História Kiss With a Fist - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Albert Spencer (Rei George), Anna, August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Elsa, Emma Swan, Fa Mulan, Lilith "Lily" Page, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Neal Cassidy (Baelfire), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Ursúla (Bruxa do Mar), Vovó (Granny), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Comedia, Drama, Romance, Swanqueen
Exibições 258
Palavras 4.282
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite, meus amores. Não demorei tanto assim hein. A imagem abaixo é de um jardim que já existe, mas está representando mais ou menos como é o parque citado no capítulo. Espero que gostem. Boa leitura!


Parque das Orquídeas: Jardim de Luxemburgo (Paris, França).

Capítulo 11 - Red Jacket


Fanfic / Fanfiction Kiss With a Fist - Capítulo 11 - Red Jacket

Meu dia tinha sido um verdadeiro fiasco. Ontem vim assistir filme com Kate, uma colega da escola que conhecia há alguns anos. Somos muito amigas. Papai brigou comigo, é claro. Ele não gosta que eu durma na casa de estranhos. Mas os pais da Kate não são estranhos. Eles se conhecem porque trabalham na mesma empresa. Tinha só uma semana que resolvi me assumir como uma garota, Robin ainda não fala comigo. Meu irmão é um babaca. Mas enfim, pelo menos papai e mamãe não brigaram. Dave e Kill nem se importaram com o que eu disse, porque estavam ocupados brincando com os carrinhos que ganharam.

Acordei com Kate fazendo o maior barulho no banheiro. Acho que ela tava tomando banho, porque escutei o chuveiro ligado. Levantei super sem graça. Não gosto de dormir na casa de outras pessoas, muito menos ser a última a acordar. Tia Anna, a mãe da minha amiga, veio chamar a gente para o café da manhã. Não vou mentir, a comida tava uma delícia. Tinham pães com cobertura de mel, chocolate quente, leite e uns biscoitos de baunilha. Como eu gostava de comer, já fui atacando tudo. Depois disso, Kate e eu fomos jogar um pouco de videogame. Ela gostava também e tinha ganhado um de sua tia.

- Vamos ao cinema de noite? - perguntei um pouco ansiosa, estranhamente com minhas mãos suando frio. Eu gostava muito dela, mas não sabia de que forma. Só queria ficar perto o tempo todo e ela era cheirosa.

- Claro. Vou pedir pra mamãe levar a gente.

Confirmei resmungando e continuamos a jogar. Eu estava perdendo. Isso era tão ruim porque eu queria impressionar Kate. Fiquei meio emburrada, confesso. Mas alguns minutos depois não aguentei e fomos lanchar. Novamente tinha biscoitos e pães, só que desta vez tomamos suco de laranja. Tava bem gostoso, pra ser sincera. Cara, eu tava gostando de ficar ali. Era a primeira vez que eu dormia fora de casa. Sei que mamãe ficava mega preocupada, me ligando toda hora e me dando mil avisos. Papai ficava carrancudo, mas não se importava muito. Mesmo assim, tava tão bom ali que nem liguei pra essas coisas.

O dia correu muito rápido. Já era hora de ir para o cinema e fomos nos arrumar. Kate era quase do meu tamanho, só que eu era mais forte. Ela me emprestou uma roupa, a camiseta ficou meio apertada, mas a calça ficou legal. Nos vestimos, mas tia Anna avisou que ela iria se arrumar ainda porque ia aproveitar para visitar a irmã. Eu estava voltando da cozinha, já que tava morrendo de sede e fui beber água, quando escutei a voz da minha amiga. Ela conversava com a mãe, e parecia meio irritada.

- Por que a senhora quer que eu me arrume tanto? - Kate perguntou, eu podia sentir que ela tava emburrada. Se mamãe estivesse ali ela ia dizer que era errado escutar a conversar dos outros, mas eu tava muito curiosa. E bom, mamãe não tava ali.

- Já lhe aconselhei antes, Kate. A princesinha está gostando de você. Sou uma mulher adulta e sua mãe. Nós entendemos dessas coisas. Vocês estão novas, com 13 anos ainda. Mas em breve poderão namorar. - tia Anna respondeu.

- Mãe, eu não quero namorar com a Emma. Na verdade, se fosse para fazer isso, eu iria fazer com o irmão dela. O Robin é muito mais bonito e descolado.

- Ele já está comprometido. Rapazes dessa idade não se envolvem com garotas mais novas.

- Mas mamãe...

