História Lembranças - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Tags Vauseman
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Palavras 4.366
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Enfim, as novas leitoras e as antigas estão empatadas agora.
Bem, esse é o último capítulo que eu postei no site antes de excluir minha antiga conta. Depois disso, apenas surpresas.
Posto assim que puder.

Um beijo a todas!

Capítulo 23 - Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.


 

Alex ouviu o arranhado da cadeira de madeira maciça em que estava sentada no banco de testemunhas assim que se levantou, ao ouviu sua mãe chamando-a diante do juiz. De imediato passou a sentir a responsabilidade incumbida a ela pesar em seus ombros. Apesar de ter ensaiado com sua mãe as perguntas que ela faria e as perguntas que a advogada de defesa faria, ainda sentia-se nervosa. Tinha medo de dizer algo errado e aquilo levar Ariel para longe dela e de Piper. E definitivamente, aquilo a mataria por completo.

A noite anterior, a tensão tinha sido coberta por um sentimento familiar, a velha calmaria que sentiam antes daquela avalanche começar. Depois de Diane ir embora com o ensaio do testemunho, as três tinham decidido que não falariam sobre o julgamento ou sobre o pai de Ariel. A menina não tinha se incomodado, pelo contrário, a proposta tinha partido dela mesma. Queria que suas mães não ficassem tensas, apesar de ainda estar curiosa para conhecer seu pai e demonstrar aquilo fazendo perguntas todos os dias, dessa vez apenas a Alex e Dakota, desde a noite que Piper confessou sofrer abuso, a menina tinha, como era típico dela, agido sabiamente, e não falado mais com Piper sobre o assunto.

E assim, passaram a noite, empoleiradas no sofá da sala, com uma vasilha de pipoca em cada um dos seus respectivos colos, assistindo mais um filme de Audrey Hepburn, dessa vez, Breakfast at Tiffany's, Piper dissera que se visse mais uma vez My Fair Lady, enlouqueceria. Achando graça do comentário da noiva, Alex comprou outro filme.

Quando o sol anunciou um novo dia, o nervosismo tomou conta de Alex em ondas de desespero. A ciência de que aquilo estava mesmo acontecendo tinha chegado junto com os primeiros raios de sol daquela manhã. Precisava reunir a calma que tinha para que Piper não se sentisse insegura. Antes que a noiva acordasse, Alex se levantou da cama e andou com a ponta dos pés até o banheiro.

A água que caía intensamente do chuveiro fora como uma benção. Sentir a pressão da água em seu corpo a ajudou a unir a paz necessária para falar com Piper sem que a deixasse nervosa. E de certa forma, a deixou mais relaxada também.

Mas ali, diante do juiz, olhando de soslaio o sorriso cínico de Brad, Alex se sentia como se tivesse acabado de ser atropelada. Não era apenas o sorriso cínico que a deixava se sentindo mal, era a linguagem corporal do homem, como se já tivesse certeza de que sairia dali vitorioso. Aquilo não apenas a enojava, como fazia todos seus pelos se arrepiarem. 

Caminhou com passos incertos até um meirinho baixo e com braços largos, segurando uma bíblia de capa de couro preta com suas mãos. Se recusou a olhar Piper, ver a esperança que ela carregava em seus olhos do depoimento de Alex salvar suas vidas, mais pioraria do que ajudaria em alguma coisa.

O meirinho indicou que ela levantasse a mão direita e assim ela o fez, fazendo o juramento de que diria apenas a verdade, nada mais do que a verdade. O homem pequeno assentiu e indicou que ela se sentasse em uma cadeira maciça como a que estava minutos antes.

Sua mãe estava a sua frente esperando-a se acomodar para começar suas perguntas, e Alex agradeceu por ela não carregar nenhum olhar de esperança, apenas um conforto impregnado no olhar de que tudo ficaria bem.
Diane devia ter percebido o nervosismo de Alex. Imediatamente, ela relaxou. Sabia que estava em águas conhecidas.

 

— A advogada de defesa tem a palavra – a juíza de pele num tom bonito de chocolate anunciou, seriamente.

