História Last Heaven - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Personagens Originais, Reita, Ruki, Uruha
Tags Amizade, Aoiha, Asperger, Bromance, Céu, Estrelas, Galaxia, Reituki, Soldado
Visualizações 77
Palavras 3.587
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi manas <3
Mais uma capítulo da minha nenê pra vocês, não tenho muito o que dizer essa vez, mas DESCULPEM EU SER LERDA E AINDA NÃO TER RESPONDIDO OS COMENTÁRIOS AAA ;;
essa semana vou conseguir colocar minha vida em ordem, juro <3 ;-;

Obrigada a todas que vem acompanhando! <3
Boa leitura!

Capítulo 5 - Fifth - Orion Nebula


Fanfic / Fanfiction Last Heaven - Capítulo 5 - Fifth - Orion Nebula

 

Fifth – Orion Nebula

“Eu sou instável. Eu sou a cor de um estrondo."
.

Mais uma vez Suzuki Akira havia perdido o controle em menos de uma semana, as coisas estavam ficando seriamente preocupantes, pois, nem os seguranças conseguiam deter o ex militar quando este começava com os violentos ataques. Aconteceu novamente no refeitório quando o mesmo rapaz da primeira vez chamou o jovem Takanori de aberração, quando o baixinho entrou junto com os outros internos para almoçar.

O próprio Takanori não se importou quando ouviu a ofensa, tão somente pegou sua bandeja de comida contendo peixe e algas e foi sentar-se na mesa afastada, contudo, assim que Akira aproximou-se de Takano, sua bandeja vazia atingiu o rosto do ofensor, atirando-o no chão logo em seguida, e os golpes apenas aumentaram. Sua visão havia melhorado consideravelmente em uma semana e em vista disso, seus golpes também haviam melhorado. Ele estava mais esperto, mais atento e por consequência, mais forte.

Novamente, se viu “de castigo” na enfermaria durante 1 semana, ouvindo as broncas de Kouyou e apenas o olhar cansado de Yuu quando fazia os exames. Durante esses dias, não viu Takanori.

Quando finalmente pôde voltar a seu quarto, no qual já estava sentindo falta por causa das conversas noturnas com Taka através da parede, ou de contar os passos até o quarto do menor, de conversarem sobre qualquer coisa que viesse a mente de Matsumoto.

Suspirou, e se levantando da cama onde estava sentado, caminhou até a porta, saindo do quarto e contando os passos. Mesmo que sua visão estivesse um pouco melhor do que o escuro, ainda eram borrões. Mas pelo menos conseguia identificar cores agora. Mais ou menos.

Batendo na porta com a sequência de Fibonacci, viu quando a porta abriu devagarinho. Mas quem viu não foi Takanori, e sim Kouyou.

- Takanori está bem? – Foi a primeira coisa que perguntou. Da última vez que Kouyou esteve no quarto de Taka, foi porque o menor disse que estava queimando. O que poderia ter acontecido?

- É melhor voltar mais tarde, Suzuki. 

- O que houve? 

- Volte mais tarde. – Ele ia fechar a porta quando a voz de Takanori se fez presente.

- Akira? – O menor murmurava baixinho.

Kouyou suspirou quando abriu a porta para Akira entrar. Pelo pouco que conseguia distinguir, viu o menor sentado na cama. Ele usava uma blusa azul, os cabelos castanhos bagunçados.

- Taka... 

- Eu estava estudando sobre o Pi. – Ele se levantava. – Lembra dos cientistas que diziam ter encontrado o final de Pi? Matematicamente falando, isso é impossível e eu-

Matsumoto parou, então piscou, olhando para Akira. Esse mal viu quando se aproximou o suficiente para segurar o braço dele de leve. Assim, conseguia ver a cor em seus olhos, quase mel. Sua visão se limitava somente a ele, mas o azul que contrastava em todo quarto era sufocante.

- Você não quer ouvir sobre o Pi. 

- Você disse que não gostava de azul. 

- Que? 

