História Les Marcheé - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Bruxas, Dragões, Guerras, Império, Magia, Medieval, Mistério, Romance
Exibições 68
Palavras 3.743
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Dos amigos aos inimigos


Fanfic / Fanfiction Les Marcheé - Capítulo 6 - Dos amigos aos inimigos

A concentração de Shaido para seus estudos naquela noite era quase nula, tendo em vista o enorme esforço em desviar o olhar da bibliotecária, e teve sua atenção mais perturbada ainda por aquela criança. Pensou o porquê de alguém tão jovem estar ali sozinha durante a noite.

A garotinha loira e branca, de olhos azulados e cabelos ondulados, tinha apenas quatro anos de idade e já lia livros de gente grande, como sociologia, política e guerra, mas também lia contos de fadas e adorava, principalmente, os ilustrados. Shaido a achou muito inteligente em suas falas e gosto literário; pensava que gostaria de ter uma filha letrada e concentrada assim como aquela menina. Observava a forma como ambas conversavam. Agradeceu por saber do nome da linda moça sem precisar perguntar e, então, não mais pode evitar entrar naquela conversa. A menina logo demonstrou empolgação em fazer nova amizade, apresentou-se formalmente para Shaido como Allegra Vell e iniciaram uma conversa tranquila sobre alguns livros e coisas que ela gostava de fazer ali na biblioteca, enquanto a bibliotecária Belle voltava a seus afazeres.

No momento em que conversavam distraidamente, entrou na biblioteca um rapaz impressionantemente exótico. Shaido nunca havia visto alguém como ele, já havia lido sobre essas características consideradas divinas em livros, mas nunca pensou que veria alguém de perto. O rapaz era albino.

Sua presença encheu a biblioteca com uma aura de poder e gloria, era impossível não se impressionar com sua aparência. Ele tinha a pele tão branca que parecia refletir a luz, seu rosto era muito expressivo e Shaido pensou que ele era muito bonito com seus cabelos brancos longos; estavam meio soltos, meio presos em um tipo de trança tramada com um cordão que Shaido julgou ser de prata. Reparou em suas vestes ricamente elaboradas, sem dúvida era alguém de alta posição, pois usava o uniforme Imperial nas cores preto e branco com detalhes em roxo e prateado. Shaido sabia que ele era importante pela característica da insígnia que usava cujo símbolo Shaido buscou associar em sua mente a qual estirpe pertencia.

O jovem aproximou-se de Allegra e cruzou os braços, ele era alto e elegante, seus olhos cinza olhavam para baixo diretamente para a menina com um olhar sério e reprovador, mas deixava escapar no canto dos lábio um sorriso divertido e de cumplicidade. Shaido o cumprimentou com uma leve reverência em respeito, mas foi completamente ignorado, o que o deixou um pouco nervoso e muito irritado.

Allegra, por sua vez, não parecia surpresa em vê-lo. Apertou os lábios em um riso sapeca e seus olhos diziam algo que Shaido não compreendeu. Colocou as mãozinhas para trás e olhou para o chão fingindo algum tipo de arrependimento e quando o jovem albino olhou a menina de maneira autoritária, ela soltou um risinho de quem se divertia com a brincadeira.

— Vamos para casa e conversaremos em particular o porquê tive que vir buscá-la.

— Ahhhh Lord Meeeeeeeeeyne.... - Falou com sua voz infantil, arrastando o nome do rapaz como uma tentativa de convencê-lo a não repreende-lá. Ele abriu a boca em indignação como se fosse falar algo, mas não emitiu som algum, apenas levantou uma sobrancelha e lhe deu um olhar que deveria dizer muito para Allegra, pois esta fechou o sorriso, ficando de repente temerosa.

O rapaz descruzou os braços, olhou para Belle e a cumprimentou com uma leve reverência, que foi imediatamente correspondida com um sorriso. Sim, a linda bibliotecária sorriu para o jovem e isso não passou despercebido por Shaido, que sentiu algo lhe formigar o sangue nas veias. Virando-se de costas, o albino imediatamente começou a dirigir-se para a saída sem olhar para trás, enquanto ouvia Allegra se despedir.

