História Keep Me Alive - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik
Tags Bdsm, Imortalharry, Larry, Niziam, Revezamento, Ziam
Exibições 114
Palavras 7.590
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Harem, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heeeeyyyy gnt
Mals pela demora, ando atolada pela escola e fico o tempo td vendo supernatural, to fazendo maratona das 11 temporadas e ainda estou na 7, mas eu arranjei um tempinho para escrever e vou tentar não demorar tanto da proxima vez
Enjoy xx

Capítulo 13 - Descobertos


(Londres – Terça-feira, 18/05/15)

 

Harry estava, como sempre, sentado na sua cama e olhando para o quadro do rosto sorridente de William que ele havia pendurado do lado da janela. Todo dia ele olhava para aqueles quadros, ele tinha dez no total, mas quando saiu da mansão só conseguiu pegar dois, os seus favoritos. Ele lembrava-se de ter os quadros pendurados em uma parede de seu quarto na mansão, mas Nicholas quase não ia em seu quarto porque sempre era solicitado no quarto dele, então ele nunca deve ter percebido os quadros. Quando se encontrava com Nick sem ser no quarto dele, era na sala de música, na sala de jantar ou no salão de festas.

Aquele salão de festas...

Harry estava agoniado, estava cansado de ficar naquele apartamento e estava com tanto tédio que se fosse um mero mortal ele já estaria morto. Sem conseguir se segurar mais, Harry se levantou e vestiu-se apropriadamente com uma camisa social branca, um blazer preto, calça skinny preta, uma bandana preta ao redor do pescoço e botas St. Laurent. Ele sempre se vestia assim, mas o que ele poderia fazer se a maior parte de suas roupas eram com estampas estranhas ou a cor preta? Preferia, ao sair, usar roupas pretas para que não se destacasse na multidão.

Pegou seu celular, os fones e olhou para as chaves de seu carro, mas decidiu que andaria um pouco. Colocou as músicas no aleatório e saiu da casa, era perigoso sair andando por aí com fones, vai que ele não percebia Nick ao seu redor ou alguém que ele conhecesse acabasse o reconhecendo e o entregando para o maldito, mas ele não conseguia mais ficar trancado naquele apartamento.

Enquanto andava pelas ruas de Londres, ele sentiu seu celular vibrando no bolso da calça e estranhou quando viu que quem estava o ligando era Liam. Coisa boa não podia ser. Hesitante, Harry desligou a música e atendeu a ligação, olhou ao redor apenas por precaução.

– Oi Castiel. – Liam o chamou pelo nome falso que eles inventaram para que pudessem se corresponder sem que Nick percebesse.

– Nick está por perto?

– Sim. Aqui em Londres o tempo está um pouco fechado. – Harry suspirou. Aquilo significava que eles estavam andando pelas ruas e havia o risco de que acabasse se encontrando com o maldito. Olhou ao redor novamente, mas não viu nada.

– Eu acabei saindo um pouco porque estava entediado. Você me viu ou algo assim? Estão a pé ou de carro?

– Sim e acho que nos encontramos em breve. Precisamos marcar de correr um pouco. - Harry resmungou e então avistou Liam de longe dobrando a esquina de mãos dadas com Zayn, este olhou diretamente para Harry e então ele sussurrou no telefone:  – Corre. – Harry percebeu Cara dobrando a esquina também, mas ela não o percebeu e então o maldito apareceu em seu campo de visão. Harry virou e começou a andar mais rápido para qualquer lugar que fosse longe deles. A ligação havia caído, guardou o celular no bolso e desejou muito está de carro para poder se esconder atrás dos vidros escuros. Ele acabava esbarrando em todo mundo, murmurava vários “sinto muito”, “me perdoe” e “ com licença”, mas ele sentia como se Nick estivesse bem atrás dele e fosse tocar em seu ombro a qualquer momento.

Já fazia muito tempo, mas Harry estava sentindo algo estranho em seu peito... era o medo. Ele estava com medo de que Nick o encontrasse. Seus olhos começaram a lacrimejar e ele estava respirando com dificuldade. Tentou atravessar a rua para que pudesse ficar longe deles, mas se ele se virasse Nick poderia percebe-lo, até porque ele conhecia o rosto de Harry muito bem. Seu celular começou a vibrar novamente e aquilo estava o deixando em pânico. Pegou o celular, mas acabou esbarrando em alguém e o deixou cair.

– Hazz? – Com o coração na mão, Harry olhou para frente e viu Louis o olhando sorridente. Este se abaixou e pegou o celular, mas ao se levantar e olhar para o amigo percebeu o pânico nos olhos dele e isso o fez se aproximar hesitante. – O que aconteceu? – Harry olhou disfarçadamente para trás e percebeu que eles estavam quase passando ao seu lado, faltava pouco e ele seria visto. Havia apenas uma coisa a se fazer.

– Louis, me prometa algo. – Falou, pela primeira vez, rapidamente e isso fez com que o menor arfasse.

– Claro.

– Não se afaste e eu te explicarei o motivo depois.

– Motivo para q-... – Antes que pudesse terminar a frase, Louis se surpreendeu quando o cacheado colocou as mãos na sua cintura e o puxou com certa força para perto dele, arfou quando seu peitoral bateu contra o do maior e arregalou os olhos quando Harry se inclinou e o beijou. Sim, beijou. Os lábios rosados e que ele sempre olhava enquanto o mais alto contava as histórias estavam agora o beijando.

