História KPH - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Kris Wu
Tags Exo, Kaisoo, Racer!au
Exibições 192
Palavras 6.338
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


[ PEÇO MIL DESCULPAS POR ISSO TUDO ]

Capítulo 9 - Vamos voar


Jongin não lembra de ter experienciado uma dor de cabeça tão forte, em toda sua vida. Apesar de já ter passado por incontáveis ressacas, realmente não se lembrava de algo neste nível.


 

–Bom dia, princesa. –Uma voz veio de longe, e mesmo não muito alta, fez os ouvidos de Jongin arderem, e sua cabeça doer ainda mais. Com dificuldade, empurrou seu corpo para a cama que lentamente percebeu não ser a sua, e abrindo os olhos lentamente, olhou ao seu redor. –Fiz uns ovos, mas estão horríveis. Eu não sei mesmo cozinhar. –A voz pareceu se aproximar, mesmo que ainda consideravelmente suave.


 

Jongin virou seus olhos na direção do que ouvia, para encontrar alguém que parecia estranhamente familiar.


 

–Chanyeol, é o nome que você está procurando. –O rapaz disse, esticando uma das mãos, que segurava um prato azul com ovos mexidos extremamente queimados. –E não, não foi o Kyungsoo que me pediu pra te catar na rua. Eu estava seguindo o Jongdae, que estava te seguindo, quando ele foi embora eu te resgatei. –O homem continuou, e quando Jongin não pegou o prato com ovos mexidos, deixou-o de lado.


 

–Preciso ir pra casa... –Jongin respondeu, sua mente ficando ainda mais confusa com o mencionar de Kyungsoo. Tentou levantar-se, mas ainda estava tonto demais. O corpo quase caiu no chão, se não por Chanyeol segurando-o, teria acertado o chão diretamente com o rosto.


 

–Cara, espera um segundo. –Chanyeol resmungou, tentando segurar o outro e fazê-lo sentar-se na cama novamente. –Você não pode sair daqui desse jeito. –Conseguindo colocar Jongin deitado em sua cama, com as costas altas em vários travesseiros, Chanyeol continuou sentado ao lado de Jongin. –Olha... Eu não aprovei o que você fizeram, nem aprovo como vocês se perderam um pelo outro, mas... Eu amo Kyungsoo, mesmo que ele as vezes não perceba isso, eu amo ele como o irmão que eu nunca tive e eu quero proteger ele. E proteger ele, significa também proteger as pessoas que ele ama, e isso claramente incluí você.


 

–É, mas você trabalha pro Yifan. –Jongin resmungou, se empurrando para ficar sentado na cama, encarando Chanyeol que soltou um longo suspiro.


 

–Ninguém “só” trabalha pra ele, pelo menos não diretamente. –Chanyeol olhava para as mãos em seu colo, e Jongin notou como elas possuíam intensas cicatrizes que pareciam ser queimaduras. –Todo mundo naquela pista tem algum tipo de dívida com aquela família, dívidas do tipo que a gente só paga com a vida. –Continuou, fechando e abrindo as mãos inconscientemente, seu rosto mostrava que as mãos pareciam doer. –Você sabe a história do Kyungsoo, tenho certeza, e não precisa saber da minha, pra entender que não é tão simples trabalhar pr’aquela gente. –Completou seus pensamentos, olhando para Jongin que o encarava sem expressão no rosto.


 

–Como vocês não se voltam contra esses caras?! –Jongin esbravejou do nada, assustando Chanyeol. –Vocês deixam eles terem vocês nessa teia de caos e tristeza, e isso acaba com a vida de vocês. Se são tantos, como vocês não se revoltam e acabam com isso?!


 

Chanyeol encarou com olhos arregalados a reação de Jongin, e quando o silêncio retornou, voltou a olhar para frente, muito além daquele espaço presente.


 

–Você lembra do Zitao, não é mesmo? –Disse com calma. –Ele ficou louco, aos poucos, é isso que eles fazem com a gente. Mexem com tua cabeça de um jeito, que no fim das contas você não vê outra saída além de morrer ou matar. –Chanyeol apertou mais as mãos as escondendo nas mangas de seu casaco. –Ele pirou, depois que o pai do Yifan mandou cortar dois dedos da mão do pai dele depois que ele tentou fugir de uma corrida. Tudo isso, porque ele não queria causar um acidente com o Minseok.


 

–Mas ele causou mesmo assim –Jongin interrompeu, e Chanyeol suspirou.


 

–Ele era suposto dar um susto no Minseok, só isso. –Chanyeol disse, escondendo as mãos debaixo dos braços. –Pouco antes dele causar o acidente, ele disse “Não aguento mais” e se jogou. Ele queria se matar, e matar o Minseok junto. –Chanyeol continuou a falar, passando as costas de uma das mãos pelos olhos, os apertando. –A sorte foi que o Minseok não perdeu a vida, o azar do Tao foi não morrer naquela hora.


 

Chanyeol não precisava entrar em detalhes, pra que Jongin entendesse que Zitao poderia ter sobrevivido ao acidente, mas não sobrevivera a ira dos Wu.


 

–O pai dele forçou ele a atirar no Zitao, sabia. –Chanyeol murmurou. –A história é bem mais macabra, pra todos os lados, quanto mais você procura saber, mais assustador fica. Yifan nem sempre foi um monstro... Ele tinha tudo pra seguir no caminho oposto daquela gente, mas o pai dele, é impressionante o que ele faz com a cabeça das pessoas.


