História Labyrinth: My way to you - Capítulo 19


Escrita por: ~ e ~kimtty

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Flex!taekook, Kookv, Mitologia, Taekook, Vkook, Yoonmin
Visualizações 202
Palavras 7.097
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Seria eu muito cara de pau de pedir desculpas pela demora a esse ponto?
Mas vou pedir mais uma vez, ME DESCULPA GENTE.
Estou aproveitando essa semana sem aula e esse feriadinho gostoso pra postar. Amén, né?
Espero que gostem <333333333
Me desculpem por qualquer erro.
Boa leitura
E LEIAM AS NOTAS FINAIS, AMO VCS

Capítulo 19 - O caminho até você. - Final


Fanfic / Fanfiction Labyrinth: My way to you - Capítulo 19 - O caminho até você. - Final

Taehyung vivia em um mar de lembranças e nostalgia.

Era fim de tarde e à distância podia ouvir da sacada de seu quarto, a agitação dos alunos voltando aos seus dormitórios. Com a cabeça escorada em cima do braço da varanda, ele se recordava de seu último dia na escola. Havia acontecido há apenas alguns meses atrás, mas parecia que muito tempo já tinha passado desde aquele dia.

Já se completavam dois meses desde que ele havia sido pego por Hoseok.

O cheiro do jardim lá em baixo — que agora se encontrava ainda mais belo, florido e colorido pela cor vermelha das rosas por conta da primavera Nova Yorkina — lhe trazia lembranças de quando havia posto seus pés em sua casa novamente, quando o mesmo cheiro tão familiar do jardim de sua avó lhe invadiu o olfato.

Depois de se reencontrar com Sejin e o resto do pessoal naquele dia, seu tio logo tinha o mandado para sua casa. Mesmo que ele ainda estivesse chocado por ter visto como a Casa do Brooklyn se encontrava, com algumas paredes destruídas, completamente bagunçada e até mesmo algumas marcas de sangue por um lugar ou outro. A enfermaria do lugar estava lotada e algumas pessoas agonizavam deitadas no chão. Não eram só eles que estavam maus afinal.

Seu tio, entretanto, insistiu que ele fosse junto de Jungkook encontrar sua mãe. Ele sabia que era importante. Afinal, ela devia estar muito preocupada, era uma simples mundana, não pôde nem mesmo ir até eles durante todo caos que havia ocorrido; devia estar desesperada.

Porém imaginou que ela ficaria ainda mais depois de ver a situação dos dois. Estavam sujos de poeira, suados pelo calor do deserto. Jungkook ainda sangrava pelo arranhado em cima do nariz e os cortes nas costas que — segundo ele — estavam lentamente se curando sozinhas.

Ele não estava dos melhores também. Há dias que não se banhava, seu cabelo estava duro e ressecado, os braços arranhados e o corte em cima da testa ainda escorria lentamente, enquanto sentia o sangue já seco preso à sua pele. Não tinha dito nada para o moreno, mas sua perna também doía. Talvez tivesse torcido o tornozelo enquanto lutava contra Hoseok? Ele não sabia, mas aquela não era hora para se preocupar com isso também.

Ao chegarem, Jungkook e ele tiveram uma breve conversa mental. Não iriam fugir agora, se era isso que queriam, iriam até o fim.

Passeou na entrada de sua casa, olhando ao redor, pegando cada detalhe e cada lembrança também. Subiu os degraus devagar, atrás de si ele sentia a aura de Jungkook. Respirou fundo o ar daquela tarde que estava fresca, assim como em Nova York. Fechou sua mão em um punho, ele tremia, mas era de felicidade. Bateu na porta.

Uma.

Duas.

Três vezes...

Foi quando ele ouviu passos rápidos sobre o assoalho correrem até si e a porta se abriu.

Sua mãe era a mulher mais forte que Taehyung conhecia, não tinha dúvidas disso. Porém, quando ela abriu a porta e viu sua face depois de tanto tempo, Taehyung nunca havia a visto chorar tanto.

No momento que Taehyung a abraçou sua cabeça havia virado um mix de emoções que ele nunca tinha experimentado, nem mesmo quando ele teve que presenciá-la chorar sobre o túmulo de seu pai. Não conseguia descrever o quanto sentia sua falta. Falta daquele típico cheiro e calor aconchegante de mãe, do aroma do shampoo adocicado que ela usava e das mãos afagando seus cabelos duros de sujeira.

Seu coração havia se apertado e naquele momento ele desabou como uma pequena criança. Com a vista borrada pelas lágrimas que escapavam de seus olhos ele ainda conseguia observar a silhueta de Jungkook mantendo a distância de alguns passos.

Sabia que Jungkook não queria apenas se intrometer no momento dele e de sua mãe, mas bastava olhá-lo para saber que ele se culpava por aquele momento estar acontecendo e tudo que Taehyung mais queria era que ele parasse de se culpar.

O garoto de cabelos já desbotados e rosados não podia mentir, ele havia se preocupado ao mesmo tempo em que se sentia aliviado. Não seria fácil dizer para sua mãe o que tinha decidido fazer, não seria fácil conversar sobre seu pai, muito menos sobre arriscar sua vida.

Não imaginava estar tão errado.

Já havia começado pela parte de que, sua mãe sempre insistia em chamar Jungkook de “Senhor Anúbis”, o que ele já não se importava mais, aliás, era um tratamento especial para alguém que era especial — ria internamente só de pensar. Naquele momento, entretanto, depois de largar Taehyung, a senhora Kim direcionou seus olhos ao deus:

“Venha, Jungkook, vamos entrar.”

Era como ela havia o chamado.

Esse tipo de momento era quando Taehyung mais amava sua mãe, ele sabia que ela estava tentando, por ele.

O cheiro de sua casa era nostálgico e relaxante, mas ao mesmo tempo ele sentia a dor de se lembrar de seu pai e tudo que ele havia passado, também, a saudade de deixar aquele lugar já tomava conta de si.