 

Diante arrumou seu terno, como um tique nervoso e deu um passo em direção de Alex, mantendo uma distância razoável entre as duas.

 

— Senhorita Vause, por favor... Me conte como conheceu Piper Chapman – Diane pediu, com um carinho na voz que somente Alex percebeu

— Conheci na escola, Julia’s – ela começou a falar, tentando manter as palavras em ordem – eu tinha acabado de me mudar com minha mãe para um bairro melhor de Fresno, e eu acabei no Julia’s. Conheci Piper lá, ela namorada Brad, na época.

— Era um namoro feliz?

— Não – Alex afirmou categoricamente – Pelo contrário, todos na escola falavam das traições dele com, inúmeras garotas da escola e em uma manhã eu o vi apertar o braço dela violentamente, apenas porque ela tin...

 

Alex foi interrompida por um baque na mesa do seu lado esquerdo, o barulho quase a fez saltar de susto. Olhou para o local de onde surgira o som e viu a advogada de Brad com as mãos apoiadas na mesa, revelando seu decote e o sutiã de renda vermelho.

 

— Protesto! – ela gritou, um pouco teatral – a testemunha está denegrindo a imagem do seu cliente, em vão.

 

Diane mudou o peso de perna, como sempre fazia quando estava impaciente e olhou para a juíza.

 

— Excelência, Alex Vause está contando apenas o que viu.

 

A juíza ponderou por um segundo e voltou seu olhar para Alex.

 

— Continue, senhorita.

 

Assentiu.

 

— Bom, ele estava com raiva por ela ter cumprimentado o rapaz, não lembro direito o motivo, mas não merecia violência. Desde aquele dia, Piper e eu nos tornamos amigas.

— Considera o senhor Green violento, senhorita Vause?

— Sim – ela respondeu de reflexo — Não apenas por isso, mas por tudo que presenciei ao longo do tempo em que estive com Piper.

— E o que me diz de Ariel Chapman?

 

Alex suspirou e, sem sua permissão, um sorriso brotou em seus lábios.

 

— Ela é totalmente diferente dele. É uma criança muito feliz, divertida e inteligente, como é inteligente – ela riu baixinho – ama assistir o canal Discovery, fala pelos cotovelos, adora brincar e tem suas próprias brincadeiras. É uma criança como poucas. Ariel é peculiar em sua peculiaridade.

— Acha que a senhorita Piper cuida bem da família, senhorita?

— Com certeza – foi sincera – Acho que considerando tudo que Piper passou ao longo dos anos, todas as dificuldades que enfrentou, ela conseguiu criar uma criança maravilhosa e com brilho próprio. Não imagino ninguém que possa fazer isso melhor do que Piper.

 

Diane sorriu, indicando que Alex tinha se saído bem. O alívio que atingiu Alex foi imediato e ela teve coragem de encarar Piper, os lábios dela, que uma vez julgara serem nem grossos nem finos, mas na proporção perfeita para serem beijados, traziam um sorriso que carregava agradecimento, amor e paz. A morena se permitiu corresponder ao sorriso.

 

— Eu encerro aqui, excelência – Diane alegou, voltando ao seu lugar assim que a juíza assentiu.

— A advogada de defesa tem a palavra – a juíza declarou

 

A mulher que minutos antes tinha interrompido o testemunho de Alex se levantou, fechando os portões do seu tailleur branco. Diane tinha dado algumas informações sobre ela no dia anterior. Chamava-se Karen Durst, era jovem, mas já tinha adquirido fama de quem faria de tudo por um caso.

Ela era definitivamente, muito bonita. Tinha um porte de modelo, alta e magra, com cabelos loiros soltos, mas em cachos bonitos. Mas não era apenas a beleza que chamava atenção na imponente mulher, ela carregava consigo um jeito de quem conseguia tudo que queria. 

Deu alguns passos em cima dos seus sapatos de salto até Alex e parou na sua frente, assegurando a mesma distância que Diane.

