História Lendas da Revolução II - O Clã da Loba - Capítulo 2


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Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.650
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - 01


Hayley Collins não fazia ideia de como era possível que suas roupas não coubessem dentro das malas, parecia um mistério que desafiava as leis da física que ela conhecia. Mesmo em um mundo onde ela namorava uma loba (Alfa, diga-se de passagem, uma garota que literalmente era capaz de se transformar em uma loba branca gigante e com pelos extremamente fofos – mas também com dentes assustadores) e era melhor amiga de uma bruxa com leves tendências à magia das trevas, Hayley sabia que era impossível que as roupas coubessem na mala quando ela chegou na Universidade e não coubessem agora que ela estava saindo.

Ela não estava indo embora, ela só estava indo passar as férias de verão no clã.

Ela sabia que para onde ela ia, o clima podia ser instável durante o verão. Em um dia estava infernalmente quente e no outro era um frio de gelar até os ossos por causa das frentes frias que vinham do sul e chegavam abruptamente sem nenhum tipo de aviso. Ela não tinha muitas roupas de frio, mesmo que tenha nascido no sul, ela passou mais  tempo no lado quente do país do que no lado frio, já que seu pai sempre mandava ela para colégios internos. Sequer nevava no inverno, mas em Laos, os primeiros flocos de neve caíam nas últimas semanas do outono.

Frio não era um problema para os lobos, se estivessem com muito frio na sua forma humana, era só se transformar no lupino peludo e tudo estava resolvido. E eles eram bons em controlar a própria temperatura se estivessem saudáveis. Hayley podia não saber muita coisa sobre lobos, Lyra não havia explicado tudo detalhadamente (ela não se lembrava de algumas coisas, detalhes que não estavam em livros e se perderam em mais de dez anos), mas sabia o suficiente para se virar melhor do que a maioria das pessoas.

Ela sabia uma meia dúzia de coisas sobre Laos, o clã onde Lyra nasceu e para onde iam porque a loba era uma Alfa e precisava aprender suas responsabilidades como líder. As casas não tinham aquecimento, mas não era o problema porque Lyra irradiava calor, Hayley podia aproveitar o fato da garota ser nada mais do que uma puppy sedenta por carinho quando ia dormir. O único problema era a água fria que continuava gelada mesmo no verão (e ela se sentia corar de pensar em Lyra vendo ela sem roupas – o que era quase contraditório), mas ela tinha certeza de que sobreviveria à essa parte mais desagradável da viagem.

Ela havia odiado Lyra com toda sua força por muito tempo, foi algo estúpido e clichê, ela sabia, mas agora ela não gostava nem da ideia de ficar muito tempo longe da loba. Ela ficaria mais ou menos três meses em Laos com Lyra e sabia que voltaria para a Universidade sozinha. Sabia disso há meses: Lyra não estava indo para passar as férias no clã e então voltar para a Universidade, ela estava indo embora para Laos.

Para não voltar. Para não sair mais de lá. Para ser quem ela supostamente deveria ser.

Teoricamente, Lyra estava voltando para casa. E Hayley não gostava disso nem um pouco. Ela havia aprendido coisas sobre ser Companheira de alguém. Sobre como, mesmo antes de 'consumar' a ligação entre elas, algumas coisas mudavam. Era estranho precisar se adaptar (devagar) a ser mais forte e rápida do que antes. Lyra havia explicado isso antes, logo depois que Hayley esmagou o próprio telefone pela frustração de leitores do blog reclamando que ela não estava mais escrevendo coisas terríveis sobre Lyra. Ela havia passado dois anos basicamente sendo a líder do pequeno grupo que odiava Lyra. A loba riu baixinho antes de puxar ela para a cama.

— Você sabe por que isso está acontecendo?

— Porque eu sou sua Companheira. Certo?

— Sim e não — apoiou o queixo no ombro da garota, os braços ao redor da sua cintura, Hayley — Você é a minha Companheira desde quando você nasceu. Isso está acontecendo porque você está me aceitando.

— Eu achei que tinha aceitado quando você me perguntou.

— Coisas de lobo.