Depois de meia hora tomando uma bronca de sua mãe sobre o estado que estavam e todo o resto, ela os obrigou a comer algo. Taehyung amava sua mãe demais. Comeu cada migalha do pão caseiro que ela havia comprado. Jungkook aparentava estar se aproximando cada vez da mulher, que lhe agradecia diversas vezes por tê-lo protegido. Estava feliz, pois esperava era que ela lhe desse uma bronca ainda maior, mas pelo jeito as notícias corriam rápidas.

Após todo o escândalo na cozinha, a Kim os apressou para irem ao banho. Jungkook, nervoso, tirou o sorriso do rosto, encarou a mãe de Taehyung. “Nós precisamos conversar, Sra. Seolhyun.”

Eles sabiam.

Taehyung automaticamente se dirigiu as escadas, pisando no primeiro degrau, onde levava ao seu quarto, como se tudo fosse novo novamente. Ele estava em casa e era simplesmente inacreditável.

Ao olhar para trás não precisou de palavras ao ver o rosto cansado de sua mãe, com os olhos inchados e a ponta do nariz vermelha, apertando os braços cruzados em frente ao corpo com o olhar emocionado. Apenas uma mensagem lhe era transmitida: “Vá, está você em casa, nós conversamos depois” e só isso o fazia lagrimejar novamente.

Jungkook permanecia calado e se mexendo, apenas seguindo os passos do outro. Sabia que agora eles só queriam um pouco de paz, principalmente pelo que iria acontecer depois. Tudo que ele queria era retribuir toda a compreensão e carinho que Taehyung havia tido consigo em seu momento de desespero. Entendia que agora o silêncio valia como mil palavras, estas, de alívio por estarem vivos e juntos e tudo ter voltado ao normal.

Não era fácil para ele fingir não estar tocado também, afinal, depois de tanto tempo de espera, observando Taehyung por tantos anos, ele finalmente havia pisado em seu quarto naquela casa. A casa toda era grande, pois era Sejin quem lhes ajudava financeiramente, mas o quarto de Taehyung era simples, um pouco bagunçado e tinha um cheiro bom.

Este vinha lá de fora, passando pela janela que dava vista para o jardim nos fundos enquanto as cortinas laranja se batiam com a brisa. O assoalho de madeira às vezes rangia sobre os passos pesados dos coturnos, e em cima do tapete claro e fofo várias peças de roupas se espalhavam. As paredes enfeitadas com um papel de parede de uma cor verde suave guardavam nelas alguns quadros — um tanto tortos, — e em um gancho próximo a eles a mochila mal fechada ainda estava do mesmo jeito que Taehyung havia deixado em seu último dia de aula.

“Ela não mexeu em nada, desde o dia em que eu parti” disse Taehyung.

Sim, ele havia notado também.

Taehyung se encontrava mergulhado em emoção, enquanto observava os quadros em cima de sua escrivaninha. As fotos de sua família unida, os sorrisos falsos de seu pai... Sua vó também se encontrava nelas e agora, mais do que nunca, ele sentia falta dela e suas lições sobre suas flores; queria que ela ao menos soubesse o quanto tinha sido importante para ele durante os últimos meses.

Jungkook tocou-lhe o ombro.

O contato visual que fizeram já dizia tudo que o garoto chacal queria dizer. Sem lembrar-se do passado, sem guardar mágoas e culpas, por mais que fosse irônico ele querer que Taehyung fizesse isso, queria que ele desapegasse de tudo, aliás, essa seria uma das suas condições para transformá-lo.

Despiu o corpo bronzeado para ele, carinhosamente acariciando e dando leves beijos por onde tocava.

Taehyung puxara Jungkook junto de si no banheiro. Naquele pequeno momento eles se aconchegaram na banheira de água morna, assim como a primeira vez que haviam feito amor, com exceção de que agora estavam cansados por um motivo não tão bom assim. Jungkook acariciou os cabelos húmidos da cabeça escorada em seu peito e assim ficaram por minutos, apenas a escutar os pequenos soluços aliviados do Kim ecoarem pelo lugar.

O tão esperado banho parecia não ter apenas tirado a sujeira do corpo de Taehyung, mas também todo seu cansaço, sua tristeza, as mágoas e os medos. Como se houvesse descarregado tudo ali, sua mente estava limpa. Era uma vida nova, era a escolha dele. E se Taehyung havia enfrentado tudo isso, era para que pudesse ficar junto de Jungkook novamente.

Quando ele se levantou da água, colocou os pés no chão gelado, fazendo com que o choque térmico arrepiasse seu corpo. Ele estava pronto.

Taehyung e Jungkook desceram as escadas para decidirem então qual o caminho a tomar.

Sentaram-se nos sofás cor de caramelo, enquanto ele sentia a textura familiar das almofadas em uma palma, a outra segurava a mão suada de Jungkook. E o moreno, por si só, tinha se responsabilizado por contar tudo a senhora Kim, afinal, ele havia presenciado tudo.

Para a surpresa de Taehyung, sua mãe não chorou quando soube. Ela sorriu.

Taehyung foi quem se surpreendeu quando ela começou a contar, engolindo os soluços, que sempre soube de tudo. Era obvio. Ela certamente conheceria seu pai como a palma da mão. E sua mãe não era qualquer mulher, era muito inteligente, nada menos a esperar vindo de uma família de magos.

Ele ainda se lembrava de suas palavras com clareza.

“Eu sabia.” Ela começou. “Sempre soube de tudo, desde a primeira vez em que seu pai começou a agir de um jeito estranho, Taehyung. E se coloque no meu lugar. Eu sabia que não podia fazer nada, não sou maga. Acha que não pensei em pedir ajuda? Eu pensei, mas eu só iria de colocar em mais perigo se contasse a todos. Você era muito pequeno... E eu estava sendo vigiada por ele.”