- Calada e me obedeça, Katherine. - ela parecia que tava gritando, mas eu não conseguia me concentrar direito, a minha vontade era de chorar. - Não quero saber de suas paixões bobas, a única coisa que importa é que você namorará essa garota, ou seja lá o que ela for. Isso deixaria seu pai e eu mais perto da família dela. Teríamos poder e mais dinheiro.

- Não ligo para isso.

- Você pensa assim agora, porque ganha tudo que quer. Mas em breve eu serei sogra da futura herdeira ao trono.

Meu estômago estava enjoado e minha cabeça doía. Eu só queria sair correndo dali e foi o que fiz. Eu não acreditava que Kate e sua mãe só queriam se aproveitar de mim. Principalmente a minha amiga, uma das poucas que eu tinha. Eu não queria chorar, mas era impossível e não conseguia me controlar. Peguei o telefone escondido, liguei para papai e pedi que ele me buscasse. Não sei o que diria para as duas, mas eu não queria ficar ali. Em poucos minutos, papai chegou e sem muitas explicações disse que eu precisava ir embora. Mal me despedi e entrei no carro. Eu não queria falar sobre o assunto e papai nunca conversava muito.

Assim que cheguei, joguei minha mochila com as minhas coisas na cama e corri para o banheiro onde tinha um espelho. Meus cabelos estavam abaixo do ombro agora, pois eu tava deixando crescer faz meses. Enquanto as minhas colegas da escola já tinham um corpo legal, algumas até com peito, eu não tinha nada. Era magra, tentava passar um pouco de maquiagem pra ficar mais feminina, mas, mesmo assim, era tão estranho. Aquele corpo me agoniava e eu já não sabia mais o que fazer. Queria começar com os hormônios logo.

Tirei a roupa, fui tomar um banho e me esfreguei bastante. Eu não acredito que mais uma vez alguém se aproximava de mim por causa do meu título. Na escola, sempre tinham aqueles que tentavam puxar assunto, mas depois eu ficava sabendo que os pais trabalhavam na empresa. Ou eram amigos da minha família. Até mesmo uma vez uma menina me beijou, foi só um selinho, não tinha língua. Mas eu senti uma coisa no pé da barriga e entre as pernas. Então eu descobri que ela era filha de um político que queria agradar meu pai. Acho que já contei essa história aqui, mas o lance é que fiquei chateada.

Saí do banheiro, sem ter coragem pra me olhar no espelho. Ou eu ficaria ainda pior. Troquei de roupa colocando meus pijamas, pois já tava de noite e eu não queria jantar. Deitei na cama e fui desenhar, mas, mesmo assim, aquelas coisas não saíam da minha cabeça. Chorei de novo. Eu não queria fazer isso igual uma criança boba, mas eu não podia controlar. Era bem mais forte e aquela sensação ruim não passava nunca. Às vezes eu pensava em morrer, mas eu ficava com medo de fazer isso por causa da mamãe...

 

 

- Regina!

A morena pulou de susto com a voz da mãe, que batia em sua porta pedindo para entrar. Alguns dias após a festa resolveu dormir ali novamente. Na bolsa, além de roupas e pertences pessoais, carregava um dos diários. Eram da época da pré-adolescência de Emma. A princesa escrevia todos os dias contando com riquezas de detalhes tudo que lhe acontecia. Não gostaria que ninguém os lesse e muito menos soubesse que ela estava com eles. Zelena lhe infligindo com tantas perguntas já era suficiente. Guardou rapidamente o caderno, abrindo logo após a porta para sua mãe, que há essa hora estava com uma expressão zangada.

- Voltou à mania de adolescente de se trancar no quarto? - ralhou, adentrando e se sentando na cama.

- Acho que já sou um pouco velha para isso. E a senhora deveria pedir permissão antes de invadir o quarto das pessoas. - apesar dos resmungos, sentiu um calafrio ao falar com Cora daquela forma, ainda mais ao ver sua sobrancelha arqueada.

- Para me responder nesse tom, no mínimo algo lhe desagrada, querida.

- Não é isso. - suspirou por fim, se sentia um pouco derrotada. Sentou-se ao lado da mãe, colocando a cabeça em seu colo. Não era algo comum entre as duas, mas às vezes a morena parecia uma criança indefesa. - O beijo não me sai da cabeça e estou ainda mais confusa, a cada dia que se passa.

