História Lembranças - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Tags Vauseman
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Palavras 3.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - A pequena sereia.


E em uma tarde de sexta, enquanto atravessava o corredor vazio do hospital, usando seu uniforme azul, Piper recebeu uma ligação.

Tinha acabado de passar por Olivia e seus amigos perto do refeitório, eles riam de alguma piada e brincavam cutucando uns aos outros, e assim que viu Piper, ela sorriu amigavelmente e retribuiu o sorriso com a mesma familiaridade.

Aparentemente, Olivia não tinha ressentimentos do encontro desastroso que as duas tiverem alguns meses antes, nem mesmo Piper se sentia envergonhada por ter sido a fonte da catástrofe. Aquilo serviu para algum propósito, ao fim. Elas até conversavam às vezes. Olivia em algumas vezes até deixava a mesa dos amigos para almoçar com Piper, ela sempre falava sem parar e sempre fazia com que risse. De certa forma, aquele encontro serviu para que criassem alguma conexão, que Piper gostava de chamar de amizade.

Já estava perto do consultório do doutor Marshall, ele tinha avisado que precisava falar com ela sobre sua futura transferência para São Francisco, quando seu celular tocou. Não costumava andar com seu celular no hospital, mas nas últimas semanas, Ariel tinha simplesmente se tornado uma criança carente. Não carente de afeto, mas de conhecimento.

Todos os dias ela fazia inúmeras ligações para o celular de Piper, sempre com alguma pergunta sobre seu passado ou o de Brad, às vezes, até mesmo Alex entrava na fileira de perguntas, e então, assim que ouvia as respostas, ela desligava, sem mesmo se despedir. A relação das duas ainda estava estranha, ela tinha se tornado um pouco fria, mas naquelas ligações, Piper sentia que sua filha doce, tagarela e fã do Discovery, ainda estava perto, ela só estava se escondendo atrás do orgulho.

E quando seu celular vibrou na sua mão, até achou que fosse sua filha com mais uma pergunta, mas assim que leu o nome da mãe de Alex no visor seu coração quase parou. Tentou não entrar em pânico, já tinha entrado em pânico quando Diane avisou da visita que Brad queria fazer a Ariel e aquilo terminou em uma catástrofe tão grande que ela todos os dias sentia-se flagelada de olhar Alex nos olhos e precisar esconder seu encontro com Brad da noiva. Sentia que seu coração pesava como um navio de carga sempre que olhava para Alex, beijava-a, acariciava-a e sabia que escondia um segredo. Sentia-se uma falsa, uma mentirosa e odiava ter aquela imagem de si. No fundo, sentia que não merecia Alex, ela era tão compreensiva, tão amorosa, tão... Alex. E saber daquilo só a angustiava ainda mais, só a fazia se sentir mais e mais egoísta por não conseguir contar a verdade.

Tinha certeza que Alex já tinha percebido que tinha alguma coisa errada porque mesmo ela, tinha começado a se recolher para si nas últimas semanas. Ainda a acordava com um beijo todos os dias, ainda faziam amor no meio da noite, ainda trocavam palavras de amor e carinho, Alex ainda era seu porto seguro e era sempre seu maior apoio quando ela só queria se trancar no banheiro e chorar com medo de perder a filha, mas o ambiente era de cautela. Parecia que calculavam seus passos uma para a outra, como se tivessem medo de pisar no lugar errado E cautela era uma coisa que as duas nunca tiveram.

Apesar disso, Alex não perguntou nada sobre aquela manhã. Em seu coração, Piper também sentia que ela tinha algo para contar, mas não sabia como falar, e sempre que pensava nessa sua intuição, o coração de Piper pesava um pouco mais, então decidiu acreditar que era apenas sua imaginação para que se sentisse menos culpada.

O único alívio em toda aquela sua decisão precipitada de visitar Brad foi que ele desistiu, sem nenhum motivo aparente, da visita que queria fazer a Ariel. Alguma coisa que Piper fez ou disse naquela manhã em seu escritório o fez desistir. E aquele era seu único consolo.

Clicou no botão de atender do telefone ainda sentindo um aperto no coração e o levou até a orelha.

 

— Alô – disse, ouvindo a precaução em sua voz.