Coisas de lobo, coisas que ela gostava de aprender. E ela se perguntava se aquele 'me aceitando' podia significar 'se apaixonando por mim'. Faria sentido... Ela tinha uma lista de coisas que ela realmente gostava sobre Lyra. Aquela lista de adjetivos negativos ainda tinha uma ou outra coisa válida (Lyra era um pouco estressadinha, às vezes era rude, tinha seus surtos de arrogância e podia ser debochada se estivesse em um dia ruim), mas agora os adjetivos positivos pesavam mais.

Hayley gostava do peso de Lyra sobre ela. A cabeça deitada no seu peito, os olhos fechados e respirando devagar enquanto relaxava no abraço antes de dormir. Hayley tinha certeza que Lyra se concentrava nas batidas do seu coração, que podia sentir ele pulsando no seu peito sob seu rosto. Hayley costumava acariciar seu cabelo, seus dedos passavam entre os fios claros, ou suas costas em movimentos circulares, até acabar dormindo.

Hayley gostava de como os olhos de Lyra eram bonitos. Na maior parte do tempo, se mantinham naquele tom azul-acizentado que poderia ser vazio e pálido (às vezes parecia assim quando Lyra ficava silenciosa demais no canto da cama, olhando para o vazio e provavelmente pensando sobre alguma das coisas ruins que já aconteceram na sua vida), mas costumava ter algo gentil e carinho (e algo que Hayley não sabia como nomear). Às vezes eles brilhavam mais cinzas ou azuis, dependia do momento, podia ser só a luz ao redor ou algo dela.

Hayley gostava de como o sotaque e a voz de Lyra parecia diferente algumas vezes. Em momentos diferentes, a voz soava em um tom mais grave, um pouco rouco. O sotaque onde algumas palavras soavam como uma espécie de rosnado estava se tornando familiar. Quando ela precisava acalmar Hayley depois de um pesadelo, seu sotaque pesava o suficiente para a garota não realmente entender qual era a letra da canção de ninar que a loba murmurava em seu ouvido. O sotaque também escorregava pela sua voz quando ela estava com sono e continuava conversando com Hayley.

Hayley sacudiu a cabeça, como se isso fosse fazer ela parar de pensar tanto em Lyra. Ela grunhiu e tentou compactar mais a roupa dentro da mala, empurrando com todo seu peso. Fechou a mala, sentou nela e começou a puxar o zíper com força o suficiente para quebrar, fazendo o pedaço de metal ficar em sua mão. Grunhiu de irritação, mala estúpida dos infernos, desceu da cama. Já estava vermelha de irritação. Ela chutou o pé da cama com força o suficiente para quebrar a madeira, as malas, os restos das roupas e livros caíram e se espalharam pelo chão. Vai se foder, ela chutou os livros e grunhiu.

— Ei — ela ouviu uma voz atrás dela e virou para a porta, viu Lea Snyder parada ali.

— Ei, entre — ela falou. Sabia que para entrar pela primeira vez em algum lugar, os vampiros precisavam de autorização para isso.

— Como vai?

— Bem, você?

— Só estou tentando arrumar essas malditas malas.

— Certo — Lea pegou dois moletons, um era da Universidade e outro do colégio interno que Lyra frequentou — Não vai ser mais fácil se você tentar parar de roubar as roupas da sua namorada.

— São confortáveis — grunhiu e pegou os moletons — Eu só reivindiquei essas roupas confortáveis para mim, ela não sente frio.

— Se você diz — Lea começou a pegar os livros, empilhando eles na mão direita e enquanto usava a esquerda para tirar eles do chão — Não é mais fácil de você deixar ela levar as roupas dela e então roubar de novo quando vocês chegarem lá?

— Parecem razoável — ela admitiu enquanto jogava roupas na outra cama — Não que eu esteja reclamando, mas... você quer algo?

— Eu vim garantir que você está bem. Bart tentou falar com você?

— Não.

— Bom. Ele é um problema. Ele não está muito longe, talvez ele tente falar com você. Apesar de toda proteção.

— Toda proteção?