Lágrimas fugiam dos olhos de Jungkook, pois o garoto sabia que Seolhyun tinha esperado por ele para vir lhe salvar. Salvar a Taehyung. Porém, pelo menos, tudo havia dado certo no final. Por mais que pessoas houvessem sido perdidas, por mais que tivessem passado por tanta dor, era muito maior do que apenas eles. Envolvia milhares de pessoas ao redor do mundo, todos os magos, todos os seus amigos.

Foi o tratado ser paz a reinar naquela sala.

Jungkook, no fim, ainda tentou acalentar Taehyung e sua mãe. Contando-lhes algo que jamais era permitido dizer fora do Duat. A testa de Taehyung já estava dolorida por franzir o cenho a chorar. “Agora que tudo está em paz, o Duat também está.” Afirmou o chacal. “As almas culpadas,”  ele encarou os olhos de Taehyung como se adentrasse seus pensamentos, como realmente fazia “agora descansam em alívio por aqueles que amam.”

Foi como havia lhes avisado que seu pai não sofria mais. Taehyung em meio ao choro então sorriu, sussurrando agradecido por tudo que ele tinha feito. Se ele estava ali naquele momento, com sua mãe e a pessoa que amava, era por causa de sua coragem.

Seolhyun ainda permanecia forte como uma pedra, apenas a deixar lágrimas de vidro escorrerem pelas maçãs rosadas de seu rosto. Ela há muito tempo já havia perdoado seu marido. Há muito tempo, desde que ouvira de seu pai, sabia que Taehyung um dia teria que partir.

Para ela, o choque maior foi quando ouviu finalmente, Taehyung dizer as palavras que ela há tanto tempo, temia e esperava.

“Mamãe, eu vou embora para o Duat, com Jungkook.”

Taehyung disse engasgado por emoção ao mesmo tempo em que sua mãe agarrou seu corpo, abraçando-lhe apertado.

“Você sabe sobre o ritual de repartição da alma, não é?” ele perguntou. A única resposta que Seolhyun lhe deu foi o acenar da cabeça afundada em seu pescoço. “Por favor...” Taehyung pedia retoricamente.

Novamente, como recordava, mais uma vez havia se surpreendido com sua mãe. Um dia de surpresas, mas também felicidade.

Não negou seu pedido. Tudo que fez foi respondê-lo com carinho, para que fosse e que lá tivesse uma vida feliz. Que não deixasse de visitá-la. Ela disse que entendia seu laço com Jungkook, por conta de Hungsoo.

Tanto ele como Jungkook agradeciam ao seu avô por aquilo.

Seolhyun, por fim, se aproximou de Jungkook. Devagar ela levou as mãos até o rosto do deus, muito diferente de como ela o tratara antes, ela implorava com os olhos enquanto acariciava o rosto aveludado, não de forma romântica, mas verdadeiramente como a mãe protetora que era. Pediu que o moreno cuidasse de Taehyung, sua vida agora estava nas mãos dele.

E agora, no presente, era a questão que mais rondava sua mente.

Taehyung enxugou as lágrimas que ainda brigavam para escapar de deus olhos ao se lembrar de como viu sua mãe frágil pela última vez.  De toda a imagem de durona que ela sempre passava, saber que estava entregando seu filho à outra vida, ou morte, fez-lhe apresentar-se como uma frágil pétala de flor. Realmente imaginava não ser fácil, pois até mesmo para ele estava difícil de aceitar, que em poucos minutos naquele dia, estaria finamente partindo para o palácio de Jungkook. Não como uma visita comum, mas para tornar-se um deus. Para ter vida eterna. Para entregar-se completamente a ele, de corpo e alma.

Suas mãos tremiam tímidas, nervosas e ansiosas. Ele queria tanto aquilo, por mais que tanta coisa fosse deixada para trás, por mais que seu peito já se rasgasse de dor pelo que viria á frente, estava feliz, pois estava com Jungkook e era só isso que importava. Era sempre isso que importava, desde o dia que o viu pela primeira vez.

“Tae?” ouviu a voz suave de Jimin lhe chamar. “Você está aí?”

“Estou na varanda!” respondeu ao pegar a manga da blusa e limpar a humidade de seu rosto. Queria ao menos chegar até seu novo lar com dignidade. Passando confiança para Jungkook, que ele sentia que estava mais preocupado do que nunca nos últimos dias.

“Você está bem?”

“Haha” riu forçado “Não poderia estar melhor.” Sentiu o amigo encostar a cabeça em seu ombro, afagando os cabelos rosados.

“É realmente isso que quer, Tae?” Jimin fungou em seu pescoço. “Se não quiser fazer isso-“

“É tudo que eu quero, Jimin” interrompeu o menor e viu-o libertar um pequeno sorriso de canto em seus lábios cheinhos. “Eu só... estou com um pouco de medo.”

Jimin encostou a cabeça nos ombros largos de Taehyung e segurou a mão do mesmo.

“Se eu lhe perguntasse, se você confiaria sua vida a ele, você responderia que “sim”, correto?” Jimin sussurrou-lhe a dúvida. Taehyung apenas balançou a cabeça em concordância. “Então, porque está com medo? Você já confiou sua vida a ele antes, Tae. Ele foi te salvar. Não tem medo para duvidar disso agora.”

“Você é mesmo incrível” Taehyung sorriu.

“Eu sei como se sente em relação ao amor que tem por ele. Eu mal posso esperar pelo meu dia com Yoongi... Tenho inveja de você.”

“Poupe-me dos detalhes.” Respondeu com expressão de nojo. Imaginar aqueles dois sem seus momentos íntimos não era agradável, muito menos saudável para sua mente!

Os dois gargalharam. Jimin, sempre como um sol na vida de Taehyung.

“Eu te amo, Jimin.” Virou-se abraçando o amigo. Ele envolvia as mãos nas costas de Taehyung, o acariciando.

“Eu te amo muito, Taetae.” Beijou-lhe o ombro carinhosamente. “Vamos.” Jimin se afastou, entendendo-lhe a mão. “Está na hora de você virar o “Senhor Chacal” também!”

“Cala boca, Jimin!”

Desceram as escadas.

