História Kaleidoscope - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Personagens Originais, Suga
Tags Bangtan Boys, Bts, Personagem Original, Romance, Serie, Suga
Exibições 13
Palavras 3.738
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoinhas!
Quero agradecer imensamente às pessoas que estão favoritando a fic, e também para aquelas que enviam comentários. Muito obrigada por darem uma força por aqui, significa bastante pra mim...
Gostaria de avisar que estarei muito atarefada até semana que vem, por isso provavelmente o próximo capítulo demore, mas tentarei fazer o possível para não demorar.
Muito obrigada por estarem comigo!
Beijos na testa.

Capítulo 7 - Por trás da juventude.


Fanfic / Fanfiction Kaleidoscope - Capítulo 7 - Por trás da juventude.

Enquanto eu escovava meus dentes no minúsculo banheiro do apartamento (e quando digo minúsculo, quero dizer realmente minúsculo), eu pensava sobre todas as coisas que aconteceram nos últimos dias.

A começar pelo garoto deitado no carpete da minha sala.

Suga permaneceu lá por horas, apesar de ter dito que iria apenas “descansar os olhos”. Então uma noite inteira se passou. Eu dormi no cotidiano sofá castanho como todos os dias e ele no chão bem ao meu lado. Confesso que pensei em acordá-lo e fazê-lo dormir no outro sofá, mas logicamente o garoto pensaria que eu estava incomodada e tentaria ir embora.

Bem, eu não estava incomodada.

Estava mais… fascinada.

Era uma experiência muito nova para mim depois de tanto tempo em Daegu. Afinal, nós dois estávamos realmente nos tornando amigos. Coisa completamente inédita pra mim. Geralmente eu tinha apenas duas opções: Acreditar no cara da vez e ter mais um romance frustrado. Ou simplesmente dispensar antes mesmo de tentar.

Mas Yoongi era completamente diferente. Ele era um labirinto. Um quebra-cabeça de mil peças. E eu estava totalmente obstinada a encaixar peça por peça apenas pela curiosidade de saber qual desenho ele estamparia no final.

Mesmo que isso me machucasse no fim de tudo.

Sua áurea era atraente e seu rosto convincente. Apesar das poucas palavras, suas expressões costumavam conversar comigo por horas. Me prendia como uma algema em nossos pulsos. Então, certamente, eu gostava de mentir para mim mesma e pensar que deixá-lo fazer parte da minha vida não foi minha culpa.

Ainda me recordava da conversa que tínhamos tido na madrugada.

Depois dele ter me contado que os seus pais não o queriam em casa porque ele insistia em seu sonho de ser músico… O meu coração derreteu completamente. Ele não era um garoto problemático. Ele não era um delinquente. Ele era apenas um garoto perseguindo seus maiores desejos e sacrificando coisas maravilhosas simplesmente para ter o prazer de viver a vida que ele havia escolhido pra ele. Isso era incrível. E não era irresponsável. Era apaixonante e corajoso. Poucas pessoas teriam coragem suficiente para fazer isso.

Agora que eu conhecia a verdadeira história de Yoongi e tinha ideia do que ele estava disposto a fazer por aquilo que ele amava, parece que as borboletas em meu estômago haviam se apaixonado por ele completamente.

Voltei para a sala tirando o excesso de água dos cabelos com uma toalha. Dei uma conferida no garoto com o rosto afundado na almofada ainda deitado em meu tapete e o percebi dormindo em sono profundo.

Seu cabelo escuro estava uma bagunça. O que deixava a sua aparência realmente adorável. E agora, em plena luz do dia, eu percebia o quanto ele era pálido. Bastante pálido como açúcar. Bom, talvez o apelido dado para ele tenha caído como uma luva. Fiquei o fitando dormir enquanto apoiava as mãos sobre o sofá. Era impossível não sorrir enquanto o observava, apesar do ato ser um pouco estranho. Mas a forma como ele se encolhia para dormir, sua respiração inconsciente, até suas roupas amassadas eram um charme encantador.