O que estava acontecendo? Era essa pergunta que se repetia em sua mente. Não foi um beijo de verdade, foi um simples roçar de lábios bem demorado. Colocou as mãos no peitoral do maior e tentou empurra-lo, mas este apertou sua cintura mais firmemente e fez com que ele suspirasse nos lábios macios dele. Era errado ele querer sentir aqueles lábios o beijando de verdade? Seria estranho se ele falasse que a textura daquela boca lhe era familiar? Como se já a tivesse beijado milhares de vezes antes? Acabou cedendo e pressionou seus lábios contra os do maior. Aquilo surpreendeu Harry e o fez entreabrir a boca, querendo que Louis correspondesse ao beijo, mas aquilo era errado, ele estava o usando para despistar Nick, mas queria tanto beija-lo. O peso em sua consciência o machucou mais quando sentiu a mão quente de Louis em seu pescoço, mas algo gélido também o tocava... era a aliança de casamento dele.

Harry sentiu uma mão passando por suas costas e aquilo foi um sinal, era a mão de Liam que estava o avisando que tudo estava bem. Harry apertou a cintura de Louis mais possessivamente e então – com muito esforço – soltou o menor e se afastou dele, mas não antes de pegar o seu lábio inferior com os dentes e mordisca-los. Ao olhar para frente, viu que o maldito e os seus três amigos já estavam se distanciando. Quando voltou a olhar para Louis, este estava olhando para baixo, os olhos arregalados e perturbados, a boca entreaberta e o rosto todo vermelho.

– Lou-

– N-Não diga nada, eu vou apenas fingir que isso não aconteceu. – Murmurou ainda surpreso, os olhos arregalados não conseguiam olhar para o cacheado de tanta vergonha, mas não é como se ele nunca tivesse ficado com homens, mas esse seu passado obscuro era apenas passado e agora ele é hétero.

– Me desculpa, depois eu lhe explicarei porque tive que fazer isso.

– Porque não explica agora?

– Você ainda não está preparado. Enfim, aonde está indo? – Louis finalmente olhou para o maior, a boca estava ligeiramente vermelha devido a mordida que ele deu e os lábios entreabertos eram amaciados pela língua o tempo todo de forma nervosa, assim como ele não conseguia sustentar seu olhar nos olhos esverdeados por muito tempo.

– É meu horário de almoço. – Respondeu simplesmente, ainda estava atordoado com o beijo que havia recebido. Mas, o que mais estava fazendo com que sua cabeça girasse era que ele o beijou para despistar alguém, isso estava bem óbvio, mas as únicas pessoas que ele viu e que parecia que Harry conhecia era o James e o Javadd e eles estavam acompanhados por um homem e uma mulher que ele não reparou muito, mas porque Harry tentaria despistá-los?

– Me desculpa por interrompê-lo, eu vou voltar para casa, mais tarde aparece lá. – Murmurou de forma apressada e isso deixou Louis espantado, era estranho ver o maior falando de forma rápida e isso significava, pelo que parece, que algo estava o atormentando e o deixando ansioso, ele olhava para os lados e parecia ver se alguém estava por perto. Isso estava intrigando muito o menor, mas não o perguntaria nada, era a vida dele e Louis não tinha porquê se intrometer.

Quando Harold se afastou, Louis levou – hesitantemente – o seu indicador até os seus lábios, ele não sentia mais o gosto do selinho demorado que o maior havia lhe dado, mas gostaria de sentir mais. Espera, o que ele estava pensando? Ele era casado, aquilo nem mesmo podia ter acontecido. Ele é um homem, não pode mais se relacionar com homens e trazer mais desgraça para a sua família. Ele ainda podia sentir as mãos grandes do maior o puxando com certa força para perto de si, a forma possessiva como ele pegou em sua cintura e apertou. Mas ele não podia pensar nisso. Era errado.

Afinal, pelo que parece, quando Harold olha para ele consegue apenas ver o William Tomlinson e não o Louis Tomlinson. Ele sentia que era apenas uma sombra de seu antepassado, mesmo que ele já tenha morrido há séculos.

 

(x)

 

– O que vocês estavam fazendo ali? Devia ter me mandado uma mensagem ou algo do tipo para que eu não saísse de casa, eu já estou morrendo de tédio trancado aqui. – Resmungou com Zayn pelo telefone. Seus cabelos estavam presos em um coque, vestia apenas uma cueca boxer branca e estava no quarto olhando para o nada. Sua mente estava entrando em colapso de tanto tédio e ele sentia que a qualquer momento poderia quebrar o efeito do elixir e definitivamente morrer de tédio.

Porque não sai de Londres? Sei que tem casas em outros lugares, tenta sair um pouco daqui para que ele esqueça um pouco e pare de pensar que você também está na Inglaterra. – Harry suspirou. Como ele queria sair de Londres para que pudesse despistar o maldito, mas ele não podia.

– Não dá... – Choramingou.

Porque? Vai falar que é por causa do William?

– O nome dele é Louis e sim, é por causa dele.

Harry, se já deu merda com o William, imagina com o Louis. E pelo que eu percebi ele é casado, não vai ser uma boa ficar correndo atrás dele. Já pensou se ele ter filhos? Você quer mesmo arrancar um pai de crianças inocentes?

– Ele não é pai. – Resmungou, algo em seu estômago se revirava em desgosto e nojo só de imaginar o seu Louis deitando-se com qualquer outra pessoa, ainda mais se for a Danielle, ele não havia gostado da mulher e ela tentou tirar Louis de perto dele.

Pense bem antes de acabar com um casamento de anos apenas pelo seu egoísmo. Harry, ele não é o William.

– Eu sei que ele não é o William! – Rosnou.

