História Leal a seu senhor - Capítulo 10


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Orange, Poesias, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Canibalismo, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Os olhos do pai - Parte 1


Fanfic / Fanfiction Leal a seu senhor - Capítulo 10 - Os olhos do pai - Parte 1

Voltando o foco para Kumamoto...Depois de toda a briga na floresta, os deuses da guerra, Howori e Kodama puderam descansar no templo de Tamonten. Junto a eles, estava o Hogosha Javali corrompido, o animal estava calmo, e era óbvio que sofria.

—O que faremos com esse traste? —Perguntou Howori intencionalmente, para atingir Kodama.

—Se acha que vai mata-lo, está enganado, não deixarei—Rebateu a deusa se escorando em Bishamon, quase derrubando o deus.

—Eu não sigo ordens de uma divindade Yokai, aliás, não sigo ordens de nenhum yokai. Eu caço o que eu quiser e mato também o que eu bem entender— Disse o deus da caça, era visível sua repulsa por Kodoma.

—Pois bem.... Seja idiota como um humano então, eu sempre esperei mais de você Howori. Mas vejo que estava errada, você é só mais um deus arrogante metido a machão, achando que tudo se resolve com violência e morte—Disse Kodama calmamente.

—E se eu for? O que você tem a ver com isso? —Disse Howori vermelho de raiva.

—Chega! —Gritou Bishamon—Vocês dois, parem de discutir. Não me importa seus motivos, apenas parem.

—Mas foi ela que... —Tentou Howori argumentar.

—Não quero saber—Bishamon virou-se para o deus da caça, e olhando em seus olhos disse firme—E se você fizer algum mal a Kodama, juro que quebrarei teu arco!

Howori não estava levando Tamonten muito a sério, já que o mesmo ainda estava como Yuka, mas aquele olhar fez o deus gelar a alma. Bishamon pediu para que Kodama voltasse a seu tamanho de fada e que ficasse em seu ombro, ela prontamente atendeu ao pedido de Tamonten, a deusa raramente ouvia um pedido assim, ninguém nunca a levava a sério sendo tão pequena, somente seus Inugami entendiam sua vontade em ser delicada minúscula.

Assim que chegaram ao templo, todos os deuses foram até a fonte se limpar, enquanto Bishamon e Kodama prendiam o javali á cerejeira sagrada no meio do templo. O Javali parecia sofrer mais ainda naquele ambiente, mas ele não era o único, a chifrada que Bishamon levara havia lhe dilacerado por dentro, estava com uma dor aguda, mas ele não podia esboçar tal coisa.

—Tadinho, está tão machucado—Disse Kodama abraçando o Hogo-sha, lágrimas rolavam involuntariamente de seus olhos—Não se preocupe, vai ficar tudo bem.

—Eu não quero te desesperar, ou desanimar.... Mas acho difícil ele ficar bem, nunca vi ninguém ser limpo de tamanha corrupção, se o estrago feito por um Oni já é enorme, imagine um Kamikui.

—Minha fé é maior que isso—Disse Kodama sorrindo.

—Como quiser—Disse Bishamon respeitando a dor da deusa —Agora vamos Kodama, os outros estão nos esperando no salão principal.

Tamonten estava a ponto de desmaiar, mas sua força e vontade o faziam permanecer forte e firme. Sua única alegria naquele momento, era saber que Emi, sua amada e protegida estrelinha, estava bem longe daquilo tudo. Os deuses sentaram-se para tomar chá e discutir o que fazer com o Hogo-sha, passaram cerca de meia hora basicamente reclamando de suas dores e machucados, enquanto isso Bishamon permanecia firme, como se nada houvesse lhe acertado e nada estivesse latejando.

Após todos irem embora, o javali permaneceu no templo segundo o pedido da própria Kodoma, sua corrente estava selada e não podia ser quebrada por nada, além do mais, dois de seus inugamis iriam o vigiar até que a deusa tivesse uma ideia melhor que prender o animal. Bishamon passou a noite numa banheira com água santificada, suas feridas não se curavam e a dor só aumentava, ele estava começando a ficar preocupado.

.....................***....................

De madrugada, antes do sol nascer o deus foi acordado com um uivo estridente dos lobisomens guardiões de Kodoma. Bishamon acordou assustado e saiu das águas sujas com seu próprio sangue em um pulo, pegou uma manta, se cobriu e foi ver o que havia acontecido.

Seu coração parou de bater momentaneamente ao sair da cabana onde dormia, um dos shinkis de Kodama segurava Emi em suas enormes mãos, o outro uivava desesperado. Bishamon correu como um raio até sua protegida, ele não queria saber o que havia acontecido, tudo que precisava naquele momento, era ter seu pequeno tesouro em mãos, apenas isso importava.

