História Contos de um Caçador - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Armas, Drama, Investigação, Lemon, Mistério, Original, Perseguição, Policial, Romance, Suspense, Yaoi
Visualizações 35
Palavras 1.276
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Agora eu tenho uma revisora, então editei bastante a história e tô postando de novo.

Aviso para o leitor: muito mistério, investigação, crises de personalidade, violência e sexo rude, que pode (ou não) ter conteúdo gore.

On y va?

Capítulo 1 - Introdução


Fanfic / Fanfiction Contos de um Caçador - Capítulo 1 - Introdução

"Trinta anos depois, caçar contigo,

e sempre conversando e à chalaça...

Mais que perdizes, hoje, melhor caça

É matar fomes do caçar antigo."

- Tomaz de Figueiredo, trecho de Posfácio à Toca do Lobo.

---

Creed enrolava o dedo indicador no fio grosso do telefone público e sentia seu coração se torturar contra as paredes do peito. Caixa postal de novo, voz irritante da secretária eletrônica e ruído agudo do início da mensagem. E agora, uma mensagem de amor ou a honestidade?

 

***

 

Aaron Melili viu o companheiro desligar o telefone impaciente e respirar fundo antes de sair da cabine direto para a rua gelada, aquela noite era uma das primeiras que não nevava. Ele caminhou até o carro e foi recebido com a cara de desaprovação de Melili pela demora absurda dentro daquela cabine. O inspetor ainda acendeu um cigarro antes de fechar a porta.

- Ah, sério? – Aaron era esquálido e seu cabelo cacheado agoniava Creed, mas sua voz tinha um timbre até agradável.

- Vamos começar pela estrada sul? – Perguntou, com desinteresse na voz.

- Não, não. O delegado quer que a gente revise a área 3 da floresta, um viajante ligou e disse que viu algumas luzes estranhas lá.

- Ah é? Você tem casaco extra?

- Eu trouxe o seu, você sempre vem sem – bufou.

Creed assoprou um riso baixo pelo nariz e balançou a cabeça, parando os olhos em Aaron por alguns segundos. Aaron Melili havia se tornado sua dupla constante de trabalho desde que foi promovido a inspetor na delegacia, mas não havia muito o que fazer como policial ali, então trabalhavam dando apoio aos guardas florestais para cobrir a área. Daster era uma cidade mediana, mas muito, muito afastada de tudo e todos, as pessoas moravam ali mais pela tradição estranha de cuidar da casa feia e dos trabalhos simples das gerações que vieram antes, quase todos vindos das gigantescas áreas de florestas e das minas.

Melili se irritou quando riu o olhar perdido que o parceiro tinha sobre si.

- O que está olhando?

- Seu cabelo esquisito.

- Creed, eu não sou pago pra te aturar falando merda toda hora.

- Diz isso porque não tem que OLHAR pra isso toda hora – tirou sarro, vendo a placa do quilometro 22 passar.

- Aqui perto tem uma entrada pra onde o cara falou.

O carro virou poucos segundos depois e iluminou o atalho de coníferas. Andaram por ali mais quase 25 quilômetros com um Motown irritante tocando em um rádio de péssima qualidade, pararam quando não havia mais estrada.

Mesmo vestindo calças grossas de brim por cima de roupas térmicas, botas pretas pesadas de camurça e cardigãs por baixo dos casacos o frio ainda era cortante.

- Pra lá? – Aaron tentou ver no mapa e apontou a lanterna para a estrada - acho que é.

Começaram a andar em direção às arvores. Já escurecia e mal eram cinco da tarde, a caminhava até as seis e meia tornou tudo um breu completo.

- Aha! Não tem nada aqui. – Disse Creed, suspirando – Vamos voltar pelo outro lado, já está escuro demais.

O companheiro concordou e jogou a luz na cara do outro – Devia ter sido um fantasma! – Brincou, ia continuar mas reparou no parceiro uma expressão estranha.

Ele iluminou sem querer um ponto na neve – O que é aquilo?

Aaron prontamente iluminou o que aprecia ser um pedaço de roupa na neve. Se aproximou e agarrou o tecido, dando dois passos desajeitados para trás – C-Creed...