Taehyung se despediu de todos, não se permitindo chorar de novo. Muito menos na frente de Jungkook, que parecia mais pálido que o normal. Imaginava não estar diferente também, pois sentia as pernas fraquejarem quando ele se aproximou do parceiro, entrelaçando os dedos de sua mão com os dele.

Sejin, Lily, Jimin e Yoongi se encontravam ali no momento. O resto deles estava no Duat, esperando pelo acontecimento. Mark ainda se curava na enfermaria. Mas só de saber que ele estava bem já era ótimo.

Olhou uma última vez para a Casa, ele esperava não demorar a voltar ali. Pelo menos agora era mais agradável de olhar, depois de todos os reparos e limpeza que andara fazendo nos últimos dias, se sentia feliz por saber que o lar de muitas pessoas estava a salvo.

Acenou mais uma vez para seus amigos e então, Jungkook e ele voltaram para o palácio. O caminho havia sido decidido.

•••

No primeiro dia em que chegaram, Taehyung tinha vontade de rir de si mesmo. Na verdade, ele se perguntava como Jungkook não tinha feito isso ainda. Ele tremia igual uma vara verde, tinha que se concentrar até mesmo quando pegava numa xícara para que não derramasse tudo em si mesmo.

Não conseguia aguentar o nervosismo. Sentia-se a garotinha virgem ansiosa para se entregar ao namorado pela primeira vez, como comumente mostrado em todos os filmes clichês e também livros românticos que ele já havia ousado ler.

Porém, sua preocupação não era necessariamente essa. Não quando se tinha sua vida colocada a risco nisso tudo.

Jungkook havia sido compreensivo. Tinha dito que podiam esperar mais um pouco.

Para descontraí-lo, eles se colocaram a observar o jardim no estranho e claro crepúsculo vespertino do Duat. O moreno então tirou aquele tempo para lhe explicar mais um pouco do que aconteceria.

O garoto chacal contava enquanto eles se abraçavam na varanda. O ato tinha que ser feito em um momento em que os laços estivessem mais ligados que nunca. Não como viviam agora, mas sim, um momento especial. E qual momento mais propício se não quando eles se amavam? Taehyung entendia o porquê, aliás, ele ainda se lembrava de como tinha sentido como se tivesse se aberto inteiramente para Jungkook naquele momento, como ele fizera para si também.

Depois de alguns dias de relaxamento o rosado já se sentia melhor, mais aconchegado e acostumado a ter a probabilidade de que a qualquer momento eles resolvessem realizar o ritual de uma vez por todas. Costumavam não tocar no assunto entretanto, apenas respeitavam um o momento do outro.

Com o passar de uma semana Taehyung já começava a se preocupar novamente. Ele sentia que Jungkook tinha começado a se afastar mais que o normal. Não tocar no assunto tinha piorado as coisas no final, pois agora ele não sabia o que fazer. Não entendia se ele estava impaciente ou igualmente assustado.

Taehyung não aguentava mais a ansiedade corroendo seus ossos, com o passar dos dias ele começou a atacar. Atiçava Jungkook de todas as maneiras.

Andava nu pelo palácio. Subia em seu colo enquanto ele tomava café da manhã, esfregando seus corpos em um atrito sensual e gostoso. Chamava-o para tomar banho juntos todos os dias. Dormia de conchinha com ele apenas para que fizesse o moreno sentir seu membro pedindo socorro roçando em suas costas. Uma vez, ousou até mesmo se masturbar ao lado dele.

Jungkook sempre arranjava uma desculpa para não o possuir. Dizia estar cansado, que Taehyung estava cansado! Argumentava que suas feridas ainda doíam e que seu corpo não tinha se recuperado. Era mentira! Taehyung sabia.

Até que o Kim não suportou mais. Sabia que Jungkook estava preocupado com ele, mas agora tudo que ele tinha era desejo, não restava mais nenhum pingo de medo. Só queria ser do deus de uma vez por todas!

“Jungkook” chamou-o. “Por favor... Eu quero. Você está me evitando há dias.”

O moreno descansava ao seu lado na cama gigantesca. Apensar da quietude em que se podia ouvir o farfalhar das flores lá fora, ele sabia que o outro estava acordado. Até mesmo a respiração acelerada desmascarava sua tensão nas costas musculosas.

“Me perdoe” soltou o ar dos pulmões. Jungkook se levantou, sentando na cama de frente para Taehyung que estava deitado a observar seu rosto parte escondido nas sombras. “Eu ando pensando em tantas coisas. Ainda mais depois do que sua mãe me disse... Eu tenho medo de estragar tudo. Eu...”

“Pare com isso!” Taehyung o interrompeu. “Eu sei que está colocando o peso de todos sobre suas costas. Eu estava pensando assim também, mas agora eu percebi que isso tem que ser só entre nós. Eu não vou vacilar, eu prometo. Meu amor, você é tudo que eu quero agora.”

A luz das sete luas estava reluzente naquela noite em que tudo aconteceu. A claridade azulada tomava conta do quarto através das janelas e cortinas abertas. Estava fresco o suficiente para que as brisas que invadissem o quarto arrepiassem os pelos de Taehyung. A mesma trazia junto com ela pétalas de rosa que voavam lá de fora e invadiam o quarto, preenchendo o chão negro e lustroso de vermelho.

Taehyung sentia que aquele era o momento certo, como se tudo estivesse colaborando para que fosse perfeito. Presenciando os arredores, ele também tinha à sua frente o rosto de Jungkook. Os olhos marejados do garoto chacal refletiam no brilho do luar.

“Tem que me prometer.” Começou.

“Eu prometo qualquer coisa.” Taehyung não hesitou.

“Que não vai se arrepender.” Levou a mão até a bochecha de Taehyung, acariciando-a com os dedos. Viu ele negar balançando a cabeça e forçando seu rosto contra a mão, pedindo por mais carias. “Estar ciente que não haverá volta. E não irá mais pensar em seu pai, a alma dele se foi do Duat assim que você soube a verdade.”

“Eu estou pronto” insistiu Taehyung.

