essa pessoa sou eu.

-Sim, sei disso, e sei de muito mais coisas também... – Minho percebeu as reais intenções das palavras nas entrelinhas, mas o foco ali e agora, era outro.

-Pois então. Eu vou o matricular em uma escola, vou o fazer estudar pro vestibular. Garanto que no fim do ano que vem Taemin vai passar pra faculdade.

-Tem certeza disso?

-A mais absoluta. – Os olhos grandes estavam cheios de esperança.

-Sua mãe vai me matar. – Suspirou pesado. – Okay, você pode o levar, eu pagarei o colégio que você escolher e mandarei uma ajuda de custo mensal, pra o manter lá. Mas me prometa que se algo der errado você vai me contar imediatamente ao invés de ligar pra sua mãe!

-Prometo. E quanto à ajuda de custo, não prec-

-Nem pensar. Eu sei que agora você é um homem bem sucedido e que pode manter os dois, mas quero fazer isso por Taemin. Ele é meu filho e se isso realmente funcionar, me sentirei orgulhoso de ter o ajudado, como me sinto agora de você.

-Obrigado, pai, muito obrigado!

-Tá, tá! Agora me deixe ir pra empresa e pensar em como contar tudo isso pra sua mãe.

-Onde ela está?

-Foi pra organização de um evento beneficente na paróquia, provavelmente ficará por lá todo o dia, mostrando a todos que não está nem um pouco abalada pelos fatos. – Riu do próprio comentário.

-Ela tem peito, temos que admitir.

-E estômago também meu filho.

-Não se preocupe pai, sei que ela não irá se opor. – Minho sorriu, beijou a mão do mais velho, e saiu do escritório junto com o senhor. Um indo em direção a porta e o outro em direção as escadas.

 

                                                                       XXXX

 

Taemin acordou um pouco assustado, pois em dado momento percebeu que o calor dos braços alheios não estavam mais em si, e quando abriu os olhos e não viu o outro ali, certo desespero bateu no peito. A sensação de abandono começava a lhe oprimir mais uma vez. Teve medo de tudo não ter se passado de um sonho e ele ter voltado pra solidão de sempre. Foi ai que a porta se abriu revelando o alto platinado e só então ele se permitiu suspirar profundo, como em um alivio.

-Que bom que acordou. Como se sente? – O maior sentou na cama, bem ao lado de onde o menor estava deitado.

-Bem. Melhor do que eu realmente achei que ficaria. – Riu com a voz afetada de sono. – Já é de tarde?

-Sim, duas da tarde. Parece que descansou bem. – O mais velho respondia sempre sorrindo.

O sorriso brilhante de Minho fazia Taemin simplesmente se sentir bem. Como se tivesse finalmente acordado do seu pesadelo. Como se sua noite tempestuosa finalmente tivesse passado e a manhã ensolarada tivesse chegado radiante e morna.

-Olhe só o que eu achei! – Tirou do bolso uma pequena bolinha vermelha, logo abrindo a tampa e esfregando o polegar nela. – Venha, deixe-me passar em você.

Taemin se ajeitou sentado na cama e apenas ergueu melhor o rosto em direção ao outro. O polegar do mais velho deslizou devagar pelo lábio inferior de Tae depositando ali um pouco de hidratante labial.

O moreno abriu singelamente a boca com o toque afável do outro, e o que era pra ser algo simples se tornou quente. Minho se via cada vez mais perto do rosto do menor, o dedo ainda afagando de leve o lábio inferior enquanto os olhos grandes mesclavam entre olhar pros olhos rasgados e pra boca vermelha agora reluzindo. Quando finalmente se atreveu a ir para a parte de cima, seu dedo contornou perfeitamente as curvas superiores dos lábios fartos, ele sentia o ar cálido sair da boca do outro e entrava cada vez mais em transe.

Os lábios bem feitos e grossos da criança chegavam a ser uma ofensa de tão bonitos e convidativos, Minho se viu querendo sentir a textura não só em seu polegar, mas queria sentir o veludo da boca do outro com a sua própria. Seu peito saltitava de saudades, ansioso por aquele contato a tanto perdido.

