História Keep Dance - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Competição, Coréia, Dança, Mundial
Exibições 1
Palavras 3.521
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oi poderosas, essa fanfic está sendo reescrita.. Espero que goste pq eu amo essa história ♥

Capítulo 1 - Life in Sydney


Fanfic / Fanfiction Keep Dance - Capítulo 1 - Life in Sydney

     As luzes da boate irritavam meus olhos e de repente a música alta não me agradava mais: meu estômago dava voltas. Sentia-me tonta, soltei o drink pela metade e olhei em volta conseguindo distinguir as costas de Steven em meio aos borrões. Instintivamente pensei alcançá-lo, mas depois de palavras como “acabou” e “cansei” decidi que não era uma boa ideia. Permaneci estática alguns segundos, tentando encontrar um foco, sentindo cotoveladas e ouvindo rápidos pedidos de desculpas. O que tinha naquela bebida? Lembrei-me vagamente de Steven estendendo a taça para mim assim que entrei. Em segundos eu já havia perdido Trevor de vista enquanto ouvia meu namorado dizer que perdeu o tempo dele comigo.

     A palavra Exit piscava lentamente, caminhei até ela praticamente debruçando-me sobre as outras pessoas que possivelmente me olharam com expressões que poderiam denotar censura ou pena. Puxei a porta em minha direção e esguerei-me para fora, dois passos depois e vomitei tudo que ingeri, limpei a boca com as costas das mãos e apoiei-me sobre um carro parado próximo à entrada, ainda sentia-me tonta. Uma mão segurou meu braço, levantei a cabeça de súbito temendo o pior e senti um alívio enorme ao ver o lindo rosto do Trevor:

     - Caralho Zoe, por que você está pálida desse jeito? – ainda me segurando pelo braço, ele colocou a mão na minha testa – Você está gelada, cadê o Steven? Zoe? Zoe você está drogada? Sua pupila está sem foco! Zoe?

     Os sons ficaram cada vez mais baixos, mal consegui manter meus olhos abertos, talvez Trevor tenha me pego no colo? Não conseguia sentir nada, só muito sono. Tudo estava silencioso, tudo estava ficando preto. Abri os olhos desorientada, consegui sentir alguma coisa furando meu antebraço coloquei a mão por cima para remover, mas fui impedida:

     - Uou! Uou! Uou! Acordou a bela adormecida! – reconheci a voz de Trevor, ele empurrou-me para minha posição inicial.

     - Ou a Cinderela – uma voz desconhecida corrigiu em tom de deboche – Com a concentração de Dormonid no seu sangue garota, se não fosse por esse cara... Não posso nem imaginar o que poderia ter acontecido! O que estava na sua cabeça? Aceitou bebida de alguém?

     - Pode deixar os sermões comigo, Sr. Kirkpatrick – ouvi a voz de Trevor afirmar severa, aos poucos meus olhos se adaptaram a luminosidade e eu fui ganhando foco. Os dois deixaram-me sozinha no quarto e pela janela eu pude vê-los conversar rapidamente e meu melhor amigo estender a mão ao médico que a apertou um tanto indiferente.

     Trevor entrou no quarto e antes mesmo de fechar a porta eu já sabia que ouviria poucas e boas...

     - Ficou louca? – berrou.

     - Trevor, eu...

     - Cala a boca cobra, eu quero matar você. Eu vou te pisotear com aquele meu salto 15 feito sob encomenda em Paris – ele me ameaçou.

     - Eu não lembro de nada – ainda sentia-me tonta e sonolenta - Nada depois que o Steven me dispensou...

     - ELE O QUÊ? – os gritos dele ficavam mais altos.

     - Ele disse que... – levei meu braço livre à cabeça, estava latejando – que estava perdendo o tempo dele, que ele não tinha mais motivos para estar comigo e estava cansado de mim... E eu não lembro mais de nada depois...

     - Isso não faz sentido, Zoe – vociferou – Cadê aquele cara incrível que você namorou todos esses anos? Ele que te deu aquela droga... Você não é burra de aceitar bebida de qualquer um... A questão é: porquê?

     - Eu também queria saber... Foi como se ele tivesse tirado uma máscara que ele usou sempre que esteve comigo. Acho que foi a primeira vez que eu vi quem era ele de verdade e logo depois tudo borrou– lamentei.

     Olhei em volta, tentando reconhecer o ambiente.

     - Marrickville... É o mesmo hospital que a gente trouxe a Min-Hee semana passada – Trevor relembrou desgostoso, mirando o nada – Zoe, tem que ter um motivo...

