História Lenda - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Seraph of the End (Owari no Seraph)
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Palavras 4.640
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, gente.
Espero que gostem, hoje alguém apareceu.

Capítulo 12 - Kim, Gin, Mika e Miru


Tudo estava pronto para a partida, o sacerdote ajudava com os pequenos filhotes enquanto Yuuichirou vestia-se sentado, ainda estava tudo dolorido, mas com as habilidades de seu amigo, o corte fora mínimo, apenas necessitando um pouco de cuidado para que não abrisse.

- Vou deixar algumas moedas no cesto deles, nossa viagem será longa e não podemos deixar nosso dinheiro apenas na moedeira. Arrumei um pouco de água e pães - disse o mais velho.

- E o leite deles?

- Você deve dar do seu.

- N-Não - abanou a cabeça com incredulidade - o rei disse que não posso. Que não serve, que não presta...

- Não fique muito nervoso, menino Yuu - aproximou-se para levantar o ômega - irá secar se ficar alterado. Esqueça as coisas que ele disse, sim? Pense apenas em seu bem-estar e no dos pequenos. Vamos, aluguei uma carroça para a viagem e ela nos espera no portão da muralha.

 

Passados dois dias inteiros desde o nascimento, o soberano continuava sofrendo e a rainha fingia consolá-lo.

- Por que eles nasceram daquela forma? Meu sangue corre no sangue deles.

- Talvez nem sobrevivam. É culpa daquele sujo...

- Se o Yuu tivesse sido mais dócil… - algumas palavras do sacerdote vieram a sua mente - era um filhote no primeiro cio… um filhote… talvez se ele ficar adulto…

Decidido e mudando de ideia sobre a expulsão, o rei sentiu-se capaz de querer bem ao ômega e aos próprios filhotes.

- Fui cruel demais com ele e com meus herdeiros, irei agora mesmo vê-los e mandar os criados colocarem Yuu com nossos filhotes aos meus aposentos.

- Como disse? - a fêmea desacreditava naquelas palavras.

- Irei ver os meus filhotes e o Yuu.

- Oh, não, não, não, meu rei, eles já foram embora. Acataram a sua palavra.

- Eu dei três dias para o repouso de Yuu…

- Eles já se foram, junto com o velho sacerdote traidor…

- Como sabe disso tudo?

- Ora, tenho minhas fontes - falou com descaso e tentou seduzir - esqueça dele, hoje estou pronta para recebê-lo, meu rei - puxou o outro para perto de si e sentou levantando o vestido sem nada por baixo, guiando os dedos do esposo para sua intimidade - sinta-me, sou macia…  

- Não é hora para relações - levantou-se indignado - preciso encontrar meus herdeiros e meu ômega para trazê-los de volta.

- Não! Eu sou a sua fêmea, fora as suas ordem de expulsão que fizeram o sujo ir embora! Não admito que o traga para o Castelo mais uma vez! É de mim que deve nascer o herdeiro real, é de mim!

- Você quer tanto um filhote?

- Sim!

- Então, deite-se, vou satisfazer seus desejos.

Depois que ambos ficaram satisfeitos, o rei ia se levantar e foi impedido.

- Fique, meu alfa - abraçou e sorriu, parecia apaixonada - você nunca fez aquilo para mim, podemos fazer mais uma vez…

- Creio que o Yuu deve estar mais longe, não posso deixá-lo fugir… - começou sem ouvir qualquer palavra da rainha.

- Não admito! - ficou outra vez desgostosa - acabamos de fazer amor e…

- Acabamos de conceber o quarto filhote real, apenas isso - levantou-se e saiu.

Sozinha, despeitada, a fêmea gritou.

- Oh, odeio aquele sujo!

 

Era o terceiro dia pós nascimento de seus filhotes e Yuuichirou e os outros ainda se encontravam no Reino de Flamus, mas estavam próximos à fronteira com o reino de Aurora, ainda era necessário atravessar muitas vilas, cidades e aldeias para alcançar o reino de Aquarius.

