História Lembranças De Um Verão - Capítulo 42


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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Annabeth Chase, Percy Jackson
Exibições 37
Palavras 2.088
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 42 - Capítulo 41 - Magia


Como eu já imaginava, a conversa com Rachel não foi nada fácil. Primeiro ela se recusava a nos ouvir. Quando dissemos que queríamos explicar uma coisa em relação a Travis ela já nos cortou dizendo que não queria mais saber nada dele. Mais depois de alguma insistência ela acabou cedendo. Nessa hora Percy teve um papel importante, afinal era ele o amigo e em quem ela confiava. Contamos a versão dele da história, mas ela não pareceu se convencer. Tentei argumentar que já tinha presenciado Drew usando de seus dons divinos e que ela conseguia ser realmente muito persuasiva quando queria. Mas mesmo assim a garota ruiva se mantinha convicta com sua decisão.

- Desculpa gente, sei que vocês vieram aqui com a melhor das intensões, mas não penso em perdoar Travis – dizia ela calmamente como se já tivesse superado o fato de ter sido traída pelo namorado – Essa é a versão dele da história, ele pode muito bem ter usado os dons de Drew como desculpa. E mesmo que isso seja verdade, eu não conseguiria voltar com ele depois do que aconteceu, não tem mais clima. Acabei descobrindo que fico melhor sem ele. Então acho que a Annabeth e Drew acabaram me fazendo um favor...

- Bom, se você está dizendo... – disse Percy já sem argumentos para tentar convence-la a dar uma segunda chance a Stoll – Espero que ele entenda e também consiga seguir em frente.

- Ele vai sim – disse ela como se não desse a mínima importância para aquilo – Agora preciso ir, Quíron deixou que eu voltasse para casa para passar uns dias. Até a volta!

Ela parecia bem animada quando se despediu de nós, mas eu me recusava a acreditar que ela tinha superado tudo tão depressa. Era impossível! Seu namorado a havia traído e eu tinha certeza que o acampamento todo já estava sabendo daquela história. E agora ela, do nada, resolve ir passar uns dias em casa, sendo que sua família nunca esta lá. Eu tinha quase certeza de que ela na verdade queria fugir daqui para estar um pouco sozinha. Poder se recuperar desse trauma e esperar a poeira baixar para poder encarar a todos por aqui. Se ela queria camuflar isso com uma máscara de “estou lidando com isso muito bem” eu é que não ia julgá-la. Cada um tinha sua maneira de reagir e enfrentar seus problemas.

Tínhamos almoçado logo antes de ir falar com Rachel, o que significava que ainda restava mais a tarde toda de treinamento. Por incrível que pareça dessa vez eu estava mais animada para as atividades. Com todos os problemas se resolvendo e as coisas voltando ao seu devido lugar o acampamento começava a voltar a ter aquele mesma cara que tinha nos anos anteriores. Quando estávamos tão preocupados com os problemas que ocorriam lá fora que não sobrava tempo para arrumarmos confusão aqui dentro. Eu esperava que a calmaria que parecia se aproximar, não significasse que coisas maiores estavam por vir. Preferia pensar que ainda ia demorar muito pras profecias se concretizarem. Tanto a minha como a grande profecia dos sete semideuses.

Quase no fim da tarde estávamos nos preparando para finalizar a série de exercícios que Quíron havia nos passado. Tratava-se de rastejar por baixo de uma cerca de arrame farpado e depois subir em uma rampa bem íngreme que terminava com uma espécie de cipó onde tínhamos que nos balançar até alcançar o lago e cair na água. Aparentemente parecia algo simples, mas no fim das contas eu tive algumas dificuldades, principalmente na hora de pular correndo o risco de não acertar a mira e pode se espatifar no chão de terra. Mas felizmente consegui cair na água, numa parte funda o suficiente para amortecer minha queda. Percy fez o mesmo sem nenhuma dificuldade. Quando se tratava de algo relacionado à água não tinha pra mais ninguém.