“E por último,” Jungkook continuou brevemente. “Vai doer, Taehyung. Vai doer muito. Se me pedir que pare, eu não posso parar. Você não vai ser você mesmo quando ocorrer, vai esquecer o que está acontecendo, vai querer desistir...”

Taehyung ainda era humano e não podia esconder o gelo que sentiu em seu estômago ao ouvir aquilo. Só que quando ele pensava em dor, “dor”, o que era dor? Já tinha passado por tanta coisa em sua vida. A dor pela qual ele iria enfrentar agora seria em razão de sua felicidade.

Nada respondeu ao moreno.

Puxou-o pelo braço, fazendo com que Jungkook ficasse por cima de si. Encarou seus olhos com ternura. Ele estava sedento.

Não houve tempo para mais hesitação. Atacaram a boca um do outro. O beijo sensual descarregava nele toda a excitação e apreensão dos últimos dias em segundos.

Jungkook se apressou em retirar a roupa de Taehyung e depois a sua própria. Não havia vento que o fizesse arrepiar no calor de seus corpos colados. As línguas dançavam em suas bocas, enquanto o rosado se encarregava de masturbar seus membros juntos ao mesmo tempo. Às vezes Jungkook mordiscava seus lábios, descia para o pescoço, lambendo e chupando lentamente.

Como ele tinha sentido falta disso.

Sentia-se aliviado de pensar que agora ninguém estava ali para atrapalhá-los. Eram apenas os dois.

Jungkook pareceu mudar de uma hora para outra, mas no bom sentido. Taehyung já conseguia ver seus olhos tomarem a cor alaranjada, sabia que o moreno estava tão excitado para aquilo quanto ele.

Interromperam a masturbação assim que Jungkook pegou Taehyung pelas costas, ajeitando-o no centro da cama. O Kim nunca imaginou que se sentiria tão feliz naquele momento. Ele não sentia nada, na verdade, apenas o prazer dos toques de seu amado.

O deus se abaixou novamente, segurando a cabeça de Taehyung firmemente para cima. Ele gostava dessa ousadia. Sentiu os caninos afiados dele roçarem seu pescoço e gemeu alto, a cada minuto parecia que o corpo hibridamente canino ficava mais quente ao toque. Assim como a língua que passeava agora por seu peito.

Taehyung ria, imaginando que Jungkook parecia estar querendo dar o troco nele de todas as formas pela sua primeira vez. Não reclamava, estava se sentindo no paraíso.

Segurava firme os cabelos negros como a escuridão que preenchia os cantos não iluminados daquele cômodo. Enquanto isso, o músculo molhado rodeava seus mamilos ligeiramente, o direito, depois o esquerdo. Assim, Jungkook seguiu, mordiscando e dando leves beijos por todo corpo de Taehyung. Porém quando ele levantava o olhar, tudo que o Kim sentia era que iria ser devorado. Conseguia ver o membro dele já duro como rocha e sorria ainda mais abertamente.

Quando chegou ao membro de Taehyung, Jungkook não teve perdão nenhum. Nada de provocações, nada de torturas, mas na verdade, o rosado sentiu-se ainda mais judiado quando sentiu a boca tomar conta de seu pênis por inteiro de uma única vez. Fazendo-o arquear as costas enquanto soltava um gemido escandalosamente alto. Não se importava, agora não tinha visitas, nem vizinhos chatos de apartamento para os restringirem. Se Jungkook queria dar total prazer a Taehyung antes que tudo acontecesse, ele lhe permitiria o mesmo também.

Puxava os edredons pretos com sua mão esquerda, enquanto a direita acompanhava os movimentos ritmados de Jungkook. Não conseguia imaginar que a boca dele podia ser tão maravilhosa não só para beijar, ele era incrível. Porém, também, por mais que odiasse pensar, ele já devia ter tido tantas aventuras sexuais ao longo de sua existência que o fizera adquirir tamanha experiência no que fazia agora. Não era de todo o mal, afinal, agora todas elas serviriam apenas para que Taehyung pudesse aproveitar.

Jungkook chupava o membro com veemência, que já se mostrava completamente melado pelo líquido viscoso pré-ejaculatório preenchendo sua boca. Retirou sua boca do outro, masturbando-o lentamente, lambuzando a glande inchada e vermelha e também, melecando os seus próprios dedos finos. Levou os mesmos até a entrada de Taehyung, passando os dedos por ali, para que já o alertasse e o preparasse. Voltando também a saboreá-lo.

O sentimento molhado de seu próprio sêmen era estranhamente prazeroso, os dedos gelados de Jungkook sobre seu ânus mandavam arrepios através de seu corpo. E o que o deixava mais maluco ainda eram os estalos dos lábios no falo ereto. O moreno parecia estar chupando o picolé mais saboroso do mundo enquanto o engolia, só aquela imagem o fazia querer gozar.

“Espere” Taehyung sofreu a dizer.

Jungkook parou o que estava fazendo para olhá-lo. Taehyung então o puxou para que se levantasse e fez o mesmo. Pegou nos braços de pele quase branca e o jogou contra o colchão de barriga para cima. Não queria ficar parado o vendo fazer todo o trabalho, queria ação também, era inquieto.

“Deita ai” mandou.

Jungkook obedeceu ficando observando o que Taehyung faria a seguir. Ele então se sentou em cima do outro, só que ao contrário. Afastou-se para trás, ficando com as nádegas no rosto de Jungkook, enquanto ele observava a parte de baixo do mesmo.

Ouviu o moreno soltar um suspiro profundo quando notou o que ele estava fazendo. Tinha vergonha sim, mas tinha mais tesão. Não se acanhou, apenas pegou o membro rijo de Jungkook e pôs-se a chupá-lo com a mesma intensidade que o masturbava com a mão que segurava o mesmo. O corpo embaixo de si tivera um espasmo de surpresa na mesma hora e ele pode ouvir o som que mais amava. O gemido, sôfrego, arrastado e fino do garoto chacal.

