História KakaSaku - Uma Chance Para Nós - Capítulo 33


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Kakasaku, Naruto, Sasusaku, Vanessa734, Vany-chan734
Visualizações 411
Palavras 3.499
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olaaar,

Cheguei para att essa beleza ainda no finzinho do dia! Beijinhos e nos vemos nos comentários?

Capítulo 33 - Você sempre esteve lá


Fanfic / Fanfiction KakaSaku - Uma Chance Para Nós - Capítulo 33 - Você sempre esteve lá

Após trocarmos a roupa machada de sangue da cirurgia feita há minutos, eu e Ino lavávamos as mãos nas pias do banheiro do hospital.

- Confesso que estava sentindo falta disso – ela comentou, pegando uma folha de papel para enxugar as mãos.

- Disso? – perguntei confusa, pegando duas folhas para mim.

- É! – concordou entusiasmada – Essa loucura do hospital, cirurgias de emergência, plantões de 24 horas... essas coisas – terminou dando de ombros e jogando o papel úmido no lixo.

Ri fraco, lembrando-me de quando Ino reclamava dessa loucura do hospital.

- O projeto está assim tão entediante? – questionei com bom-humor, jogando o meu papel no lixo também.

 O rosto satisfeito dela passou a ser irritadiço, enquanto eu abria a porta do banheiro, ainda atenta as suas expressões. Ela passou por mim franzindo o cenho, pensando no que poderia contar, e foi quando suspirou derrotada que eu soube que ouviria todos os seus lamentos.

Fazia dois meses que Ino comandava o projeto de Kakashi. Eles começaram tão empolgados que conseguiram aprova-lo em um mês e depois disso ela já tinha um espaço alugado – financiado pelo cofre público de Konoha – para começar a atender os shinobis.

Passamos pelo corredor da recepção acenando para a recepcionista morena, chamada Yuko, embora ela apenas sorrisse para Ino.

No hospital ainda existia aquele clima de hipocrisia, porque eu era a “queridinha” dos Kages – tanto por Kakashi, quanto por Tsunade-shishou. A Godaime havia saído de férias uma semana após conversar com ele, e deixou apenas uma carta transferindo a administração do hospital para mim, o que deixou muitos médicos e enfermeiros desconfiados.

Ali dentro, eram poucos os que realmente desejavam a minha felicidade com Kakashi e mantinham o mesmo tratamento de antes. Os comentários maldosos sobre sua idade e sobre o meu interesse nele – como o maior cargo do hospital – foram minguando, até porque agora eu podia demiti-los por desrespeito ou então dar os piores turnos a serem levados. Ninguém ousaria me xingar descaradamente de novo, nem ali e nem na rua.

Nesses momentos me lembrava da minha mestra e de como ela adorava se vingar dos médicos residentes por algum erro bobo, principalmente porque não aguentava mais ficar presa a sua sala. Eu bem sabia que ela deveria estar se divertindo e se embebedando mundo a fora.

Sorri pensando nessa imagem.

- Testuda, estou falando com você! – Ino ralhou ao meu lado.

- Oh, desculpe! Estou distraída, pensando na Shishou – sorri, sem graça.

Ino passou pela porta de vidro da recepção e parou do lado de fora, me esperando.

- Como eu ia dizendo – o tom de reprimenda permanecia ali, assim como seu olhar feroz – podíamos almoçar naquele restaurante de Suna novamente e conversarmos... faz tempo que não falo com essa testa – ela deu um peteleco no meu Byakugou.

- Ino! – reclamei, massageando o losango roxo que havia ali – Vamos logo, estou com fome – resmunguei, sentindo meu estômago doer.

Aquela cirurgia não fora complicada, tampouco planejada, então nosso horário de almoço estava realmente atrasado e eu já sentia uma pequena tontura pela fome.

Chegamos ao restaurante e nos sentamos próximas às janelas, já que Ino gostava de olhar os transeuntes na rua e eu acompanhava alegre o movimento dos seus olhos atentos. Apoiei meu cotovelo na mesa e o queixo na mão, observando-a atentamente. Ela tinha uma pequena ruga entre as sobrancelhas denunciando que algo a incomodava.

