História Latitude e Longitude - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~rapnamjoon

Exibições 53
Palavras 4.310
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá,
eu nunca sei fazer essas coisas socorrinho
Eu (@larwhq) e a Dayane (@rapnamjoon) fizemos uma parceria para escrever essa coisinha linda pra vocês. Acho que não posso explicar muito porque vai ser um negócio bem cheio dos misteriosinhos então acho melhor você só lerem. Tudo vai se esclarecer ao longo da fanfic, prometo.


Espero que vocês gostem ;)

Capítulo 1 - .um


 A fumaça do pequeno cigarro entre os dedos do moreno ia de encontro com o ar frio daquela manhã. Kim Namjoon nem se lembrava mais como aquele maldito vicio havia se iniciado, só se lembrava da desculpa que sempre dava, dizendo que era pra relaxar seu estresse enquanto sua mente trabalhava incansavelmente e, por hora não era diferente. O dia mal havia se iniciado e já se encontrava a frente de um prédio; uma jovem de apenas 15 anos havia sido assassinada.

 O moreno não era do típico “bonzinho”, pelo contrario, tentava ao máximo ser racional em seu trabalho, não envolvendo sentimento algum. Para si, deste modo os casos sempre seriam resolvidos de maneira mais rápida, e nenhuma conclusão seria precipitada, por tal fato, seus colegas sempre o chamavam de Monster.               

 Namjoon considerava a juventude uma preciosidade, e ver aquela cena da jovem desnuda sobre a cama lhe cortou o coração. Mas o que lhe causara náuseas naquele momento fora o fato de que a situação daquela jovem era muito parecida com outros dois assassinatos que havia investigado naquele semestre.

 Os pulsos algemados por braçadeiras de plástico, assim como os tornozelos. O corpo desnudo e com vários hematomas espalhados pelo perímetro; uma evidência da possível luta que a vítima travara por sua vida contra seu assassino. E a causa da morte rapidamente identificável por já ter visto aquelas marcas antes: Asfixia.

 Claro que não era uma asfixia qualquer, o assassino parecia utilizar de algum tipo de corda de aço que envolvia o pescoço das vítimas e tirava seus últimos suspiros rapidamente.

 Ficou claro para Namjoon, naquele exato momento, que tudo aquilo se tratava de um assassino em série. Não havia mais negação, pois as evidências que recolhera não deixariam que o fizesse.

 A pergunta que borbulhava em sua cabeça, e provavelmente na de todos os seus colegas de trabalho era: Qual a ligação dessas vítimas? E por que alguém mataria uma jovem de quinze anos que poderia ter sua vida toda pela frente?

 

•✞•

 

 - Monster, resultados do corpo de delito – a garota de cabelos cor de fogo adentrara cautelosamente a sala de Namjoon com os papéis dos exames em mãos – Assim como as outras vítimas, não houve nenhum tipo de abuso sexual – levou os papéis até a mesa de seu superior e deixou-os ali.

 - Obrigado Hwasa, e quanto a latrocínio? Alguma evidência? – perguntou pegando os papéis em mãos e os analisando cuidadosamente.

 - Não, mas eu encontrei algo muito interessante no banheiro daquele quarto de hotel – tirou dos bolsos de seu jaleco branco um saco plástico lacrado e que continha uma espécie de cartão dentro.

 - E o que seria isso? – olhou curioso para o objeto nas mãos da garota e desviou o olhar dos exames.

 - É o cartão de uma cafeteria que fica a dois quarteirões do hotel do assassinato – olhou para seu chefe com a expectativa de que ele entendesse, mas este só lhe olhou confuso. Hwasa bufou e deixou o plástico em cima da mesa – Pelo visto você não olha os adendos que eu coloco na folha final dos exames.

 - Por quê? Tinha algo de importante? – ficara levemente decepcionado consigo mesmo por não ter dado a devida atenção ao trabalho minucioso que a ruiva fazia.

