História Kira Chronicles - Red Sand - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Aventura, Corrupção, Drama, Luta, Magia, Poderes, Romance, Universo Alternativo
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Palavras 8.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Shounen, Super Power, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Queria ter postado esse antes de ontem, mas o site não deixou por algum motivo, então vou postar agora e mais tarde posto mais um

Boa leitura :)

Capítulo 3 - A disciplina do valentão


Fanfic / Fanfiction Kira Chronicles - Red Sand - Capítulo 3 - A disciplina do valentão

Skyie sabia que se Kira passasse de meia-noite jogando ele ficaria a noite toda acordado, então ela não foi o acordar. O garoto se arrumou lentamente e acabou saindo atrasado de casa, algo não muito problemático para ele. Kira usou seus poderes e chegou aos portões do Magna Opus antes de Lisanne, então foi a vez dele esperá-la. Não tardou e a garota apareceu, surpresa não só com a antecedência dele, mas também com a cara de acabado.

-Bom dia! – Ele disse da melhor maneira possível.

-Bom dia... O que aconteceu? – Lisanne se aproximou do rosto dele, perigosamente.

-Eu virei a noite jogando, acho que tenho problemas mentais ou algo assim – Ele se afastou instintivamente para evitar um beijo provavelmente indesejado. Na mente dele Lisanne era tão inocente quanto ele, na mente dela se passava o mesmo sobre Kira. Os dois estavam certos.

-Não fale assim de si mesmo. Eu não consigo ficar acordada durante tanto tempo, meu cérebro não deixa.

-Deve ter algo a ver com o estresse que você põe nele, o coitado precisa descansar.

-É, acho que sim – Lisanne entrou nos colégio e foi seguida de Kira.

-Você não espera um aluno novo chegar para dar as primeiras instruções á ele? – Lisanne gargalhou da pergunta inusitada do garoto.

-Eu sou a Presidente do Grêmio, Dominiqué sempre me diz quando um aluno novo está para vir ou quando um antigo está para sair, eu ajudo-a a cuidar desses assuntos. Esperei por você na segunda, pois sabia que você estava vindo. Além disso, ninguém é idiota o bastante para mudar de colégio no último mês.

-Ei! – Kira resmungou.

-Oh, é mesmo, você mudou de colégio no último mês, desculpinha! – Lisanne deu um sorriso amarelo e continuou o trajeto para a sala de aula.

-Ei Lisanne, antes de continuarmos quero te fazer uma pergunta.

-Diga.

-Ollie gosta de Mary? – A garota parou em frente a porta da sala.

-Algo me diz que sim, mas até que se prove o contrário, acreditarei que não – Ela sorriu e abriu a porta, vendo apenas os dois citados anteriormente nas cadeiras do fundo, um atrás do outro como o de costume.

-Bom dia Mary – Eles passaram pela ruiva e Kira a cumprimentou, ela apenas acenou para ele e voltou a olhar a janela, sempre ouvindo música, e sempre com Ollie olhando ela e Kira.

-Que pena que está com sono, provavelmente não participará da aula de educação física – Lisanne estava virada de frente para Kira, que somente agora se lembrou da aula.

-Eu não perderia essa aula por nada! Mesmo que eu queira dormir... – O cérebro dele estava dividido entre preguiça e força de vontade.

-Isso que eu chamo de determinação – A professora de educação física entrou na sala. Alta, morena e de corpo chamativo ela se pôs de pé em frente á mesa do professor e pegou sua lista de chamada. A manhã inteira seria de educação física, enquanto a tarde seria de aulas teóricas.

-Quem eu chamar quero que se dirija á pista de atletismo, ouviram bem? – A voz firme e ao mesmo tempo feminina ecoou pela sala de aula, recebendo em troca a concordância dos alunos. Jessie, a professora, começou a chamada, e um por um os alunos iam para a gigantesca pista de atletismo até não sobrar mais ninguém em sala.

A pista era de 200 metros em linha reta e os alunos esperavam as instruções no ponto de partida, para a sorte deles ainda era cedo, então as nuvens cobriam o céu e amenizavam o calor. Jessie não era uma estranha para Kira, afinal ela mora de frente para a casa deles e é uma velha amiga da família, eles dois se dão bem e ela de certa forma ajudou Kira á treinar antes de ele ir para o Japão.

-É o seguinte, formem duplas. Um da dupla carregará o outro até o final da pista, quando chegarem lá o segundo da dupla carregará o primeiro de volta. Simples, rápido e fácil. Quem chegar primeiro ganhará um ponto na média final. Agora se arrumem! – Jessie gritou e Mary se grudou em Kira antes mesmo de Lisanne se virar.

-Sai que esse é meu – A ruiva pegou Kira pelas melhores opções possíveis. Ele é rápido e estava bem ao lado dela, que queria evitar Ollie de todas as formas.

-Ei! E eu faço com quem? – Lisanne cruzou os braços.

-Se vira! – Mary estava sendo rude, mas um rude “amizade”.

As duplas se formaram, Lisanne faria dupla com Kenny, um garoto que, assim como Kira, adora a aula de Educação Física, mas odeia quando o assunto é corrida por não é o forte dele.

-Faremos assim, primeiro você me carrega, ok? – Kira planejava com Mary enquanto os outros alunos se aqueciam. A turma era grande, cerca de trinta alunos, a maioria já havia passado de série e só ia para a escola por diversão, aproveitando os últimos dias de aula. Esse não era o caso de Kira.

-Tudo bem, mas não hesite em usar toda sua velocidade na volta!

-Se eu usar tudo você frita no ar – Ela negou.

-Não se preocupe, eu posso me proteger, é complicado explicar agora, apenas obedeça – Kira aceitou e ficou ao lado dela.

-Preparar! – Mary levantou Kira com grande dificuldade, mas “magicamente” o peso dele sumiu – Vai! – Ela começou a correr em uma velocidade no mínimo impressionante, afinal Kira é bem maior e mais pesado que ela. Eles chegaram no fim junto de muitos outros, e quem saia na frente era Ollie, que carregava a maior garota da sala, a adolescente-gigante de 15 metros de altura que assistia as aulas pelo lado de fora da janela. Ollie usou de sua força para carrega-la e ela usaria de suas longas pernas para leva-lo de volta para a largada. Mary soltou Kira e ele rapidamente a pegou no colo como uma noiva.

-Preparada? – O corpo de Mary começou a pesar absurdamente de forma repentina, mas Kira aguentava.

-Sim! – A aura cobriu o corpo dos dois e ele partiu.

