História Last Love - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Originais, Romance, Serial Killer
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Palavras 2.769
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Belo Nome


Fanfic / Fanfiction Last Love - Capítulo 7 - Belo Nome

Acendi o último cigarro e o fitei pela última vez. 

- Não, não está perfeito. – Apaguei o veneno com a bota antes mesmo de levá-lo até a boca e soltar a fumaça que preencheria o ar com seu cheio inigualável. 

As luzes estavam apagadas e o brilho excessivo da luxúria de horas atrás não estava mais presente, as caixas de som mortas e desligadas, o brilho do pecado havia ido embora junto com a mente não mais sana devido a bebida e a velha boate se tornara apenas um velho balcão abandonado, sem almas, sem vida, sem cor. 

Olhei uma última vez captando qualquer sinal de imperfeição, flexionei os joelhos que entraram em alerta numa dor excruciante e fina e ajoelhei-me ao seu lado. 

Adorava a palidez, as pálpebras, o cheiro, o suor, os finos lábios, os dentes amarelados e as mãos representando uma vida corrupta. E agora não passa de um boneco, nada mais impressionante de como uma coisa tão bela, trabalhada, complexa e insubstituível acaba tão rápido, mantendo apenas a essência e em alguns casos nunca se conservou uma para que pudesse usar algo quando finalmente se livrasse da podridão que os humanos representam. 

- Você tem alguma essência? – Sentei-me ao seu lado esperando a resposta, mas nada saiu de seus lábios. – Tudo bem, fale, não vou me importar. – Cutuquei seu braço e nada. – Você é o tipo de homem que merece ser extinto, charme nos olhos, experiência nas palavras, atos excitantes, palavras enlouquecedoras, me colocando no chão, nos colocando no chão. – Continuei fitando seus olhos intactos. – O que vai ser, hm? Está confortável? – Movi seu braço para o lado e fiz o mesmo com o outro, os deixando um de cada lado da face, como se as asas de um anjo cobrissem sua cabeça. 

Os fios preenchiam o chão assim como o objeto disponibilizado pela natureza que só se apresentava útil para a carnificina. 

O bar estava vazio, todas aquelas pessoas voltaram para sua casas e vidas, pobres de caráter e com uma puta ressaca sem fim, prontas para levantar no próprio líquido com um período breve de amnésia e medo que logo passa, e o ciclo da perdição e da sujeira se repete novamente, noite após noite nos clubes e bares com dançarinas nuas e exóticas pingando o óleo do pecado, dinheiro, rebeldia, sexo, drogas e o puro, velho e morto rock. 

Movi seus braços novamente e em seguida suas pernas, formando o pequeno formato do anjo da neve no chão frio e sujo, passei os diversos cabos ao redor do corpo gélido e sem vida, preenchendo cada canto com um pouco de energia, como uma obra, tornando real a verdadeira arte. 

Acendi os pequenos refletores que trouxeram toda a claridade para os eu rosto, desci a mão absorvendo cada ponte de vitalidade e desespero, o nariz pontudo, a boca fria, e por fim sua cabeça que agora se encontrava lisa quase que polida sem um único fio de cabelo, sem pelugem como um pequeno anjo, com a inocência de uma criança. 

Tirei sua jaqueta e sua bota, os pés continuavam voltados para baixo com os pequenos palitos encravados e sujos brotando de suas unhas, após afundar na lúnula contra o chão e voltar para o exterior. 

Fechei seus olhos e o azul do céu logo se foi combinando com a escuridão de sua alma, levantei aos poucos ainda sentindo aquela dor infernal nas pernas, bati as mãos no bolso da calça e olhei uma última vez para o lugar. 

O vento e as folhas invadiam pela pequena brecha que a porta liberava e a cena estava montada, coloquei suas roupas no velho saco preto, livrei-me das luvas e deixei a porra do lugar no fundo do subúrbio com uma bela sensação de dever cumprido. Ele se orgulharia de mim. Ele precisa se orgulhar. Ele vai se orgulhar. Sou sua pequena. Ele é o meu mestre. 

(...) 
Limpei os dedos sujos de terra e encarei mais uma vez o sol que dava o ar da graça, iluminando os pequenos seres e dando alguma sensação de liberdade esperança para o dia, aumentei o som, mesmo sem ter ideia do que diabos estava passando e dei um gole no café frio e amargo colocado com ignorância num copo de isopor. 