— Uhum, os lobos estão protegendo você. E alguns dos vampiros. Devo dizer: Bart nunca foi popular entre nós e ainda não sei como você se apaixonou por ele.

— Eu também não sei — ela encolheu os ombros — É um pouco confuso.

— Você ainda sente algo por ele?

— Eu não sei — ela franziu o cenho — Um pouco, talvez, só que é bem longe de algo que me faria voltar para ele.

— É assim que Companheiros funcionam, não? — Hayley ergueu as sobrancelhas, ela não havia mencionado isso — Você tem meia dúzia de ômegas te protegendo do lado de fora, eles não fazem isso para alguém que não é o Companheiro do Alfa. São um pouco previsíveis.

— Todos são um pouco previsíveis.

— Eu sei. Por isso provavelmente Bart vai tentar falar com você, mesmo que você não seja a Syran dele.

— Syran?

— Uhum, é basicamente o nosso equivalente de Companheiro. É um pouco raro.

— Por que é raro?

— Ninguém realmente sabe. Mas todos que sabemos que tem um Syran, são aqueles que são recém-criados e encontram a alma-gêmea. As lendas dizem que eles reencarnam e blá blá blá. Para ser sincera, eu nem mesmo acredito muito em Syrans.

— Por que não?

— Vampiros são basicamente pessoas mortas andando por aí que precisam de sangue para continuarem 'vivos'.

— Parece... triste.

— Um pouco. Depois de um tempo você esquece algumas coisas sobre ser humano.

— Que tipo de coisas?

— Alguns detalhes — ela encolheu os ombros — Realmente precisar respirar, sentir o coração batendo, não ser fria como gelo.

— Eu nunca pensei muito sobre isso.

— Ninguém pensa muito sobre isso. Não é muito agradável saber que eu não me lembro de quase nada sobre quando eu era humana.

— Faz muito tempo?

— Não muito, quase cem anos na verdade. Então tenha certeza disso: Bart não se lembra de nada de quando era humano.

— Agora eu realmente não sei como eu me apaixonei por ele — Lea riu e deixou os livros na mesa e dividiu em duas pilhas — Você acha que ele não vai conseguir falar comigo?

— Definitivamente. Você não faz ideia de como o seu cheiro vai ser desagradável para ele.

— Estou com cheiro de lobo? — ela segurou a camisa e cheirou, ela podia sentir a mistura do cheiro do sabonete que ela usava e o cheiro de Lyra.

— Uhum.

— E é ruim?

— Não. Depende — Hayley ergueu as sobrancelhas — Se for alguém como o Bart, que odeia os lobos, é um cheiro bem ruim. Se for como a maioria dos vampiros de hoje em dia: não, não é ruim. Eu até gosto. Menos quando são ferômonios em excesso.

— Eles cheiram a cachorro molhado — Lea riu.

— Basicamente. Mas fora isso, costuma não ser muito desagradável.

Hayley riu baixinho, Lea arrumou a cama (de um jeito meio precário, mas que estava firme por tempo o suficiente para Barbra aparecer e consertar), terminou de ajudar a arrumar as malas (separando as roupas que Hayley roubou de Lyra). Lea garantiu que continuariam tomando conta para Bart não ir atrás dela – a ideia de Bart tentar falar com ela enquanto Lyra estava cada vez mais protetora era um tanto assustador – antes de sair do quarto.

A garota grunhiu e se jogou na cama, esperando Lyra voltar para o quarto.

***

Lyra não era a primeira pessoa que Hayley queria beijar na vida, nem mesmo a primeira garota, mas era diferente do mesmo jeito.

Ela se lembrava do primeiro beijo, com treze anos e com um garoto que era seu amigo. Não foi o melhor, claro que não, foi combinado, mas não foi ruim. Depois ela acabou beijando um ou outro garoto, um ou outra garota. Depois veio Bart com os lábios frios e as mãos nada macias. Ele não era delicado e nem gentil.

E tinha Lyra.

