História K.O - Nocaute - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Sensational Feeling 9 (SF9)
Personagens Chani, Dawon, Personagens Originais, Youngbin, Zuho
Exibições 35
Palavras 4.476
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Fluffy, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIOI PESSOAL.
era pra eu ter postado isso aqui ontem, mas fiquei o dia inteiro fora e só voltei as duas e pouco da manhã.
mas bem: EU JANTEI COM DOIS CASAIS DE GAYS E UM DELES TINHA UM FILHO.
EU FIQUEI TODA AFOBADA GENTE, ELES ERAM TÃO LINDOS E SOCORRO.
quase chorei.
de qualquer forma, NOVO CAPITULO.
AEEEEEEEEEE.
espero que gostem, beijos. sz

Capítulo 3 - Tela Humana


Fanfic / Fanfiction K.O - Nocaute - Capítulo 3 - Tela Humana

Pinto meu amor com cores

Love Paint, NU'EST

Um recorde tinha sido quebrado.

Fazia um mês — quase dois — que Eunseo não tinha se metido em encrenca. Sobre a supervisão de Seulhyeon, a Shin teve de se manter comportada, sem poder colocar nenhum dos seus planos — quais eram muitos — em prática. A maioria envolvia Sanghyuk como alvo e talvez fosse por esse motivo que não tinham passado pelo “Jo Approves”.

Mas claro, isso não significava que ela ia desistir de botar, pelo menos, cinco em prática.

Sua chance perfeita apareceu assim que ela saiu para buscar a nova grade de horários — a Neoz trocava conforme os professores pediam, e bem, o professor de história pediu uma troca para que não ficasse no último período com a turma de Eunseo —, que viu Sanghyuk na secretaria, pelo mesmo motivo que o seu.

Ele a ignorou completamente, mesmo que mantivesse a careta de nojo, como se Eunseo não passasse de uma mosca qual ficava zumbindo em seus ouvidos e ele estava cansado demais para abanar as mãos para espanta-la pois sabia que ela ia continuar ali até que se sentisse satisfeita.

Esticando-se na ponta dos pés quando a secretária empurrou uma folha pelo balcão até os braços cruzados do castanho, a Shin conseguiu captar que o quarto período dele seria de artes.

Foi com muita grande alegria que ela constatou que o destino estava ao seu favor ao fazê-la ter fixado o olhar justo naquele horário, pois seu quarto período também vinha impresso as mesmas palavras.

Sorriu vitoriosa, já preparando suas coisas para completar o plano número 6.

Antes de tudo, tinha de conectar seu celular com o número de sua mãe. Na antiga escola, Eunseo subornou um nerd para hackear o celular da Sra. Fleeming, criando um “aplicativo” onde a Shin o ligava e todas as ligações iam para seu celular.

Seus pais não podiam desconfiar de nada até que recebessem o boletim, constatando que todo o tempo em silêncio não significava que Eunseo havia ficado quieta de fato.

Era uma alegria para ela estar sentada sobre o sofá vendo Netflix com seu gatinho de estimação no colo enquanto os mais velhos berravam a suas costas sobre como era possível em poucos meses fazer tudo aquilo. De certa forma, ela sentia-se feliz com isso.

O quarto período foi anunciado com o sino.

“O que você tem agora?” Seulhyeon já estava no corredor apoiada na parede ao lado da porta. Pela sua expressão cansada, tinha acabado de sair da educação física.

“Artes.” Eunseo sorriu. “Você também?” O sorriso aumentou — se é que era possível — quando a de cabelos negros assentiu.

Ambas engataram os braços e saíram andando em direção as escadas, aonde Yubae estava sentada escutando música.

“Yubae, o que houve?” Eunseo se inclinou e retirou um dos fones da garota, recebendo um olhar confuso de volta.

“Ah, o Chani não veio e agora tenho tempo livre. Era para ser matemática, mas não conseguiram achar substituto para a professora doente.” Yubae deu de ombros, sorrindo de canto e se levantando.

“Acho que você pode ficar na sala com a gente. O problema é que por mais entediante que seja, não pode dormir.” Avisou Seulhyeon ao rir de leve.