Sua reação não foi diferente quando sentiu a sensação húmida em sua entrada. A língua dele era mais quente que o normal. Não imaginava que levar o famoso beijo grego era tão bom daquele jeito. Amava fazer a técnica em Jungkook, vê-lo se remexer nos lençóis era arte, mas agora, ironicamente, estava na mesma situação e agora entendia o porquê de tanta puxação de pano entre as mãos. Naquela posição deliciosa eles saboreavam um ao outro, o prazer dominava seus corpos, tinha vontade de agarrar tudo ao seu redor para que não acabassem agarrando um ao outro e se quebrando de tanta vontade.

Alguns minutos depois Taehyung já se sentia alagando por conta própria, junto das lambidas, Jungkook o adentrava com um dedo, enquanto beijava suas nádegas. E ele continuava a chupar Jungkook, já o sentia pulsar em sua boca insistentemente. Não queria mais atrasar nenhum minuto também, aliás, seu corpo já pedia alivio assim como ele, ainda mais quando Jungkook deixava seu ânus para pegar o membro solto e chupá-lo juntamente com a penetração de seus dedos. Sentia-se mergulhado em êxtase. Não aguentava mais e parecia que o moreno tinha notado e sentido isso também. O deus então largou o membro com mais um estalo, fazendo Taehyung soltar outro gemido áspero.

“Taehyung” pediu. Sua voz era falha.

No linguajar deles naquele momento não cabiam palavras. Só gemidos e pedidos de luxuria. Taehyung sabia exatamente o que ele pedia. Com agilidade ele se retirou de cima de Jungkook e colocou-se a deitar novamente em meio aos lençóis completamente revirados.

O de olhos alaranjados segurou os tornozelos de Taehyung, erguendo-os.

“Segure seus joelhos.” Ele pediu sereno.

Taehyung não podia fazer nada além de obedecer aos comandos ao ver aquela face tão luxuriosa. Colocou as mãos atrás de cada joelho, puxando-os para cima, segurando suas pernas para o ar. Ficando totalmente exposto a Jungkook.

Mais uma — e última — vez o moreno adentrou os dedos dentro de Taehyung, lambuzado e alargado. O outro apenas soltou o peso da cabeça sobre o travesseiro alto, que o permitia observar tudo.

Jungkook jogou-se em cima de Taehyung, voltando a beijá-lo, dessa vez, calmo e apaixonado. Posicionou-se entre as pernas levemente malhadas de cor acobreada e se colocou a penetrá-lo. Devagar ele forçou os quadris para frente e pouco depois sentiu a quentura do interior do outro tomar conta de seu membro. Os dois arfaram ao mesmo tempo e o chacal mordiscou a boca de Taehyung tirando-lhe um filete de sangue dos lábios rosados por conta de suas presas. Ele sorriu.

Jungkook deu um leve selar na boca de Taehyung e levantou seu tronco novamente. Agora, segurando as pernas do rosado por cima das mãos do mesmo e observando seu membro ser engolido por Taehyung. “Merda!” pensou. Aquilo era tão excitante que ele nem conseguia descrever.

Tinha sim, passado por muitas experiências, mas nenhuma delas se assemelhava com o sentimento de amar Taehyung. Sentia que agora ele era mais completo, ele não estava fazendo puramente sexo. Era sexo, com quem ele amava. Era diferente. E era mais gostoso ainda ai ver como ele suava, como o pescoço tão belo e já vermelho pelas marcas que deixara, brilhava. Iria fazê-lo seu de todo jeito.

De pouco em pouco Jungkook ia aumentando a velocidade em seus quadris, até que os dois já estivessem num ritmo desesperado. Da primeira vez, o barulho causado por eles era abafado pelas paredes do apartamento. Agora, o barulho das peles se chochando toda vez que Jungkook ia fundo e com força era ouvido pelo eco de todo o palácio.

Taehyung se sentia exposto, como se todo o Duat pudesse ouvir seu sexo e seus gemidos. Muito mais do que quando ele fodia Jungkook em frente á janela do edifício. Ele já tinha dito que parecia que Jungkook quisesse vingança, certo? Ele estava fazendo isso muito bem. Inclusive, já sentia estar próximo de gozar, em resposta a isso arranhava as costas musculosas do namorado. Olhar para os músculos de sua barriga se contraírem a cada estocada não ajudava em nada também. 

Tudo estava muito bom.

Estava em seu ápice e gemeu alto quando sentiu o calafrio passar por seu corpo, ejaculando exageradamente.

Até que Jungkook, no mesmo instante, aproximou-se de seu ouvido, perdendo velocidade.

“Eu tenho que começar” ele sussurrou. “Me desculpe.”

Taehyung não teve tempo de se preparar. Sentiu a mão direita de Jungkook tampar sua visão e então tudo virou de pernas para o ar. O paraíso virara o inferno de uma hora para outra.

Ele não sentia mais o membro de Jungkook dentro de si, sentia que alguma coisa iria rasgar seu corpo ao meio. A escuridão que tampara sua visão o mergulhara em um outro tipo de universo no qual ele só tinha memórias tristes, e muito sangue. A dor era insuportável, realmente, insuportável.

Queria se libertar daquilo.

“Pare!” gritou. Mas nada aconteceu, fazendo com que o seu desespero aumentasse ainda mais.

Ainda sentia as estocadas e um corpo em cima do seu. Porém aquilo não parecia Jungkook! A cada vez que o penetrava era como se enfiassem uma estaca de madeira em cada parte de seu corpo. Ele chorava desesperado.

Por outro lado Jungkook segurava Taehyung firme na cama. Ele tentava se concentrar em concluir o ritual enquanto o outro gritava.

“Pare!!”

“Jungkook, você está me machucando!”

“Me mate, por favor, me mate! Eu não aguento mais essa dor!”

Sua pele se arrepiava e ele deixava as lágrimas caírem no rosto de Taehyung. Era justamente por isso que muitos que haviam tentado o ritual não conseguiam. Era difícil demais ver alguém que ama em tal estado. Porém, ele havia prometido ser forte.