 - Vou lhe explicar. Lembre-se do primeiro corpo: Uma senhora, 42 anos, nada de muito relevante a não ser o que você já sabe, infelizmente ninguém além de mim deu atenção a última refeição dessa senhora. Refeição esta que deixou resíduos de chantilly, e bastante açúcar, diga-se de passagem – Namjoon ainda lhe olhava com a mesma feição franzida, então Hwasa continuou – O segundo corpo, um jovem de 28 anos, a mesma situação da senhora, contanto, sua última refeição não havia sido nada menos do que um pouco de café – terminou simplista e olhou para Monster, e o moreno parecia ter ganhado uma lâmpada acima de sua cabeça pelo entendimento que demonstrara.

 - Ele deve abordar suas vítimas nessa cafeteria! – levantou-se e pegou o dito cujo cartão – Nenhuma digital?

 - Só a da vítima.

 - Eu preciso ir nesse lugar.

 

•✞•

 

 Não demorou muito até o moreno chegar ao devido local marcado no pequeno cartão, do qual ele segurava entre os dedos para confirmar pela última vez o endereço.

 Inclinou-se ate o retrovisor, arrumando o cabelo que havia sido bagunçado pelo vento, passava a mão cuidadosamente os jogando para trás. Sorriu largo ao ver sua aparência, pegou a pasta de cor bege ao seu lado e assim saiu do carro emprestado por um de seus colegas de trabalho.

 Antes mesmo de adentrar a cafeteria, notou que o lugar era chique, possuía uma pequena varanda ao lado de fora, com algumas flores bem coloridas, e mesas cobertas por guarda-sol enormes, mas com detalhes extremamente chamativos.

 Arrumou a blusa meio amassada, dando uma ultima conferida em sua aparência pela janela do carro e com pouco esforço empurrou a porta de vidro que dividia a área externa da interna.

 Namjoon deu uma olhada em volta, notando que o lugar esta quase que vazio. Havia poucos clientes, porém bem vestidos, contrastando com o ar luxuoso que possuía; as mesas eram feitas de madeira, que julgando de primeira visão se tratava de algo caro, pois assim como o lustre, pareciam ser esculpidas à mão; as luzes eram fracas e uma musica calma tocava ao fundo, criando um ambiente calmo e convidativo.

 Monster se sentou em uma mesa qualquer perto da porta, o permitindo ter visão ampla, tanto de quem estava dentro, como de quem simplesmente passava pela calçada, que nessa altura já julgava ser feita de ouro.

 Namjoon achava aquilo tudo muito glamoroso para uma cafeteria; o que piorou ao ver os preços dos itens no cardápio, o levando a concluir que certamente, pelo menos uma das vitimas tinha um apreço por coisas chamativas e caras.

 Antes de fazer algum pedido ou abordar um dos atendentes, o moreno colocou as fotos uma do lado da outra, tentava pela milésima vez achar algo que as assemelhasse fora o gosto comum pelo café, mas nada lhe chamava atenção. Tentou buscar algo na aparência física, pois talvez o assassino escolhesse suas vitimas assim, sobretudo, nada de anormal, todos possuíam as mesmas características da grande massa populacional: cabelos pretos, olhos escuros e bem puxados, nariz afunilado e pele pálida, tudo que para si era meio sem graça, talvez esse fosse um dos motivos pra mudar tanto a coloração de suas madeixas.

 - Um americano, por favor – Enfim fez seu pedido, se aproximando do espaçoso balcão e escorando uma de suas mãos, que serviu de sustento para seu rosto, onde mantinha um sorriso latino.

 - Aqui está, senhor. – Disse a atendente meio tímida e sorridente. Namjoon olhou o nome estampado em seu crachá.

 - Senhorita Lee? – Namjoon aumentou seu sorriso, não se importava de jogar todo seu charme para obter informações sem algum tipo de esforço, e segundo Hwasa, ele era um tremendo filho da puta por conta disso. – Você poderia me ajudar?- recebeu na mesma hora um balançar de cabeça positivo. – Conhece algum deles? – colocou as fotos frente à outra que olhava com atenção.