Não aguentava mais tanta terra, calor e árvores secas, parei o carro velho no estacionamento de uma lanchonete qualquer e enfiei as botas na terra na direção das grandes palmeiras e dos velhos motoqueiros estacionados na sombra com seus longos cabelos e jaquetas. 

- Senhores. 

- Moça. – O barbudo levantou e deixou que seu sotaque predominasse. 

- Pode me informar em que diabos de lugar estou?

Ele soltou um riso amarelo. – A vinte quilômetros de Sacramento. 

- Obrigada. 

O velho arrumou os cabelos e os guardou no chapéu novamente. – Disponha. 

- Como é a lanchonete? – Toquei a sua mão velha e calejada ao puxar a porta. 

- Deliciosa. 

- De dar água na boca. – O outro ligou a moto e o velho logo se prontificou a montar e a partir. 

Logo senti o vento ao entrar, as pessoas se movimentavam e comiam com agonia, se entregando a um dos prazeres da vida, as moscas voavam e pousavam em todos os lugares possíveis. Peguei um cardápio e me arrastei até a última mesa. 

Permaneci observando com o cigarro entre os lábios e o suor escorregando da testa até pingar no chão, até que uma mulher com o bico incrivelmente vermelho apareceu com o avental manchado e os cabelos loiros e crespos presos com grampos. – O que vai ser? 

- Acho que vou querer... – Dei mais uma olhada no cardápio. – Uma porção de bacon com ovos e essa torrada e me traz também algumas panquecas com calda extra e morango, tudo bem? – Apaguei o cigarro e acompanhei seus dedos pálidos percorrendo o bloco. – Uma porção de batatas e uma coca cola bem gelada e com limão. 

- Só isso? 

- Marca um pão na chapa. 

- Algo mais?

- Não, apenas isso. 

- Trago num minuto. 

- Obrigada. – Acendi outro e deixei que a fumaça percorresse as mesas ao redor. – Pode me tirar uma dúvida? 

Ela deu meia volta com seus tamancos gastos e suspirou. – Darei o meu máximo. 

- Tudo bem. – Fiz uma careta. – Em quanto tempo chego em Sacramento? 

- Meia hora no máximo, mas se chover... 

- Não vai, obrigada. 
(...) 
Desci do carro depois de horas sentada, a lua brilhava e o tumulto crescia cada vez mais, seguranças barravam e a gritaria não cessava, assim como o alto volume da música que atravessava as paredes e os bares. 

Sentei no banco mais próximo e tomei um drink que logo se transformou em dois, três e logo dezenas já estavam dentro de mim. 

Observei as milhares de pessoas distorcidas que deixavam a casa de show e se aglomeravam agitadas e bêbadas nos bancos. 

Acendi outro cigarro e abaixei a cabeça assim que ela começou a pesar, algo lento e confuso tocava no bar, o que acendia a chama de todos ali. Afastei o cabelo da boca e deixei que a fumasse se misturasse. 

Minha cabeça pesava cada vez mais e tudo parecia girar, assim como meus olhos, o som perturbava e cada fala se transformava em um grito ensurdecedor. 

- Não pode fumar aqui dentro. – Uma voz grave e embriagada surgiu por trás. – Mas se te deixa melhor posso te pagar uma bebida. 

Levantei a cabeça depois de certo esforço e outra imensidão clara perturbou meus pensamentos.

- Quem te disse isso? – Abaixei a cabeça novamente e encaixei o cigarro entre os lábios. 

- A placa – algo me diz que ele apontou para a parede e logo puxou uma cadeira – Vou sentar, espero que não se importe. 

- À vontade. 

- Senhora... 

- Senhora? Acho que ela está no céu, não tenho muita certeza... 

- Precisa apagar o cigarro. 

Ainda estava com a cara amassada no balcão, a fumaça corria em volta da minha cabeça, suas mãos se aproximaram, seus braços estavam cobertos por uma jaqueta e isso foi tudo que consegui ver antes que ele puxasse o cigarro de minhas mãos e o apagasse com a bota. 

- Filho da- levantei aos poucos ainda sentindo a cabeça pesar e o gosto forte de bebida grudado de forma nojenta e aderente – Puta...merda. 