- O que foi, Porquinha? – perguntei, atraindo sua atenção.

- O Sasuke-kun... – ela respondeu, fixando o olhar em um homem do outro lado da rua.

- Ele não está bem, não é? – endireitei a postura.

Ino suspirou e depois me olhou.

- Não, ele não está... e parece indisposto a qualquer ajuda! – confessou, com pesar evidente.

- Como assim?

Antes que ela me respondesse, um garçom apareceu oferecendo os menus, pedíamos o de sempre e logo ele se foi.

- Lembra do Hideki? – Ino perguntou e eu assenti – Sasuke-kun tem as mesmas reações dele.

Franzi o cenho me lembrando do garotinho loiro de sete anos. Hideki não colaborava nas primeiras sessões e quando era obrigado a falar, simplesmente jogava brinquedos em mim e em Ino.

- Ele joga brinquedos em você? – questionei divertida com uma sobrancelha arqueada, fazendo-a bufar e revirar os olhos.

- Ele se sente afrontado! – revelou, irritada – Não aceita a ideia de que posso ajudar, então apenas se recusa a falar! Ele já passou uma sessão inteira carrancudo e em silêncio! Em silêncio, Sakura! Cinquenta minutos com ele apenas me olhando enraivecido!

Comecei a rir dela. A imagem do Sasuke-kun sentado a encarando era bastante nítida na minha mente.

- E o Naruto? – questionei.

Ino revirou os olhos.

- Ele só fica falando de ser Hokage e do quanto a Hinata é perfeita. “Hina-chan” pra cá, “Hina-chan” pra lá, às vezes eu tenho vontade de soca-lo – se remexeu, olhando novamente para rua.

Soltei uma gargalhada, pensando que Naruto realmente estava encantado com a namorada.

- Isso é inveja, Porquinha? O Sasuke-kun continua solteiro.

Ino me olhou indignada.

- Sakura! – repreendeu – Sasuke-kun tem os problemas dele.

- Mas ele tem sido mais aberto ultimamente? – a instiguei a contar.

- Não – passou as mãos nervosamente pelo rosto – Continua irritado, principalmente depois da última sessão... acho que ele nem irá essa semana.

- O que houve na última sessão? – perguntei curiosa.

- Kakashi me disse que havia muitos segredos Uchihas e eu deveria esperar ele comentar sobre sua família – ela remexeu as mãos incomodada – E obviamente que eu já sabia disso, mas estava irritada com todo aquele silêncio, então decidi perguntar sobre Itachi – inclinei-me sobre a mesa, atenta ao seu discurso que ia ficando cada vez mais baixo – E eu percebi como ele endireitou a postura, mexido pelo tema... não quis pressioná-lo, mas ele foi tão rude comigo...

- Rude? – interrompi – Rude como?

Os olhos azuis demonstravam mágoa.

- Disse que aquilo não era da minha conta, xingou Kakashi por obriga-lo a estar ali e... me chamou de “loira insuportável” – ela fez aspas com os dedos.

Soergui uma sobrancelha.

- E desde quando você fica quieta diante de um xingamento? – rebati.

Ela suspirou.

- O problema foi exatamente esse... eu invadi a mente dele – arregalei meus olhos e ela percebeu – Eu juro que só queria dá-lo uma dor de cabeça, como a que ele me dava! Mas eu consegui ver...

- Ver? – insisti curiosa.

Ino desviou o olhar e penteou os fios loiros com os dedos.

- Algo muito pessoal, Sakura. Não posso falar o quê, mas era realmente pessoal... e bem, imagine, ele ficou furioso e me ameaçou com o sharingan ativado! Terminamos a sessão imediatamente, porque ele saiu da sala pisando duro. Juro que senti medo dele... – ela abaixou os olhos, envergonhada.