 

Jongin escolheu continuar em silêncio. Não queria nem mesmo imaginar Yifan como alguém melhor do que era agora. Para sempre, o veria como o homem abominável que ele era.


 

–Se eu puder te ajudar, te dar um conselho... Sabe eu dou ótimos conselhos, mas costumo cobrar. –Chanyeol tentou melhorar o clima, mas Jongin não se sentia confortável para largar de sua angústia naquele segundo. –Esse aqui fica de “amostra grátis”. –Colocou uma das mãos no ombro de Jongin. –Esqueça que um dia você gostou do Kyungsoo, nem mesmo olhe na direção dele, se for possível. Se eu tivesse a certeza de que você iria me ouvir, te diria até pra você parar de correr. Por mais que você esteja longe do Soo agora, um passo em falso, e sua cabeça vai estar a prêmio.


 

A mão de Chanyeol saiu lentamente do ombro do outro, e Jongin tentava digerir aquelas palavras com certa dificuldade. Tão pouco tempo, havia passado ao lado de Kyungsoo, mas seu amor era tão intenso, e agora precisaria simplesmente esquecer de tudo? Jongin não considerava aquela opção em sua cabeça, mas também não era capaz de pensar em nenhuma alternativa.





 

As primeiras folhas do outono caíam, quando reuniram-se mais uma vez na pista de corrida. Não era a primeira vez, nem a segunda ou terceira. Jongin já havia perdido as contas de quantas vezes precisou voltar a correr ao lado de Kyungsoo e tantos outros competidores, mas sabia que não eram mais do que seus dedos poderiam contar.


 

–Ok, presta atenção. –Junmyeon disse, entregando o capacete na mão de seu corredor. –Você precisa ganhar essa corrida, o pessoal lá em cima não tá nada feliz com sua performance nas últimas provas e querem bons resultados.


 

Jongin sabia que estava mal, quase como se tivesse perdido seu jeito para a corrida. Jongin também sabia que não havia perdido seu jeito, apenas não conseguia imaginar-se passando a frente de Kyungsoo, vencendo, deixando de ver aquele sorriso que mesmo sendo falso, ainda era um sorriso.


 

–Ele não parece feliz... –Jongin murmurou, ao sentar-se dentro de seu carro, olhando para Kyungsoo pelo espelho retrovisor. Mal conseguia vê-lo, entre tanta gente que passava, mas aqueles pequenos instantes, era o mais próximo que poderia chegar dele. Eram nesses pequenos momentos que Jongin se agarrava, e se distraía completamente, até que os dedos de Junmyeon estalassem a frente de seus olhos.


 

–Acorda. –O homem disse, em seguida segurando seu rosto de forma relativamente bruta. –O Wu está aí hoje. Não vá fazer nenhuma merda, entendeu? –Junmyeon rosnou entre os dentes, sabendo muito bem da extrema repulsa de Jongin pelo empresário Chinês. –Se você perder essa corrida... –Voltou a falar, precisando entre palavras chamar mais uma vez a atenção de Jongin que se focava no espelho, e nele refletido Kyungsoo que segurava seu capacete preto, enquanto Yifan passava uma das mãos por seu rosto delicadamente. –Se você perder essa corrida, o cu de todo mundo na equipe vai estar na reta.


 

Junmyeon havia conseguido finalmente a atenção de Jongin de volta para si, o rapaz balançou rapidamente a cabeça em afirmação, e em seguida colocou seu capacete.


 

Ao passar pela linha de partida, todos já reparavam, que Jongin não estava correndo para perder. Ultrapassagens arriscadas, curvas aceleradas, e movimentos bruscos eram sua marca registrada quando a determinação para vencer tomava seu corpo. Não teve piedade de usar toda sua habilidade para passar por Kyungsoo, sem olhar para trás. Deixar para trás todos os oponentes, um por um, sem medo de ganhar.

Queria poder esfregar na cara dos Wu, que não importavam os milhões investidos em seus carros, nem o quanto usavam para subornar outros pilotos para desacelerarem, ou os jogos mentais que usavam em seus pilotos, Jongin ainda era o melhor e se recusava a permanecer de cabeça baixa.


 

O que Jongin parecia ter esquecido, era que Kyungsoo era tão bom quanto ele. Que aliado ao carro potente da EXODUS Corp., Kyungsoo poderia acabar com qualquer um que cruzasse seu caminho. Mesmo assim, ele não parecia querer, humilhar Jongin. Se manteve durante a maior parte das curvas logo atrás, como se esperasse pelo melhor momento para ultrapassagem. Porém quando o melhor momento apareceu, Jongin também aproveitou-se de sua adrenalina e fez algo que se arrependeria mais rápido do que imaginava.


 

Uma jogada do carro para o lado de onde Kyungsoo vinha, uma leve batida do para-choque dianteiro do adversário com a traseira de Jongin e o carro imediatamente perdeu o controle.


 

Jongin estaria mais aliviado se fosse seu próprio carro a perder a direção. Ver Kyungsoo derrapar pela pista e bater contra o muro cercado por pneus era algo que não queria sequer imaginar, mas que viu com dificuldade por seu retrovisor, enquanto o próprio carro passava pela linha de chegada, garantindo uma vitória fácil, para os Seoul Wolves.