Não é o que parece, deixe-o em paz e saia da Europa, é pelo seu bem que estou te dizendo isso. – O moreno suspirou frustrado. – Você quer mesmo ser recapturado pelo Mestre? – Desta vez o cacheado suspirou, estava cansado, muito cansado. Em sua mente, ele pensava em, assim que terminar de contar as histórias para Louis, se entregar a Nick e aceitar todos os castigos que receberá por ter fugido durante décadas, ele estava até pensando em pedir ao seu mestre para que o matasse, não conseguia mais conviver com a imortalidade e ele preferia morrer ao ter que presenciar a morte de Louis, seria como se presenciasse a morte de William novamente. Ele não conseguiria aguentar tanta tristeza novamente.

– E se eu estivesse disposto a me entregar ao Nick? – Perguntou com a voz cansada, massageando a ponte do nariz e mantendo os olhos fechados de tanto estresse. Se ainda sentisse algo, estaria com uma grande dor de cabeça.

– Está louco? Sabe o que ele faria se você se entregasse?

– Se ele estiver disposto a me matar, eu aceitarei de bom grado. Estou cansado Zayn e quero poder descansar.

Pense bem sobre isso e tire essa ideia idiota da cabeça. Depois a gente se fala, beijos. – Harry murmurou um “beijos” e desligou o celular. Com um logo suspiro, jogou o seu celular na cama e resmungou vários xingamentos, acabou sussurrando um “desculpe” por ter xingado e então vestiu um short porque já estava chegando o horário que Louis aparecia.

Louis...

Ele havia se esquecido completamente que havia o beijado.

Seu rosto alvo começou a corar ao se lembrar da cena... ele havia beijado Louis! Como ele explicaria ao Tomlinson que o beijou para despistar o Nick? Não tem como explicar o porquê daquilo sem que Louis acabasse descobrindo que ele é imortal. E agora? Seu rosto queimava ao imaginar olhar para o de olhos azuis, a culpa pesava mais em seus ombros e ele sentia-se mal.

Sua mente era uma bagunça. Havia horas em que ele apenas queria que Louis se separasse da mulher e ficasse com ele, que faria qualquer coisa para que isso se tornasse realidade, mas havia outra parte dele que se sentia culpado por fazer certas coisas – como ter o beijado – e sente-se pior ainda quando pensa que ele pode fazer um casal se separar depois de anos juntos. O de olhos azuis merecia ser feliz e se ele ficasse infeliz por Harry ser o pivô de sua separação, ele morreria.

Ele não aguentava mais ficar em seu apartamento.

 

(x)

 

Depois que o horário de almoço de Louis terminou, ele retornou à livraria com o olhar perdido e opaco, como se tivesse visto a morte no caminho para o restaurante que costuma sempre comer e isso espantou os outros dois funcionários que haviam sido contratados de meio expediente para integral. A livraria costuma sempre abrir cedo e fechar as 06:30 PM, mas agora Louis ficava até as 03 PM para que fosse a casa de Harry, então os outros funcionários chegavam mais tarde para que pudessem ficar até o horário de fechamento.

Tommy – que era namorado de sua irmã Lottie – e Stan encaravam Louis espantados, seu semblante sempre era alegre e radiante quando estava na livraria, ele adorava o cheiro de livros misturado com o cheiro de cafeína e isso o deixa feliz o dia inteiro. Depois de seu horário de almoço ele ficava mais feliz ainda porque depois de algumas horas ele se encontraria com seu amigo, Harold.

– O que aconteceu Lou? – Stanley perguntou primeiro. Aproximou-se do amigo e tocou em seu ombro, o menor se assustou e deu um pequeno pulo que assustou o amigo ao ver a sua reação. – Lou?

– D-Desculpa, aconteceu uma coisa um tanto inusitada na rua e eu ainda estou um pouco perturbado. – Sussurrou. Stan franziu o cenho, era raro algo abalar tanto o seu amigo se isso não tivesse a ver com sua família.

– Aconteceu algo com a sua família? – Louis o olhou espantado e negou com a cabeça rapidamente, um pouco afobado por ainda estar avoado.

– Não, não é nada. – Sussurrou antes de voltar para o seu trabalho.

O resto do dia foi um tanto estranho para os outros dois funcionários, Louis estava sorrindo de forma forçada, ele parecia estar agoniado e muito triste com algo, não parava quieto em um canto e ficava o tempo todo bebendo ou comendo algo, sinal de que ele estava agoniado. O que fez com que os garotos ficassem realmente curiosos e preocupados foi quando ele saiu por alguns minutos para fora da loja e quando retornou estava com cheiro de cigarro, aquilo era um péssimo sinal porque Louis fumava apenas quando algo muito sério havia acontecido.

Quando deu 3h PM, Louis bateu seu ponto e se despediu dos outros dois que continuavam preocupados. Ao sair da loja, Tomlinson suspirou e pegou outro cigarro do maço que ele havia comprado há semanas, já fazia um bom tempo que ele fumava e agora estava fumando o terceiro do dia, mas a nicotina era a única coisa que estava o acalmando – de forma momentânea, mas o acalmava.

Caminhou de forma mais devagar pelas ruas enquanto fumava lentamente e quando foi atravessar a rua se deparou com uma cena estranha, James e Javadd estavam do outro lado esperando para atravessar também e havia um homem ao lado deles, ele era branco, alto – devia ser do tamanho de Harry ou mais alto –, os olhos escuros, a expressão parecia demonstrar superioridade e os cabelos encaracolados estavam em um topete alto. Louis olhou para eles e então o casal o olhou com expressões espantadas, quando o homem olhou para ele pareceu rir em escárnio e isso fez com que o menor fizesse uma careta de raiva.

Quando o sinal abriu, Tomlinson atravessou a rua e o casal junto com o homem também, quando ficou lado a lado do homem, o olhou por baixo, mas sua expressão também demonstrava superioridade e o homem apenas sorria debochadamente. Para Nick, aquele pequeno garoto lhe parecia familiar, mas não era tão importante assim e ele apenas queria encontrar o seu amado e não outra pessoa. Para Louis, aquele homem também lhe era familiar, mas não se lembrava de onde por sua mente ainda estar nublada devido ao beijo que ele se sentia muito culpado por ter deixado acontecer.

