História Kyle, o Sombrio Guardião da Luz - Parte II - Noxus - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias League Of Legends
Personagens Cassiopeia, Darius, Katarina, LeBlanc, Morgana, Personagens Originais, Riven, Ryze, Sion, Swain, Talon
Tags Kyle, League Of Legends
Exibições 2
Palavras 3.798
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Luta, Magia, Romance e Novela, Saga, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Uma cidade traiçoeira começa por um líder traiçoeiro... O que o Mestre da Estratégia reserva para Kyle?

Capítulo 4 - Diplomacia Noxiana


Fanfic / Fanfiction Kyle, o Sombrio Guardião da Luz - Parte II - Noxus - Capítulo 4 - Diplomacia Noxiana

Kyle fitou Beatrice e abaixou a cabeça.

“O que acha de Beatrice?”, perguntou Swain para Kyle, apontando para seu corvo empoleirado no seu ombro direito.

Kyle permaneceu de cabeça abaixada, sem pronunciar uma palavra. Darius observava seu líder torturar psicologicamente o garoto enquanto LeBlanc esforçava-se para esconder sua apreensão.

“Hmmm... Quando eu falo com alguém eu espero que a pessoa me dê atenção e olhe na minha cara!”, gritou Swain, levantando o rosto de Kyle com a ponta de sua bengala de madeira.

“Não gosto de corvos. Eles não merecem o que recebem da natureza. São parasitas, espreitando carne á beira da morte para se saciarem com os restos.”, comentou Kyle, nervoso.

“Parasitas você diz... Então o que são as pessoas lá fora? Vivendo suas vidas na segurança dos muros de minha cidade. Bebendo da água que aqui é oferecida e se alimentando dos frutos desta terra. O que são elas?”, perguntou Swain.

“Elas são aquilo que o mantém aqui. Se todas elas resolverem partir, o que será de você?”, rebateu Kyle, com um olhar impassível.

“Se elas partirem, elas serão comida para os corvos... Entenda que isso não se trata de parasitismo, mas de uma mútua troca de favores...”, comentou Swain, circundando o garoto com passos lentos e ritmados.

“Você não é o único que pode oferecer a elas o que elas precisam.”, disse Kyle.

“Aponte-me mais alguém que possa fazê-lo e eu o saquearei e caçarei... Noxus não aceita ‘outras opções’, Noxus reina através da força e aqueles que estiverem em nosso caminho, serão pisoteados.”, disse Swain, cheio de pompa.

“O guerreiros ionianos mandaram lembranças então... Pelo que eu li sobre a invasão noxiana em Ionia eu diria que ela não foi, como você mesmo disse, pisoteada.”, argumentou Kyle, de forma debochada.

Swain franziu seu semblante e Darius sorriu, como se já soubesse o que estava para acontecer. O Mestre da Estratégia aproximou-se de Kyle, abandonou sua bengala e levou sua mão esquerda ao pescoço do garoto, que se debateu com os punhos presos atrás das costas. Swain ergueu Kyle a uma altura considerável e o garoto esforçava-se para respirar.

“Se não tem medo de mim, então tenha medo dos corvos!”, bradou Swain, envolvendo-se em uma névoa negra e tornando-se um corvo humanoide com quase dois metros de altura.

As mãos do general se tornaram garras e Kyle sentia cada vez mais dor com estrangulamento. O garoto revirou os olhos para LeBlanc, olhando a feiticeira em sua alma e implorando com seus lábios retorcidos por sua vida. A Falsa não conseguia olhar para a cena dos vários corvos conjurados por Swain sobrevoarem o garoto, beliscarem pedaços de sua carne e esburacarem sua couraça acinzentada. Sem ar para mais nada, Kyle não conseguia sequer exprimir gritos de dor, enquanto seu braço direito, sua barriga e suas pernas sangravam com as mordidas dos corvos. Quando Kyle estava a ponto de colapsar e morrer estrangulado, Swain afrouxou suas garras e abandonou Kyle no chão duro e frio da sala do trono. O general voltara ao normal enquanto o garoto buscava a maior quantidade possível de ar para oxigenar seus pulmões e caído no chão sobre o próprio sangue.

“Você teme corvos?”, perguntou Swain, sorrindo por debaixo da gola de sua túnica verde e dourada, manchada com algumas gotas do sangue do garoto, enquanto recuperava sua bengala.