 

As equipes médica e mecânica da EXODUS Corp. rapidamente atenderam Kyungsoo que já havia saído de seu carro e parecia não ter se ferido. Jongin, do lado de fora de seu carro, era abraçado por Sehun e Junmyeon, que carregava seu capacete no alto. Toda felicidade só poderia significar que haviam ganhado bom dinheiro com aquela corrida. Normalmente estaria feliz como os amigos, mas seus olhos não focavam em nada além de como Kyungsoo, sentado na grama ao redor da pista, segurava seu capacete sobre o colo e desenhava com as pontas dos dedos a rachadura recém-formada.



 

Kyungsoo havia aprendido a detestar o cheiro de Champagne. Fosse por ter sido coberto naquele líquido tantas vezes, ou por tantas outras ter sentido o gosto amargo na boca de Yifan. Kyungsoo detestava aquele cheiro.


 

Estava sentado no vestiário, olhando para o armário onde Jongin o havia prensado em uma de suas primeiras interações. Era uma imagem horrível, fazia seu estômago revirar. Lembrar-se de cada momento bom ao lado de Jongin o deixava enjoado, cansado de estar naquele corpo, fazia preferir o gosto de Champagne na língua de Yifan.


 

–Você está bem? –A voz veio dos chuveiros, seguido de passos molhados e o cheiro adocicado de shampoo que ele também havia aprendido a detestar.


 

–Estou. –Respondeu de forma seca, levantando-se em seguida. Tinha metade de seu macacão preto abaixado até a cintura, mangas amarradas ao redor do corpo e suor ainda escorrendo por sua nuca.


 

–Me desculpa, eu não deveria ter te deixado daquele jeito. –A voz continuou a inundar seus ouvidos e apertar seu coração. Kyungsoo só queria que ele se calasse, que não fizesse tudo ficar ainda mais difícil. Já era cansativo o suficiente olhar para ele toda a vez que corriam, sonhar com ele todas as noites, pensar nele em todos os segundos. Não queria precisar ter que interagir com ele, como se nada tivesse acontecido.


 

Recolheu-se a seu silêncio, entrando em seguida nos chuveiros, deixando Jongin para trás sem um perdão ou resposta. Lavou o corpo, mas não a alma, na água quente que quase o fazia querer arrancar a própria pele. Ao sair, com a toalha pendurada no ombro e nada mais, não esperava ver Jongin segurando seu capacete, passando os dedos pela rachadura que o impacto havia causado. Não esperava ver uma lágrima solitária cair contra a superfície envernizada, nem o soluço engolido que escapou de sua boca.


 

–Eu vou largar as corridas. –Ele disse, um murmúrio quieto, e um olhar quebrado na direção daquele que ainda era seu amor. Mesmo que tão longe, ainda era o ar que respirava. –Vai ser melhor pra nós dois.


 

Kyungsoo continuou com o rosto fechado, sem nenhuma expressão. Não era capaz de dizer para que ficasse, nem para que fosse embora. Não se via capaz de dizer que estava pronto para fugir com Jongin, nem de socá-lo e dizer que parar de correr não era a solução que precisavam.


 

–Assim que a temporada acabar, Sehun vai assumir meu lugar. Eu tenho treinado ele e... –Jongin colocou o capacete sobre o banco de madeira. –Ele pode ser melhor que eu até, ele precisa mais do dinheiro do que eu. –Completou, em seguida enfiando uma das mãos no bolso das calças que vestia, deixando ao lado do capacete um pirulito embalado. –Chanyeol me disse que você parou com seu vício, que agora prefere chiclete... –Abriu um pequeno sorriso, virando seu olhar rapidamente para Kyungsoo, que ainda não havia movido um só músculo. –Mas as vezes eu acho que é bom lembrar das coisas que faziam a gente feliz...


 

O sorriso de Jongin, que já era tão triste, mais ainda ficou ao enfiar a mão mais uma vez no bolso da frente de suas calças jeans, e apoiado nos calcanhares virar o corpo de costas para Kyungsoo.


 

Um passo molhado para frente, foi o suficiente para que Jongin não desse mais nenhum passo. Mais outro passo, e precisou respirar fundo para que não virasse naquele mesmo segundo e perdesse todas suas rédeas. Outro estalar do pé contra o chão de azulejos velhos, e tentou espiar, sem mover o corpo, tentou sentir a presença de Kyungsoo atrás de si.

Os dedos ainda estavam molhados, quando tocaram o tecido relativamente fino da camisa social que usava. Deixariam marcas transparentes, por onde passavam os braços úmidos, onde encostava o peito e o rosto de Kyungsoo. As mãos espalmadas em seu peito, os dedos que apertavam a pele delicadamente, tudo pedia para ficar, mas as lágrimas de Kyungsoo diziam para que ele fosse embora.


 

–Isso é tudo minha culpa. –Ele murmurou, tão quebrado, como um anjo de porcelana. Jongin queria tocá-lo, virar seu corpo e recebê-lo em seu abraço, mas ele que o abraçava, era forte demais. –Se eu não tivesse ido atrás de você, nada disso teria acontecido. –Continuou, apertando mais as mãos contra Jongin, unhas curtas por cima do tecido arranhando a pele.


