História La Famiglia. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Chris Evans, Chris Hemsworth
Personagens Personagens Originais
Tags Crimes, Família, Máfia
Exibições 16
Palavras 4.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E ai gurizada, beleza com vocês? Espero que sim, não tem animação maior do que começar uma história nova, eu sempre fui um amante de filmes mafiosos, e foi esse amor que me fez iniciar essa fanfic, agora alguns lembretes.

>La Famiglia para quem entende um pouco de italiano significa A Família, e esse concento na máfia italiana é muito forte, principalmente no meio dos anos 50 onde a criminalidade entre os mafiosos era muito forte, é o essa época em que a história sera ambientada.

>Essa fic será baseada em alguns filmes que eu amo muito, que são O poderoso chefão e Goodfellas, para quem assistiu sabe que são obras cinematográficas incríveis e para quem nunca leu eu super recomendo, e também usarei embasamento em uma série que para mim foi uma das melhores da HBO, ela se chama The Sopranos que mostra um lado até politico da hierarquia mafiosa italiana.

>Os pontos dessa história serão. Como o personagem adentra nesse mundo do crime organizado, já que muitas pessoas pensam que a máfia é apenas tiroteio, ao estilo Al Capone e tudo mais, mas tem muito oculto sobre a máfia, tipo os trabalhos que tem que fazer para subir na cadeia de comando, os trabalhos para ajudar a máfia a obter lucros e muito mais, e eu quero mostrar tudo isso.

>Os personagens apresentados nessa obra, serão representandos por famosos, tais esses que não me pertencem, mas as personalidades e nomes fictícios me pertencem e são de total autoria minha, O Chris Hemsworth representará o Vito Scaletta, que é o personagem que acaba por meios errados entrando na máfia, o Chris Evans será o Joe Barbaro, o amigo do Vito que tem suas conexões e contatos e ajuda o Vito em tudo que puder.

>Essa fic tem a discrição como máfia, não é uma fic criminal com gangues de drogados e traficantes, ela tem uma linha totalmente diferente, ela segue os padrões de uma história sobre a máfia.

>Essa história não é movida por comentários ou por favoritos, sou indiferente a isso, mas por favor sem comentários destrutivos e nem pejorativos.

Enfim, eu espero mesmo que gostem, eu nunca li uma fic que abrangesse tão profundamente os conceitos da máfia, então eu espero que tenham uma boa leitura e muito obrigado antecipadamente.

Capítulo 1 - Capitolo uno. L'inizio della storia.


Vito Scaletta. 

 

O homem que anseia e deseja muito, acaba se perdendo na própria ganância, e ele mau percebe que está cavando sua cova. É claro o homem deseja um pouco da vida também, e pode receber nada a final de contas. 

"Testemunho de Tommy Angelo, julgamento de Ennio Salieri. 1938"

Meus passos eram lentos até uma pequena mesa, de modo despretensioso puxei a cadeira me sentando, minha mão esbarrou na pequena luminária a ascendendo, sobre a mesa estava um pequeno caderno de capa surrada, nele eu escrevia sempre as minhas memórias, era um pequeno jeito de manter a minha sanidade em meio a esse mundo louco, minhas mãos vasculharam vagamente os bolsos do meu paletó retirando uma carteira, retirei um cigarro dela, meus lábios pressionaram o filtro enquanto ascendia o isqueiro, a chama queimava a ponta do cigarro, puxei o ar sentindo a fumaça entrar em meus pulmões. Abri o caderno e o folheei até achar uma página em branco, me apossei de uma caneta e comecei a escrever o que possivelmente seria a minha última memória. Meus olhos estavam vidrados nas fotos do álbum da família.

Meu nome é Vito Scaletta, nasci na Sicília em 1925. Aquela foto de família, eu era o pequeno ao lado do meu pai segurando sua mão, ao seu lado estava a minha mãe, e a pequena garota segurando sua mão e a olhando era a minha irmã Francesca. Essa foto foi tirada em nossa velha casa, era até eufemismo chamar aquilo de casa. 

