História Last Heaven - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Palavras 3.508
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Enfim, mais um capítulo!
Bom, eu estava escrevendo, me dividindo ente FDI e BITD (não, eu não a abandonei T.T), mas me bateu uma inspiração forte para escrever esse cap. E acho que você vão me entender ao lê-lo.
Já adianto, dizendo que ele pode estar um pouco emocional, hehe. Mas isso vai de você. Espero mesmo que gostem!

Eu só vim postar e voltar a minha maratona de escrita, haha.
Afinal, já somos quase 200 seguidores!! <33
E obviamente, uma oneshot já está a caminho! <3
Isso, além dos caps das minhas outras fics, que eu já estou escrevendo. Quero me esforçar e att pelo menos mais uma cap de uma delas ainda essa semana! Por isso, me aguardem, por favor <3

Boa leitura! <3

Capítulo 7 - Remembering


Sabe aquele momento em que a pergunta que fazem para você é tão aleatória, que sua mente demora um pouco para captar o indagação?

O que você fez para ser exilado?

Aquele anjo estava se mostrando mestre nisso.

-Por que uma perguntas dessas de repente? - Indaguei um pouco divertido, indo em direção à cozinha. Precisava preparar algo para comer e ir trabalhar, mesmo que Jungkook ainda tenha vindo com algo tão do nada.

-Porque eu…..- O maior me seguiu, sentando no banco do balcão da cozinha. Percebi seu olhar abaixar, e parte de seu cabelo enorme cobrir seu rosto. - Estou curioso….

 

Tão honesto.

 

E antes que eu pudesse notar, já estava rindo enquanto pegava as penelas.

-Por que está rindo? - Me perguntou o moreno, em um misto de confusão.

-Ora porque, você é honesto demais. - Continuei, depositando as coisas no balcão.

-Você diz como se honestidade fosse algo ruim.

-Eu não. - Respondi. - É só que até aqui no mundo dos humanos, ela já é uma qualidade em extinção. Ou quem as tem, tem em excesso.

-Oh...mas isso ainda é ruim? - Perguntou.

-...não. Acho que no fim, combina bem com você. - Terminei o assunto ali, voltando a separar os ingredientes para alguma janta bem simples. Eu ainda teria que aprender a cozinhar pelo jeito, ou nós dois acabaríamos morrendo de fome.

E por que eu estou sendo tão atencioso assim mesmo?

-Hm...Jimin?

-O que foi?

-.....Por que você foi? - Novamente a indagação.

-Por que quer saber? - Perguntei, analisando suas feições. -É só curiosidade mesmo? Ou está querendo me analisar de alguma forma?

-Não! Eu….-seu rosto se abaixou. - Eu quero mesmo saber...por que alguém como você foi expulso do inferno. Não me parece alguém mal. - Acabei rindo baixinho novamente. - O que foi? Disse algo errado? - Perguntou receoso.

-Não. Na verdade, você disse o certo. - Peguei a colher para mexer na panela.

-Como?

-”Não me parece alguém mal”...em parte, foi isso o que me disseram. Não exatamente nessas palavras. Não….foi algo bem mais rude e humilhante, mas ainda sim.

-Não entendo.

-Hm…Venha. Terminei o macarrão. - Disse, em parte rindo de mim mesmo por meus dotes culinários negativos. Peguei dois pratos e dessa vez, Jungkook se ofereceu logo a ajudar, mesmo que eu tenha ficado um pouco desconfiado por ele ser tão desastrado

Rumamos em silêncio para a sala, para a mesa de centro, onde desde quando o anjo chegou, havia se tornado nossa mesinha de jantar. Colocamos os pratos ali, e logo começamos a comer. Jungkook ainda com as mãos, pois não tive tempo para ensiná-lo nada praticamente.

-Sabe….- Comecei, quebrando o silêncio calmo, ganhando total atenção do outro. - Eu era uma espécie de…..como os humanos chamavam onde eu trabalhava? - Tentei puxar a memória. - Ah, um deus da morte.