 

–Pois é… –Jongin disse, com meia risada que escapou de seus pulmões como um suspiro. Uma das mãos quentes guiou-se até o próprio peito, traçando os dedos de Kyungsoo. –Mas se você não tivesse vindo atrás de mim, nada daquilo teria acontecido. –Com calma e um doce sorriso no rosto disse, e as mãos de Kyungsoo perderam sua força contra a pele quente. Jongin virou seu corpo, mão imediatamente encontrando o rosto de Kyungsoo, olhos encontrando seus olhos avermelhados, lábios encontrando seus lábios que tanto sentia falta.


 

Yifan tinha gosto de Champagne e Jongin tinha gosto de pirulitos de cereja.


 

As costas de Kyungsoo acabaram contra o mesmo armário de antes. O beijo que dividiam, não era trocado e devolvido com luxúria. Eram toneladas de saudades, um desespero que não cabia no peito e um requinte de despedida que deixava tudo tão assustadoramente amargo.


 

Duas batidas na porta, e a voz de Chanyeol a falar que não seria capaz de escondê-los naquele lugar por muito mais tempo.


 

Kyungsoo precisava deixar seu Apollo, para retornar ao inferno de Hades.


 

Jongin olhou nos olhos dele por uma última vez, escapando por entre seus dedos, deixando sangue e suor para trás, ao passar pela porta e por Chanyeol que a guardava. As lágrimas ficaram por conta de Kyungsoo, que nos braços de seu amigo inesperado, despejou-as todas.






 

Yifan estava no lado direito do banco de trás de seu carro, Jongdae no banco do motorista. Kyungsoo até mesmo cogitou a ideia de sentar-se no banco do carona, se Yifan não tivesse aberto a porta para que entrasse.


 

–Você demorou. –Ele disse imediatamente, entregando para Kyungsoo um par de abotoaduras, para completar o terno que Yifan havia separado para que usasse após a corrida. –Espero que isso não se repita. –Continuou, levando uma das mãos até o punho de Kyungsoo, segurando-o com força para ajustar a abotoadura propriamente. O menor tentou esquivar-se, mas Yifan segurou com mais força seu braço, em seguida soltando-o com calma.


 

Yifan estava mais calmo do que o normal nas últimas semanas. Havia dispensado alguns de seus seguranças, não carregava mais sua arma consigo. Kyungsoo tinha ainda mais medo, de vê-lo tão calmo.


 

–Recebi uma ligação do hospital. –Yifan murmurou, sem olhar para Kyungsoo. Tinha um dos braços apoiados na porta do carro, seus longos dedos batendo contra o metal revestido por uma elegante camada de couro. –Seu irmão, está piorando... –Completou, os dedos pararam de bater. A mão fechou-se e abriu uma vez mais, espalmada contra o apoio do carro.


 

Jongdae dirigia com calma pelas ruas de Seul, Yifan olhava a paisagem e Kyungsoo olhava Yifan. Via algo no olhar dele, que há muito tempo não via. Um brilho humano, que há muito tempo havia perdido. Quando sua mãe estava em seu leito de morte, foi a última vez que viu aquele olhar.


 

–Seungsoo me ensinou a andar de bicicleta. –Disse, com um pequeno sorriso no canto dos lábios. –Ele levou a culpa, quando eu quebrei o vaso da vovó. –Continuou, virando seu olhar para frente, e Kyungsoo tinha dificuldade de acreditar, que lágrimas poderiam estar a formar nos olhos dele. –Como foi que eu cheguei aqui?


 

Era a pergunta que Kyungsoo também se perguntava, sempre. Como chegaram ali, os dois? Yifan nunca foi a melhor pessoa do mundo, sempre muito calado, frio, escondido atrás do pai. Mas quando visitava sua mãe já adoecida, sorria, brincava, contava histórias divertidas.


 

–Enquanto você estava fora, um doador foi encontrado. –Yifan voltou a falar, e seu olhar voltou a ser frio, encarando o exterior do carro. –Mas o corpo dele rejeitou o rim, mesmo sendo compatível. Então os médicos resolveram fazer uma nova bateria de exames, e parece que a gente paga uma fortuna para manter a pessoa saudável, e mesmo assim não adianta, porque ele está com um câncer de merda que tá comendo ele por completo. –Explodiu, em seguida socando a porta do carro, e levando uma das mãos ao rosto.


 

Kyungsoo não sabia o que fazer naquele instante. As notícias da piora de seu irmão deixaram seu coração apertado, mas mais ainda ver Yifan daquele jeito.


 

–Ele vai morrer, e você vai me deixar sozinho. –Ele murmurou contra as mãos que tinha no rosto, e soluçava. Kyungsoo naquele instante não via o homem que apontou sua arma contra sua cabeça tantas vezes, via a criança que tentava chamar a atenção do pai sem sucesso, e o adolescente que segurava o choro no funeral da mãe.


 

Passageiro, o momento de fraqueza, em segundos Yifan havia voltado ao seu normal, olhava para o vazio com o vazio de seu olhar. Ao chegarem no hospital, entrou sozinho no quarto em que poucas vezes foi permitido entrar. Seu irmão estava coberto de tubos e fios, Kyungsoo podia sentir no ar, a angústia.


 

Sentou-se ao lado do irmão, deitado, imóvel. Segurava sua mão magra e frágil, e segurava as lágrimas ao dizer “olá” para o irmão que sorriu, com seus lábios secos e olhar triste.