 - Ela esteve aqui ontem. – Apontou para a jovem de quinze anos.

 - Você sabe me informar se ela estava com alguém?

 - Não, ela estava sozinha, entretanto, parecia esperar alguém; olhava direto para o celular e ela não parecia estar trocando mensagens, mas sim esperando alguma ligação.

 - Muito obrigado Lee. Pode ficar com café, você fez um ótimo trabalho. – Falou com a voz rouca e atraente, pagando pelo pedido e se retirando, aquela informação havia sido o suficiente para si.

 Encostou-se ao carro, pegando um cigarro e o deixando pendurado no recanto da boca. Discou rapidamente um número, logo sendo atendido.

 - Ele é esperto, aborda suas vitimas em outro lugar – acendeu o cilindro entre seus lábios com um isqueiro de seu bolso – Você já achou o celular dela?

 - Onde poderia ser? Essa era a única coisa que os ligavam. – A voz da ruiva era escutada atenciosamente do outro lado. – Aah, o celular dela está aqui.

 - Verifique se ela trocava mensagens com alguém, e pede pra alguém deixar a fixa detalhada de cada um em minha mesa, quero saber até qual foi a ultima vez que eles escovaram os dentes.

 - Ok. Olha, acabou de chegar uma denúncia de que acharam um corpo na estação velha, estamos indo pra lá.

 - Certo, nos vemos lá. – Desligou a ligação não esperando uma resposta, não estava longe da nova direção, então em breve estaria lá.

 Deu um ultimo trago, apagando o cigarro, estava prestes a entrar no carro quando a voz da tal Lee suou de forma calma.

 - Desculpe, uma pessoa mandou eu lhe entregar isto. – Ela estendeu a mão, colocando um pequeno papel entre as mãos do outro, saindo correndo logo após.

 Na verdade era um guardanapo rascado pela metade, o moreno o olhou de relance, notando que o mesmo possuía alguns números, o qual concluiu ser um numero de telefone. Talvez fosse de uma das mulheres que vez ou outra lhe lançava um olhar e um sorriso malicioso, ou ate mesmo da própria atendente, e embora amasse flertar, Namjoon apenas socou o papel no bolso de trás de sua calça. Toda sua atenção deveria ser exclusiva ao caso, afinal, estava determinado a pegar o que denominava ser sua nova “presa”.

 

•✞•

 

 O mau-cheiro recendera pelas suas narinas e Namjoon sentiu seus olhos lacrimejarem como quando se corta uma cebola. Aquela estação parecia mais um esgoto, e tudo isso por causa do odor do corpo que ali se encontrava. O mesmo estava em estado de decomposição avançada e, tinha certeza de que seria bem difícil identificar quem teria sido aquela pessoa quando em vida.

 Ao avistar os cabelos flamejantes de Hwasa, Namjoon apressou-se a se aproximar da mais nova enquanto tentava impedir que inalasse o fedor com a manga de seu sobretudo.

 - Toma isso aqui – a ruiva lhe entregara uma máscara, não era do tipo que impediria todo aquele fedor de lhe incomodar, mas era melhor do que nada.

 - Obrigado, o que já temos? – perguntou se prostrando um pouco mais à frente da garota, tentando ter uma visão melhor da cena do crime, que era fotografada minuciosamente por Hwasa.

 - As mesmas características das outras vítimas, exceto que com esse daqui teremos trabalho pra identificar. O Hyosang já deu uma olhada e disse que a morte aconteceu aproximadamente há doze semanas. É um homem, um senhor aparentemente rico, já que usava um relógio de ouro maciço – a ruiva começou a listar as características que foram possíveis ser mostradas na situação em que o corpo estava.