Em poucos milésimos Kira havia chego ao ponto inicial, ele havia caído por cima de Mary. O que aconteceu mesmo foi que ela pesou demais nos 100 metros e os dois caíram, chegando rolando no final com a ajuda da pressão. Kira estava todo ralado, mas Mary estava intacta.

-E temos os vencedores! – Jessie anunciou.

-Ai! Agora que eu preciso dormir mesmo – Kira acariciava a própria nuca sem nem mesmo se levantar.

-Está bem? Tem certeza que foram só arranhados? Pareceu uma queda feia – Mary olhava o garoto de cabo á rabo, era a primeira vez em muito tempo que ela legitimamente se preocupava com alguém.

-Não é nada, meu corpo é acostumado com essas coisas – Ollie e Diany chegaram em segundo lugar, e o garoto já estava pronto para reclamar.

-Ei! Eles se soltaram! Isso não vale! – Ele bateu de frente com Jessie, que continuou a observar os outros participantes sem nem ao menos piscar.

-Não se soltaram não, chegaram juntos á linha de chegada, agarrados – Ollie cerrou os punhos, mas preferiu deixar para lá, não valia a pena.

-Vamos continuar – Assim que os outros cruzaram a linha de chegada Jessie começou a seguir em direção á pista de obstáculos.

-Assim? Sem nem pausa para descansar? – Kira levantou os braços indignado e Ollie passou ao lado dele.

-Se não aguenta, pede para sair – O moreno seguiu bem atrás da professora.

-Hun, que idiota! – Kira continuou parado, esperando criar forças para continuar.

-Anda logo Kira, a próxima prova provavelmente será em dupla também – Mary tentava arrastar o garoto, mas mal conseguia o mover.

-Se nem o primeiro lugar esta aguentando mais, quais são minhas chances? – Lisanne parou ao lado deles junta a Kenny.

-Em que posição ficaram?

-Fomos uma das últimas duplas – Kenny respondeu com um sorriso sem graça.

-É por isso que eu gosto do Kenny! Eu afundei ele na aula preferida e ele nem liga! – Lisanne gargalhou, na verdade estava com medo do garoto pensar o contrário.

-Sem problemas, sei que você vai me ajudar naquelas aulas chatas de línguas e não sei o que lá...

-Pode ter certeza, agora temos que continuar – Eles seguiram para a próxima “prova”, uma grande pista cheia de morros, paredes de espinhos, arames farpados, pequenos lagos extremamente gelados, coberta de óleo e com passarelas estreitas o suficiente para a passagem de apenas um pé por vez. É claro que ninguém é obrigado a passar por essas coisas, as provas de hoje são conhecidas como “salve-se quem puder!”, estes são os obstáculos mais difíceis que Jessie tem á disposição, os alunos que precisam de pontos passam nesses testes para tentar o tudo ou nada.

-Mais uma prova simples, porém não tão rápida e muito menos fácil. Cada dupla terá de passar por tudo isso até o outro lado, cronometrarei o tempo de cada dupla, a dupla que for mais rápida vence. Agora que venham os primeiros – Ollie se apresentou com Diany, as outras duplas ainda decidiam se participariam ou não da prova suicida.

-Nós! – Jessie assentiu e autorizou sem mais delongas. A gigante pegou o garoto com apenas uma mão, atravessando a pista tranquilamente enquanto pulava por tudo, até os morros e muros, chegando ao fim da prova em 30 segundos sem muitas dificuldades.

-Isso é injusto demais! – Um dos alunos reclamou.

-Não posso fazer nada, essa prova é livre, estou apenas avaliando como passariam desses obstáculos, eles passariam dessa maneira, bom para eles – Jessie apenas manteve a política da igualdade e chamou a próxima dupla.

A prova continuou por mais 20 minutos. Haviam as duplas que passavam voando, as que faziam a prova normalmente e as que nem começavam a fazer e apenas aceitavam que não passariam –também conhecidos como Lisanne e Kenny-. Então chegou a vez de Kira e Mary, os últimos.

-Finalmente os últimos, estão autorizados – Eles já haviam planejado tudo. Kira pegou Mary no colo e agachou levemente, em seguida se lançou ao ar com seus raios, basicamente ele saltou, muito, muito, muito alto, e caiu do outro lado como uma pena, em apenas 7 segundos eles terminaram a prova.

-É, parece que temos os vencedores – Jessie estava de braços cruzados observando de longe o outro lado da pista de obstáculos.

-Argh! – Ollie estava cada vez mais irritado com Kira, ele é conhecido por ser estourado, e meus amigos ele estava prestes a fazer jus á este nome.

A aula continuou e os testes também, a maioria tendo como vencedores Kira e Mary, exceto os que requeriam muita força física, nisso Ollie e Diany se destacavam. As vitórias seguidas de Mary e Kira deixavam o moreno mais e mais irritado, Ollie estava pirando de raiva, se continha ao máximo.

-A última prova é a mais simples de todas, e a mais difícil. Estão vendo este apito? – Jessie mostrou seu apito para todos, que assentiram – Quem for o primeiro a tira-lo de mim vence – Ela fechou a mão e aguardou calmamente.

Os alunos foram para cima dela como monstros, mas ela apenas continuou parada, estática, ninguém conseguia mover um músculo da professora. Eles abriram caminho para Ollie, que foi como um touro.

-Hammer Fist – Ele socou-a com toda a força no estômago, chegando a criar uma cratera no chão, ela apenas olhou para ele e sorriu.

-Soque outra vez, não malhei abdômen ontem – Ela continuava ali, parada e com os braços para trás.

-Blitz! – Kira cobriu todo seu corpo com relâmpagos, fazendo os alunos se afastarem dele para evitarem o pior. Ele colocou as duas mãos em Jessie e a eletrocutou, mas ela continuou parada e só arregalou os olhos.

-Ah, isso é impossível! Eu não vou nem tentar. Jessie é praticamente a reencarnação da mulher de pedra!  - A Mulher de Pedra que a aluna cita foi uma mulher que tinha o poder de se transformar em uma estátua, e essa estátua era simplesmente indestrutível, dando á ela o título de Mulher de Pedra, o ser mais resistente do mundo. No fim das contas ela morreu após uma virose.

-Onde está Lisanne? Temos que tomar cuidado para a gigante não pisar nela! – Kira estava ao lado de Mary tentando pensar em algo para “derrotar” Jessie.

-Ei Diany, por que não pisa na professora? – A ruiva perguntou para a gigante.

-Eu não! Do jeito que ela é eu vou acabar me machucando!

-Só lembrando que essa prova ainda é em duplas! – Jessie colocou mais lenha na fogueira, e finalmente o circo ficou em chamas.

-Pisa nela Diany! – Ollie gritou com sua “amiga”.