Para o casal que olhava tudo do lado, eles apenas sabiam de uma coisa: Harry teria que saber disso e tentar distanciar Louis de Nick ou sobraria para ele também se tentasse comprar briga com o ex-Duque.

 

(x)

 

Quando Harry abriu a porta para Louis, ele estava com a cabeça baixa e o rosto todo avermelhado, Tomlinson estava com o rosto erguido em uma expressão irônica – igual à que Nick fazia antes de repreender Harry por ter feito algo de errado – e com uma mão na cintura, mesmo sendo menor, ele conseguia ser bem intimidante. Louis entrou no apartamento e colocou a mochila no canto e se posicionou no meio da sala, as mãos na cintura, o tronco ereto, a cabeça erguida, o lindo rosto dele continuava na expressão de raiva e ironia e os maravilhosos olhos azulados estavam mais escuros e raivosos. Harry estava quase se ajoelhando na sua frente para pedir perdão.

– Okay, antes eu gostaria de saber porque fez... aquilo... no meio da rua. – Falou tentando manter a voz firme e sem corar. Harry fechou a porta e ficou em uma distância segura do menor, a cabeça ainda abaixada e extremamente envergonhado pelo que havia feito, mas era preciso para que Nick não o visse.

– Me desculpe, eu não fiz por mal. E-Eu... eu não sei nem como explicar, tinha uma pessoa me perseguindo e eu fiz aquilo para que ela parasse. – Inventou a primeira desculpa que veio em sua cabeça. Já havia se passado tanto tempo desde que ele foi repreendido que nem mesmo se lembrava como era mentir e ele sempre foi um péssimo mentiroso. Aquilo pareceu colar porque Louis desfez por alguns segundos a expressão de raiva, mas retornou com ela ao perceber que havia sido usado. Claro, ele já desconfiava de que havia sido usado para algum propósito como esse, mas saber a verdade ainda doía muito.

– Isso não justifica você ter me usado. Eu sou casado e nós somos amigos, agora eu terei que ficar na defensiva quando estiver com você? Eu pensei que poderia confiar em você. – O timbre da voz demonstrava toda a sua decepção e aquilo doeu muito em Harry, doeu mais do que qualquer castigo que já tenha recebido.

– Me perdoe, eu não fiz por mal. – Murmurou com a voz quebrada, mas isso não abalou o menor.

– E se alguém que eu conhecesse tivesse visto aquilo e contasse a minha esposa? Como eu explicaria isso? – Continuou a falar e Harry, por se ver sem escolha, se abaixou e ajoelhou-se na frente de Louis, a posição que ele já ficou milhares de vezes, sentado nos calcanhares, as pernas levemente separadas, o tronco ereto, as mãos juntas no colo e a cabeça abaixada. Tomlinson, ao ver o homem se ajoelhando franziu o cenho e arfou. A expressão dura e raivosa não estava mais em seu rosto, o espanto havia a substituído e as mãos caíram de sua cintura. – Mas que porra...?

– Me perdoe, eu prometo que isso não irá se repetir. – Sussurrou, mas Louis conseguiu entender perfeitamente. O menor não sabia como reagir, ver uma pessoa se ajoelhando na sua frente para pedir perdão era inusitado, aquilo nunca havia acontecido e para ele aquilo era demais.

– N-Não precisa disso. Levante-se. – Harry obedeceu, os olhos esverdeados não olhavam para os azulados e Louis lembrou-se de algo que ele havia lhe dito, que a imortalidade tem um preço e que este preço era a submissão. Na sua frente estava alguém que ele nunca havia visto, um Harold submisso e que não levanta a voz e nem a cabeça. Aquilo estava o assustando.

– Quer que eu conte as histórias? – Murmurou depois de um tempo que Louis estava o encarando com a boca entreaberta, o menor não sabia como reagir aquilo que Harry havia feito.

– Er... pode ser.

 

(Região de Northumberland – 1812)

 

Harry estava petrificado, seus olhos opacos não conseguiam enxergar nada, sua boca ficou seca, a respiração estava regular – para não falar que estava calma demais –, a expressão neutra não demonstrava seus sentimentos. Ao seu redor todos comemoravam, Niall gritava de alegria por saber que o maldito não se deitaria com mais nenhuma senhorita, Greg suspirava aliviado e suas famílias comentavam felizes, mas Harry continuava imóvel.

Por fora, todos viam Harry apenas parado, como se estivesse pensando a respeito, mas... ninguém o via por dentro.

Por dentro Harry gritava e chorava. Por dentro Harry olhava para cada um daquele cômodo e gritava com eles, olhava para os seus rostos e apenas via o egoísmo deles, não se importavam se alguém estava sendo obrigado a se casar, se importavam apenas com eles mesmos e como a vila seria melhor se William fosse amarrado. Por dentro, Harry estava no canto da sala, as pernas dobradas contra o peito, as mãos arrancando os cabelos, a garganta doendo de tanto gritar e os olhos inchados e avermelhados de tanto chorar.

Por dentro, Harry estava desmoronando.

Ele agora entendia como Niall se sentiu quando Barbara ficou noiva, doía como um inferno, a dor da rejeição não era nada se comparado a essa dor. Era um caminho sem volta, ele nunca mais teria William. Claro, ele sabia que isso aconteceria algum dia, mas logo agora que ele e o Will haviam se entendido isso aconteceria? Não, não pode ser.

Quando Harry sentiu que as primeiras lágrimas escapariam, ele se fechou e engoliu o choro. Olhou para frente e tentou interagir com a sua família. Era a mesma coisa, por fora ele estava conversando, rindo e brincando, mas por dentro ele estava gritando, chorando e sofrendo.