— Até breve, Lord Shaido, preciso ir agora. - Disse com uma reverência exagerada e indo até o outro rapaz, que parou e olhou para trás apenas virando um pouco a cabeça.

— Lord Shaido? Então é você o famoso Lord Shaido... - falou sem emoção e abriu um meio sorriso em curiosidade.

— Sim, e o Senhor deveria ser mais cortez quando for cumprimentado por alguém. - veio a resposta seca e sem pensar de Shaido. Estava irritado com o que julgou ser arrogância. Os nobre, mesmos os de posições altíssimas, não costumavam ser arrogantes ou presunçosos com aqueles que eram seus inferiores, e Shaido não era qualquer; era Lord e tinha sangue nobre, títulos e estava entre os melhores alunos de todo o reino. Não merecia ser ignorado, mesmo que fosse por alguém de tão alta estirpe, e principalmente se esse alguém ganhasse um sorriso de Belle assim tão facilmente.

Lord Meyne arregalou os olhos em surpresa e se virou bruscamente, esbarrando em Allegra que estava logo atrás, derrubando-a no chão. Com a queda da menina, sua reação mudou de surpresa pra susto e soltando uma exclamação, num impulso se abaixou e pegou a menina no colo.

— Foi sem querer, me desculpe... não foi nada, né! - falou de forma rápida e demonstrando preocupação, o que fez a menina rir e Shaido achar que, talvez, ele não fosse tão arrogante assim. Agora, ele parecia engraçado e desastrado.

— Não ria, eu falo sério! - falou baixo para a menina e voltou seu olhar para Shaido, que ria disfarçadamente. - Esta rindo do que? Mal educado, não parece ser um Lord, deve ter comprado os títulos! - disse em provocação.

— Fique o Senhor sabendo que meus títulos são muitos por herança, mas em maioria por honra e mérito. Meu avô é governador de Boandis, cidade do Litoral e eu sou seu sucessor legítimo. - falou com orgulho e soberba.

— Grande coisa. - Meyne sussurrou apenas para si e retorceu os lábios em desdém, virando-se para sair, carregando Allegra no colo.

Mas Shaido ouviu aquele desaforo. Queria ir atrás dele, chamá-lo para um duelo, fazer sua staff abrir-lhe a cabeça e colocar respeito ali dentro a força, frisar seu rosto, quem sabe uma cicatriz naquela face bonita e branca não o deixaria menos exibido? Mas Meyne Vell não estava preocupado com o orgulho ferido do outro, tinha suas próprias preocupações e segredos.

Um desses segredos ele compartilhava com Allegra, sua princesinha, filha caçula. Só ele sabia que Allegra frequentava a biblioteca durante a noite. Depois que as veilanas a colocavam para dormir, ela fugia silenciosamente e chamava pelo pai para levá-la a lugares fora do castelo que não podia ir sozinha.

Assim, quando naquela noite, por um motivo desconhecido sua esposa cruzou os corredores em direção ao quarto da filha com as veilana já em descanso pelas tarefas cumpridas, não encontrou ninguém no quarto da filha e isso lhe pareceu bem estranho.

— Veilanas! VEILANAS! - gritava Lady Hestea nos corredores. Os quartos das veilanas responsáveis pela menina ficavam bem próximos, justamente para atender mais rapidamente as necessidades de Allegra. Logo estavam todas no corredor correndo até a Lady.

— Veilanas, onde está minha filha? Foi me dito que já havia ido dormir, mas não está na cama, nem em lugar algum. - falou alto em tom de ira.

As veilanas se entreolhavam, e não sabiam o que responder.

— Nós fizemos como todas as noites! A colocamos na cama, e esperamos até ela adormecer, apagamos as luzes, saímos fechando a porta. - a mais velha falou, já demonstrando nervosismo.

Os gritos de Lady Hestea, claro, não passaram despercebidos por sua filha primogênita Ahiel, que mesmo não estando o tempo todo ao lado de Allegra, como uma boa irmã, três anos mais velha, sempre zelava pela segurança de Allegra, e tinha ótimos motivos para isso. Quando ouviu os gritos da mãe no corredor, correu para ver do que se tratava, chegando exatamente no mesmo momento em que ela dizia.