-Aquietem o facho! – Kenny gritou e todos se calaram, voltando as atenções para ele – Obrigado – Ele se envergonhou por um momento.

-Tenho aqui a única coisa que pode fazer Jessie me dar o maldito apito – Lisanne chegou na frente da professora , estendeu um prato na direção dela e tirou a tampa, revelando o doce de chocolate que Mary havia comido alguns dias antes, o mesmo doce que seria servido no almoço de hoje.

-Você não fez isso, fez? – Jessie começou a tremer. Aquele era o doce favorito dela, mas ela estava de dieta, se comesse tudo iria por água abaixo, o que fazer?

-O apito – Kenny estendeu a mão na direção da professora, que apenas largou o objeto na mão dele, mas antes que ela pudesse por as mãos no doce, Lisanne o tapou de volta.

-Na-na-ni-na-não! Você está de dieta – Jessie socou o ar, lamentando ter sido derrotada de maneira tão... Tola.

-Não é justo, você usou da minha fraqueza! – A professora agiu como um aluno, uma atitude típica que á faz ser tão querida por todos.

-É esse o fundamento do teste! – Lisanne deu o doce á Kenny e ele devolveu o apito á professora.

-Acho que sim. Vocês! Estão liberados para o intervalo – O sangue de Ollie fervia por dentro, ele não ligava para pontos ou qualquer coisa do tipo, só queria se mostrar superior á Kira em algo, era uma guerra que ele travava com si mesmo, mas nem no que ele era melhor o coitado conseguiu vencer, a prova que desempataria a “aula de educação física” acabou sendo vencida por uma dupla completamente diferente, deixando o impasse entre Ollie, Diany, Mary e Kira. Esse impasse estava matando Ollie por dentro, o sangue dele borbulhava, e Diany percebeu isso.

-Você está bem? – Ela perguntou com uma voz gentil, ele virou para ela com uma cara assustadora.

-Você só tinha que PISAR! – Ele socou o pé dela e o barulho dos ossos quebrando foi ouvido do outro lado do pátio, assim como o grito da gigante. Diany veio ao chão e estremeceu tudo, começando a chorar. Ollie percebeu a besteira que fez e começou a se arrepender imediatamente.

-Ficou maluco? – Kira chegou em um instante ao lado da gigante e de Ollie.

-Eu... Não queria... – Ele estava desolado, nunca havia machucado uma garota antes, nunca havia machucado alguém sem motivo.

-Acho que já sabe o que acontece agora, não é? – Jessie olhou Ollie com desprezo, mas ela continuaria mantendo a norma da igualdade.

-Me siga – Lisanne disse apenas isso, mas Ollie e todos os outros já sabiam onde eles iriam parar. A multidão se dispersou aos poucos e alguns deles foram chamar os enfermeiros.

Kira aliviou a dor de Diany com alguns choques em pontos específicos que ele havia aprendido com o mestre Xin. Kira sabia todos os pontos vitais de um ser humano, e um gigante nada mais é do que um humano grande. Kira conseguia matar uma pessoa com apenas um toque, assim como anestesiar ou paralisar completamente alguém, e até mesmo levar essa pessoa á um prazer extremo. Com um toque.

-Não se preocupe Diany, você voltará para casa novinha em folha – A maior preocupação de Jessie no momento era uma família de gigantes querendo tirar satisfações no colégio, mas ela sabia que os médicos super treinados dariam conta de um pé quebrado.

-Tudo bem, não está doendo – O choro já havia passado, e a multidão se dispersou de vez.

-Você aprendeu bastante coisa lá na Ásia, nem parece aquele molequinho chato que só falava coisas sem sentido – Jessie não sabia ser carinhosa, não mesmo.

-Você ainda é aquela brutamontes que bota mais medo que meu pai – Jessie estapeou o coitado.

-Mais respeito! Eu ainda sou sua professora! – Kira já havia apanhado demais para apenas um dia, e ainda apanharia mais para as aulas teóricas.

-O que aconteceu? – Os médicos chegaram e já começaram os “primeiros socorros” em Diany.

-Um desentendimento que levou a um pé quebrado, nada demais para vocês – Jessie sabia que aquilo era o mais básico de tudo, algo que qualquer um dos médicos no colégio precisa saber.

-Daremos um jeito rapidinho! – Os médicos colocaram as mãos no pé quebrado e sussurraram algumas palavras em uma língua totalmente sem sentido. Em apenas um minuto Diany estava de pé novamente.

-Tudo certinho senhorita? – Um dos médicos perguntou á Diany, que sorriu e assentiu para o homem – Então tá, qualquer coisa estaremos em nossa sala, não force demais! – Os dois á alertaram e voltaram de onde vieram, deixando apenas Jessie, Kira e Diany no pátio, juntos é claro de vários outros alunos que estavam no intervalo.

-Vou nessa, tenho que me preparar para a próxima leva de crianças decadentes – Jessie saiu do mesmo jeito de sempre e foi na direção do refeitório.

-Obrigado por para a dor Kira! Se precisar de algo estarei á disposição – Diany era uma das “novas gigantes”, a raça sofreu tanto com discriminação ao longo dos anos por serem muito agressivos, que agora estão com uma personalidade mais calma para demonstrar que nem sempre são monstros.

-Não há de quê, senhorita Diany! – Kira se curvou levemente e saiu dali ás pressas. Kira tem um trauma de infância relacionado á gigantes, quando um dos grandões o atormentava em sua infância. Kira guarda não só medo, mas também ódio da raça. É claro que ele abre uma exceção de todo esse ódio para gigantes bonzinhos como Diany, mas o medo continua.

Kira parou em seu armário por um momento e Ollie se aproximou sorrateiramente, assustando-o com a aparição repentina. O moreno fechou a porta do armário com força e encarou Kira bem de perto.

-Eu não vou te esquecer, entendeu? – O Akasuna queria brigar, mas não controlou seu ódio contra um demônio por dez anos para perder a cabeça com alguém como Ollie.

-Quer meu número também, bebê? – O garoto rangeu os dentes com o puro ódio que emanava de seu corpo, ele já havia levado advertência, não tinha mais nada á perder. Ollie levantou o braço e Kira continuou parado, quando o membro do garoto foi segurado por uma forma aquática.

-Vai perturbar outra pessoa – Clair disse de forma firme, por mais boazinha que ela seja a garota ainda é temida no colégio por ser bem forte, alguém que Ollie preferiu não bater de frente agora. Ele se soltou e saiu irritado.

-Valeu, eu acho – Kira sorriu para descontrair.

-Sei que ele é chato, mas peço que tenha paciência, você poderia perder a cabeça agora mesmo – Ela se encostou nos armários.

-Acha que ele consegue me vencer?