- Azul. Você disse que não gostava de azul. Porque seu quarto tem tanto azul então? 

Pelo menos os borrões eram cores agora, e constatou o quanto de azul tinha no quarto ao entrar. Os lençóis, o travesseiro, o tapete, os moveis. Tudo era ou tinha azul.

Takanori continuou em silêncio, então deu de ombros.

- Deveria colocar mais rosa aqui. – Sorriu de leve para o menor. 

- Mais rosa. – Ele sorriu com um suspiro. 

- Você quer falar sobre o Pi? 

Taka pensou, então balançou a cabeça. Lentamente se soltou dele, caminhando até um pequeno rádio que tinha em cima de uma cômoda junto com os livros. Ao liga-lo, começou a tocar Heroes, e Akira reconheceu a voz de Bowie porque era uma das músicas que mais ouviam no acampamento durante a guerra.

Um consolo no meio daquela confusão.

- Você gosta de Bowie? 

- E Elvis. – Taka riu baixo. Akira sorriu. 

Cada dia que passava, aquele baixinho lhe surpreendia de formas diferentes. Então, se aproximou, vendo-o procurar algo no meio dos livros, lendo distraidamente enquanto a música ecoava pelo quarto.

Ficaram em silêncio. Taka lendo em um canto, e Akira o observando da cama. Então começou outra música. Uma batida no baixo, animada. Akira se aproximou do menor.

- Você dança? – Perguntou, vendo Taka se virar para o olhar. Então ele negou.

A música começava com um vocal baixo. Segurando a mão de Takanori, o puxou para o meio do quarto. O rosto do menor corou fortemente enquanto percebia o que Akira estava fazendo.

- E-eu... Não sei dançar... – Murmurou, as borboletas em seu estômago se debatiam. Akira sorriu. 

- Eu também não. 

Então, o maior começou a girar com ele, dançando em passos enrolados e animados, acompanhando a música. Quando Taka notou, ria com o mais velho, girando e pulando ao som da música.

Depois de alguns segundos, ambos estavam dançando em ritmo desordenado, cada um do seu jeito, porém ainda sim animado, risadas e alguns gritos animados rolavam pelo cômodo. Takanori erguia os braços, com os olhos fechados, Akira somente notava o borrão azul de sua blusa girando.

Lembrou então das bailarinas dançando no céu vasto, quase não havia diferença. Tudo nesse mundo era uma dança, porém cada uma de sua forma, de sua maneira, do seu ritmo.

Na noite da chuva de meteoros, a interpretação de Takanori sobre os meteoritos, deram a Akira uma nova visão do mundo. E naquele momento, vendo o baixinho dançar tão solto e despreocupadamente, o fez enxerga-lo pela primeira vez como o menino que era.

Somente um menino.

Takanori era mais do que só um menino.

O sentimento que os cercava também era relativamente novo para ambos. Amizade. Akira nunca foi adepto a muitas amizades, pois seu temperamento explosivo sempre, sempre acabava falando mais alto. Contudo, com Takanori nasceu uma paciência maior do que ele próprio. E já Takanori, bem, ele via o mundo de uma forma diferente demais para explicar para qualquer um, e isso acabava o mantendo longe de tudo. Inclusive de si mesmo.

Contudo, enquanto dançavam ali despreocupadamente em passos irregulares, braços e pernas se jogando ao ar sem o menor ritmo, embora isso pouco lhes importasse, enquanto os risos frouxos deixavam os lábios e ecoavam pelo quarto azul, Akira sentiu que não havia lugar na terra em que desejasse estar, se não ali.

E gostava daquilo.

**

- Como está o céu hoje? – o loiro perguntou baixo, assim que ambos se deitaram na grama macia do jardim do hospital.

Já era noite, pelo horário, os pacientes tinham um tempo livre para andar no gramado até o os portões se fecharem, como o ambiente era bem iluminado, muitos deles se sentavam na grama para conversar, ler ou quem sabe até tocar algum instrumento. Takanori e Akira por outro lado, sempre se deitavam e olhavam o céu juntos. Mesmo que Akira ainda não estivesse com sua visão totalmente restaurada, porém o mais interessante de olhar o céu, era a forma como Takanori o descrevia.