 

–Finalmente... –Ele disse, com a voz rouca, apertando com a pouca força que tinha, a mão de seu irmão mais novo. –Eu estava só esperando por você. –Continuou, dando um longo suspiro em seguida, mas ainda apertando a mão do outro com força.


 

–Desculpa não ter vindo mais vezes, você sabe como que é essa vida... –Kyungsoo brincou, tentando afastar as lágrimas e manter no rosto de seu irmão o sorriso que via.


 

–Você tinha que ter vindo antes. –Com dificuldade disse, e seu olhar moveu-se para Yifan que esperava pela porta. –Yifan veio várias vezes. –Continuou, e Kyungsoo olhou na direção do outro que aproximou-se, sentando do lado oposto de Kyungsoo, uma das mãos apoiadas no topo da cabeça de Seungsoo. –Me desculpa ter te prendido aqui tanto tempo. –Voltou a murmurar, soltando a mão de Kyungsoo, e com dificuldade, moveu-a até seu rosto.




 

Kyungsoo deixou uma única tulipa amarela sobre o túmulo daquele que foi interrado como Wu Seungsoo, mas que ainda carregava em seu coração o nome que traziam de sua infância.

Suas últimas palavras ainda ecoavam em sua cabeça, ainda invadiam seus sonhos.


 

Vamos voar.”


 

Tão simples, fazia Kyungsoo pensar. A felicidade no rosto de seu irmão em seu último suspiro, não transmitia remorso, arrependimento, tudo o que o irmão mais novo conseguia observar, era o alívio. Sabia que Seungsoo estava apenas esperando seu adeus, e nada mais. Esperava por Kyungsoo, para que pudessem sair daquele hospital, livres.


 

Yifan não tinha mais o que segurar contra Kyungsoo, não tinha mais posse sobre seu corpo e alma, e ele sabia bem disso. No funeral, trocaram um único olhar, cumprimentaram conhecidos que não se importavam nem um pouco com a existência de Seungsoo, e seguiram em direções opostas.

Kyungsoo sabia que estava livre, mas ainda podia sentir o fio transparente puxar seu pé. Era como se pudesse voar, mas ainda não para longe.



 

–O que eu estou pedindo é simples. –Yifan disse com calma e clareza, enquanto sentados em seu escritório. –Você corre até o fim da temporada, eu fico com parte do dinheiro e você desaparece depois. –Disse, empurrando alguns papéis na direção de Kyungsoo, junto com uma caneta.


 

Um contrato formal, nunca havia sido criado entre os dois. Naquele momento, Kyungsoo deixava de ser irmão e amante de Yifan, era apenas um piloto da EXODUS Corp. E tudo parecia bom demais para ser verdade.


 

–Você não me deixaria ir embora, sabendo o que eu sei. –Kyungsoo disse, sem nem mesmo aproximar-se dos papéis que eram oferecidos. Yifan retirou de seu paletó uma caneta prateada, a colocando sobre a mesa.


 

–Eu sei que você não vai dar com a língua nos dentes. –Yifan disse sem receio algum, reclinando-se contra sua cadeira. –Até porque se falar, você sabe bem o que acontece.


 

Era tentador, assinar aquele contrato, cortar todos os fios que o seguravam perto de Yifan. Era tentador demais, para ser verdade. Era perfeito demais, acabar daquela forma. Seu irmão estava descansando em um lugar melhor, e Yifan abriria mão de sua obsessão por um breve momento de consciência.

Quão breve seria aquele momento? Quantos dias até Yifan rasgar aqueles papéis e destruir sua vida?


 

–Não sei se posso confiar em você. –Kyungsoo murmurou, tocando a caneta com as pontas dos dedos. Eram os grilhões a serem soltos, mas porque pareciam ainda tão apertados?


 

–Bem, acho que você vai ter que descobrir tentando… –Yifan continuava a olhar para Kyungsoo, com o mesmo olhar vazio de sempre, a mesma frigidez, a mesma distância. Queria acreditar que ainda havia algo decente dentro de Yifan, mas aquele olhar fazia tudo parecer tão mais difícil. –Não era você mesmo que dizia, que prefere se arrepender de algo que fez, do que se arrepender de não ter feito?


 

Kyungsoo moveu seu olhar para as folhas mais uma vez, pensando em tudo que poderia fazer com sua assinatura na linha demarcada.


 

E como em um passe de mágica, não havia mais cordas em seu pescoço. Apenas seu nome escrito em tinta preta.


 

Não se lembrava como seu apartamento parecia vazio. Deitado em seus lençóis cinza, olhando para o teto com pequenos sinais de infiltração. Ao seu lado não havia Yifan ou Jongin, ou nada que o segurasse. Seungsoo havia lhe dado asas para voar, mas estranhamente, ainda sentia que manter os pés no chão era a melhor opção.


 

Desde o dia no hospital, tentava chorar, e nem uma só lágrima escorria por seu rosto. Não conseguia chorar pela morte de seu próprio irmão, a única pessoa que havia restado de sua família esquecida pelo tempo, havia partido. Kyungsoo entendia essa questão, e sentia-se estranhamente bem com aquela ideia.