Creed sabia bem que não era brincadeira. O que Aaron viu não era só um pedaço de roupa, a voz que ele soltou era ríspida, aterrorizada e estava carregava por um medo e nervosismo intenso, ainda que tivesse dito só uma palavra. Primeiro ele iluminou um pedaço de tecido, ele se aproximou e iluminou de perto um pedaço de pele e finalmente puxou e viu parte de um braço. E não havia nada mais, era um braço decepado com um corte limpo.

Aaron respirava fundo e cada vez mais rápido, caminhava nervosamente em volta do local. A cada parte de corpo que encontravam na neve sentia que seu estomago ia sair pela boca e que ia perder o controle sobre seus joelhos. O silêncio pesado fazia aquele cemitério macabro parecer um pesadelo sanguinolento.

- Tem mais de três pares de braços aqui... – Creed comentou nervoso e estranhamente animado com a situação. Algo no meio daquela chacina tinha um apelo egoista para sua carreira. Mas o ânimo desapareceu quando ele lembrou de que tinha alguém ali na noite passada, e nenhum dos dois traziam armas. Em Dasper, onde nada nunca acontecia, agora uma 9mm seria extremamente bem-vinda.

Ele agarrou o braço do outro, que estava branco como mármore, e o puxou em direção ao carro – Vamos voltar, precisamos de uma perícia aqui o mais rápido possível, talvez quem veio ontem tenha deixado alguma marca que ainda não foi coberta pela neve.

- Q-q-que foi isso? Creed, devem ter pelo menos seis corpos ali!!

O outro parou por alguns segundos ao sentir as mãos tremulas do parceiro, ou seriam as suas próprias?

- Respira, respira Melili.

Melili respirou, e várias vezes. Ele sentiu cheiro de podre e estavam em quase -30C, não tinha cheiro nenhum vindo de qualquer um daqueles corpos. “O inconsciente é uma merda”, pensou. Mesmo assim vomitou duas vezes durante o caminho até chegarem no carro.

Só ali Creed agarrou o rádio e esperou nervoso até a atendente com voz arrastada responder um “Polícia...”.

- Código 31 na área 3 – a voz era nervosa e agitada– preciso de quatro viaturas equipadas e um pedido de perícia de SouthBridge para, no mínimo, seis corpos. Talvez mais.

A moça com voz preguiçosa chegou a engasgar – Corpos?! – 31 era o código de quando encontravam um cadáver, era raramente utilizado de forma séria, mas muitas vezes como piada entre os policiais que chegavam tarde para as camas de suas esposas na sexta-feira à noite.

Agora era só entrar no carro e esperar, despreparada como era a polícia de Daster, chegariam ali só em três horas ou mais.

Aaron batalhou para se recompor. Sempre gostou de dramas policiais, mistérios que desvendavam romanticamente uma morte para chegar na verdade intima do executor. Não era bem assim, em sua fantasia de polícia e ladrão esperava que ele seria mais forte e resistente, e agora estava prestes a chorar como uma criança. Levou um tempo para que reparasse no quanto Creed também parecia nervoso e agitado, aquela noite não seria fácil para nenhum policial de Daster.

Quando chegaram as viaturas foi Creed quem se levantou para acompanhar, e no caminho parecia frio e deu ordens diretas com uma segurança excepcional na voz. Disse para que nada fosse tocado, para que o local fosse iluminado e cercado para quando a perícia chegasse. E que, obviamente, qualquer pessoa nos arredores deveria ser levada para a delegacia para prestar depoimento.

O dano era maior do que eles imaginavam. A perícia levou quase 8 horas para chegar em Daster, naquele intervalo de tempo foram encontrados dezesseis corpos. Dezesseis rapazes desmembrados entre 13 e 18 anos de idade, todos que ainda tinham tecido no corpo eram magros de cabelos escuros, jogados na neve com suas partes espalhadas por toda a montanha em um raio de 4 quilômetros.

O diretor Stern era um homem alto e largo, que agora também era calvo. Chegou incrédulo e saiu logo para começar a ligar para os órgãos que certamente iam ser envolvidos naquele incidente pelos próximos meses. Saiu junto ao Inspetor Creed, quase três da manhã, e só seguiu para a delegacia quando viu abrir a porta de casa.


Notas Finais


Deixo aqui um link para um BGM legal pros próximos capítulos: https://www.youtube.com/watch?v=PEI2zet48Uc


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...