 - Bom, tudo que eu consegui concluir é que o assassino definitivamente não rouba as vítimas, nem sequer levou o relógio – olhou para o mesmo que já estava ensacado ao lado de Hyosang que ainda tentava colher o máximo de informação, enquanto fotografava mais de perto, assim como Hwasa – Estou começando a achar que isso é alguma vingança de algum tipo, eu só preciso encontrar a maldita ligação entre essas pessoas.

 - Bom, eu e Hyosang vamos levar as evidências pro laboratório e depois lhe passaremos os relatórios, como sempre. Junto a eles lhe darei o registro telefônico da vítima mais jovem, ele já está com um técnico dos nossos e ele deu um prazo de vinte e quatro horas.

 - Então tudo certo Hwasa, eu vou pra casa. Você e Hyosang, nada de ficarem até muito tarde trabalhando, confio em vocês – disse para a ruiva passando um olhar firme, que foi recebido com um acenar de cabeça que estava mergulhado em gratidão.

 - Claro Namjoon, nós sabemos disso, faremos nosso melhor.

 

•✞•

 

 Já em seu apartamento, Monster tirou seus sapatos, casaco e desabotoou os primeiros feixes de sua camisa. Jogou-se no sofá e fechou seus olhos inspirando profundamente, buscando em sua mente forças para não deixar seu trabalho de lado.

 Trabalhava demais. Fazia trabalho na perícia com um monte de papeladas; trabalho em campo em busca de evidências; trabalho em casa, quando tentava finalmente colocar suas suspeitas no lugar e ás vezes, Namjoon trabalhava até mesmo nos seus sonhos.

 Exaustão era a palavra que melhor o definia naquele momento, mas não que estivesse reclamando, longe disso. O moreno apreciava tanto seu trabalho que, estar quebrado e acabado por causa dele era no mínimo gratificante; isso significava que ele dava o seu melhor.

 E era por dar seu melhor que quando seu telefone tocou as quatro e cinquenta e seis da madrugada, ele levantou rapidamente da sua cama à procura do aparelho esperando que fossem notícias do trabalho, e acertara.

 - Namjoon? Espero que não fique brava comigo por te acordar uma hora dessas, mas é que você realmente precisa ver algo – Hwasa lhe informara, um tanto quanto receosa sobre a situação de Monster.

 - Ainda estão no laboratório? – perguntou franzindo o cenho. Lembrava-se perfeitamente de ter pedido para que seus dois colegas de confiança não ficassem até muito tarde no local de trabalho.

 - Já tinha ido pra casa, mas voltei assim que soube que o registro do celular da nossa vítima havia ficado pronto. E tem uma coisa aqui, que você realmente precisa ver.

 - Estarei aí em meia hora.

 

•✞•

 

 Namjoon entrou no laboratório meio exasperado. O tom de voz de Hwasa no telefone havia lhe deixado preocupado e ansioso, e mal conseguia se conter a não sair correndo até a ruiva.

 - Monster! Você chegou – a garota  apareceu na sala em que Namjoon se encontrava e andou rapidamente à ele com alguns papéis em mãos – Veja isso.

 Hyosang havia feito um relatório extremamente detalhado sobre cada operação feita por aquele telefone nas últimas semanas, o problema é que a garota não parecia ter contato com muitas pessoas. Quase não havia nenhuma mensagem naquele registro, a maioria das ligações tinham apenas alguns minutos de duração e não haviam sido feitas por contatos daquele telefone.

 Mas então Namjoon notou algo que havia sido destacado em vermelho. Na semana anterior ao assassinato a vítima havia se comunicado com um contato em especial, várias vezes durante os dias e algumas das conversas chegavam a durar até quarenta minutos.

 E que contato era esse? Monster pode sentir o frio do chão do laboratório tocar seu queixo pela proporção exagerada em que ficara boquiaberto. Não. Não poderia ser quem estava pensando, deveria ser apenas alguém com um nome igual ou coisa assim. E mesmo que fosse essa pessoa ela não deveria ter nenhuma ligação com os assassinatos, não podia ter.

