História Kiss With a Fist - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Albert Spencer (Rei George), Anna, August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Elsa, Emma Swan, Fa Mulan, Lilith "Lily" Page, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Neal Cassidy (Baelfire), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Ursúla (Bruxa do Mar), Vovó (Granny), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Comedia, Drama, Romance, Swanqueen
Exibições 175
Palavras 3.950
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite, pessoal. Desculpe a demora, mas estou tentando me equilibrar com a falta de tempo e as fanfics. Não quero escrever qualquer coisa apenas para atualizar rapidamente. Por isso, peço paciência e compreensão de todos. Não parece, mas temos vida fora do mundo das fanfics e fandom de séries/filmes. Enfim, espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

Música: Half Moon Run - Full Circle (escutem na cena da dança no parque).

Capítulo 12 - Full Circle


O sentimento de impotência invadia suas entranhas, subindo até sua garganta e deixando um gosto amargo em sua boca. Não estava apenas doente, mas chegando à fase terminal fazia com que o tratamento fosse inútil. Falhou consigo mesmo, com sua esposa, com seus filhos, e pelos deuses, falhou com seu próprio reino. Não era mais o homem forte que um dia governara em prol dos poucos mais de 120 milhões de habitantes de Petroia. Molhou os lábios ressecados, enquanto os olhos varriam as casas e prédios à vista de uma das sacadas da mansão Locksley.

- Querido? – a voz de Ingrid alcançou seus ouvidos, impedindo que deixasse uma lágrima cair.

- Sim? – sorriu forçadamente para ela, mas logo voltando sua atenção para a paisagem à sua frente.

- Está na hora de seus comprimidos. – acariciou o rosto pálido e magro, fazendo o rei soltar um suspiro carregado de alívio.

- Eu... – as palavras simplesmente não saíam.

O que poderia dizer? Ali, naquela sacada, observando Ingrid ele se via perdido e totalmente desolado. Os raios solares de uma tarde de outono iluminavam a pele macia e clara da rainha, fazendo com seus olhos azuis mesclassem com um verde claro. As madeixas douradas e levemente bagunçadas se balançavam com o vento ameno. Ela era linda. Talvez uma das mulheres mais lindas com quem George já estivera. Considerando que sua lista era relativamente pequena. Sempre fora um homem reservado, e na adolescência era um fiasco em cortejar as moças. No entanto, nada daquilo tinha a mínima importância. Porque ele estava casado com quem amava.

Seu casamento não fora fácil. Tudo por uma tradição política e religiosa. Assim como estava sendo com Emma. Porém, mesmo com os percalços, as discussões, a distância inicial e até mesmo a falta de uma paixão repentina, não se arrependia. Naquele momento, tinha poucas certezas na vida, e uma delas era que tomara a decisão certa. Aproximou-se lentamente de sua esposa, apreciando sua beleza, seu perfume e seu calor. Não queria pensar em mais nada e assim o faria. Tomou-lhe os lábios em um beijo lente, mas faminto e pretensioso. Há muito não se entregava ao desejo de estar com ela, de prová-la.

Uma coisa que aprendera com os anos de casamento, era que a paixão ardente, o fogo que queimava o desejo e a excitação do começo, acabava por se esvair. Sobressaía o amor, carinho e momentos mais tranquilos. Não que não se sentisse atraído por Ingrid, jamais. No entanto, não queria jogá-la em qualquer parede, cama e mesa como antigamente. Bastava um afago, um olhar ou poucas palavras. O sexo continuava bom e abrasador, mas também era calmo. Não havia necessidade de estarem sempre juntos, ainda mais no que dizia no sentido físico. Claro que ainda queria passar noites a fora amando sua rainha, mas isso vinha tão naturalmente quanto ia.

- Não que eu estava esteja reclamando. – uma Ingrid corada e sorridente comenta, com a testa encostada à do marido. – Mas o que lhe aflige para essa demonstração tão repentina?

- Tomei uma decisão. – encara o rosto de sua mulher por longos minutos, antes de continuar a falar, pois sabia que a reação dela não seria das melhores. – Quero me mudar para a casa de campo, e manter o tratamento domiciliar.

- O que? – retirou suas mãos pousadas nos ombros do rei, se afastando alguns passos. – Vai simplesmente desistir agora?