 

(x)

 

Styles ficou preso durante todo esse tempo, aprisionado dentro de si mesmo, mantendo toda a sua angustia apenas para si. Niall percebeu que algo estava errado, Harry estava interagindo normalmente, mas algo estava errado e dava para perceber no seu olhar que estava perdido. Ao entardecer, Harry deixou sua família um pouco e caminhou pelas suas terras até a floresta, caminhou pela trilha e então se sentou na beirada do riacho, aquele riacho havia visto muitas faces do Styles e agora está vendo sua face entristecida novamente. Colocou as pernas junto ao peito e olhou diretamente para o riacho para ver se aquela água cristalina lhe daria respostas.

– Hazz? – Ouviu aquela voz que ele tanto amava o chamando, mas ele não se sentiu feliz, ele sentiu como se uma faca atravessasse seu peito e a vontade de chorar só aumentava. Virou-se e se deparou com uma visão que antes o faria pular em cima de Will, ele estava com os cabelos bagunçados, as vestes sujas e as mangas da camisa arregaçadas, visual de alguém que havia trabalhado o dia inteiro.

– Will? – O chamou com a voz chorosa e trêmula. William se aproximou dele, os olhos azuis acinzentados estavam vermelhos, a expressão cansada e como se ele tivesse envelhecido anos, mas continuava o mesmo homem lindo que ele conhece há dois anos. Tomlinson se ajoelhou e abraçou Harry com força, as lágrimas já descendo pelo seu rosto e manchando a sua camisa. Harry não conseguiu se segurar e soluçou antes que as lágrimas escorressem pelo seu rosto e ele enlaçasse William com firmeza e o puxasse para sentar-se no seu colo.

– Hazz... eu não quero isso. – Sussurrou, a voz quebrada e chorosa fez com que Harry soluçasse mais.

– Quando isso aconteceu? – Tentou falar, mas a voz saiu trêmula e ao ouvi-la tão quebrada, William apertou o mais novo em seus braços.

– Uma semana depois da sua partida. Meu pai está morrendo, o médico disse que ele tem apenas alguns meses de vida e então ele decidiu adiar o meu casamento. Na verdade, eu já tinha uma noiva desde o começo do ano, mas ela é nova e esperaríamos até que ficasse mais velha para que pudéssemos nos casar, mas o caso é urgente e nos casaremos em algumas semanas. – Harry ficou com os olhos fechados, a respiração estava irregular e o peito ardendo como um inferno. Cada palavra parecia doer mais e mais, isso significava apenas que o dia inevitável estava se aproximando e Harry não sabia se aguentaria isso.

– Isso quer dizer que você estava noivo há meses e não me falou? – O tom de voz machucado e magoado do mais novo fez com que Tomlinson desencostasse a cabeça do ombro dele e olhasse diretamente em seus olhos esverdeados que demonstravam toda a mágoa que estava sentindo.

– Eu estava apenas esperando para te contar, eu me casaria com ela apenas daqui a seis anos.

– Seis anos? Quantos anos ela tem atualmente? – Will abaixou a cabeça e suspirou, aquele não era um assunto que ele gostava, mas era Harry que estava perguntando então ele responderia.

– Ela tem doze anos. – Harry arfou. Will abaixou a cabeça, estava envergonhado pela reação do outro, mas ele estava certo, a diferença de idade entre ele e sua futura esposa era grande.

– Ela é oito anos mais nova que você! Ela... ela está muito nova! Ela não está preparada para se casar e ter filhos! Ela não conseguiria te aguentar, seu corpo ainda é frágil e deve ser pequeno. Ela é mesmo sua pretendente? – Will fechou os olhos e assentiu com um suspiro. Styles estava com vontade de chorar, como uma criança poderia ser obrigada a se casar com um homem? Claro que ele não queria que William se casasse porque o ama, mas também estava pensando na garotinha inocente que passaria por isso.

– Eu sei, eu não queria me casar com ela, mas eu estou sendo obrigado. Se eu pudesse falar com quem eu gostaria de me casar, seria com você. – William sorriu docemente para o mais novo, este sorriu timidamente e apertou a cintura do outro que ainda estava sentado em seu colo. Os dois se olharam com intensidade, falando pelo olhar que um amava demais o outro e então se beijaram. Um beijo cheio de emoções e tristeza.

 

(x)

 

Já era domingo, era dia de ir à igreja e, infelizmente, seria o dia em que a noiva de William seria apresentada a vila porque ela estava vindo de uma vila próxima e era de uma família muito rica. Harry estava com uma expressão triste como se estivesse indo a um velório enquanto que todos ao seu redor estavam radiantes enquanto olhavam para a pequena garota ao lado de William. Comparado a Harry, Will era pequeno, mas comparado aquela garota ele era enorme e ele sentia vontade de chorar apenas por ver os dois lado a lado.

Quando o sermão acabou, todos foram para o gramado atrás da igreja e todos aguardavam ansiosos pela apresentação da garota. Os pais dela estavam do seu lado junto com suas quatro irmãs. As duas famílias se posicionaram na escadaria da igreja, a família Tomlinson de um lado e a outra família – por enquanto desconhecida – do outro lado, Will e a garota estavam lado a lado, ele com uma expressão neutra – mas entristecida se reparar bem – e ela sorridente, os olhos brilhando de tanta felicidade.

– Senhoras e senhores – Edward começou a falar de forma orgulhosa –, eu gostaria de lhes informar que daqui a poucas semanas o meu filho se casará. – Todos começaram a comentar, várias de forma alegre e algumas senhoritas ficaram tristes. – Essa é a família Calder, de outro vilarejo desta mesma região. Estes são o Sr. e Sra. Calder e suas filhas Katherine, a mais velha de vinte e seis anos, Marjorie de vinte e quatro anos, Annabeth de vinte anos, Chelsea de dezesseis anos e a mais nova e noiva do meu filho, Eleanor de doze anos.