Eu não soube o que dizer. Ino era uma pessoa extremamente curiosa e amável, porém como profissional, ela se transformava em alguém completamente compenetrada na prancheta de anotações e impassível a cada revelação dada. Fiquei chocada pelo fato dela ter invadido sua mente sem escrúpulos e ainda mais chocada com a reação enfurecida dele.

- Quando é a próxima sessão? – questionei, voltando a posição inicial.

- Amanhã. Às 14h00 – ela voltou a olhar os transeuntes – Espero que ele apareça, não quero ter que invadir a mente dele de novo só pra pedir desculpas! – reclamou.

Eu sorri e peguei sua mão por cima da mesa. Um toque cúmplice que a fez olhar para mim, ainda mexida pelo ocorrido.

- Sasuke-kun é... – ponderei rapidamente - inconsequente. Mas tenho certeza que ele irá aceitar suas desculpas.

- Obrigada, Testuda – ela sorriu, um sorriso triste, mas que eu contava como uma pequena vitória.

O garçom voltou com nossos pratos e ofereceu um suco por conta do estabelecimento, um presente singelo do proprietário por causa do meu noivado.

- As vendas aumentaram muito desde o Festival da Paz – o garoto de olhos verdes piscou, justificando a ação.

- Nossa! O Festival da Paz! – Ino falou após o garçom se retirar – Lembra, Testuda? Você ainda fingia não sentir nada pelo Kakashi-sensei – a Porquinha começou a rir.

- Rá, rá! – debochei – E você estava se engraçando com o Genma!

A risada de Ino morreu no mesmo instante. Eu sabia que eles não tiveram nenhum envolvimento sério, mas pelo que bem conheço dos dois, nenhum deles realmente desejava algo a mais que encontros furtivos.

- Você só lembra de coisa chata – ela resmungou, devorando um escorpião frito.

- Eu me lembro de como ele cuidava desse seu fogo todo! – rebati maliciosa e rindo.

Sob seu olhar indignado, passei a comer minha porção de comida também.

- Hum... – ela engoliu o terceiro escorpião – Como anda o casamento? Há dias que você não reclama sobre os preços dos terrenos.

Revirei os olhos com a provocação, mas a respondi:

- Achamos um lugar, na parte Sul da Vila. Sem nenhuma estrutura, um pouco afastado do centro, mas tem uma área verde enorme ao redor, bem aconchegante, sabe? Parece um cenário de filme, mas é só uma parte abandonada mesmo – tomei um gole do suco, assim como ela – Agora vamos começar a planejar a casa com tudo que temos direito – sorri orgulhosa.

- Ah! Isso é maravilhoso, Sakura! – Ino comemorou, sorrindo tanto quanto eu.

- Sim! Eu quero uma biblioteca, Kakashi quer um jardim...

- Uh! Eu apoio o jardim – interrompeu, se empertigando na cadeira.

Eu ri de sua euforia. Às vezes, Ino parecia mais animada do que eu acerca do casamento.

- Por ser uma área abandonada, ela foi bem barata, então conseguimos um loteamento grande, sendo assim, teremos um jardim na parte dos fundos. Pelo menos, ele quer na parte dos fundos – contei, ingerindo mais um pouco do suco.

- Ah! Estou orgulhosa de vocês, Testa! – comentou sorridente.

Senti minhas bochechas corarem. E Ino falava como se fosse minha mãe às vezes também.

- Ino, não precisa me bajular! É obvio que você será madrinha do meu casamento – sorri provocativa.

E minha amiga ficou chocada inicialmente, afinal, eu ainda não havia lhe falado com seriedade sobre o assunto, mas era realmente óbvio que ela ocuparia esse lugar, tanto por ser minha amiga, quanto por ter nos apoiado desde o início.

- Tem certeza? – perguntou, piscando freneticamente.

- Uhun – concordei com a cabeça, enquanto comia mais um pouco do meu cuscuz picante.

- AH! – gritou, saltando do assento e vindo me abraçar.

- Ino! – tentei repreendê-la, em vão, porque comecei a rir no segundo seguinte. 

- Ah! Eu estou tão feliz! Obrigada, Testudinha! – ela continuava me abraçando no meio do restaurante, chamando a atenção das poucas pessoas ali – Prometo dar um presente maravilhoso!