Ouvi leves batidinhas na porta de entrada e logo suspirei ao acreditar que ele poderia acordar e me ver o espiando ali como uma Stalker. Me afastei com um sorriso no rosto e caminhei até a porta para abri-la o mais rápido possível, mas com silêncio.

Perceber Sun Hee parada ali quando abri a porta não foi uma surpresa. Ela sempre aparecia durante as refeições para comermos juntas, às vezes trazia a comida das banquinhas da rua. E hoje não seria diferente. Apesar de que, por um momento, eu rezei para que fosse.

— Você acordou cedo hoje. Está quase pronta! — Apontou bastante surpresa quando reparou em meu cabelo molhado. Levei o dedo indicador até meus lábios querendo demonstrar silêncio absoluto. — O quê? Tem alguém aí com você? A sua noite foi tão boa assim? Porque a minha foi uma merda. — Reclamou rolando os olhos com frustração enquanto entrava no apartamento sem esperar um convite. — Tive que varrer e recolher cacos de vidro e garrafas à noite toda. — Brigou. — Aliás, você começa uma bagunça e some simplesmente para levar alguém pra sua casa? — Julgava com um sorriso malicioso.

Mas então seus passos e suas palavras pararam exatamente de súbito como se tivesse tomado o maior susto da sua vida. E pela expressão em seu rosto eu começava a perceber que talvez ela realmente tivesse se assustado muito.

— Que merda é essa aqui? — Questionou surpresa e meio revoltada quando se virou em minha direção apontando pro cara ainda dormindo.

— Shh! — Levei o indicador pra frente dos lábios e então tapando sua boca com minha outra mão. — Ele se machucou ontem e eu ofereci ajuda. — Expliquei superficialmente.

— Ah, é? — Puxou minha mão pra longe da sua boca. — E a sua casa está virando ponto de caridade agora? — Sussurrou em tom irritado. Eu rolei meus olhos com tédio e peguei a sacola com comida que Sun Hee trazia nas mãos.

— Ele só precisava de um lugar para passar o tempo. — Dei de ombros quando coloquei a sacola sobre o balcão e comecei a revirá-la.

— Passar um tempo? — Semicerrou os olhos puxados em tom reprovador quando ficou ao meu lado. — Sook, porque esse cara ainda está aqui com você? Vamos acordá-lo e mandá-lo cair fora. — Sussurrou muito baixo, gesticulando, para que o outro não escutasse.

— Eu tentei acordá-lo. Mas não deu muito certo. — Menti como uma piada. — Acredita que eu pensei que ele estava morto? — Debochei tirando as embalagens de plástico de dentro da sacola. — Então coloquei um espelho em frente ao seu nariz e ele estava respirando. Isso quer dizer que ele é apenas um dorminhoco profissional mesmo. — Brinquei abrindo uma das embalagens e espiando o café da manhã.

— Você ficou completamente doida, não é mesmo? — Sun Hee brigou de modo preocupado. Me fazendo encará-la com seriedade ao meu lado. — Sook… Esse garoto vive nas ruas. Alguma coisa ele fez. Você nem sabe se ele pode atacá-la a qualquer momento! — Brigou gesticulando.

— Ele teria me matado durante a noite quando dormi do lado dele. — Lembrei dando de ombros e a garota arregalou seus olhos sem acreditar.

Isso nem era uma surpresa. Surpresa seria Sun Hee saber que eu não havia dormido muito bem. Eu estava ocupada demais vigiando o garoto lindo em minha sala. Imaginando coisas que eu não deveria. Criando planos que não passavam de uma ilusão boba. Formando fantasias perfeitas.

— Esse cara é apenas um oportunista morto de fome, Sook. Você precisa se livrar dele logo. — Acusou um pouco mais irritada. E de repente a sua irritação acabou me pegando de jeito também.

Eu não queria ninguém falando dele daquela forma. Principalmente, porque ninguém sabia o que eu havia sentido desde a primeira vez que havia o visto. As emoções se confundindo. Se fundindo. Transformando-se em um sentimento novo que eu nunca havia sentindo antes. Toda experiência e sabedoria não faziam diferença agora, não em relação ao que havia nascido desde quando o conheci. Eu me sentia tão jovem para explicar de uma forma madura, mas conseguia sentir como se isso fosse durar uma eternidade. Só alguém que sentisse algo tão intenso quanto o que eu estava sentindo teria o direito de julgar as minhas ações.

