História Kiss With a Fist - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Albert Spencer (Rei George), Anna, August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, David Nolan (Príncipe Encantado), Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Dr. Whale (Dr. Victor Frankenstein), Elsa, Emma Swan, Fa Mulan, Lilith "Lily" Page, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Neal Cassidy (Baelfire), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Roland, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Ursúla (Bruxa do Mar), Vovó (Granny), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Comedia, Drama, Romance, Swanqueen
Exibições 189
Palavras 3.749
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa noite, pessoinhas. Primeiro, quero agradecer aos comentários, favoritos e a quem acompanha essa fanfic. É bom saber que a história agrada de alguma forma. Segundo, hoje teremos capítulo duplo. Tentei fazer uma maratona, mas realmente não foi possível. Por isso, espero que apreciem os dois.

Boa leitura! Em alguns minutos venho com o próximo!

Capítulo 9 - The Diaries


O aniversário do rei seria naquela mesma noite, e devido aos preparativos para a cerimônia de coroação, Ingrid não queria depender de especialistas para organizar algo tão simples como um jantar. Afinal, estava pensando na saúde de seu marido e que ele não poderia se cansar facilmente. Porém, assim como era reservado, George também era bastante teimoso. Quando tomava alguma decisão se mostrava bastante relutante em mudá-la. Queria uma festa, pois sentia que talvez não pudesse comemorar o próximo. Mesmo contrariada, a rainha acatou sua vontade. Por isso pediu que suas noras, além de Lily, Zelena e Cora a auxiliassem.

Regina aceitou, apesar de um pouco hesitante. Por motivos que desconhecia, ou não queria admitir, tentava se manter afastada do clã Swan nos últimos dias. Talvez por tudo que sua mãe lhe disse e pelos momentos que teve com sua futura esposa. Embora evitasse sequer pensar na princesa. Era preferível se concentrar em qualquer outro assunto. Estavam todas as mulheres reunidas na mansão, onde cada uma desempenhava um papel.

Zelena e Lily ficavam responsável pelas bebidas. Ambas tinham se aproximado, ainda mais porque confabulavam sobre o casamento de suas irmãs. Já Cora e Ingrid organizavam o jantar, além da decoração. Compartilhavam gostos e ideias, o que as deixaram bem próximas ao longo dos anos, principalmente após o casamento de Robin com Regina. Esta que fiscalizava o serviço dos funcionários. Estava indo andando pelos corredores, quando algo lhe chamou a atenção. Havia um quarto que sempre estava com a porta fechada, não importavam as circunstâncias. A morena se lembrava que Ingrid nunca permitia que alguém entrasse ali. Não entendia os motivos e depois de um tempo parou de se importar. No entanto, não via ninguém por perto e a oportunidade parecia deliciosamente tentadora.

O espaço era bem iluminado, em partes pela janela que dava para o jardim dos fundos, mas também pelas cortinas claras. Era grande, talvez um dos maiores da mansão com alguns móveis entalhados em carvalho. Havia uma cama de casal, um armário extenso cobrindo quase toda a parede, uma cômoda onde se podia ver materiais de desenho. Apesar do ar infantil, pôsteres de bandas de rock com destaque para algumas modelos femininas, imagens de motos e carros clássicos davam um ar um tanto quanto rebelde. Os tons pastéis, rosas e marrons faziam contraste com a decoração. O cheiro de lavanda indicava que era limpo com frequência, mesmo que parece intacto, como se tudo estivesse posicionado exatamente no mesmo local e da forma que fora deixado.

No chão amadeirado, tênis e botas de couro estavam espalhados para todos os lados. Regina tinha a impressão que o ambiente se encontrava parado no tempo. Perguntava-se a quem pertencia, mas a resposta era óbvia. Estava incerta se era pelo toque feminino, ou a foto em uma moldura dourada na cômoda. A advogada invadia não só um quarto, mas a intimidade e passado de Emma. Sabia que era errado, porém queria entender um pouco mais sobre a mulher com quem talvez se casaria em alguns meses. Às vezes sentia que ela era uma total estranha para si.