Os gritos de Taehyung eram escutados à distância, uma dor tamanha que o fazia espernear sem limites. Ao longe, as divindades escutavam e espiavam curiosas, querendo saber qual seria o fim do garoto mudando que o deus da morte ousava tomar.

Taehyung lutava contra tudo e contra si mesmo. As mãos que o seguravam apertavam seus braços com muita força, ele sentia que ia quebrar a qualquer momento.

“Por favor!” pediu milhares de vezes em meio aos soluços. Não conseguia nem mais raciocinar direito. Era como se estivesse sendo enforcado.

“Jungkook! Por favor!”

“Alguém me salve, por favor!”

“Me mate! Agora!”

A garganta já doía. Sentia-se abandonado, como se estivesse preso em um inferno particular em sua mente, onde remoía todas as duas dores. Seu corpo já começava a se tornar anestesiado.

Ironicamente, Taehyung recobrou consciência o suficiente para que se recordasse de como essa mesma sensação se parecia muito como quando Hoseok tentou lhe possuir á força. Imaginava se a maldição de toda essa dor não tivesse sido causada por ele.

Agora era diferente, pois não tinha ninguém para salvá-lo. Continuava a gritar e parecia que a cada vez que o fazia, sua garganta queimava, assim como sentia a pele ferver, ao mesmo tempo em que o corpo estranho continuava a penetrá-lo com violência.

Sentiu-se tão agredido. Tão perdido. Ele queria morrer.

E foi exatamente que achou que aconteceria quando sentiu que não aguentava mais. Seu coração parecia fraquejar. Ele não via mais nada. Não sentia mais nada. Não ouvia mais Jungkook.

Soltou um ultimo grito de socorro, esperando que algo fosse lhe salvar. Um que com certeza até mesmo as criaturas das camadas mais baixas do Duat ouviram.

No entanto, apenas viu tudo ficar preto e perdeu a consciência, enquanto, chorando abalado, Jungkook segurava o corpo mole em seus braços. “Desculpe, me desculpe...” ele sussurrava incontáveis vezes.

Porém, os céus pareceram clarear depois daquela noite. Era quase como se pudesse escutar os “Ohhh” de surpresa dos deuses bisbilhoteiros.

O deus da morte chorava, mas feliz.

 

 •••

 

Taehyung abriu os olhos devagar.

A claridade era intensa demais para que conseguisse enxergar com perfeição, fazendo com que ele colocasse uma mão em frente ao rosto.

Sentou na cama e lentamente recordava-se do que tinha acontecido na noite passada enquanto se espreguiçava.

Lembrava-se de poucas coisas: só de transar com Jungkook e depois estar gritando muito, e então, desmaiar.

As memórias vinham como peças de quebra cabeça em sua mente, ele começou a se assustar.

Olhou em volta e Jungkook não estava em lugar nenhum.

Foi quando se deu conta. Ele tinha feito o ritual e estava vivo! Ele estava vivo! Não estava?! Começava a se questionar impaciente. A onda de informações fez sua cabeça doer.

Colocou a mão na testa e então parou para ver se tinha algo de errado consigo mesmo.

Observou seus braços, mãos e dedos. Tudo estava lá. Tirou os edredons de cima de si mesmo e viu que estava de cueca e uma blusa de linho maior que o normal, que cobria suas pernas. E elas, estavam igualmente intactas e tudo normal. Passou a mão pelos cabelos, procurando por algo anormal, como orelhas de chacal! Nada também.

Suspirou pesado, estava irritado!

Não conseguia mais distinguir o que estava acontecendo. Jungkook não estava ali. Ele estava vivo? Não sabia. Tinha passado pelo ritual, porém não parecia ter mudado. Apesar de que, lembrava-se de agonizar em dor, mas agora se sentia bem como nunca, fisicamente falando.

Porém, ainda faltava uma coisa a ser feita.

Taehyung se arrastou até a beirada da cama. Sentia-se nostálgico, pensando sobre quando tinha chegado a primeira vez naquele quarto. Pisou no chão gelado, a mesma sensação de arrepio lhe atingiu. Suas pernas tremiam pela ansiedade, ele estava com medo.

Medo de se olhar no espelho que havia na parede.

Tinha medo de ficar em frente a ele e ver algo que não queria, mas ao mesmo tempo tinha a curiosidade de saber se estava bem de verdade, ou se apenas estava morto, em algum tipo de paraíso paralelo que se parecia muito com o palácio de Anúbis.

Lentamente se pôs a andar, aproximando-se do espelho. Chegando ao lado dele, suspirou mais uma vez. Seu coração batia tão rápido. “Você não vai ver nada mais que si mesmo, Taehyung, idiota”. Brigava consigo em sua própria mente, mas ainda fraquejava.

Não aguentou, fechou os olhos e então assim, se posicionou em frente ao espelho. Abriu os mesmos lentamente, finalmente tendo a resposta que queria.

Ele estava certo, não tinha nada ali, nada além de si mesmo. Nada de diferente; nada de orelhas. Porém, teve que se beliscar umas três vezes ao ver o que havia acontecido com seus cabelos e seus olhos.

Com receio ainda, levou as mãos ao rosto, tateando-se com a ponta dos dedos.

Seus cabelos tinham cor de fogo, cor das rosas. Os fios estavam totalmente vermelhos.

E seus olhos. Seus olhos haviam mudado de cor. Estavam mais claros, amarelos, como ouro.

Ele não soube, naquele momento, o que fazer. Se chorava, ou se dava risada. Estava tão feliz que não sabia como explicar. Ele só queria ver Jungkook! Porque ele tinha que sumir justamente nessas horas!?

Foi quando notou que não precisava procurar por ele. Sentia-o por perto, conseguia rastrear seu cheiro, sua presença, conseguia até mesmo saber o ritmo de sua respiração só de pensar nela. Estavam ligados eternamente.

Jungkook estava no jardim.

