História Ken To Horitsu - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cão, Espada, Katana, Ken, Kenjutsu, Ladra, Samurai, Tóquio
Exibições 18
Palavras 2.228
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Suspense, Violência, Visual Novel
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo lindo e cheiroso de KTH procêis, vossas senhorias! Espero que aproveitem. Eu preciso muito agradecer á alguns amigos de fé aqui do site pelo apoio que sempre me deram e por terem compreendido a minha troca de histórias, pois sabem da minha luta para melhorar como autor e escritor. Á estes amigos, eu desejo tudo de bom nesse mundo, que cada um de vocês tenha muito sucesso e prosperidade na vida. São todos excelentes autores e recomendo as fics de cada um, são leituras divinas e foderosas.

- AfWhite01
- Zephirat
- Lo Leite
- FelicitVongola
- Mahju Jackson
- AlexVongola
- AllyBenner

Cês tão aqui ó, no meu Kokoro! Bora pro capítulo!

Capítulo 2 - Colisão de Honras


Fanfic / Fanfiction Ken To Horitsu - Capítulo 2 - Colisão de Honras

          - MORADA DE AMATERASU! KATORI SHINTO RYU! BATER DAS ASAS DO YATAGARASU!

          Após um rápido e quase imperceptível balanço da sua Katana*, numa fração de segundo quando um risco metálico corta o ar e o leve som da lâmina afiada saindo da bainha se faz presente, uma forte e devastadora ventania atinge em cheio o furgão pela sua lateral. A força do vento vindo de Soichiro foi tão potente que praticamente colidiu com o veículo em alta velocidade e o fez capotar até a outra calçada, sendo empurrado como se fosse feito de papel devido ao impacto da ventania. Tudo aconteceu em questão de segundos e o furgão parou de tombar em cima de uma grande vidraça de uma loja de doces, provocando um enorme e estridente barulho. O mais incrível era a pedestre que em momento algum saiu de onde estava. Inerte. Parecia estar em estado de choque ao ter presenciado aquela cena. Sua bolsa e celular caídos no chão e uma expressão de grande dúvida em seu rosto, apenas seus cabelos foram vítimas da violenta ventania que a salvou de um trágico destino. Estava desgrenhada.

          Voltando a sua katana novamente para sua bainha na cintura, Soichiro caminha tranquilo até a jovem cidadã e se abaixa ao se aproximar dela, recolhendo seus pertences do chão e os entregando á descuidada mulher, que ainda parecia não entender o que acabara de acontecer. Num tom calmo, o jovem aprendiz de Samurai a repreende, tentando não ofendê-la.

- Precisa ter mais cuidado nestas ruas movimentadas, moça! Mais alguns centímetros e a minha técnica por pouco não a faz voar também! Por favor, vá para sua casa e comece a atravessar atenta á estes cruzamentos. Aliás, você está bem? Se machucou?

           A jovem pedestre não respondia e apenas fitava o rosto de Soichiro numa expressão confusa e sem sentido. O rapaz sorriu, consentindo com a cabeça, e então foi surpreendido por um forte, apertado e emocionado abraço da garota, que subitamente se pôs a chorar sobre o peito de Soichiro enquanto tentava agradecê-lo sem soluçar.

- Muito obrigado! Muito obrigado! Muito obrigado! - Lágrimas não paravam de escorrer de seus olhos. Apesar de seu rosto inchado pelo choro, notava-se que era uma bela cidadã japonesa, de cabelos negros e esvoaçantes. Tentava de maneira desajeitada arrumar seus óculos no rosto. Soichiro, sorridente, retribuiu gentil o abraço. Afastando-a devagar o jovem pergunta.

- Como se chama?