— Não o chame assim! — Briguei irritada e a garota abriu seus olhos de pura surpresa. Eu nunca havia falado com ela naquele tom. — Ele está aqui porque eu o chamei. Essa é a minha casa e você não tem nada a ver com isso. — Deixei bem claro enquanto a minha expressão era séria e a dela irritada. — Agora, você pode respeitar isso. E se não, você pode sair e voltar apenas quando aprender a respeitar as pessoas sem qualquer tipo de preconceito. — Apontei para a minha porta da frente.

Sun Hee mostrou-se realmente ofendida apenas pela forma como seus lábios tremeram de raiva. A garota ainda levantou seu queixo levemente, sempre soberba, e cruzou seus braços quando respirou fundo.

Eu definitivamente não queria tratá-la assim. Mas ela precisava saber que eu respeitava Suga tanto quanto à respeitava e não iria esconder a sua presença como se fosse algo errado. Não era errado. Eu nunca senti que algo fosse tão certo como sentia agora! Então Sun Hee precisava aceitar isso imediatamente se quisesse continuar se dando bem comigo.

— Tudo bem, só estou tentando te dar um bom conselho. Mas você nunca ouviu ninguém mesmo. Depois não reclame se algo der muito errado. — Cruzou seus braços com desdém e mordeu o lábio como se mastigasse o seu orgulho. — Não vou ficar nesse apartamento com vocês. Estarei em casa. Quando estiver pronta me ligue. — Finalizou me oferecendo uma carona como todos os dias.

Sun Hee era exatamente dessa forma. Gostava de ter o controle de tudo e quando alguém a enfrentava simplesmente não sustentava a sua máscara de tigresa. Eu a conhecia tempo o suficiente para saber que ela não bateria de frente comigo. Eu estava na minha quase que o tempo todo, mas nunca deixava que as pessoas ficassem em meu caminho quando desejava muito alguma coisa.

— Eu estou indo daqui à pouco. — Avisei tentando um tratado de paz enquanto via a garota se afastar e sair pela porta da frente, me lançando um olhar de tédio. Suspirei com muito cansaço por todos os conflitos. — Pelo menos ela deixou a comida… — Sorri cheia de humor negro quando puxei a embalagem com o café da manhã para o centro do balcão.

Peguei o secador de cabelo que ainda estava sobre o balcão e tentei secar o meu cabelo o mais rápido possível. Mas como eu sabia que o barulho provavelmente incomodaria o meu hóspede, apenas liguei alguma música qualquer em meu celular antes de realmente ligá-lo e começar a tarefa.

Alguns minutos se passaram para que ele finalmente acordasse e eu me perguntei o quão profundo era o seu sono. Principalmente quando o vi levantar seu rosto amassado em direção ao teto e seus olhos inchados pelo sono mal conseguiam ficar abertos.

— Bom dia! — Cumprimentei com um sorriso quando me apoiei atrás do sofá e continuei fitando seu rosto acordando quando desliguei o secador. — Desculpe acordá-lo. Mas como pode ver… — Abri meus braços para o apartamento. — Não tem muito espaço para fazer isso. — Voltei a ligar o secador, virei minha cabeça em direção ao assento do sofá e continuei secando.

Suga ainda estava em silêncio enquanto o seu corpo parecia sem alma. Mas ele logo semicerrou os olhos de repente e bocejou com seu punho fechado na frente dos lábios.

— Quem está ouvindo música? — Perguntou enquanto meu celular ainda entoava a melodia por todo o apartamento.

— Você é um rapper. Não gosta de hip hop? — Questionei me virando de costas e sentando sobre o encosto do sofá.

— Não é isso o que quero dizer. — Arqueou seu corpo e apoiou seus cotovelos sobre o carpete. — Quero dizer, você gosta de hip hop. — Apontou um pouco desconcertado enquanto piscava seus olhos rapidamente.

