História La guerre pour toi - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Elsa, Emma Swan, Henry Mills, Regina Mills (Rainha Malvada), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Drama, Emma Swan, Guerra, Once Upon A Time, Regina Mills, Romance, Swan Queen, Swanqueen
Exibições 75
Palavras 2.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa leitura, pessoal! =)

Capítulo 7 - O Valete de Paus


Fui até o banheiro e peguei a maleta de primeiros socorros. Henry não emitira nenhum som desde que Kristoff havia partido. Quando voltei para a sala dei com ele sentado retirando o cachecol. Olhou-me com aquele sorriso fácil como se nada de grave estivesse acontecendo e, quando pensei em perguntar por Regina, ele adiantou-se como se estivesse lendo meus pensamentos.

- Ela está bem. Não se preocupe.

Sentei-me ao seu lado preparando um chumaço de algodão para limpar o sangue seco da testa. Ele esquivou um pouco a cabeça como um menino arredio.

- Não adianta reclamar, garoto. Preciso limpar isso.

- É seguro eu estar aqui? - Parei o que fazia e olhei demoradamente para Henry avaliando sua questão. Não. Não era seguro. Eu não tinha ideia do Kristoff faria com aquela informação.

- Eu só preciso terminar esse curativo e você vai embora. - ele suspirou calmamente e deixou que eu fizesse os procedimentos, mas com alguns minutos de silêncio sua curiosidade veio à tona.

- Por que está nos ajudando? - continuei o trabalho de fechar aquele corte com esparadrapo e não dei muita importância, mas ele insistiu - Por que não me deixou naquele lugar?

- Você faz perguntas demais, garoto!

- Meu nome é Henry. - parecia incomodado com o fato de não chamá-lo pelo nome, mas não me importei com aquilo.

- Eu sei, mas continua sendo um garoto. - olhei para ele séria - Por que está no meio dessa confusão toda? Você não tem medo de morrer?

- Você tem? - aquela pergunta deixou-me vermelha. Eu senti o rosto queimar e Henry percebeu meu desconforto. Continuei colocando a atadura na sua testa protegendo o corte.

- Pronto! - sorri um pouco sem jeito olhando para aquele curativo.

- Não respondeu a minha pergunta, major. - menino insistente. Levantei-me e dei uma volta pela sala em silêncio pensando numa resposta convincente. Não para ele, mas para mim mesma.

- Eu não tenho medo de morrer. - as palavras vieram secas - Eu tenho medo de fazer coisas que levem pessoas inocentes para a morte. - ele abriu novamente aquele sorriso cativante e desmontou-me com suas palavras.

- Então está no lugar errado, no exército errado fazendo as coisas erradas, major. - foi a vez dele se levantar recolocando o cachecol - É uma pessoa boa, Emma. Regina gosta de você e só por isso sabemos que é uma pessoa boa.

- Gosta?! - senti meu coração acelerar e pensar na amplitude que teria aquela palavra “gostar”. Ele riu novamente e mais uma vez como se estivesse lendo meus pensamentos.

- Sim, Regina é cautelosa e rastreia problemas como ninguém. Ela realmente gosta de você, caso contrário já estaria morta. - retirei meus olhos dele e fui até a janela olhar as luzes de Paris. Ele caminhou até a porta - Quer que eu diga algo? - eu não me virei, sabia que referia-se à Regina. Apenas baixei os olhos e cruzei os braços, senti frio, mas era medo.

- Peça que tome muito cuidado. - ele recolocou a boina - E você também, garoto. - olhei para ele com tristeza. Assim que fechou a porta eu voltei para o sofá e pus-me a pensar sobre as poucas palavras que Henry havia dito e que tomaram uma dimensão gigantesca dentro de mim.

Eu estava no lugar errado, do lado errado, fazendo coisas erradas. Não. Coisas erradas não! Ou não teria levado aquele menino para meu apartamento correndo o risco de ser acusada de obstruir a vigilância alemã. Coisas erradas eu teria que fazer no dia seguinte - sair à caça do próprio Henry e seus amigos rebeldes. Minha missão já estava perdida novamente. Como eu espionaria um grupo de pessoas que já me conheciam? Emma! Sua carreira acabou e só você ainda não percebeu. É, eu tinha problemas bem sérios para resolver. Logo o general Swan cobraria relatórios e resultados e eu não teria nada para satisfazê-lo. Eu ainda pensava em quem estaria traindo a SS para que a resistência francesa ultrapassasse a vantagem de informações sobre nós. Regina tinha acesso á minha vida toda e não só ela como aquele menino e sabe-se mais quem. Além de todas essas preocupações ainda tinha essa morena - como eu poderia parar de pensar em Regina? Como eu poderia simplesmente ignorar que ela corria perigo com outros agentes no seu encalço? Eu não fazia ideia de quem eram, mas tinha noção que, se estavam sobre o comendo de Hook, não poderiam ser menos crueis e repugnantes assim como ele.