— Piper? Tenho notícias – Diane anunciou do outro lado da linha, sem fazer rodeios.

 

Piper não respondeu, tinha medo da resposta, então esperou que ela viesse sem sua permissão.

 

— A audiência foi marcada – a mulher disse de uma só vez, seguindo a ideia de retirar o curativo de uma só vez – Depois de amanhã você precisa estar em Fresno. Lembre-se de avisar ao seu pai, Alex e a Lorna, eles são minhas primeiras testemunhas, não podem de forma alguma faltar.

— Tudo bem... – a resposta saiu arrastada e sem força dos lábios de Piper, não sabia como responder aquilo.

 

Ouviu Diane respirar fundo do outro lado.

Sabia que ela também detestava aquela situação, mesmo conhecendo Ariel apenas há alguns meses, a mulher tinha se apegado a ela como uma verdadeira avó. Sempre que as visitava para contar sobre o processo, enchia Ariel de mimos e beijos. Sabia que ela detestava aquela situação por completo, que se pudesse, ela mesma decretaria a prisão de Brad, embora não soubesse da história completa.  Não havia que ninguém pudesse fazer, na verdade. Apenas torcer para que a justiça servisse ao seu propósito.

 

— Vai dar tudo certo, querida – garantiu, usando seu tom mais confiante que conseguiu.

 

Tentou ficar tranquila na frente do doutor Marshall e conversar animadamente sobre o hospital de São Francisco que ele iria ser transferido e que, segundo ele, coincidentemente soube que sua melhor estudante estava querendo ir para o mesmo hospital. No entanto, enquanto ouvia o médico conhecido por seu mau humor falar animado sobre como seria bom tê-la em sua equipe no hospital, Piper só ouvia seus pés batendo no piso de linóleo, impacientes.

Na sua cabeça, um turbilhão de sentimentos, mas sentia o nervosismo se sobrepondo a todos eles. A ansiedade era como uma corrente elétrica atravessando seu corpo. Suas mãos abriam e fecharam sem parar, tentando afastar aquela corrente de si. Dirigiu como louca até em casa, sem se preocupar com os pneus do seu carro a cada arrancada que dava.

Encontrou Alex e Ariel na sala assim que abriu a porta de casa, brincavam de alguma coisa usando os aeromodelos que a menina tinha ganhado de Alfred ao longo do tempo em que se conheceram, o senhor simpático não tinha passado um único final de semana longe da menina, a tinha adotado como sua bisneta, assim como Nora fez.

Assim que viu o rosto da noiva surgir na porta, Alex soube que tinha acontecido algo errado. Ela se levantou do chão da sala e deu passos largos até onde Piper estava, e assim que ela tocou suas mãos, Piper percebeu o choque de temperaturas. Não tinha imaginado que estava tão gelada até tocar as mãos cheias de calor de Alex.

 

— Eles marcaram – foi tudo que ela conseguiu dizer.

 

Sentiu as mãos de Alex a puxar para seu peito, abraçando-a e acariciando suas costas para conforta-la.

 

— Vai ficar tudo bem – ela sussurrou

 

Piper fechou os olhos e inspirou o perfume de Alex. Adorava seu perfume.

Havia algo naquele cheiro amadeirado que sempre a fazia se sentir em casa. Como se casa não fosse um lugar, mas sim, ela. Enterrou seu nariz no pescoço dela. E deixou que o cheiro tomasse conta dela.  

Ficaram daquela forma por quase um minuto, até ouvirem a voz de Ariel chamando-as, e Piper senti-la puxando a blusa de Piper para chamar sua atenção.

 

— Você tem medo de me perder ou você tem medo apenas dele? – a forma natural, direta e simples que Ariel perguntou fez com que a loira sentisse as pernas falharem, agradeceu por ainda estar nos braços de Alex.

 

Com cuidado, a mulher se agachou para ficar da altura da filha e arrumou as mechas loiras do cabelo dela atrás de sua orelha.

Era verdade o que todos diziam, Ariel se parecia muito com ela quando era criança. Os mesmos olhos azuis – que os juízes de concursos costumavam chamar de oceanos profundos -, os mesmos lábios, o mesmo nariz. Mas Ariel tinha uma maturidade e coragem de ver a vida que Piper nunca teve. E que se orgulhava da filha por aquilo.