- Menino Yuu, pedi ao nosso amigo para parar logo a frente, lá há uma taberna, seguindo o mapa, e você poderá alimentar os filhotes com o seu leite…  

- Não quero - disse resoluto, sentia dores e sempre que era possível tirava de si para não manchar a túnica. 

- Oh, menino Yuu, é preciso alimentá-los do seu leite, por que rejeita tal ideia?

- Porque o rei disse que não serve.

- Mas eles precisam, principalmente o menino ômega…

- Não quero - cruzou os braços.

A verdade era que Yuuichirou se sentia muito sujo para fazer aquilo que lhe era recomendado, além de não querer que os filhotes colocassem os focinhos tão puros onde o alfa colocara várias vezes a boca forçadamente.

- Tudo bem, não fique nervoso, pode ser que esteja passando por ânimos difíceis, é natural em alguns casos depois de ter filhotes.

- Eu não vou dar do meu leite, Fig-san.

- Está bem, não insistirei por hora. Vamos comprar na taberna um ou dois litros. E devemos colocar os nomes nos filhotes, menino Yuu.

- Eu não sei qual colocar.

- Pense em algo que lhe agrade, fica mais fácil. Podemos fazer uma pequena cerimônia quando nos encontrarmos com meu Yoichi.

- Certo, vou pensar.

 

Alguns quilômetros depois em outra taberna, o sacerdote notou que havia agitação ao redor. Parecia que toda uma plantação havia se perdido e os camponeses estavam preocupados com a que evento extraordinário.

- É estranho, de uma hora para outra o campo de arroz secou.

- É, o mais estranho é que as galinhas não estão botando mais ovos desde ontem, elas são novas ainda, não deveriam parar de botar agora.

- Ouvi que a vila vizinha ficou com maçãs podres de um dia para o outro.

- Devemos comunicar ao rei, nosso sustento depende da nossa terra.

- Sim, vamos agrupar os vizinhos e ir para o Castelo.

Figirus sabia que a desgraça estava batendo a porta daquele reino que era o seu lar, mas enquanto o soberano e vários de seus populares continuassem a tratar com opressão os mais fracos nada mudaria.

- O que foi, Fig-san? - Yuu perguntou - está estranho.

- Você perdoaria o nosso rei por tudo o que ele fez? Perdoaria seu pai? Se eles pedissem perdão, você os perdoaria?

- Eu não sei - ficou cabisbaixo - o rei nem quis saber dos filhotes, como ele vai pedir perdão? Meu pai não gosta de mim também.

- Se você visse as pessoas deste reino sofrendo iria se sacrificar por elas?

- Do que está falando, Fig-san? - ficou confuso e apreensivo, mas logo sorriu tenso - elas são felizes, me tratam como sempre.

- Oh, sim, estou falando bobagem - reparou ao redor, no nojo de alguns ao olhar para o ômega - vamos, talvez você seja bom demais para elas.

Ocorreu de passar mais um dia e algo surgir pelo caminho. A guarda do Castelo procurava por Yuuichirou, os filhotes e o sacerdote.

- Pare! - mandou para o condutor da carroça do ômega e dos outros - Figirus, o sacerdote, Yuuichirou, o ômega e os herdeiros reais devem voltar imediatamente, o nosso rei ordenou que voltassem para ele.

- Fig-san! - Yuu se desesperou - eu não quero voltar, ele vai tirar os filhotes de mim.

- Acalme-se - o mais velho desceu e disse - onde está escrito tal ordem? A rainha nos mandou embora, o rei da mesma forma.

- É um novo mandado - falou o outro sem pestanejar.

- Creio que há um engano. Em quantos cavalos estão para tal busca?

- Apenas o nosso, somos em quatro e há quatro cavalos.

- Vamos vê-los.

O guarda estranhou, mas conduziu o outro.

- Bem, não há alternativa - com um leve aperto no pescoço de um animal, este cedeu ao chão.

- O que houve? - o outro perguntou assustado enquanto Figirus fazia o mesmo com os outros três quadrúpedes - prendam-no! Ele usa da magia reversa!

- Já sabe o que fazer! - comandou e a carroça saiu em disparada.