-Esses sim são os lábios de Lee Taemin. – Ele tentou disfarçar sua fascinação com uma frase quase humorada demais pro momento, mas nem isso quebrou o clima que já tinha se instalado no quarto e a prova foi à pergunta afrontosa do moreno.

-Como você pode saber? – Minho arqueou uma sobrancelha. – Como você pode saber que são meus lábios se ainda não provou? Ainda se lembra do gosto que eles têm? – O platinado ficaria surpreso, se não conhecesse as provocações do outro tão bem.

-Sim, eu me lembro, não é algo que eu possa me esquecer. – Ele riu de banda, encarando ainda mais de perto o rosto bonito do mais novo. – Devo me certificar de que esses são mesmo os lábios de Lee Taemin? – Sua voz soprou quente no nariz do menor, de forma baixa, num tom grave agradável, rouco, que fez Taemin fechar os olhos pra absorver melhor aquele timbre aconchegante. – Vou entender como um sim. – Riu baixo mais uma vez com sua voz encantada.

Os dedos compridos se infiltraram debaixo dos cabelos pretos da nuca do moreno, o polegar se alinhou perfeitamente ao maxilar bem feito, abaixo das orelhas furadas, erguendo um pouco a cabeça e fazendo o outro abrir os olhos.

-Hyu-ng...

Não foi preciso mais que um sussurro do mais novo pra Minho ter a coragem de sugar lentamente o lábio inferior de Taemin com os seus, deixando o ar pesado sair dos pulmões e voltado pra selar a boca farta diversas vezes, até sua língua inquieta se entrelaçar na do outro num contato arrebatador e cheio de saudade.

O beijo estava sendo aproveitado, lentamente as línguas se encontravam, se apreciavam e os lábios faziam questão de se moverem da forma mais graciosa possível.

Taemin já tinha os braços envoltos no tronco do mais velho enquanto Minho ainda mantinha sua cabeça apoiada perfeitamente entre os dedos.

-Haaa - com certeza esses são os lábios de Lee Taemin! – O mais velho suspirou e sorriu entre o beijou, voltando ao que fazia antes, voltando a provar da boca a sua frente.

Taemin nunca poderia explicar aquele momento, nunca poderia descrever a sensação de estar de volta aos braços do mais velho. Até a manhã do dia anterior ele estava na cama se lamentando pela ausência do outro, a pouco mais de um dia atrás ele estava se lembrando de como os toques do alto tinham a capacidade de revivê-lo, e agora estava ali, num lugar que exalava o cheiro do platinado, estava na cama dele, nas cobertas dele, e o mais maravilhoso, sendo beijado por ele.

Ao mesmo tempo havia o medo de tudo estar sendo fruto de sua cabeça louca, medo de abrir os olhos e não ser nada além de sua imaginação, nada além das alucinações dos remédios antes tomados. E como se fosse pra ter certeza que Minho estava mesmo ali, ele o apertou entre os braços, jogou seu corpo sobre o do outro com toda a força que tinha fazendo o mais velho cair de costa na cama, conseqüentemente ficando deitados do lado oposto a cabeceira.

-Mi-nho, Minho, Minho! – Beijou o rosto de traços fortes e encarou os olhos grandes que lhe lançavam um olhar divertido e surpreso pelo ato repentino.

-Esse é meu nome. – Respondeu sorrindo e roubando mais um beijo do mais novo.

-Você está mesmo aqui, não está? – Fechou os olhos e dedilhou o rosto do mais velho.

-Sim eu estou, em carne, osso, proteção, carinho, amor, e todas demais formas que você precisar pra se sentir vivo outra vez.

-Eu já me sinto vivo agora, nesse exato momento, olhando pra você, eu me sinto mais vivo que nunca. – Buscou os lábios do mais velho de forma urgente.

Minho sabia onde aquilo ia parar, e não teve vontade nenhuma de impedir que acontecesse, pelo contrario, secretamente era tudo o que ele mais queria, ter Taemin da forma mais completa, era o que tanto seu corpo como sua alma mais desejavam.