     - Para quê? Um motivo para ele interpretar o namorado perfeito por 7 anos e do nada resolver botar a cara no sol e admitir que é a encarnação do Capeta? – rebati – É claro que tem um motivo, mas não quero vê-lo nunca mais...

     Fui interrompida pela entrada sem cerimônias de Ryu Min-Hee, ela parecia ainda estar tentando se acostumar com a cadeira de rodas motorizada, já que não podia andar de muletas para não forçar a perna quebrada. Ela me deu um dificultoso abraço.

     - Eu vim assim que pude – sua boca pequena formava um arco para baixo sempre que ficava triste, forcei um sorriso frouxo na tentativa frustrada de animá-la.

     - O importante é que não aconteceu nada, não é?

     - Não graças ao seu ex-namorado canalha – Trevor pontuou enquanto digitava no seu celular, me olhando de soslaio – Não soube da nova, Min? Quem é a mais nova solteirona de Sydney?

     - Palhaço – joguei meu travesseiro na cara dele.

     - Está fugindo da verdade? – ele provocou, não tinha gostado nada da minha resposta sobre o motivo do Steven.

     - O que aconteceu, gente? – ela perguntou com um ar inocente que passou despercebido por mim, mas não por Trevor.

     - O boy unção da Zoe terminou com ela – Trevor respondeu, Min-Hee não pareceu surpresa, baixou a cabeça em silêncio e ele colocou o celular no bolso e pegou uma mochila preta que estava na outra poltrona – E vamos logo embora daqui que você já está de alta e eu não quero correr o risco de rever o Kirkpatrick asqueroso.

     A enfermeira chegou, removeu à agulha do meu braço, Trevor me passou a mochila com roupas para que eu pudesse trocar-me, e em pouco tempo eu já estava no carro a caminho de casa, tirei meu celular do porta-luvas: 102 mensagens, 9 ligações do Frank e 13 ligações da Mamãe.

     - Estou claramente fudida – conclui em voz alta – Perdi minha manhã quase toda no hospital, agora vou ter que resolver tudo em menos de 9 horas e meia.

­     - Esqueceu que semana que vem você tem a sessão de fotografia? – Trevor lembrou-me para me torturar, rancoroso.

     - É o quê? – minha voz saiu rouca, disquei apressada o número pessoal do Frank, nem me atreveria a pensar em ligar para a minha mãe – Atende, atende velho bocó!

     - Quem é o velho bocó? – vociferou a voz no telefone.

     - Frank! Hãn... – xinguei-me mentalmente, pensando em alguma coisa que pudesse disfarçar a gafe, mas antes mesmo de eu abrir a boca ele continuou:

     - Calada Havnevik! A sessão já é semana que vem e você não escolheu nem mesmo às suas roupas! Quero você no escritório assim que eu chegar, acabei de aterrissar em Sydney, estou a pegar minhas malas... Melhor, vá direto para o tribunal, eu tenho um julgamento às 10h30 e você vai pegar os processos e estudá-los em casa nesse final de semana, entendeu?

     - Perfeitamente e...

     - Havnevik, tome mais cuidado com as bebidas que você anda aceitando nessas festinhas que você frequenta, vou desligar, meu motorista chegou – desligou na minha cara.

     Respirei fundo, se Frank já sabia desse momento lamentável da minha existência, eu era a fofoca da semana no escritório. Olhei as mensagens, lendo por cima, esfreguei a testa ansiosa. Só naquele dia eu tinha 3 casos para resolver: dois divórcios nada amigáveis e uma rixa familiar. Todos os problemas resolveram me aterrorizar ao mesmo tempo no mesmo dia; Liguei para Susan, minha secretária, ela me atendeu com sua voz sempre amável, e antes mesmo do velho “Bom Dia” eu pedi logo:

     - Susan, preciso de um favor! Eu quero que você pegue a minha lista telefônica, em cima da mesa na minha sala.

     - Não vai parar de falar não? – Trevor provocou, me fazendo tirar o telefone do ouvido, tampá-lo com a mão esquerda e mandar ele se foder, depois continuei:

     - Essa mesma, a azul; Meu bem procure o nome Aysha Scolder, por favor... É antigo está lá na frente... Ok – esperei alguns segundos até ela me responder – Acho que é esse mesmo, me mande ele por SMS, sim?