Sorriu com carinho para a dona de todo seu coração e ficou satisfeita quando a viu retribuir. Ela finalmente a tinha perdoado. E mesmo sentindo seu coração pesar mais do que aquele navio de carga, sentiu que naquele minuto, ele tinha ficado leve.

 

— Eu sempre vou ter medo de perder você, amor – Piper disse, abrindo um pouco mais seu sorriso e depositando ainda mais carinho nele.

— Mãe, eu sei que sou nova e tudo isso que vocês falam, mas não sou tola...

— É claro que não é, acho que no fundo, você sempre foi filha da Alex, esse atrevimento você herdou dela – Piper a interrompeu com uma risada baixa.

— Ei! – Alex tentou se defender de onde estava.

 

Ariel ignorou o pequeno conflito que tinha se instalado entre suas mães com os ombros e voltou a olhar para Piper.

 

— Por favor, escute... – ela pediu em um cochicho – sei que sou uma criança, mas a Dakota sempre diz que tenho uma alma de gente velha presa no meu corpo, nunca entendi isso, parece que ela está me chamando de resmungona e Deus, eu sou muito paciente, tenho paciência até mesmo para aquelas crianças que agora decidiram ver Hannah Montana, como se fosse algo melhor do que a Dora. A garota acha que engana quem com aquela peruca loira? Ela só mudou o cabelo! – ela girou os olhos, batendo os pés no piso.

 

Piper e Alex tentaram não rir, ela parecia estar falando sério. Então, ela continuou seu pequeno discurso:

 

— Mas eu percebi que sempre que o assunto surge, você fica triste e a mãe Al fica com raiva... E une a calma que ainda resta nela para te acalmar. Mãe... – ela pareceu buscar palavras no fundo da sua mente infantil antes de continuar: – Ele te machucou, não é? Eu sei que existem homens ruins que fazem isso, machucam as mulheres... Por favor, não minta para mim, você já mentiu muito e eu mereço saber a verdade.

 

O coração da mãe parou de bater por um segundo e então ele acelerou, martelando alto em suas costelas. Começou a sentir uma leve falta de ar e em um ato de total desespero, olhou para Alex em busca de um pouco de apoio ou uma resposta plausível para o que tinha acabado de ouvir da filha. Mas os olhos verdes de Alex pareciam tão confusos, perdidos e chocados quanto os dela.

De todas as perguntas que tinha para ouvido de Ariel ao longo daquelas duas semanas desde que ela soube do pai, nunca imaginou que sua pequena conclusão tinha sido aquela, tão certeira e ao mesmo tempo, tão cruel.

Uma criança não merecia saber uma verdade tão crua. Ela era apenas um bebê! Um bebê que Piper ninou e amamentou com seu próprio leite, um bebê que chorava nas noites de tempestade e que se enroscava no corpo da mãe nas noites frias. Um bebê que ela viu sentar, engatinhar, tentar andar aos tropeços no chão da sala. Um bebê que pronunciou “mama” como sua primeira palavra e a fez chorar de felicidade por meses. Um bebê que sempre que a chamava de mãe a emocionava, mesmo quase sete anos depois.

Não, um bebê não merecia saber de tanta dor. Não o seu bebê.

Se pudesse, Piper a guardaria para sempre longe de todos aqueles problemas, de toda a dor e todo o sofrimento do mundo. O amor que sentia por Ariel era completamente irracional, capaz de qualquer coisa apenas para defendê-la. E talvez fosse por aquele motivo que nunca tivesse perdoado Mary por tudo que fez, mães protegem seus filhos, cuidam, querem chorar sempre que os veem chorando e nunca, nunca os abandonam.

Juntando um pouco de sua racionalidade, Piper encarou o rosto da filha. Imediatamente, lembrou-se do dia em que ela nasceu. Estava sentada na varanda de casa, conversando com Dakota e acariciando sua barriga quando sentiu um líquido escorrer por suas pernas. O parto tinha sido marcado para semanas depois naquele mesmo dia. No mesmo minuto, Dakota soltou um comentário, que Piper nunca esqueceu:

 

— Parece que essa menina tem seu próprio tempo.