- Hoje tem um manto negro chapiscado de pontinhos brancos e brilhantes, igual quando respingamos tinta na parede, sabe. – o menor comentou. – TÁ bem bonito. Eu queria que você pudesse ver.

- Em breve eu vou poder. – Akira sorriu e Takanori o olhou depressa.

Como? A realidade atingiu Takanori como um tapa. Esqueceu-se completamente que a cegueira de Akira era temporária e logo ele poderia ver seu rosto. Logo ele poderia ver as coisas como elas realmente eram.

As marcas de Takanori.

Ele não poderia arranca-las dali.

O menor engoliu em seco, respirando profundamente em seguida, calando-se completamente.

- Taka? Você está ai?

- Tô. – a resposta veio quase um minuto depois. 

- Que foi? 

- Nada. – levantou-se. – Preciso ir. 

- Mas acabamos de chegar. – o loiro ergueu o cenho. 

- Eu preciso ir. – frisou. Levantou-se e sem dizer palavra alguma saiu. 

Akira permaneceu ali na grama, agora sentado, não sabendo muito bem qual o rumo que Takanori havia tomado, uma vez que o ambiente estava meio escuro, via somente um ponto azul turquesa se afastando. Aos poucos, as pessoas ao redor começaram a se afastar também. Os sonos foram diminuindo, até que o único barulho que reinasse no lugar fosse somente os dos animais da noite.

Lembrou-se do Afeganistão, as missões que faziam no campo durante a noite, contudo, não havia nem sons de insetos, até os animais sabiam o quão mal uma guerra fazia. Respirou profundamente e se levantou, seguindo o ponto claro da entrada do hospital.

**

“Taka?” – Bateu na parede pela terceira vez na madrugada.

E pela terceira vez consecutiva, não houve qualquer resposta. Estava preocupado, pois, desde a hora que voltara do jardim não recebeu qualquer sinal de vida do menorzinho. E durante esse meio tempo, dedicou-se a estudar o mapa em braile que ganhara. Queria que Takanori aparecesse para poder contar-lhe o que tinha aprendido.

Mas, nenhum um sinal.

E agora, estava ali sentado olhando a parede branca a quase uma hora, batendo os nós dos dedos sem sequer uma resposta do outro lado. A bem da verdade, Akira nunca imaginou que em algum momento de sua vida se tornaria dependente da amizade de alguém. Até porque por seu temperamento explosivo não conseguia se manter com ninguém, e isso incluía relacionamentos amorosos também.

Tentou mais uma vez, e como já esperava, não houve resposta.

Isso, o fez tomar coragem e levantar, vestir a blusa vermelha do pijama e ir até o quarto ao lado. Precisava ao menos saber se ele ainda estava ali. Contou vinte e cinco e passos e bateu na porta com a sequência de Fibonacci.

0, 1,1,2,3,5,8...

Quando a porta se abriu assustou-se ao ver dois vultos estranhos aparecerem.

- Suzuki. – a voz de Takashima fez algo em seu peito apertar. – O que faz fora da cama a essa hora?

Ao seu lado estava do Doutor Shiroyama, este não disse nada ao passar para seu lado. Era o jeito dele, alguns o chamavam de frio, porém, ele só era sereno e calmo demais.

- Cadê o Taka? – perguntou, tentando olhar para dentro, porém falhando miseravelmente ao perceber que sua visão não tinha serventia.

- Volte para o quarto. – o enfermeiro disse, firme. 

- Eu quero ver o Taka. – Akira disparou. 

- Não  posso  permitir.  – Takashima  cruzou  os  braços  e  bloqueou  a entrada, seus cenhos erguidos, puramente profissional. E mesmo que Akira se alterasse ali, era homem o bastante para tentar pará-lo.