“Lido com isso. Tenho EXO, isso basta.” Yubae gargalhou quando as mais velhas a deixaram no meio, voltando a engancharem os braços e subir as escadas.

“Ah, sou sedentária, não nasci para subir escadas.” Murmurou Eunseo quando ainda faltava um lance para chegarem no andar anotado na grade de horários.

“Você é muito fresca, Eun.” Seulhyeon bufou, ofegante e soprando mechas do cabelo para longe do rosto úmido de suor.

“Mas você também está toda cansada.” A mais nova entre as três riu e sacudiu as outras duas. Ela era a única que não parecia nada afetada com a subida lenta e arrastada até o terceiro andar da Neoz.

“Eu estava na educação física e aquele professor é doido. Fez a gente correr a quadra inteira. Só não perguntei se ele queria fazer a gente correr em volta da Neoz porque eu não duvidava que ele pedisse isso só pra provocar. Melhor deixar quieto e fazer sem reclamar.” Ela parou no topo da escada e puxou ar para dentro dos pulmões.

“Sou preguiçosa mesmo.” Eunseo soltou um muxoxo e arrastou os pés até a sala de artes, sua energia se regenerando ao ver Sanghyuk sentado no fundão conversando com o de cabelos cinzentos.

Travou enquanto Yubae e Seulhyeon entravam em meio a risos, comentando sobre como a educação física da escola era uma bosta e coisas do tipo. Um “carregando” era bem visto em cima da cabeça de Eunseo, qual ainda não acreditava no que estava vendo.

Porém eles a viram. Sim. Eles. Os dois a olharam assim que a Shin decidiu brincar de estátua no batente da porta.

Ela respirou fundo e fingiu que estava observando os arredores da sala.

“Sala errada.” Constatou em voz alta, girando nos calcanhares e se apressando para as escadas, porém o desespero era tanto que a Shin acabou indo para o outro lado, aonde estavam os banheiros.

Quando ouviu passos atrás de si, ela pouco ligou para seus sapatos derrapando naquele chão extremamente liso e correu até se jogar contra a porta do banheiro, entrando e se refugiando nos boxes.

Ok. Eunseo sabia que o de cabelos cinzas estudava na Neoz, mas ela não tinha ideia — não podia nem imaginar — que o cara era do mesmo ano que o seu e muito menos que era amigo do seu inimigo.

Ela deu tapinhas nas próprias bochechas, balançando a cabeça e respirando fundo. Tinha um plano a cumprir. Uma tarefa muito importante que envolvia seu futuro, seus laços familiares e lá vai a lista. Aquele simples ato que necessitava fazer... sua vida dependia daquilo. Então precisava parar de drama, esquecer que aquele garoto ao lado de seu alvo foi o garoto em que ela caiu sentada no colo, voltar para aquela sala e inventar uma mentira para encobrir sua outra mentira.

“Eu posso fazer isso e AI, FILHA DE UMA....” Berrou quando sua porta foi aberta, revelando Yubae com as sobrancelhas franzidas. “NÃO FAZ ISSO, CRIANÇA!”

“Desculpa!” Ela começou a rir, tentando inutilmente disfarçar suas risadas com a mão.

Eunseo continuava sentada sobre o vaso sanitária, ambas as mãos no rosto qual explodia em vermelhidão.

“Por que saiu correndo daquele jeito? Jurei que estava enjoada.” Seulhyeon ralhou ao cruzar os braços e se apoiar na porta da cabine.

“O de cabelos cinza, Seul! Ele está lá! Do lado do Dawon!” Eunseo gesticulou tanto a ponto de bater com as mãos nas laterais do boxe. Ela chiou e encolheu os braços, beijando as pontas dos dedos.

“Sua idiota. Faz tanto tempo. Aposto que ele nem lembra.” Ela abanou a mão de forma banal e pegou o pulso de Eunseo, a arrastando para a sala novamente, porém, a Shin recusou-se bravamente ao colocar os pés no batente, não se deixando levar pela outra.

“Alguém me explica?” Indagou Yubae atrás da dupla, balançando nos calcanhares para frente e para trás.