 

— Senhorita Vause, - ela começou – pode me dizer sua orientação sexual?

 

Diane se levantou prestes a protestar, mas Alex respondeu antes que ela pudesse fazer isso.

 

— Homossexual. Qual a relevância disso?

— E qual a natureza de suas relações com Piper Chapman?

 

A pergunta não chegou com surpresa, era esperado que a advogada fosse usar o relacionamento entre Alex e Piper como argumento de que era melhor que a menina ficasse com um casal heterossexual. O que surpreendera Alex fora que ela fosse usar aquele argumento tão previsível.

 

— Estamos noivas.

— Ora! – ela demonstrou uma surpresa teatralizada – E o que sente em relação a ela, senhorita?

 

Alex fechou os olhos, pensando em que palavras usaria. O que sentia por Piper? Era como definir uma sensação... Não era possível fazer aquilo usando palavras racionais. Seria como definir a sensação de calor na pele, um beijo doce, ou o primeiro dia de neve. Definir o amor, a saudade. Piper era tudo. Piper estava em tudo

Finalmente, a morena abriu os olhos e fitou a bonita advogada.

 

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.

 

A mulher levantou as sobrancelhas, evidenciando dessa vez uma surpresa real.

 

— Então você a ama, senhorita?

— Sim, a amo. A amo com todo meu coração, a amo por toda uma vida e por mais mil, se for possível.

 

A advogada assentiu.

 

— Se considera uma pessoa violenta?

 

Alex torceu os lábios e respondeu:

 

— Não.

— Então é verdade que a senhorita terminou um noivado para ficar com Piper?

— Sim, mas não vejo porque isso seria relevante.

— E é verdade que no fim do referido noivado a senhorita levou todas as roupas da senhorita Anne Willow e as queimou de frente ao prédio em que sua mãe, a advogada de defesa desse caso, mora? – a intensa velocidade e força com a que a mulher jogava suas perguntas deixou Alex um pouco tonta – E não é verdade que há algumas semanas você visitou Anne Willow, testemunha desse caso em favor do meu cliente, para que ela desistisse de testemunhar? Não é...

— Eu... Eu... – Alex tentava falar em seu lugar, mas a violência na voz de Karen não permitia.

— Protesto! Está confundindo a testemunha – Diane gritou misturando-se a voz da mulher

— E que julgou aqui o senhor Bradley como violento, quando, na verdade, a senhorita não vai muito longe para conseguir o que quer...

— Deferido – a juíza anunciou

— A senhorita me envergonha por sua hipocrisia – A advogada cuspiu as palavras

— Doutora Karen Durst, contenha-se ou precisei adverti-la. Retirem isso dos autos – a juíza ordenou

 

A mulher finalmente recuou e levantou as sobrancelhas, vitoriosa.

 

— Retirado. Encerro aqui.

 

Alex se levantou do seu lugar sentindo-se zonza com o fluxo de palavras que Karen liberou sobre ela.

Se alguns minutos antes de subir aqueles degraus para dar seu testemunho, se sentia atropelada, naquele momento sentia como se estivesse em rota de colisão.

Caminhava com suas pernas enfraquecidas, cambaleando, sem ouvir o que a juíza ou suas advogadas diziam atrás dela. Sentia apenas um apito dentro de sua cabeça, como aqueles de aviso que canal fora do ar. Sentia-se precisando, ligeiramente, de ar. E incapaz de encarar Piper naquele momento.

Andou em busca do oxigênio que precisava, fora daquela audiência.

No corredor, ela encontrou três cadeiras perto da vidraça. E desviou dos advogados e promotores que passeavam pelo lugar, sentando-se ali. Encostou sua cabeça na parede e fechou os olhos. Tentava reunir a sanidade necessária para voltar e encarar Piper.

A noiva não sabia da conversa que tivera com Anne. Não quis preocupar Piper e também, não havia muito para dizer sobre aquela conversa.