Mãos grandes e repletas de intenções invadiram a blusa de pijama do moreno o fazendo suspirar entre o intenso beijo. Devagar a peça foi sendo erguida pelo tronco branco até ambos se verem obrigados a afastarem o beijo pra retirá-la de vez. E aproveitando a quebra de contato, Minho girou sobre a cama, recuperando o controle da situação. Então foi a vez de Taemin arrancar a camisa branca que o outro vestia, fazendo o platinado se arrepiar com o toque das mãos frias em suas costas quentes.

Encararam um ao outro por mais uma vez, Tae passou a língua pelos lábios inchados e sorriu.

-Tão provocativo! – Minho divertiu-se arrancando um sorriso envergonhado do mais novo que cobriu o rosto com o antebraço. – Não se esconda amor! Você é o ser mais lindo que eu já vi.

Taemin não respondeu, mas achou um absurdo o que o outro tinha dito, pois pra ele, se tinha alguém lindo ali, esse alguém era o Choi. Sem sombra de duvidas o homem dos sonhos de qualquer pessoa.

As mãos pequenas se limitaram apenas em trazer de volta o corpo maior que o seu pra junto de si, e dessa vez a boca do platinado vagou das bochechas pro maxilar e pararam no pescoço. Os beijos molhados da boca redonda e cheinha deixavam Taemin num torpor gostoso. E enquanto os lábios do Choi tinham a parte de cima, as mãos deslizavam pela cintura, subindo de volta pelo abdômen liso, até chegar aos mamilos num contato suave e afável.

-Hyu-ng! –Suspirou audível quando a boca do mais velho encontrou uma de suas aureolas.

A pele, o cheiro, a textura de Taemin era algo mágico pro alto, ele se sentia hipnotizado, completamente envolvido pelo corpo erótico que o moreno sempre teve involuntariamente.

Os beijos continuaram a descer e fazer seus desenhos imaginários pelo corpo branco, as digitais grossas também deslizavam por todo o tronco desnudo, a fim de despertar os gemidos do mais novo. Os dedos longos passaram pelas costelas dando atenção a pequena libélula ali tatuada, Minho fez questão de voltar sua atenção pro desenho o beijando em especial, pra depois dar continuidade a todo carinho pelo resto do dorso.

A pele do mais novo estava sensível e toda arrepiada, se tornando ainda mais convidativa a Minho, que se alternava entre sugar algumas partes e arrastar os dentes por outras, fazendo Taemin se derreter em uma poça de satisfação sobre a cama.

Enquanto a boca do platinado brincava com os ossos saltados da cintura do moreno, as mãos deslizavam pra fora do corpo esbelto à calça do pijama junto à roupa intima, causando alivio ao menor. A língua molhada serpenteou pela virilha e um gemido profundo escapou da boca do Lee quando a palma quente envolveu-lhe o membro ereto.

A masturbação que Minho começou em si era lenta, sem pressa, como se tivesse todo tempo do mundo, sem contar que em momento algum a boca do mais velho abandonou o corpo da criança, era palpável a satisfação que o Choi tinha em passear a língua pela pelves do menor.

E foi sorrateiramente que o músculo quente deslizou por entre o sexo do outro encontrando sua entrada, deixando ali mais um beijo molhado e repleto de desejo.

-Mi-Minho - o que - você... CÉUS! – Foi impossível completar qualquer sentença quando Minho já tinha sua língua metida entre as pernas do menor sem nenhum pudor, ou vergonha, ou se quer receio.

E enquanto sua língua abria caminho um dos dedos se aproveitou do canal molhado e relaxado pra também se infiltrar, causando uma sensação gostosa em Taemin. O menor estava incrivelmente bem, e nem mesmo o segundo dedo do mais velho foi capaz de lhe tirar a sensação boa do momento. Estava tão entregue que só conseguia sentir prazer cada vez que os dedos do alto se retorciam dentro de si.

-Min-ho assim-assim eu vou... – Sussurrou fechando os olhos com força, e antes que ele realmente chagasse ao clímax o mais velho o surpreendeu com um beijo nos lábios.

-Se acalme amor... – Virou-o de costas lentamente...

Minho começou seu passeio pela nuca do menor, beijando cada planeta desenhado em suas costas, isso enquanto os dedos de sua destra ainda trabalhavam devagar dentro do menor, um lento vai e vem pra que Tae não chegasse ao orgasmo cedo.