- Kou-chan...? Quem tá ai? – a voz grave, porém trêmula de Takanori chamou atenção dos três ali presentes.

- Ninguém Taka, já estamos saindo. – Takashima respondeu. 

- Tá... – ouviram apenas um farfalhar de lençóis. 

- Volta pro seu quarto, ele não ta nada bem e não quer ver ninguém. – Kouyou o advertiu, fazendo Akira sentir-se completamente ofendido. 

Como assim Takanori não queria ver ninguém?

- Takashima, deixa o Suzuki entrar. – Shiroyama partiu o silêncio, havia em sua voz um certo tom de preocupação. – Talvez seja isso que o Matsumoto precise.

- Mas doutor eu- 

- Deixe-o entrar. Ele já está medicado. 

Com um longo suspiro, Takashima desbloqueou a passagem, saindo dali com o doutor ao seu lado, sem falar uma única palavra. Era óbvio que estava preocupado com Takanori, não queria vê-lo de novo como a estava a alguns minutos atrás. Contudo, sabia que a única forma de fazer o baixinho melhorar era com a presença do ex-militar.

Akira entrou no quarto, acostumado com a escuridão, ele já sabia onde ficava cada móvel, então movendo as mãos para se situar, achou a cama do menor e sentou-se ali. Houve um longo silêncio.

Onde o único som que se ouvia eram os leves gemidos de dor de Takanori.

Quando esteve no Afeganistão presenciou com os mesmos olhos que agora não serviam para muita coisa, presenciou mortes, vida, ele mesmo esteve diante da própria morte, contudo, mesmo tendo tido tantas experiências diretas assim, jamais sentiu em seu peito um aperto tão sufocante como o que sentia com o som da voz de Takanori com dor.

Dor.

O que poderia lhe doer tanto a ponto de fazê-lo pedir clemência?

Abriu a boca algumas vezes, mas sua própria voz não saiu. Não sabia por onde começar, não sabia o que dizer. Sua maldita arvore genealógica o ensinara a primeiro bater e depois perguntar, mas não era assim que funcionava com o Takanori.

Passou a mão na cama, notando que ali havia um espaço, então sem ao menos perguntar nada se deitou.

Takanori abriu os olhos deparando-se com o rosto de Akira bem de frente ao seu. Bem próximo, quase colado, as respirações até se chocavam.

- Os matemáticos da Todai disseram que o valor de Pí é um cálculo finito.  – o menor começou, fechou os olhos, sua voz era trêmula ainda. – Mas é infinito, quando os números começam, eles não terminam mais, é como se você entrasse em vários universos, um atrás do outro, seguindo pra sempre. E logo você percebe que o Pí, não é um cálculo, ele é um nome, ele é alguém, mas ninguém entende o Pí. O Pí nasceu numa família que era considerada perfeita, filho único, doce e gentil, mas o pequeno Pí não sabia nem seu próprio nome... Não sabia o que fazer. Quando fechava os olhos, o Pí só pensava nos números. Então sabe o que ele fazia?

- O que, Taka? 

- Ele calculava. – uma lágrima solitária correu pela face clarinha. – O Pí era só uma criança assustada que tinha que conviver com os números. Por que ninguém entende os números do Pí? 

- O que aconteceu com o Pí? 

- Ele percebeu que ninguém se importava, que os números jamais o abandonariam, e numa noite fria, o Pí desejou a morte. Colocou fogo na casa.

Akira engoliu em seco.

- Mas o Pí não conseguiu morrer. – outra lágrima. – Hoje ele carregava cicatrizes nos braços e no rosto. – sua mão trêmula e suada pegou a mão de Akira e levou ao próprio rosto, em cima das cicatrizes da queimadura. – Agora o Pí, além de conviver com os números, convive também com a falha de um suicídio.

Akira correu os dedos por todo o rosto de Takanori, não somente a cicatriz como em todo o resto, no pequeno nariz, no contorno das sobrancelhas, no desenho dos olhos e na curva dos lábios.

- Eu sou o Pí. Eu sou o infinito.