- Inoue! Tanaka Inoue! - Responde, secando as lágrimas.
- Srta. Inoue, siga em paz! - Se afastou o jovem aprendiz, andando em direção ao furgão que caíra escorado ao vão da grande janela que havia adentrado. Uma densa e incessante fumaça escapava debaixo do veículo destruído, subindo pelo ar e inundando o trânsito caótico com uma pesada cortina escura. Muitos motoristas saíam de seus carros para conferir o que acontecera e simplesmente não sabiam de nada, um acidente com um furgão onde apenas o próprio se encontrava detonado enquanto não existia um segundo ou terceiro carro acidentado junto á ele. O curioso garoto de kimono preto, cabelos longos e escuros e uma longa espada fina e curta presa em sua cintura era o ponto de interrogação para quem observara o salvamento. Ninguém percebera o movimento da técnica usada por Soichiro, apenas um vento furioso e arrebatador se fez presente. Ainda cauteloso, o jovem se aproxima do furgão e pousa sua mão sobre a porta amassada, abrindo-a com um pouco de dificuldade devido ás ferragens retorcidas na lateral. Após o breve esforço e tampando o nariz para não respirar a densa fumaça, Soichiro olha para o terrível e escuro cenário dentro do veículo arrasado.

            Um homem careca, de barba espessa e com algumas tatuagens em seu rosto e pescoço, estava morto e com sua face cravejada de cacos de vidro. Possivelmente o motorista e deveria ter batido o rosto na janela de sua porta durante o capotamento. Mais ao fundo do furgão, uma jovem loira estava caída e era possível ver sua perna presa sobre uma ferragem retorcida. Seu rosto também sangrava. Quase para fora do veículo pelas portas traseiras, uma garota repousava morta sobre outro rapaz que também havia morrido. Soichiro fechou os olhos, impactado pela tenebrosa visão. Ainda que treinasse para ser um bom Samurai e libertar sua família do controle opressivo de Reiji Miyamoto, seu estômago ainda não se acostumara por completo á sangue e vísceras. Voltando á uma expressão serena, se afastou lentamente do veículo, lhe dando as costas. De repente, um estalo. O som de uma pistola engatilhada ecoa leve, porém chamando sua atenção.

- Você não está morta! - Exclama Soichiro, virando-se para encarar a garota loira e ferida que lhe apontava uma pistola. Mesmo trêmula, parecia decidida e obstinada e não demonstrava dor. Mal conseguia se mover devido á perna enterrada sobre as ferragens e ainda que desconfortável e machucada, não ousava nem piscar os olhos. Sua testa vertia um denso e encorpado sangue. Deveria estar com a visão embaçada.

- Quem... É você? - Indaga Rin, com dificuldade. Puxava longas lufadas de ar enquanto ofegava.

- Por que deseja saber? Já está quase morta, garota! - Respondeu Soichiro secamente. - Aliás você merece morrer pelo que iria fazer contra a srta. Inoue... Eu poderia te poupar do sofrimento e num rápido movimento tirar a sua vida, mas deve sofrer até o fim com as suas atitudes e...

- Corta esse papo, caipira das montanhas! - Interrompeu Rin, abrupta, surpreendendo o rapaz. - Eu... Não morrerei, não enquanto... Conquistar o que é meu... Por direito! - Lutava para não se deixar apagar e sentia a língua enrolar. Em breve não falaria mais nada. Ainda sim mirava o aprendiz na sua pistola. Tentava não tremer e não ceder á um desmaio. - Me tire daqui! Rápido! Ou... Eu te meto uma bala... Na testa...

- Sua mira ainda é tão boa assim? Mesmo neste estado? - Questionou Soichiro. Apesar da ameaça da moribunda meliante, o rapaz não temia. Permanecia tranquilo. - Bom, adeus mulher! - E se afastou, lhe ignorando. O nó no peito por deixar alguém morrer para trás o apertava, porém ele não podia voltar. Não para alguém que esmagaria uma inocente jovem num cruzamento. Era a lei do retorno, você colhe o que planta. Num tremendo esforço, Rin grita.