- Fig-san!

- Fuja, menino Yuu! - era agarrado e preso - Sua liberdade está próxima! Eu ficarei bem! Fuja!

- Fig-san! Volta! O Fig-san ele precisa ir com a gente! - gritou ao condutor.

- Calado, ômega! Fui pago para isso e vou levá-lo até a fronteira!

 

Quando chegaram perto do destino, Yuuichirou já havia chorado e mais um novo choque ocorreu.

- Desça.

- Mas aqui não é a fronteira…

- Meus cavalos não podem ir, estão cansados.

- Certo, então depois que…

- Pegue suas crias e vá.

- Mas o Fig-san…

- Escute aqui - virou-se para Yuu e puxou pela túnica para encará-lo - eu trouxe até onde pude, não fui pago para cuidar de um ômega mimado amante do rei.

- Mas eu…

- Ou você pode me pagar? Talvez com o corpo… - recebeu um golpe e deu outro em seguida, largando-o com violência - sujo. Vá, desça de uma vez.

Yuu desceu, segurou o cesto com os filhotes e quando ia pegar a sacola, não lhe foi permitido.

- Deixe isso como forma de pagamento.

- Aqui só tem as roupinhas dos meus filhotes.

- E na outra?

- As coisas do Fig-san…

- Deixe essa. Você não precisa das coisas dele.

- Você é um covarde sem palavras.

- E você um ômega sujo que pensou que poderia mudar de vida se deitando com nosso rei. Pensa que ninguém conhece a sua história, seu sujo - cuspiu e manobrou a carroça para ir embora.

 

Perdido e sem muito dinheiro, Yuu sofria de diversas dores, não eram só no corpo, mas na alma e no coração. Ser tratado com crueldade por estranhos magoavam-no, estava sozinho naquela viagem e sentia temor, a única coisa que acalentava eram as carinhas de seus pequenos filhotinhos.

- Vou cuidar de vocês, tá bom? - chorou e apertou o cesto com os preciosos embrulhos - vocês são meus tesouros - falou para o menino e pensou que deveria colocar o nome neles naquela hora, ali seria onde tudo começaria - vai se chamar como o seu vovô, nosso rei mais bondoso, Kim, você se chamará Kim. O Fig-san me contava que seu vovô do passado era glorioso, o nosso Reino era próspero. E você vai se chamar Gin, nossa rainha mais gentil, ela conseguia fazer o mais triste no mais feliz, e você - sorriu chorando para o ômega - vai se chamar Mikaela, é o nome de um rei que viveu muito muito tempo atrás, ele é de uma lenda de amor, e é por isso que você vai se chamar assim, porque vai ser muito amado por mim e por seus irmãos. Acho que a mamãe também vai te amar muito em pensamento, né, Mikaela? Acho que vou te chamar só de Mika - alisou a carinha e este esboçou um sorriso - é? “Mika” está bom para você? É, Mika? - o filhote sorriu e bocejou - o que vocês acham? Kim, Gin? - os três sorriram e bocejaram ao mesmo tempo - vocês são tudo que tenho agora.

Caminhou por algumas horas e chegou finalmente ao outro reino e, numa estalagem, pediu abrigo por uma noite.

- Não aceitamos filhotes

- Eu preciso, por favor, eles são recém-paridos…

- E onde está a mãe deles?

- Eles são nasceram de mim…  

- Fora da minha estalagem! Não abrigo ômega! São pervertidos e querem roubar nossos alfas!

Empurrou para fora e fechou a porta. Desolado, descobriu que em todo lugar que fosse seria tratado daquela forma, a única esperança era onde Yoichi vivia, sua última chance.

Já muito tarde da noite e parecendo que iria chover, sem muita alternativa, Yuuichirou abrigou-se perto do rio, numa caverna úmida e pouco cheirosa. Fez um ninho com gravetos secos, colocou seus filhotes aconchegados e procurou acender uma fogueira.