Cansei de pensar em tantos problemas. Melhor era tentar resovê-los um por um. Naquela hora meus olhos queimavam, estava sonolenta e cansada. Fui deitar-me para, quem sabe, sonhar com alguma solução para todas as minhas preocupações.

***

Ilusão boba querer sonhar com a solução de um problema. Naquela noite eu só consegui sonhar com o meu problema - Regina.

Uma névoa densa cercava-me por todos os lados e eu não conseguia ver mais do que um palmo à frente do meu nariz, mas ouvia um sussurro doloroso - Ne me quitte pas - era o que aquele som baixo exalava quase como último suspiro. Eu sentia meu coração disparado e todos os meus nervos arredios por todo o corpo como que em desespero por não saber de onde vinha aquela voz tão agoniada. A névoa não dissipava e a voz ficava cada vez mais fraca até que consegui sair da inércia do medo que tomara conta de mim e avancei tentando tatear o som choroso. E era realmente um choro sofrido - Ne me quitte pas - implorando. Olhava para os lados e a agonia da voz tomava conta de mim rapidamente. Parei novamente ao ver um vulto adiante - a silhueta acinturada de costas para mim, a aba do chapéu movendo-se vagarosamente pela brisa fria que agora eu sentia mais forte - Ne me quitte pas - agora também eu reconhecia aquela voz. Regina estava de costas para mim, não se movia, mas não importava quanto passos eu desse, eu não conseguia me aproximar dela. A névoa ficava mais densa e seu choro mais marcado - Ne me quitte pas - eu tentei acelerar meus passos e ficava cada vez mais irritada por não conseguir chegar até ela. Um som ensurdecedor de um apito rompeu aquela visão desfocada de seu corpo. Um trem. Olhei para todos os lados tentando saber de onde viria, porém, quando retornei, Regina não estava mais lá - Ne me quitte pas - a única coisa que sobrou em meio ao nevoeiro medonho que engolia-me em lágrimas, a voz dela chorando e pedindo que eu não a deixasse.

Acordei de sobressalto.

Minha respiração não tinha domínio - eu puxava pelo ar e mesmo assim ele me faltava. Suava frio, mas sentia meu corpo todo queimar em desespero. Onde ela estava? Onde eu estava? Que trem era aquele e para onde Regina teria ido?

Já passava das sete da manhã e um cheiro bom de café entrou pelas minhas narinas fazendo-me voltar a realidade e duvidar dela própria - eu morava sozinha, então, quem estava fazendo café na minha cozinha?

A primeira coisa a fazer foi levantar-me bem devagar e apanhar minha pistola no coldre pendurado na porta. Eu ouvia o baque da louça e passos pesados na cozinha - usava coturno. Kristoff tinha as chaves daquele lugar? Claro, ele estava a minha espera quando ocupei o apartamento. Mas o que ele fazia ali? Pela fresta da porta tentei observar o restante do lugar que estava ao meu alcance - parecia vazio, talvez estivesse sozinho, mas não poderia arriscar. Enrolei-me depressa no roupão e, empunhando a arma, abri a porta de uma vez. Ainda estava tonta pelo que havia sonhado, ainda tentando fazer com que tivesse sentido aquelas visões de Regina através do nevoeiro. Caminhei devagar e estaquei na porta da cozinha.

- Bom dia, querida! Cuidado com essa arma.

A vontade era mesmo usá-la. Confesso. O que aquele homem fazia no meu apartamento àquela hora da manhã passando café? Não poderia matá-lo. Infelizmente. Apenas caminhei em silêncio até a mesa, coloquei a arma sobre ela e sentei-me devagar sem tirar os olhos da figura cínica que sorria-me como se estivesse fazendo-me um favor. Não, ele apenas estava inaugurando o mau humor daquele dia.

- O que está fazendo aqui? - não conseguia retribuir o cinismo à altura, mas também não queria Hook na minha casa tão cedo.

- Ora, não sabia que você acordava tão mau humorada, amor!

- Só quando recebo visitas indesejadas. - seu sorriso desapareceu dos lábios e ele colocou as xícaras sobre a mesa servindo-nos o café fresco.

- Como a que trouxe para casa ontem à noite? - sentou-se na minha frente.

Eis a explicação. Hook foi cobrar-me a não-prisão de Henry. Minhas suspeitas sobre Kristoff eram certas, ele reportara o acontecido.

- E com que direito você vem cobrar explicações sobre alguma ação minha, major? Estamos na mesma posição, eu não lhe devo nada! - apesar da ira nas palavras mantive o tom da voz o mais sereno possível e continuei servindo-me do que havia na mesa.