Sinceramente, eu não lembrava muito do velho país... excerto que as coisas eram duras. E então um dia, meu pai decidiu que era hora de ir embora. Longe de Sicília. Do outro lado do oceano para tentar uma vida nova na América. Nunca na minha vida tinha visto algo tão fantástico como Nova York. Era linda. Por outro lado, nunca tinha visto algo mais sujo e repugnante do que a merda do nosso apartamento. "O sonho americano." Mais parecia um pesadelo, meu pai começou a trabalhar no porto para o homem que havia lhe conseguido a nossa imigração, era um trabalho árduo e o pouco dinheiro que fez, a maior parte gastou em bebida. 

Finalmente os meus pais me mandaram para a escola. Tive que aprender inglês, e com certeza eu não iria aprender isso em um bairro entupido de italianos. Foi ai que conheci Joe... com o passar do tempo nos tornamos grandes amigos. E uma vez que éramos pobres, e não existia muito trabalho ao redor, começamos um pequeno negócio nós mesmos... negócio esse que infligia a lei. 

Pode se dizer que na maioria das vezes conseguíamos ser bem sucedidos, mas teve uma vez que não deu, era um simples roubo a uma joalheira, só demos o azar de um policial estar de ronda bem no momento que enchíamos os bolsos com joias, tentamos fugir, sempre fomos bons nisso mas como dizem, as vezes o azar te pega de jeito e foi esse o meu caso, por sorte Joe conseguirá fugir, e eu... bem eu fui pego. 

Bem, é como sempre me diziam, um dia você acaba bem e no outro acaba caindo de cara no chão, o ano era 1943. A América acabará de se envolver na guerra e o exército procurava por garotos que falassem italiano para ajudar na invasão na sicília. Eu tinha dezoito, e qualquer coisa era melhor que a cadeia. Quem disse que você não pode voltar para casa? 

Sicília, Junho de 1943. 

Operação Husky: Eu fui designado para a infantaria de paraquedismo número 504. No dia 11 nós deveríamos ser lançados ao longo da costa sul da Sicília, mas fomos atingido pelo inimigo, então tivemos que nos recuperar, muito atrás das linhas inimigas Somente três de nós conseguiram. Se não fosse pela resistência local não teríamos nenhuma chance. Então, quando os soldados de Mussolini entraram na cidade e começaram a ameaçar á todos, decidimos retribuir o favor. 

_Por que ninguém fala? Agora, este homem deve morrer... Há, há? -Enquanto o soldado de Mussolini discursava apontando uma pistola K98 para a nuca do pobre homem que implorava miseravelmente pela vida, eu, os soldados e o grupo de resistência estávamos escondidos não muito longe da praça central, eu segurava fortemente um rifle Springfield M1A. 

_Certo, Scaletta. Dê o tiro. -Balancei a cabeça verificando a munição do rifle e o armando. 

_Então traidores, pensam que podem brincar comigo... -Antes que ele terminasse a frase, eu mirei puxando o gatinho, o som do disparo criou um alvoro, e os outros soldados inimigos assustados não sabiam como reagir, era o momento perfeito, eu puxei a pequena alavanca do rifle retirando a capsula vazia da bala e preparei outro tiro, apoiei o rifle em uma mesa de madeira a minha frente e mirei, outro disparo e mais um soldado caído, quando fui recarregar o terceiro já estava no chão com um disparo do meu aliado. 

_Eles estão recuando, vamos. -Sai da proteção que estava, avançando rapidamente para a mansão da prefeitura que fora tomada, antes que pude alcançar a porta, ela foi despedaçada por tiros de grosso calibre que a esfarelaram como se não fosse nada, por sorte nenhum dos disparos pegou em mim. 