Eu respondi dando de ombros, mostrando que isso não era nada demais. Porém Suga continuou me encarando seriamente com aquele seu jeito muito sério de quem tinha mil coisas em mente. E ao contrário de me sentir assustada, como provavelmente Sun Hee gostaria que eu me sentisse, eu apenas estava sorrindo de novo com todo o seu mistério.

— Como está o olho? — Perguntei pra quebrar o silêncio quando ele pareceu desligado de novo. Seus olhos não saiam de mim.

— Latejando. — Contou rapidamente ao ficar totalmente sentado e massagear atrás do pescoço com uma das mãos, alongando seus músculos. — Mas estou bem, não se preocupe. — Garantiu com voz entediada.

— Não foi ruim dormir no carpete? — Indaguei de novo ao pular por cima do encosto do sofá e me sentar exatamente ao lado dele.

— Já estou acostumado. — Explicou sem se importar quando voltou seus olhos em minha direção e ficou me encarando daquela forma de novo.

Cogitei a ideia do seu olho machucado estar vendo coisas surreais nesse momento, pela forma misteriosa que ele ainda me olhava. E me partia o coração saber que ele estava acostumado com coisas ruins. Eu queria abraçá-lo e não deixar que nada de ruim lhe acontecesse mais.

— Como as borboletas beijam? — Questionou de repente, mudando de assunto bruscamente como se tivesse acabado de lembrar-se de algo.

Foi impossível segurar. Eu caí no riso imediatamente ao me lembrar que eu havia dito isso para ele quando o mesmo estava bêbado na noite passada. Mas era óbvio que a minha intenção não era que ele se lembrasse do detalhe.

— Sabe, eu já percebi que você é muito curioso. — Fingi reclamar quando escorreguei pelo sofá e me sentei sobre o carpete, ficando de joelhos bem de frente a ele. Sorri abertamente ao apoiar o cotovelo sobre o sofá e até o percebi engolir em seco quando ele notou o quanto eu havia nos deixado intimamente próximos.

— Não. Apenas quero saber de todas as coisas. — Corrigiu me fazendo rir abertamente e balançando a cabeça em negativa.

— Isso é ser curioso, mocinho. — Brinquei segurando seu queixo com uma das mãos e tentando ver o seu olho roxo contra a luz da janela.

— Não é. É ser inteligente. — Dominou muito arrogante quando segurou minha mão e a retirou do seu rosto com uma leve rispidez adorável.

— Inteligente? Mesmo? — Eu ri baixinho, me deliciando com a sua forma de julgar aquilo. — E se eu obedecê-lo isso faz de mim, o quê? — Perguntei sorrindo de lado. — Burra? — Arqueei as sobrancelhas.

— Esperta. — Corrigiu com a voz rouca pelo despertar e o seu tom macio conseguiu acelerar o meu coração imediatamente.

Ele ainda não havia soltado minha mão, apesar do seu toque não ser delicado. Seus dedos frios estavam em volta do meu pulso e seu polegar pressionava o centro da minha palma. Eu engoli em seco quando meu corpo tornou-se completamente quente. Seu rosto sério era perfeito, mas estava sempre atento demais. Desconfiado demais. Suga definitivamente não confiava em mim, não confiava em ninguém. Mas eu sentia em seus olhos que ele queria isso. Sentia percorrendo minhas veias como uma droga oleosa. Dolorido e doce ao mesmo tempo.

— Huh… Esperta… — Repeti em um tom de deboche enquanto concentrava todos os meus sentidos nas pontas dos seus dedos pressionando minha pele. Realmente dava a entender que nós nunca levantaríamos daquele carpete… nós nunca sairíamos dali se eu não desse aquilo que ele queria.

Eu queria negar-lhe algo? Procurava dentro da minha mente qualquer repulsa e não encontrava nada além de prazer. A brincadeira era nova e divertida demais para me negar à isso. Essa era a fronteira perigosa… “Até aonde uma garota cederia por um garoto”… Mas esses eram os jogos mais divertidos. Se ele era diferente dos outros caras, então que me mostrasse formas diferentes de fazer aquilo.

— Não se mova… — Sussurrei puxando meu pulso de sua mão e apoiando as minhas duas sobre o carpete, bem perto de suas pernas cruzadas.