Anne tinha portado tipicamente. Agiu com a mesma infantilidade que sempre agia. Encontrou-se com ela em um café de Fresno conhecido por suas panquecas suculentas. Educadamente, tentando ignorar a raiva que sentia daquela mulher, Alex pediu que se ela quisesse se vingar, fizesse diretamente a pessoa que queria atingir, não a Ariel e nem a Piper, se alguém tinha culpa do relacionamento ter chegado ao fim era ela mesmo, não sua noiva ou a filha. Lembrava-se de como Anne reagiu ao que disse exatamente. Ela jogou os cabelos loiros para trás e disse:

 

— Não há modo melhor de atingir você do que atingir Piper.

 

A veracidade em suas palavras chocou Alex.

Tentou impedir Anne falando dos momentos bons que viveram, como se divertiram e viveram tantos momentos bons juntos e por, um tempo, a antiga namorada de Alex quase se deixou convencer e voltou a ser a boa e velha Anne, mas tudo veio abaixo quando ela notou a aliança em seu dedo. Não disse mais nada, apenas se levantou, com lágrimas nos olhos que fizeram Alex se sentir realmente culpada por tudo que tinha acontecido. Ela podia ser infantil, vingativa, no entanto, ninguém merecia não ser amado.

Pensar no que Piper podia estar achando, deixava Alex ainda mais tonta. Por mais que fosse adepta a mentir para o bem-estar dos outros, Piper jamais admitira uma mentira que pudesse prejudicar sua filha.

Repentinamente, uma voz a despertou do seu devaneio.

 

— Alex?

 

Abriu os olhos e encontrou Anne de pé. Estava pronta para atacar, mas por algum motivo, ela fitou a loira antes. Ela não tinha o olhar maldoso e vingativo de antes. Carregava um olhar que somente Alex e Nicky conheciam: a mesma travessura da juventude. Ela sorria, parecendo um pouco nervosa.

Estava vestindo um vestido branco solto com flores pretas estampando-o, por baixo de um cardigã vermelho. Os cabelos estavam presos em um rabo de cabelo e as pontas de seus cabelos encaracoladas cobriam-lhe o ombro. Não era nada que a Anne vingativa usaria ou faria.

 

Porra. Acha que já não me arrumou problemas demais? – Alex disparou na direção dela

 

Anne suspirou, balançando os ombros. Em seguida, a loira sentou na cadeira ao lado de Alex. Por um segundo, ela ficou apenas sapateando suas sapatilhas vermelhas no piso, tomando coragem de falar, o que quer que fosse falar.

 

— Tem razão de não querer me ouvir, fui muito infantil, maldosa com você, com Piper e, principalmente, com Nicky – ela falou de imediato – Tenho pensado muito desde o dia que nos encontramos e você me falou sobre nossos momentos bons. Seus, meus, de Nicky e até de Piper. Nos divertimos muitos na nossa juventude, eu com meus cabelos coloridos – ela meneou com a cabeça, rindo. – Mas eu... Eu nunca soube quem eu era. Na escola, eu era a amiga de Nicky, depois da escola, eu era sua namorada. E eu, assim como todos da escola, vimos sua despedida e de Piper, havia tanto amor ali... Amor de um jeito que nunca experimentei e que poucas pessoas têm privilégio de experimentar em toda a vida.   E eu quis aquilo. Tenho vergonha em admitir que tive inveja de vocês. Por muitos anos, eu tentei ser ela... Piper. Me vestia como eu achava que ela se vestiria, falava como ela falaria... E Deus... Olha o que fiz a Nicky. Mesmo que aquele não fosse meu objetivo, me fiz de cega e a abandonei, bêbada e drogada em um bar das profundezas de São Francisco.

 

A voz de Anne começou a ganhar um tom embargado. Havia algo na forma como ela pronunciava cada sílaba que transmitia dor, insegurança e arrependimento.

 

— Anne...