O platinado estava simplesmente admirado, absorvido por todo conjunto da obra que era o corpo de Lee Taemin, a verdade é que Minho estava a mercê de adorar seu deus particular naquele momento, cada gesto, cada toque e beijo, apenas pra adoração de Taemin. Ele não se importava com sua ereção dura e dolorida ainda dentro das calças, ele queria fazer Tae se sentir bem e amado, e era exatamente isso que brotava de cada gesto, amor, carinho, devoção.

Pro Lee era como se dos lábios do irmão jorrassem calor, mas não um calor qualquer, era um calor confortante, um calor morno que além de desejo demonstrava todo cuidado, zelo e veneração. Um sentimento de aconchego, de que a partir dali, tudo ficaria bem.

O alto se deitou atrás do outro, e só retirou os dedos de onde estavam pra puxar a cintura bem feita pra perto de si, fazendo as nádegas macias e redondas irem de encontro a seu membro coberto. Minho fechou os olhos e gemeu pra dentro com aquele contato.

-Hyung, quero que sinta prazer também! – Rebolou o quadril contra a virilha do mais velho que voltou a gemer um pouco mais alto.

Taemin colocou sua mão sobre a do mais velho que estava em sua cintura, e a guiou ao cós da calça de flanela, como em um pedido pro maior se despir logo. E foi o que o mais velho fez, assim que as calças liberaram o membro generoso e orgulhosamente ereto, Minho grunhiu em alivio nítido.

-Urng... Tae...

Afundou o rosto na nuca de Taemin enquanto o menor agora rebolava de encontro ao membro livre que sujava sua bunda com o pré-gozo que vazava em ansiedade. Uma das mãos do mais alto desenhou o contorno perfeito do corpo do moreno até chegar à coxa direita levantando-a singelamente.

-Eu-eu quero tanto você hyung! Por-por favor! – Suspirou pesado.

Com o pedido necessitado de Taemin ele se alinhou atrás do menor, e lentamente seu comprimento foi invadindo o corpo do outro. Cada vez que ele sentia seus centímetros serem esmagados deliciosamente o ar saia pesado de seus pulmões. Taemin gemia manhoso o que só deixava o mais velho mais excitado.

-Ta-Taemin-Yah você não deixou ninguém tocar em você desse jeito, hum? – Minho beijava os ombros do moreno parado atrás de si e todo dentro dele...

-Nã-não! – Disse abafado balançando a cabeça negativamente.

-Bom garoto... – Beijou o meio das costas do menor.

De leve ele mexeu o quadril, e ouviu Taemin gemer gostosamente.

-Haaa hyu-ng!

Com a mão ainda apoiada na coxa pálida os movimentos em seu quadril começaram devagar e profundos. Minho fechou os olhos e apenas aproveitou o jeito maravilhoso que as paredes quentes, úmidas, e macias o apertavam e ao mesmo tempo o acolhiam. Estar com Taemin era maravilhoso, e estar dentro dele era fascinante.

Sem que ele pudesse controlar, a força de seus movimentos foi aumentando e aumentando, até o ponto do corpo do menor estar sendo arremessado pra frente e seus dedos estarem prensado de forma forte na coxa alheia, de um jeito que com toda certeza ficariam as marcas.

Taemin tinha se agarrado a um dos travesseiros que estava solto pela cama enquanto gemia a cada investida forte do mais velho, os olhos de Minho reviravam nas orbes e ele não conseguia se decidir se gostava mais de deslizar pra dentro ou pra fora das paredes aconchegantes do irmão.

Ele precisava olhar, precisava ver a face do menor, e decidido a isso pôs-se de frente a ele novamente. Sem pedido algum, Taemin abriu as pernas pra receber o maior. Minho o penetrou sem muito receio recebendo de volta um grito sufocado e uma expressão totalmente erótica, de encher os olhos. Os olhos opacos de prazer eram tão maravilhosos quanto os lábios grossos avermelhados, jogando lufadas de ar quente pra fora enquanto as bochechas tomavam um tom rosado encantador.

-Eu já disse - o quanto você é lindo? – Minho perguntou retoricamente dando uma estocada profundo no moreno... – Haaa - você é muito lindo Taemin...