- O que vai ser de nós? - disse chorando para o fogo e os bebês começaram a chorar também, buscando forças para continuar, tomou os pequenos nos braços - calminha, Kim, Gin, Mika, vai ficar tudo bem, estão com fominha? - perguntou ainda chorando e procurou leite que conseguiu comprando e pegou o filhote que mais chorava, o ômega - aqui, amanhã vou conseguir um lugar melhor para dormirmos, tudo bem?

Um novo dia e a situação de Yuu não melhorou em quase nada. Mais uma vez teve que dormir numa caverna. E embora tudo estivesse ruim, o pai amoroso sorria para seus filhotinhos mesmo com preocupação crescente com um deles.

- O que foi, Mika? - pegou no colo e ofereceu do leite comprado, mas ele quase não tomou - tem que beber, Mika - com muita angústia, Yuuichirou tentava alimentar seu pequeno, mas era rejeitado - não faz isso com o papa, vamos, Mika, é leite, seus irmãozinhos sempre mamam tudo.

Porém o filhote não queria e começava a miar chorando, logo os outros acordaram e choravam também.

- Shi-shi, durma, durma, durma. Se o Fig-san estivesse aqui, ia saber o que fazer - ficou balançando para acalmar o que estava em seu colo, até que ele dormiu - Durma, durma, durma.

 

Quase cinco dias dormindo em cavernas, o dinheiro estava quase acabando porque as pessoas extorquiam suas moedas devido ao fato de ser um ômega, e, embora sofresse disso, algumas outras eram boas e ajudavam escondido, por causa da represália que poderiam ter.

- Oh, estão famintos, tome isso para eles e para você - deu leite e pães uma senhora - é tudo que posso fazer.

- Obrigado - Yuu disse muito agradecido - nunca vou esquecer…

- Vá, antes que te vejam.

  

Já era o sexto dia e Yuuichirou começava a ficar desesperado, com pouco mais de cinco moedas, decidiu pedir para trabalhar, mas logo no primeiro local sofreu o preconceito.

- Fora! Seu sujo! 

- Eu não… - foi empurrado e caiu.

Quando avançaram para bater com um pedaço de pau, alguém apareceu e impediu a paulada em Yuu.

- Você não deveria bater em quem está indefeso.

- Não se meta, forasteiro! - Disse ao ver a roupa estrangeira - Ele é um ômega, ele trouxe problemas para minha casa.

- Você o conhece?

- N-Não - Yuu teve receio - eu só queria pedir pra trabalhar.

- Não damos trabalho para tipos como você - disse cheio de si.

- Ah, não? - riu o desconhecido - de onde venho isso se chama burrice de comerciante. Se eu fosse um nobre fecharia este lugar...

- Ora, seu… - atacou, mas o outro foi rápido, desarmou o atacante e arriou as calças dele.

- Hm - disse analisando - visão desagradável, deveria lavar as cuecas.

Com exceção de Yuu e de seu agressor, todos riram.

- Vai me pagar! - disse levantando as calças e fugindo para dentro da loja.

- E lave bem! Você bem? - estendeu a mão para o moreno.

 

Yuu percebeu que seus filhotes antes chorando, ficaram calmos instantaneamente perto do jovem salvador.

Mikaela era o seu nome, Príncipe de aquarius, o primeiro filho, herdeiro do trono, excelente em esgrima, ótimo em montaria, sabia usar da magia graças ao seu tutor e cúmplice de sua pequena fuga e disfarce. Seu cabelo era loiro, mas tinha que se disfarçar e reconheceu imediatamente aqueles cabelos dourados e prateados, mas não disse nada sobre aquilo naquele momento.

- O-obrigado, senhor - aceitou um pouco tímido a oferta estendida.

- Meu nome é Mi… - pensou rapidamente - ru…

- Miru?

- Sim, meu nome é Miru.

- O meu é Yuuichirou.

- Yuu-chan - sorriu.

- Não, é Yuuichi… - começou um pouco sem graça com a intimidade, um dos filhotes resmungou e quando olhou de volta, não viu ninguém.

Era como no sonho.

Viajando naquela noite, Yuu precisava um lugar para se abrigar, dar um pouco mais de conforto aos pequenos e tentou um lugar que indicava aceitar ômega casado.