- Não está sob meu poder! – poucas vezes perdia o controle com ela, mas precisava que Ingrid enxergasse o que tanto queria negar. – O tratamento não funciona mais. Até mesmo os médicos sabem disso.

- George, nós estamos apenas no começo de sua luta e...

- E eu já estou exausto. – riu ironicamente, deixando toda dor transparecer em suas palavras e gestos. – Já não sei mais por quanto tempo agüentarei. Preciso daquele lugar.

- Então o Conquistador vai passar o resto de seus dias isolado em uma fazenda? – colocou as mãos na cintura, se virando para a visão que tinha da sacada. Por mais que estivesse magoada com a decisão de seu marido, o compreendia como ninguém.

- Por favor, não comece. – limpou uma lágrima insistente. Conhecia muito bem a rainha para saber de seu poder de persuasão. Estava fatigado, quebrado e fraco. Não poderia simplesmente ir contra ela.

- Por quê? – indagou com tristeza em sua voz, mas sem conseguir encará-lo. Uma mão apertando o suéter branco que cobria seus braços. – Sei que aquele lugar foi onde concebemos nossos filhos e os criamos, mas por quê?

- Porque eu quero ir embora onde renasci. – puxou a loira para seu encontro, deixando que o corpo pequeno se encaixasse ao seu.

- Não entendo.

- Quando meu irmão morreu meu maior medo não era me casar com alguém que eu não amava.  Ou ser rei. Mas sim porque eu sabia que ele era superior em muitos sentidos. - colou os dedos sobre os lábios de Ingrid, que se abriram para falar algo. - Eu não odiava a tradição, e sim o que ela me obrigava a encarar. O fato de que eu te arrastaria para o abismo que era a minha vida. Mas então, em uma noite fria em que cheguei tarde do trabalho, quando nós morávamos naquela fazenda, eu te vi em sua mesa analisando seu mais novo projeto. As roupas amassadas, os cabelos presos, a expressão cansada e focada. Lutando para ser uma grande arquiteta. Naquele momento, eu percebi que não importasse o rei que eu fosse desde que você se sentisse feliz e realizada, para mim tudo qualquer sacrifício era válido. Você me ensinou a amar, Ingrid Frost. E isso é a coisa mais linda que um dia me aconteceu. - concluiu apoiando sua testa da de sua esposa, capturando seus lábios em um profundo e calmo beijo.

A rainha aceitou de bom grado. As mãos machucando o tecido da camisa preta de George e o trazendo mais perto, se é que isso fosse possível. Ingrid sabia, na verdade, ela sempre soube que faria qualquer coisa por aquele homem.

 

 

***

 

 

- Senhor, o primeiro ministro de Petroia já está à sua espera. – informou o secretário e assistente, ao abrir a porta.

A sala, que ficava no último andar do prédio alto, estava quase vazia exceto pela presença intimidante do presidente. Em uma mão segurava um copo de vinho tinto e em outra, uma pena vermelha de uma arara. Era seu animal preferido e por ser raro, criava alguns exemplares em sua casa. Mantendo aquela pena sempre consigo, no bolso ou em sua mesa, pois considerava seu amuleto de sorte. Naquele dia em especial, precisaria ainda mais dela. Afinal, estava para colocar em prática uma estratégia que vinha planejando há anos. Levantou-se tomando um último gole da bebida, e se virou encontrando com os cabelos cacheados e loiros de um homem atarracado e com sorriso asqueroso.

- Midas. – o nome saiu forçado, mas ainda sim cordial.

- Jafar. – assentiu levantando a mão para cumprimentar o outro.

Mal se tocaram e voltaram para suas posições iniciais. O presidente indicou uma poltrona em frente à sua mesa, para que seu convidado se sentasse. Assim que ambos o fizeram, um silêncio ensurdecedor tomou conta do escritório. Estavam ali por um objetivo em comum, mas era nítido que a relação estreita se mantinha por um fio. Jafar não gostava de Midas e Midas não gostava de Jafar. No entanto, era assim que funcionava na política e provavelmente assim que seria por muito tempo.

- Seu rei assinou o acordo? – perguntou o presidente de pele morena avermelhada, olhos e cabelos negros. Apesar de ter passado dos cinquenta, ainda mantinha parte do charme conservado.