- Desculpa, mas é o que diz a placa. 

- Você não parece seguir a placa. – Levantei ainda zonza. 

- Eu não fumo. 

- Não – Bati na própria cabeça e arrumei o coque alto que caía – Não foi isso que eu quis dizer. 

- E o que foi que você quis dizer? 

-Eu não sei, olha cara, eu estou bêbada, não força. 

- Tudo bem. – Ele sorriu. 

Estreitei os olhos quando me peguei analisando o sujeito por completo, não da forma como sempre constatei ou espreitei...mas com certa cobiça, avidez, apetência. 

Não sei ao certo se era a bebida ou o som o amargo que brotava de todos os lugares e de repetente me vi parada, bêbada num bar espreitando homens, como uma vadiazinha suja e sem vida procurando por diversão antes que a madrugada chegue ao seu fim, eu me vi como um humano, destruindo a raça e clamando por mais. 

- Não, não, não pode ser. – Bati contra a cabeça novamente e o embrulho subiu. - Agora isso, isso não. 

- Não está tudo bem? Tudo bem , não? Ta, ok, não tudo bem. 

- O que? Cara , o que você tá fazendo aqui ainda? 

- É um bar “cara” e eu quero uma bebida, se incomoda? 

- Muito. – Abaixei a cabeça novamente. 

- Gostou do show? 

- Eu não sou muito chegada nesse estilo musical. 

- E o que diabos veio fazer aqui? Digo. – Tossiu e levou o copo até a boca, engolindo o líquido colorido todo de uma vez e logo clamando por mais. – Que tipo de música você é chegada? 

- Eu entendo a sua tentativa de não educação e eu não uso muito tempo com música. 

- Como você consegue? 

- Estou viva e aqui, basta? 

- Não sei. – Outro copo virado. – Basta? 

- Qual é a sua? 

- Eu não sei, olha “cara”, eu estou bêbado, não força. 

- Deu pra roubar as frases dos outros? 

- Só quando eu não tenho o que fazer. 

- Então você anda bem desocupado. 

- Ultimamente não, mas eu tento. 

- E com o que você gasta seu tempo? Bebendo em bares, apagando cigarros e cultivando esse visual astro do rock com uma barba mal feita? 

- Quase isso. 

Algumas pessoas o abordaram e tornei a deitar o rosto, levantei novamente e observei o lugar, era algo natural, captar os detalhes e criticar as pessoas sendo superior a elas, mas momentaneamente estava no mesmo barco, com a cabeça girando e as palavras falhas. 

Parabéns Charlotte, parabéns. 

Não, parabéns não. 

Algo queimava em minha garganta, algo ácido e apurado, deitei a cabeça contra o balcão e a frieza do ferro aliviou a queimação e a moleza. 

Algo ruim, muito estava prestes a acontecer ou eu obviamente só precisava colocar as tripas para fora e tomar uma ducha gelada para depois deitar e ter uma leve amnésia acordando no desespero algumas horas seguintes. 

Não. Não. 

Minha testa escorria e pingava direto no ferro, minhas coxas transbordavam suor que logo pingavam no chão, arranquei a jaqueta e a joguei no chão. 

- O clube de strip é pro outro lado. 

- E o cala boca é aí. 

- Você não parece muito bem. 

- Eu nunca estou bem. 

- Veio afogar as mágoas na bebida? 

-Se eu sentisse algo, quem sabe. 

- Um bom whiskey acaba com a frieza. 

- Só se for na sua cara. 

- Com a violência também. 

- Olha aqui cara. – Levantei e o encarei por completo pela primeira vez na noite, ele tinha altura e parecia ser musculoso ou estava com excesso de blusas por baixo do casaco, a calça era preta, assim como o resto , e quase que apertada, tinha botas marrons e os dedos cobertos por anéis, o cabelo era grande e amarelado caindo pelos ombros, os olhos claros e pose representando ferocidade, mas no fundo era mais um bêbado fodido. – Olha aqui. 

- Olhar o que? 

- Não to com paciência pra ficar aguentando babacas que não tem o que fazer. –deitei a cabeça de novo - então se eu fosse você me retirava antes que a coisa ficasse preta. 

- Claro. - Gargalhou. 

- To no mesmo estado que você, se você estiver bem...eu estou bem e caso não esteja...advinha! 