Após alguns minutos observando a decoração, deu alguns passos vacilantes em direção ao armário escuro. As roupas em sua maioria eram pretas, alguns blusões azuis e vermelhos, calças de moletom e militares, e poucos vestidos longos. Não havia nada de muito especial, e a morena se perguntava porquê Emma havia deixado tantas coisas para trás. A resposta não demorou a surgir em sua mente: ela fugira. Isso explicava muito, inclusive o fato de Robin nunca tocar naquele assunto. Seu marido sempre ficava arredio quando ela o fazia. O que levaria Emma a abandonar toda uma vida, família e amigos para fugir? Provavelmente seu relacionamento conturbado com o pai era um fato decisivo. No entanto, teria sido apenas esse o motivo?

Já estava saindo do quarto, pois alguém com certeza procurava por ela. Escutou um barulho semelhante à madeira rangendo, o que a fez parar. Mais uma vez se mexeu para identificar de onde vinha. Percebeu que era do assoalho, mas ainda assim não sabia exatamente onde. Até que viu uma tábua solta. Estava bem próxima do tapete, sendo parcialmente coberta. Para sua surpresa, não apenas uma e sim várias se encontravam soltas lado a lado. Retirou cuidadosamente uma a uma, guiada por sua curiosidade, encontrando três cadernos de capa dura feita de couro. Abriu na primeira página de um deles, ainda com receio do que pudesse encontrar. Em uma letra cursiva, em sua opinião extremamente bonita, apenas um nome: “Emma”.

– Um diário? – franziu o cenho incerta sobre o que fazer com aquilo.

Resolveu levá-los consigo. Sentia que estava sendo invasiva, mas era aquilo que precisava para sanar sua confusão. Ou apenas aumentá-la. Saiu rapidamente do quarto, fechando a porta. Não pretendia ser pega por sua sogra. Mordeu o canto da boca, mania essa que tinha quando adolescente. A verdade era que se sentia como uma agora. Fazendo algo que não devia ou que era inapropriado. Por sorte, não encontrou nenhuma das outras mulheres, dando assim, tempo de guardar os cadernos em sua bolsa na sala.

– Onde você estava? – a voz de Zelena preencheu o ambiente.

– Quer me matar do coração? – exclamou se virando rapidamente e colocando a mão sobre o peito.

– Fazendo algo de errado. - apontou para a irmã com um sorriso divertido. – Eu conheço essa expressão. Era como quando fazíamos algo escondido da mamãe. - a ruiva parecia uma criança desmascarando a irmã.

– Fala baixo. - revirou os olhos, enquanto se aproximava. – Olha eu achei uma coisa e depois te conto com mais calma. Vamos, a festa começa em algumas horas.

– Isso não se faz, não deveria me deixar curiosa. - bufou irritada, mas seguiu a morena.

Ambas voltaram para o salão de festas, que ficava em uma parte separada do restante da casa principal. Ali era onde geralmente organizavam os eventos familiares. Estava quase tudo pronto. Ingrid era um tanto quanto ansiosa e rígida com suas responsabilidades. Mesmo porque, assim como o marido, sabia que aquela poderia ser a última vez em que comemorariam seu aniversário. Claro que doía pensar desta forma. No entanto, as esperanças se esvaíam cada vez que retornavam de uma sessão de quimioterapia e George ficava ainda mais debilitado. Enquanto sua doença avançava agressivamente, sem nenhuma misericórdia. Mas naquela noite não se deixaria abater, assim como as anteriores. Estaria ali por ele e por toda sua família.

– Querida, acredito que podemos contratar esse mesmo cozinheiro para o casamento de Emma e Regina. – Cora comentou assim que se colocou ao lado da outra mulher.

– Realmente, ele me agrada. - concordou enquanto observava a forma como o homem lidava com seus próprios funcionários e com a preparação dos alimentos. – Mas acho que temos questões mais importantes a tratar. Creio que devido ao estado de George, o casamento será no mesmo dia da cerimônia de coroação.