- Os resultados das negociações estão um pouco... Incertos, eu diria. – manteve o tom confiante, mas sentia a garganta seca. Não poderia falhar em seus planos naquele momento.

- Vocês petroianos... Sempre prepotentes. – resmungou enquanto aquecia o que em sua terra chamavam de narguile, uma espécie de cachimbo grande para se consumir fumos aromatizados. – Não costumam honrar seus compromissos. – soltou a fumaça espessa pela boca, após sugá-la por uma mangueira ligada ao objeto. – Meu pai sempre dizia, e isso é sabido. Há apenas duas coisas que o homem possui e ninguém pode roubar: seu conhecimento e sua palavra.

- George está doente. – afirmou, vendo a surpresa no rosto de Jafar, mas este logo recobrou a expressão indiferente e misteriosa, que lhe eram tão características. – Em breve, sua filha mais velha tomará o trono. Isso pode ser vantajoso.

- Não vejo problemas em uma mulher no poder. – deu de ombros, ainda incomodado com a atitude sempre arrogante de Midas. – Ela colaboraria conosco?

- E se eu te contasse quem, ou melhor, o que ela realmente é? Além de provar que não passa de uma bastarda que não tem nenhum direito sobre a herança? – novamente, o sorriso asqueroso e maquiavélico tomando conta de seu rosto.

- Supondo que você consiga tal feito... – mais uma tragada e mais fumaça invadindo o espaço entre os dois. – Poderei confiar no seu próximo governante?

- Obviamente. – os olhos verdes brilharam em expectativa. – Um homem de minha confiança assumirá, um que vem de uma família que é a verdadeira herdeira do trono de Petroia.

- Não tenho muito mais tempo, Midas. As medidas devem ser tomadas em breve. – arqueou uma sobrancelha, esperando não ser traído pelo homem.

- Eu lhe dou todas as garantias, Jafar. Em todos esses anos, quando lhe desapontei?

De fato, o presidente não se lembrava de um acordo que não fosse honrado pelo primeiro ministro. Esperava que apenas aquilo fosse suficiente. Já ansiava há muito por aquilo, e se precisasse, se livraria de Midas ou quem quer que fosse para seguir com seus objetivos.

 

 

***

 

 

A conversa na mesa estava animada. Principalmente com a presença de Merida e Ruby, que eram as mais engraçadas e adoráveis companhias. Mesmo que a ruiva dedicasse mais tempo flertando com Lily. A única que não parecia muito atenta ao que era dito, inclusive estava mais preocupada em observar as pessoas no parque, ou seu celular, era a princesa. Regina ficava curiosa com sua postura série, até na presença das amigas, mas se recusava a puxar assunto com sua futura esposa. Afinal, ainda remoia o jeito rude com que Emma insistia em lhe tratar sempre que se viam. Considerando o fato de terem se beijado no aniversário do rei.

- Mary, onde está Owen? – indagou para a cunhada, que se empanturrava com um frango assado e purê de batata.

- Com o pai. Eu precisava de um tempo. – suspirou com a expressão cansada. – Não me levem à mal, adoro ser mãe. Mas uma criança pequena tira todas as nossas energias.

- Inclusive para gastar com o maridão? – Ruby soltou mais uma de suas piadas, fazendo todas rirem, exceto por Emma que sustentava uma careta.

- Bom, não temos o mesmo pique de antes. – uma Mary corada e constrangida respondeu. – Por sorte minha sogra e minha mãe adoram passar um tempo com o neto, então às vezes saímos ou ficamos em casa mesmo.

- Ah sim. Repor o tempo perdido. Entendo. – Merida completou, causando novamente alvoroço entre as mulheres. – Então, onde está Rose? Estranhei que ela não veio, já que vocês estão sempre juntas.

- Provavelmente preparando as coisas do casamento.

- É verdade. Lembro que ela arrastou Killian hoje de manhã quando passei na mansão para tomar café com minha mãe. – Emma comentou com um sorriso divertido, certamente por achar engraçado o poder que sua cunhada tinha sob seu irmão. – Nunca antes eu tinha visto aquele idiota tão apaixonado.