- É compreensível que se sinta assim. - acariciou os cabelos escuros e lisos. - Quando nos conhecemos, seu pai e eu éramos tão diferentes que jamais imaginei me apaixonar por ele. - quase nunca Cora falava sobre o marido daquela forma, embora Regina sempre achasse o amor dos pais um dos mais verdadeiros que um dia vira. - Na época, nossas famílias se conheciam, mas quase não tínhamos contato. Então, passamos a estudar juntos ainda no colegial. Henry era um dos rapazes mais inteligentes que já conheci. Porém, tão tímido e os outros sempre o importunavam. Acredito que ameaçados por tudo que ele era. Já eu não tinha muitos amigos, sempre preferi ficar sozinha e estudar. Meu sonho era sair de Storybrooke.

- Então a senhora ficou só pelo casamento? - a constatação era um pouco triste, mesmo que isso significasse que a morena estava ali graças ao amor dos pais.

- Ah não, querida. Na verdade, Henry foi bastante categórico nisso. Ele queria esperar para termos uma família depois que nos formássemos. - um sorriso atingiu seus lábios e também os olhos castanhos, que brilhavam encarando o nada. - Então, terminamos a faculdade. Realizei meu sonho de trabalhar em uma grande empresa de advocacia, enquanto seu pai tinha um emprego em uma editora local, mas aos fins de semana se dedicava ao seu primeiro livro.

- Quer dizer que os esboços de A Lenda de Maria nasceram nessa época? - Regina se lembrava bem de ter lido o livro de seu pai, era um dos seus favoritos.

- Sim. - assentiu continuando com as carícias em seus cabelos. - Em uma casa humilde e pequena em um dos bairros simples da capital, essa história nasceu. Lembro-me da sua insegurança em publicá-la. Mas aqui entre nós, confesso que eu estava ainda mais nervosa do que ele. Pois sou uma verdadeira fã de seus contos. Foram anos difíceis em nossa vida, mas o talento de seu pai e nosso companheirismo nos trouxe bons momentos.

- Papai tem um dom de inventar histórias e criar mundos. Eu sei bem como é.

- Depois do primeiro sucesso, ele finalmente conseguiu sua própria editora. - a forma como Cora contava, demonstrando um orgulho e emoção profunda que era inédita para a mais nova. - A partir daí eu comecei a pegar menos casos, engravidei de Zelena e depois de você. Até que saí da empresa após um desentendimento. Naquela época eu já tinha algumas ações no mercado imobiliário, então passei a trabalhar em casa. Seu pai também pouco frequentava a editora, preferindo se dedicar a pequenos contos e romances.

- Mas hoje ele passa bastante tempo lá.

- Acho que é uma das formas de se manter ocupado e ativo, minha querida. - abaixou o olhar para a filha e sorriu, mas não com o mesmo brilho de antes. - É errôneo pensar que quando a idade avança, nós queremos descansar. Na verdade, é quase o oposto.

- Interessante. - sua expressão era pensativa. - Não que eu não ache bonita a história, e com certeza admiro bastante a relação que a senhora tem com meu pai. Mas por que está me contando isso agora?

- Regina, às vezes você consegue ser um tanto quanto sonsa. - revirou os olhos. - O que quero dizer que enquanto não admitir o que sente, não poderá ser feliz na escolha que fez. Para que seguir um costume que não lhe trará benefício algum? Não há sentido em ser conservadora ao ponto de abdicar de sua felicidade. Viverá com uma mulher por quem não está apaixonada? Ou continuará mentindo para si mesma?

Mesmo com toda a confusão, a advogada sabia que não estava apaixonada. Não, ela não sentia algo tão forte assim. Porém, seria mentira se dissesse que pelo menos uma forte atração não existia. Ela queria Emma, era um desejo carnal, mas também passar algum tempo com a princesa. Conhecê-la mais a fundo, de tal forma que Regina tinha consciência de que poucos, ou até mesmo ninguém tinha o privilégio. Não era algo como um dia sentiu com uma pessoa em específico, da qual jamais queria se lembrar. No entanto, a intensidade da atração que tinha por Robin era bem menor do que com sua irmã. Às vezes as comparações eram inevitáveis e a morena se sentia culpada.

- Eu não me apaixonei por ela. - disse se sentando no meio da cama e cruzando as pernas, como costumava ficar quando era adolescente. - É apenas um desejo.

- Querida, basta que isso comece. - comprimiu os lábios tentando não dizer tudo que pensava, pois sabia como a filha poderia ser retraída quando confrontada. - Em dois meses estará casada, e é algo que se deve ter certeza. Além disso, terá que conviver com Emma por meio ano, segundo as leis desse tipo de matrimônio.