— Não! – ela fungou, limpando as lágrimas que começavam a espalhar em seu rosto – não tenha pena de mim, eu não mereço. Depois daquele dia que te encontrei, eu saí e conheci uma mulher incrível! E eu não precisei ser ninguém além de mim mesma, Ally. Ela se chama Olivia, é médica no mesmo hospital de Piper, disse até que conhecia vocês duas e a pequena Ariel – ela explicou e Alex sorriu feliz com a declaração e também pela coincidência – Vim até aqui avisar que não testemunharia mais, já fiz mal demais a todas vocês e Hannah me perguntou o que houve para que eu desistisse. Bem, você deve ter percebido que ela não é uma mulher que aceita um não facilmente. Assisti seu depoimento junto a Olivia da tribuna e... Deus, eu sinto muito. Eu prejudiquei vocês, mesmo quando quis ajudar...

 

Alex colocou sua mão no joelho de Anne e sorriu. Percebeu que a mulher relaxou com aquilo.

 

— Obrigada por voltar, An... Eu senti sua falta – foi tudo que disse

 

Os olhos de Anne voltaram a se encher de lágrimas.

Alex se sentiu feliz com Anne. Desejava que ela fosse feliz. Sempre acreditou que todos mereciam uma chance de serem amados. E mesmo que Anne tivesse cometido alguns erros no caminho, ela não estava imune. Estava feliz que ela tivesse encontrado Olivia, uma amiga a quem Piper sempre falara com tanto carinho. E ainda mais feliz, por Anne finalmente ter percebido que não havia ninguém melhor do que ela.

Sem pensar, Anne se jogou nos braços de Alex e a abraçou com carinho e gratidão.

Podia ainda não ter perdoado Anne por todos os seus erros, mas Alex sabia que aquele era o caminho certo para começar a longa trilha do perdão.
Não disseram mais nada, não havia mais nada para ser dito.

Anne a soltou e a olhou com a mesma gratidão do abraço, com os olhos marejados, desejou boa sorte e ofereceu sua ajuda para o que precisasse. Alex agradeceu e a viu sumir pelos corredores junto com Olivia, que a esperava alguns metros à frente.

Ainda estava sorrindo, observando Olivia e Anne sumirem abraçadas, quando viu algumas pessoas saindo da sala que ela mesma tinha acabado de sair e entre essas pessoas, viu duas marchando em sua direção.

Não teve tempo de tomar ar e pensar no que diria ou como se desculparia pelo que tinha acabado de acontecer diante do juiz. As duas a afogaram com um coro de acusações:

 

— Por que não me contou que foi falar com Anne? – foi a de Diane

— Você foi ver Anne? E não me disse nada? Você mentiu para mim! – foi a vez de Piper

 

Alex se levantou e encarou primeiro a mãe, a quem seria mais fácil se desculpar.

 

— Eu só queria ajudar, Anne queria se vingar de mim, não de Piper. Não queria que acabasse prejudicando. Não falei por que no fim, não ajudou em nada, então deixei para lá, pensando que, Anne também deixaria. E bem, pelo que ela me falou agora, ela deixou, Hannah que não.

 

Diane aceitou a resposta, balançou a cabeça e, por último, lançou um olhar ameaçador, censurando-a:

 

— Nunca mais faça nada sem me falar. Podíamos ter perdido feio.

 

Alex pediu desculpas à mãe e ela pediu licença, indo conversar com seu advogado assistente, Carl e Lorna do outro lado.

Só tinham restado ela e Piper e ela sabia que estava diante de uma bomba prestes a explodir bem na sua frente.

 

— Me desculpe, Pipes – se adiantou em dizer, antes de receber sua enxurrada de incriminações – Eu não achei que seria assim. Eu não achei que a advogada fosse louca e diabólica e nem que só pioraria ao invés de ajudar.

— Você mentiu! – ela gritou – Você podia ter tirado Ariel de mim, mas sua mãe é uma advogada muito boa e conseguiu desfazer seu erro nos testemunhos do meu pai e da minha irmã. Aliás, quer dizer que além de você me omitir fatos que podiam tirar minha filha de mim, você também encontra Anne nos corredores?

 

A acusação cheia de ciúme quase fez Alex sorrir, mas ela sabia que se sorrisse, Piper provavelmente, a mataria. Mordeu os lábios, prendendo o sorriso até se sentir a vontade para falar.