- Não tenho direito, major, isso é bem verdade, mas tenho ordens de seu pai, um general o qual estamos sob comando. - ele também permanecia como um cavalheiro à mesa como se estivéssemos conversando sobre o lazer em dia de folga.

- Major Hook, eu preciso daquele garoto vivo.

- Por que?

- Eu não preciso responder isso. - ele conseguia tirar-me do sério de uma forma bem rápida e isso deixava-me mais irritada - Pode voltar ao gabinete do general e dizer que eu sei muito bem o que estou fazendo e não falhar dessa vez.

- Esse é o medo do general, Emma.

- Afinal de contas qual é problema de vocês? Acredito que se eu não fosse qualificada eu estaria na Gestapo de Berlim até hoje.

- Sim, querida, você é bastante qualificada. Já recebeu congratulações do próprio Hitler, mas o problema não é você. O problema se chama Regina Mills.

Eu ri. Não sei dizer se estava muito nervosa ou aquele nome me deixou mais apreensiva.

- Pelo que eu saiba esse problema já não é mais meu, não é, major? Ele foi transferido para você. - levantei-me para deixar a xícara na pia. Ele continuava a comer suas torradas.

- Sim. Regina Mills é escorregadia, mas terei prazer em pegá-la.

- Então, onde eu entro nessa história? - enfim consegui sorrir como ele, mas o resultado daquele riso não foi tão agradável. Quando dei por mim o major levantou-se e agarrou-me pelos braços. Apertou. Vi seus olhos escurecidos saltarem sobre mim quase roçando sua boca na minha.

- Você é o problema! Está atrapalhando minha operação, major Swan. Você e suas preferências nojentas. - mesmo sendo ameaçada daquela maneira eu não poderia ficar séria diante daquele comentário. Eu ri novamente e consegui chagar ao patamar de cinismo do major Hook.

- Nojenta? Major, creio que rotular minha preferência por mulheres como nojenta contesta sua virilidade, não?!

- Querida, sua sorte é ser filha de quem é ou já teríamos dado cabo de você! - ele apertou mais o meu braço e agora eu sentia dor, comecei a ter medo de tanta agressividade - Eu não vou repetir, Emma, não se envolva com Regina. Ela é o meu alvo e vou matá-la, você interferindo ou não. - dito aquilo, Hook soltou-me de uma vez jogando-me contra a pia. Contive minha raiva e permaneci ali mesmo observando-o apanhar seu quepe e ajeitá-lo na cabeça. Voltou a sorrir, deu as costas e foi saindo da cozinha - E não pense em pegar essa arma, amor. Não vai atirar em mim.

- Não agora, major, mas não duvide disso. - eu mal consegui dizer, estava muito nervosa e nem teria condições de empunhar a pistola, isso era verdade. Não poderia atirar nele, não por ser um oficial do meu exército, mas porque eu não teria punho naquele momento. Ouvi seus passos atrevidos pela sala e depois o som da porta batendo. Minha respiração voltou ao normal aos poucos.

Sentei-me novamente. Juntei a barra do roupão e apertei com toda a força que tinha. Minhas lágrimas caíram livremente sem que eu pudesse contê-las e eu não queria segurar meu choro. Eu estava apavorada. Aquele homem odioso invadiu minha casa para ameaçar-me e eu nem poderia reportar nada ao meu próprio pai, pois fora ele mesmo que dera a ordem.

Vi-me sozinha. Em todos os sentidos eu estava sozinha. Baixei a cabeça sobre os braços naquela mesa e chorei. Henry estava coberto de razão quando disse que eu estava no lugar errado, no exército errado. Como aquele garoto com tão pouca idade poderia ter tanta razão sobre mim! Eu não deveria ter ido à Paris, não poderia sustentar nada do que estava acontecendo ao meu redor. Por um instante eu me enxerguei completamente fraca e despida de qualquer patriotismo que até então regia minha conduta dentro da SS alemã. Fui traída por outro oficial. Eu não estava segura dentro do meu próprio exército. Com Kristoff eu me entenderia mais tarde.

Meu castelo de cartas continuaria ser montado. A rainha de espadas teria que definir o que fazer, pois a rainha de copas corria um grande risco solta pelas ruas da cidade confabulando contra os nazistas. Eu precisava do valete de paus. Sim. Henry era um de meus valetes, não deveria descartá-lo. Aquele riso aventureiro seria o meu guia dentro da resistência francesa. Deveria compor meu castelo e minhas estratégias de forma a manter minha segurança para também manter a segurança de Regina. Eu não a deixaria em meio ao nevoeiro de agonia onde estava momentos atrás em meu sonho. Aquilo seria apenas um sonho e nada mais.


Notas Finais


Acredito que essa frase é reconhecida, mas só para manter o padrão: "Ne me quitte pas" - "Não me deixe"

Até o próximo! Bjusss


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