- Eu sei. - suspirou vendo a mãe se levantar e lhe dar um beijo na testa. - Preciso descobrir o que fazer mãe. Sinceramente, me sinto perdida como nunca antes.

- Tudo se acertará. - sorriu antes de sair e fechar a porta.

Regina deixou seu corpo cair no colchão, enquanto encarava o teto de seu quarto. Mesmo após tantos anos havia o desenho de algumas estrelas e uma Lua Minguante. Ainda se lembrava de como precisou convencer os pais a colocar aquilo, já que a mãe sempre era bastante organizada e metódica. Lembrava-se de que quando as luzes se apagavam, os desenhos brilhavam fluorescentes. A morena odiava o escuro. Até mesmo quando já não tinha mais medo do que poderia existir nele.

Passou a mão pelos cabelos em nítida confusão e pegou o caderno em sua bolsa. Algo de muito sério e triste acontecera com Emma. A situação com sua amiga, não era a primeira vez que a loira se deparava com o interesse desenfreado e a ganância humana. Agora entendia, pelo menos parcialmente, por que a loira insistia em dizer que seu casamento com Robin era uma farsa, até mesmo dando a entender que Regina tentava uma espécie de golpe ou algo semelhante. Claro que se sentia profundamente ofendida. Mas o que esperar de uma pessoa em que todos seus amigos ou até mesmo alguns romances juvenis eram movidos pelo dinheiro e poder que ela possuía? Apenas por ser filha do rei? Era pesado, até mesmo para ela que estava acostumada a lidar com lobos em pele de cordeiro em seus casos judiciais.

 

 

***

 

Após dias se afundando em planilhas, documentos e contratos para assinar, Emma se encontrava exausta. Além de estressada com todos os problemas diários que a empresa enfrentava. Não era nada preocupante, mas se sentia sufocada naquele escritório. Tomou mais um copo de whisky, já era o terceiro aquela noite. Não estava embriagada, mas um pouco tonta. Afinal, não comia nada há quase doze horas. Arrumou sua sala, saindo logo em seguida. Precisava descansar e no dia seguinte teria uma folga, pelo menos. Tinha combinado com Zelena e o restante da turma para se encontrarem na boate, onde Ruby estava tocando há alguns meses.

Desde o aniversário de seu pai, quando beijou Regina, não a via. E muito menos procurava saber sobre ela, mesmo conversando com sua irmã por mensagens. Ambas tinham muito em comum, mas a loira evitava abordar o assunto. Talvez por isso estivesse tão empenhada em suas funções naquela empresa, a verdade é que tentava se ocupar o máximo possível. Entretanto, mesmo cansada o suficiente para dormir como uma pedra, assim que colocava a cabeça no travesseiro, uma das primeiras coisas em que pensava era na advogada. Em seu corpo e seu cheiro. Mas principalmente, na maciez de seus lábios.

Emma não era uma mulher romântica. Nunca tinha sido mesmo porque poderia contar nos dedos de uma mão o número de relacionamentos que teve. Pelo menos aqueles duradouros ou com algum tipo de compromisso. Claro, morou com Milah durante alguns meses. Mas não sabia se poderia considerar como um casamento. Não brigavam, longe disso. Talvez poucas discordâncias, nada fora do normal para quem conviviam horas juntas. A questão era que a loira não estava satisfeita com aquela situação. Sentia-se presa e vivendo com ela apenas por comodidade.

Esse seria o motivo para se casar com Regina? Não, definitivamente não era. Por mais que se encontrasse um tanto quanto pressionada, mesmo que George evitasse conversar sobre política e tenha lhe dado um espaço, sabia que seu casamento com a morena nada tinha a ver com aquela situação. Ela entendia agora. Talvez tenha se negado tempo demais, não só aquilo, mas tantas outras coisas. Emma estava acostumada a viver na defensiva, escondida em sua concha particular. Ela queria estar perto de Regina, não de uma forma romântica. Mas a morena lhe intrigava de uma forma que ninguém o tinha feito antes. Também não reclamaria em ter aquele corpo lhe aquecendo todas as noites.

Sim, eram esses seus argumentos para desposar sua ex cunhada. Apenas esses. Não havia outros interesses por trás. Emma queria uma mulher bela para si, além de alguém que lhe interessava o suficiente para não se entediar. Afinal, teria que assumir responsabilidades que antes não possuía e fincar raízes na capital. Além disso, a advogada era alguém que poderia lhe dar a estabilidade que precisava para governar. Regina era duquesa, conhecia bem como funcionavam as coisas. E ela tinha sido treinada parte de sua vida para isso. Lembrava-se nitidamente das incontáveis aulas de economia, sociologia e história de Petroia. É claro, aprendera através da literatura e da música, a cultura de seu reino.