— Mas a questão é que minha filha não está no quarto e vocês, suas antas inúteis, precisam me dar uma resposta de onde ela está!

Ahiel sabia que se a mãe descobrisse que a pequena frequentava lugares diferentes do permitido, e ainda com o consentimento do pai em desafio as suas ordens tão absolutas, Meyne Vell, Lord Mago da Luz, da Tríade Imperial, seu querido pai, estaria em apuros. Melhor do que qualquer um, Ahiel conhecia a situação delicada de sua família, principalmente o conturbado casamento de seus pais. Com um olhar apurado e sem dizer nenhuma palavra, saiu rapidamente em busca de seu pai.

Era essa a hora que Lord Meyne costumava levar Allegra para seus passeios secretos, quando a mãe se retirava para descansar. Porém, ao encontrá-lo, teve a surpresa em saber que desta vez, ele não havia levado Allegra, e que provavelmente a pequena tinha ido sozinha, já que conhecia bem o caminho.

E foi por isso que naquela noite, Lord Meyne correu até a biblioteca, não pensando em nada além de sua pequena filha. De todos os segredos de Lord Meyne, este que tinha em cumplicidade com Allegra era um dos menores. Allegra tinha apenas quatro anos de idade, mas sua mente era tão esperta como de um adulto. Se havia motivos de preocupação na cabeça de Meyne, era por suas filhas, Ahiel e Allegra.

Lord Meyne Vell era jovem, tinha 22 anos e foi esposo e pai muito cedo. A família Vell sempre teve favores especiais dos Imperadores e isso desde as eras passadas, tudo devido à característica única e considerada especialmente exótica: o albinismo.

Muitos membros da família nasciam com as características albinas. Em Les Marcheé não havia uma explicação para isso, e por serem tão diferentes, eram considerados quase como divindades. Essa beleza exótica fazia com que todos fossem agraciados com os títulos de maior nobreza e, conseguintemente, seus poderes mágicos eram sempre mais elevados. Era comum na família casamentos entre parentes, justamente para não perder a genética e permanecer em posição favorável no Reino.

Mas com o passar do tempo, o numero de albinos estava diminuindo na família e isso era preocupante. Havia naqueles dias apenas três pessoas com essa característica: Meyne Vell, sua irmã gêmea Laurel Vell (que nunca era vista publicamente) e sua prima Hestea Velece. Assim, quando Meyne completou 15 anos, a idade mínima para contrair matrimonio, foi obrigado a casar-se com sua prima Hestea e dar iniciou a uma possível nova geração de albinos.

Não era com ela que Meyne queria se casar algum dia. Seu sonho era se casar com sua primeira paixão, um amor impossível desde sua infância, mas que logo se tornou proibido, e por isso ele guardava em segredo muito bem escondido.

Há muito tempo já ouvia sobre suas responsabilidades, uma vez que era o único homem até o momento com a herança tão preciosa da família, e não ficou triste com a notícia; até gostava da prima, achava ela bonita e esperta e pensou que seria fácil ter uma família feliz. Idealizou toda uma vida a dois, seria um bom esposo, um bom pai, protegeria, amaria e faria de tudo por sua família. Trataria sua esposa e filhos com muito amor, respeito e dedicação; seriam uma família feliz e unida, onde ele se empenharia para que nada faltasse, para que sempre tivessem o melhor, manteria os títulos e conquistaria novos, já era excelente em magia e progrediria até o nível máximo, se tornaria poderoso e importante, ocuparia alto cargo e para sempre teriam orgulho dele.

Mas no primeiro ano de casamento, partes dos seus sonhos foram destruídos. Hestea não o amava, não gostava nem um pouco, na verdade, ela o detestava e estava decidida a fazer todos que a obrigaram a se casar se arrependerem profundamente. Era mimada, egoísta, traiçoeira e vingativa. Apenas um ano mais velha que ele, mas sua mente era voltada para o mal como a de uma bruxa velha em maldades. Mas, evidentemente, nem ela nem a família queriam perder os títulos e favores que suas características albinas lhe proporcionavam. Bem aconselhada, usava isso com destreza a seu favor.