- Precisa ser casado. Não aceitamos solteiros, a vizinhança pode achar que aqui é um bordel.

- Eu tenho filhotes…

- Somente casados. Sabe que casado significa com a marca de seu alfa.

- Mas…

- Casados.

- E-eu não tenho nenhuma marca… - sussurrou para si mesmo e ouviu uma voz conhecida.

- Você chegou antes de mim, Yuu-chan. Já pegou o nosso quarto?

- E-eu, hã… Miru-san...

- Tudo bem, eu pego - sorriu e passou a mão na cintura de Yuu - por favor, um quarto com duas camas.

- Duas camas? Nós só aceitamos...

- Duas camas, por favor, o senhor não acha que vamos poder dormir juntos depois do meu Yuu-chan ter dado a luz aos nossos filhotes…

- Oooohhh não, sinto muito… aqui - mas antes de dar a chave, exitou - a marca do seu ômega…

- Ah, minha nossa - sorriu ameaçador - o meu Yuu-chan precisa passar por esse tipo de humilhação?

- Não é…

Deu as costas para o atendente e passou o dedo no pescoço onde deveria ter uma marca e fingiu, acabou sentindo o perfume de ômega, mas estava concentrado e não foi traído pelos próprios instintos.  

- Eu não...

- Confie em mim, é marca ilusória - disse baixo e se dirigiu ao recepcionista - Aqui, veja, é uma boa marca.

- Estou satisfeito - deu as chaves e indicou o quarto, assim que ouviu a porta fechar, sorriu ansiosamente - será muito engraçado quando seu alfa fugir de toda a sua sujeira.

 

Sozinhos, com Yuuichirou constrangido, o outro começou.

- Coloque-os na cama, deve ser difícil carregá-los no cesto.

Yuu obedeceu, mas estava com medo com o que poderia ocorrer depois e resolveu falar.

- E-eu não posso dar o que o senhor quer…

- O que eu quero?

- E-eu acabei de parir e não posso…

- Não se ofenda, não procuro por diversão e você ainda é filhote.

- Eu não sou filhote!

Os bebês choraram quando Yuu elevou a voz.

- Aqui, o papa está aqui, querem leitinho?

- Você pode deixá-los no seu peito se quiser, não me importo se fizer pele na pele na minha frente.

- E-eu não posso - ficou corado - um ômega não pode fazer isso com o seu filhote.

- Não?

- Não! Além disso, o Mika é muito fraquinho para ficar sem as roupinhas.

- Mika? - estranhou a coincidência.  

- É - entrou na defensiva - é o nome que dei ao meu filhotinho, o Fig-san me contou de um rei muito bom e eu quis dar o nome dele para o meu filhote.

- Os outros chamam-se como?

- É o Kim e a Gin.

- Kim, o rei mais bondoso e forte que o Reino de Flamus possuiu, e Gin a rainha mais bela e gentil dos três reinos. Seu descente não seguiu a linha de seus tetravos ao tomar um filhote como concubino, ainda mais desamparar os herdeiros…

- C-como…

- O cabelo dourado e prateado e a grande magia, eu sinto.

- Mas…

- Sua história foram suposições e acertei todas.

- N-não acertou! E-eu não sou filhote! Tenho dezessete verões, o soberano decretou que com quinze verões somos maiores de idade.

- Tudo bem - se levantou e aproximou de Yuu, pegou nas mãozinhas do pequeno alfa e da pequena fêmea e sorriu ao sentir ser apertado - ele é forte, apenas nasceu pequeno, talvez pelo genitor ser filhot… bem. Ela também é, percebeu que está segura e aperta o meu dedo.

- Obrigado - disse com emoção e Mikaela não entendeu - é o primeiro elogio de alguém desconhecido, desculpe por estar assim - Yuu sorriu para o outro e depois para os bebês, o menino ômega chorava e o pai pegou no colo para acalmar - calminha, Mika, o papa está aqui.

- O Mika… - olhou preocupado para o filhote - está dando do seu leite a ele? Ou falta?

- E-Eu não dou para nenhum deles - apertou um pouco - não serve para eles.