-Um deus de morte? - Indagou o moreno surpreso.

-É o que os humanos nos chamam. - Respondi, um pouco divertido. - Na verdade, eu fazia parte dos demônios que coletavam almas humanas.

-Oh, o céu também tem...um departamento como esse….- Disse, por fim abaixando a cabeça. Provavelmente qualquer menção, por menor que fosse, à seu antigo mundo, ainda o magoava muito.

-Enfim…-cocei a garganta, tentando tirá-lo da melancolia repentina. - Sim, tanto o céu quanto o inferno possui um departamento desse. Os anjos coletam as boas….e os demônios, as ruins. Eu era responsável por coletar as ruins. As piores entre as piores na verdade. - Continuei, voltando, depois de anos, as minhas memórias dessa época. - Eu costumava coletar aquelas cuja a salvação já era impossível.

-Mas….a salvação...pode ser possível. - Ouvi seu comentário baixo, ainda que triste. Provavelmente, deve ter dito isso para si, embora eu não tivesse entendido. Ainda assim, não quis perguntar, não agora, com medo de ele voltar a chorar ou algo do tipo. Ele havia me perguntado, e agora, quem sabe, depois de tantos anos, eu quisesse contar para alguém a minha história.

-Sabe….eu nunca, em toda minha vida como demônio e como coletor de almas, pensei em alguma coisa enquanto trabalhava.

-O que quer dizer?

-....questionar. - Disse, ganhando um olhar confuso. - Questionar foi o que me fez ser expulso.

Um silêncio breve se instalou. Por minha parte, por ainda estar em lembranças, e pela parte alheia, provavelmente por tentar buscar alguma lógica no que eu disse.

-Mas…- o interrompi.

-Eu coletava almas, dia após dia, noite após noite. Não me divertia no inferno para falar a verdade. Acho que...talvez sempre fui diferente...desde o começo. - Olhei para a janela. - Mas enfim...eu as coletava, o máximo que podia. Não sei ao certo o porquê, mas eu gostava de ser eficiente em meu trabalho, e eu notava que os maiores em seus departamentos assim eram pois sempre acatavam suas ordens e tarefas, sem nunca recusarem, falharem, ou se perguntarem o porquê daquilo. - Peguei parte de minha comida, antes que ela ficasse fria. - Então...assim eu o fiz por muitos anos, mas embora ainda fosse um tanto jovem a época, quando eu menos percebi, comecei a me perguntar sobre o que eu fazia.

-...como assim?

-Hm…o que torna uma alma ruim? - Olhei para ele fixamente. - Era isso o que eu me perguntava.

-O modo de vida do humano, suas atitudes, seus pecados. Várias coisas. - O anjo me respondeu com propriedade. E claro, ele estava certo disso.

-Foi isso o que me ensinaram também. Meu pai, na verdade.

-Ele era um..?

-Sim, eu segui o mesmo caminho de meu pai.

-Mas…..pelo que eu sei…- Continuou falando, cautelosamente. Eu já até imaginava o que ele diria, mas, como já percebi, me divertia o vendo todo cauteloso assim. - Os demônios igual à você e seu pai são…....

-Feios? Asquerosos? Com aparência repugnante? - Perguntei, ganhando um olhar “assustado” do outro.

-E-eu não, eu não.

-Tudo bem. - Respondi, interrompendo seu pequeno ataque de, seja lá o que tenha sido. - Você está certo, na verdade. - Continuei, olhando-o. - Meu pai era de longe, muito feio se você quer saber. - disse, divertido, começando a relembrar sua aparência. - Sua pele era toda cinza e esverdeada. Me lembrava algo podre na verdade. Seus olhos pareciam dois buracos enormes, já que não havia globos oculares, apenas escorriam algum tipo de líquido esquisito dali, algo parecido com sangue seco. Acima deles, um cabelo sujo e desgrenhado os cobria parcialmente. Sua boca era em parte rasgada, deixando alguns dentes salientes e mais afiados para fora. Suas asas, pretas e toda falhada. Seu corpo era magro beirando a imagem de um doente, e suas mãos grandes e com unhas compridas, davam o ar final ao de um morto. Isso sem falar em seu cheiro característico, ou sua voz horrível. Se competência fosse definida por feiura, ele seria de longe o melhor ali. Talvez até melhor que o próprio diabo. - Respondi, rindo um pouco da comparação. Mas era a verdade.