- Ainda mais com a fama que ele tem. – Lily disse com a boca cheia de batatas fritas. – Ai! Por que você me beliscou? – arqueou as sobrancelhas para a ruiva ao seu lado, enquanto massageava o braço.

- Por favor, tenha mais modos ao comer. Parece uma criança. – revirou os olhos, mas deu um beijo rápido nos lábios da morena, que sorria bobamente em sua direção.

- Você fala do Killian como se estivesse em uma situação melhor do que ele. – Ruby provocou também roubando algumas batatas fritas de Emma, o que gerou uma pequena discussão entre as três.

Era nítida a forte amizade que mantinham, mas isso deixava Regina ainda mais intrigada. Primeiro porque agora sabia que Emma não estava morando com a mãe, como ela imaginava no início. Segundo, devido à forma como a loira não conseguia relaxar totalmente. Mesmo com a conversa, as brincadeiras e a forma íntima que tratava os amigos, via que a princesa ainda com a postura tensa, a expressão fechada e muitas vezes pensativa demais. Queria entendê-la e descobrir tudo ao seu respeito, mas era difícil quando se irritava em sua presença e em sua insistência para se mostrar uma mulher fria e inabalável.

Como não estava tão faminta assim, mas não podia ficar muito tempo sem comer, optou por uma salada simples. Estava assustada em como Mary andava comendo o dobro do que era normal para ela, porém guardou a observação para si. Sabia que a professora era preocupada com a aparência e se incomodava com os quilinhos a mais. Esta conversava com Ruby, enquanto Merida e Lily estavam presas em uma bolha, onde ambas sorriam apaixonadas e se beijavam algumas vezes. Ela se mantinha alheia ao que acontecia, e não hesitou em retirar sua máquina fotográfica da pequena bolsa em sua bicicleta. Queria registrar aquele momento, pois era de uma espontaneidade linda. Emma agora brincava com os guardanapos, fazendo pequenas bolinhas de papel e apertando em seus longos dedos. Não demorou para que uma pequena guerra começasse entre ela, Ruby e Merida. Bolinhas voavam por todos os lados, inclusive uma delas acertando em Regina, que tentava registrar o momento.

- Corre, Swan. Acho que sua duquesa vai te castrar antes do casamento. – a DJ gracejou não conseguindo segurar uma gargalhada.

- O que? – a princesa se virou para observar a morena ao seu lado.

No entanto, a advogada estava mais preocupada em tirar uma foto de um momento deveras raro: Emma Swan sorrindo verdadeiramente. Era uma alegria inédita para ela, que apenas se encantava ainda mais com a cena. Mal conseguiu retirar a câmera do rosto, quando encarou as íris verdes e castanhas da loira. Era um magnetismo inexplicável, mas que lhe prendia àquele olhar profundo e que lhe desnudava.  Não era a primeira vez que ficava presa uma à outra, mas era a primeira onde Regina se sentia tão tentada a entrar na alma e cabeça de Emma Swan, lhe desvendar e lhe cuidar para que jamais voltasse a ver tanta dor. Sim, além da sensualidade natural da empresária, Regina via uma solidão e frieza que lhe assustavam.

- Então, acho que já podemos pedir a conta, certo? – Mary interrompeu o silêncio que tinha se instaurado na mesa, recebendo o aceno positivo de todas.

Em alguns minutos tudo estava pago, e cada uma tomando seu sorvete seguiram em uma pequena caminhada pelo parque. Ruby brincava com alguns cachorros, que sempre se aproximavam dela por qualquer motivo desconhecido. Mary tinha sido parada duas vezes por algumas crianças, que aparentemente foram seus alunos ou ainda eram. Merida e Lily andavam um pouco mais afastadas, de mãos dadas e parando para algumas fotos que Regina pedia para fazer. O clima gostoso e ameno se instaurava no grupo de mulheres. Porém, estava perto de escurecer em algumas horas, e tinham combinado de irem à boate naquela noite. Além das seis, iriam seus respectivos parceiros e Zelena.

- Sabe duquesa, já te imaginei vestindo algumas coisas. Mas jeans não é uma delas. – murmurou no ouvido da morena, que viu um sorriso divertido em seus lábios. Claramente tentando provocá-la. Tentou não ficar muito nervosa com o que a loira quis dizer com imaginá-la.