- Entendo - pensou que Yuuichirou talvez tivesse adquirido alguma doença proibindo-o de alimentar as crias - talvez se você se curar.

- O meu corte já se curou.

- Não é disso, sei que posso estar sendo indelicado, mas se você se tratar e curar da doença que o impeça de dar leite aos filhotes…

- O meu leite não serve! - ficou bravo e magoado - o rei disse que não serve!

- Por quê?

- E-eu não sei! - corou dizendo num sussurro - e-eu não sei, ele disse que não serve, mesmo ele fazendo aquilo…

- Então, não é doença… - disse para si mesmo ao ouvir e sugeriu outra opção - Se você fizer contato cutâneo, eles irão crescer mais saudáveis…

- E-Eu não sei o que o senhor quer dizer com cutáneów.

- Veja, vou ensinar - Mikaela chegou perto e começou a desabotoar um botão do casaco.

- Não! - teve medo, estava começando a achar que era uma péssima ideia ter aceitado ajuda, mesmo que aquele sujeito tivesse defendido-o mais cedo.

- Calma, eu só vou te ensinar a deixá-los confortáveis com a sua pele…

- V-você é um ômega? - se fosse um estaria mais seguro, pensou.

- Se eu disser que sou ficará mais tranquilo?

- N-não é isso...

- Sou um, como você - mentiu e continuou a desabotoar a capa - achou que eu não era?

- Mas você tem cheiro de alfa - aspirou o ar perto de Mikaela, estava se sentindo mais confiante porque havia encontrado um igual - eu ainda não sei diferenciar ômega de alfa, eu só vi dois ômegas em tida minha vida,  o Yoichi e o Mika, dizem que é por causa do cheiro diferente, você é ômega e fez uma marca em mim...

- A marca é passageira. E como é cheiro de alfa? - perguntou mesmo sabendo perfeitamente a diferença.

- O meu pai tinha um cheiro estranho, mas era com certeza um alfa - lembrou do soberano e quis esquecer imediatamente - sinta os meus filhotes, a Gin cheira cravinhos, o Mika cheira como eu e o Kim tem um perfume parecido com o seu.

- E eu cheiro como um bebê?

- Não - riu, Mikaela percebeu dentes caninos pequenos - sinta o Kim - cheirou seu filhote e depois ofereceu ao outro - ele cheira gostoso, a Gin e o Mika também são cheirosinhos, mas o Kim é diferente, é um cheiro como o seu, terra molhada, acho que o seu tem um pouco de grama cortada, nunca pensei que um ômega tinha esse tipo de odor, sempre é algo com flor, o sacerdote que me explicou. Eu gosto do seu cheiro.

- Você gosta? - Mikaela achou que não tinha nada demais.

- Hum - acenou - Será que tenho um cheiro bom? - ofereceu o pescoço.

- Você tem um perfume doce, lavanda - desprevenido, sentiu os hormônios borbulharem dentro de si  e entrou num transe - delicioso…

- O quê? - perguntou curioso e inocente, depois ficou sem graça - estou fedendo? Eu tomava banho sempre no castelo, quando morava com minha mamã e meu pai também...  

- Não é nada - limpou a garganta, agora que a fragrância tinha dominado-o não estava mais seguro se deveria ajudar Yuu com os pequenos, olhou o mamilo rosado e inchado, não querendo cair em tentação, quis se afastar - vou dar privacidade para você e seus filhotes.

- Espere - segurou a mão de Mikaela e ficou corado - pode me ensinar? Você parece ser um ômega experiente, deve ter saber o que fala, como faço para fazer o contato cutáneów com eles?

- Coloque um dos bebês perto - sentiu o desejo de ser um “filhote” e ser ele ficar daquele jeito, teve a vontades indecentes e encarou o moreno, este olhava para baixo querendo aprender - aproxime a cabecinha de seu filhote perto do seu peito.

- A-assim? - o menino continuou chorando e parecia não entender nada ao redor, e só deixava Yuu mais nervoso - o Mika chora, ele chora ainda.

- É porque você não está seguro e ele percebe.