O Lee não conseguiu responder, porque além de estar sendo preenchido vigorosamente, seus olhos estavam presos na visão que era o tronco de Minho acima do seu. Tão bonito, viril, reluzindo toda beleza exuberante de sua masculinidade, ressaltando todos os traços forte que o platinado tinha espalhados por todo o corpo, desde o rosto marcante, até as veias saltadas alastradas pelos membros atléticos e amorenados.

O peito de Taemin se enchia cada vez mais de sentimentos que ele não sabia distinguir muito bem, amor, prazer, desejo, tudo palpitando em uma bagunça boa dentro de seu coração, que batia mais rápido por segundo.

Suas pernas abraçaram os quadris do maior e seus braços fizeram o mesmo, o trazendo pra colar mais seus corpos um no outro. A pele de Minho o queimou, estava tão quente e parecia energizada, pois ele jurou sentir eletricidade passar do outro pra si quando chocou seu peito contra o do mais alto.

Ele não se conteve, beijou desesperado a boca redonda entrando em estado de frenesi, seus lábios morderam com força os do mais velho, as mãos desceram pelas costas largas de forma afoita e afobada encontrando as nádegas fartas e redondas, então as apertando entre os dedos pequenos, as unhas curtas com o esmalte preto descascado subiram novamente arranhando as escapulas saltadas de Minho, e ambos viraram sinfonias de gemidos languidos e deleitosos.

O platinado tinha os cabelos da nuca puxados com urgência pela mão do braço tatuado cada vez que seu pênis esmurrava firme o pondo doce do ser abaixo de si, como se pra Tae aquela fosse uma forma de descontar o prazer de ser socado por dentro.

O membro do mais novo era friccionado entre os abdomens e ele estava a ponto de a qualquer momento se derramar, não se sentia mais dono de nenhuma parte do próprio corpo, queria ser todo de Minho, e já não se importava com mais nada, apenas em gemer pra fora o nome do irmão suplicantemente.

O mais velho tomou posse da cintura fina e ergueu o corpo do outro, sem se desconectar dele em nenhum momento, Taemin ficou sentado sobre seu colo, e com as forças que ainda tinha, subiu e desceu sobre o comprimento de Minho, fazendo-o ir ainda mais fundo, e o melhor de tudo era o contato, eram os olhares intensos encarando um ao outro. O moreno olhava pro platinado de cima pra baixo, agarrado a seus ombros fortes enquanto subia e descia no colo do mais velho.

Ambos os lábios abertos deixando os intensos suspiros de prazer saírem sem receio, o suor presente colava os cabelos e fazia os corpos brilharem.

Minho mantinha firmes as mãos nas bandas da bunda de Tae, intensificando ainda mais os movimentos. O mais novo envolveu o pescoço do outro com seus braços e rebolou profundamente gemendo no ouvido do mais velho a melodia mais devassa que Minho já tinha ouvido naquela tarde.

-Mi-Minhoo!

Ele correspondeu, correspondeu impulsionando o quadril pra cima ouvindo o estalo alto que o ato causou, resmungando um palavrão qualquer enquanto era comprimido, esmagado pela entrada pulsante de Taemin, que gozava generosamente sujando o dorso do mais velho. Pra prolongar a sensação o moreno sentou com força sobre o membro do mais velho e aquilo foi o estopim pra ele se derramar abundante dentro do menor.

Tae se sentia cheio e molhado, mas não tinha forças pra sair da posição que estava, e confessava que nem queria, se sentia tão completo daquele jeito que realmente não se importaria em ficar daquela forma por mais tempo.

Mas os braços protetores rodearam seu corpo por mais uma vez naquela tarde, o fazendo se recostar na cama. O beijo cálido dessa vez foi em sua testa suada,  e após receber o carinho ele olhou Minho nos olhos grandes e brilhantes, encontrando ali toda segurança que precisava. Levou os dedos lisos aos cabelos platinados do outro e o encarou por mais um par de segundos.

-Seu cabelo. Está bonito. Eu gosto. – Disse sentindo as bochechar esquentarem.