“Eunseo me jogou no colo do meu ex e eu joguei ela no colo de um estranho, isso a dois meses atrás, e agora esse cara está aqui, do lado do Dawon, que é o paquera da Eun.” Eunseo foi ao chão com um belo estrondo, alto suficiente para fazer os alunos da sala de artes saírem para o corredor com a intenção de ver o que havia acontecido.

“Me surpreende que não tenha quebrado o piso e descido os outros andares.” Sanghyuk murmurou em meio a todo silêncio que a sala fez ao ver apenas as pernas de Eunseo para fora do banheiro.

“O único elefante desse zoológico é você, Lee Sanghyuk!” Berrou ela, os olhos fixos no teto rachado, sem condições de se colocar em pé.

“E você é a baleia, Shin Eunseo.” Sanghyuk deu um sorriso amargo ao enterrar as mãos nos bolsos e empurrar alguns alunos para entrar na sala.

“Se isso é paquera, não quero ver meu arqui-inimigo.” Eunseo suspirou e sentou-se, o quadril reclamando de dor pela queda brusca. Ela odiava aqueles sapatinhos do uniforme. Queria que a Neoz fosse como aquelas outras escolas em que as garotas podiam usar o sapato que bem entendessem desde que não fosse na educação física. Nesse caso, era obrigatório vir de tênis, mas metade delas usavam tênis o tempo todo, então não era problema.

Seulhyeon e muito menos Yubae comentaram sobre, somente ajudaram a Shin a se levantar e caminharam lentamente para dentro da sala.

Eunseo ainda não entendia como podia ficar tão abalada quando Sanghyuk a ofendia — aquilo não seria considerado uma ofensa para ela se tivesse sido dita por outra pessoa. Eles não eram próximos. Desde o começo, estavam fadados a se odiar e manter uma rivalidade.

Afinal, dois meses se passaram e alguns poucos acontecimentos cooperaram para Sanghyuk manter uma péssima ideia sobre Eunseo, mesmo que algumas vezes ela tentasse passar a impressão de “vamos ser amiguinhos, ignorar nossas diferenças e os erros da vida, nos unir para espalhar paz e amor para o mundo”. O destino queria que Lee Sanghyuk odiasse Shin Eunseo e queria que Shin Eunseo odiasse Lee Sanghyuk. Simplesmente, não era para ser.

Mas dizer que aquilo não feria seu ego seria uma das maiores mentiras que Eunseo teria feito para si mesma e caso conseguisse convencer Seulhyeon ou Yubae — pois essa aqui notou rapidinho o que acontecia — de que não se machucava, mesmo que só de raspão, pelas facas que eram as palavras de Sanghyuk, a castanha deveria ser considerada a maior mentirosa do mundo com direito a abertura da categoria “melhor mentirosa” na concorrência do prêmio Nobel.

Sanghyuk feria Eunseo. Foi o primeiro a fazer isso.

E por isso ela tinha que cortar aquele mal pela raiz, porém sua tesoura de jardinagem parecia estar com a lâmina cega.

Eunseo sentou-se em frente ao seu cavalete, limpando a garganta e fixando toda sua atenção na tela em branco. Obrigou que sua visão periférica escurecesse, assim ignoraria o olhar de qualquer um. Ela desligou-se do mundo assim que tocou o lápis.

Mesmo que o professor não tivesse chegado, a castanha passou a desenhar, tomando cuidado para não ficar tão próxima da pintura.

Até que um pincel atingiu sua cabeça.

“Mas que p...” Começou, pronta para pegar a tela e enfia-la no pescoço de alguém, porém ao ver o de cabelos cinza ao seu lado, ela rapidamente se calou. “Com licença?”

“Você sentou no meu colo, falou algo idiota e foi embora sem me dizer seu nome.” A voz grossa do garoto a deixou estática, sem saber como reagir.

“Como é que é?” Sua voz saiu em um fio, sua expressão assustada com os olhos arregalados e a boca entreaberta.

“Não era bem essa resposta que eu esperava.” Ele respirou fundo e olhou para um canto. Seguindo seu olhar, Eunseo encontrou Sanghyuk os observando. Ela fechou a cara.