– A festa da união dura quase três dias. - constatou com a expressão confusa. – É prudente que a futura rainha de Petroia se case em uma celebração de apenas algumas horas?

– Não, mas não tenho outra alternativa. Mesmo porque as circunstâncias também não são muito comuns. - suspirou, o semblante demonstrando todo seu cansaço.

– Meu coração de mãe me diz que talvez estejamos enganadas. - sorriu brevemente, pois nem mesmo quando estava bastante animada conseguia demonstrar muita emoção. – Há anos que não vejo Regina tão reflexiva.

– Acha que um dia elas serão felizes?

– Eu tenho certeza.

A afirmação veio firme, convicta e sucinta. As duas ainda continuaram com toda a organização, mas logo se despediram, pois precisavam se arrumar. Em breve os convidados chegariam, e Ingrid ainda verificaria como estava seu marido. Este que estava no escritório com Sidney. Nos últimos dias estavam ainda mais reclusos, incluindo até mesmo Emma nas intermináveis conversas que tinham trancados naquele cômodo. A rainha não gostava muito da ideia de George se estressar demais com assuntos políticos, mas sabia que era uma das poucas coisas que o mantinham em pé. Porém, a noite se aproximava e não podia se dar ao luxo de pensar sobre isso.


 

* * *


 

A cafeteria estava movimentada, mas era algo comum, ainda mais por ser um fim de semana. Todos aproveitavam para uma caminhada, afinal, o inverno se avizinhava. Em pouco tempo seria quase impossível sair de casa, muito menos transitar pelas ruas da capital. Storybrooke era tomada pela neve e ventanias. No entanto, ainda havia um pouco de Sol e as temperaturas estavam mais amenas. Mesmo assim, Emma se encontrava com uma touca escura e botas impermeáveis. Tomava chocolate quente, enquanto saboreava algumas rosquinhas de caramelo salpicadas de açúcar. Eram suas preferidas. Sentada em uma das mesas próximas às grandes janelas de vidro, aproveitava para observar o movimento das pessoas na calçada.

– Emma Swan? – o tom rouco lhe pegou de surpresa, mas logo se levantou para cumprimentar o homem que parava ao seu lado.

– O pequeno Humbert!

A princesa se lembrava de Graham, mas a imagem que vinha em sua cabeça ao pensar no antigo colega de escola era outra. Afinal, jamais imaginaria que aquele rapaz magricelo e de estatura mediana, se tornaria em um belo homem, forte e alto. Além dos cabelos castanhos mais desgranhados e a barba por fazer. Seu estilo também havia mudado, pois havia trocado os óculos por lentes de contato e as roupas de lã feitas pela mãe, por jaquetas de couro e calças jeans já desgastadas devido ao uso. Claro que algumas coisas continuavam as mesmas, como os sorrisos fáceis e o modo gentil como se dirigia às pessoas.

– Quanto tempo não nos vemos. - comentou Graham, enquanto se sentava na cadeira do outro lado da mesa.

– Um pouco mais de doze anos. - assentiu, chamando uma garçonete.

– Eu quero apenas um café sem açúcar, obrigado. - pediu à moça, mas logo voltou sua atenção para a loira.- Então, você não entrou em muitos detalhes quando me ligou.

– O que eu preciso lhe dizer é melhor que poucos saibam.

– Mesmo que tenha marcado esse encontro em uma das cafeterias mais movimentadas da cidade?

– Eu gosto das rosquinhas. - deu de ombros, mas logo riu junto com o amigo. – Acontece que preciso de alguém de confiança para trabalhar comigo.

– E por acaso o que eu teria que fazer?

– Resumindo? Proteger a minha família. - tomou mais um pouco de chocolate quente e mordiscou a cobertura de caramelo. – Minha mãe já está cansada, em breve eu me tornarei rainha e meus irmãos estão formando suas próprias famílias. David e Mary já tem até um filho.

– Sim, eu sei. De vez em quando saímos e colocamos a conversa em dia.- afirmou pegando o café que a garçonete lhe oferecia e dando um gole.

– Exatamente. Você os conhece há anos, eu confio em seu caráter e Merida me disse que se tornou um bom policial. Essa é a experiência que preciso.