 - Kim Seokjin? – falou em um sussurro enquanto os piores pensamentos se apossavam de sua mente.

 Namjoon permanecia estático, olhando o nome em destaque, já estava daquela maneira há alguns segundos, sua mente tentava formular alguma coisa concreta, mesmo assim, os pensamentos errôneos não podiam ser evitados.

 - Onde ele está? – Sua voz era serena e seu olhar continuava focado em uma única direção.

 - Deve estar em casa; decidimos ligar pra ele só quando você soubesse.

 - Certo. Se descobrirem mais alguma coisa, me chamem. – O moreno apenas virou as costas se direcionando para saída.

 - Aonde você esta indo?- Hwasa conhecia muito bem Monster, por isso, falou de forma apreensiva, mesmo sabendo que o outro não envolvia sentimentos em seu trabalho, tinha medo de sua reação, afinal, era de Seokjin que se tratava.

 - Fazer o meu trabalho. – Respondeu simplista, sumindo entre os corredores, enquanto o barulho de suas botas se chocando contra o chão diminuía gradualmente.

 

•✞•

 

 Conhecia muito bem os hábitos de Jin, sabia de seus costumes. Ele mantinha a mesma rotina durante a semana; sempre acordava às cinco e meia da manhã para correr. Gostava de manter o corpo saudável, deste modo, tinha a desculpa de reclamar sobre o vicio horrível do moreno que praticamente não tirava o cigarro da boca; as exata seis e meia já estava em casa, para assim acordar os meninos que às vezes denominava como filhos, enquanto os mesmos se arrumavam para ir ao colégio, Seokjin preparava uma deliciosa refeição, sempre com aquela velha mania de dizer que a primeira refeição do dia era a mais importante; depois disso se dedicava aos seus afazeres domésticos e se desdobrava com o trabalho no escritório.

 Ao chegar frente a casa, soltou um suspiro, achava que à três meses atrás, seria a ultima vez que estaria ali, pois para si, ninguém em sã consciência iria ficar visitando o ex-noivo.

 - Joonie. - O mais velho parecia surpreso ao vê-lo ali. – O que está fazendo aqui?

 - Preciso falar com você. – Monster se limitou a qualquer tipo de comprimento, nem mesmo se deu ao luxo de admirar a beleza do outro, qual possuía a boca entreaberta, cabelos jogados e colados na testa por conta do suor e a pele levemente ruborizada.

 - Claro, vamos entrar.

 Assim que ambos adentraram o local, encontraram um dos meninos estirado no sofá, que ao ver a presença do seu tutor logo se levantou assustado.

 Namjoon nunca havia visto aquele rapaz de pele levemente pálida e cabelos castanhos, embora seguisse a forma patrão da sociedade, sua beleza era fora do comum, principalmente pra um menor de idade.

 - O que está fazendo acordado? Teve outro pesadelo?- Seokjin parecia preocupado.

 - Sim, mas está tudo bem agora hyung. – o jovem deu um sorriso quadrado e alegre, que por pouco não levou o moreno sorrir de volta de forma assustadoramente animada.

 - Esse é o Taehyung, ele chegou aqui uma semana antes da gente...

- Podemos conversar em outro local? – Monster interrompeu a fala do outro, queria cortar a todo custo o assunto que envolvia seu passado.

- Tudo bem. Tae, acorde os meninos pra mim? – Recebeu um balançar de cabeça positivo como resposta. – Vem, vamos pro meu escritório.

 Namjoon caminhava de forma tranquila pela casa, qual antigamente visitava constantemente, chegando ate mesmo morar por alguns meses.

 As mudanças eram evidentes, a tinta azul agora era coberta por um tom de rosa claro, as portas também pareciam ter passado algum tipo de reforma, as escadas tinham ganhado um carpete vermelho e os corredores fotografias novas.