_Suba aqui Scaletta. -Olhei para o lado vendo que a janela estava "aberta" na verdade completamente destruída e com a ajuda de um soldado da resistência eu consegui subir assim entrando em uma sala vazia. _Temos que entrar e salvar os soldados antes que o exército chegue. 

_Cabo, esse homem está dizendo que mais tropas estão vindo para cá. -Não pude evitar de fazer esse comentário um pouco pessimista, já que éramos apenas três soldados e um monte de inocentes que mal sabiam manosear uma arma de fogo. 

_Não se preocupe com isso Scaletta, você e o Williams destruam o ninho de metralhadoras, em seguida procurem os prisioneiros. Nós vamos precisar de todos os homens que conseguimos. -Apenas assenti, recarreguei o rifle, e junto do Williams fomos até o comodo onde estavam os soldados com as metralhadoras.

_Scaletta se tiver uma granada use-a agora. -Estava escorado na parede perto de uma janela que era alvejada por tiros constantes de metralhadoras, o Williams estava no chão e era impensável ele se levantar ou iria terminar cheio de furos. Peguei a granada retirando o seu pino, olhei para a janela vendo que haviam entre seis a setes soldados e um estava utilizando uma metralhadora MG-42, sem pensar duas vezes lancei a granada e me joguei no chão esperando a explosão. Então o grande estrondo parecendo um trovão destruiu o comodo a nossa frente, parece que a granada havia caído em um lugar não muito bom o que gerou uma grandes explosão que arremessando o Williams que estava se protegendo na parede longe. 

_Scaletta, ainda está entre nós. -Sem dizer nada apenas balancei a cabeça vendo a situação do quarto onde estava os soldados e a metralhadora, apenas corpos carbonizados e ainda estavam alguns vivos gritando em agonia, senti a mão do Williams me trazendo de volta a realidade. _Então vamos logo, mexa essa bunda de uma vez! 

_Whoa, Williams olha essa merda. -Entramos no paraíso de quem adora fazer guerra, era uma sala cheia de armas e munições, aproveitei o momento e peguei uma MP-40 e um pouco de munição, já estava pronto para avançar. Me aproximei da porta escorando no batente e o Williams chutou a mesma com força. 

_Cuidado, eles estão descendo as escadas. -Williams recuou um pouco para pegar proteção e começou a disparar, me inclinei um pouco para ter o visual do local e também comecei a atirar. _Ei, italianinho de merda, pega! Sem ofensas, Scaletta. -Balancei a cabeça demonstrando que não me importava com a ofensa do Williams, segurei uma granada retirando o pino e a jogando perto de uma porta no segundo andar que se abriu e os soldados desavisados adentraram e foram arremessados longes com a explosão. 

_Sem duvidas os prisioneiros devem estar lá em cima, Williams e Scaletta me sigam e estejam prontos para atirar. -Em uma marcha rápida subimos os degraus da escada até o segundo andar da mansão. _Scaletta, limpe o segundo andar, pode ir na frente. -Tomei a frente seguindo por um amplo corredor segurando fortemente a MP-40, parei em frente a uma porta e a arrombei com um chute pesado. 

Do outro lado da porta havia um soldado que usava um prisioneiro como escudo o segurando e apontando uma arma para a sua cabeça e o outro estava preso em uma cadeira.

_Renda-se ou eu explodo seus miolos. -Ameacei mesmo sabendo que não teria efeito, ele se manteve irredutível, levantei a submetralhadora perto do meu rosto e foquei a mira dela, meu dedo tocou o gatinho o pressionando em questão de segundos, um disparo e o corpo do soldado vacilou caindo no chão com força, o prisioneiro assustado correu em direção ao seu aliado preso na cadeira. 

Fui tentar salva-lo, mas então mais disparos atravessaram a porta acertando de maneira fatal os dois prisioneiros que agora estavam deitados sobre suas poças de sangue no chão frio. 