     Assim que a mensagem chegou engoli o meu orgulho e disquei o número da prima do Steven, ela com certeza perguntaria por ele e eu não poderia evitar mandá-la tomar naquele lugar, pelo menos mentalmente; Ela atendeu na 2° chamada, com um tom de surpresa ao reconhecer minha voz, perguntei sobre as crianças e antes dela responder já disse que precisava da sua ajuda para semana que vem, ela não se esforçou muito para esconder sua frustração, mas fazer o quê? Ela confirmou que escolheria minhas roupas, calçados e acessórios direto com a empresa, encerrando a chamada logo depois.

     - “Mas cê tá brava?” – exclamei para o celular, ofendida pela desligada na cara. A frase em português fez Trevor me encarar furioso, ele odiava quando não entendia o que eu falava.

     Quando sosseguei o celular já estávamos em casa, tomei um banho rápido e vesti minhas roupas formais pegando a chave do carro, me despedi rapidamente dos dois e saí em disparada para o tribunal, eu tinha pouco mais de meia-hora antes do Frank chegar. Estacionei e entrei, desfilando o mais elegante e o mais rápido que eu pude, dei Bom Dia para o porteiro e sai em disparada para a sala do Frank, ele era muito pontual: exatamente às 10h30 ele abriu a porta, instantaneamente  estendi sua toga preta usual.

     - Sua cara está péssima – disse, “como se eu já não soubesse”.

     - Ainda melhor do que essa sua cara de buldogue – rebati, ajudando-o a vestir.

     - Eu não tenho a mesma moral de antigamente – lamentou, estendendo-me os processos para o final de semana – Eu te daria uma suspensão, mas o que seria desse escritório sem você?

     - Exatamente – respondi com um sorriso exibido – Não que eu queira me gabar...

     - Mas eu ainda sou o chefe, então silêncio! Você já escolheu suas roupas para a sessão de segunda-feira?

     - A sessão a qual me imploraram para ir porque eu sou a advogada queridinha dos divorciados? Já resolvi – tentei soar indiferente, enquanto observava os processos que ele havia me entregado, Frank bufou.

     - Já disse que foi porque não tínhamos mais ninguém para fazê-lo. Se já resolveu, ótimo – elogiou se encaminhando para a porta – Ah! E Havnevik...

     - Sim? – respondi com expectativas.

     - Pega a minha peruca que está em cima da impressora, é essa aí mesmo – estendi a ele que colocou-a simetricamente na cabeça quase careca. Saindo sem se despedir.

     “Droga, estou ferrada” concluí analisando os processos com mais atenção, saí da sala caminhando direto para o carro, ao entrar coloquei o cinto e abri o porta-luvas a procura de algo que pudesse melhorar minha aparência pós-doente; Distraidamente encarei o espelho, comecei a espalhar a base com a ponta dos dedos, até ver a silhueta de Steven saindo do tribunal acompanhado de um homem alto e magro vestido em um terno elegante. Pensei em segui-lo, uma vez que ele sempre me disse que odiava tribunais desde que foi obrigado a comparecer e escolher com quem moraria quando seus pais se divorciaram e agora lá estava ele. Mas resolvi ignorá-lo: ele não fazia mais parte da minha vida. Dirigi direto para o escritório e estudei a papelada até Susan bater na porta e entrar avisando que já eram 19h15. “Nem vi o tempo passar” pensei.

     - Obrigada Susan, Boa Noite – me despedi.

     - Não vai precisar de mais nenhuma papelada para hoje, Zoe?

     - Não se preocupe com isso, pode ir. Boa Noite – garanti.

     - Noite – ela se despediu.

     Peguei os arquivos mais importantes e joguei na maleta. Quando cheguei à porta lembrei que faria frio à noite, voltei peguei meu casaco e saí. Ao chegar em casa Trevor já servia o jantar na sala de copas. Descalcei-me e atravessei a sala jogando meu casaco sobre o sofá:

     - Chegou cedo da academia hoje – observei, sentando-me – Que milagre!

     - Esqueceu que eu sou o dono, Cobra?

     - Só porque é o dono não trabalha direito? – rebati, mordendo uma maça verde que estava na fruteira – Qual o jantar de hoje?

     - Você vai comer a pizza requentada com a Min-Hee, escondida lá no seu quarto – advertiu, empurrando-me para o corredor – E pegue esse casaco! Meu Crush chegará em minutos!

     Então Trevor jogou o casaco na minha cara, correu até perto da porta de entrada e apanhou meus saltos sociais voltando até mim e os pondo no meu colo. Tirou o avental em seguida, ajeitou o terno, polindo-o e desamassando-o com as próprias mãos:

     - E como eu estou? – perguntou entusiasmado.