-Não estou falando disso, digo que você ficaria irritado, Dominiqué expulsaria vocês dois imediatamente se soubesse que brigaram – Ele refletiu por um momento.

-Oh, isso é verdade. Mas você ficou sabendo o que ele fez na aula hoje? É inadmissível! – Clair negou.

-Ouvi algumas coisas, mas não sei a história.

-Ele quebrou o pé da Diany sem motivo algum! – A jovem se assustou, realmente não era algo que Ollie faria.

-Isso é novidade, a última vez que ele fez algo parecido foi quando perseguiu Brand para bater nele, mas ninguém ligou muito pelo fato de ser Brand – Clair observou a chegada do loiro – E falando nele...

-Aí Kira! Quer apostar corrida outra vez? – Por mais que Kira quisesse e muito aceitar, ele estava com muito sono.

-Hoje não vai dar, estou muito cansado, virei a noite jogando.

-Eu costumava fazer isso, até que minha mãe cortou minha internet.

-Isso é algo bem estúpido – Clair comentou.

-Minha mãe nem liga, desde que eu mantenha minhas boas notas – Eles encostaram por ali mesmo e continuaram conversando.

-Esse é meu problema, já não gosto de estudar, e ainda me distraía com jogos, é uma má combinação.

-Eu sempre fui bom na escola mesmo sem estudar, acho que tenho o dom – Kira deu uma gargalhada.

-Quem me dera ter esse dom, as vezes eu fico com um pouco de inveja de Lisanne, mas não conta para ela! – A garota gargalhou e eles fizeram o mesmo, mas foram interrompidos pelo alto-falante.

“-Atenção alunos, venho lhes informar sobre o Torneio que acontecerá este mês. Como vocês já devem saber ele será em duplas e o prêmio para os primeiros colocados será de 50.000 dólares, além de férias no local desejado pela dupla! É com muito mérito que anúncio os alunos Ollie Ivanov e Mary Bonggiovanni” – Os alunos não pareceram surpresos com a escolha de Dominiqué, que se comunicava pelos autofalantes espalhados pelo colégio.

-Ele quebra o pé de uma aluna e ainda é o escolhido para o torneio? – Kira não estava triste por não ter sido o escolhido, mas sim irritado pela escolha de Ollie.

-Infelizmente ele é o melhor que temos. O problema de Ollie é que ele sempre quer ser o superior em tudo e sempre quer que todos reconheçam que ele é o melhor.

-Você o conhece bem, eu acho.

-Éramos amigos, agora eu me afastei dele, só que ele parece ainda não ter entendido isso – Brand se virou para Clair – E por que você não foi escolhida? - A garota balançou os ombros.

-Não faço muita questão, e de qualquer jeito eu acho que Ollie quebraria a escola inteira se não fosse ele o escolhido - O sinal bateu e os três se despediram, indo para suas respectivas turmas.

Kira ainda estava inconformado com a escolha de Ollie ao invés de outra pessoa, mesmo depois do que Brand e Clair disseram. Ele perguntou á Lisanne o porquê, e ela disse que Ollie foi escolhido para tenta se redimir de tudo que ele vinha fazendo nos últimos anos. Kira aceitou o motivo, afinal esta era a última chance de Ollie se redimir, era o último evento do ano antes do baile de formatura. O famoso baile de formatura, ao qual Kira provavelmente chamaria Lisanne, e se ela não aceitasse ele iria sozinho, ou quem sabe a chocante dupla Clair-Kira? Apenas o tempo dirá. O Akasuna nunca havia chamado uma garota para sair, assim o como nunca havia se apaixonado antes, ainda mais com a personalidade conservadora do mestre Xin.

Kira voltou para casa sozinho após a aula, preferiu voltar o mais rápido possível para jogar bastante antes de cair na cama e literalmente desmaiar de sono. Ele jogou com seu amigo FADED- até por volta da meia-noite, quando bateu no colchão e apagou.

***

Na manhã seguinte Kira estava revigorado, mesmo que não tivesse dormindo o tempo necessário. Ele fez sua rotina até o colégio, se encontrando outra vez com Lisanne. Pela primeira vez Ollie não estava sentado atrás de Mary, e sim no lugar que ele esteve no primeiro dia de aula, provavelmente querendo evitar Kira por enquanto.

As aulas foram tranquilas e chegou a hora do intervalo. Kira mais uma vez ficou sozinho abaixo das árvores do jardim, ele não gosta de comer em público, é uma das manias idiotas de Kira. Mary foi a escolhida para “perturbar” o coitado debaixo da árvore. Ela sentou-se ao lado dele e logo espalhou seu cheiro pelo nariz do garoto, os dois observaram os alunos no pátio em silêncio por alguns segundos, até ela quebrar a paz.

-Sabe Kira, esse torneio pode parecer bobagem para você e até mesmo para os outros, mas ele é muito importante para mim. Eu não me sinto confortável, sinto que não fiz nada para deixar minha marca no mundo – De pouco a pouco Mary ia se abrindo com Kira, mais uma coisa que ela não faz com ninguém.

-Eu também não deixei minha marca no mundo, sou apenas o garoto que vai afundar com o nome dos Akasuna – Eles encaravam o ensolarado céu.

-Mas você ainda assim é um Akasuna. Pode não ter percebido por ser muito antissocial, mas o assunto por dentro das rodas de amizade é você, o garoto prodígio, neto de Kenneth o imortal. Já comigo, sou filha do homem mais influente da cidade, e mesmo assim ninguém me conhece, ninguém nem sabe da minha existência – A ruiva bufou – Você já ouviu falar de Scarllet Vitek?

-Já sim, mas não faço ideia de quem seja.

-Scarllet é uma garota do colégio Meisterwerk, ela e o colégio dela vem vencendo o torneio durante os últimos 5 anos. Scarllet não vem de família nobre e não tem um avô ou parente lendário, e mesmo assim praticamente toda Nova York sabe quem ela é. Não que eu queira me espelhar naquela idiota, afinal eu odeio ela, mas eu só queria conseguir fama por algo que eu fiz por merecer. Isso é pedir muito?

-Bem, o torneio não é a única forma de ser reconhecida por aí. Eu por exemplo era bem conhecido no Japão por ser o mais jovem a conseguir a faixa mais alta no Monastério de Artes Marciais do mestre Xin. Você pode procurar outros objetivos além do torneio – Mary discordou.

-A minha família tem uma tradição muito antiga com lutas, continuar perdendo o torneio desaponta eles – Kira interrompeu Mary.

-Pera aí. É um torneio de lutas? – Mary assentiu. – Por que não me disse isso antes?