-Achei que tinha odiado, ontem você disse que eu estava ridículo. – Minho riu divertido.

-Ontem eu ainda estava bravo.

-Percebi pelo modo que me mandou morrer no telefone. – Riu e apertou o outro nos braços, ouvindo o pequeno moreno murmurar um “desculpe” envergonhado. – Suas tatuagens também.

-Hum?

-São lindas, combinam com você, e eu gosto.

Fez-se um silêncio calmo...

-Não vá embora... –Taemin disse em um fio de voz com os lábios escondidos no peito do outro.

-Eu tenho que ir amor, mas... – Ergueu o rosto do mais novo e colou sua testa a dele, fechando os olhos e sorrindo... – Vou levar você comigo. – E mesmo com as pálpebras fechados, Minho soube em exato qual era a expressão do rosto da sua criança. – Se você quiser, é claro. Você quer? – Abriu os olhos e se deparou com acena mais linda que seus olhos poderiam ver.

Taemin estava com aquele sorriso lindo e radiante escancarado bem a frente de seu rosto, aquele sorriso que lhe fazia sentir a pessoa mais sortuda de todo o universo. E diante daquilo ele não precisava de uma resposta verbal, já que estava ali, naquela face, toda a certeza de que dias melhores viriam.

 

                                                                     XXXX

 

-Não esqueceu nada, Tae?

-Não, hyung. – Respondeu entregando a última mala ao mais velho, que ajudou o motorista a colocá-la no bagageiro do carro grande de luxo.

-Então vamos? – O mais alto o olhou sorrindo abrindo a porta do carro.

-Vamos. – Acenou com a cabeça devolvendo um singelo sorriso.

Eles haviam se despedido dos pais mais cedo e ambos já não estavam mais em casa no momento da partida dos filhos. Iriam pra Seul de carro dessa vez, pra terem uma viagem mais confortável.

O vidro fume que separava os passageiros do motorista, subiu os dando toda privacidade que precisavam, e enfim o automóvel arrancou e partiu.

-Está feliz? – Minho o deu um empurrão de leve com o ombro.

-Muito. – Riu e repousou a cabeça no ombro que lhe encostara.

-Não se preocupe, eu vou cuidar de você, hum!?

-Eu sei que vai. – Fechou os olhos e se acomodou melhor no corpo alheio. Minho suspirou profundo e beijou o topo da cabeleira preta... 

-Eu amo você... – Disse baixo achando que a criança já tinha se entregado ao mundo do sono.

-Eu também amo você.

-Shiii...

 

 

 

 

Taemin dormiu ouvindo as batidas calmas do coração de Minho. Deixou todos os seus medos, angustias e frustrações na sua pequena cidade, e seguiu pra uma vida nova ao lado da única pessoa que podia fazê-lo feliz. Agora ele sentia-se capaz de qualquer coisa, de conquistar o mundo se fosse preciso, simplesmente porque seu coração estava repleto de coragem, uma coragem diferente, uma coragem chamada Choi Minho, que o tirou pela segunda vez dos seus pesadelos assombrosos e melancólicos.

Nunca acreditou em super heróis, mas acreditava em super pessoas, super pessoas que não usavam nada além de amor pra salvar outras. Não possuíam super força, nem alta velocidade, ou capacidade de voar e se tele-transportar, elas simplesmente tinham uma capacidade maior que as outras de amarem.

Naquele momento se deu conta de que sorte a dele ter se apaixonado justo por uma pessoa dessas, justo por Choi Minho, que tinha o coração transbordando de amor.

 

 

 

 

 


Notas Finais


E é isso que a vida tem de melhor!!!

Gostaram?

Um beijo em quem descobrir a referencia da fic u.u

Eu sei que to em divida, cara eu super sei disso... Mas sejam generosos mais uma vez com essa unnie má e enrolada e não me deixem no vácuo com essa fic kkkkkkkkkk (eu to morrendo de medo gente, é sério. Estou postando sob tortura da Sara, ela está me ameaçando de morte -_-)

Amo vocês, me perdoem e Prometo que Hey My Darling vai voltar!

Até
Beijus de Luz
Mamãe ama vocês
chu no heart

*some na mesma fumaça que apareceu*


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