- Tudo bem, Porquinha – ri, desfazendo o abraço – Mas aviso que irei lembra-la disso!

Ela sorriu novamente e voltou a se sentar, fiz o mesmo que ela e terminamos a refeição comentando sobre assuntos diversos. Ino parecia sempre antenada com as fofocas da Vila e eu acaba me divertindo com suas caretas ao contar cada uma delas. Era sempre um prazer estar com a Porquinha, desde a infância.

Ela era extremamente importante para mim e me sentia agradecida por toda sua ajuda, seja na Clínica ou na preparação do casamento.

Depois de pagarmos a conta – na verdade, Ino pagou por estar muito feliz em ser madrinha – nos separamos, ela foi para a Clínica e eu voltei para o hospital. Acenei para Yuko, que me ignorou novamente e respirei fundo, indo para a minha sala.

Havia muitos papéis sobre a mesa, porém a maioria deles precisava apenas da minha assinatura, já que Tsunade-shishou deixou praticamente tudo pronto para mim. Comecei a ler os documentos com carimbos vermelhos – indicando prioridade – e então passei a tarde assinando aqueles que concordava, e os quais discordasse ou não entendesse passava para a pilha “perguntar a Shizune-san”.

O final da tarde chegou rápido e como combinado fui ver Kakashi após o expediente para tomarmos chás. Cheguei a Casa que sempre íamos, e o vi sentado em uma mesa ao fundo, concentrado no seu livrinho laranja.

Sorri sentindo meu coração acelerar. Depois de termos nos envolvido, essa reação passou a ser costumeira e pensei seriamente que nunca pararia de senti-la.

Me aproximei dele, acenando para a senhora que comandava o estabelecimento que sempre nos recebia com um sorriso terno, e sentei na cadeira de frente para a sua.

- Olá – ele cumprimentou, ainda focado na leitura.

Ri baixo e fiquei o observando, sabendo que ele estava terminando um capítulo pela forma como seus olhos corriam rápidos pelas linhas. Em poucos minutos a expressão dele suavizou e fechou o livro, olhando-me carinhoso, da mesma forma que eu o olhava.

- Como foi seu dia? – perguntamos juntos.

Sorrimos juntos também.

Ele pegou minha mão por cima da mesa, a acariciando e sinalizou com queixo para que eu começasse a falar.

- Bem, de manhã visitei alguns leitos, só para checar as instalações dos pacientes e li mais algumas instruções de Tsunade-shishou, porém tive uma cirurgia de emergência... uma velhinha tinha escorregado no banheiro e fraturou a bacia – o olhar dele era atento – Ino foi a principal cirurgiã dessa vez, ela já estava lá quando cheguei – ele assentiu, um pedido mudo para que continuasse – Terminamos o expediente e fomos almoçar, conversamos sobre amenidades e comentei sobre ela ser nossa madrinha – Kakashi sorriu sob a máscara – Ela ficou tão feliz que pagou a conta do restaurante – ri lembrando-me do seu escândalo e ele me acompanhou – Depois voltei para o hospital e  passei a tarde assassinando documentos. Agora entendo porque a Shishou bebia tanto, é muito burocracia e para uma médica como ela, uma chatice – sorri.

- Falando na Godaime – ele começou, tirando um pergaminho do colete – Uma ave trouxe isto hoje, está endereçado a você.

Sorri e passei a lê-la em voz alta.

“Sakura,

Espero que esteja se saindo bem como diretora do hospital, você sabe que a tenho como filha e foi uma grande honra deixar o hospital fundado pelo meu avô em suas mãos. Shizune sempre esteve comigo, mas ela é boazinha demais para dirigi-lo com pulsos firmes, apesar disso, mande um abraço a ela e mande-a me responder logo, ela faz falta em minhas viagens.

Não se preocupe comigo. Estou no País das Ondas e já ganhei três vezes consecutivas no Cassino deles! Acredite, o saquê não é tão bom quanto o do Fogo, mas após o quarto gole, fica gostoso.