 

— P., não contei porque não ajudaria em muito. Não queria que você se preocupasse. Você já tem tantas preocupações com esse processo. O medo de Ariel ir embora, enfrentar um homem que a machucou, que eu não queria que se irritasse com uma pessoa que queria se vingar de mim, e apenas de mim. Então decidi ir até a cidade e implorar para Anne desistir desse testemunho. E deu certo, apesar do que houve lá dentro, Anne desistiu. Ela veio aqui hoje avisar a louca daquela Karen que não testemunharia, mas você viu como é a mulher... Ela me viu aqui e veio me pedir desculpas, dizer que conheceu alguém por quem se apaixonou, a Olivia sua amiga do hospital, é ela, e falou do seu arrependimento por tudo que fez a nós dias e também a Nicky.

 

Piper suspirou.

Seu olhar furioso foi sumindo aos poucos.

 

— Esse era seu segredo, Alex? – perguntou, mas ela mesma respondeu: - você tem que ser perfeita até nos seus segredos? Me desculpe, Alex... Estou tão nervosa com tudo isso. Sei que jamais faria algo para me prejudicar ou prejudicar Ari. E enquanto eu gritava com você agora, eu sabia disso. Acho que no fundo, eu só estava com ciúmes.

— Você só precisa ter ciúmes de si mesma, a única que pode roubar meu coração de você.

 

Alex sorriu e pousou suas mãos na cintura da mulher. Em resposta, Piper encostou sua cabeça na curva do pescoço da morena.

 

— Eu ia sendo presa hoje... – Piper contou – tinha uma tesoura na mesa da Diane e eu quase a peguei e ataquei aquela advogada do inferno que ficava te mostrando os peitos na minha cara!

 

A noiva de Piper achou graça e beijou seu ombro.

 

— O sutiã dela era vermelho.

 

Piper levantou o rosto, furiosa. O que fez Alex rir ainda mais. Percebendo que estava sendo zombada, Piper começou a dar tapas teles no braço da amada.

 

— Se olhar o sutiã daquela mulher de novo, eu te mato!

 

Demonstrando estar amedrontada, Alex concordou com a cabeça.

De mãos dadas, caminharam até onde Carl, Lorna e Diane conversavam.

A irmã de Piper sorriu assim que percebeu que tinham feito as pazes depois da cena. Lorna era tão apaixonada, quanto podia ser. Ás vezes, a imaginava com Nicky, apesar da diferença de idade, imaginava que se completariam. Esperava que em um futuro distante, pudessem ficar juntas.

Carl também sorriu quando viu as duas. Era ele quem mais apoiava que estivessem juntas. Assim que soube do namoro das duas, foi ele o mais feliz, em um momento em que ficou sozinho com a nora, o médico revelou que nunca tinha visto Piper tão feliz e ela merecia mais do que ninguém a felicidade que Alex a proporcionava. Ficava feliz que as pessoas vissem a felicidade que tentava dar a Piper todos os dias.

 

— Como ficou o julgamento? Eu estraguei tudo com medo daquela advogada filha de Lúcifer?

— Eu confesso que aqueles cabelos loiros me deixaram um pouco assustado, acho que ela tem mesmo parentesco com Lúcifer – Carl concordou.

— Pra mim, ela estava te paquerando – Lorna falou.

— Viu? – Piper gritou, apontando os dedos para Lorna – viu? Ela estava de olho em você!

— Ou no seu decote – Lorna emendou à fala da irmã

— Lorna! – Piper a recriminou

 

Todos riam em coro da cena.

Em reposta, a irmã apenas mostrou as palmas das suas mãos, como se estivesse dizendo que só estava sendo sincera.

Alex riu e beijou a bochecha de Piper, cochichando em seu ouvindo um “eu te amo”, cheiro de paixão.