- Como faz, como deixo meu filhote seguro?

Não tendo outra forma de explicar, resolveu ser forte e disse.

- Eu posso?

- Hum - parecia agradecido.

Mikaela sentou por trás de Yuu com cuidado e ajudou a terminar de tirar a roupa.

- Vamos tirar a roupinha dele.

O alfa tentou não pensar em nada além de ensinar aquele típico de gesto que era natural uma fêmea ou ômega saber.

- Segure-o perto do seu coração, os seus batimentos cardíacos farão com que ele fique tranquilo e relaxado.

Logo o pequeno estava respirando calmamente e Yuu acabou por sorrir.

- A respiração dele faz cócegas.

- Isso - sentindo inveja do pequeno filhote, com certeza se fosse ele não faria cócegas, daria lambidas e mordidas em um mamilo enquanto seu dedo acariciava o outro, depois sua mão descia pela barriga e…

- Miru-san, obrigado - falou muito agradecido - sem o senhor, eu não teria conseguido.

- Oh, não por isso - cobriu as costas de Yuu com uma manta e ajudou com outro filhote - eles ficam tão molinhos - sorriu - estão relaxados. É bom ter contato pele na pele com o papai quando é um bebê. Minha mãe fazia isso com meus irmãos mais novos e meu pai ajudava.

- Quando o senhor tiver um filhotinho com o seu alfa vai poder fazer isso, contato cutâneow, certo?

- Quase - sorriu mais uma vez - cu-tâ-ne-o.

- Cu-tâ-ne-o - repetiu um pouco corado - cutâneo.

- Isso - disse satisfeito - vou pedir a comida. - levantou-se e saiu - O que estou pensando? Aproveitar de um pobre ômega? Abusar dele como o soberano Flamus fez? Deve ser o hormônio dele, deve ser isso. Ele é apenas um filhote. Um filhote que já pode ter filhotes… respire, Mika, seu tutor te ensinou a controlar os desejos.  

Mais tarde, a comida havia chegado.

- Coma - indicou a comida para Yuu - deve estar com fome.

- Obrigado, mas não posso aceitar - parecia que fazia anos que não comia, passar dias de más provisões não fazia bem ao corpo, mas não queria aproveitar do novo amigo -  estou sem apetite - naquele momento o estômago denunciou alto fazendo Yuuichirou ficar muito sem graça.

- Talvez um pouco de sopa e pão? Um filhote deve comer bem…

- E-eu não sou - recebeu comida na boca enquanto tentava se indignar - fi-cho-te…

- Seus filhotinhos precisam de você saudável.

- O-obrigado - ficou inseguro - não tenho dinheiro para pagar por esse banquete.

- Aceite como um presente meu de parabéns por trazer três bebês para esse mundo.

- Obrigado - agradeceu muito emocionado e disse choroso - é a primeira vez que me dão os parabéns.

- Então hoje é um dia especial de primeiras vezes - sorriu, ofereceu um pedaço de peixe assado - coma.

Aceitou com as duas mãos e sentiu mais o gosto de suas lágrimas de felicidade.

- O que foi? - perguntou um pouco surpreso.

- Eu não podia comer peixe no castelo.

- Por quê?

- O soberano dizia que o herdeiro iria nascer com os olhos esbugalhados e não deixava os cozinheiros reais me darem. Agora eu posso comer - disse e mordeu um pequeno pedaço da comida - obrigado.

- Não me agradeça - disse sem graça e tocou no ombro do moreno.

Yuu mordeu mais um pedaço, dessa vez bem  maior que o outro e respondeu com a boca cheia.

- Esu nuncha vou canshar de agradecher, Miru-shan - sorriu ainda com lágrimas nos olhos.

- Não chore - o que será que aquele ômega havia passado?

- Obrigado - limpou a boca e os olhos para sorrir de novo.

- Olha, beba, pedi para fazerem um suco para você.

- Obrigado, Miru-san.

Com o dia terminado com um amigo finalmente, Yuuichirou pode sorrir com alegria depois de tanto tempo.


Notas Finais


Espero que tenham gostado.


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