 

–Não há mais nenhum Do. –Ele murmurou para si mesmo, ao mesmo tempo que se perguntava, já a quanto tempo não existia mais nenhum Do. Em nenhum de seus documentos, era ele um Do. O nome Wu estava gravado em sua alma, em sua identidade, sua pele. Cada traço de sua vida, carregaria um pedaço daquela família. Pro bem ou para o mal. Soltavam-se as cordas de seu pescoço, mas Kyungsoo ainda as segurava com as mãos.





 

O som alto da boate poderia deixar qualquer um surdo, mas das preocupações de Jongin, aquela era a última. Seu corpo movia-se com as batidas ensurdecedoras, mas nem mesmo regulava os movimentos que fazia entre tanta gente. Eram perfumes diferentes, vozes diferentes, ares que ele não apreciava com tanta vontade. Uma noite dessas, preferia ficar em casa lendo um livro, vendo um filme ou dormindo, mas naquela noite não. Naquela noite, foi arrastado pelos colegas de equipe para celebrar sua vitória nas pistas, o retorno do grande piloto Kim Jongin.


 

Quatro corridas se passaram desde o acidente com Kyungsoo, desde que trocaram o último beijo com gosto de cereja e saudade. Cada dia se arrastava com mais dificuldade que o anterior. Jongin havia entrado em uma rotina que odiava, todos seus segundos eram ocupados por tarefas que o deixavam exausto, tudo para que não pensasse naqueles olhos, nos lábios, no toque quente. Nada daquilo importava, quando era sempre em seus sonhos que Kyungsoo voltava, como a ressaca que carregava com ela seu coração.


 

Quatro corridas significavam três meses. Uma estação inteira, um inverno que se tornou primavera em um piscar de olhos. Quatro corridas, dois segundos lugares, dois primeiros lugares. Uma vitória sobre Kyungsoo, uma sobre outro corredor da EXODUS Corp., duas derrotas para Kyungsoo.


 

Não ficava mais para trás, cada corrida dava tudo de si, e mesmo que no final mandassem diminuir a velocidade e deixar o outro ganhar, sabia que havia feito seu melhor. Nenhuma corrida era uma falha. Cada curva, cada acelerada, era uma vitória. Era um dia a mais, um dia a menos.


 

–Você já bebeu o suficiente! –Junmyeon ralhou com o outro, retirando o copo de sua mão assim que o havia pego no bar. Jongin sabia que estava bebendo demais, mas isso era parte de seu plano, menos tempo para pensar, menos sanidade, menos sobriedade. Menos Kyungsoo. Seu copo foi então substituído por um telefone celular, e um pedido de Junmyeon que fosse atender aquela ligação do lado de fora da boate.


 

Jongin não sabia porque havia sido pedido aquilo, nem sabia o que o fez sair do clube agitado, para a rua onde o barulho era infinitamente menor.


 

Afastou-se da fila na frente de onde havia saído, já com o celular apertado contra o ouvido.


 

–Jongin? –A voz de Kyungsoo ecoou contra seu ouvido, quase fez estalar seus ouvidos, quase o fez gozar ali mesmo, no meio da rua. Era isso que ele fazia, Kyungsoo, sua droga. Apenas um pouco dele, o fazia delirar.


 

–Você ligou pro Junmyeon? Pra falar comigo? –Jongin ralhou, enquanto se escondia na ruela ao lado da boate, não se importando com o cheiro de lixo acumulado perto da parede.


 

–Meu irmão morreu. –Foi curto e simples, três palavras vazias, carregadas de sentimentos que nenhum dos dois, em cada um dos lados da linha, saberia decifrar.


 

–M-me desculpe… Quer dizer… Meus pêsames. –Jongin disse com a voz mais baixa, menos agressiva, enquanto passava uma das mãos pelos cabelos suados, os empurrando para trás.


 

Uma pausa sufocante tomou conta da ligação, quebrada por um suspiro vindo de Kyungsoo.


 

–Eu estou livre. –Eram as palavras aliviadas que Kyungsoo não tinha certeza se poderia falar, mas que queria contar para Jongin. Mesmo que fossem mentiras as quais Kyungsoo queria desesperadamente acreditar, mesmo que fosse uma armadilha. Por um momento que fosse, queria acreditar, que era livre.


 

Jongin ainda segurava o telefone de Junmyeon contra seu ouvido, com força, e a outra mão contra o peito, tentava segurar o coração em seu lugar, e as lágrimas longe do rosto. Um grande sorriso estúpido estampado no rosto, e as lágrimas da mais pura felicidade escorrendo pelo rosto cansado e embriagado.


 

–Vamos fugir. –Sussurrou Jongin, e repetiu tantas mais vezes, como um mantra que precisava fazer Kyungsoo aceitar. Não havia melhor oportunidade, do que aquele momento.


 

Jongin poderia jurar, que ouviu Kyungsoo sorrir. Mesmo que sorrisos não fossem exatamente algo que se pudesse ouvir, Jongin juraria para o resto de sua vida, que o ouviu sorrir, naquele momento. Como se nada mais importasse.


 

–Vamos fugir. –Ele sussurrou de volta, e Jongin sentia como se pudesse explodir. –Só preciso correr duas corridas, e podemos fugir no fim da temporada. –Completou, mas não parecia ser um problema para Jongin, que sentado no meio do lixo, sorria como o estúpido bêbado que era, com o telefone quente contra o ouvido. –Depois dessas duas corridas, vamos ser só nós dois.