Terminando aquela atividade e já corro para o meu chalé. Depois daquele dia de treino intenso, tudo o que eu queria era entrar debaixo de uma ducha morna e relaxante. Percy quase implorou para ir comigo, mas eu logo o mandei tirar o cavalinho da chuva. Nesse período pós-treino o chalé de Atena, assim como todos os outros que tinham vários moradores, ficava muito movimentado. Foi bom perceber que meus irmãos já não me lançavam olhares de reprovação. Mesmo depois de toda aquela história da Rachel e da vingança. Eles pareciam ter superado o fato de eu agora passar quase que todo o meu tempo livro com Percy e ainda acreditavam na história do falso castigo quando eu não passava as noites em minha cama.

Ao abrir a porta para deixar o meu chalé vi que alguém estava ali parado de costas esperando. Não demorou nada para eu reconhecer a silhueta de Percy mesmo com o céu já escurecendo. Ele se virou assim que ouviu o barulho da porta de abrindo e veio até mim. Cada um andou metade da distância que nos separava até estarmos a poucos centímetros um do outro. Ele se inclinou para me dar um beijo rápido, porém intenso.

- Estava com saudades – disse ele ao olhar nos meus olhos e sorrir.

- Percy, nos vimos há apenas alguns minutos atrás... – disse eu enquanto ria de seu exagero. Ele tinha essa mania de dramatizar as coisas que no fundo me agradava.

- O quê que tem? – ele falava como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo – Não gosto de ficar longe de você nem por um segundo.

- Vai dizer que nunca fica de saco cheio de mim nem um pouquinho? – não pude deixar de implicar com aquilo mesmo tendo achado lindo o que acabara de dizer.

- Não – respondeu ele sem titubear – Até quando você se empenha muito em tentar me encher eu não consigo não gostar de cada instante que estamos juntos – ele ainda conseguia me deixar encabulada e sem palavras com aquelas declarações. Às vezes eu até ficava frustrada de não conseguir retribuir da mesma forma. Mesmo com aquele lance de deixar o coração falar mais alto que a razão, eu ainda tinha dificuldades de expressar o que sentia.

- Você sabe que eu fico sem saber o que dizer quando você me fala essas coisas, não sabe? – foi o melhor que eu consegui dizer e o vi concordando com a cabeça e ainda sorrindo.

- Mas não precisa dizer nada. Só de ver o brilho nos seus olhos e como você torce ligeiramente o canto da boca em um meio sorriso já suficiente para mim.

E foi exatamente aquilo que eu fiz assim que ele terminou de falar. O abracei mais uma vez e lhe dei um beijo mais demorado e profundo. Depois nos encaminhamos ao refeitório para o jantar. Sentamos juntos a mesa do chalé de Poseidon e ficamos conversando animadamente enquanto comíamos. Por sorte Travis não veio nos cobrar nenhuma satisfação quando a nossa tentativa de arrumar as coisas com Rachel. Pelo jeito ele já estava sabendo que ela havia partido. Eu esperava que eles pudessem ter tido ao menos a oportunidade de se despedir e esclarecer a coisas para que nenhum dos dois guardasse rancores.

Depois do jantar seguimos com os outros semideuses para a fogueira e nos sentamos próximo ao fogo para nos aquecermos. Quíron apenas se pronunciou para avisar a todos sobre a ausência do Oráculo de Delfos por alguns dias e para nos orientar quanto as atividades ao longo da semana. Já estávamos quase no fim do verão e nos encaminhávamos para o encerramento das atividades. Quíron sempre preparava algo especial para o último dia de treino. Sempre ficávamos ansiosos para saber do que se tratava, mas ele ainda não havia dado nenhuma dica.

Mais tarde os campistas começaram a se retirar para seus chalés. Eu usei todo meu poder de persuasão, que não era tão efetivo como o de Drew, mas parecia funcionar com Percy, para convencê-lo de que essa noite precisávamos descansar, cada um em seu chalé. Então nada de simular castigo hoje. Apenas deixei que ele me levasse para um lugar escondido na floresta, perto dos campos de morangos, para que ficássemos a sós uns minutos antes do toque de recolher. Ele me conduziu até o alto de uma imensa pedra que ficava a beira de um pequeno penhasco. Ao lado dele havia uma imensa arvore onde eu podia encostar as minhas costas enquanto Percy me abraçava e me beijava sem descanso.