 

Dakota estava certa, ela tinha. Ariel funcionava em seu próprio tempo. Tinha crescido além dos seus seis anos. Ainda se permitia ser uma criança. Uma criança que brincava com todos os seus brinquedos, ainda esperneava, fazia manha, mas uma criança que tinha uma maturidade que as outras crianças não tinham. E foi com aquele pensamento que Piper percebeu que não tinha como mentir.

Engoliu a seco, antes que pudesse finalmente responder. Não podia deixar sua voz falhar ou gaguejar naquele momento.

 

— É verdade, querida... Ele me machucou, como os homens machucam as mulheres e é por isso que eu o odeio tanto – se surpreendeu com a segurança na sua voz, satisfeita, decidiu continuar: - e por muito tempo, isso me assustou muito. Sempre tive medo de voltar para Fresno, vim morar longe para que não pudesse revê-lo, e precisei deixar que Alex fosse viver sozinha sua vida porque não queria prende-la em meu próprio sofrimento. Muitas pessoas ficaram contra mim, principalmente minha mãe... Mas não me arrependo. Sempre que estou assim, olhando em seus olhos, eu sei que não tomei nenhuma decisão errada e mesmo minha dor, serviu para que eu ganhasse meu maior presente, você. Eu não te trocaria por nada, Ari. Você foi feita sob medida para mim.

 

A menina ouviu aquilo tudo com atenção exacerbada a cada palavra. Piper encarava suas bochechas recheadas e rosadas, esperando com medo sua resposta. Sentiu a mão de Alex pousar em seu ombro e aperta-lo delicadamente, apenas demonstrando em silêncio que estava ali. Imediatamente, uma onda de conforto correu dos ombros e atravessou por todo seu corpo.

 

— Ele é uma pessoa má? – a menina finalmente perguntou, e daquela vez a maturidade tinha sumido e pode se sentir certa ingenuidade em sua voz.

 

Apesar de todo o mal que Brad a tinha causado, Piper não queria que sua filha o odiasse. Tinha conversado aquilo com Alex em uma noite, ela contara da conversa que teve com Ariel na fatídica manhã em que ela descobriu a verdade sobre seu pai, e Alex dissera que não tinha falado mal de Brad para a menina porque apesar de tudo, ela tinha direito de ter sua própria opinião sobre aquele que Piper se recusava a chamar de pai dela. E mesmo com toda aquela amargura que carregava em seu coração e que ele tinha dado a ela, não queria afetar Ariel. Era por ela, não por ele.

 

— Não, querida... – ela se apressou dizendo – ele foi malvado comigo, mas não com você, eu duvido que alguém consiga ter alguma maldade olhando para seus olhinhos doces – e acariciou a bochecha da filha com o polegar.

— Até porque se ele fosse malvado com você, enfrentaria minha fúria – Piper virou para ver Alex assim que a ouviu dizer aquilo e ela estava de braços cruzados sobre o peito e sobrancelhas arqueadas.

— Espero que ele não goste dos Rolling Stones, nem da Dora e muito menos da Hannah Montana.

 

E daquela vez, todas riram. E o clima pesado da notícia acabou esvaindo. Brad nunca conseguiria roubar aquilo. Ele podia conhecer quem quisesse, mas nunca conseguiria fazer com que aqueles momentos não existissem na memória de Piper.

 

XXX

 

 

Estranhamente, na manhã do julgamento, Piper acordou tranquila.

Tinha dividido a cama a noite com Alex e Ariel e saber que as duas estavam perto a aliviava. Não temia Brad ou seu exército. Enquanto ela se arrumava, vestido uma camiseta de botões rosa pensava que ele que viesse, ela o encararia, sem abaixar a cabeça. Arrumou seus cabelos em um coque, como Diane tinha orientado por mensagem naquela manhã. Tinha que parecer uma mãe, segundo ela. Também usou um colar de pérolas que tinha ganhado da mãe aos quinze anos e que até aquele dia não sabia porque tinha colocado na sua mala quando foi embora de casa, finalmente ele serviria a algum propósito.