 Quando enfim ouviu o “click” da porta se fechar atrás de si, se apressou a começar seu trabalho, motivo pelo qual havia terminado um relacionamento de quase quatro anos, ele ainda se lembrava perfeitamente dos gritos do mais velho, dizendo que não iria competir por atenção, que estava cansado de um relacionamento vazio e cheio de medo, pois sempre ficava receoso ao ler jornal – às vezes tinha a impressão que a primeira pagina estamparia a foto de seu noivo com um tiro no meio da testa dado por um dos criminosos que ele havia prendido – mas que principalmente estava cansado de passar noites em claro enquanto o outro estava sabe-se lá aonde e voltava com um cheiro insuportável de cigarro.

 - Não vim aqui falar da gente, estou aqui a trabalho, então quero deixar claro que toda nossa conversa será gravada. – Sentou-se em uma das cadeiras do local, pegando dentro do seu casaco um pequeno gravador, apertou o play falando algo quase inaudível e fazendo um sinal para Seokjin se aproximar. – Você conhece essa jovem? – Colocou a foto sobre a mesa.

 - Sim, seu nome é Naeon. O que aconteceu com ela? Ela foi pega usando drogas novamente? Ela me disse que seus pais dessa vez iriam cuidar dela, que havia melhorado. – Jin estava atordoado.

 - Ela está morta. – As palavras saltaram com frieza, enquanto observava as expressões do outro.

 No primeiro momento o mais velho parecia não acreditar, suas mãos apertavam suas coxas, seus olhos pareciam vagos e se mexiam de um lado pro outro como procurasse resposta.

 - Como assim? Você só pode estar brincando. Ela era tão jovem e cheia de vida, por favor, fale que é mentira, tem que ser mentira. – Sua fala era embolado e suas lagrimas já corriam por sua face pálida.

 - Quero que me diga como a conheceu.

 - Eu... – Suspirou fundo tentando conter as lagrimas. – Tae e ela eram da mesma escola, embora Tae esteja no ultimo ano letivo, ele sempre reclamava que a via com as meninas de sua turma, ou apanhando ou usando algum tipo de droga. – outro suspiro foi dado – Fui conversar com ela, mas ela foi agressiva, acabei descobrindo pela diretora que ela tinha problemas familiares, seus pais não queriam saber dela, a deixavam jogada pelos cantos sem comida, sem banho, sem nada...

 - Se ela foi agressiva contigo por que mantinham tanto contato?

 - No início foi difícil me aproximar, mas eu disse que podia lhe ajudar, ela realmente queria sair daquela vida, até aceitou entrar em uma clinica de reabilitação e participou de grupos de apoio. Nos últimos meses a gente combinava dela vim morar aqui, seus pais haviam aceitado eu ser o tutor. Ela estava tão feliz .

 - Qual foi a ultima vez que a viu? – Namjoon agora anotava algumas coisas em uma pequena caderneta.

 - Semana passada. – Secou as poucas lagrimas que ainda caiam. – Ela disse que havia feito as pazes com seus pais, que agora tudo seria diferente, que queria se reaproximar deles. Ela chegou trazer algumas coisas para cá, prometeu de voltar essa semana para pegá-las e se despedir, pois eles iriam se mudar. – Novamente o choro se fez presente. – Eu devia ter ligado, ter pedido pra ficar, eu devia ter cuidado melhor dela.

 Ver Seokjin daquela maneira cortava de todas as formas o duro coração de Monster, que lutava internamente contra seus sentimentos.

 - Posso ver as coisas dela? – Olhou a face do outro que apenas confirmou com um simples ”uhum”.

 O quarto da jovem não estava completamente arrumado, havia uma cama e uma cômoda no recanto do cômodo, alguns livros numa prateleira e caixas no chão; em uma delas um objeto chamou atenção, era um ursinho de pelúcia mediano com um coração escrito love, assim que Namjoon o segurou a voz gravada da jovem pode ser escutada: “Oppa, eu te amo”.