-Mas….- novamente o ouvi falando. - Você….não é nada disso. - Respondeu, olhando para mim ao final.

-Minha mãe era...ou melhor, é uma succubus...mas eu, não sei, não puxei os dons dela. - Respondi, cruzando os braços atrás da cabeça. - Pelo menos ela me evitou de ser horroroso daquela maneira.

-É…

-O que disse?

-N-nada.

-Mas….eu ainda podia me transformar. Digo, eu conseguia aparentar uma forma parecida com a do meu pai, embora essa não me ficasse permanentemente. Eu disse antes que não herdei os dons de minha mãe, por isso, fiquei no departamento de meu pai. Mas…. ainda assim, eu não era muito respeitado.

-Hm?

-Ora….dentre um covil de demônios horrorosos e asquerosos, alguém com uma aparência simples como eu, era motivo de repúdio, vamos dizer, por mais irônico que isso possa soar. - Relembrava as memórias. - Ainda assim, eu me mantinha em meu canto. Nunca tive vontade de me socializar mesmo. - Continuei. - Mas enfim, meu pai também era um coletor de almas, um dos mais importantes, e como eu disse antes, seguia todas as ordens, sendo um dos mais eficientes. - Voltei a olhar para a janela. - Mas...ainda assim, eu comecei a me questionar com certos casos, embora nunca tenha deixado de cumprir uma ordem ou tarefa…...até aquele dia.

-...O que aconteceu? - Me perguntou cauteloso, como sempre.

-Eu questionei, como disse. - Deixei minha cabeça cair para trás, a apoiando no sofá. - Em uma noite que sai para coletar, me deram a descrição da alma que eu pegaria. No caso, uma mulher drogada, a beira de um coma. - Soltei o ar lentamente. - Mais uma alma, mais um trabalho. Eu faria como fazia desde o começo. - Voltei a erguer minha cabeça, olhando-o novamente, percebendo seus olhos atentos. - Então, eu fui. Lembro que fui para o Japão, como os humanos chamavam. Era o começo do século passado. Pelo que você me disse, não teve contato com os mundo dos humanos, mas posso dizer que naquela época, uma profissão famosa neste país era o das geishas.

-O que elas faziam?

-Hm, em tese, eram “praticantes da arte”, como o nome sugeria. Eram acompanhantes em reuniões de políticos ou empresários importantes. Elas alegravam o ambiente, bem como divertiam os senhores ricos com música, graça e beleza.

-...-

-Bem, isso é a parte superficial, digamos. Acho que até você tem noção do quão sujo pode ser algo por baixo dos panos.

-.....eu...sei….-

-Claro, havia as verdadeiras geishas, as verdadeiras artistas e acompanhantes. Mas havia também, aquelas que utilizavam desse nome tão intrigante para se aproveitar e vender o próprio corpo, dentre um mundo sujo de perversão e drogas. Essa eram as prostitutas.

-Vender o próprio corpo? Isso é horrível. - Disse com claro espanto.

-Você sabe o que isso significa? - Perguntei surpreso. - Você não sabia beber água, mas sabe de algo como isso?

-Claro que sei! - Respondeu rápido, me surpreendendo. Admito. - E é algo terrível aos...olhos do...céu. - Toda vez que ele tocava em um assunto parecido, seu semblante se entristecia. Por isso, puxei a conversa para mim novamente.

-Enfim….havia aquelas que se aproveitavam o nome da profissão. E a alma que eu coletaria era justamente uma dessas mulheres. Assim, cheguei onde eu deveria. - Respirei, lembrando do ponto crucial de minhas lembranças.