Abraços,

Tsunade.

 

P.S: Se Naruto me chamar de velha mais uma vez em alguma entrevista, volto para Konoha em dois dias e quebro a cara dele”

 

Comecei a rir assim que terminei a leitura do conteúdo e Kakashi me acompanhou.

- Naruto adora provoca-la – comentei sorrindo.

- Ele sabe que ela nunca o machucaria realmente, por isso abusa de seu temperamento – falou, concordando.

- Sobre qual entrevista ela está se referindo? – movimentei o pergaminho, indicando-o.

- Há uma semana, ele foi para o País do Trovão e fizeram uma entrevista consigo sobre a futura posse. Ele citou exemplos de grande shinobis que emergiram do nada como ele, como você – arregalei meus olhos, surpresa – e agradeceu a Tsunade por tê-la ensinado.

- Puxa! Eu não sabia! – comentei envergonhada – Ultimamente tudo tem sido corrido! O casamento, o hospital, a Clínica, Ino... enfim, mal tenho tempo de vê-lo.

- Naruto também está ocupado – proferiu – Estou repassando grande parte dos documentos para ele, obrigando-o a lê-los e ensinando técnicas diplomáticas além do bem-estar.

- Além do bem-estar? – franzia as sobrancelhas, confusa.

Ele anuiu.

- Naruto pensa que todos os problemas são resolvidos com amizade, mas para um líder diplomático é preciso saber negociar. Por exemplo, o acordo que fizemos com Suna: a maioria dos minérios deles estão vindo para as nossas construções civis, enquanto nossos alimentos têm sido distribuídos no País do Vento.

- Oh... não consigo imaginar o Naruto barganhando... é capaz dele trocar diamante por Ichiraku lámen – zombei, fazendo-o gargalhar.

Eu considerava uma vitória pessoal cada gargalhada dele. Kakashi era muito sério e às vezes isso me incomodava.

- É por isso que Shikamaru continuará sendo Conselheiro oficial de Konoha – respondeu.

A senhora – dona do estabelecimento – veio com as xícaras dos nossos chás preferidos – o dele de hortelã e o meu de cidreira – e saiu sorrindo. Bebericamos os líquidos e não pude deixar de pensar na primeira vez que fomos ali – após a partida de Sasuke.

- Olha, é bom que você pague nossos chás hoje. Ainda não recebi o pagamento desse mês – provoquei.

Ele estreitou os olhos minimamente, entendendo minha referência e respondeu:

- Você deveria pagar pelo privilégio de estar comigo.

Gargalhei com sua autoestima. Kakashi sabia ser ridiculamente presunçoso quando queria.

- Não acredito que você falou isso! – neguei com a cabeça, embora sorrisse largamente.

Ele apenas sorriu sereno e voltou a beber seu chá.

- Sabe – comentei, circulando a borda da xícara vermelha com o indicador – Você sempre me causou essa sensação... – ponderei, procurando a palavra certa – familiar. Mesmo antes de nos apaixonarmos, me sentia segura contigo – olhei para seus olhos e havia tanto carinho ali que me senti emocionada – Você sempre esteve lá. Por isso me apaixonei por você.

Os lábios dele formaram um sorriso aberto e eu amaldiçoei sua máscara por me impedir de vê-lo perfeitamente.

- Meu pai costumava dizer que chá era um abraço por dentro – ele comentou, atraindo minha atenção – Você é como chá para mim.

Sua convicção deixava a declaração ainda mais impactante e eu “derreti” sob seu olhar carinhoso. Mesmo sendo sério na maioria dos nossos momentos juntos, quando ele era romântico, sabia arrancar os suspiros mais profundos e sinceros de mim.

A cada gesto e frase eu me via mais envolvida e sem perspectivas além de nós.

- Em que está pensando? – questionei, vendo-o olhar fixo para o meu cabelo, sem motivo aparente.