No entanto, tudo aquilo parecia mecânico demais. Muita teoria, quase nada em prática. Emma queria viver e ver com seus próprios olhos aquilo que ensinavam os livros. Claro que o sentimento de estar aprisionada, ajudava para que quisesse largar toda a sua herança real e fosse viver pelas inúmeras cidadelas e lugares de Petroia. Era com o que a loira sonhava desde criança. Naquela época fazia sentido suas escolhas, mas agora não parecia serem tão corretas para aquele momento.

Ainda não tinha uma casa sua, em partes porque isso seria a cereja no final do bolo em que admitia que estivesse ali para ficar, e também porque esperava pela a cerimônia oficial de seu casamento. Regina e ela deveriam morar juntas, já que era uma das inúmeras regras impostas àquela tradição especificamente. Chegou ao apartamento já tarde da noite, onde uma Lily bastante cansada dormia jogada no sofá. Geralmente não a acordaria, mesmo porque adorava pregar peças na irmã, mas ela realmente parecia alguém que precisava de uma boa noite de sono. Chamou-a e com algum custo conseguiu empurrar a morena até seu quarto, esta que ia enquanto resmungava algo que a loira não entendia.

Em pouco tempo esquentou um macarrão instantâneo para comer. Não se demorou o banho e vestindo apenas uma camiseta do seu time de Tacobol, acabou caindo no sono rapidamente. No dia seguinte, junto com sua irmã, encontraria com Merida e Ruby para tomarem café da manhã juntas. Ambas queriam ir ao Parque das Orquídeas, um espaço enorme que ficava no centro da capital. Não gostava muito do ambiente, ainda mais porque não fazia seu estilo, mas faria isso pelas amigas.

 

 

***

 

O dia na mansão Mills começava cedo. O jardineiro e o mordomo se encontravam disponíveis e Cora ajudava sua funcionária a preparar o café da manhã. Sempre teve o hábito de acordar cedo e isso só aumentou com a idade. Não gostava muito de ficar parada, embora seu marido fosse diferente. Henry era um pouco preguiçoso, mas geralmente era ele quem organizava as coisas na mansão. Exceto pela decoração e limpeza, estas ficavam a mando de sua esposa, já que esta possuía seu próprio estilo.

Regina também era como a mãe. Por isso, àquela hora já tinha tomado banho e estava pronta para o desjejum.  Terminava de se vestir quando algo lhe chamou a atenção. Não se lembrava de ter colocado ali, ainda mais sabendo que Cora tinha total acesso aquele armário. Mas na semana passada acabou por trazer algumas mudas de roupa, e provavelmente ela estava no meio. Imediatamente a memória de como a conseguiu invadiu sua mente. Em um movimento impulsivo levou a jaqueta vermelha ao nariz. Aspirou o cheiro de tabaco, flores e com um toque amadeirado lhe fez fechar os olhos.

Devido aos anos em que ficara guardada, o perfume era fraco. Mas ainda estava lá e a morena ainda se arrepiava com aquilo. Acariciou o couro, a imagem de Emma tão vulnerável e quebrada lhe deixando incomodada. Não, definitivamente não queria vê-la assim. Mas então por que sempre acabavam discutindo sempre que se encontravam? A sensação dos lábios da loira nos seus, não queria pensar naquilo por enquanto. Mesmo porque inevitavelmente o fazia várias vezes ao dia. Talvez por isso tenha se afundado no trabalho, mas claro que o fato de ler seus diários não ajudava a esquecê-la.

- Regina? – fechou a porta do armário com força demais, talvez.

- O que? – tentou disfarçar ao ver sua irmã entrando em seu quarto, mas reconhecia que estava corando.

- Mamãe está te chamando. – arqueou uma sobrancelha, um sorriso brincando nos lábios carnudos e rosados. – Você está escondendo alguma coisa.

- Lógico que não. – como odiava o fato de sua irmã lhe conhecer tão bem. – Por que está acordada tão cedo?

- Meu empresário quer uma reunião. – revirou os olhos. – Parece que uma galeria nova em Storybrooke está com um projeto para um festival.

- Qual?

- Festival da Chuva. Querem que eu exponha algumas obras lá.