 

Sentindo a presença da alma que eu coletaria, segui rumo a um beco entre aquele bairro sujo, desviando das poças de água insalubre e lixos espalhados pelo chão. E conforme eu adentrava a viela, mais escura e fétida ela ficava. Não que eu reclamasse, afinal, o inferno nunca me foi cheiroso. Nem muito bonito também.

-Hm...-

Ouvi um lamúrio, e sentindo a presença de meu objetivo, dobrei o corredor, logo me deparando com que eu procurava.

Uma mulher, aquela mulher que eu levaria.

Ela estava jogada ao chão, com os olhos fechados e respiração fraca, escorada com metade das costas na parede suja e pegajosa com substâncias provavelmente duvidosas. Seus cabelos sujos e bagunçados pelo rosto e corpo, continham pedaços de lixo e raspas de tinta da parede. Seu corpo era magro, muito magro. Doente, com certeza. Seus ossos eram um tanto aparentes pela parte que o kimono deixava a aparecer. Suas pernas jogadas ao chão, davam uma aparência de morte ali. Talvez ninguém tivesse feito algo ali justamente por isso.

Olhei para seu pulso, uma das partes descobertas pelo tecido do Kimono, e notei ali, alguns furinhos em sua pele, contornados por marcas roxas. Além de tudo ela se drogava também. A alma dela nem mais cor tinha. Era de um preto imundo, tão ou mais imundo do que a viela em que se encontrava jogada agora.

Era uma maldita digna de pena, diria eu.

E tão logo cheguei e parei para observar, me senti indo em sua direção, pronto para terminar meu trabalho. Era só mais um, afinal.

Mas foi eu chegar perto que percebi outra presença ali. Uma outra presença, silenciosa, pequena…

Pura.

A princípio eu não entendi. Primeiro porque eu não percebi ninguém em nossa volta. Não havia sinal de alguma outra pessoa por ali. E segundo porque, uma presença tão pura, jamais estaria ali. Era algo tão leve que eu julgo nunca ter sentido. Nem as pessoas boas, como nós chamávamos, tinham essa presença tão….bonita?

-Hm…- Outro lamúrio me despertou de meus devaneios. Olhei para baixo, vendo a mulher logo perto de meus pés. - Quem é...você?

Me assustei. Normalmente não nos viam assim. Ela estava me vendo mesmo….ou era um efeito das drogas que estava a matando lentamente, e só esperando que eu desse o golpe final?

Observei-a  tentar erguer o corpo, sem sucesso. Sua mão trêmula foi até seu ventre, apertando-o, e só então eu baixei meu olhar para lá. Só agora entendendo o que acontecia ali. A presença pura vinha dali.

Ela estava grávida.

Eu havia sido mandado para buscar uma alma podre e sem salvação, mas junto dela havia também uma alma inocente e pura. Não me falaram sobre isso!

-Moço…? - A percebi tentar erguer a mão em minha direção. Em reflexo, afastei meu corpo, ainda observando a cena em minha frente, perdido sobre o que faria.

Eu sabia que deveria levá-la comigo. Era meu dever e minhas ordens. Mas ao mesmo tempo, por mais demônio que eu fosse, não achava certo levar também uma alma tão pura para as profundezas do inferno.

Eu a levaria ou não? Sim ou não?

-Moço...por favor…- A olhei novamente. Ela mantinha os olhos sobre mim, ainda com as mãos apertando o ventre. Suas pernas se juntaram devagar, e eu percebia seu corpo começar a tremer. Estava claramente me vendo ali, mesmo sem eu entender o porquê.

Eu faria isso? Eu só poderia estar em um acesso de loucura também. Mas no fim, eu decidi.

 

Eu faria. Só dessa vez.