– Olha, eu parei há algum tempo. - passou a mão pelos cabelos despenteados. – Minha mãe adoeceu e precisei lhe dar uma atenção ainda maior. Além disso, devido ao estresse do trabalho, digamos que minha saúde ficou debilitada.

– Não, eu não vou exigir que tenha o mesmo ritmo de antes. - balançou a cabeça negativamente. – O que quero é que monte uma equipe com pessoas em quem confia, me passe seus contatos e reivindicações. Falamos em preço e horários depois.

– Percebi que não pediu uma proteção própria.

– Em eventos ou viagens talvez eu precise. - desviou o olhar, mas logo encarou o amigo. – A verdade é que sei me cuidar.

– Não duvido. - de fato, Graham via nas íris de cores diferentes, que a loira falava sério e que dificilmente alguém sairia vivo ao tentar algo contra ela. – Então, quem devo proteger e como devo fazer isso?

– Minha mãe, acho que você se lembra dela. - viu o amigo assentir continuou. – Meus irmãos, Sidney, algumas de nossas propriedades e... Regina Mills. - travou o maxilar, sua expressão voltando ao ar de indiferença que geralmente possuía.

– Espera, essa não era a esposa de Robin? – levava a xícara aos lábios, quando parou o movimento ainda no ar. – Não me diga que...

– Sim, nós seguiremos a tradição. - a frieza em sua voz era ainda mais presente do que o habitual.

– Uau! – parecia genuinamente surpreso. – Nunca imaginei que Emma Swan fosse uma mulher de seguir as regras.

– Nem você e nem eu, meu amigo.

Continuaram com o assunto por mais alguns minutos, enquanto acertavam os últimos detalhes. Ainda passaram o restante da tarde relembrando os momentos de suas adolescências, além de contarem como foram os últimos anos. Era agradável e um tanto quanto estranho, para Emma se abrir assim novamente. Ainda havia muito guardado, mas sentia que aos poucos se rodeava daqueles que um dia foram tão importantes. Finalmente estava se sentindo mais confortável com a ideia de morar em Storybrooke após mais de uma década longe. Porém, precisava se arrumar para o aniversário de seu pai. Despediu-se de Graham, mas não sem antes de convidá-lo para ir à festa. Este recusou educadamente, dizendo que tinha que ficar com a mãe.

Passou pelo apartamento de Lily, que era mais sua casa do que a própria mansão, onde ainda suas coisas estavam encaixotadas. Não era muito, mas não se sentia preparada para levá-las para onde moraria em breve. Claro, que apenas depois do casamento. Porém, não queria pensar sobre isso naquele momento. Após um longo e relaxante banho, começou a se vestir. Lily havia acabado de chegar da mansão, onde ajudava sua mãe. As duas terminaram de se arrumar sob brincadeiras e risadas.

Em poucos minutos estavam a caminho da festa. Emma vestia um macacão preto, com saltos pequenos, já que era naturalmente alta. Já Lily preferia calças jeans escuras, uma bota de couro marrom e uma camisa de seda azul. Por mais que possuíssem estilos parecidos, a maior semelhança ainda era o castanho dos olhos. Além de algumas manias, que tinham em comum não apenas pela convivência, mas também por compartilharem da mesma genética. Caminharam para dentro do salão de festa, onde muitas pessoas já se acomodavam. As mesas bem distribuídas tinham os nomes de cada família.

A decoração era belíssima, muito bem pensada por Cora e Ingrid. Os tons escuros se destacavam com as cores de Petroia. Estas que eram azul, vermelho e dourado. Em algumas cortinas e fixado a uma das paredes, se encontrava o brasão da família Swan. A imagem de um leão com algumas flores o rodeando. George e Ingrid recepcionavam os convidados, e mesmo que estivesse em pé há algum tempo, o rei não demonstrava nenhum sinal de cansaço. Pelo contrário, parecia feliz e leve como a loira nunca o tinha visto antes. Em nenhum momento de sua vida pôde presenciar tamanha serenidade vinda de seu pai. Afinal, o homem estava sempre nervoso e estressado com os problemas do reino.