A reação das pessoas do vilarejo foi a mesma que Harry teve, todos arfaram em surpresa pela idade da garota. Claro, não era incomum o arranjo de casamentos com pessoas com grandes diferenças de idades, mas havia outras quatro garotas mais velhas e ele estava noivo da mais nova e que nem mesmo estava apta para ser uma boa esposa. Várias pessoas começaram a comentar novamente, algumas comentavam como a garota era nova e outras a olhavam com inveja, não conseguiam acreditar que a menor estava noiva de William e este era conhecido em toda a região de Northumberland então muitas senhoritas gostariam de ter o privilégio de ser sua esposa por sua beleza e riqueza.

Harry evitava olhar para o casal, Eleanor era tão pequena que sua altura chegava até a barriga de William e para ela segurar a mão dele tinha que levantar bastante o braço, tinha que levantar bastante a cabeça para que olhasse para ele ou ele teria que se abaixar. Para uma garota de doze anos ela era bem baixa, mas suas outras irmãs eram altas então ela estava propensa a crescer bastante no futuro.

– Vamos findar o noivado. – Sr. Calder disse com a voz calma e levemente rouca. William tirou uma caixinha do bolso de seu paletó e se ajoelhou na frente da senhorita Calder, ficando do mesmo tamanho que ela, e lhe mostrou um lindo anel com uma pedra modesta, mas igualmente bonita. Ver William colocando o anel no dedo dela e logo em seguida lhe dando um selinho foi como se várias facadas fossem desferidas conta o peito de Harry.

Sua mente ficou vazia, ele sentia-se igual à quando descobriu que ele estava noivo, por fora ele estava com os olhos opacos e perdidos olhando para frente mesmo não enxergando nada, a boca entreaberta com a respiração regular e não emitindo nenhum som – diferente das outras pessoas do vilarejo que comemoravam o noivado –, mas por dentro ele estava indo até a escadaria, arrancava o anel da mão de Eleanor e batia com raiva e em prantos no William, estapeava-o mesmo sem ser com força, apenas queria entender tudo o que estava acontecendo.

 

(x)

 

– Você sabe como isso dói? Acho que não, você nunca deve ter passado por uma desilusão amorosa, afinal, você sempre foi o jovem Sr. Tomlinson que todo mundo ama e que adoraria se deitar com ele, dizem que você é maravilhoso na cama e eu sei disso. Acho que você sofre apenas pelos seus pais, nunca sofreu por um amor. Você sabe que eu sofri bastante quando descobri que estava se deitando com as senhoritas, mas essa dor não é nada comparada a dor que senti quando o vi naquela escadaria colocando um anel no dedo daquela senhorita e a beijando em seguida. – O timbre grosso e rouco da voz de Harry era ouvido pelo menor de cabeça baixa, sua voz estava levemente trêmula e aquilo machucava William, mas ele não conseguia pensar em uma solução que o fizesse cancelar esse casamento.

O anúncio do seu noivado havia sido encerrado, as famílias estavam conversando alegremente e, após ver o olhar desolado do Styles, William o chamou com o olhar até a cabana que havia atrás da igreja, ela estava um pouco afastada e mesmo as pessoas estando na campina não poderiam vê-los.

– Eu sei que deve doer, também doí em mim. – Sussurrou.

– Não, não doí nada. Eu... eu estou sentindo tanta dor que não estou conseguindo aguentar. – Suspirou, os olhos fechados e a mão no peito, estava doendo tanto que sua respiração estava mais pesada e ofegante, sentindo uma leve dificuldade ao fazê-la.

– Harry, não faça isso se tornar pior. – Foi naquele instante que o outro abriu seus olhos, eles estavam mais claros e ao redor avermelhados, as primeiras lágrimas começaram a escorrer e ele ofegava e soluçava baixinho, não queria demonstrar sua fraqueza, mas não estava conseguindo se segurar mais.

– Eu terei que ver o casamento da pessoa que eu amo, depois terei que vê-la formando uma família que eu nunca poderia formar com ela, terei que me casar com uma pessoa que eu não amo e depois serei obrigado a ter filhos e estar ao seu lado sendo que eu queria estar ao seu lado. – William se aproximou e o abraçou fortemente, enlaçando os seus braços na nuca do maior e o apertando. Harry enlaçou a sua cintura e o apertou de forma possessiva, não queria larga-lo, não queria entrega-lo aquela senhorita de doze anos, não queria, simplesmente não queria.

– Hazz...

– Eu te amo... – Sussurrou. O menor começou a se aproximar lentamente, os olhos azuis acinzentados estavam famintos para sentir os lábios finos e rosados do maior, enquanto que este apertava a sua cintura e o puxava para mais perto.

– Eu também te amo... – Sussurrou antes que se aproximasse e capturasse os lábios do outro. Harry empurrou William com força contra a parede e o prensou, beijando seus lábios com força e desejo, querendo devorá-lo por inteiro, querendo tê-lo em seus braços eternamente. Will puxava os cachos pequenos de seu amado, agarrava e arranhava o ombro e o braço do maior com sua mão livre e o maior ainda o apertava em seus braços de forma possessiva.

– Filho...? – Alguém sussurrou, a voz desolada e surpresa. Harry, assustado, soltou William e se afastou dele com um pulo, ao olhar para a porta deparou-se com o rosto de sua mãe, uma mão segurava a barra do vestido e outra estava em seu peito, sua expressão era atônita, sua boca levemente aberta e os olhos arregaladas.