-Porque estava na cara que era um torneio de lutas! Se fosse algo ligado á inteligência eles colocariam Lisanne e o grupo de amigos nerds dela – Kira ficou pensativo.

-Acho que faz sentido.

-Agora continuando. Só disse isso tudo, pois na minha opinião Ollie só quer fazer dupla comigo por ele gostar de mim. Não que ele seja fraco, mas nossa sinergia é horrível, e o amor não vence uma batalha.

-Nesse caso o amor realmente não prevalecerá. Na questão da sinergia, você ainda não me disse seus poderes.

-Eu posso criar objetos, qualquer um, desde que eu saiba como tal objeto funciona. Só que esses objetos são criados em outra dimensão, então são invisíveis. Um exemplo foi na prova de corrida ontem, te carreguei em uma maca – Kira parou para relembrar a aula de Educação Física. – Ou no momento da volta em que eu te derrubei enquanto eu vestia uma armadura pesada para não pegar fogo em seu colo.

-Então foi por isso que caímos?

-Acho que sim. Agora entende a falta de sinergia entre mim e Ollie? – Kira assentiu – Estou apenas aceitando a derrota...

-E você? Gosta dele? – Mary negou imediatamente.

-Nem morta. Ele é chato demais para ter alguém que o ame e não seja a mãe dele – Mary sendo Mary.

-E nas outras edições do torneio? Participou sozinha? – A ruiva estremeceu só de lembrar.

-Infelizmente não, participei com meu irmão Cody.

-Você tem um irmão? O que aconteceu com ele? – Mary bufou outra vez.

-Cody é tão hiperativo quanto Brand, e isso me irrita bastante, por isso brigávamos frequentemente, então ele se mudou para outro colégio para impedir que essas brigas atrapalhassem minhas notas. Tenho que admitir que daria qualquer coisa para fazer dupla com Cody ao invés de Ollie.

-Quanto ódio com seu irmão, ainda bem que não sou assim com o meu.

-É porque o seu não é como Cody. Até que formávamos uma boa dupla, ele pode colocar sua própria energia nas coisas, e quando ele quiser essa energia explodia. Ficávamos “brincando” de bombas invisíveis – Ela acabou soltando um sorriso, mas logo voltou para sua feição típica de indiferença.

-Vou dar o meu melhor para ajudar você a vencer o torneio, combinado? – Kira estendeu a mão e ela apertou feliz.

-Combinado, senhor Akasuna – Kira sorriu e eles passaram o resto do intervalo juntos.

A conversa entre Kira e Mary foi bem reveladora para ele, e também foi mais um estímulo para tirar Ollie do torneio. O Akasuna não sabia como ou por onde começar, e só tinha até sábado (dois dias) para se colocar no lugar de Ollie, caso contrário as inscrições acabariam. O Akasuna levaria Lisanne em casa, já que Brand e Amy teriam uma reunião familiar e a pobre garota não gosta de ir sozinha. Ela era a pessoa perfeita para Kira começar a perguntar.

-Sabe Lisanne, eu estava pensando se tem alguma forma de mudar as duplas do torneio... – Lisanne sabia que essa pergunta viria em algum momento, não precisava nem mesmo ler a mente de Kira para saber disso.

-A única que pode fazer essas mudanças é Dominiqué, eu só posso indicar os alunos que eu acho que são mais qualificados.

-Alguma possibilidade de me indicar no lugar de Ollie? – Lisanne gargalhou.

-A essa altura do campeonato? Só você pode mudar a cabeça de Dominiqué agora – Lisanne parou em frente aos portões de casa – O que posso fazer é te oferecer um chá – Ela sorriu.

-Nah, tem um livro que eu preciso ler antes que ele suma – Kira riu.

-Aham, sei. Fique com Deus – Ela deu um beijo na bochecha dele que o deixaria a mente dele paralisada por horas. Kira se afastou e colocou a mão na cabeça, assustando a garota – O que houve?

-Nada, só senti uma fisgada estranha – A garota entortou o rosto, isso é o que acontece quando um crucifixo se aproxima demais de um demônio.

-Se assim diz, tome cuidado e não tenha pressa de chegar em casa! – Ele assentiu e Lisanne entrou para a casa sem esperar resposta, ele continuou parado por alguns segundos até se tocar e ir para a própria casa.

Kira chegou em casa e como de costume foi para o computador, mas além dos jogos haviam mais duas coisas em sua mente: O beijo de Lisanne e o discurso que ele faria para Dominiqué amanhã. Se tem uma coisa que Kira tira de letra é fazer discursos. Desde os mais tristes até os que levantam o humor de qualquer pessoa. O problema é que no momento ele precisava de alguém para discursar para ele, estava perdido pensando no amor. Ele esperou um pouco e logo entrou no jogo que usava para se comunicar com Faded-, seu amigo estava online.

“_|_5uk1: Hey! Como vai? – G demorou, mas respondeu.

Faded-: Estou bem. Como foi seu dia?

_|_5uk1: Nda q um pouco de MK (Magic Kings) ñ resolva.

Faded-: Digo o mesmo, hahahahaah.

_|_5uk1: Posso fazer uma pergunta?

Faded-: Claro!

_|_5uk1: Você tem namorada? – FADED- demorou mais.

Faded-: Acho que está na hra de dizer que sou uma garota... – Kira arregalou os olhos diante á tela, era difícil ver uma garota jogando essas coisas de garotos sem vida.

_|_5uk1: O.O! Isso é uma revelação e tanto, haha!

Faded-: Pq perguntar se tenho namorada? – Kira pensou em mentir, mas não faria sentido.

_|_5uk1: Sou meio enrolado com esse assunto, então queria umas dicas. Se estiver disposta a ajudar esse novato...

Faded-: A melhor dica que eu posso dar é seja você mesmo, provavelmente sou mais enrolada que você nisso :P

_|_5uk1: É sempre bom lembrar de ser eu msm. Vou te manter atualizada sobre minha “jornada”. Agora vamos massacrar uns noobs.”

Faded- e Kira continuaram jogando até tarde. Para o garoto era estranho ter tantas amigas e poucos amigos, mas ele não ligava muito, desde que fossem boas pessoas tudo estava tranquilo.

Kira foi dormir confiante em que conseguiria vencer e convencer Dominiqué de o colocar no lugar de Ollie, e com isso na mente ele dormiu como um bebê.

O dia seguinte chegou e a rotina se repetiu. Desta vez Kira foi direto para a sala da direção, é claro que seguido por Lisanne. Os dois se sentaram outra vez em frente aos olhos carmesim de Dominiqué.

-Aconteceu alguma coisa? – A diretora logo ficou preocupada, não era comum ver dois alunos tão exemplares em sua sala.