_Merda parece que não tem outro jeito, Scaletta me dê cobertura, eu vou avançar. -Eu estava me protegendo em uma mesa de madeira massiva, apenas parte do meu corpo ficou exposto, ao invés de usar a MP-40, troquei para o rifle que era mais preciso usando a mesa como apoio para o mesmo, Donovan que era o outro soldado ao qual eu chamava de cabo se aproximou da porta dando um chute forte que a quebrou, antes que os soldados inimigos pudessem reagir eu já estava atirando acertando os que estavam no meu campo de visão, Williams e Donovan entraram executando os que não pude matar. 

Me afastei da mesa vendo que era seguro, fui para perto deles que estavam em outra sala, vi que o Williams e o Donovan estavam na pequena varanda apoiados em um balaustre disparando o máximo que podiam, me armei com a submetralhadoras e os ajudei dando apoio, acertando os inimigos que eles não conseguiam ver. 

_Droga voltem para dentro, agora! -Seguimos para uma ampla sala que foi feita de alvo, eram muitos tiros que quebravam os vidros das janelas, tombei uma mesa a usando como escudo, Donovan começou a lançar granadas com a esperança de conseguir ao menos atordoar as tropas inimigas que tentavam a todo custo entrar no prédio da prefeitura. 

_Os fascistas estão chegando! Eles têm reforços! -Um dos soldados da resistência gritava desesperado, diferente de nós que éramos soldados eles eram apenas civis jogados nessa maldita guerra. Recarreguei a submetralhadora e me aproximei de uma das janelas, agachado e comecei a atirar sem ver no quê acertava. 

_Scaletta pegue a metralhadora, vai! -Ouvi o grito do Donovan que apontava para uma janela ao meu lado, olhei para e mesma vendo uma metralhadora MG-42 encostada em uma barricada de sacos de areia na varanda frontal, corri para a varanda peguei a metralhadora a recarregando e comecei a disparar, tentei a todo custo impedir o avanço das tropas, disparava sem dó apenas parando para recarregar. 

_Oh merda. -Foi tudo que consegui falar quando o vi, um tanque subindo a rua até a praça, o cano do tanque mirou na varanda onde eu estava, larguei a metralhadora o mais rápido que pude e corri para me afastar da explosão do disparo dele. Apenas ouvi o som do disparo e a explosão, a onda de choque foi tão forte que o meu corpo foi projetado para frente e acabei acertando com força uma parede e com o impacto perdi a consciência. 

_É como eu disse, essa maldita guerra não leva a nada. Agora chega de jogar conversa fora, nos mandaram matar todos e é isso que vamos fazer. -As vozes ecoavam em minha cabeça, vagarosamente abri os meus olhos, minha visão estava turva mas eu conseguia ver o cano da arma que estava apontada para mim, então esse era o meu fim? Eu esperava algo melhor ou quem sabe menos doloroso, mas como a gente nunca consegue tudo quê quer. 

Fechei os olhos esperando o tiro de misericórdia, mas ele não veio, um estrondo causado por uma explosão chamou a atenção deles que foram até as janelas olhar o que acontecia. 

_Não atirem, rapazes! Vocês me conhecem. Eu tenho uma oferta para vocês. A guerra acabou! -Uma voz ecoava alto no lado de fora do prédio, e eu ouvi um dos soldados dizer que era o Don Calo. _Os americanos vieram nos libertar. Eles são nossos amigos. Eles vão acabar com o Mussolini para nós. -Ele continuava o seu discurso, era um discurso forte e que conseguiu ter o efeito incrível de fazer os soldados inimigos soltarem as armas sem hesitar. 

Don Calo, chefe da máfia siciliana. Uma guarnição inteira de soldados se renderam naquele dia. Por que? Porque ele mandou. 

2 Anos depois. 

Nova York, 8 de fevereiro de 1945. 

Alguns anos mais tarde, os nazis meteram uma bala em mim. Eu acabei ficando no hospital por um tempo, então eu tinha alguns meses ainda mas pude ir para casa... pelo menos por algum tempo. Estava na estação ferroviária, e caminhava em uma marcha calma para a saída. 