 

— A juíza vai marcar outra audiência, o processo vai ser levado adiante. Porque não chegamos a uma solução hoje – Diane respondeu finalmente

— Isso é ruim? – perguntou para a mãe, apreensiva

— Não queríamos, mas já era o esperado. Então, nada além da normalidade. Aliás, alguém quer carona para casa?

 

Alex olhou para Piper, mas ela parecia tranquila. Sua calma assustava um pouco, mas ao mesmo tempo, lhe cobria de esperanças. Talvez significasse que ficaria tudo bem.

 

— Preciso ir ao banheiro e nós vamos – cochichou para Piper, e a viu assentir antes de sair em direção ao banheiro.

 

O banheiro não ficava muito longe de onde estavam. No final do corredor a direita, apenas alguns metros de distância.

Alex empurrou a porta e puxou sua mão, de reflexo, assim que sentiu o frio do metal tocar sua mão.

Entrou no lugar cantarolando a música favorita de Ariel e sorrindo por estar fazendo aquilo, sentindo uma pequena pontada de saudade da menina que ficara em casa com Dakota. Amava tanto aquela menina que chegava a doer. Doer qualquer mal que pudessem fazer a ela. Começou a planejar mentalmente o que faria assim que chegassem em casa. Pediria uma pizza e brincaria com Ariel até ela adormecer, dentro do seu forte de lençóis. Também se lembrava de ter visto o anúncio de um documentário sobre dinossauros no Discovery naquela noite, parecia ideal.

Parou na frente da pia e jogou um pouco de água em seu rosto, encarando-o por um tempo. A pele branca, os olhos verdes tinham sido as únicas coisas que herdara do pai e para ela estava de bom tamanho.

Algumas vezes, tinha medo de que Ariel fosse tão magoada por Brad como ela se sentia por seu pai. Ao mesmo tempo, se considerava pronta para estar com ela e consola-la em qualquer espécie de mágoas que fosse enfrentar.

Estava um pouco mais esperançosa do que quando começou aquela manhã. Realmente acreditava que tudo ficaria bem.

Puxou um papel-toalha e passou pelo seu rosto para secar.

Estava pronta para sair, quando ouviu passos de salto entrarem no banheiro. Instintivamente, levantou a cabeça instintivamente para ver de quem se tratava.

Hannah levantou as sobrancelhas e sorriu de um jeito sensual, assim que a viu.

 

— Olha só você... Senhorita... Vause – ela demorou na pronúncia do seu sobrenome

 

Era uma sedução tão óbvia que Alex precisou morder os lábios para não rir. Seu silêncio foi interpretado por Karen como um sinal verde para que continuasse a insinuação.

A loira se aproximou, parando a um passo de distância de Alex e se apoiou na pia, de um jeito que pudesse revelar o decote da blusa de seda preta por baixo do tailleur.

 

— Você namora a loira por muito tempo?

— Sim, estou feliz com ela há muito tempo.

 

A mulher deu o último passo em direção a Alex e pousou um dos seus braços nos ombros da moça, encarando-a com os grandes olhos.

Estava achando aquilo engraçado, a sedução óbvia. Mas o atrevimento a irritou um pouco.

Se desvencilhou da mulher e parou do lado oposto.

 

— É Karen, não é? Acho que você interpretou errado. Eu realmente amo aquela mulher.

— Não quer experimentar algo melhor? – ela sentou-se em cima da pia de mármore preto e abriu as pernas, revelando a calcinha vermelha como o sutiã

 

Daquela vez, Alex não sentiu que deveria prender o riso. Gargalhou na frente dela.

 

— Entendi. Você está com raiva pelo que eu houve no tribunal. Aquilo... São apenas negócios. E você... Me encantou desde a primeira vez que te vi. Acho que nos daríamos bem.

 

Alex parou de rir, mantendo apenas o sorriso, se aproximando dela.

 

— Não, querida. Não estou com raiva. Eu apenas não quero te comer.

 

E assim, ela saiu, deixando Karen ali sem ter o que dizer.

Encontrou Piper na saída. Passou o braço sobre seus braços e a puxou para beija-la.

Ali estava, naquela loira, tudo que procurava. 



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