Tudo que fez foi correr, foi também ali, quando notou a diferença em seu corpo. Sentia-se mais leve, não tinha fadiga, estava mais rápido. Em poucos segundos já se encontrava em meio as flores, correndo até a silhueta de Jungkook. Ele estava de costas, mas até assim, Taehyung sabia que ele já o esperava e que estava sorrindo, mais feliz que nunca.

“Jungkook!” Não aguentou se segurar, gritando pelo outro, que virou, mostrando assim o belo sorriso que ele tanto amava.

Assim que o alcançou não pode fazer outra coisa, pulou em cima dele, beijando-o logo em seguida. Jungkook o rodou no ar, colocando-o no chão novamente. Sem parar, sem se separarem, pois nada sentia melhor agora do que aquele beijo.

Beijaram-se por incontáveis minutos. Não queriam se separar nunca mais, nem o fariam. Suas línguas se enrolavam em harmonia e Taehyung bagunçava o cabelo de Jungkook entre seus dedos. Eles se amavam tanto.

Quando Jungkook puxou Taehyung para trás, ele viu o agora ruivo, corar.

“Estou muito estranho?” perguntou rindo de si mesmo, enquanto passava a mão pelos próprios fios.

Jungkook parou para observá-lo. Taehyung encarou seus olhos e mais uma vez, se recordou, de como o moreno o olhara da mesma forma, no dia que havia lhe dado a rosa de presente no jardim da mansão. E também, de como ele exibia o mesmo sorriso.

“Nunca imaginei que pudesse ficar tão bonito quanto já era. Me surpreendeu de novo.” Ele respondeu também com o rosto vermelho.

Não sabiam descrever o momento. Apenas se abraçavam em meio as rosas, apenas se encaravam com paixão. Não havia palavras para descrever o sentimento que Taehyung resumiria como eternidade. Ele sabia que iria amar Jungkook eternamente e Jungkook sabia que faria o mesmo. Como um novo recomeço, agora seriam só eles dois e nada mais. Pertenciam um ao outro, eternamente.

Taehyung voltou a dar selares suaves e apaixonados em Jungkook. Nunca seria o suficiente.

Queria apenas aproveitar agora, queria voltar para Nova York, queria fazer passeios com Jungkook que prometera. Queria ver seus amigos, queria ver sua mãe. Iria, como tinha jurado para si mesmo, cuidar da Casa do Brooklyn e dos magos. Estava feliz, feliz como nunca. Nada diferente de Jungkook, que até aquele momento, ainda não tinha acreditado que haviam mesmo feito isso. E eles haviam.

Assim como Taehyung, ele tinha ambições também. Mas coitado dele, essas eram todas ligadas ao seu companheiro.

Tinha passado o resto do dia, após a transformação, a observá-lo, acariciando seus cabelos vermelhos. Que ele tinha amado demais, ah, como tinha. Sabia que Taehyung iria sofrer alterações, assim como alguns deuses tinham, mas nunca imaginou que ele fosse ficar tão esplêndido, maravilhoso, etéreo. Era o homem mais lindo que já tinha visto em sua longa existência. E os olhos amarelos dos quais ele ainda não tinha descoberto até aquele momento apenas o deixaram ainda mais belo.

Ele só sabia amar Kim Taehyung. Era tudo que sabia fazer. Era tudo que faria ainda mais dali para frente.

“É incrível, não é?” Taehyung sorria com a mão em volta do pescoço de Jungkook.

O chacoalhar das flores era o barulho suave que acompanhava aquela conversa, assim como o cheiro sútil. Em meio ao jardim, eles se expunham com orgulho. “Nós conseguimos” era o que queriam dizer, para todos.  

“O quê?” perguntou, observando sua beleza celestial. O vento bagunçava os cabelos de Taehyung, que ornavam com o tom das pétalas em volta. Os olhos insólitos brilhavam ainda mais agora, com a cor que os realçavam indiscretamente.

Jungkook amava Kim Taehyung e Kim Taehyung amava Jungkook.

“Depois de tanta dor, de tanto sofrimento, lutas, perdas. Depois de tanto tempo que você esperou por mim. Apesar de tudo que passamos...” Taehyung continuou sorridente.

“Eu ainda pude encontrar, o meu caminho até você.”

 

FIM


Notas Finais


EU TO CHORANDO MUITO?!
Eu espero que vocês tenham gostado, sinceramente <3
Esta foi minha primeira fanfic da vida e nunca imaginei que ela fosse crescer tanto assim. Fico emocionada e muito feliz pelo apoio de todos que tiraram seu tempinho para lerem minhas ideias mirabolantes envolvendo os namorados taekook. Muito obrigada a todos vocês, que estiveram desde o começo comigo, que vieram no meio de tudo, ou que começaram a ler fanfic depois de pronta! Espero que ela continue na memória de cada um como vai ficar na minha :( Agradeço também a todos os comentários, a todas criticas e surtos de vocês! Não sabem como significaram pra mim. ALSO, não tenho nem como agradecer por todas as pessoas que me ajudaram com isso aqui. Principalmente a Larilu e a Ana, assim como a Milly, e várias amigas do meu antigo grupo que agora estão distantes, ainda sou muito grata a todos vocês. Um beijao especial também pras minhas pichulas, Smy e Deb que me deram aquela força.
Escrever isso aqui não foi só uma bobagem, foi uma lição, uma aprendizagem. Uma forma de conhecer novas pessoas, novos pensamentos, novas maneiras de se expressar. Entender que tanto como a leitura, a escrita também pode nos ajudar, nos libertar e várias outras coisinhas. Além de receber muito amor de vocês, e também tentar passar a vocês todos os sentimentos que eu espero que tenha entre os namoradinhos do kpop que façam seus coraçõezinhos se aquecerem! <3
Muito obrigada.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA EU TO MTO FELIZ completar uma fanfic tão longa, depois de mais de um ano...... pqp gente, estou esperando receber meu amor nos comentários ein

se quiserem falar cmg estou no twitter @vhywng e no cc @vhyung

um beijao
e até a próxima :)


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