_Vito! Aqui! -pude ouvir uma voz, essa voz eu podia reconhecer a quilômetros de distância. 

_Joe! -Fui de encontro a ele e larguei a mala o abraçando, como eu disse ele era um bom amigo, o meu melhor amigo. 

_Ei, bem vindo de volta, meu amigo! -Joe dava seus típicos tapinhas nas minhas costas quando nos abraçávamos. 

_Como você soube? -Desfiz o abraço o olhando incrédulo, eu nem mesmo tinha mandado uma carta para a mamma e a Frankie avisando do meu retorno. 

_Eu tenho as minhas fontes. Vamos lá, vamos dar uma volta. -Antes que eu pudesse indaga-lo andamos calmamente até a saída da estação. 

_Belo carro Joe. -Estacionado a nossa frente estava o carro do Joe, um lindo Oldsmobile último ano. 

_Veio com o território. -Ele afirmou com uma normalidade na voz, e eu somente admirava o lindo carro. _Ei, eu sei que está ansioso para ir para casa, mas primeiro que tal irmos tomar uma cerveja? -Ele abria a porta do lado do motorista, e eu dava a volta para entrar do lado do passageiro. 

_Sim, claro! -Afirmei entrando no carro, Joe deu a partida, no rádio tocava uma musica de orquestra, era uma boa melodia para um passeio até o bar do Freddy's. _Lá está ela... a grande Nova York. Fala a verdade, você sente falta?

_Ursos cagam no mato? Não que eu goste desse lugar, mas qualquer lugar é melhor que uma trincheira. O que há com essa merda de clima? -Eu olhava pelo para brisa vendo a neve tomar conta do asfalto, o frio era recorrente de Nova York, e era inverno, mas mesmo assim estava mais frio que o normal. 

_Estão dizendo que esse é o inverno mais frio de todos os tempos. Os jornais dizem que ficará assim durante semanas. Não se preocupe, uma bebida já te esquenta, quanto tempo faz que bebemos juntos Vito? Dois anos? -Joe continuava guiando o carro com cuidado pelas ruas congeladas e escorregadias, eu tentava buscar em minha mente tentando lembrar a última vez que bebemos uma boa cerveja ou um whisky. 

_Quase três. Na festa de Tony Sachelli, certo? -Joe desviou o olhar da estrada, eu apenas dei de ombros. Ele novamente retornou sua atenção para a auto pista acelerando mais um pouco, e eu continuava com o olhar perdido na paisagem que passava borrada ante os meus olhos. 

_Qual é, Vito, qual é. A última vez que vez que enchemos a cara foi logo depois do funeral do seu velho, um pouco antes de você ser deportado, lembra. -Pior que acabei me lembrando mesmo, só não gostaria que o Joe tocasse nesse assunto, não digo que era um pouco delicado, mas o meu pai não passava de um caloteiro bêbado. 

_Ah cinco minutos e já estamos falando do meu pai caloteiro. Podemos mudar de assunto, por favor? -A feição do Joe mudou e vi que ele se enrijeceu um pouco, apenas dei um suspiro. Queria mesmo dar um basta no assunto do meu pai, não queria ficar com o gosto amargo do passado remoendo a minha mente. 

_Então me diga amigo, como foi lá? Eu meio que tentei ler os jornais para ver o que estava acontecendo, e você sabe como eu odeio ler... 

_É, eu sei. -Não pude evitar de dar uma risada baixa, Joe sempre sendo o Joe, era isso que eu mais gostava no meu bom amigo. 

_Então vocês chutaram o traseiro do Mussolini? -Ri mais um pouco da pergunta do Joe balançando a cabeça. 

_Ah, então... tivemos uma pequena ajudinha de um homem chamado Don Calo. -Eu acho que pequena era até eufemismo, já que foi graças a ele que a invasão da Sicília foi impedida. 