– M-Mãe? – Sua mãe se aproximou e olhou bem para os dois, não dava para disfarçar os lábios avermelhados de ambos e muito menos disfarçar o que ela havia visto. – M-Mãe, p-por favor-

– O que? Vai falar para eu não contar a ninguém? – Sussurrou com a voz trêmula, sua mãe parecia segurar as lágrimas e isso fez com que Harry também ficasse com os olhos marejados.

– Me per-doe mãe. Não c-conte isso a ninguém, por favor.

– Porque está fazendo isso meu filho? – Os sussurros dela já estavam o machucando até que as primeiras lágrimas começaram a rolar – Eu te disse, não disse? A família Tomlinson só iria nos trazer desgraça, eu te disse para não andar com ele. – William abaixou a cabeça, sentindo-se mal – Harry, isso é um pecado.

– Eu não ligo se é pecado, eu amo ele. – Anne aproximou-se do filho e lhe deu um tapa no rosto, Harry olhou para baixo, os lábios formando um biquinho e tentando não chorar. Sua bochecha alva começou a ficar avermelhada e os seus olhos avermelhados de tanto tentar segurar o choro.

– Nunca mais repita isso. Esse pecado é hediondo e ainda está cometendo o adultério com um homem noivo. Harry, não foi assim que eu te criei. Eu te criei para ser um homem correto e educado, para ser um bom marido a sua futura esposa e agora você está pecando com esse homem?

– Me desculpe! – William não aguentou mais e soltou, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto e o olhar culpado, Anne olhou para ele com tanto ódio que fez com que Harry se arrepiasse.

– Não ouse falar comigo. Nós falarmos sobre esse assunto quando chegarmos em casa Harry. Agora.

– M-Mas mãe-

– Agora Harry! – Elevou a voz. Harry abaixou a cabeça e suspirou, deu uma última olhada em William e este murmurou um “me desculpe” antes que ele saísse da cabana antes da mãe. Anne olhou para William, seus olhos escuros o olhando com ódio. – Nunca mais chegue perto do meu filho seu imundo. – O nojo em sua voz assustou o Tomlinson, nunca alguém havia lhe olhado com tanto desprezo, nem mesmo os homens do vilarejo o olhava daquela forma. Quando ela saiu da cabana, William sentiu-se tonto e se sentou no chão, as lágrimas escorrendo involuntariamente e sua cabeça doendo muito.

 

(x)

 

Quando os três Styles estavam a caminho de casa o clima estava tenso, Anne não estava sorrindo e contando o que ouviu das outras senhoras como sempre fazia, sua expressão estava raivosa e ela olhava para o filho vez ou outra, Desmond estava estranhando o comportamento da esposa, mas ela apenas lhe deu um olhar de “conversamos quando chegarmos em casa”. Ao adentrarem a residência, Anne pegou Harry pelo braço e este gemeu de dor pelas unhas da mulher que estavam o machucando, ela o puxou até a sala e o empurrou lá. Desmond olhava a cena com curiosidade e surpresa, Anne sempre era a primeira a falar que violência não ajudava em nada e que era melhor castigar o filho dobrando o seu serviço e não o machucando.

– O que está acontecendo? – Perguntou.

– O que está acontecendo? – Anne repetiu aos gritos, não tinha o porquê de ficar se reprimindo em sua residência – Eu peguei Harry aos beijos com outra pessoa naquela maldita cabana atrás da igreja!

– Qual o problema? Ainda não lhe arranjamos uma esposa, ele pode se aventurar um pouco. – Deu de ombros.

– Qual o problema? Diga agora quem era Harry! – Anne gritou com o filho, este deu um pulo de susto e olhava com olhos pedintes para a mãe, querendo muito que ela não fale ao seu pai quem era. – Fale agora Harry! – Gritou novamente e puxou o filho pelos cabelos até perto do pai, este estendeu a mão pedindo para que a esposa se acalmasse, mas ela puxava mais e mais os cachos do filho e este estava com os olhos olhando para qualquer lugar que não fosse o pai quando fez o que a mãe mandou.

– W-William... – Sussurrou.

– Fale mais alto!

– William. – A voz trêmula soou mais alta e as lágrimas começaram a escorrer novamente quando viu a expressão confusa de seu pai. Desmond passou uns bons segundos tentando entender até que olhou para a mulher e viu sua expressão de raiva, aquilo era mesmo verdade.

– William Tomlinson? – Perguntou.

– Quem mais seria? Eu estava o procurando e me deparei com ele e o imundo do Tomlinson se beijando de forma depravada naquela cabana. – O tom de nojo era evidente, Harry não viu a reação do pai, mas sentiu quando o pai o puxou pelo braço com certa força e o fez olhar em seus olhos, aquilo o machucou mais que os puxões no cabelo, o olhar de raiva e decepção do pai.

– O que acha que estava fazendo, Harry?! Você é louco?! Acha que fazendo esse tipo de coisa poderá entrar no paraíso? Isso é um pecado! – Foi então que uma coisa o espantou mais, seu pai lhe deu um soco no rosto com força que só não o fez cair porque este o segurava pelo braço. – Você acha que é normal um homem deitar-se com outro homem? Isso é um pecado! Sabe que o Sr. Tomlinson está noivo e mesmo assim faz essas coisas depravadas? O que acha que aconteceria com você e o Sr. Tomlinson se fosse outra pessoa que os encontrassem? Responde a minha pergunta!

– S-Seriamos mor-tos. – Sussurrou, a voz quebrada e os olhos baixos, não se sentindo no direito de olhar para os próprios pais. Desta vez um tapa foi desferido em sua outra bochecha, o rosto avermelhado por causa das lágrimas e dos tapas e soco.