- Em nós – respondeu depois de alguns segundos, voltando seu olhar para o meu – Essa é a mesma Casa de Chás que viemos quando Sasuke foi embora da vila pela segunda vez, é onde tudo começou. Onde passei a vê-la como mulher, embora ainda não a cobiçasse. Estou pensando sobre a rotina que iremos ter... não precisaremos voltar a esse lugar, porque poderemos tomar chás em casa.

Me remexi entusiasmada na cadeira. Era tudo muito irreal ainda. Apesar de vê-lo com frequência, pensar em conviver todo dia com ele era muito absurdo e desejoso, tanto que às vezes quando voltava para casa, sem vê-lo, me sentia incompleta. Como se realmente não fosse mais Sakura. Mas a mulher dele. Não era um documento alterando meu nome que faria eu me sentir assim, eram os olhos dele, a forma como ele me olhava a cada bobagem que eu proferia.

Kakashi me olhava como se eu fosse o mais novo volume de Icha Icha. Talvez até com mais devoção.

- É estranhamente bom pensar numa casa, só nossa – sorri, apertando sua mão sobre a mesa.

- Dei entrada no terreno que vimos semana passada. Logo ganharemos a autorização para construção – comunicou, novamente com aquele semblante sério.

Suspirei extasiada.

- Eu sinto como se pertencesse a você. O que realmente irá acontecer quando mudar meu sobrenome – ri divertida.

O cenho dele franziu momentaneamente, chamando minha atenção.

- Sei que foi uma brincadeira... – ele começou – Mas não precisa alterar seu sobrenome por minha causa, não a vejo como minha propriedade. A vejo como minha parceira.

E novamente uma das suas declarações que me tiravam o fôlego.

- Sei que não precisa, mas seremos marido e mulher, seria estranho ainda ser chamada pelo meu nome de solteira – contra argumentei.

- Eu gosto de como seu nome soa – ele enrugou o nariz, contrariado – Haruno Sakura. É poético.

Ri baixinho.

- Bem, como o nome é meu, irei pensar com carinho sobre isso, tudo bem? – ele assentiu – Agora quero ouvir sobre o seu dia.

Ele suspirou, mas contou sobre os pedidos de novas pesquisas que estavam começando e como aquela burocracia era entediante, porém fazia o possível para mostrar o melhor lado da profissão a Naruto, ainda que fosse difícil. Eu sorria e perguntava sobre os termos técnicos que desconhecia, ganhando explicações claras dele.

- E Shikamaru? – questionei – Vi Temari na feira esses dias e ela fazia mais compras que o usual.

Kakashi riu nasalado.

- Eles estão morando juntos no Clã Nara. Shikamaru vive reclamando que Temari e a mãe dele fizeram um complô para que ele obedeça às regras que elas lhe impõe.

Eu ri com aquilo, imaginando a cara de cansado dele por ter as duas mulheres reclamando ao seu lado.

- Isso me lembrou uma coisa... – ele comentou, atraindo minha atenção - Aceita morar comigo?

O olhei confusa com o súbito pedido.

- Não vamos morar juntos quando casarmos?

Kakashi sorriu terno, vendo a óbvia confusão na minha cabeça.

- Vamos. Mas estou convidando-a para morar comigo agora. Assim podemos nos acostumar com a presença um do outro e você ainda terá tempo de fugir desse casamento – brincou no fim.

Comecei a rir, a chorar e voltei a rir, acenando positivamente com a cabeça e ganhando um abraço caloroso dele.

- Vamos para casa – sussurrou ao pé do meu ouvido.  


Notas Finais


Adorei esse cap! Amo a Ino, amo KakaSaku! Tá tudo de bom!

Respondendo aos bonitinhos dos coments: sim, será SASUino no fim, maaaas antes disso eles terão uma evolução bem devagar no relacionamento. A começar pelas coisas que ele irá contar, já que são coisas muito pessoais. A Ino nao podia contar o que viu, por uma postura ética, mas eu autora posso: foi a despedida do Ita <3

Espero que tenham gostado.

Lindinhos, POSTEI A SPIN-OFF dessa fic: https://spiritfanfics.com/historia/kakasaku--sob-outro-olhar-9946056


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