Ele obedeceu quando prendeu a respiração e ficou totalmente paralisado quando me percebeu realmente me aproximando como nunca antes. Mas ele estava disposto à ser inteligente e eu estava disposta à ser uma professora. Sorri maliciosamente quando aproximei meu rosto do seu completamente e notei seus lábios secos entreabrindo em nervosismo. Quase podia ouvir sua pulsação apenas pela forma como ele engolia em seco e piscava rapidamente.

Tudo estava agindo como uma câmera lenta. Aproximei meus longos cílios da sua bochecha esquerda e acariciei sua pele rapidamente algumas vezes exatamente como eu me lembrava fazer quando era uma criança. Apenas o suficiente para que ele soubesse como era a sensação de ter aquilo.

Então um riso divertido escapou por meus lábios e tive que me afastar e ficar de pé no mesmo segundo para conseguir ter ar em meus pulmões novamente. Ele fazia meu coração pulsar, meu sangue ferver e agora o riso nervoso estava tentando escapar da jaula.

— Isso é uma brincadeira de criança. — Debochei rindo voltando a desembaraçar meu cabelo seco com os dedos.

— Não me parece algo que as crianças devessem brincar. — Rebateu levantando a manga da sua camiseta comprida e verificando alguma coisa em sua pele. A forma como ele esfregou seu antebraço me fez cogitar a ideia de que ele havia realmente se arrepiado com o toque dos meus cílios. Acabei rindo de novo.

— E por que não? — Questionei me debruçando no encosto do sofá e me curvando em sua direção como uma intimação mais maliciosa. — O que você sentiu exatamente? — A minha pergunta soava mais como um desafio firme.

Suga franziu o cenho e voltou os lábios como um biquinho infantil. Eu segurei o meu desejo de agarrá-lo simplesmente por ser tão adorável. Mas eu queria muito ouvir alguma coisa saindo dos seus lábios. Como ele havia se sentido. O motivo dos seus arrepios. Eu queria ouvi-lo falar sobre algo que vinha de dentro de si pela primeira vez.

— Que horas são? — Questionou desviando do meu rosto e encarando o relógio atrás das minhas costas, me deixando completamente no vácuo como sempre fazia quando mudava de assunto. Rolei meus olhos com tédio.

— Por que? Tem algum compromisso importante? — Perguntei voltando a ficar ereta e desligando a música que ainda tocava no celular, para então jogar o aparelho dentro da minha bolsa.

— Droga! — Ele percebeu as horas no relógio e se levantou em um pulo agitado. — Estou atrasado… droga! — Reclamou cuspindo entre os dentes como se fosse um palavrão forte.

— Atrasado para o quê? Assalto à banco? — Debochei largando o trabalho em meu cabelo e virando para ele com as mãos apoiadas nos quadris.

— Escola. — Respondeu apenas quando sentou-se em minha mesinha de centro para calçar seus sapatos e eu pisquei os olhos em completo choque várias vezes.

— Como assim escola? — Questionei muito chocada. — Tipo… Colégio? Livros, provas e lanches? — Perguntei cruzando os braços de maneira preocupada.

— Estou muito ferrado… — Resmungava muito nervoso enquanto amarrava os cadarços com pressa.

— Espera, garoto… Quantos anos você tem? — Continuava muito surpresa enquanto apoiava as mãos no encosto do sofá. — Socorro… eu sou a mãe de uma criança agora… — Resmunguei para mim mesma de modo desesperado.

— Não fale bobagens, estou no último ano. — Brigou pegando sua camisa xadrez de cima da mesinha e a vestindo por cima da blusa branca que usava.

— Grande coisa! — Contestei irritada enquanto tentava pensar em algo. — Foi por isso que você me olhou daquele jeito emburrado quando te chamei de Yoongi-Oppa? — Questionei um pouco nervosa, e o garoto deu de ombros mostrando-se indiferente. — Ok, ok, ok… Eu tô calma… — Tentei me acalmar e pensar melhor na situação caminhando de um lado para o outro naquela sala enquanto ele terminava de se arrumar.