Kyle ainda buscava ar, quando seus olhos acompanharam o movimento de Swain de volta ao seu trono. O garoto deu uma última inspirada, colocou-se sentado com extrema dificuldade e abriu a boca para cuspir sangue proveniente do estrangulamento.

“Permanecerá quieto? Ou precisarei mata-lo?”, perguntou Swain.

“O que você quer de mim?!”, perguntou Kyle, com uma voz terrivelmente arrastada.

“Não posso possuir sua espada, pois o somente o portador é o escolhido dela. Mas como você a conseguiu, então acredito que seja influente na sociedade freljordiana. De você eu quero informações.”, disse Swain.

O trio noxiano olhou fixamente para Kyle, que permaneceu sentado e com dificuldades para manter a cabeça erguida. O garoto cuspiu outra carga de sangue, assoprou alguns fios de cabelo que caíam sobre sua testa e olhou para Swain.

“O que quer saber?”, perguntou Kyle.

“Ashe está sentada no trono, mas informações circularam de que uma aliança foi formada e que a guerra se aproxima. O que há em Freljord de tão poderoso que merece a atenção de duas líderes?”, perguntou Swain.

“Uma vadia feiticeira... Lissandra...”, dizia Kyle, até desmaiar e cair para trás, com o rosto para cima.

“Ah, ótimo... Passei do ponto de novo.”, comentou Swain.

“Devo manda-lo para a masmorra?”, perguntou Darius.

“Sim. LeBlanc! Tire as algemas dele e tirem-no daqui. Ainda não acabamos.”, ordenou Swain, levantando-se do trono e virando-se para a sacada, observando a cidade que não parava em suas ruas, becos e praças.

LeBlanc estendeu seu cetro e as algemas etéreas que prendiam Kyle desapareceram, Darius em seguida prendeu seu machado á cintura e ergueu o corpo do garoto. Ele e LeBlanc saíram pela porta da sala e Sion os observou partirem com o garoto. Conforme desciam as escadas, Darius e LeBlanc permaneciam quietos até chegarem ao térreo do prédio. A feiticeira dirigia-se para as escadarias que levavam de volta ao território secreto da Rosa Negra e Darius deixou Kyle no chão enquanto abria uma grande porta de entrada para as masmorras noxianas, quando ele se virou para o garoto, Kyle despertara e, equipando seu escudo com extrema velocidade, esmurrou o rosto de Darius com o escudo, ganhando tempo sobre o guerreiro.

Kyle disparou para a saída do prédio e deu de cara com um destacamento de guardas que procuravam encurralá-lo. Com Kyle demonstrando uma resistência física impressionante, havia ficado claro para Darius que toda a demonstração de dor e sofrimento na sala do trono não passava de mera encenação, incluindo o desmaio. O garoto desviou-se por uma rua estreita e, enfiando a mão em uma caixa pesadíssima e cheia de frutas arredondadas e grossas, jogou-as pelo caminho, fazendo os guardas mais desajeitados caírem sobre os restos cítricos que jorravam das frutas esmagadas pelas botas de ferro dos guardas. O garoto em seguida atravessou um grande centro comercial, despistando os guardas restantes por entre as tendas e estandes das feiras de comércio noxianas. Kyle seguiu por um beco que possuía uma grade alta e rapidamente a pulou, ao alcançar o final do beco, ele estava em uma região da cidade um tanto diferente, mais nobre. Quando o garoto achou que poderia parar para se recuperar, Darius rompeu pela esquina da rua onde Kyle se encontrava e avançou na direção do rapaz portando seu gigantesco machado e com furiosa rapidez. Kyle retomou sua corrida e falhava em tentar despistar Darius, pois aquele distrito de Noxus possuía ruas mais largas e uma organização espacial mais bem definida. O bairro possuía casas de famílias nobres e conhecidas, e o povo que observava a perseguição ficava assustado com a ferocidade no semblante de Darius, mas já estava acostumado a ver a Mão de Noxus executar inimigos da cidade-estado nas ruas da cidade.

