História Lay All Your Love On Me - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Henrique Fogaça, Paola Carosella, Personagens Originais
Tags Farosella, Universo Alternativo
Visualizações 72
Palavras 1.989
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Estamos de volta!!
Muito obrigada pelos comentários lindos deixados nos capítulos anteriores. Foram uma injeção de ânimo pra mim.
Vamos logo ao capítulo!

Capítulo 3 - Professor Intrometido


-QUE ESTÁS HACIENDO? – Não consigo controlar o espanhol. Coloco o livro com força sobre a mesa, fazendo um barulho alto, e percebo que lentamente ele levanta seu olhar para mim, alheio aos meus gritos. Desta vez tento falar em português – ANDA, NÃO VAI ME RESPONDER?

-Seu sotaque é interessante – Ele diz em voz calma com um meio sorriso. Sinto que vou explodir de ódio pela forma como ele finge que nada está acontecendo.

-POR QUE ESTÁ AQUI?  -Volto a perguntar, cruzando os braços para evitar matá-lo com minhas próprias mãos

-Só estou fazendo hora extra. Não precisa se preocupar tanto comigo, hermana! – Ele me provoca.

-Fazendo hora extra com uma das professoras? Muy bueno! – acentuo meu sotaque para tentar irritá-lo. Ao invés disso, recebo mais um sorriso de canto enquanto o via mexer em meus livros

-Pra que precisa de tanto papel, professora? – Ele muda de assunto, levantando alguns de meus papéis e derrubando outros pelo chão da sala. Como se possível, me enfureço ainda mais indo até sua direção

-ME DÁ ISSO! VOCÊ ESTÁ BAGUNÇANDO TUDO! – Arranco minhas anotações de suas mãos com força. Ele parece se divertir, levando uma das folhas para longe do meu alcance, esticando seus braços na posição oposta de onde eu estava e lendo todo o conteúdo.

Eu esticava meu corpo para poder alcançar o bendito papel, e ele o afastava mais de mim. Uma ridícula brincadeira de criança da parte dele.

-Imaturo! – Desdenho, quando finalmente consigo arrancar a anotação de suas mãos.

- Nada mal! Só uma dica... Se quer escrever em português, acho que tem que saber que por aqui, escrevemos batalha com LH, gringa! – Ouço sua risada abafada, zombando de mim. Sinto meu rosto corar violentamente de raiva. Trinco meus dentes e enfio todos os papéis direto dentro da bolsa.

Viro-me apenas para alcançar meus livros abertos sobre a mesa e fechá-los com velocidade e força. Ele acompanhava meus movimentos, sem levantar um dedo para me ajudar.

-Se quiser, posso te dar umas aulas de português – E mais uma vez ele piscava para mim de forma debochada.

-Prefiro ser analfabeta – Respondo de imediato, cortando o assunto antes que ele resolvesse continuar. Reviro meus olhos, sem paciência e sentindo minha cabeça latejar pelo incômodo que aquele homem já me causava.

-Só quero ajudar! – Deu de ombros, voltando a sorrir.

-Não preciso de ajuda de pessoas como você

-Vou me lembrar disso da próxima vez que você aparecer perdida na quadra de esportes.

Seguro todo o ódio crescente em meu peito e controlo-me para não soltar todos os palavrões que estavam em minha cabeça. Sinto as palmas de minhas mãos doerem, de tanta força que faço ao cerrar os punhos e cravar minhas unhas nelas. Se eu ficasse mais um segundo respirando o mesmo ar que aquele imbecil eu certamente morreria. Ou ele morreria.
Não o respondo, por fim. Coloco todos os livros empilhados em meus braços e dou as costas para ir embora. Quando já estou na porta, ouço sua voz novamente para mim:

-Precisa de ajuda para achar a saída?

Não preciso encará-lo para saber que está com um desgraçado sorriso convencido estampado no rosto. Saio da sala pisando duro e às pressas, enfurecida. Dobro o corredor e quase dou de frente com Ana Paula

-Opa! Calma mulher – Ela segura em meus braços antes de nos chocarmos –Onde vai com tanta pressa?

-Respirar, Ana! – Respondo com mais grosseria do que queria. Ela parece se assustar, mas não se magoa. Fixa seus olhos em mim e percebo que está preocupada

– Está tudo bem?

Não a respondo, tento apenas controlar minha respiração descompassada. A raiva não me permitia respirar direito. Ela também parece notar

-Você precisa de um pouco de descanso. –Ela verifica as horas em seu relógio - Me espere lá fora!