- Você é louco? - Uma tosse incontrolável a ataca. - Tem uma arma... Apont-tada pra sua cabeça e você... A ignora? Não tem medo de morrer?

- Minha irmã e sensei me ensinou que a morte é como um rio, você não pode parar e não deve interromper o fluxo com as mãos, pois espalhará suas águas para as margens. Preocupe-se com a sua própria morte e deixe que os outros se preocupem com as suas respectivas horas. Aliás, não serei eu a morrer hoje...

- Cala a boca! - Interrompe Rin novamente, decidida e nervosa. - Chega desse moralismo! Já mandei... Me tirar daqui! Eu vou atirar! Está esperando o quê para me ajudar?

- Então atire! - Provocou Soichiro numa expressão calma. Rin arregalou seus olhos. Não acreditou no que acabara de ouvir. Tentando se sentar, a garota continua mirando no jovem.

- Seu desgraçado! Está brincando? - Vociferou Rin, sentindo sua voz ficar mais rouca e seca. - Eu vou atirar mesmo! Não... Me tente duas vezes!

- Atire, ora! - Exclamou o aprendiz. - Estou esperando... Faça o que quiser, eu não vou te ajudar! Faça-o logo, pois tenho uma jornada a seguir e o tempo está passando!

- Maldito! - Rosnou Rin, revoltada. - Que seja! Vá para o inferno, cabelos sedosos! - E apertou o gatilho. Após um leve estalo e o som de clique, a pistola travara. A bala não saíra de dentro da arma. Apavorada, Rin aperta o gatilho várias vezes e nada, a pistola não dispara. Um desespero crescente toma conta de seu corpo e uma tontura começa a lhe subir pela cabeça. Por fim, a arma escorre de suas mãos e cai.

- Mesmo se esta bala tivesse sido disparada contra mim, não teria me ferido! Descanse em paz, mulher... - Num tom seco e indiferente, Soichiro vai embora sem olhar para trás. Numa expressão cansada, o garoto fecha os olhos e começa a se afastar. Ao fundo, o som de uma sirene ecoa e aos poucos vai se aproximando. De longe se podia ver uma ambulância chegando. Finalmente acabou. Porém...

- ICHIMOKU!*

         Soichiro arregalou seus olhos e virou-se rapidamente para Rin, que aos poucos fechava os olhos. Não, não podia ser! Isto era impossível, não estava acontecendo! Como aquela bandida conhecia essa expressão? De onde ouvira? Aquele grito lhe era muito familiar. Aquele xingamento lhe despertou a curiosidade e o espantou, afinal como aquela mulher sabia da "palavra-chave" que qualquer tutor da Shirasagi usava para classificar um mau aluno? Será que conhecera pessoalmente alguém da família de Aomori? Ainda espantado, Soichiro correu para acudir Rin, que cedia á um desmaio. Precisava saber de onde aquela garota escutou o tão famigerado e antigo "Ichimoku!" da Família Shirasagi. Entrando no furgão e a deitando com cuidado sobre o seu colo, Soichiro tenta fazê-la não fechar os olhos, batendo de leve em seu rosto.

- Ei, acorde! - Suplicava o rapaz, desesperado. - Do que você me chamou? Preciso ouvir de novo! Vamos, repita!