Kyle estava chegando a seu limite. Ele virou uma esquina e alcançou uma rua cujas casas possuíam uma arquitetura bem antiga e ela estava estranhamente deserta. O garoto alcançou a metade da rua e, saltando de trás de um enorme latão de lixo colocado na calçada, um vulto negro com esvoaçantes cabelos ruivos com a mesma altura do garoto apareceu no caminho dele e inseriu a lâmina de uma adaga em seu diafragma, causando sangramento instantâneo para horror do garoto. A ação fez com que Darius, que estava a uns cinco metros do garoto, interrompesse sua perseguição.

Conforme sentia a lâmina de aço escorregar por suas entranhas, a mão coberta por uma luva negra e um bracelete metálico com espinhos de seu assassino circundou lhe o rosto e o garoto teve tempo de observar melhor a figura até então desconhecida. Suas vestimentas claramente sugeriam que a mulher á sua frente era alguém que possuía mais dinheiro do que bom gosto, ou talvez fosse alguém que procura chocar os outros em vez de impressionar em momentos oportunos. Os tecidos de sua vestimenta eram de alta qualidade, negras calças leves de cavalaria, reforçada na altura dos quadris e duplamente costurada em tons mais claros para maior resistência. Ao longo das calças, cintas de couro envolviam as coxas da mulher, portando várias adagas nas cintas e duas grandes caneleiras de aço. Como acessório, as calças possuíam um par de cintos negros com dois buracos e adornados com rebites de prata e estanho, criando uma mistura de cores nos cintos relaxadamente ajustados aos contornos de sua cintura esbelta. Um top cor de café sobre volumosos seios e revelando as curvas da mulher, com uma tatuagem que se estendia das costelas até mergulharem sob os cintos, era composto de couro feito sob medida e sem alças sugere que a peça já teve algum desgaste, enquanto braceletes e ombreiras de aço leve forneciam mobilidade e resistência aos braços do usuário. Uma pequena jaqueta cropped de couro negro por cima do top parecia estar ali apenas como acessório diferencial, e tal vestimenta em sua totalidade não parecia ser usada para usos defensivos.

Kyle tentava permanecer consciente, mas a ruiva girou a adaga dentro do diafragma do garoto, fazendo-o sentir tanta dor que o tornou incapaz de sequer emitir um grito. Sua mão direita alcançou o ombro da mulher e descia por suas curvas até seus olhos revirarem e sua consciência o deixar. A mulher retirou a adaga ensanguentada das entranhas do garoto com cuidado cirúrgico e o abandonou desfalecido sobre os paralelepípedos antigos daquela nobre rua noxiana.

“Merda, Katarina! Swain precisava dele vivo!”, gritou Darius, aproximando-se da assassina.

“Eu vejo o grande Darius perseguindo um moleque que, apesar de possuir uma espada, estava terrivelmente ferido para lutar contra você e corria como o vento pelas ruas de Noxus. Achei que estava lhe fazendo um favor. Aliás, o que Swain quer com um garoto freljordiano?”, comentou Katarina.

“Isso não é de sua conta, Du Couteau.”, respondeu Darius, de forma grossa.

“Pelos deuses, o garoto já está morto. Cada um com seus problemas e sem ressentimentos. O que o rapaz tem de importante? A espada dele?”, perguntou Katarina.

“Ugh... O garoto sabia muito sobre o que aconteceu recentemente em Freljord e tinha informações importantes sobre as novas alianças lá formadas.”, disse Darius.

“E deixaram ele fugir? Não esperava tal nível de incompetência de você, o comandante do exército noxiano.”, debochou Katarina.

“Que se dane. Não tenho mais nada para fazer aqui.”, resmungou Darius, virando as costas para Katarina e retirando-se.

“Espera! Vai deixar o garoto aqui?!”, gritou Katarina.

“É como você disse... Cada um com seus problemas!”, urrou Darius, antes de deixar a rua e se dirigir de volta para o Prédio Central.

“E sem ressentimentos...”, completou Katarina em um sussurro, sorrindo enquanto olhava para Kyle caído em uma pequena poça de sangue.

Katarina Du Couteau, também conhecida com A Lâmina Sinistra, era uma assassina treinada e conhecida por toda Valoran como uma das mais perigosas figuras em Noxus. Filha do ex-general Du Couteau, que desaparecera misteriosamente durante a época da invasão de Noxus á Ionia, Katarina era uma estonteante e mortal ruiva de corpo invejável e olhar penetrante. Sua cicatriz que corta seu olho esquerdo é uma marca de suas ações e prova de sua determinação implacável.