-Peço que mude a dupla para eu e Mary – Kira foi direto ao assunto, essa era a arma secreta final: O olhar dele contra o de Dominiqué.

-Já estou decidida quanto á isso – Ela voltou a olhar os papéis, mas Kira continuou a encarando.

-Você não entende. Se fizer isso Mary perderá de propósito, ela disse ontem – Kira claramente modificou as palavras da ruiva, mas era para um bem maior.

-Olha Kira, eu sei o quanto você gosta de lutar, mas não posso simplesmente chegar para Ollie e dizer que ele foi retirado sem motivo – O Akasuna parou para pensar, e dessa vez quem encarava era Dominiqué.

-Que tal se eles lutarem? Quem vencer será a nova dupla por mérito! – Lisanne disse algo que é estritamente contra as regras do Magna Opus. Brigar, mesmo que autorizados pela diretora, seria incentivo á violência. O próprio torneio de lutas só se mantém de pé graças a Anthony Bonggiovanni, pai de Mary e um dos maiores empresários do estado e do Reino, ele tem até mesmo amizade com Richard. Anthony mantém o torneio de pé para “desalienar” as crianças de hoje em dia.

-Desde que um não mate o outro, acho que posso autorizar, mas só dessa vez!

-Não se preocupe, sei me controlar – Kira cruzou os braços.

-Eu não quero nem ver. Lisanne avise a Ollie sobre o desafiante e peça para Jessie vigiar esses dois. A luta será na hora do intervalo.

-Tudo bem!

-Agora se retirem, por favor – Dominiqué realmente não gostava de lutas dentro de seu colégio, mas ela sabia que o espirito Akasuna teimoso de Kira não deixaria a história só por isso, ela conviveu muito tempo com Kenneth, sabe como um Akasuna é.

Lisanne e Kira seguiram normalmente para a aula. Ao chegarem na sala a garota chamou Ollie para conversarem a sós. O moreno voltou para a sala com uma cara de ódio para cima de Kira, que apenas sorriu. Essa era a oportunidade que Ollie esperava para trocar socos com o prodígio Akasuna, mas ele ainda assim temia a derrota. Mary percebeu a troca de olhares e se virou para Kira, que estava sentado logo atrás dela.

-O que houve?

-Há altas chances de eu ser sua nova dupla – Mary se surpreendeu.

-Como? Difamou Ollie?

-Não! Chamei ele para um duelo, quem vencer vai para o torneio.

-Sabe que ele ainda é muito forte, não é? – Kira sorriu.

-Quando ele for rápido o suficiente para me acertar um soco, talvez ele me vença.

-Ui! Tá bom. Acho que você já sabe para quem eu estou torcendo – Mary deu uma piscadinha que matou Kira, deixando o pobre como um tomate, ela então se virou após a chegada do professor de química.

As horas nunca haviam passado tão lentamente para Kira. Ele estava mais ansioso para esse duelo do que esperava, já Ollie quebrou três lápis só hoje, algo que se tornou incomum após ele aprender a controlar sua força. O tão esperado sinal tocou e os que sabiam sobre o duelo já foram para o pátio direto. A fofoca corre rápido pelos corredores do Magna Opus, tanto que até mesmo o desligado do Brand sabia da notícia.

-Essa vai ser uma ótima luta! – O loiro estava mais ansioso do que os lutadores em si.

-Ah, ele não ouve – Clair também olhava á luta, indignada com a imprudência de Kira, mas lá no fundo ela queria ver Ollie apanhando um pouco.

-Infelizmente eu tenho que concordar – Lisanne estava ao lado deles e de Amy, já Mary estava na “fileira” da frente, para ver melhor.

-Simples, fácil e rápido! Sem técnicas que possam destruir propriedade escolar ou matar o adversário. Vence quem fizer o adversário desistir primeiro, ou quando eu perceber que um dos dois está derrotado – Jessie, Kira e Ollie estavam no centro de um campo de futebol que seria usado como campo de luta – Estão prontos? – Os dois assentiram – Lutem! – Jessie saiu de perto e eles continuaram a se encarar.

-Então é assim que termina a história de Kira Akasuna? – Eles rodavam o centro do campo, sempre distantes um do outro e se encarando, prontos para se defender ou atacar.

-Não.

-Você tomou tudo de mim. Chegou no colégio e roubou toda a atenção. Tirou de mim o único cara que era meu amigo á anos. Tirou de mim minha garota... E agora quer tirar de mim o lugar que eu batalhei para ganhar de Cody – O sangue fervia nos olhos de Ollie.

-Eu não tirei nada de você! Não escolhi nascer como um Akasuna, não é minha culpa se chamo atenção por onde passo. Não roubei seus amigos, na verdade poderíamos ter sido grandes amigos se você não fosse tão babaca.

-Brand recusou a sair comigo pela primeira vez em muito tempo, pois já tinha compromisso com você. Mary não fala mais nada e agora passa mais tempo com você do que comigo – Eles continuavam se rodeando.

-Eu não saí com Brand em nenhum momento! E se eles dois estão te ignorando, é porque você os irrita! – Ollie se estressava mais e mais.

-Isso não é verdade! – O moreno partiu para cima de Kira com uma investida de socos, mas o Akasuna apenas desviou com extrema facilidade e destreza, segurando o punho de Ollie no último golpe, deixando-o assustado.

-Você deve aprender que não é o melhor que o mundo – Kira usou seu braço enfaixado para golpear Ollie na barriga usando a mão aberta, fazendo o garoto ser arremessado no chão. Kira se aproximou dele que tentou levantar e socar o Akasuna no peito, mas novamente foi em vão – Eu aprendi isso da pior maneira – Novamente com seu braço enfaixado Kira golpeou Ollie, dessa vez no rosto, de punho fechado, um soco com vontade, um golpe de realidade que Ollie precisava mais do que qualquer coisa. O moreno foi ao chão desmaiado e os alunos invadiram o campo achando que o mesmo havia morrido.

-Longe demais garoto, longe demais! – Jessie repreendeu Kira e se abaixou ao lado de Ollie.

-Ele não morreu, só desmaiou – Kira estava de braços cruzados.

-Mas poderia ter morrido! – Foi a vez de Lisanne reclamar com Kira.

-Ollie é bem resistente, creio que nem vá inchar. Quanto á você garoto, acho que é mais do que justo que vá avisar á Dominiqué sobre sua vitória – Jessie manteve a postura durona.

-Vamos, sem tempo á perder! – Mary demonstrou pura felicidade pela primeira vez desde quando Kira a conheceu. Ela estava alegre como nunca enquanto arrastava o garoto pelo colégio a procura de Dominiqué, que não fica em sua sala durante o intervalo.