- Você não acha melhor ir pra casa? – Ele falava pausadamente, seu pescoço estava avermelhado e o jeito como respirava estava me enlouquecendo. 

- Não – levantei e abri um sorriso largo e amarelo – tenho que esperar meu irmão, ele veio assistir um show aí na frente. 

- Então você tem um irmão? 

- Sim. 

Não. 

- Desculpa a pergunta, mas qual é a sua idade? 

- 23. 

Menos 5 que é igual a 18. 

- Prazer em conhecer. – Ele largou a bebida e estendeu a mão. 

- Eu não tenho nome. 

- Belo nome. 

- Já me disseram isso. 

- Você é daqui? 

- Posso saber o motivo da pergunta? 

- Você é diferente, não diferente, mas o jeito que se veste, não que seja errado ou feio é que...é diferente.

- Não sigo tendência. 

- É como se tivesse saído do século passado. – Ele encarou minhas pernas cobertas pela saia rodada e bordada que parava no meio da canela, em seguida subiu para os braços cobertos e o coque alto e atualmente quase despencando. – Acho que já te vi em algum lugar. 

- Te dou a certeza absoluta que não. 

- É estranho. 

- Olha se quer usar isso como desculpa pra me levar pra cama, tenho que dizer que você falhou. 

- O que? – Sua voz afinou e ele pareceu engolir em seco a bebida. – O que te disse? – E começou a gargalhar. – O que disse? – Outro gole. – Você é maluca? – Tossiu. – Garota. – Gargalhou. – Eu tenho namorada. 

- Você não parece ser fiel. 

- Então você nunca me viu na vida, de repente olha pra minha cara e diz que eu não sou fiel? 

- Eu sei tudo sobre as pessoas. – Reconheço que falei de uma forma grogue que me deixou mais imbecil do que o comum. 

- Ahh é?- Soltou o copo. – Então me diz sobre aquele cara ali...tudinho. 

- Ele é um babaca. 

- Mas você nem olhou. 

- Humanos são babacas. 

- Olá pequeno alienígena. 

- Você é babaca, ele é babaca e eu sou babaca, pronto? 

- Ok. 

- Hey. – Cutuquei seu ombro diversas vezes já sentindo os olhos falharem. – Você ficaria ótimo no meu diário. 

Ele levantou e o banco vacilou, me ergui com dificuldade e fique na sua frente, um calafrio me percorreu, eu não seria capaz, ele era forte e eu batia na metade da sua barriga, apenas um dedo seu quebraria seu pulso, mas seu cheiro, a pulsação, o suor, os cabelos. 

Eu queria que aquilo fosse meu e nunca mais dele, queria sugar sua essência, ter os seus pensamentos, deixa-lo puro. 

Me aproximei e toquei seus cabelos, eram finos e macios. 

Tornei a andar pelo salão sozinha, esbarrando pelas cadeiras propositalmente, cambaleando em meus próprios atos e logo ele estava atrás de mim. 

Senti seus dedos agarrarem meu pulso e logo estava imersa em seu cheiro. – Tem certeza que você está bem? 

- Tenho – me soltei – não se incomode. 

- Não vou deixar você voltar pra casa nessa situação. 

- Já disse que estou bem. 

- Não, não está. – Ele voltou e colocou alguns trocados no balcão. – Vamos achar seu irmão que eu levo vocês em casa. 

- Meu irmão? É... Já disse que não precisa. 

- Garota, merda, qual é o seu nome? 

- Eu só preciso de ar. – Empurrei a porta dando de cara com a calçada e ele permanecia segurando meu braço, o lado de fora ainda fazia parte do bar, algumas cadeiras e mesas sujas e vazias ocupavam boa parte da rua, me apoiei na cadeira, agarrando a parte de cima pronta para arremessá-la, ele coçou os olhos e subiu a manga da jaqueta parecendo desconfortável, firmei as mãos contra a madeira e a ergui do chão...agora ou nunca. 

- JAMES JAMES! – Alguns flashes surgiram da direção oposta acompanhada de uma multidão. – James! – As pessoas se amontoaram e ele logo se tornou invisível, encarei o garoto que praticamente esfregava a caneta no cara, ele usava uma blusa com o rosto do homem loiro estampado...um maldito símbolo conhecido.



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