Eu não sabia que ele ainda estava no colégio. Isso mudava um pouco as coisas. Digamos que ele estava beirando os dezoito anos. Eu tinha vinte e saindo do zero. Bem, não me parecia uma diferença tão distante, mas com certeza isso mudava grandes coisas na forma como levar aquilo. Queria entender porque eu tinha uma sensação um pouco decepcionada em meu peito nesse momento. Já que eu havia prometido à mim mesma que aquilo entre nós não seria nada demais.

— Escuta… você quer uma carona para chegar mais rápido na… — Engoli em seco. — Escola. — Aquela palavra era areia em minha garganta.

— Não precisa. Eu ainda tenho que passar na casa de um amigo e pegar o meu uniforme. — Resmungou com sua voz rouca demais. Quase não podia entender as palavras baixas que escapavam dos seus lábios.

— Bom, me deixe pelo menos levá-lo até a casa do seu amigo. Sun Hee tem um carro, com certeza seria bem mais rápido. Você ficaria menos atrasado. — Tentei convencê-lo enquanto ele ficava de pé e me encarava com a maior cara de tédio.

— A sua amiga simpática? Não. Muito obrigado. — Negou passando os dedos pelo cabelo bagunçado e trazendo a franja para os olhos. — Posso me virar sem a caridade dela… — Esboçou como uma indireta clara sobre a conversa que eu tive com Sun mais cedo.

— Deixe-me adivinhar… você ouviu a nossa discussãozinha à pouco? — Perguntei apertando meus lábios de maneira muito sem graça.

Ele franziu o cenho com irritação e mostrou o seu descontentamento através dos seus olhos. Tentei sorrir para fazê-lo se sentir melhor, mas eu estava completamente envergonhada com a situação também.

— Eu não penso como ela. — Queria me defender antes que ele pensasse o mesmo de mim. — E você não deveria dar ouvidos à Sun Hee. — Dei de ombros. — Ela acha que você tem cara de psicopata. — Tentei explicar, e a forma como ele franziu o cenho em dúvida me fez perceber que aquela explicação foi hilária e horrível. — Quer dizer… Ela não confia em caras que nunca deram em cima dela. — Dei de ombros, como se isso fosse um bom motivo.

Uni minhas sobrancelhas enquanto ele suspirava profundamente e arrumava as lapelas da sua camisa com certa impaciência. Porém, por um momento um fato estranho se passou por minha cabeça, fazendo meu cérebro martelar de medo por um mísero segundo, mas profundamente dolorido.

— Você nunca deu em cima dela, certo? — Quis sondar de maneira desconfiada enquanto tentava perceber qualquer mentira que ele tentasse me responder à partir de agora.

— Claro que não. — Foi incisivo e sincero. Me deixando aliviada ao perceber que era mesmo verdade.

— Então você é gay? — Perguntei apenas para confirmar. Já que estávamos na rodinha de perguntas mesmo.

— O quê? Não. — Respondeu de um jeito desconcertado quando sacudiu sua cabeça, como se me achasse uma pessoa absurda.

Eu voltei a respirar de forma mais aliviada.

— Bom, eu acho que não tem problema nenhum em te dar uma carona. — Mudei de assunto, pegando a embalagem com comida sobre o balcão e estendendo um bolinho em sua direção como um convite. — Você está atrasado e uma carona te economizaria algum tempo. O que acha? Ninguém vai te morder naquele carro. — Dei de ombros quando peguei minha bolsa sobre o balcão e pendurei em meu ombro. — Vamos… me deixe fazer isso por você! Aceite por mim! — Implorei levando um bolinho para boca e o colocando de uma vez. — Que tal mais um beijinho de borboleta para te convencer? — Ofereci com a boca cheia de bolinho enquanto minha voz saia abafada e abri a porta da frente esperando que ele aceitasse.

— Você é muito estranha… — Ele comentou para si mesmo em tom preocupado quando balançou sua cabeça em negativa e passou para fora do apartamento bem longe dos meus beijos de borboleta.

Eu acabei rindo enquanto trancava a porta.


Notas Finais


Mais uma vez, obrigada pela visita!
Até o próximo...
<3


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