História Ladrão de Almas - Capítulo 1


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Categorias Ladrão de Almas, Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Fa Mulan, Henry Mills, Lacey (Belle), Liam Jones, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Once Upon A Time, Sean Maguire
Exibições 49
Palavras 1.278
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Crossover, Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Freezing cold


Maldito frio congelante. A respiração de Robin Hood paira no ar, quase sólida, na forma de um ninho de vespa congelado e destituído de oxigênio. Suas mãos estão pesadas sobre a direção; ele está grogue, acordou em cima da hora de fazer o percurso até o hospital para assumir o turno da noite. Os campos cobertos de neve dos dois lados da estrada são pinceladas fantasmagóricas de azul sob o luar; seus lábios azulados estão quase insensíveis pela hipotermia. A neve é tão espessa que encobre todos os vestígio de galhos espinhentos, que geralmente permeiam os campos e dão ao lugar uma falsa aparência de calma. Ele sempre se pergunta por que seus vizinhos continuam vivendo nesse ponto tão ao extremo norte do Maine; solitário e frígido, um lugar difícil para a agricultura.  O inverno reina durante metade do ano, forma pilhas de neve nos parapeitos das janelas e solta lufadas de vento enregelantes sobre a plantação de batatas.

 Vez ou outra alguém realmente congela e, como Robin é um dos poucos médicos da região, já presenciou a cena. Um bêbado (o que mais há em St.Andrew) pegou no sono sobre a neve e, pela manhã, havia se tornado um picolé humano. Um menino, patinando sobre o rio Allagash, caiu em um buraco que se abriu quando passou pela camada mais fina do gelo. Às vezes, o corpo é encontrado na metade do caminho para o Canadá, no encontro do rio Allagash com o rio St. John. Um caçador perde a visão por causa do reflexo da neve e não consegue sair da Floresta Great North; seu corpo é encontrado sentado, recostado em um tronco, a espingarda sobre o colo, sem uso.

- Aquilo não foi acidente, que nada! - Graham Humbert, o xerife, disse a Robin, desgostoso, quando o corpo do caçador foi levado ao hospital. - O velho Archie Hooper, ele queria mesmo morrer. Este foi o jeito dele de cometer suicídio. -  Mas Robin suspeita que, caso fosse verdade, Hooper teria atirado na própria cabeça. Hipotermia é um processo lento de morte, dá tempo suficiente para reconsiderar qualquer decisão.

Robin estaciona a caminhonete em um lugar vazio do estacionamento do Hospital Municipal de Aroostook, desliga o motor e promete a si mesmo, mais uma vez, que se mudará de St. Andrew. Ele só tem que vendera fazenda de seus pais e, então, se mudará, ainda que não saiba exatamente para onde. Suspira, tira as chaves da ignição e se dirige à entrada da sala de emergência. 

A enfermeira de plantão o cumprimenta com a cabeça enquanto Robin entra tirando as luvas. Ele pendura a parca no pequeno vestiário dos médicos e volta para a recepção. Mary diz:

- Graham ligou. Está trazendo um prisioneiro, quer que você dê uma olhada nele. Vai chegar a qualquer minuto.

- Motorista de caminhão?

Quando há problema, geralmente envolve um dos motoristas das empresas madeireiras. São famosos por ficar bêbados e provocar brigas no Blue Moon. 

- Não. - Mary está absorta em algo que está fazendo no computador. A luz do monitor reflete em seus oóculos bifocais.

- Quem é, então? Alguém daqui? - Robin está cansado de costurar seus vizinhos. Parece que só os desajustados,  bêbados e briguentos conseguiam tolerar aquela cidade miserável. Mary tira os olhos do monitor, cotovelo plantado no quadril.

-Não, uma mulher. E também não é daqui.

Isso é incomum. Mulheres raramente são trazidas pela polícia,  exceto quando são vítimas. De vez em quando,  uma esposa da cidade é trazida após uma briga com o marido ou, no verão, uma turista pode perder o controle do Blue Moon. Mas nessa época do ano, não há nem sinal de turistas. Algo diferente para se esperar está noite. Ele pega uma prancheta. 