– Exatamente! Há quanto tempo isso vem acontecendo Harry?

– Alguns meses... – Outro tapa foi desferido.

– O pecado já está impregnado em seu corpo, deve ter se deitado com um homem como se fosse uma mulher! Eu tenho desgosto de chama-lo como filho! Eu nem mesmo sei o que fazer com você! Eu poderia simplesmente falar ao padre e que você fosse punido por ele, mas eu não consigo fazer isso, você é o meu filho e mesmo tendo desgosto, eu ainda o amo, você é sangue do meu sangue, meu único filho, era para ser o meu orgulho. – Harry soluçou, todas aquelas palavras estavam doendo mais que qualquer coisa.

– Eu já sei o que fazer com ele. – Anne se pronunciou – Já temos uma esposa para você em mente, Harry, então vamos deixa-lo na mesma cidade que ela para cortejá-la. Você pode ficar com alguns parentes e vamos ter a certeza de que você não poderá sair e nem mesmo encostar ou conversar com outro homem.

Ele queria gritar e espernear, não queria se casar com uma desconhecida e ainda ter que sair de sua cidade para cortejá-la, mas teria que acatar com as ordens de seus pais, eles já estavam fazendo uma coisa boa o bastante que era encobrir os seus pecados e tentar purifica-lo mesmo que um pouco, Harry apenas abaixou a cabeça e concordou, afinal, a cidade nem mesmo devia ser longe.

– Você se mudará para Londres depois de amanhã.

– O que?

Londres? Ele se mudaria para Londres? Não, não pode ser! É muito longe! São semanas de distância e ele teria que viver lá longe de seus pais, sua irmã, seus amigos... seu futuro sobrinho. Não, ele não podia ir morar lá.

– Mas-

– Não Harry, você passará um tempo lá sim e não há o que discutir, te daremos dois dias para se despedir do Niall e da Gemma e então você ficará lá! Só voltará quando estiver casado.

 

(x)

 

Ele não conseguiu ver William durante esses dois dias, mas ele pediu para que Niall contasse a ele o que estava acontecendo, mesmo que os dois não se falassem. Ele passou todo o dia seguinte ao lado de sua irmã, falou o que seus pais haviam lhe dito: que ele ficaria em Londres para cortejar sua futura esposa, a filha da Baronesa Swift, Taylor. Para Niall ele contou a verdade, este falou que era melhor mesmo que ele se separasse de William e tentasse mudar de vida, pelo menos seus pais não havia o entregado ao padre para que fosse morto.

Mas ele não queria se casar, não queria ficar ao lado da tal Baronesa Swift, não queria morar com parentes que nunca tinha visto, não queria simplesmente abandonar as pessoas que amava por pessoas que desconhecia, não queria abandonar sua fazenda por uma casa na cidade. Ele não podia se mudar, mas ele já estava arrumando seu baú para ir até a divisa do vilarejo onde alguns vizinhos o levaria até o porto Londres, os seus parentes estariam esperando por ele lá.

– Já avisamos a eles para não deixar você sair e se for que seja acompanhado, não se aproximará de nenhum homem, apenas da sua futura esposa. – Anne falou novamente enquanto eles estavam na charrete a caminho do local onde se encontraria com os homens que o levaria para Londres.

Ele não queria isso para a sua vida, ficar trancado durante meses ou até mesmo anos dentro de uma casa antes de se casar e poder voltar a Northumberland. O que mais doía era saber que quando voltasse o seu sobrinho já teria nascido ou até mesmo já teria alguns aninhos, Niall já teria se casado também e... William provavelmente já teria se casado ou já teria tido filhos, mesmo que sua esposa seja jovem demais e não engravide tão cedo.

– Tchau meu filho, nos vemos em pouco tempo. – Seus pais falavam, mas aquilo era apenas uma encenação porque seus pais ainda estavam decepcionados com ele, mas tinha que demonstrar orgulho pelo noivado do filho.

E então ele passaria semanas com seus vizinhos na estrada até que chegasse a Londres onde sua vida se tornaria um inferno.

 

(Semanas depois – 1813, Londres)

 

– É aqui, boa sorte com o noivado Harry. – Seu vizinho lhe falou quando o deixou no porto com seu baú, seus parentes deveriam encontra-lo em frente a taberna, mas eles ainda não estavam ali. Harry tinha poucas horas para decidir o que faria, ele havia se lembrado de uma coisa durante o caminho: Duque Nicholas Grimshaw. Ele havia lhe dado uma proposta de emprego na sua mansão, ele poderia trabalhar lá e escapar do casamento, poderia até mesmo ajudar seus pais e sua irmã com o dinheiro que ganharia porque o Duque falou que ganharia bem e moraria na mansão, quem sabe depois de algum tempo ele poderia voltar para a sua casa em Northumberland.

Ao olhar para o lado, Harry deparou-se com algumas pessoas andando e olhando para os lados, provavelmente era os seus parentes procurando por ele. Ele não sabia bem o que fazer, mas sua mente estava em branco e ele tinha que decidir logo se fugiria e iria para a mansão do Duque ou se ficaria infeliz em Londres até que se casasse. Ele entrou em pânico e então deixou o seu baú – que tinha apenas algumas roupas e nenhum objeto de valor – no chão e saiu correndo do porto, indo em direção a parte rica de Londres, mesmo ele não se lembrando direito onde ficava a mansão.

Andou sem rumo pelas ruas até que escureceu e os guardas começaram a ascender os lampiões para iluminar as ruas, ele então reconheceu o lugar e ao olhar para o lado se deparou com a enorme mansão luxuosa e com o brasão do Duque no portão de ouro.

Era ali que ele melhoraria a sua vida.


Notas Finais


Vcs prestam atenção nas datas né? Elas são importantes
Kissus kissus


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