- Isso é maravilhoso, maninha. – demonstrou toda sua animação, empurrando Zelena de seu quarto e fechando a porta.

- E você? Aonde vai assim? – apontou para as roupas casuais.

- Passear no parque. Fazer umas fotos novas. Tem muito tempo que não vou lá.

Desceram as escadas conversando. Já fazia muito tempo que a advogada não saía para praticar sua maior paixão: fotografar. Geralmente, ia até parques ou pontos turísticos da capital. Gostava de captar as expressões fascinadas do turista. Mas naquele dia queria apenas desfrutar da alegria de viver dos petroianos. Reconhecia que seu povo era cativante, sempre com sorrisos e gestos acolhedores. Embora nos últimos anos a cidade tenha crescido consideravelmente, mesmo assim, mantinham sempre os mesmos costumes. Dando um toque interiorano à Storybrooke. Deixou para ir de bicicleta, algo que não fazia há tantos anos. A sua ainda se encontrava na casa dos pais. Cora odiava jogar qualquer coisa fora.

Usava óculos escuros, uma camiseta branca, calças jeans rasgadas e tênis. Quem a visse não imaginaria que era a mesma advogada conceituada, além de duquesa. A verdade é que as pessoas por quem ela passava não se importavam com isso. Uma senhora com flores na mão lhe entregou uma e lhe acenou. Regina aceitou de bom grado, colocando a mesma atrás da orelha sob os cabelos negros. Não resistiu em abrir os braços enquanto atravessava a ponte do rio Lea. Em alguns minutos estava no Parque das Orquídeas.

O Sol não estava forte e em pouco tempo as geadas tomariam conta de tudo. Passou algumas horas procurando o cenário para algumas imagens. Uma senhora que brincava com o que provavelmente seria sua neta, um jovem sendo surpreendido por seu cachorro, na hora se lembrou de Lola. Gostaria de levá-la ali para um passeio, mas isso ficaria para outro dia. Com uma percepção que lhe era característica desde pequena, capturava os momentos que para uns significavam pouco, mas para ela era a verdadeira beleza humana.

As imperfeições em cada foto eram suas preferidas. As rugas que vinham com a idade, os dentinhos tortos de uma criança que gargalhava, o casal que dividia um sorvete e mesmo com os quilinhos a mais pareciam as pessoas mais felizes de Petroia. Suspirou assim como os jovens apaixonados que se beijavam em um banco de madeira. Com um sorriso satisfeito, resolveu comer alguma coisa antes que sua pressão abaixasse ainda mais. Geralmente mantinha uma dieta rígida, já que não podia ficar mais do que três horas sem se alimentar, ou ficaria com mal estar. Caminhava pelo parque, rumo a uma lanchonete que se encontrava no centro do mesmo. Este que era enorme.

- Duquesa. – engoliu em seco ao se virar e dar de cara com aqueles olhos bicolores.

- Emma. – o maxilar rígido entregava todo seu esforço em se manter composta. – O que faz aqui?

- O mesmo que você, provavelmente. – passou a mão pelos cachos loiros, deixando a morena com uma sensação ardente em seu estômago. – Venha, as meninas estão ali.

- Eu vou comer algo, obrigada.

- Não seja desagradável, duquesa. – rebateu puxando a morena pelo braço.

- Delicadeza não é seu forte, não é mesmo? – bufou, mas mesmo assim se pôs a acompanhar a loira, mesmo que a contragosto.

- Eu sou uma mulher de muitas qualidades. Mas sim, delicadeza não é uma delas. – riu ao murmurar no ouvido da menor, enviando ondas de calor por seu corpo. – Elas estão ali.

- Idiota.

Mesmo que a provocasse, Emma se sentia extremamente nervosa e por que não constrangida, na presença da advogada. Segurava-se o máximo para não ceder ao desejo de beijá-la ali mesmo. Era quase incontrolável e bastante tentador. No entanto, se contentou em pegar em sua mão e entrelaçar os dedos. Estava assustada com sua atitude impulsiva, e Regina lhe encarou em nítida confusão, mas resolveu ignorá-la. Já estavam próximas a uma mesa, onde havia duas cadeiras de madeira vagas, lado a lado. Respirou fundo reunindo todas as suas forças, seria extremamente difícil se manter perto da morena, mas precisava tomar cuidado ao lidar com ela. Ou poderia cair em sua própria armadilha.


Notas Finais


É isso aí, pessoal. Acalmem-se que tudo acontecerá ao seu tempo. Até mais. =)


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