“Se for um plano daquele animal, não vou cair. Ou você sai daqui ou acaba com uma tela na cabeça.” Eunseo bufou e se levantou, mas no mesmo momento o professor entrou, ordenando que todos fossem para seus lugares. A castanha virou-se para o estranho. “Se manda.” Rosnou ao sentar-se de novo.

“O que você tem com o Dawon fica entre você e o Dawon. Eu sou eu. Não tenho motivos pra fazer inimizade contigo.” Ele deu de ombros e sorriu de leve antes de se levantar. “Sou o Zuho.” E se foi para perto do elefante.

Seulhyeon, que tinha ido apontar o lápis, voltou, a atenção fixa em Zuho.

“Por que ele estava sentado no meu lugar?” Perguntou indignada, virando-se para Eunseo e se sentando.

“Me encher o saco. O Dawon só pode estar brincando com a minha cara. O Zuho deve ter contado do acidente no metrô. Ele lembra direitinho.” Eunseo coçou a franja e deu o assunto por encerrado, dando a desculpa de que o professor estava passando o trabalho no quadro.

Artes era uma das matérias favoritas da Shin, por isso ela levava a sério todos seus desenhos. Nenhum era feio. Ela tinha um dom e gostava de extravagar. Sim, podia se caracterizar como algo do tipo se vangloriar, mas a castanha realmente gostava do que desenhava, até porque colocava os sentimentos em cada traço do lápis no papel.

Retirou a tela qual antes estava ocupada desenhando, aonde estava um esboço de uma menina sentada em uma janela lendo, a deixando ao lado de seu banco e indo pegar uma nova.

Estava no armário perto da porta, juntamente com as tintas. Precisava de algumas também.

Para a surpresa da Shin, Sanghyuk se postou de pé — ela levou um pequeno susto, afinal, eles tinham levantado ao mesmo tempo e até trocado um fuzilamento via globos oculares. Ambos se locomoveram até o armário, ele se ajoelhando para pegar alguns gizes de cera e ela, se esticando para pegar os potes de tinta.

Agora, Eunseo! O plano, o plano! Era esse o plano!

Um pequeno estalo soou em seus ouvidos no mesmo instante que seus dedos tocaram a superfície de plástico do pote de tinta laranja. Em um movimento rápido, impressionante até para ela própria por não ter derrubado tudo ao redor, Eunseo puxou o pequeno pote, desenroscando a tampa em questão de segundos, rápidos o bastante para fazerem pensar que o pote já estava aberto. O modo brusco como ela trouxe o braço para perto, também ajudou a fazer os outros acharem que foi apenas um acidente quando a tinta laranja se esparramou sobre os cabelos castanhos de Sanghyuk.

Um zumbido constante deixou Eunseo surda até o momento em que Sanghyuk levantou lentamente — talvez ele tenha se colocado de pé mais rápido, porém a castanha estava tão anestesiada desde quando tinha tocado a tinta, que tudo parecia em câmera lenta —, a observando entre finos fios de tinta laranja escorrendo de seus cabelos até seu rosto, chegando em seu uniforme.

Uma perfeita tela humana.

Eunseo ainda se encontrava petrificada, a boca aberta e os olhos quase saltando das órbitas, como se tivesse visto um fantasma.

A real era que ela estava impressionada como tudo ocorreu. Foi rápido, sabia disso, mas era tudo tão lento. Estranho. Estranho era a melhor palavra para se definir aquilo. Completamente, absolutamente, simplesmente e somente estranho.

“Sanghyuk, eu...” Começou em um sussurro, parecendo surpreender até o garoto todo sujo.

Eunseo estava realmente assustada! Por que sentia que não tinha feito aquilo de propósito? Como se não fosse ela?

Piscou e engoliu em seco, as palmas da mão suando e garganta parecendo seca. O que tinha dado em Shin Eunseo? Aonde estava o problema?

Vamos lá, Eunseo, não vai ganhar advertência por algo que fez por acidente. Mostre que foi proposital e com que não se pode se meter com você.

Mas não conseguia. O modo como os olhos de Sanghyuk se fixavam nos seus não deixavam ela pensar direito. Franziu o cenho e engoliu em seco de novo.