—Emi! Emi! — Gritava o deus segurando a criança enquanto segurava lágrimas aparentes em seus olhos.

—Ela não está morta, só dormindo —Disse o inugami mais baixo.

Bishamon abaixou-se e encostou a cabeça no peito da menina, seu coração ainda batia, e batia forte, isso fez o deus se acalmar.

—O que houve? Por que ela está aqui? — Disse Bishamon cobrindo a criança com o pano que cobria seu dorso.

Os skinkis apontaram para o javali, as correntes que o seguravam estavam quebradas, o Hogo-sha dormiam ao lado de um lodo negro que aparentemente era dele.

—Ela está só dormindo—Repetiu o shinki.

—Eu já entendi isso, raios, o que houve com minha Emi? O que vocês fizeram a ela? —Dizia sério, nervoso por tal situação.

O shinki aproximou-se, e começou a encarar Bishamon, como forma de desafio, ambos olhavam fixamente nos olhos um do outro, o deus já estava pronto para chamar sua lança naquele momento. Mas foi então que Bishamon percebeu uma coisa, os olhos do Inugami eram brancos como seus próprios olhos. Ao ver aquilo, se deu conta do que estava acontecendo, era tudo um sonho.

Então, a máscara que cobria o rosto do shinki caiu, quem estava falando com ele, era a única mulher no mundo que podia ter olhos da mesma cor que os seus, e não ser cega. Ryuka havia lhe preparado uma armadilha, e finalmente dado as caras para o deus.

—O que faz aqui?! —Gritou Bishamon. 

—Nada, só fazendo uma pesquisa... —Disse Ryuka, banhada pelo lodo do Yomi que escorria por entre seus cabelos e ia até a ponta dos seus pés.

—O que você fez à Emi? — Gritou novamente o deus, vendo a miragem de sua amada Emi, se desfazer por entre seus dedos.

—Nada.... Ainda— Ryuka então deu uma gargalhada e foi sumindo aos poucos da consciência de Bishamon.

.....................***....................

Bishamon acordou ofegante, estava na mesma banheira que havia ido dormir, mas ao invés de água, só havia lodo naquele recipiente. Ele então saiu da água e viu que várias sanguessugas estavam grudadas ao seu corpo. As mesmas sugavam-lhe e deixavam seu corpo, já debilitado, mais fraco ainda.

O deus pegou um balde, que ainda estava limpo e jogou a água dentro dele sobre si. A água do Jinsei fez sua pele queimar, os parasitas caíram na hora. Ele estava extremamente fraco, e sentia que não estava sozinho. Ryuka devia ter arrumado um jeito de entrar em seu templo, foi então que se lembrou do Javali.

Então, cambaleando saiu de sua cabana e gritou pelos inugamis que ainda estavam em seu templo, o vento estava forte, era impossível escutar algo um pouco a diante. Então andou até a cerejeira de seu templo, e lá viu o javali, liberto de suas amarras, sobre o corpo dos enormes lobisomens.

Seus olhos estavam mais vermelhos que o normal, brilhavam na escuridão. Foi então que das sombras saiu Ryuka, seus olhos brancos também brilhavam.

—O que você fez?! —Gritou o deus empunhando sua lança — Minhas sacerdotisas? Você...

—Não encostei a mão em um ser humano nessa villa, mas esses inugamis, me irritaram. Ora, onde já se viu, prenderem meu bichinho.

—Eles eram da sua madrinha! —Disse Bishamon tentando aparentar um pouco de força.

—Kodamagami não era minha madrinha, se fosse ela teria salvo minha família.

—Deuses não podem interferir nos assuntos da morte, somente ela podia resolver seu problema.

—E você?! Você é o que?! —Gritou Ryuka, com lágrimas em seus olhos —O grande e poderoso Bishamonten, deus da guerra, respeitado e poderoso. Você trabalha com a morte e vêm me dizer que não podia fazer nada? Sempre pensei que você fosse meu amigo, nunca pensei que pudesse me abandonar... Mas...

—Já chega desse teatro! —Disse Bishamon sério —Eu não me arrependo de nada que tenha feito ou deixado de fazer por você. Deuses não devem explicações a humanos. Agora vamos ao que interessa.... Onde está Emi!

—Ora, já que é tão grosso e insensível, também serei. Ela está aonde tudo isso começou. Se quiser buscá-la, sabe onde me encontrar—Disse Ryuka rindo—Aliás, você deviria não ter me recusado com Miko quando teve chance.... Talvez nada disso estivesse acontecendo.

Ryuka então sumiu por entre as sombras junto ao Javali de Kodama. Bishamon então desmontou no chão, estava extremamente cansado, seus olhos foram se fechando involuntariamente, então, antes que seus olhos se fecharem, ele viu Kodama e então perdeu para a exaustão.

 

 

 

 

 



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