 

Aproveitaria da oportunidade estranha dela poder me ver. Abaixei meu corpo, sentindo meu corpo se transformar aos poucos. Logo meus braços aumentaram o tamanho, bem como meu tronco, ficando mais magro e escuro. Minhas mãos cresceram garras, e meus olhos, diferente do meu pai, existiam, mas num tom preto profundo. Meus dentes ficaram visíveis, indo para baixo de meu lábio inferior. Minhas asas negras se abriram, tampando a visão dela para qualquer coisa atrás de nós. Estávamos só eu e ela ali.

Me deixei aproximar com minha forma e imagem demoníaca perto da mulher, que quando me percebeu recuou um pouco o corpo. Mas eu fui mais rápido. Ergui seu corpo, o deixando reto, e ganhando o vômito alheio em meus braços.

Mas sem ligar realmente, ainda concentrado no que eu faria, com minhas mãos, agarrei sua cabeça e a prendi entre a parede, forçando a um estado de quase desmaio. Não que ela estivesse muito consciente ali, mas assim julguei ser melhor.

-O-o que-

-Escute! - Disse, deixando minha voz horrível sair junto, fazendo com que a mulher quase em coma ali, ainda pudesse me ter o mínimo de atenção. - Escute bem. - Disse, apertando um pouco seu pescoço, sentindo os braços fracos e gelados dela indo em direção aos meus sujos. - Saiba que eu só estou poupando sua alma imunda agora, por causa da vida que você carrega dentro de seu ventre. Embora você não mereça, essa criança é inocente de toda essa sujeira que você vive. - Continuei, deixando meus dentes bem a mostra, e colocando meus olhos negros à altura dos seus quase mortos. - Estou lhe dando uma segunda chance, que você não merece. E só por causa dele - Apontei para sua barriga. - Agora saiba, que seu eu não notar sua alma diferente quando eu voltar à terra, virei eu mesmo buscar sua alma. E da próxima vez, eu não serei tão misericordioso assim. - A soltei no colchão, percebendo seu olhar estático sobre mim, para então, desmaiar.

Ainda meio perdido no que eu tinha acabado de fazer, me levantei, ainda transformado e fui em direção à saída da viela. Ninguém poderia me ver, em tese, já que a mulher havia acabado de fazer isso. Ainda assim, eu me arriscaria.

Droga! Eu faria mesmo isso. De novo.

Saí e quando cheguei à calçada, pude observar um grupo de mulheres, passando por ali. Provavelmente outras prostitutas. Usei de meus poderes e movimentei a placa perto da entrada da viela.

-O que foi isso? -Uma comentou, olhando assustada para minha direção, embora não me visse realmente.

-Isso o que?

-A placa...mexeu sozinha…

-Ora, n-não brinque com essas coisas...ainda mais essa hora da madrugada. - Uma terceira comentou. - Deve ter sido sua imaginação.

-Tem razão. Vamos embora.

 

Malditos humanos medrosos!

 

E antes que eu pudesse pensar, fiz um saco de lixo dentro da viela cair, causando um estrondo um pouco maior devido as garrafas dentro.

-Ouviram agora, não foi?! - A que ouviu primeiro perguntou. - Veio da viela!

“Ajuda.” Proferi, imitando a voz da mulher na viela.

-Parece que tem alguém lá! - Uma delas forçou a visão. - Tem mesmo!

-O que? - Disse a outra, já sendo arrastada junta da primeira. Logo todas entraram ali.

-Uma mulher desmaiada! Meu Deus!

 

“Meu deus....” Que irônico.

Quando notei que elas já carregavam a infeliz para fora, me permitir sair dali. E eu saí  finalmente,abrindo minhas asas e passando pelas construções.

Não queria confusões sobre mim, ou qualquer fala ali naquela cidade sobre alguma aparição sobrenatural na viela. Mas mais ainda, eu não queria pensar mesmo na loucura que eu havia acabado de cometer.

Eu havia descumprido minhas ordens. Embora não me parecesse certo, ainda sim, eu não as cumpri.

Eu só esperava que não me desse algo errado.

 

-Foi isso. - Terminei minha narração, recebendo apenas um silêncio e olhos abertos do moreno ao meu lado. O jantar totalmente frio e esquecido sobre a mesa.