_Caralho! Don Calo... é eu ouvi falar dele! -Meu olhar se tornou curioso, é claro que o Don Calo era um homem imponente na Itália, mas nem sabia que o nome dele aqui nos Estados Unidos tinha peso. 

_Sério?

_Pode apostar que sim. Conheço uns caras como ele. Espertalhões. Se trabalha par eles, está tudo tranquilo. Se fode com eles você morre.  -Não pude esconder a minha feição de surpreso, o Joe sempre foi daqueles que dava uma de espeto, mas nem me passava pela cabeça que ele sabia de tanto. 

_Bom saber que anda ocupado. -Usei de sarcasmo e ele percebeu, tirando o sorrisinho vitorioso do rosto e tomando uma face mais séria.

_É. Eu ouvi que você conseguiu uma medalha, né? -Ele mudou de assunto, mas ainda continuava intrigado de como ele sabia disso, mas resolvi nem perguntar, porque as respostas deles somente gerariam mais indagações futuras. 

_Do próprio velho Patton. -Me vangloriei, o velho Patton, era um dos soldados italo-americanos mais importantes e de patente mais alta no exército que lutou na Inglaterra e na Alemanha. 

_Ora, então você é um verdadeiro herói de guerra, hein! Hahaha.... E então, você dormiu com um par de garotas sicilianas e voltou para casa? -Apenas ri vendo que estávamos nos aproximando de Little Italy, o bairro onde nossa amizade começou. 

_Sim, claro... -Na verdade nem cheguei a encontrar garotas, mas o Joe não precisa saber disso. 

_Hehehe! O velho país. Por aqui você pode ferrar com as coisas em um piscar de olhos, ninguém dá a mínima. Que país!  Aqui é o Estados Unidos da América e te recebe de volta em casa. -Logo ficamos em silêncio, a viagem para o Freddy's foi curta, em poucos minutos o Joe estava estacionando o carro e nós dois estávamos entrando no bar. 

_Salut! -Batemos nossos copos que estavam cheios de Whisky. 

_A'salute Cent'anni. -Virei o meu copo, sentindo o líquido descer quente a minha garganta, a quanto tempo eu não tomava uma boa dose de álcool, isso que era finalmente voltar para casa. _Então, como você voltou? Eles te deixaram ir por bom comportamento? -Joe indagava segurando a garrafa e enchia o meu copo. 

_Não, na verdade eu levei um tiro a uns meses atrás, fiquei no hospital por um tempo e agora estou de férias. -Afirmei rapidamente virando o meu copo e vendo a atenção do Joe que antes estava em seu copo se voltar a mim. 

_Espera, is-isso quer dizer... tipo, que vai voltar? -É ele não gostou muito disso, mas eu não podia fazer muita coisa. 

_O que você acha? A guerra ainda não acabou. -Joe parecia mais sério que o normal, eu sei que ele temia pela minha vida, e bem a guerra não é o que os jornais contam, ninguém sai vencedor, mas era isso ou ser preso. E bem a prisão não era uma opção a qual eu cogitaria. 

_Mas você não quer voltar, quer? -É eu não queria, mas acho que o Joe não sabe que muitas vezes querer não é poder. 

_Ah, claro que não quero. Mas o que posso fazer? 

_Um minuto! Espere bem aqui... -Joe se levantou tomando distância, eu o olhava confuso sem saber o que ele estava prestes a fazer. Meu olhar o seguiu em silêncio, ele seguiu para o balcão do bar e o garçom o atendeu lhe entregando um telefone, resolvi nem perguntar o que ele faria, comecei a degustar o whisky em meu copo, dando leves goles. Olhei para o balcão vendo uma mulher sentada perto dele, ela era ruiva, pele branca que parecia muito macia e olhos verdes sedutores, ela estava bem vestida, e seus olhos me fitavam, confesso que era um olhar um tanto tentador que ambos distribuíam. 