- Acho que está na hora da gente ir... – dizia eu preocupada. Naquele momento não haveria nenhuma ordem que fizesse com que as harpias tivessem que nos tolerar. Se não estivéssemos nos chalés a tempo elas estariam livres para nos matar como quisessem.

- Mas já? – reclamou ele só para não perder o costume.

- Sim senhor, já está tarde – falei como uma mãe que dá bronca num filho desobediente – A não ser que queira virar jantar de harpia, é melhor voltarmos para os chalés agora!

- Está bem, você venceu – rendeu-se ele enfim – Mas prometa que amanhã nós iremos para o nosso “castigo”! – ri da cara séria dele ao fala aquilo.

- Ok, prometo! Agora vamos.

A seguinte sucessão de fatos ocorreu tão rapidamente que eu mal pude me dar conta. Primeiro, Percy segurou minha mão. Segundo, ele girou o corpo para começar a sair dali. Terceiro, ele voltou-se para o lado do penhasco e não o da floresta. Quarto, ele desabou quando seu pé não encontrou a continuação da pedra. Quinto, ele teria se esborrachado no chão que ficava há uns quinze metros de distância de onde estávamos se eu não tivesse segurado firmemente a sua mão. No momento em que Percy caiu, eu também fui puxada, mas consegui me manter lá em cima com o peito pressionado contra a pedra enquanto meu braço lutava para sustentar o peso do corpo dele.

- Aguenta firme – conseguir gritar para ele e percebi que já arfava com o esforço que estava fazendo – Vou te puxar para cima!

- Não, você não vai conseguir – advertiu-me ele que também lutava para segurar minha mão firmemente – Por acaso não teria ai nenhuma corda sobrando não é?

Percy não conseguia deixar o bom humor de lado nem nas situações mais críticas. Ele estava prestes a despencar de um penhasco que talvez não tivesse altura suficiente para mata-lo, mas no mínimo o deixaria gravemente ferido. Eu sentia que nossas mãos começavam a suar e um frio percorreu minha espinha quando sua mão começou a deslizar e se soltar da minha. Eu tinha que pensar rápido ou então teria um namorado espatifado. Então me lembrei do pequeno frasco em meu bolso. Claro! Como não havia pensado nisso antes?

Levei minha outra mão ao meu bolso e peguei a poção. Tirei a tampa com a boca e entornei alguns goles daquele liquido que possuía um gosto doce e cítrico. No mesmo instante em que a poção tocou minha língua senti meu corpo todo se enchendo da mais pura e intacta confiança. Sentia-me poderosa. De repente parecia que nada mais era impossível. Levei o mesmo braço com o quão bebera a poção até o pulso de Percy e o agarrei momentos antes que sua mão se soltara da minha. Não sei de onde havia saído aquela força, mas depois de alguns segundos e puxões eu havia conseguido suspender Percy de volta para a pedra. Eu estava ofegante com o esforço. A poção me tornava capas de tudo, porém não aumentava minha resistência física.

- Uau – foi a primeira coisa que Percy disse depois de se recuperar do susto – Como você conseguiu fazer isso? – ele parecia realmente espantado. Então mostrei o frasco que agora estava vazio jogado próximo a onde eu me encontrava.

- Eu não tive escolha – disse tentando me justificar já que havia usado a poção que ele ganhara – Me desculpe.

- Está se desculpando por salvar a minha vida? – disse ele incrédulo.

- Acho que esse penhasco não tinha altura suficiente para te matar.

- É, mas eu também não estava querendo fazer o teste – disse ele ainda fazendo piada com a situação tensa que acabamos de viver.

- Bom... Então de nada! – disse rindo.

- Que tal agora irmos para nossos chalés – sugeriu ele – Dessa vez pelo lado certo!

- De preferência – concordei.

- E é melhor você dormir cedo mesmo. Precisa aproveitar, afinal imagino que amanha será um dia de muita sorte pra você – afirmou ele fazendo com que eu me lembrasse de que ainda tinha vinte e quatro horas para aproveitar os efeitos daquela poção mágica.


 


 



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