-Acalme-se! – Kira segurou Mary e parou a correria dela em um instante, fazendo-a perceber o quão eufórica estava, os dois se encararam envergonhados – Assim nunca acharemos Dominiqué.

-Desculpe...

-Não é isso, é só que... Você se afobou demais – Kira ajeitou os cachos vermelhos bagunçados da garota.

-É melhor esperar na sala dela, uma hora ela volta – O garoto concordou e eles foram para a sala principal, entraram e esperaram pela diretora lado a lado.

-Humildemente falando, achei que seria mais difícil – Kira sorriu e fez cara de sapeca, ele realmente acreditava que Ollie era poderoso por causa de toda a fama do garoto.

-Você é rápido demais, acho que é até mais forte do que eu. És bem forte para alguém com um braço enfaixado – Kira acariciou seu precioso.

-Ele não está machucado, são só cicatrizes que eu prefiro cobrir.

-Eu faria o mesmo – Mary sorriu e Dominiqué entrou na sala, se surpreendendo com a presença deles ali.

-Pelo visto já temos uma nova dupla – Ela segurava uma xícara de café e se continha para não rir da face vitoriosa de Kira.

-Nós mesmos! Kira Akasuna e Mary Bonggiovanni do Magna Opus! – O garoto abriu os braços no ar, imaginando a apresentação da dupla no torneio.

-O que aconteceu com Ollie? Ele está bem? – Segurança em primeiro lugar.

-Ele desmaiou, mas a essa altura Jessie já o levou para a enfermaria, ficará bem – Mary não queria ter lembrado do garoto, estava profundamente chateada com ele, mas haviam melhores coisas para se pensar agora.

-Espero que ele esteja bem, se ele não estiver você terá problemas mocinho! – Dominiqué foi apenas mais uma a repreender Kira.

-Não se preocupe... – Ele já estava cansado de falar a mesma coisa.

-Quero que deem seus melhores neste torneio, como estão no último ano vários empresários estarão de olho nas batalhas á procura de heróis, podem ter a vida perfeita caso façam uma performance convincente – No mundo da atualidade os heróis são venerados, e ser um herói é o sonho de qualquer Weeper - Voltem para a sala de aula, e comecem a treinar já que o torneio é em duas semanas – Kira e Mary agradeceram e, felizes como nunca, retornaram para a sala e aula para contar as novidades aos outros alunos.

Kira passou o resto do dia ouvindo a feliz voz de Mary, ao contrário do que vocês imaginam isso não o irritava, e sim deixava-o com uma sensação maravilhosa no coração, se sentia realizado por ser o primeiro a tirar um sorriso do rosto trevoso da garota em muito tempo. Em sua caminhada aos portões do colégio ele se esbarrou com Ollie, que estava com um curativo no local do soco e sua expressão emburrada de costume.

-Vou tentar melhorar – Nem o soco mais forte do mundo faria o moreno esquecer as palavras de Kira. O Akasuna sorriu, havia vencido, e continuou o trajeto até o carro de Mary onde seus amigos esperavam.

-Não é tão difícil – Foram as únicas palavras ditas por Kira, e logo ele chegou á Mary.

-Amanhã de manha, na minha casa, sem atrasos – Ela deu as ordens como um general de guerra, o coitado não entendeu nada.

-Para?

-Treinarmos! Ora bolas! – A ruiva esbravejou, vocês estão prestes a conhecer o lado emotivo de Mary.

-Nem sei onde você mora!

-Descubra! Tchau! – Ela jogou um beijo para ele e se despediu de seus amigos rapidamente, partindo em sua limusine.

-Não é tão difícil saber onde ela mora, é provavelmente a maior casa da cidade – Lisanne falou com sinceridade, é claro que os Bonggiovanni não são os únicos ricos da cidade, eles são os mais ricos dela, afinal são responsáveis pelo maior “mercado” de heróis de toda a América.

-Cara, ela tá tão na sua – Brand abraçou Kira de lado enquanto observava a limusine da ruiva virar a rua, o dia havia sido quente, os ventos e uma gigantesca nuvem escura anunciavam a vinda de uma tempestade.

-Vamos logo para casa, tenho que contar á minha mãe sobre as novidades – Kira está ansioso para o torneio, é a primeira vez que ele poderá efetivamente pôr seus poderes em prática.

O quarteto foi calmamente pela rua, ou deveria dizer trio? Brand continuava do jeito dele ser, aquele jeitinho que irrita Amy até a alma. Em poucos minutos eles haviam chego á rua de Kira, se despediram do garoto sem mais delongas e seguiram para suas casas. O Akasuna entrou em casa ás pressas e se deparou com sua mãe fazendo yoga.

-Ui! – Ela se assustou com a chegada repentina dele e acabou caindo da posição um tanto quanto... Desconfortável em que ela estava. – Garoto! Que susto!

-Desculpa! É que eu tenho uma notícia legal para dar – Kira ajudou a mãe a se levantar.

-O que aconteceu?

-Fui escolhido para participar do torneio de lutas! – Kira omitiu a parte da briga com Ollie, sua mãe é como Dominiqué e repreende lutas sem necessidade.

-Oh! Que legal meu filho! – Por mais que Skyie não seja tão fã de lutas ela já pecou várias vezes, porque não pecar outra vez?

-Passarei o dia amanhã com minha dupla para treinar, tem algum problema? – Skyie negou com a cabeça, seguida de um sorriso maléfico.

-Claro que não! Já é maior de idade, desde que não mate ninguém ou vire pai sem eu saber, está tudo bem.

-Relaxe, nem namoro, como vou virar pai?

-Sua avó não namorava quando me teve... – Kira pensou na situação.

-Isso é assustador.

-Realmente é. Quanto aos treinos, não me importo mesmo, se quiser pode passar a semana inteira lá, eu estava querendo um tempo livre com seu pai... – Skyie fez uma cara pervertida, pensando em várias... “Fantasias”.

-Isso também é muito assustador. Posso perguntar a ela se tem espaço para mim, mas não garanto nada – Kira saiu da sala para evitar ouvir mais alguma maluquice de sua mãe. Ele chegou ao quarto e quando pegou seu celular acabou se lembrando que não tem o número de Mary, então ligou para Lisanne. Em alguns segundos a baixinha atendeu.

-Diga! Senhor Akasuna – O “Senhor Akasuna” havia virado uma piada no grupo de amigos.

-A senhorita poderia, se possível e caso não incomode ou prejudique-a, informar-me sobre o número telefônico da senhorita Bonggiovanni? – A inteligência de Lisanne também havia virado piada.