-I-isso? - Balbuciou. - E o que aconteceu depois?

-Bem...já deve imaginar. - Disse, me lembrando da segunda parte de tudo isso. - Eu voltei ao inferno e fui ridicularizado. Os outros demônios, até mesmo meu pai, disseram que eu deveria acatar as ordens dos superiores sem questionar absolutamente nada. Nós somos demônios afinal, foi o que disseram. E para piorar, me ridicularizaram por ter misericórdia sobre uma prostituta barata por causa da vida boba em seu ventre. - Disse, percebendo seu semblante fechar.

-Mas, isso é horrível! Não foi justo com você!

-Bem vindo ao inferno. - Brinquei, dando de ombros. - Por fim, todos ali me condenaram. Meu próprio pai arrancou minhas asas. Retiraram meus poderes, a maior parte deles e me jogaram no mundo humano. Isso foi….em uma época fria, parecida com essa agora. -E outro silêncio se instalou.

-Eu...sinto muito…-silabou.

-Como é? - Perguntei confuso.

-O que fizeram com você…-Seu olhar já não encontrava o meu. - Foi muito cruel...ainda mais por você ter sido tão bom. - Seus braços abraçaram o próprio corpo suavemente.

-Te entendo. Ninguém espera algo assim de um demônio. - Respondo, rindo um pouco. - Tudo bem.

-Não é só isso! Eu...acho que o mundo é...mais surpreendente do que eu imaginei.

-Isso é.

-E….- o anjo continuou. - Você foi atrás da mulher depois?

-Hm….não. - O moreno me olhou surpreso. - Na verdade, eu nunca mais a vi desde então.

-Mas você nunca foi atrás dela? Para saber se-

-Se o que eu fiz foi em vão? Bom...acho que parte de eu não ter ido vê-la foi...justamente por isso. Minha mente fica mais tranquila em não saber o final disso tudo. - Respondi, ganhando um olhar um tanto incrédulo. - E também, isso já tem muitos anos. Não me incomoda mais realmente.

-Não acredito…

-O que?

-Nada.

-Hm...você tem essa mania de cochichar. - Digo, levando então meu olhar até o relógio. - Preciso me arrumar.

-O que?

-A hora. - Aponto para o relógio, me levantando e pegando os pratos sujos dali. - Preciso me arrumar para o trabalho. - Deixei a louça de qualquer jeito na pia. - Eu vou tomar banho. Fique na sala se quiser. - E adentrei rápido meu quarto.

Peguei minhas roupas e adentrei o banheiro, já deixando tudo certo para quando saísse do banho. Eu precisaria tomá-lo rápido, pois nossa conversa na sala durou mais do que eu imaginava.

 

………

 

-Estou saindo. - Avisei o anjo que estava na sala, mexendo estranhamente em um dos livros. Eu até perguntaria, mas devido meu horário apertado, apenas avisei de minha retirada.

-Vá com- se interrompeu. - com segurança…- Disse por último.

-Tudo bem. - Ri abertamente com sua preocupação boba. - Até amanhã. - E fechei a porta.

O clima já costumeiro e gelado, entrou logo em contato com minhas bochechas. Comecei então, a rumar meu caminho cotidiano, até a boate.

E enquanto isso, deixei minha mente voltar as lembranças que há tanto tempo eu havia guardado.

Não que me machucasse ou algo do tipo. Mas ainda sim, não poderia negar que tudo o que ocorreu, eu jamais esqueceria. E depois de tantos anos, eu contei essa minha história logo para um anjo.

Um anjo igualmente gentil e desastrado.


Notas Finais


E então gente?! O que acharam da história do Jimin?!
Alguém chegou perto com alguma teoria ou eu surpreendi geral? haushausahs.
Acho que eu já surprendi alguns justamente por já revelar uma história assim de repente, haha. Mas sabem como é: Eu adoro ser imprevisível, haha.
Espero que tenham gostado!

E até o próximo capítulo! <3


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