Depois de esperar alguns segundos, Katarina ergueu o corpo de Kyle e o levou para a varanda de uma das casas da rua. Um homem encapuzado com uma longa capa adornada com placas de aço nas pontas saiu da casa e cumprimentou Katarina.

“Talon, leve o garoto para dentro. Precisamos recuperá-lo e deixar ele consciente. Vou chamar alguém para limpar esse sangue.”, disse Katarina.

“Espere... Katarina. Esse rapaz está morto.”, disse Talon.

“Não está não. Rompi seu diafragma para causar sangramento, mas não lacerei nenhum órgão vital. Precisava apenas tirar Darius da cola dele. Agora faça o que eu te pedi e rápido.”, comentou Katarina, visivelmente com pressa.

Talon enrolou apressadamente uma faixa de linho em torno do diafragma de Kyle e o levou para o interior da casa, colocando-o sobre uma mesa dentro de um cômodo que parecia ser um banheiro. A casa pertencia á família dos Du Couteau.

Talon, muito conhecido como a Lâmina das Sombras, era um assassino que tinha um passado semelhante à Kyle, ele não tinha lembrança alguma de sua família, de seu lar ou de qualquer afago que tenha recebido quando criança. A diferença é que o assassino noxiano nunca teve interesse de trazer á luz de sua consciência tais memórias, assumindo para si que deveria seguir adiante e sobreviver em uma Noxus impiedosa e cruel. Talon era um ladrão que vivia pelos esgotos de Noxus e ganhava a vida assaltando os mais ricos e assassinando aqueles que ousassem impedi-lo, até que um dia Talon ficara frente a frente com um renomadíssimo espadachim que o derrotou e o pôs a seus pés, o general Du Couteau, pai das irmãs Katarina e Cassiopeia. Oferecendo a Talon a morte ou um lugar como agente pessoal do general, que ocupava um cargo importante no Alto Comando Noxiano. O assassino então executou inúmeras tarefas para seu general, fazendo o trabalho sujo que sempre esteve acostumado a fazer e ganhou um lugar de confiança na casa dos Du Couteau, desenvolvendo um laço de amizade com outra assassina, Katarina.

Com o desaparecimento do general Du Couteau, Talon decidiu que seria injusto deixar para trás a única pessoa que lhe deu a chance de colocar suas habilidades em prática por uma vida digna, coisa que a Lâmina das Sombras nunca teve. Trabalhando ao lado de Katarina, Talon tem como missão pessoal permanecer invisível aos olhos da atual conjuntura política de Noxus com o objetivo de encontrar Du Couteau, a quem considerava como um pai.

Talon, com seu pouco conhecimento de medicina ensinado por Cassiopeia, tratou do ferimento causado por Katarina a Kyle, esterilizando o local e costurando o corte com a destreza de alguém que já fizera aquilo numerosas vezes. Talon também notou os ferimentos causados pelas mordidas dos corvos e, antes mesmo de limpar tais feridas, ele chamou Katarina. A assassina rapidamente chegou ao cômodo em que estavam.

“O que houve? O garoto está bem?”, perguntou Katarina.

“Sim, ele está com pulso. Mas veja essas marcas... Mordidas?”, perguntou Talon.

“Merda, Darius tinha razão. Essas marcas são bicadas de corvos. Swain torturou esse garoto. Olha o pescoço dele, marcas de garras.”, comentou Katarina, tateando as marcas na barriga de Kyle.

“Swain nunca revela sua forma de corvo a ninguém. O que esse garoto tem de... opa!”, exclamou Talon.

“O que foi?”, perguntou Katarina.

“Ajude-me a virar o garoto.”, disse Talon.

Os dois viraram o rapaz e Katarina, encantada com o brilho dourado e cristalizado da empunhadura de Coldfate, tocou na espada.

“Katarina, não!”, exclamou Talon, mas tarde demais.