Suzuki Akira não conseguiu dizer nada, somente se aproximou o bastante de Takanori para abraça-lo. E não qualquer abraço. Foi um abraço terno, doce, cheio de sentimentos.

- O Pí pode ser um cálculo bem interessante, pode falar coisas que deixem todo mundo boquiaberto e pode também ser cheio de defeitos. – Akira disse. – Mas o Pí tem um nome.

- Ele é só um cálculo.

- Ruki. 

- Hm? 

- Você disse que o Pí não sabia seu próprio nome, na verdade o que faltava era ele olhar pra dentro de si mesmo e ver quem era. Ele não é só números. Nem o Pí, nem o Takanori. Mas o Ruki. 

- Gosto de Ruki. 

- Também gosto. 

- Onde achou esse nome? 

- No Afeganistão, durante as missões, Rookie era o nome de uma estratégia. Fazíamos pequenos cálculos a curta distância para atirar nos inimigos. Sempre fui ótimo no Rookie.

- Gostava de atirar nas pessoas? 

- Gostava de fazer os cálculos e ver que davam certo. 

- Gostava de atirar nas pessoas. 

Os dois riram baixinhos.

- Sou péssimo. – Akira gargalhou. 

- Já conheci piores. 

- Mesmo? 

- Não. – Takanori riu. 

Houve um longo silêncio em que ambos só se olhavam.

- Por que foi embora do jardim naquela hora? 

- Você tá enxergando e logo vai me ver e vai ver a marca que eu mais odeio. 

- Mas eu já vi. 

- Não, quando sua visão voltar, você vai ver o quanto ela é horrível. 

- Eu já vi. – insistiu. – Você acabou de me mostrar.

- Não é a mesma coisa. 

- Nem tudo se ver só com os olhos. - Takanori o olhou surpreso. - Durante as missões Afegãs, os soldados vendavam-se uns aos outros e nos faziam reconhecer amigo de inimigo. Nós decorávamos os rostos de quem eram nossos aliados para que nós pudéssemos enfrentar o inimigo sem nos atacar. Eu aprendi a não usar só os olhos pra ver as coisas. E eu vi beleza em você. 

- Sem ver meu rosto? 

- Eu vi seu coração. 

- Meu coração é feio, só tem número. – Matsumoto murmurou. 

- Não, ele é igual a Nebulosa de Orion. 

- Quem te contou da Nebulosa de Orion? 

- Aprendi no mapa que me fez... Queria te contar sobre isso. – Riu baixo. 

- Gosto dela. – Takanori disse. 

- Ei Ruki... Ela é rosa. – Akira riu. – Você frisou isso bem. 

- Akira... – Takanori  o  chamou depois de alguns segundos em que entregaram-se ao riso. – Fica aqui essa noite.

- Fico. 

- Eu não quero sentir mais dor. 

O loiro concordou com um leve aceno de cabeça. Estava feliz sim porque havia dado um nome para o Pí e o gemido foi substituído por um riso contagiante. O quarto de Takanori era todo azul, as paredes eram cobertas por matérias sobre o universo e sobre cálculos, nas prateleiras haviam muitos livros e decorações de muitos planetas. Na parede haviam pisca-pisca brancos.

Akira percebeu que ele não precisaria entrar numa aeronave para ir ao universo.

Já estava nele.

O universo era Matsumoto Takanori, agora Ruki que dormia ao seu lado, segurando as pontas de seus dedos.

**

Akira apenas encarava a parede branca do consultório do doutor Shiroyama enquanto ouvia os múrmuros dele e de Kouyou discutindo sobre algo relacionada a ele, mas não se importava muito naquela altura do campeonato, principalmente depois de passar uma noite tão boa com Ruki.

- Suzuki... Seus exames estão cada vez melhores, e não vai demorar muito pra que sua visão deixe de ser um borrão. Só... Nos preocupamos com seu temperamento. O estresse é o que mais tem atrasado a sua recuperação.