“Desculpa.” Sussurrou, piscando mais um pouco e retomando a postura de durona, mesmo que seu queixo tremesse ao olha-lo de cima abaixo.

Por favor, entenda.

Era só o que pensava ao passar a língua pelos lábios, soltando uma risada trêmula.

“Até que você fica melhor ruivo do que castanho, elefante.” Levantou uma sobrancelha, cerrando a mandíbula.

Por favor, Dawon, entenda!

Implorava tanto mentalmente quanto pelos olhos. Ele tinha que entender, tinha que perceber o desespero dela.

Meu peito vai explodir e se você não perceber, você não tem coração, Lee Sanghyuk.

Mais dois segundos em silêncio. Se ele ficasse mais tempo a encarando daquele jeito, Eunseo iria desmaiar de pura pressão sobre si.

“Obrigado, baleia.” Por fim, falou, respirando fundo e passando a mão pelo rosto, retirando o excesso de tinta e abanando a mão. Alguns respingos acertaram o chão e outros, a tela de uma das alunas, esta que já havia sumido para longe desde o momento em que a cabeça de Sanghyuk ficou laranja. “Mas sabe, já que você comentou de eu ficar melhor de cabelo laranja, fiquei pensando...” Sanghyuk não teve problemas em pegar a tinta amarela na prateleira mais alta, desenroscando a tampa lentamente. Em todo aquele tempo, Eunseo se recusou a sair do lugar, mesmo que soubesse do que estava por vir. Era justo, desde que ele entendesse. “Você deve ficar ótima loira.” E sua espinha se arrepiou ao sentir a tinta gelada caindo sobre seu couro cabeludo, escorrendo entre seus fios, descendo pelo pescoço e pelo rosto, adentrando seu uniforme.

A tensão na sala era palpável. Os dois continuavam se olhando fixamente, Eunseo não demorando muito para também afastar o amarelo dos olhos. O professor, desacreditado até aquele instante, bateu palmas para chamar a atenção de todos, coisa que conseguiu, com exceção da dupla tela humana. Eles estavam ocupados demais em um jogo do sério.

“Vocês dois, diretoria. Expliquem essa briga de namoro lá e não na minha aula. Vão pagar por esses materiais, podem ter certeza.”

 

Eunseo estava muito concentrada ao observar seus fios de cabelos grudados pela tinta amarelada, comentando baixinho sobre que isso seria impossível de esconder de sua mãe.

Sanghyuk andava mais a frente, a expressão dura e as mãos enterradas no bolso da calça. Em nenhum momento depois que eles saíram da sala o garoto pediu algum tipo de explicação, o que fez a Shin pensar em duas possibilidades: a) ele entendeu a situação; b) se ele falasse com ela, era capaz de matá-la.

Com medo de que fosse a alternativa B, a garota, agora loira, decidiu deixar aquilo de lado, comprimindo os lábios e olhando em volta. Qualquer lugar que não fosse as omoplatas dele, mas uma parte pequena do seu cérebro dizia para ela aproveitar o momento e a vista.

Eunseo ficou um tempo hipnotizada pelo modo como as costas moviam-se conforme Sanghyuk andava, seu estado piorando quando os olhos desceram até parar sobre a calça dele...

Os olhos arregalaram-se pouco a pouco enquanto seu coração acelerava.

“Para de olhar pra minha bunda, Shin.” Sanghyuk disse ao virar o corredor, obrigando ela a parar. Tinha sido pega.

Merda.

“Não estava olhando pra sua bunda. Estava olhando para a mancha laranja embaixo da sua bunda.” Arrumou rapidamente a desculpa, ainda sem a coragem de o seguir. Não queria que ele visse suas bochechas vermelhas.

“Como é que é?” Sanghyuk voltou com uma careta de nojo, girando para tentar ver a própria bunda. Para a garota, foi impossível não rir. “Do que você está rindo? É brincadeira?” Ele a olhou, ainda com a mesma cara de que encontrou um bicho morto.

Eunseo caiu no chão, chorando de tantas gargalhadas. Seu rosto estava vermelho por não conseguir respirar direito. Apoiou ambas as mãos no chão, tentando puxar o ar e conseguindo fazer um ronco parecido com de um porco. Foi a vez de Sanghyuk começar a rir. Até aquele momento, ele tinha a observado sem acreditar, mas o barulho o fez bater palmas e se apoiar nos armários para não cair.