- É mesmo? Eu também já pensei que você usasse muitas coisas. Aparentemente seu cérebro não é uma delas. – tomou um gole do chá gelado, que preferiu pedir ao invés do sorvete como o restante.

Observou a expressão da princesa se fechar, e seus braços se cruzarem como uma criança birrenta. Esta que não durou muito, pois Ruby logo pulava em suas costas e Emma saiu correndo com a morena. Regina não hesitou em registrar esse momento e os demais que se seguiram. Ainda estava intrigada com o momento que tivera com a loira. Aquela intensa troca de olhares ficaria em sua cabeça por muito tempo, disso ela tinha completa certeza. Já se preparando para ir embora, o grupo passou por uma banda de rua, que se apresentava em uma das calçadas no parque. Muitas pessoas paravam para assisti-los, se encantando com belíssimas músicas que tocavam e cantavam. Eram melodias leves e deliciosas, as letras bastante poéticas e que convidavam a todos para dançarem. Mulheres, homens, crianças e idosos. Alguns mais tímidos, mas que logo se soltavam.

- Olha só, que honra! Temos aqui a princesa Swan. – o vocalista disse após o término de mais uma música.

- Obrigado. – Emma sorriu corada, enquanto acenava para algumas pessoas que lhe cumprimentavam.

- Então, aproveitando essa visita, vou dedicar-lhe uma música, princesa. – afirmou o rapaz que não devia ter mais do que vinte e dois anos. Os cabelos castanhos e lisos presos em um coque despojado, a barba por fazer e o corpo magro perdido em uma enorme camiseta e calça de tecido.

O resto da banda era formado por três mulheres e outro rapaz, que se vestiam de forma parecida com o vocalista. Parecia um grupo de amigos, que claramente estavam felizes e amavam o que faziam. Apaixonados pela arte, fazendo com que Regina quisesse capturar aquele momento. De longe podia ver Merida, Ruby, Mary e Lily cochichando algo, mas resolveu ignorar. Com certeza estavam fofocando ou algo do tipo. Mal teve tempo de tirar uma foto, quando sentiu Mary lhe chamando. Encarou confusa a cunhada, mas se aproximou de onde suas amigas estavam.

- Emma por que você não vai dançar? – Ruby comentou como quem não quisesse nada, embora houvesse um brilho malicioso em seus olhos claros. – Sempre via suas aulas com seu pai e aquele professor de dança.

- É mesmo? Engraçado, a Regina também teve dessas aulas. – Mary se colocou ao lado da morena, retirando a alça que prendia a máquina ao seu pescoço.

- Não, não quero dançar. – balançou negativamente a cabeça.

- Por que, duquesa? Acha que não consegue me acompanhar? – o sorriso divertido da loira estava de volta, fazendo com que o corpo da advogada se arrepiasse e se aquecesse com o desafio.

- É o que veremos, senhorita Swan. Creio que em breve você quem não conseguirá manter o meu ritmo. – rebateu com os olhos estreitados, lançando sombras em seu rosto.

A empresária não se deu ao trabalho de continuar as provocações, deu seu boné para Ruby segurar enquanto amarrava as longas madeixas loiras em um coque. Puxou o corpo da morena contra si, já que a música finalmente começava. A diferença de altura era ainda mais gritante, pois Regina estava de tênis. Mesmo sem salto, Emma ainda parecia ainda maior devido à roupa preta que usava e a postura imponente. Começaram um pouco tímidas, ainda mais devido aos olhares que não se desconectavam. Agarrada aos ombros fortes e à mostra de sua cunhada, a advogada deixou que ela lhe conduzisse, pois assim pedia a dança. No entanto, mesmo assim, não era algo submisso.

Os corpos se balançavam ao som daquela melodia tão cativante, a letra parecia se encaixar em parte daquilo que Regina imaginava sobre Emma. No entanto, estava ficando difícil manter qualquer pensamento coerente com o rosto da loira encostado ao seu, a respiração ofegante, olhos bicolores lhe invadindo a alma e o braço forte apertando sua cintura. À medida que o ritmo e os passos iam aumentando, as mãos da princesa percorriam o corpo da morena, que apertava ainda mais sua perna na coxa dela.