 

Quando Jongin bateu com a cabeça contra o travesseiro naquela noite, ainda podia ouvir a voz de Kyungsoo ecoando por sua cabeça. Suas bochechas estavam coradas e Sehun vomitava em seu banheiro enquanto Junmyeon passava uma das mãos por suas costas. Nada daquilo importava. Jongin estava nas nuvens, e não queria descer daquele momento nunca mais.




 

Kyungsoo estava sentado nas arquibancadas, olhando a pista vazia, que em algumas horas estaria cheia de corredores, mecânicos e espectadores. Sua penúltima corrida. Sempre pensou que ficaria triste quando aquele dia viesse a chegar, mas tão perto estava o momento, estava se sentindo mais tranquilo que nunca.


 

A brisa passava por seus cabelos, os quais já havia pensado muitas vezes que precisava cortar, e na bochecha guardava o doce que carregava sempre consigo.


 

Era mais um bom dia. Calmo, de céu limpo com algumas nuvens passageiras, brisa leve, não muito calor, não muito frio.


 

Era mais um bom sábado. Por volta das seis horas da manhã. Era um daqueles bons dias que estavam apenas começando.


 

Levantou-se com os braços esticados, sentindo o sol que ainda preguiçosamente se desligava da linha do horizonte e começava a tocar tudo que alcançava. Kyungsoo sentia-se pronto, para mais um pequeno passo em direção de sua completa liberdade. Mais aquela corrida, mais outra e pronto, acabaram-se suas preocupações. Seus medos. Era isso que ele queria acreditar.


 

Caminhou sem preocupações por entre os corredores dos bastidores. Conhecia cada parede como a palma de sua mão, conhecia cada canto, cada azulejo pelo chão. Eram boas e más lembranças, eram corridas que havia assistido, ou participado. Lembrava de ter passado com Seungsoo por aqueles corredores, com Yifan, com Chanyeol e com Jongin. Cada pedaço daquele lugar, carregaria consigo para o resto da vida.



 

Kyungsoo estava distraído, quando ouviu uma das portas se abrirem, fechando imediatamente em seguida e um corpo passando para fora da área onde os carros eram guardados logo antes das corridas. Sem pensar duas vezes, seguiu a sombra que havia cruzado seu olhar, em passos longos e apressados, sem deixar rastros. Era como se nem mesmo tivesse passado por aquele lugar. E antes que a figura pudesse abrir a última porta, que o levaria para fora do estádio, Kyungsoo se fez ouvir.


 

–Jongdae. –Gritou, e o homem parou, com sua mão sobre a maçaneta e a outra carregava uma maleta de alumínio pintado de preto. –Você não precisa fazer isso. –Ele disse, e Jongdae virou para trás, seu rosto cansado, olheiras profundas, olhos vermelhos. Havia visto aquele olhar antes, aquele desespero, havia visto antes, o ponto em que chegam aqueles cujas mentes são tomadas pelos Wu. Flashes em sua memória o faziam lembrar de Zitao, como seu rosto mostrava o mesmo desespero, antes do fim levado.


 

–Preciso sim. –Jongdae murmurou, com lábios que tremiam em desespero, e lágrimas que caíam sem nem mesmo serem piscadas para fora dos olhos. –Eu preciso.


 

Disse e passou pela porta, como se nunca antes tivesse passado por aquele lugar.


 

Kyungsoo olhou para trás, e viu em seu passado as escolhas que poderia ter evitado. Olhou para seu futuro, e viu tudo aquilo que poderia construir. E no fim das contas, sabia que ser arrependeria muito mais, se não fizesse nada. Se perguntaria todos os dias, o que teria sido de sua vida, se tivesse feito alguma coisa.


 

Kyungsoo sempre dizia, preferir arrepender-se de algo que fez, do que arrepender do que deixou de fazer.





 

–Campeão, pronto pra sua penúltima corrida? –Sehun brincou, apertando o ombro de Jongin, já coberto por seu macacão branco. Tinha o capacete sobre o carro e um grande sorriso estampado no rosto.


 

–Nunca estive mais preparado na minha vida. –Respondeu com animação, roubando em seguida um olhar para o lado. Kyungsoo tinha uma das mãos sobre a de Chanyeol, parecia entregar algo para o amigo que carregava em seu semblante um olhar extremamente confuso. Kyungsoo colocou-se nas pontas dos pés, para sussurrar algo ao pé do ouvido de Chanyeol, em seguida sorrindo para o amigo e apertando seu ombro com força.

Poderia estar preocupado com aquilo, senão pelo olhar que recebeu em seguida. Em sua direção, aqueles olhos brilhavam, com o sorriso que sonhava em ver todas as manhãs para o resto de sua vida. Queria sacudir sua mão na direção de Kyungsoo, talvez até mesmo correr até ele, enchê-lo de beijos e abraços e sorrir com ele, mas ele apenas sorriu uma última vez, antes de colocar seu capacete e entrar em seu carro.


 

–Olha só, aqui está o plano. –Junmyeon se aproximou, Sehun perto para observar o plano de corrida daquele dia. –Você vai apertar com o Kyungsoo até a penúltima volta, aí você acelera, mas guarda o combustível só pro meio da última volta. –Explicou, e Jongin assentiu com o plano que estava traçado. –Se sentir que precisa mudar alguma coisa, avisa antes. –Pediu, antes de dar dois tapas leves nas costas de Jongin e sair da pista, com os outros membros das equipes.