     - Nasce de novo e tenta outra vez – me vinguei, mentindo descaradamente pois ele estava divino.

­     - Arre, Zoe! Eu compenso vocês amanhã, Cobra. Mas é sério, o que achou?Estou com cara de “Não sou piranha, mas também não sou ungida”?

     - Está perfei...

     A campainha tocou, me interrompendo. Trevor voltou a empurrar-me para o meu quarto, sussurrando freneticamente “Ele Chegou”, “Ele Chegou”, parou-me na porta e me ameaçou:

     - Nem um pio, mocinha! Ou acabo com você, quebro todas as suas unhas e raspo seu cabelo! Ouviu?

     - Quem é o boyzinho da vez? Você tem que arrumar um para mim! – provoquei-o.

     - Caladas! Ambas! – berrou ao abrir a porta e Min fazer uma cara de surpresa, empurrou-me para dentro.

     Min-Hee estava sentada na minha cama sua perna quebrada apoiada num puff, comendo uma pizza de Pepperoni, o aroma maravilhoso somado a minha fome implacável me fizeram esquecer a vida Fitness e comer quase três pedaços enquanto jogava conversa fora com a Min.

     - E você já decidiu o que vai fazer sobre sua apresentação mundial em Março? Sua perna ainda não vai estar boa? – perguntei a ela antes de dar uma mordida.

     - Eu conversei com a equipe, tem muitas regras... Eu vou levar no mínimo uns cinco meses até estar totalmente curada.

     - Nossa – exclamei antes de engolir – Por que tanto tempo assim?

     - Dois meses com o gesso e no mínimo uns 3 em fisioterapia. Mas de qualquer forma eu vou ter que ir para a Coreia no final desse mês...

     - E quem vai te substituir? – perguntei ao pegar mais um pedaço.

     - Esse é o problema, a equipe está completa... Não podem chamar outro dançarino da Academia, é contra as regras – ela deu de ombros, um pouco chateada – Eu teria que encontrar alguém... E talvez...

     Então ela parou, começou a mirar o nada, ficou alguns segundos assim e antes de eu ficar realmente preocupada ela começou a gritar comemorações em coreano, me encarando depois com um sorriso enorme e os olhos cheios de expectativas. De inicio eu não entendi, encarei-a de volta com cara de “Amélia”, esperando explicações. Min-Hee segurou minhas mãos, como quem estivesse implorando e a ficha caiu:

     - Não – neguei com a cabeça rapidamente, minha voz soava mais alta do que deveria – Não mesmo, sem chances!

     - Zoe, por favor! Eu faço o que você quiser! Eu juro! Eu preciso muito, não tenho mais ninguém...

­     - De jeito nenhum, Min! Impossível - eu levantei da cama, não queria nem pensar na possibilidade – Min eu não posso!

     - Zoe, por favor! Eu nunca te pedi nada!

     - Min eu larguei à dança há seis anos! Seis anos! Eu não posso simplesmente “voltar”- rebati andando de um lado para o outro, contrariada.

     - Mas...

     - Não, Min! Eu sou um completo desastre! Seria um completo desastre, acredite.

     - Desastre maior que uma perna quebrada? – ela vociferou, apontando com a cabeça para a perna esquerda engessada, coberta de desenhos feitos artisticamente por mim, por Trevor e por Rebeka.

     - Eu não posso – quase chorei, aquele era um assunto ao qual eu ainda era sensível demais, desistir de dançar foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer, não estava pronta para aquela enxurrada de sentimentos.

     Sua expressão de suplica deu lugar a um sorriso triste, suas sobrancelhas arquearam e ela suavizou-as depois:

     - Zoe, me desculpe, eu não pediria isso a você se não fosse realmente importante para mim... Estou desesperada.

     Abri a boca para responder, mas antes disso Trevor abriu a porta de súbito.

     - Que gritaria é essa aqui? Pensei até que fosse um surubão!

     - Stop, Trevor, não estamos no clima para piadinhas – avisei, escondendo o rosto com as mãos ao abaixar a cabeça.

     - Arre! Que grosseira! Falem mais baixo ou meu Crush vai pensar que sou hétero, morando com duas loucas – fechou à porta e saiu.

­     - Desculpe – ela sussurrou, sentou-se sozinha em sua cadeira motorizada e saiu do quarto em silêncio.