_Ok, ouça isto. Ao que "parece" o seu ferimento é muito mais "sério" do que parecia no começo, e os médicos que você não podes lutar mais. -Joe voltava par a mesa com um assunto estranho, minha atenção na mulher que eu estava olhando, eu estava confuso e quase me afoguei com o whisky que bebia. 

_O que!? Oh, opa, opa. O que você acaba de...!?  -O que eu tinha acabado de perder? Como assim? Estava muito confuso por isso. 

_Como eu disse, conheço algumas pessoas. Você pode pegar toda a papelada oficial amanhã. Quando tiver com os carimbos e assinaturas corretas, é apenas questão de dinheiro... -Eu não sei se agradecia ou dava um soco no rosto do Joe. 

_Você está brincando comigo, certo? Isto não é muito arriscado? Sou eu quem vai para a prisão se der errado, sabia? E como eu vou pagar por isso? -Eu estava realmente preocupado, não sabia se as pessoas que o Joe conhecia eram confiáveis e muito menos se sabiam como forjar um documento oficial de dispensa por invalidez, isso era realmente muito perigoso para arriscar. 

_Eu cuido disto. Aceite como um presente de bem vindo de volta ao lar, e não se preocupe. Os documentos são limpos. Confie em mim. -Eu sei que o Joe nunca me deixaria na mão, e sem duvida os contatos que ele tem possam ser em suma confiáveis. 

_Hum... obrigado então. -Brindamos batendo os copos, entornei o líquido alcoólico descer quente a minha garganta, era tão bom beber com o meu amigo. Encerrei a dose, pegando a garrafa e novamente enchendo o meu copo. 

_Não precisa agradecer. Come un frade, você é como um irmão para mim... Agora você pode começar a pensar no que faremos depois. 

_Claro, mas primeiro quero ir pra casa. -Joe estava certo, já tinha que começar a pensar no que faria, agora que ele me liberou do serviço militar, mas antes eu queria mesmo era ir ver minha mamma e a Frankie.

_Certo, certo. Quer uma carona? -Me levantei um pouco tonto, graças ao efeito que o álcool estava cobrando, peguei a minha mala e parei ao lado do Joe dando uns tapinhas em seu ombro. 

_Não obrigado. Eu quero caminhar por aí um pouco, ver o quanto as coisa mudaram desde que parti. -Caminhei até a porta do bar, quando abri a mesma o vento gélido bater contra o meu rosto quente. A noite era obscura mas ao mesmo tempo era mais iluminada do quê as últimas paisagens que estive, parei na calçada acenando o braço e um táxi parou entrei no veículo e informei o destino ao motorista que partiu. 

O táxi parou, eu o paguei saindo do carro com a minha mala em mãos. Tudo estava bem diferente, principalmente onde eu morava, mais lojas foram abertas e isso não era lá muito uma novidade, avancei para o beco onde ficava o prédio que eu morava, em passos lentos eu ia apenas observando a paisagem, a calçada coberta por uma fina manta branca de neve, as pessoas caminhando despreocupadamente, eu odiava pensar assim, mas não havia lugar como o lar. Parei em frente a porta do pequeno prédio, minha mão estava hesitante, na verdade eu estava meio hesitante, graças ao Joe eu estava finalmente livre de servir ao exército, mas o que eu faria agora? 

Ignorei as indagações em minha mente, apertei o trinco da porta o virando suavemente, a porta se abriu e passei sobre ela, observava as rachaduras nas paredes, a tinta desbotando, mostrando a precariedade que convivi tanto tempo, piso no primeiro degrau da escada ouvindo o ranger da madeira velha que parece até suplicar e mau aguentar o meu peso, vagarosamente subo os degraus, passando o segundo andar. Olho para o estreito corredor, a pintura acinzentada e desbotada, o cheiro de mofo quase insuportável, mas para mim esse era o aroma de casa, caminhei até parar na porta do apartamento da mamma, hesito um pouco e minha mão se fecha cerrando os dedos. O nó dos meus dedos ia encostar na porta, mas ela se abriu sozinha impedindo a minha ação. 