- O mapa... - Balbuciava Rin, fraca. - No meu... Bolso.... Um mapa! Tenho que... chegar lá... - E por fim a jovem apagou. Soichiro a sacudiu, tentando acordá-la, porém em vão. O garoto suava frio. Com muito cuidado ele retirou a perna de Rin que estava debaixo das ferragens, erguendo-a. Sentindo o furgão balançando devido ao acidente, Soichiro carrega Rin para fora do veículo destruído e percebe que a ambulância já estava bem perto do local. Colocando a mão sobre o pescoço de Rin para ver se ainda havia batimentos, Soichiro se alegrou ao ver que a jovem não estava morta, mas também era uma questão de tempo. Agora uma batalha terrível e fugas lhe corria pela  cabeça, pois se entregasse Rin para a polícia, se fizesse a coisa certa, provavelmente perderia a chance de encontrar Enma Suzume através daquela mulher. O aprendiz presentia que ela sabia de algo. Porém, e se estivesse errado? Se todo aquele esforço não desse em nada e mais tempo fosse perdido? Fora que seria taxado de criminoso pela polícia de Tóquio por ajudar uma bandida a fugir. Soichiro se lembrava das últimas palavras que ouviu de Nana antes de partir, do juramento que fizera não só á sua irmã como também á todos da Família, incluindo seu bisavô Takuya. Como ele voltaria em desgraça para Aomori? Como deixaria de cumprir uma missão que lhe foi dada? Passaria a ser menos do que um Aprendiz caso não conseguisse. Decidido! O jeito era levar Rin consigo. Bastava saber se conseguiria manter a loira jovem viva. Pegando em seu colo, Soichiro corre com a ladra dali e bem á tempo de os paramédicos chegarem.

          Após pegar o depoimento de vários cidadãos e motoristas que presenciaram o capotamento, a polícia de Tóquio iniciou uma busca nos arredores do local onde, segundo quem observou o ocorrido, um jovem de Kimono preto portando uma espada teria levado uma criminosa desacordada junto consigo. A perícia havia isolado completamente o cruzamento e desviado o trânsito para outra rota. Mais viaturas chegaram para ajudar e o instituto legista da capital aparecera para recolher os corpos de Eric Numeda, Naomi Sakumo e do motorista de fuga conhecido pelo apelido de FlapJack. Um homem muito bem apresentável, de terno e gravata e adornando um colar com um pingente de um olho em seu pescoço anda livremente e calmo pela cena do suposto acidente. Era bem novo, na casa de seus vinte e poucos anos. Expressando um aparente tédio por estar ali, o homem se aproxima de um dos policiais que terminava de anotar o último depoimento de um senhor de idade que também vira tudo. Curioso e sem nenhuma discrição, pega o bloco de anotações das mãos do policial, abruptamente, deixando o oficial da lei intimidado perante tal liberdade.

- Detetive Himura? Quando foi que o senhor chegou aqui...? - Indagou o policial, balbuciando num tom de surpresa.

- Bom, quando uma das maiores cidades do mundo aponta uma emergência interna que a faz sangrar e torná-la menos linda do que é, sempre virei, não é mesmo? - Sorriu o jovem detetive Kokaku Himura. - Bom, em seus relatos, há a descrição da arma que o suposto jovem que levou a ladra carregava consigo, era uma espada, não?

- Sim, senhor! Mas o que isso tem a ver com...

- Poderia me descrever com precisão esta espada? Digo, pela unanimidade do povo presente aqui? - Exclamou Himura, demonstrando mais interesse.

- Bom, segundo os vários testemunhos, seria uma espada bem longa, porém estava embainhada... Muitos disseram que era preto a cor da bainha e havia um pássaro estampado nela e era bem visível, como um símbolo. Algumas pessoas que chegaram próximas ao incidente relataram que por um momento o espadachim havia salvado uma mulher de ser atropelada por este furgão...

- Muito bem, quero que descubram quem é esta mulher e onde ela está, isso é prioridade máxima, entendido? - Ordenou ríspido o Detetive.

- Senhor, mas e o espadachim e a ladra...

- Deixe-os comigo! - E sorriu, empolgado.


Notas Finais


Glossário Delícia :)

Katana - Espada característica dos Samurais, mais alongada e curvilínea. Porém não é a única arma que os Samurais utilizavam.

Ichimoku - "Visão Curta" ou "Visão Breve". Xingamento dos mestres da Shirasagi aos que não compreendem uma idéia geral de uma situação e só vêem um ponto.

Até o próximo capítulo, abraço!


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