A pele de Katarina ficou terrivelmente pálida e a pupila de seus olhos verdes como esmeraldas havia dilatado instantaneamente, seu cérebro estava esfriando tão rapidamente que a assassina ficou sem controle sobre seus movimentos, impedindo-a de soltar a empunhadura da espada. Talon, sério e concentrado em salvar aquela que tinha carinhosamente como uma irmã, agilmente pegou um pequeno pedaço de madeira de aproximadamente 15 centímetros, que era usado como apoio para uma tipoia, do kit de primeiros socorros do cômodo e, passando a madeira por debaixo do punho de Katarina, Talon segurou a madeira nas duas extremidades e ergueu-a, livrando Katarina de sua prisão gélida.

A assassina caiu sólida no chão, desprovida de reações motoras, mas consciente e capaz de compreender o que estava á sua volta. Talon rapidamente a agasalhou com sua capa e cedeu o calor de seu corpo para Katarina, que se recuperava.

“Que... Que porra é essa?”, perguntou Katarina, ainda meio catatônica.

“O motivo pelo qual Swain torturou esse moleque. Essa espada escolheu o garoto.”, disse Talon, desviando o olhar para Kyle.

“Como você sabe dessas coisas?”, perguntou Katarina.

Percebendo que Katarina estava se recuperando com sucesso, Talon deixou-a e levantou-se para se aproximar do garoto.

“Seu pai me enviou para Freljord uma vez para acertar as contas com um político noxiano corrupto que estava de férias naquele fim de mundo frio. E acredite se quiser, o povo que vive ao sul daquela terra é terrivelmente benevolente.”, dizia Talon, sendo interrompido por Katarina.

“Talon... Vá direto ao ponto, cacete.”, disse Katarina, irritada por não conseguir ficar sobre as próprias pernas.

“Ugh... Eu me instalei em uma casa, próximo a capital Rakelstake e a família daquela casa me acolheu e me cedeu um espaço para passar a noite. Na casa, quando jantávamos pela última vez, o filho do casal era letrado e gostava muito de ler. Ele me mostrou um livro do qual gostava e ele tinha várias lendas interessantes sobre Freljord.”, disse Talon.

“Você interessado por leitura? Isso não é sério.”, comentou Katarina, finalmente pondo-se de pé e devolvendo a capa para Talon.

“Calma... Eu inicialmente queria apenas agradar o garoto, mas ele disse que já havia lido todo o livro e queria me presentear com ele, pois eu havia dito á família que partiria naquela madrugada, pois ainda estava para finalizar meu trabalho e voltar para Noxus. Enquanto eu preparava as lâminas para o assassinato mais tarde, eu vi o livro e ele chamou minha atenção, como se quisesse que eu o lesse. Mesmo sendo um livro curto, havia lido o bastante para conhecer sobre a lenda da espada que esse garoto carrega.”, disse Talon, esboçando um sorriso.

“Agora fiquei curiosa, você nunca mais viu essa família?”, perguntou Katarina.

“Todos haviam ido dormir naquela noite e eu saí pela janela de meu cômodo para realizar o assassinato. Foi um trabalho simples e limpo, até hoje os freljordianos não fazem a menor ideia do que aconteceu, mas eu havia saqueado um saco com trezentas moedas de prata noxiana do cadáver do meu alvo. Eu pensei em ficar com o dinheiro, mas retirei apenas umas vinte moedas e, retornando á casa da família que me acolheu, amarrei o saco com o dinheiro restante a um bilhete de agradecimento, atirei-o pela janela da qual que havia saído antes e fechei-a, partindo de volta para Noxus.”, finalizou Talon.

Katarina sorriu em um suspiro e depois o sorriso rapidamente desfez-se. A assassina ruiva recostou a cabeça sobre o ombro de Talon, que não conseguia compreender a situação.

“Meu pai era um general noxiano que sabia o valor que tinha o dever cumprido, mas ele sempre foi um homem piedoso. Ele soube dessa história?”, perguntou Katarina.

“Eu nem precisei contar a ele, quando ele percebeu que eu voltei quase sem dinheiro ele entendeu tudo e me pagou o valor que eu havia deixado com a família.”, disse Talon.

“Esse era meu pai... Bom saber que ele despertou isso em você. Não sei se eu faria a mesma coisa.”, desabafou Katarina, afastando-se de Talon.

“A atitude que eu tomei, não partiu de minha consciência. Foi algo que me moveu a fazê-lo, simplesmente. Acho que matamos tanta gente que ás vezes parecemos pessoas sem coração. Fazer isso de vez em quando nos faz mais humanos.”, completou Talon.