-Por que?

-Vamos a um lugar. Já está quase na hora das aulas acabarem, mesmo! Ah, e vamos no seu carro. –Ela sorri docemente. Sou incapaz de contradizê-la e apenas me vejo caminhar em direção ao estacionamento do colégio.

Espero alguns minutos e ouço o sinal de fim das aulas. Pouco tempo depois a vejo caminhando em minha direção. Entramos no carro e Ana me guia pelas ruas desconhecidas por um bom tempo.
Quase atravessamos a cidade inteira e vemos o dia se findar à nossa frente. Quando finalmente estaciono, já é de noite. Encaro o lugar onde estávamos, que se encontrava em um segundo andar. Subimos as escadas e dou de cara com uma pequena cafeteria. Era pequeno e aconchegante, com várias mesas dispostas pelo local e uma música ambiente agradável. Não estava lotado, o que me deixava mais confortável ainda. Sentamos e fizemos nossos pedidos.

-Por que me trouxe aqui? – Perguntei, ainda admirando o pequeno espaço tão convidativo.

-Achei que você precisava sair um pouco. Ir a algum lugar legal e relaxar um pouco. O pessoal do colégio sempre vem pra cá. O dono é nosso amigo e nos dá bons descontos – Ela riu. –E então, quer me falar do que houve? – Apoiou os cotovelos na mesa, repousando o queixo entre as mãos.

-Ah, Ana! Nada demais. Só estou em fase de adaptação – Menti. Poderia muito bem entregar as patifarias daquele professor, mas isso seria me rebaixar ao seu nível de infantilidade. Além do mais, ainda estava chegando naquele colégio e não queria começar minha história ali marcada por desentendimentos. –Ainda estou me acostumando

Ela ficou por algum tempo me encarando. Forçou os olhos, fez caras e bocas e por algum motivo sinto que não acreditou em mim. Mas ela percebeu que não queria falar muito no assunto e acabou deixando este morrer, iniciando outro muito mais agradável. Não percebemos o avançar das horas. A companhia dela era agradável e cada dia mais eu a sentia mais próxima. Só percebi quão tarde era depois de checar as horas no relógio de parede à minha frente. Já deveria estar em casa há muito tempo. Ofereci para levá-la embora, já que tínhamos vindo juntas no meu carro, mas Ana recusou. Disse que ficaria ali mais um tempo e depois iria embora com outra carona. Pensei em perguntar mais, mas achei que seria um pouco invasivo. Então nos despedimos e dirigi direto para casa.

 

O dia seguinte chegou rápido com sua manhã ensolarada, e eu já estava na sala dos professores. Cheguei mais cedo naquele dia, ansiosa para começar a lecionar depois de tanto tempo. Tomei um tempo mais que necessário para arrumar minha aula, já que aquele professor intrometido tinha revirado tudo de cabeça pra baixo no dia anterior. Respirei fundo. Não! Não vou começar o dia irritada. Aquela era uma manhã bela demais para ser estragada com pensamentos tão ruins.

Logo o sinal tocou e dirigi-me para a primeira sala. Os alunos já estavam sentados quando entrei. Ouvia os sussurros, perguntando uns aos outros sobre quem eu era e não pude deixar de sorrir. Deixei meu material na mesa e virei-me para eles:

-Bom dia, alunos! Meu nome é Paola Carosella, e sou sua nova professora de história!

Apresentei um pouco sobre minha pessoa e logo iniciei a aula. Foi uma manhã produtiva, com dois horários seguidos para aquela turma. Passei todo o conteúdo, expliquei e corrigimos juntos alguns exercícios. Havia sido mais fácil que o esperado, e me sentia feliz com os primeiros resultados. Quando menos esperava, o sinal para o intervalo soou e liberei a turma. Eles saíram em disparada ao pátio. Ou melhor, quase todos. De repente, vejo uma cabeleira morena se aproximar de minha mesa:

-Bom dia senhorita Caro...Caros... –Ela tentava a pronúncia do espanhol

-Carosella – Sorri para a menina a minha frente.

-Carosella! – Ela repetiu, orgulhosa do sotaque – Meu nome é Lívia e sou a representante da turma. Gostaria, em nome de todos, de dar as boas-vindas!

