História Ladrão de Almas (TWD) - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Ladrão de Almas, The Walking Dead
Personagens Beth Greene, Carl Grimes, Daryl Dixon, Negan, Rick Grimes
Tags Thewalkingdead
Exibições 1
Palavras 1.584
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ficção, Sobrenatural

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Como prometido está aí o primeiro capítulo espero que gostem. Boa leitura a todos e comentem se gostaram críticas negativas e positivas sempre será bem vindas.

Capítulo 2 - Parte 1 / Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Ladrão de Almas (TWD) - Capítulo 2 - Parte 1 / Capítulo 1

Maldito frio congelante. A respiração de Daryl Dixon paira no ar, quase sólida, na forma de um ninho de vespa congelado e destituído de oxigênio. Suas mãos estão pesadas sobre a direção; ele está grogue, acordou em cima da hora de fazer o percurso até o hospital para assumir o turno da noite. Os campos cobertos de neve dos dois lados da estrada são pinceladas fantasmagóricas de azul sob o luar; seus lábios azulados estão quase insensíveis pela hipotermia. A neve é tão espessa que encobre todos os vestígios de galhos espinhentos, que geralmente permeiam os campos e dão ao lugar uma falsa aparência de calma. Ele sempre se pergunta por que os vizinhos continuam vivendo nesse ponto tão ao extremo norte do Maine; solitário e frígido, um lugar difícil para a agricultura. O inverno reina durante metade do ano, forma pilhas de neve nos parapeitos das janelas e solta lufadas de vento enregelantes sobre a plantação.

Vez ou outra alguém realmente congela e, como Daryl é um dos poucos médicos da região, já presenciou a cena. Um bêbado ( o que mais há em Stock. Andrew) pegou no sono sobre a neve e, pela manhã, havia se tornado um picolé humano. Um menino, patinando sobre o rio Allagash, caiu em um buraco que se abriu quando passou pela camada mais fina do gelo. Às vezes, o corpo é encontrado na metade do caminho para o Canadá, no encontro do rio Allagash com o rio St. John.

Daryl estaciona a caminhonete em um lugar vazio da estacionamento do Hospital Municipal de Aroostook, desliga o motor é promete a si mesmo, mais uma vez, que se mudará de St. Andrew. Ele só tem que vender a fazenda de seus pais e, então, se mudará, ainda que não saiba exatamente para onde. Suspira, tira as chaves da ignição e se dirige à entrada da sala de emergência.

A enfermeira de plantão o comprimenta com a cabeça enquanto Daryl entra tirando as luvas. Ele pendura a parca no pequeno vestiário dos médicos e volta para a recepção. Lori diz:

—Shane ligou. Está trazendo um prisioneiro, quer que você dê uma olhada nele. Vai chegar a qualquer minuto.

—Motorista de caminhão?

Quando há problema, geralmente envolve um dos motoristas das empresas madeireiras. São famosos por ficar bêbados e provocar brigas no Blue Moon.

—Não.— Lori está absorta em algo que está fazendo no computador. A luz do monitor reflete em seus. óculos bifocais.

Daryl limpa a garganta querendo chamar a atenção dela.

—Quem é, então? Alguém daqui? —Daryl está cansado de costurar seus vizinhos. Parece que só os desajustados, bêbados e briguentos conseguiam tolerar aquela cidade miserável. Lori tira os olhos do monitor, cotovelo plantado no quadril.

—Não. Uma mulher. E também não é daqui.

Isso é incomum. Mulheres raramente são trazidas pela polícia, exceto quando são as vítimas. Algo diferente para se esperar está noite. Ele pega uma prancheta.

—Ok. Que mais temos aqui? —Daryl ouve mais ou menos enquanto Lori lista a atividade do turno anterior. Ele volta para o vestiário para esperar pelo xerife. Tinha sido uma noite bem movimentada, mas, agora, dez da noite, está tranquilo. Não consegue aguentar outro relatório sobre o casamento da filha de Lori, que está prestes a acontecer, um discurso interminável sobre o preço de vestidos de noiva, serviços de buffet e floristas.

—Diga a ela pra fugir com o noivo. — Daryl disse uma vez para Lori, que olhou como se tivesse declarado ser membro de uma organização terrorista.

—O casamento é o dia mais importante da vida de uma jovem. - Lori respondeu em um tom de zombaria. -Você não tem um osso romântico no seu corpo. Não é à toa que Carol se divorciou de você.

—Carol não se divorciou de mim; eu me divorciei dela.

Ele parou de explicar, pois ninguém lhe dá atenção. Daryl senta-se no sofá surrado do vestiário e tenta se distrair com um Sudoku. Mas não consegue e pensa no caminho para o hospital naquela noite, as casas pelas quais ele passará nas estradas desoladas, luzes solitárias queimando na noite. Como médico da cidade, não há segredos que Daryl não conheça; lembram a Daryl por que quer ir embora desta cidade: está cansado de saber os segredos dos outros e de que eles conheçam os seus.