Na noite anterior, ela e Alex tinham ensaiado como seria o testemunho dela. A ideia tinha partido de Diane, ela dissera que queria demonstrar que Ariel tinha uma base familiar forte e isso dispensava a necessidade de Brad. Mas o ensaio não passou de risadas uma para a outra tentando parecer sérias. Naquela noite, antes de Ariel subir na cama das duas e se encaixar entre elas, Piper percebeu o quanto amava Alex, mais uma vez. Ela tinha se tornado tudo para ela. Era a base daquela família e quem a sustentava. Não imaginava sua vida sem ela.

E enquanto via Alex e Ariel comendo e rindo uma para outra na mesa da cozinha, mais uma vez, Piper tinha certeza que estava com a mulher certa. Alguém que se atiraria no fogo junto com ela se ela pedisse. A partir daquele segundo, ela decidiu que não haveria mais segredos entre as duas. Contaria o que houve com Brad na manhã em que disse ter ido ao hospital e imploraria que ela a compreendesse.

Estava decidido, faria aquilo assim que chegassem da primeira audiência.

Antes de saírem, Ariel a abraçou com força e disse para que fosse forte. Não queria, mas acabou derramando algumas lágrimas diante da filha e aquele pedido tão infantil, mas tão sincero. E durante todo o percurso, precisou segurar as lágrimas ao sentir a mão de Alex junto a sua, querendo conforta-la.

 

— Está nervosa? – Alex perguntou, passando a mão por suas costas assim que chegaram ao tribunal.

— Com medo de perdê-la.

 

De repente, toda aquela sua coragem tinha sumido assim que chegou a frente do tribunal. Sentia-se vazia e assustada, como uma criança. Alex sentindo aquilo, a puxou para um abraço. E só se soltaram quando ao longe, Diane apareceu com Lorna e Carl, eles também testemunhariam naquela manhã.

De acordo com Diane, demonstrariam a base familiar de Ariel naquela audiência preliminar, querendo fugir das próximas. Se não desse certo, ela usaria Dakota ou talvez Mary como testemunha, coisa que Piper protestava veementemente. Queria Mary longe de toda aquela confusão o mais rápido possível.

Todos pareciam nervosos, tentando sustentar uma pose de alívio na frente de Piper. Tentavam conversar normalmente. Lorna era a pior, falava sem parar da escola, mas não conseguia disfarçar a preocupação em seu tom de voz.

Agradeceu por não avistarem Brad nem seu time de advogados antes de entrarem no tribunal. Mas a alegria acabou quando o viu sentado com seu advogado do outro lado da sala. Se recusou a encará-lo. Mas no curto segundo que seus olhares se cruzaram, ela percebeu que ele se divertia com tudo aquilo. Atrás dele, Hannah parecia um pouco menos divertida, mas sim, blasé. Imediatamente, Piper precisou dar seu último abraço em Alex, antes que fosse sentar em seu lugar com Diane.

 

— Vai dar tudo certo – ela sussurrou, acalmando-a.

— Alex... Eu amo você, por favor... Não esqueça.

 

O meirinho entrou no meio do tribunal, anunciando que processo era aquele e pedindo a todos que ficassem de pé para receber a juíza do caso. E assim, uma de longos cabelos pretos e pele na cor de chocolate surgiu, usando uma beca de juiz.

 

— Podem se sentar – ela autorizou e todos no recinto obedeceram – advogada de defesa, tem a palavra.

 

Diane se levantou, em seguida prendendo os botões de seu blazer. Ela se direcionou ao meio do salão e gesticulou antes mesmo de começar a falar.

 

— Meritíssima, minha cliente quer o arquivamento desse processo. O senhor Bradley, em momento algum da vida da menor, Ariel Chapman se fez presente e a garota viveu bem com o vínculo apenas na mãe. Por que comprometê-la?

— Protesto! – uma advogada magricela se levantou da mesa em que Brad estava levantando um dedo – a senhora advogada começa a dizer inverdades. O senhor Bradley Green, como vai ser processo no decorrer do processo, em momento algum soube da existência da filha.

— Mantido. E o que tem com base nisso, advogada? – a juíza perguntou direcionando a Diane.

 

Diane sorriu para a advogada magricela, parecendo desafiadora.

 

— Eu gostaria de chamar minha primeira testemunha, Alex Vause.



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