 

Jongin estava dentro de seu carro, capacete posto, olhos no retrovisor e coração palpitando com força. Estava tão perto de sua liberdade, e sua liberdade finalmente tinha gosto de cereja.


 

Fechou seus olhos por três segundos, e começada a contagem para a largada.


 

Três, e Jongin sorriu para si mesmo.


 

Dois, e seus olhos moveram-se por uma fração de segundo para o banco ao lado, e sobre ele um embrulho plástico, dos pirulitos de Kyungsoo.


 

Um, e seu pé no acelerador foi mais rápido, mais instintivo que sua curiosidade.


 

Sua concentração estava completamente voltada para a corrida, para cada volta, cada ultrapassagem. Havia começado relativamente atrasado, talvez por sua momentânea distração, mas assim que passou Hoseok na pista, sentiu-se mais à vontade para explorar suas possibilidades.


 

Eram apenas cinco voltas. Rápidas demais para que se cansasse de correr, rápidas demais para que pudesse pensar sobre sua vida que pudesse vir.


 

Em seu ouvido Junmyeon costumava dizer quantas voltas faltavam, quão longe estavam seus adversários, qual velocidade deveria atingir para ultrapassar o que estava a sua frente. Porém, a voz de Junmyeon fora interrompida, burburinho se formou. Podia ouvir a voz de Chanyeol, e Sehun que discutia com ele.


 

–Jongin? Está me ouvindo? –Chanyeol disse, alto e claro, e Jongin respondeu prontamente. –Ok, estou te passando o Kyungsoo. Não me pergunta porque. –Terminou, sua voz se desligando por alguns segundos, até que o som voltasse em forma de respiração pesada, quase soluçada.


 

–Kyungsoo? O que aconteceu? –Jongin disse, ainda tentando concentrar-se na corrida, mas era difícil, quando Kyungsoo estava em seus pensamentos, em seus ouvidos, no carro a frente.


 

–Jongin, você me ouve? –Ele perguntou, e sua voz rouca tentava esconder o meio soluço que segurava na garganta. Jongin respondeu imediatamente que ouvia, quase não deixando que ele terminasse de falar, e Kyungsoo suspirou profundamente. –Me escuta… –Suspirou mais uma vez, tentando controlar sua respiração. –Eu te amo. Tá me ouvindo? Eu te amo, e se você me ama, você vai me perdoar. Você vai me perdoar hoje, e vai me perdoar daqui a cinco anos, ou dez anos o quanto tempo for preciso. Me promete.


 

Jongin estava em silêncio, seu carro que se aproximava de Kyungsoo começava a ficar para trás, mas não por ter desacelerado, mas por Kyungsoo estar andando com muito mais velocidade.


 

–Vou aceitar seu silêncio como uma promessa. –Kyungsoo quase riu, ainda com dificuldade de respira. –Jongin… –Ele murmurou, e um soluço escapou de garganta. Jongin nunca havia ouvido seu nome falado daquela forma, e tinha a certeza, no mesmo instante, que nunca mais ia querer ouvir.

Tudo transformou-se em silêncio.


 

Jongin tentou chamá-lo, gritar no microfone acoplado a seu capacete, mas não adiantava. Kyungsoo estava muito a frente, estava longe o suficiente, para que quando seu carro capotasse, já com fogo escapando pelo motor, Jongin tivesse tempo de frear e ninguém mais saísse machucado.


 

Kyungsoo não queria que Jongin saísse de seu carro, jogando o capacete para longe junto com suas luvas de couro. Kyungsoo não queria que ele corresse até o carro, mas ele mesmo assim correu.

Correu para o mais perto que conseguiu, em sua angústia feral, antes de ser jogado para trás, pela explosão no carro batido. Sentiu o corpo rolar pelo asfalto, e a cabeça contra o chão quente, sob o sol de sábado. Tão perto do chão, não havia brisa.


 

Foi tudo rápido demais, para que pudesse entender o que acontecia. Em um segundo Kyungsoo falava com ele, no segundo seguinte seu carro já estava derrapando, então um estouro, e o carro capotou até a área verde no lado da pista.


 

Do chão, aonde havia caído, Kyungsoo ainda estava longe. Não o podia ver, não via nada além de um carro em chamas, não ouvia nada além de sirenes e a voz de Junmyeon perto de seu rosto.


 

Foi tudo rápido demais, para que pudesse entender.

Em um segundo tinha tudo, e no outro nada.

Em um segundo tudo o que via eram chamas ao longe, no outro era escuridão.


Notas Finais


DESCULPA GENTE mas é isso aí.

Quer dizer, temos ainda mais um capítulo de sobra pra conclusão, o qual eu espero ainda ser capaz de postar esse ano :v

O que eu queria dizer é que... Tenho planejado o final dessa história por muito tempo, e talvez por já saber como iria acabar, eu fiquei com receio de escrever... Agora é que eu estou me lembrando, de como é complicado se desapegar de uma história que você gosta de escrever.

Bem, agora é isso, é bola pra frente, e POR FAVOR, NÃO DESISTAM DESSA HISTÓRIA ANTES DE LER O ÚLTIMO CAPÍTULO.

Acho que é só isso por enquanto, obrigada aos que leram até aqui


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