Além disso, tem outra coisa, algo em que, ultimamente, ele pensa assim que pisa no hospital. Não faz muito tempo que sua mãe morreu e ele se lembra vividamente de quando a removeram para a chamada eufemisticamente de "ala de recuperação", para pacientes cujo fim está tão próximo que não vale a pena removê-los para o centro de reabilitação em Fort Kent. Ele sentou-se com ela aquela noite, sozinho, pois era tarde e os visitantes já tinham ido embora havia muito tempo. Quando ela tivera a última parada cardíaca, ele estava segurando a mão dela. Naquele momento, ela estava exausta e se mexeu só um pouquinho; então o aperto de mão se afrouxou e ela se foi tão silenciosamente quanto um pôr do sol ao anoitecer.

Coloca o Sudoku na mesinha e passa os dedos pelos cabelos. A porta que dá para o vestiário se abre numa fresta: é Lori.

—Shane está estacionando.

Daryl sai sem a parca, para que o frio o acorde. Observa Shane estacionar perto do meio-fio em uma grande SUV pintada de branco e uma discreta barra luminosa grudada no teto. Daryl conhece Shane desde garoto. Não estavam no mesmo ano escolar, mas o horário de algumas aulas coincidia na escola. Daryl olhava para aquela cara parecida com um furão, de olhos pequenos e brilhantes e um nariz quase sinistro, por mais de vinte anos.

Com as mãos enfiadas debaixo das axilas, para aquece-las, Daryl observa Shane abrir a porta de trás e pegar o braço de uma prisioneira. Está curioso para ver a fora da lei. Talvez seja uma mulher grande, de modos masculinos, com o rosto vermelho e lábios cortados. Então, fica surpreso ao ver que a  é pequena e jovem. Poderia se passar  uma adolescente. Esguia e de feições infantis, com um lindo rosto e uma vasta cabeleira loura encaracolada, cabelos de querubim.

Olhando para a mulher (garota?), Daryl sente uma estranha fisgada, um formigamento atrás dos olhos. Seu pulso acelera, parece que a conhece. Não sabe o nome, mas sente algo muito mais intenso. O que é? Daryl dá uma olhada com olhos semicerrados, estudando-a mais de perto. Será que já a viu em algum lugar antes? Não, ele percebe que está equivocado.

Enquanto Shane puxa a mulher pelo braço, as mãos amarradas com algemas de plástico, uma segunda viatura de polícia estaciona e um agente, Aaron , sai e acompanha a prisioneira para dentro da sala de emergência. Enquanto passam, Daryl vê que a camisa da prisioneira está encharcada, manchada de preto e exala um odor conhecido de ferro e sal, o cheiro de sangue.

Shane anda em direção a Daryl, apontando com a cabeça para o casal.

—Encontramos ela desse jeito, caminhando pela estrada em direção a Fort Kent.

—Sem casaco? Sem casaco nesse frio? Não pode estar vagando há muito tempo.

—Sim. Escute, preciso que você me diga se ela está machucada ou se posso levá-la de volta à delegacia e prende-la.

—Por que ela vai ser presa? Por não usar casaco com um frio desse?

Shane, desacostumado a ser motivo de piada, lança um olhar cortante a Daryl.

Daryl faz todos os procedimentos para examinar a prisioneira, mas mal consegue pensar por causa da estranha pulsação em sua cabeça. Acende uma pequena lanterna nos olhos dela (são do azul mais claro que já viu, como pedras de gelo) para ver se as pupilas estão dilatadas. Sua pele é viscosa, sua pulsação, baixa, e a respiração, irregular.

—Ela está pálida — diz para Shane, enquanto se afastam da maca à qual a prisioneira fora amarrada pelos pulsos. — Isso significa que ela está cianótica. Está entrando em choque.

—Ela está machucada? — pergunta Shane, desconfiado.

—Não necessariamente. Ela pode estar em estado de trauma psicológico. Pode ser de uma briga. Talvez de lutar com esse homem que ela diz que matou. Como sabe que não foi autodefesa?

Shane, com as mãos na cintura, olha para a prisioneira na maca como se pudesse descobrir a verdade só de olhar para ela. Muda seu peso de um pé para o outro.

—Não sabemos de nada... ela não disse muita coisa. Pode me dizer se está ferida? Porque se ela não estiver, vou levá-la...

—Tenho que tirar a camisa, limpar o sangue...

—Ande logo. Não posso ficar aqui a noite toda. Deixei Eugene na floresta procurando pelo corpo.

Mesmo com a lua cheia, a floresta era escura e vasta, e Daryl sabe que o agente Eugene tem poucas chances de encontrar, sozinho, um corpo.

—Então vá ajudar Eugene enquanto faço o exame...

—Não posso deixar a prisioneira aqui.

—Pelo amor de Deus! —Daryl diz, balançando levemente a cabeça na direção da mulher. —Acho difícil ela me dominar e fugir. Se está tão preocupado assim, diga para o Aaron ficar. —Os dois deram uma olhada rápida para Aaron. —Ele não será uma grande ajuda para você na floresta... Não vai acontecer nada. —Daryl disse, impaciente, dando as costas para o xerife como se o assunto já estivesse encerrado. Ele sente o olhar de Shane em suas costas, e este não sabe se deve argumentar com Daryl. E, então, o xerife se afasta, caminhando em direção as portas de correr.

—Fique aqui com a prisioneira! —ele grita para o Aaron enquanto enfia  na cabeça o chapéu pesado e revestido de pele. —Vou voltar para ajudar o Eugene. O idiota não é capaz de achar o próprio traseiro nem com um mapa.



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