A circulação de sangue em seu corpo aumenta muito quando você tem esses episódios, prejudicando o avanço por causa da adrenalina. – O médico explicava pacientemente enquanto o olhava. – Você precisa parar de se meter nessas confusões.

- Não é algo que eu consiga mudar.

Takashima rodou os olhos em desaprovação.

Akira se manteve em silêncio. Então assentiu levemente, não prometendo absolutamente nada. Ouviu um suspiro por parte do médico, enquanto Kouyou o guiava para fora da sala.

- Como está o Taka? – Perguntou enquanto iam até o elevador. 

- Dormindo. – Kouyou respondeu apenas. 

- Ainda está bravo? 

- Não. 

Akira apenas suspirou enquanto encostava na parede do elevador, sentindo a leve pressão da gravidade enquanto desciam. Após alguns segundos de silencio, perguntou baixo:

- No Afeganistão, muitos soldados que perdiam alguma parte do corpo ou tinham ferimentos muito graves, sentiam uma dor nessa parte que perderam... – Começou. – É o que ele sente, não é? Por causa das queimaduras? Kouyou ficou em silêncio por alguns segundos. 

- Takanori sente como se sua pele estivesse queimando. – Disse por fim - Quando se estressa demais, quando fica ansioso, nervoso... A dor, principalmente no rosto, é como se estivesse queimando de novo. 

- Não há nada que se possa fazer pra isso acabar? 

- De preferência, não estresse ele. Não o deixe nervoso. Não o faça mal.  – Ele soou seco, mas Akira sabia que o dia anterior deveria ter sido horrível para ele. 

- Eu não sabia sobre as cicatrizes... Até ontem. 

- Agora você sabe. Não o estresse, Suzuki. Não o faça se sentir mal. 

Quando a porta do elevador se abriu, os dois saíram juntos, Akira olhando fixo para o chão branco.

- Takashima-san. – o chamou.

O enfermeiro o encarou, esperando a pergunta.

- Morfina, não é? – Akira disparou, ainda olhando para o chão. – Ele só se sente melhor com Morfina?

- É. 

- A quanto tempo faz isso? 

- Bastante. 

Isso era o bastante para que Akira concluísse que Takanori estava viciado na droga, indiretamente.

-  Logo,  depois  de  um  tempo  ela  perde  o  efeito.  –  o  loiro  disse  e Takashima concordou.

- Estamos aumentando as doses, é a única coisa que podemos fazer.

- Ele pode morrer! – Suzuki o olhou pela primeira vez desde que deixaram o elevador, nesse momento sua visão embaçou momentaneamente. 

- É o único jeito Akira, pelo menos até descobrirmos que pode fazer isso passar. 

- Isso não passa Takashima. – Akira foi caminhando para o corredor deixando o enfermeiro logo atrás. – Isso morre conosco. 

Akira havia vivenciado com muitos colegas do exército o que aquilo era capaz de fazer com alguém. Principalmente depois do vício, quando mais nada parava a dor. Seu coração apertou só de pensar no que poderia acontecer com Takanori quando a droga parasse de fazer efeito.

- O que vão fazer quando a droga não tiver mais efeito? – Perguntou, olhando para a porta de seu quarto, sabendo que Takashima continuava ali. 

- Não queremos que chegue a esse ponto. – Ele murmurou apenas, e Akira ouviu os passos se afastando.

Fechou os olhos levemente, encostando a cabeça na porta, sem girar a maçaneta, sem se mover, sem mal respirar. Pensou no baixinho e abriu a boca, dizendo a única coisa que veio em sua mente naquele momento.

- Meu Deus.

Então entrou no quarto, tateando até a parede que virava para o quarto de Takanori. Respirou fundo e bateu.

“Ruki”

Demorou alguns segundos para a resposta vir. Então veio com batidas suaves e baixinhas.

“Você quer falar sobre a Nebulosa de Órion?”

Sorriu.

“Quero.”

...
 


Notas Finais


E o que acharam? *u*

Deixem aquele comentário cremoso pra tia? *u*

beijos!


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