- Ok. Que mais temos aqui? -  Robin ouve mais o menos enquanto Mary lista a atividade do turno anterior.  Ele volta para o vestiário para esperar pelo xerife.  Tinha sido uma noite bem movimentada, mas, agora, dez da noite, está tranquilo. Não consegue aguentar outro relatório sobre o casamento da filha de Mary, que está prestes a acontecer, um discurso interminável sobre o preço de vestidos de noiva, serviço de buffet e floristas.

- Diga a ela pra fugir com o noivo. -  Robin disse uma vez para Mary, que o olhou como se ele tivesse declarado ser membro de uma organização terrorista. 

- O casamento é o dia mais importante da vida de uma jovem - Mary respondeu em tom de zombaria.  - Você não tem um osso romântico no seu corpo. Não é à toa de Marian se divorciou de você.

- Marian não se divorciou de mim; eu me divorciei dela.

Ele parou de explicar, pois ninguém lhe dá atenção. Robin senta-se no sofá surrado do vestiário e tenta se distrair com um Sudoku. Mas não consegue e pensa no caminho para o hospital naquela noite, as casas pelas quais ele passará nas estradas desoladas, luzes solitárias queimando na noite. O que as pessoas fazem enfiadas em suas casas por tantas horas nas noites de inverno? Como médico da cidade, não há segredos que Robin não conheça. Ele sabe de todos os pecados: quem bate na esposa, quem tem a mão pesada com as crianças; quem bebe e termina batendo o caminhão num monte de neve; quem tem depressão crônica por razão de outro ano ruim na colheita, sem perspectiva no horizonte.  As florestas de St. Andrew são escuras e cheias de segredos; lembram a Robin por que quer ir embora desta cidade: está cansado de saber dos segredos dos outros e de que eles conheçam os seus.

Além disso, tem outra coisa, algo em que, ultimamente, ele pensa assim que pisa no hospital.  Não faz muito tempo que sua mãe morreu e ele se lembra vivamente de quando a removeram para a chamada eufemisticamente de "ala de recuperação", para pacientes cujo fim está tão próximo que não vale a pena removê-los para o centro de reabilitação em Fort Kent. A função cardíaca cairá abaixo de 10% e ela lutava para respirar,  a despeito da máscara de oxigênio. Ele sentou-se com ela aquela noite, sozinho, pois era tarde e os visitantes já tinham ido embora havia muito tempo. Quando ela tivera a última parada cardíaca, ele estava segurandoa mão dela. Naquele momento, ela estava exausta e se mexeu só um pouquinho;  então, o aperto de mão afrouxou e ela se foi tão silenciosamente quanto um pôr do sol ao anoitecer. O alarme do monitor soou quase ao mesmo tempo em que a enfermeira de plantão entrava, mas Robin alcançou o botão do monitor e, sem pestanejar, fez sinal para a enfermeira sair. Tirou o estetoscópio do pescoço e verificou o pulso e a respiração.  Ela havia partido.

A enfermeira de plantão se queria um minuto a sós e ele disse que sim. Passara a maior parte da semana na unidade de terapia intensiva com a mãe e parecia-lhe inconcebível simplesmente ir embora naquele momento. Então, sentou-se ao lado da cama e olhou para o nada, com certeza não olhou para o corpo, e tentou pensar nas providências a tomar. Ligar para os parentes; todos eram fazendeiros que viviam na parte sul do condado... Ligar para o padre Lynon na igreja católica que Robin não frequentava... Escolher um caixão... Precisava pensar em tantos detalhes... Ele sabia o que precisava ser feito, pois passará por tudo isso apenas sete meses antes, quando seu pai morrera. Mas a idéia de passar por tudo aquilo de novo era desanimadora. Era em momentos como esse que sentia mais falta de sua ex-mulher. Era muito bom poder ter Marian, uma enfermeira, em ocasiões tão difíceis.  Ela não era do tipo sentimental; era prática até mesmo diante do sofrimento. 



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