-Por qual motivo, razões ou circunstancia o senhor Akasuna solicita o número de vossa excelência, senhorita Bonggiovanni?

-Necessito do número para fins pessoais referentes ao Torneio Estadual. Também solicito, por obséquio, que acelere no processo de informar-me tal número citado anteriormente.

-Eu, como presidente do grêmio estudantil e por tanto uma entidade com maior fama e intelecto que o senhor, me sinto ofendida com tamanha pressa por vossa parte em relação á liberação do número da grande e toda poderosa rainha das trevas, Mary Bonggiovanni, abençoada seja – Kira gargalhou baixinho.

-Então não mais peço, mas sim obrigo vossa presidente a me ceder as informações referentes aos dígitos numéricos necessários para completar a ligação que me permitirá entrar em contato com vossa realeza. Caso tais dígitos não sejam cedidos, o garoto que vos fala será obrigado a cobrir vossa presidente com uma chuva de dedos que pode e causará incômodos, chamados popularmente de “cócegas”.

-Como presidente do grêmio, eu o desafio: Se és homem suficiente, que venha e me convença á força! – Kira largou o celular e em instantes estava no quarto da garota, deixando um rastro de desordem para trás. Ele puxou ela da cadeira e a virou para si, assustando-a mais do que pretendia.

-Surpresa? Presidente! – Ela se recuperou do susto e caiu na gargalhada.

-Para! Eu estava brincando sobre as cócegas! – Uma das coisas que Lisanne mais odeia eram cócegas, e Kira havia descoberto isso através de Brand.

-Agora é sério, me passa o número de Mary, por favor! – Kira soltou a cadeira de computador onde ela estava.

-Tá bom! – Ela digitou em seu celular – Pronto, enviei para você – Kira levantou sorridente e a beijou na testa, mostrando o quão feliz e “solto” ele estava.

-Valeu Lisanne!

-Não há de... – Antes dela completar a frase ele desapareceu, deixando com ela apenas um choque que á arrepiou por completo.

Kira voltou para o próprio quarto e se pôs a ligar para Mary, que demorou mais do que Lisanne para atender.

-Quem está falando e o que quer comigo? – Curta e grossa, a mesma Mary de sempre.

-Estou com seu pai e peço 50 milhões de dólares nele, caso contrário ele morre. Alguma pergunta? – Mary havia desligado no “peço”. Kira ligou outra vez.

-Desembucha!

-Está louca? E se eu realmente fosse um sequestrador?

-Primeiro que meu pai está na cozinha, e segundo que nem que você engrosse a voz várias vezes conseguirá me enganar.

-Aposto que não sabia que era eu.

-Isso não importa. Por que me ligou e como sabe meu número?

-Peguei seu número com Lisanne, e liguei para perguntar se posso dormir na sua casa pelo resto da semana – Mary ficou muda por alguns segundos, não acreditava nas palavras profanadas.

-Ficou louco? Meu pai não gosta que eu traga a escória da sociedade aqui para casa, ele já ficou irritado que vou te trazer para cá para treinar!

-EI!

-Só estou brincando. Mas por que quer dormir aqui? Você pode chegar na minha casa em um segundo.

-Minha mãe me expulsou de casa.

-Como assim?

-Ela disse que quer ter um momento íntimo com meu pai, isso pode ou não significar que eu vou ganhar mais um irmão – Mary se segurou para não rir.

-Tudo bem, acho que meus pais não veem problema, desde que você não venha vestido de mendigo para cá.

-Está dizendo que me visto mal?

-Convenhamos Kira, suas roupas não são as melhores.

-Mas é o uniforme da escola!

-Aquela blusa branca e calça jeans? Nenhum menino usa somente aquilo, caso nunca tenha reparado – Kira parou para pensar, e percebeu que literalmente nenhum garoto ou garota usa somente o uniforme escolar.

-Então como devo me vestir?

-Não sei, desde que não pareça um mendigo qualquer coisa está valendo. Agora tenho que ir, vou tentar convencer o panaca do meu irmão a sair de casa amanhã – Mary não esperou Kira responder e desligou. O garoto colocou o celular na estante e se levantou ainda em dúvida.

-Não me vestir como um mendigo? O que ela quis dizer com isso? – Kira chegou na fase em que todo homem se prende: Entender as mulheres.

Kira se jogou em seu closet para iniciar a busca por roupas. Ele pegou várias peças que considerou aceitáveis para o uso diário, algumas para usar durante o treino e sua melhor roupa para se apresentar aos Bonggiovanni. Ele pegou o tênis mais caro que tinha, que era preto com detalhes e mais detalhes na cor roxa (cor preferida dele), uma calça jeans escura, blusa sem mangas branca e uma jaqueta de couro preta que só serviria para tapar as irremovíveis bandagens de seu braço direito. Ao pegar a última peça, seu cachecol preto preferido, Kira derrubou um antigo espelho que foi dado á ele por sua mãe, um espelho que reflete a “verdadeira face” da pessoa. Kira olhou seu reflexo, estranhamente era ele mesmo, mas logo ele arremessou o objeto de volta para o closet, fechando as portas imediatamente e ignorando que havia achado o artefato outra vez. O Akasuna separou um perfume que julgou decente e uma mochila para levar suas roupas, arrumando as peças com antecedência para que pudesse passar a noite jogando. Ele disse á Skyie que passaria a semana na casa de Mary e ela continuou se fazendo de indiferente, como sempre faz. Kira voltou para o quarto e foi direto para o computador conversar com sua amiga sem vida, Faded-.

_|_5uk1: Aí! Tenho uma notícia meio triste para dar.

Faded-: O que houve? Alguém morreu?

_|_5uk1: Não! É q não poderei jogar até o dia 16, tenho que estudar para umas provas... – Kira deixaria qualquer coisa sobre sua vida pessoal escondida de Faded-, ele só revelou seu sexo porque era o assunto de uma das últimas conversas.

Faded-: Poxa, que pena, estava pensando em te encontrar, você parece ser um cara legal. É claro, suponho que more na América, não é? – Kira pensou por um momento na coragem de Faded-, em querer encontrar com um completo desconhecido, podendo ou não correr risco de vida.

_|_5uk1: Moro em NY.

Faded-: Hey! Eu tbm!

_|_5uk1: Então quem sabe não nos esbarramos por aí?

Faded-: Espero que sim. E a jogatina de hoje? Está de pé?

_|_5uk1: Mas é claro que sim! Tem que ter a despedida, mesmo que seja temporária!

Faded-: Então vamos logo!

E assim mais uma noite foi passada em claro por Kira Akasuna.


Notas Finais


Hammer Fist - Punho Martelo
Blitz - Relâmpago/Raio

Até a próxima! Bybye


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