 O moreno direcionou o olhar para o outro que prontamente se aproximou.

 - Ela ia dar isso para o namoradinho. Ficou muito animada quando comprou.

 - Você o conhece?

 - Não, ela não falava muito dele, mas como era “namorico de criança”, não dei muita importância, até porque depois que ela o conheceu, se esforçou ao máximo para melhorar.

 - Obrigado, mais alguma coisa que eu deva saber? – Seokjin negou meneando a cabeça e Namjoon se virou mostrando que conversa teve seu fim ali.

 Caminhava em passos largos em direção a saída, ate sentir a mão do outro segurando a sua e lhe paralisando.

 - Como você está? Você nunca mais deu noticias, eu fiquei preocupado e senti sua falta. – Ao ouvir tal coisa, o moreno deu uma risada sínica, pois afinal, havia sido ele quem terminará o noivado e agora dizia que sentia falta, aquilo certamente lhe pareceu uma piada.

 - Eu estou bem. – Respondeu puxando sua mão e virando-se para encarar os olhos que um dia tanto amou. – Eu sei que você não a mataria, mas agora é um dos suspeitos. – Se aproximou, deixando pouca distancia entre um rosto e outro. – Espero que não suma enquanto isso, senão vou atrás de você até no inferno se for preciso.

•✞•

 

 Namjoon já estava se aproximando do carro e se preparando para voltar ao trabalho. Era algum momento entre as seis e as sete da manhã, e tudo que o moreno mais queria seria poder voltar para sua casa e tentar descansar mais um pouco, mas não poderia largar esse caso logo agora que as coisas estavam começando a evoluir.

 Um cigarro aceso já adornava seus lábios e no momento em que estava prestes a entrar em seu veículo uma voz extremamente suave ressoou pelos seus tímpanos.

 - Jin hyung detestava o fato de você fumar tanto, eu acho que agora entendo – Virou-se para a origem da voz, se deparando mais uma vez com o garoto que estava no sofá da casa mais cedo, apenas que neste momento ele parecia ainda mais bonito por estar arrumado e com o que parecia ser uma farda escolar – Kim Taehyung – estendeu sua mão até próximo de Namjoon que a apertou em seguida.

 - Kim Namjoon – se apresentou, ainda sem entender o motivo de ter sido abordado pelo garoto.

 - É, eu sei – disse olhando para baixo, levemente envergonhado por esta ser uma das pouquíssimas vezes em que conseguia coragem para abordar alguém para uma conversa, ainda mais uma pessoa que era praticamente um desconhecido – O hyung estava chorando tanto...

 - Ele não te contou? – perguntou agora receoso de que teria que ser o mensageiro que carregaria as más notícias.

 - Eu ouvi – o semblante do garoto perdera seu brilho em um piscar de olhos, e a ventania que os cercava contribuiu para o ar sombrio de seu olhar.

 - Sinto muito – colocou uma de suas mãos sobre o ombro do jovem franzino à sua frente numa tentativa um tanto quanto falha de lhe consolar. Ele o deixaria ali com os próprios pensamentos se o vento de outrora não tivesse se intensificado, e junto à ele, trago alguns pingos de chuva.

 - É melhor eu ir, vai chover bastante em alguns minutos – proferiu olhando para cima. Namjoon fizera o mesmo, e ao constatar que uma tempestade não estava longe, o moreno tivera uma ideia.

 - Quer uma carona? – Taehyung lhe olhou confuso e levemente desconfiado no mesmo instante – Eu sou da polícia, não vou te fazer mal, e também vai ser uma chance de você me contar mais um pouco sobre Naeon, vai me ajudar a solucionar o caso, e de quebra não vai chegar todo ensopado no colégio – se dirigiu até a porta do carro e a abriu, se posicionando para entrar – Você vem? – olhou para o mais novo que apenas assentiu e entrou no veículo, ficando ao seu lado.

 

•✞•


Notas Finais




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