Separaram-se por alguns segundos, enquanto Regina ficava de costas para Emma, fechando os olhos e rebolando contra ela. Sentia o ar quente batendo contra seu pescoço, e lábios macios roçando em sua nuca. Abaixaram-se um pouco, retornando à posição inicial. Claro, sabia que estavam em um parque repleto de pessoas que poderiam não achar isso apropriado, mas estava quase impossível evitar tal provocação. Até porque não conseguia pensar em mais nada ou ninguém, apenas naquela dança, naquele calor que lhe tomava conta e naquela sensação tão prazerosa. Diferente de antes, já não sentia que era errado. A culpa tinha ido embora para dar lugar ao que Regina sabia que era desejo. Estava espantada com aquilo, mas não poderia negar.

Ao final, em uma bagunça de rodopios, pernas, braços, olhares e sorrisos enigmáticos a música parou. Emma segurava Regina contra seu corpo, que estava com a perna levantada em sua coxa e os braços em volta de seu pescoço. Voltaram para a posição inicial, mas sem se desgrudarem. As testas descansadas uma contra a outra, os lábios roçando e os olhos fechados. O ar quente das respirações ofegantes se misturava. O magnetismo que as atraía estava de volta, mas foram interrompidas pela explosão de palmas que preencheram aquela parte do parque. Como se voltassem à razão, as duas se separaram ainda meio atordoadas.

- Isso que eu chamo de show, cara! – Merida exclamou passando os braços pelos pescoços de Emma e Regina ao mesmo tempo. – Vocês deveriam ganhar uma grana com isso.

- E elas precisam? – Ruby implicou devolvendo o boné à amiga.

- Estou fascinada!

- Encantada!

Mary e Lily completaram juntas. Claro que as outras perceberam o clima entre ambas, mas decidiram não levantar o assunto. Afinal, as conheciam muito bem para saber que resolveriam isso quando estivessem sozinhas. Até mesmo porque um parque não era local para aquilo. O noivado entre a duquesa e a herdeira estava oficialmente anunciado, porém não era de bom tom que ficassem trocando carícias em público antes do casamento. Bastasse que já tivessem dançado. Agradeceram à banda, que também se levantou para cumprimentá-las, mas logo voltaram aos seus lugares e continuaram tocando. O público no parque só aumentava ao redor deles.

- Bom, então nos vemos mais tarde. Hoje eu vou tocar e espero que vocês venham me ver. Além disso, temos uma visita especial na casa, que vai nos dar um desfile exclusivo. Adivinha quem? – perguntou se virando para Emma.

- Não faço a menor ideia. – respondeu com a expressão confusa, que era bastante adorável por sinal.

- Cara, você precisa tratar o seu déficit de atenção. – Merida revirou os olhos, escondendo um sorriso.

- A única pessoa que nós conhecemos que desfila e atualmente tem uma marca de roupas?

- Seria... – franziu a testa, fingindo se lembrar.

- Porra, Emma! A eMözzie. Ou para os íntimos, o Bob. – Ruby rebateu batendo na parte de trás da cabeça da amiga.

- Espera! É a famosa drag queen? – Mary parecia bastante interessada na informação. – Eu sou doida para conhecê-la. Seus vestidos são os mais lindos e super conceituais.

- Ela mesma. – foi a vez de a ruiva responder. – Nossa amiga de altas aventuras noturnas.

- Adorei.

Após a animação inicial da esposa de David, e as despedidas, o grupo se separou cada uma seguindo o rumo de sua casa. Regina não pôde evitar trocar mais um olhar com Emma, mas não disse nada. A princesa também parecia preferir se manter em silêncio. Não sabia o que dizer, e esperava que naquela noite conseguisse se esquecer de tantas sensações indesejáveis que tinha perto de Regina. Já a advogada refletia sobre os acontecimentos daquela tarde, enquanto voltava para casa em sua bicicleta e tentava manter a calma. Em breve estaria frente a frente com a loira novamente, e se não fosse por sua irmã, provavelmente ficaria em casa naquela noite.

 


Notas Finais


É isso, pessoal! Para quem tiver sugestões, dúvidas, críticas ou lamentações é só comentar, mandar mensagem ou fazer sinal de fumaça. Até a próxima.

Meu twitter: @m_anumoreira.


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