      Comecei a lembrar dos meus 15 anos, quando minha mãe me deu de presente sapatos de bailarina, a primeira aula de todos os diferentes estilos que estudei. O dia em que conheci o Steven... As lágrimas já deslizavam serenas quando eu pensei na minha última apresentação, quando eu rompi com a dança por puro orgulho; As lembranças eram mais nítidas do que eu esperava, uma vez que eu me esforçava ao máximo para evitar pensar nelas, eu poderia jurar que senti cada movimento das coreografias que criei com o Trevor quando ele era meu treinador, a tristeza me deu sono, dormi em pouco tempo.

     Pela manhã agradeci aos céus por Min-Hee não ter tocado no assunto, eu não queria magoá-la tão pouco queria magoar a mim mesma. Estava me sentindo vulnerável e desamparada com tudo que estava acontecendo, não sabia o que fazer: um namorado falso que me enganou sem motivo aparente e o pedido de uma amiga desesperada ao qual não conseguia atender. Eram 6h em ponto, vesti minhas roupas formais do trabalho e parti, o dia seria longo. Eu amava meu trabalho, mas fiquei desanimada ao lembrar que teria que defender duas esposas na ação judicial litigiosa (ou seja, ambas me deram duas opções: ou eu arranco até o último centavo junto às últimas calças deles ou eu arranco até o último centavo junto às últimas calças deles), sem querer me gabar muito, porém, isso era algo que eu realmente era muito boa.

     O dia passou voando, eu já estava indo para à academia. Venci as duas causas, o que não era novidade já que eu costumava saber o ponto fraco dos homens, costumava também gabar-me desse “dom”, Steven me mostrou que eu estava errada novamente. Senti meu coração apertar, não consegui identificar se era mágoa ou raiva. Engoli seco e entrei no chuveiro particular da sala do Trevor. Vesti-me rapidamente e malhei por duas horas, quando terminei ainda eram 23h, ele só iria para casa depois da 00h00 então me encaminhei para o salão de dança e encontrei-o guardando equipamento:

     - Zoe, hey! – exclamou jogando os trampolins no armário – Que milagre!

     - Palhaço, vai quebrar tudo mesmo – respondi quando cheguei até ele que me olhou com sua cara normal de “academia é minha” e “a rainha sou eu”, joguei o peso do corpo para a perna direita, apoiando as mãos no meu quadril.

     ­- Eu conversei com a Min-Hee...

     - Não Trevor, por favor, não quero falar sobre isso – cortei-o.

     - Eu só quero que entenda que essa é uma ótima oportunidade, Zoe – rebateu – Ninguém está te pressionando.

     Sua voz transparecia calma e paciência, como se esperasse que essa fosse minha reação, ele me conhecia muito bem.

     - Você ainda tem três semanas para pensar melhor... Mas pense sobre isso, ok?

     - Trevor – preparei a cara de choro – Não quero passar por aquilo de novo...

     - Quem teme o ridículo nunca chegará ao extraordinário...

     - Vai filosofar na casa da puta que pariu – ralhei, me jogando no chão, exausta.

     Ele caminhou até mim, sua expressão agora parecia a de quem iria me bater até eu virar a Joelma. Ignorei-o, continuando em silêncio ele se deitou ao meu lado, instintivamente apoiei minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater acelerado.

     - Eu estou com medo... De falhar de novo, sabe? – admiti, tristonha.

     - Porque você é idiota – afirmou – Por isso está com medo, Cobra.

     - E se for um desastre de novo...

     - E se for à oportunidade de você voltar com seu sonho?

     Tocou na ferida, senti a pontada no fundo do heart, para escapar mudei de assunto como quem não queria nada:

     - E o seu boy de ontem? – passei o braço sobre a cintura dele, abraçando-o com força.

     - Gatíssimo, depois te mostro a foto... Lindo de morrer, mesmo! Ah! Falando em boys maravilhosos... Você podia me arranjar o número daquele seu colega de trabalho, o ruivinho...

     - Que fogo na periquita, Trevor! Céus! Sossega essa xana! – reclamei severa – Você ainda está saindo com o Crush e já quer outro?

     - Melhor que um boy são dois boys, agora sai de cima de mim ou vão pensar que eu sou hétero!

     Ele me levantou, saímos antes do horário rotineiro de Trevor. Como Sydney ficava linda à noite e como eu era louca por aquela cidade maravilhosa. Olhei para Trevor e ele me deu um sorriso esplêndido de quem sabia o que se passava na minha mente: era cedo demais para dormir. Passamos em casa, trocamos de roupa e pegamos Min-Hee. Fomos curtir o que a Austrália oferecia de melhor à sexta-feira à noite.


Notas Finais


Oi poderosas!!! Espero que tenham gostado, comentem aí ☻♥


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