-Muito obrigada, mocinha! – Sorri em agradecimento. Ouvimos alguém chamar seu nome. Ela pediu licença e logo se retirou. Segui os passos dela e também sai da sala, levando todo meu material de volta para a sala dos professores e encontrando Patrício no meio do caminho

-Ah! Exatamente quem eu queria encontrar – Se aproximou, pegando alguns livros que eu segurava em meus braços–E então, como foi o primeiro dia de aula?

-Olha... Para ser sincera, bem melhor do que eu esperava!

-Eu sabia! Não tem como não amarem a senhorita Carosella – Ele riu.

 Logo chegamos na sala, que estava lotada. Os professores trocavam conversas altas enquanto bebiam café. Tive a infelicidade de direcionar meu olhar para uma das pontas da mesa e encontrar o professor intrometido. Nossos olhares se encontraram enquanto ele mostrava o famoso sorriso debochado que eu tanto odiava e pude jurar que o mataria ali mesmo. Sentei o mais afastada possível dele e de sua presença não agradável. Aceitei o café que me foi oferecido e fiquei ali, em silêncio, ouvindo as conversas alheias. Todos pareciam muito entrosados, falando sobre assuntos particulares e pessoais dos quais eu não conhecia. Não ousei me intrometer em momento algum. Para completar, meu único amigo com quem poderia ter conversas assim estava ocupado com sua coordenadora que entrou na sala com milhões de assuntos importantes. Não me restava muita escolha a não ser apenas sorrir ou concordar com a cabeça sobre algo que era lançado na roda de assuntos até o sinal finalmente tocar e todos levantarem ao mesmo tempo para suas respectivas salas. Esperei que todos já tivessem ido para só então me levantar. Atrás de mim, ouvi um sussurro:

“Fale com ela”

Era a voz de Ana, e estava se dirigindo ao diretor a seu lado. Ele logo me chamou pelo nome e virei-me para olhá-los:

-Paola, você poderia ir à minha sala depois do expediente?

Engoli em seco. Assenti e sem conseguir dizer mais nada apressei-me para a sala de aula. Diferente da primeira parte da manhã, esta segunda se estendia preguiçosamente ou ao menos era o que eu sentia. Tentava passar segurança enquanto estava na frente explicando, mas por dentro só conseguia me perguntar onde foi que já havia errado para ser chamada na sala do diretor em meu primeiro dia. Não parecia ser para uma conversa entre amigos.
Terminei a manhã rebobinando meus pensamentos em cada ação e atitude minha, tentando achar algum erro e quase não percebi quando as aulas finalmente terminaram. Esperei os alunos saírem em fila e então corri para a sala da diretoria. Antes que pudesse bater na porta, percebi que ela estava entre aberta. Era possível ver Ana e Patrício lá dentro e conseguia ouvir um pouco da conversa. Céus, em que estágio eu já havia chego para escutar conversas alheias?

-Ahh Padrão! Essas suas ideias... – Ele murmurava entre suspiros

-Lá no fundo, você sabe que eu tenho razão! Vamos Pato... – Fazia muito tempo que não via alguém o chamando por esse diminutivo. Patrício nunca falava do apelido que sua família lhe dera. Era algo bem íntimo e poucas pessoas sabiam – Fale com ela. Por favor!

-Essa vozinha manhosa não! – Era possível ouvir apenas as risadas dos dois e algum gracejo de Ana que eu não conseguia ver.

Meu Deus, eu estava atrapalhando alguma coisa?

-Aqui no Brasil a gente não costuma escutar as conversas atrás da porta... Só pra você saber, gringa!

Pulei de susto ao me virar e encarar a única pessoa que me chamava daquela forma tão irritante. Do outro lado do corredor, aquele homem irritante me dizia isso em voz bem audível antes de sair gargalhando para fora do colégio. Abri minha boca para responde-lo, sem ligar para o quão grosseira eu pareceria quando ouvi uma voz vinda de dentro da sala. Era Ana, que abria a porta para mim e dizia:

-Pode entrar, Paola!

Senti todas as minhas cores indo embora. Será que eles haviam ouvido o que aquele homem tinha gritado no corredor? O motivo de minha irritação havia sumido e novamente a preocupação tomou conta de mim. A porta estava aberta, esperando que eu passasse por ela

Então eu entrei. 


Notas Finais


E agora, o que será que vem por aí?? Deixem aqui embaixo seus comentários e teorias. Dicas são sempre bem vindas!
No demais, só espero que vocês tenham gostado. Muito obrigada por todo o apoio
Bjs para todos vocês!


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