Hayley não sabia se era porque Lyra era a Companheira dela ou se a loba naturalmente beijava bem. Não deixava de ser irresistível. Costumava ter gosto do energético de cereja, às vezes tinha gosto de café ou algo mais metálico (talvez do sangue da carne que ela comia, o que não era lá muito agradável de se pensar). Por mais que ela gostasse de ter Lyra no seu colo, ela gostava quando era o inverso, quando Lyra a abraçava e puxava para mais perto quando a beijava.

Elas viajariam no final de semana, já era quase uma da manhã e Hayley finalmente havia terminado de mandar a mensagem para o pai sobre passar as férias de verão com Barbra. Lyra estava na cama lendo um dos livros sobre criaturas marinhas quando Hayley subiu na cama, engatinhou e tirou o livro dela.

— Hay! — Ela tentou pegar o livro de volta, mas Hayley jogou ele na outra cama — Mas...

— Não, hora dos beijos.

Lyra revirou os olhos, mas riu baixinho e colocou as mãos em seu rosto. Com os polegares, ela traçou a linha do maxilar. Seus olhos estavam brilhando mais para o tom azul e com aquela emoção que Hayley não queria nomear (ela sabia qual era, ou pelo menos, tinha quase certeza do que era). A loba deixou uma mão em seu rosto, colocou a outra na sua cintura e a beijou.

Depois de alguns momentos, Lyra acabou escorregando mais um pouco para baixo, ficando mais confortável com Hayley sobre ela. Acabou passando os braços ao redor do seu pescoço. Por mais que ela tentasse se controlar (era ela quem sempre precisava fazer Hayley parar), ela se deixava entregar um pouco. Soltando um ou outro gemido durante o beijo, passando as pernas ao redor de Hayley e a puxando para mais perto, deixando a garota beijar seu pescoço.

Hayley enfiou as mãos por baixo da camisa, passou as unhas pela sua barriga e sentiu como seu corpo pareceu se esquentar ainda mais quando Lyra arqueou um pouco as costas sob o toque. Ela mordeu o lábio inferior da loba e puxou delicadamente, fazendo ela gemer baixo e apertar mais as pernas ao seu redor. Lyra colocou as mãos em seus ombros.

— Devagar — baixo, rouco, quase um rosnado.

— É difícil ir devagar com você — Hayley grunhiu e acabou empurrando o quadril um pouco mais para frente, arrancando mais um gemido de Lyra — Você é muito irresistível...

— Eu sei — ela fechou os olhos quando Hayley subiu os dedos pela sua barriga — Mais devagar, é sério.

— Só estou tocando você um pouco — as pontas dos seus dedos tocaram a base dos seios dela, pressionando um pouco a carne macia — Oh... — ela queria subir mais as mãos, só que sabia os limites — Como isso é possível?

— O que? — Lyra abriu os olhos, estavam literalmente brilhando e Hayley conseguiu ver as pontas dos caninos se afiarem um pouco mais, ela estava corada e respirando rápido.

— Você ser tão gostosa... — escorregou as mãos para os lados, desceu um pouco e segurou a sua cintura — Como eu não notei isso antes?

— Porque você estava ocupada — riu baixinho.

Hayley grunhiu e beijou seu pescoço, sentindo como a pele era ainda mais quente do que o normal. Quase como se Lyra estivesse prestes a entrar em combustão sob ela. Hayley subiu um pouco as mãos, seus polegares tocando as laterais dos seios de Lyra com delicadeza. A loba empurrou seus ombros com um pouco mais de força depois que a garota mordeu um ponto sensível no seu pescoço.

— Mais. Devagar. Hayley — falou pausadamente.

Hayley foi para trás, sentando no seu colo. Tirou as mãos de debaixo da sua camisa, mas deixou elas sobre a barriga de Lyra. A loba se apoiou nos cotovelos e respirou fundo. Hayley tinha certeza que não era humanamente possível alguém parecer fofa e sexy ao mesmo tempo. O cabelo claro bagunçado, os olhos brilhando azuis, o rosto escarlate, as presas aparecendo, o peito subindo e descendo rapidamente.

— Precisa de um banho frio? — Hayley perguntou com um sorriso arrogante.

— Yeah — Lyra deu um tapinha na coxa da garota — Agora saia de cima de mim, Collins. Você ainda vai me matar.

 



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