Qualquer um que passasse naquele instante acharia que eles precisavam de um tratamento para esquizofrenia e sairia correndo procurando por algum professor em busca de ajuda para dois pobres alunos loucos.

Mas era período de aula e por isso estavam sozinhos, rindo por um bom tempo até Eunseo conseguir se manter ereta e com os olhos piscando para afastar as lágrimas.

Respirou fundo e sorriu de orelha a orelha, se colocando de pé.

“Foi legal. Agora se me der licença, tenho que atender uma ligação.” Bateu palmas para dispersar a sujeira das palmas, logo catando o celular no bolso do blazer.

Sanghyuk tossiu por um tempo até que conseguisse se colocar de pé com a ajuda de uma pilastra.

“Ligação? Agora? A gente precisa ir na direção.” Riu mais um pouco ao mesmo tempo que limpava os cantos dos olhos.

“Ah, não. Se eu ir, meus pais descobrem e isso não pode acontecer até que o boletim chegue e isso vai demorar.” Ela ainda sorria ao ligar o aplicativo e abanar a mão como se aquilo fosse um assunto tedioso.

“Como assim?” A alegria parecia que tinha evaporado do corpo de Sanghyuk. Agora ele estava sério, o cenho franzido e os ombros tensos.

“Me desculpa te enfiar nos meus planos loucos, Dawon. Não sabia que você ia revidar. Estava torcendo para que não, assim você não arranjava problemas. Mas eu preciso disso. Então, só te peço para ir na diretoria, dizer que a culpa foi toda minha e que estou matando aula. Juro que vou tentar fazer algo para te recompensar depois.” Eunseo sorriu, bloqueando o celular e batendo com ele de leve na palma da mão.

“Por que isso tudo?” O garoto suspirou, engolindo em seco e a observando de cima abaixo.

“Segredos.” Ela piscou um olho e virou-se de costas para ele enquanto guardava o celular em seu devido lugar.

Sanghyuk cerrou a mandíbula e migrou os olhos para os próprios tênis. Ele queria fazer algo, queria mesmo. Queria correr atrás dela e prensa-la em um dos armários até estar satisfeito com uma resposta descente, queria parar de ver Shin Eunseo como um beco sem saída cheio de sombras. Queria ver todo o beco e não pequenos fragmentos iluminados pela lanterna com faixo fraco em suas mãos.

Então foi isso que ele fez. Sanghyuk correu atrás de Eunseo.

Ela virou-se a tempo de escapar dos braços dele, soltando um gritinho assustado e correndo na direção contrária o quanto o chão escorregadio deixou.

Eunseo não sabia para onde estava correndo, só sabia que se parasse de correr, ia ser morta por mãos cobertas de tinta de um garoto ainda pior.

Virou um corredor, vendo o que parecia ser o ginásio. Mas ela sabia que não era. O ginásio ficava para o outro lado, muito distante dali. Eunseo também tinha a certeza daquilo pois nunca havia entrado naquela estrutura, mas naquele momento, aquele prédio parecia ser o mais seguro para despistar Sanghyuk.

Apertando o passo e se inclinando para frente com a intenção de pegar mais velocidade, Eunseo correu, saindo para o pátio e até praticando a corrida com obstáculos ao pular alguns bancos, porém o Lee não era tão burro para pular nestes.

A Shin sentiu os dedos dele raspando em suas costelas, não agarrando seu blazer por centímetros, quando pulou do primeiro banco de pedra para o segundo. Ao notar que Sanghyuk estava prestes a pega-la, fingiu ir para frente para então dar uma guinada para trás, girando pelas costas dele e entrando no jardim do pátio, aonde parecia ser o único atalho rápido suficiente até a porta dupla de metal.

Quando a abriu, o ambiente ficou azul, a deixando um pouco fora de si.

Era a piscina do colégio.

Piscando graças aos reflexos da água em seu rosto, Eunseo se apressou até os vestiários, quais, infelizmente, se localizam do outro lado do enorme retângulo cheio de água.