– Parabéns, velhinho. - brincou com o pai, mas logo o abraçou. Era emocionante, e ao mesmo tempo confuso ter os braços do rei a apertando, sentir de perto seu perfume tão conhecido.

– Emma, por todos esses anos...

– Eu sei. - aumentou a intensidade do abraço, como se nunca mais quisesse soltá-lo. – Por favor, esqueça isso, pai. Apenas me deixe aproveitar um pouco mais.

Sim, o mais velho sabia ao que sua filha se referia. Aquele era um pedido sutil, onde Emma reivindicava um tempo que nunca teve e talvez, jamais teria. Afinal, não dependia apenas dele para que pudesse ficar mais ao lado de sua família. George sentia que não tinha mais forças para lutar, e os tratamentos já eram ineficazes. No entanto, não poderia partir sem antes conseguir o perdão de todos aqueles que machucou. Mas acima de tudo, não queria morrer sem perdoar a si mesmo. Não ficaria bem enquanto não ficasse em paz com seus demônios. Sabia que estava no caminho para que isso acontecesse, mas a cada dia que passava, sentia que tinha menos tempo com sua família.

– Acho que chega de lágrimas por hoje. - a princesa brincou, se soltando do pai e lhe dando um beijo em sua testa. Tentava inutilmente disfarçar que havia chorado.

– Concordo, é claro. - clareou a garganta e fazia o mesmo que sua filha. Ingrid apenas observava o momento, vendo como ambos eram tão parecidos.

– Eu não acredito que te vi corar. – Lily soltou, mesmo prendendo o riso, o que claramente não estava dando certo.

– Cala a boca. - murmurou revirando os olhos de cores diferentes.

Os dois mais velhos apenas sorriam com a amizade das irmãs. Para George era ainda um pouco difícil presenciar aquela cena, pois se sentia culpado. Não só pelo que fizera com sua filha, mas todos os momentos que um dia privou que ambas vivessem juntas. Talvez se sua relação com Leopold tivesse sido saudável, entenderia como era importante que dois irmãos crescessem e amadurecessem juntos. Porém, evitou tais pensamentos. Pelo menos naquela noite. Precisava aproveitar a tudo e a todos enquanto ainda lhe era permitido. Apenas trocou mais algumas palavras e logo se afastou. Procurava por Sidney, afinal, nos últimos dias conseguia desabafar apenas com o melhor amigo. Talvez Emma não tenha puxado só o verde de seus olhos, mas também toda sua personalidade. Isso lhe enchia de orgulho... e medo.


 

* * *


 

Por mais que quisesse ler o que continha naqueles diários, Regina não conseguia nem um minuto sequer sozinha. Após um longo dia ajudando Ingrid com a organização da festa, mal teve tempo para se arrumar. Esperava que em seu apartamento tivesse mais privacidade, mas este havia sido invadido por Zelena. A ruiva dizia que não aguentava o comportamento dos pais, já que novamente teve o desprazer de pegá-los em uma cena bastante constrangedora. Claro que a advogada sabia que sua irmã não se importava com isso, sendo apenas um pretexto para sanar sua curiosidade quanto ao flagra que ela lhe dera mais cedo.

– Mas Regina, eu quero saber mais sobre sua futura esposa. É preocupação de irmã. - choramingava a artista, recebendo um olhar fulminante da morena que não acreditava em nenhuma daquelas palavras ditas.

– Já disse que não! E se continuar me importunando, eu corto o pouco de informação que lhe darei quando ler esses malditos diários.

– Nossa, como você é mal-amada, querida. - pegou uma maçã, mordiscando um pedaço. – Acho bom Emma ter uma performance satisfatória na cama, quem sabe assim melhora seu humor.

– Eu não vou... - interrompeu a frase sobre o olhar acusador da irmã. – Esquece.