Katarina suspirou e seu pensamento foi longe, lembrando-se de suas incursões contra exércitos demacianos e o dia em que duelou contra Garen, o comandante da Vanguarda Destemida demaciana e o maior pesadelo do exército noxiano, em um combate sem vencedores. Desde aquele dia, Katarina despertou uma afeição incompreensível pelo guerreiro demaciano, mas ela jamais o encontrou em combate novamente. Talon não conhecia tal passado de sua colega assassina, então ele simplesmente concentrou-se na tarefa de tratar dos ferimentos restantes de Kyle.

“Pronto, terminei. Vai acordá-lo?”, perguntou Talon.

“Mais tarde, se eu o acordar agora ele terá um colapso. Preciso de tempo para investigar essa história. Sobre a lenda da espada, o que ela tem de interessante e porque eu quase congelei ao tocar nela?”, disse Katarina.

“Se trata de uma lâmina amaldiçoada e que aguarda um bravo herói que possa livrar o espírito da pessoa que foi morta pela espada. Não lembro muito bem como era, mas eu sei que, se você quiser possuir a espada do escolhido, terá que derrota-lo em combate.”, disse Talon.

“Você poderia ter me dito antes.”, resmungou Katarina.

“Meh... Pensei ser apenas um detalhe... Enfim, antes de eu partir, me conte como você soube desse garoto?”, perguntou Talon.

“Aquele mago ladino surgiu aqui em Noxus do nada carregando esse garoto nos ombros e levando-o a um lugar desconhecido, talvez até a Rosa Negra, não tenho certeza. Mas seja lá pelo que ele passou, foi por coisas das quais ninguém deveria ter passado.”, disse Katarina.

“Viu? Você também conseguiria...”, comentou Talon.

“Como assim?”, perguntou Katarina.

“Você disse que não sabe se conseguiria fazer por aquela família o mesmo que eu fiz, mas está defendendo um garoto que não conhece e vejo em seus olhos o quanto você quer ajuda-lo, mesmo que indiretamente.”, disse Talon, sorrindo.

Katarina caiu em si e, percebendo que Talon tinha razão, olhou durante alguns segundos para Kyle ainda desacordado sobre a mesa em que estava e sorriu para o garoto.

“Bem, vou partir. Tenho assuntos a tratar.”, disse Talon.

“Esteja de volta até o fim do dia, precisaremos de você para tirá-lo de Noxus. Darius acredita que o garoto está morto e assim será até ele desaparecer daqui.”, disse Katarina.

“Ok.”, disse Talon, saindo do cômodo e desaparecendo da casa.

Katarina aproveitou o tempo que tinha e avaliou todos os traços fisionômicos de Kyle, sua força física não impressionava e as marcas do ferimento causadas pela mordida de Trundle chamavam a atenção, mas as avançadas técnicas curativas freljordianas se provaram extremamente eficientes no processo de recuperação de tal ferimento. A couraça de Kyle, incrivelmente resistente, já havia visto algumas batalhas, a pele áspera do garoto sugeria que ele havia desenvolvido uma invejável resistência ao frio. Os loiros e bagunçados cabelos de Kyle brilhavam como ouro conforme os dedos de Katarina deslizavam por entre seus fios e a mão direita calejada do garoto parcialmente escondida sob sua longa manopla de couro marrom reforçado revelava a marca da faixa de couro que o garoto segurava para erguer o escudo. Katarina notou a cota de malha por debaixo da couraça do rapaz e percebeu que diante dela estava um jovem guerreiro que sabia o que fazer em combate. Finalmente, Katarina analisou a marca negra da têmpora de Kyle e ficou intrigada com o que ela poderia significar. Ela removeu cuidadosamente a couraça e a cota de malha do garoto, em seguida tirou a armaguarda de seu antebraço direito e soltou o cinto transversal que acomodava a espada gélida e o escudo. Ela pôs tudo cuidadosamente sobre um armário perto de onde Kyle estava, deixou-o descansando por algum tempo e retirou-se do cômodo.


Notas Finais


Você confiaria numa bela assassina noxiana? O próximo capítulo nos dirá mais sobre as intenções de Katarina.

Próximo capítulo: Domador de Serpentes (Serpent Tamer)


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