Na vista da garota, aquela piscina tinha a aparência de ser bem funda. Teria de manter distância para não escorregar nas bordas e acabar dando um mergulho.

O corpo de Sanghyuk fez um estrondo ao se chocar contra a porta, a abrindo de modo brusco.

Eunseo arregalou os olhos e aumentou a largura dos passos, o pé direito resvalando em uma pequena poça e a levando ao chão. Em uma tentativa de se levantar de novo, voltou a cair, dando tempo para o Lee chegar e a pegar pela cintura, jogando a garota de modo desengonçado sobre o ombro.

“Que merda é essa?!” Berrou assustada ao se debater em busca de sair daquele aperto.

“Você vai ver.” Murmurou Sanghyuk antes de joga-la para dentro da piscina.

O movimento foi tão rápido que Eunseo não teve tempo de avisar o garoto que não sabia nadar.

O mundo sumiu quando a água se fechou ao redor de sua cabeça, o pulmão tendo seu ar retirado bruscamente com o choque do impacto. Os pés de Eunseo batiam com rapidez, os braços buscando algo como apoio para se içar para fora da piscina, mas só encontravam as paredes lisas, o chão estando distante demais para que ela conseguisse se empurrar mais para cima. Abriu os olhos, distinguindo a figura distorcida pela água de Sanghyuk, a observando.

O desespero preenchia seu peito, continuando a se chacoalhar para ir para cima, mas ficando presa naquele meio termo de não afundar por completo, mas também sem boiar.

Sanghyuk pensou que era algum tipo de brincadeira da Shin, por isso ficou um bom tempo somente olhando até perceber que Eunseo realmente não sabia nadar.

“Merda.” Sussurrou e retirou o blazer juntamente com os sapatos, conforme seus olhos distinguiam que a forma da garota ia parando de se mexer, a tinta loira se espalhando pela água.

Sanghyuk atirou-se na piscina, não demorando em nada para pegar a mão, já parada, da Shin, a puxando até a superfície.

A respiração ofegante tanto pelo momento quanto por não ter se preparado direito ao mergulhar. Chegaram na borda, Sanghyuk sentando-se e puxando Eunseo para seu colo.

Afastou os cabelos meio loiros da garota, dando tapas leves no rosto pálido para ela acordar.

“Vamos lá, baleia...” Sussurrou, aproximando o ouvido da boca da menor com a intenção de ver se ela ainda respirava.

O coração do Lee estava na boca, sem conseguir acreditar no que tinha feito. Era como se não fosse real.

Deitou Eunseo no chão e começou a uma massagem cardíaca desengonçada, sem saber o que estava fazendo de verdade.

“Um dois, três.” Contou, voltando os olhos para o rosto apagado da menor. “Porra, Eunseo! Não faz isso comigo!” Berrou e reunindo o resto de coragem que ainda tinha, se inclinou, passando a fazer respiração boca a boca.

Sanghyuk não teve noção de quanto tempo ficou naquilo, os olhos arregalados e o coração batendo com tanta força enquanto Eunseo continuava desacordada, até que ela tossiu água e sentou-se assustada, agarrando-se aos braços dele.

“Que merda, você me deu o maior susto.” O Lee respirou fundo, abraçando a Shin conforme ela tomava consciência, confusa sobre o que tinha acontecido.

“Não sei nadar...” Repetia em sussurros, passando os braços pela cintura de Sanghyuk sem nem perceber. Ao olhar para piscina e lembrar-se do desespero que tinha passado lá embaixo, as lágrimas passaram a cair inconscientemente, escorrendo pelas bochechas e deixando seu rosto vermelho.

Sanghyuk não conseguia falar, a garganta trancada pelo susto ao ponto de achar que ele também iria chorar. Apertou Eunseo nos braços, fechando os olhos e deixando que a garota soluçasse em seu peito, acariciando as costas dela.

Ficaram um bom tempo ali, até o sinal tocar, anunciando o próximo período.

Foi aí que a garota se distanciou, engolindo em seco e limpando o rosto.

“Isso não aconteceu.” Sua voz saiu fraca ao levantar-se e se arrastar para fora, deixando-o ali com o remorso remoendo o peito.



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