Mesmo sob protestos da mais velha, a advogada ainda mantinha a decisão de não deixá-la ler os diários. Na verdade, sentia como se estes fossem pequenos segredos que compartilharia com Emma, mesmo que de forma indireta e indevida. Era algo que queria deixar apenas entre as duas, pois parecia especial. Para Regina era assustador se ver interessada por uma pessoa que tanto julgou e que ainda possuía más impressões. No entanto, desde que a princesa estava de volta, sentia que havia muito o que descobrir a seu respeito. E que talvez ela estivesse enganada esse tempo todo.

Com sua irmã no banco do passageiro, seguiu em direção à mansão. Não demorou para estarem no salão de festas. Cumprimentaram os anfitriões, em especial George, que agora estava sentado em uma mesa com Sidney e parecia cansado. Devido ao grande número de pessoas, quase não conseguiram encontrar os outros integrantes da família Swan, e nem seus próprios pais. Havia uma mesa com seu sobrenome, por isso ficaram ali, enquanto se serviam com algumas iguarias da região sul de Petroia e tomavam vinho. Zelena tagarelava sobre uma viagem que fizera há alguns meses, e logo Mary se juntou a ela. Ambas adoravam compartilhar informações, o que era apenas uma forma delicada de dizer que fofocavam sobre a vida alheia. Rose não parecia muito interessada no que elas diziam, por isso puxava assunto com Regina vez ou outra.

– Um passarinho me contou que o casamento será marcado para o mesmo dia que a cerimônia de coroação. - comentou Mary fazendo sua expressão mais inocente, o que era total fingimento.

– O que? – Regina quase engasgou com o vinho, mas recobrou a postura. – Não fui avisada sobre isso e seus passarinhos devem estar equivocados.

– Infelizmente, sou obrigada a concordar com a Mary. - foi a vez de Rose falar, lhe dando um sorriso de desculpa.

– Não acredito que ela fez isso sem a minha permissão.

– Sabemos muito bem que não é obra de sua noiva, irmãzinha. – Zelena destacou, enquanto se deliciava com os petiscos da mesa.

– Então quem teria feito isso?

– Você já foi mais esperta, Regina. Na época da faculdade, pelo menos, se me lembro bem. - a morena de cabelos curtos e baixa estatura sempre implicava com a advogada, mas eram amigas desde a infância. – Isso só poder ser obra de tia Cora e da nossa sogra.

– Mamãe já passou dos limites. - murmurou entredentes, mas jamais teria coragem de enfrentar a Mills mais velha.

Com o decorrer das horas, todos estavam mais animados, o que se entendia por estarem mais bêbados. Regina já estava ficando entediada, pois sua irmã ainda insistia nos diários e suas concunhadas pareciam preocupadas em falar sobre Emma, ou a vida de outras pessoas. Precisava sair dali e beber. Levantou-se caminhando por entre os convidados, pegando algumas taças de vinho que os garçons ofereciam em algumas bandejas. Tinha que admitir que sua mãe e sua sogra sabiam como organizar uma festa, mas acima de tudo como decorá-la. Na mesa destinada à família real, as cadeiras pareciam verdadeiros pequenos tronos. Com o brasão dos Swans e alguns deuses talhados em dourado na madeira escura.

– Regina. - escutou alguém lhe chamar, dando de cara com Maleficent quando se virou. – Como você está?

– Olá. - cumprimentou a loira com um abraço. Já estava um pouco cansada daquele tipo de pergunta, mas entendia a preocupação da amiga. – Bom, vamos seguindo com a vida.

– Não saímos tem algum tempo. Preciso lhe contar algumas novidades.

– Claro, claro. - sorriu e tomou mais um pouco de sua bebida. – Marcamos alguma noite das garotas, o que acha?

– Perfeito. Assim aproveito para lhe apresentar para duas amigas. - assentiu, voltando sua atenção para o restante da festa. – Mas creio que deixaremos esses assuntos para depois. Afinal, a princesa chegou.

– O que?

Virou-se para a mesa da família real, onde agora Emma estava sentada com Lily. Ambas estavam belas, mas a morena precisava admitir que a loira tinha seu charme natural. Respirou fundo, sentindo uma tensão tomar conta de seu corpo. Aquela seria uma longa noite.



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