_Oi, mamma. Eu voltei. -Lá estava ela, a mulher que deu seu sangue e suor para cuidar de mim e da minha irmã, as marcas do tempo eram impossíveis de se ocultar, seus cabelos grisalhos presos, sua pele enrugada e suas mãos magras, ela sorria e seus olhos se iluminavam com um brilho sem igual. 

_Vito! Vito, meu garoto! Meu garoto está em casa. -Ela se aproximou, suas mãos acariciaram a minha face, e ela me deu dois beijos nas bochechas, como é de típico entre os italianos. Sua voz estava embargada em alegria e até parecia chorosa. _Achei que nunca o veria de novo! Francesca e eu, nós esperamos e esperamos por você filho. -Ela deu passagem, passou o braço em minhas costas e juntos adentramos o apartamento.

_Ei mana, o que foi? Venha aqui. -Abracei Frankie, ela também me deu os beijos nas bochechas e estava igualmente emocionada como o mamma. 

_Vito! Estou tão contente que finalmente esteja em casa! -Seus finos braços me apertavam com toda força que tinha, eu retribuía o abraço a levantando no ar. 

_Sente-se, sente-se. Você deve estar faminto Vito. Francesca fez um jantar especial. Zuppa di Pollo... te fará bem. -Separamos o abraço, me dirigi a cozinha, mamma pegou a panela que estava no fogo colocando sobre a mesa, o aroma era delicioso, mamma me serviu um prto e o ensopado parecia delicioso.

_Uau Frankie, parece ótimo. -Ela sorriu alegre e orgulhosa.

_É uma pena que sue pappa não esteja vivo para ver isto, ele ficaria tão orgulhoso, Vito. -Continuei sério, não é que não quisesse falar sobre o meu pai, é que era uma pagina do passado e eu odiava remoer o passado.

_Sim com certeza... -Eu ia comer mas a mamma me deu um pequeno tapa no ombro me impedindo. 

_Vito! Você sabe muito bem! -Ela estava séria, larguei imediatamente o talher. 

_Desculpa! Mamma, desculpa. -Coloquei as mãos a frente do rosto e fechei os olhos, começamos a orar. _Abençoe-nos, ó senhor! E os teus dons que estamos prestes a receber através de suas graças, por Cristo o nosso Senhor, Amém. -Terminamos a oração e começamos a comer o jantar da Frankie, estava realmente delicioso e era muito bom poder jantar com a minha irmã e a minha mamma de novo, era realmente bom.

_Deveria dormir um pouco Vito, parece abatido. Seu quarto está como você o deixou. -Mamma retirava os pratos da mesa, me levantei me aproximando dela, beijei sua bochecha, fui até a Frankie depositando um beijo no topo da sua cabeça, abri a porta e sai da cozinha. 

O apartamento era pequeno, eram apenas três cômodos, a cozinha , o quarto da mamma e o meu quarto, Frankie morava como o o noivo dela, assim que passei pela porta já estava no meu quarto, realmente estava tudo como eu havia deixado, nada fora do lugar e nem faltando nada. Retirei a minha roupa e foi inevitável não cair na cama, apesar do meu corpo estar exausto, minha mente não parava de pensar, o que eu farei agora? Eu preciso de dinheiro? Preciso de um emprego? Essas indagações foram habitando a minha mente, observei o forro do apartamento até o sono me dominar. Não adiantava ficar pensando nisso agora, amanhã depois de falar com o Joe eu iria resolver isso tudo. E assim o sono me dominou e lentamente fechei os olhos até o meu corpo afundar no colchão. 


Notas Finais


Bem é isso pessoal, novamente eu reforço, comentários e nem favoritos vão me fazer postar mais rápido. Mas espero que tenham gostado e muito obrigado por lerem.


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