Aceitou o casamento fingindo bom grado. Quando engravidou, orou as Musas para que a criança nascesse albina e pudesse ganhar mais títulos e riquezas por ter dado a luz a mais um ser iluminado, como todos costumavam chamá-los. Seus sonhos eram altos, acreditava que conseguiria acumular tanto poder e gloria que um dia se tornaria Imperatriz, e mudaria muitas coisas naquele reino; faria um reino ao seu gosto, onde todos a louvariam como se fosse uma das Musas.

Mesmo com seu coração maldoso, conseguiu a graça de conceber uma criança albina. Por algum motivo específico, as Musas lhe atenderam (ou teria sido apenas a genética), e quando deu a luz, foi grande a euforia na casa. Era uma menina e recebeu o nome de Ahiel, mas Hestea era jovem demais para saber como cuidar de um bebê, sem paciência, sem compreensão e, principalmente, sem amor. Duas veilanas cuidavam de Ahiel, e também a irmã de Hestea, Reiea Velece que era dois anos mais nova, porém adorava crianças e quando a sobrinha nasceu, passou a dedicar sua vida ao bebê.

Reiea passou a morar diretamente com o jovem casal, no intuito de cuidar da pequena Ahiel, e presenciou as situações mais adversas na casa, que apesar dos seus quatorzes anos e ideias infantis, sabia que as coisas ali estavam muito erradas e que sua irmã era, sim, uma pessoa muito ruim; não só pela forma com que tratava os outros, mas as coisas que fazia propositalmente, principalmente para o esposo.

Hestea não suportava o choro de Ahiel e passava vários dias sem sequer ver a filha. Passava seus dias estudando música, pintura e gastando dinheiro em coisas supérfluas e caras. Era vaidosa, gostava de se maquiar e tingir os cabelos em tons pastel, cada semana de uma cor diferente, e todos os seus vestidos, jóias e acessórios tinham que combinar com a cor dos seus cabelos, por isso as despesas eram enormes por causa dos seus caprichos. Não gostava de repetir roupas e dizia que morreria de depressão se não comprasse um sapato novo a cada final de semana.

Também gastava uma boa quantia pagando as veilanas de Bellephorte para lhe contar sobre as roupas e acessórios da Imperatriz. Tentava imitá-la em tudo, fosse aos penteados, nos gestos até nas vestimentas. Mas um detalhe era terminantemente proibido para qualquer um que não fosse da família imperial ou que não tivesse algum vínculo muito próximo: esse detalhe era a cor roxa. Por isso, Hestea desejava muito ter coisas nessa cor, mesmo que não pudesse usar publicamente. Tudo que era roxo era muito caro, porque era destinado somente a família imperial e algumas pessoas muito próximas, mas Hestea não se importava em pagar, apenas para se vestir da cabeça ao pés e se admirar no espelho, fingindo ser a própria Imperatriz.

Reiea sempre a repreendia por essa péssima conduta e isso gerou um certo ódio entre as irmãs. Hestea fazia coisas desagradáveis o tempo todo, fosse uma fofoca, uma mentira, uma provocação. Não media palavras de insultos a todos que era inferiores a ela e até mesmo sua filha, ainda um bebê sofria com seus acessos de fúria e birra. Quando Hestea perdia a paciência por qualquer motivo e batia no bebê com qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, fosse um chinelo, fosse uma peça de roupa, um livro, uma bandeja... e por isso, Reiea fazia questão de nunca deixar Ahiel sozinha com a mãe.

Quando Meyne questionava sobre os hematomas da filha, Hestea descaradamente mentia, até chorava se dizendo culpada, porque sem querer se descuidou e quando viu, Ahiel havia dado um passo em falso e caído, ou havia resvalado na banheira e batido na quina, ou já havia punido a veilana irresponsável que tinha deixado sua linda e amada bebêzinha se machucar. Reiea, quando ouvia essas coisas, sentia nojo, e tinha tanta pena de Meyne porque ele acreditava.

Meyne era tão bom, tão inocente que tudo o que lhe falava ele acreditava. Não conseguia ver maldade em nada nem ninguém, nunca se irritava, não tinha inimigos e não odiava ninguém. Detestava discussões e sempre era o primeiro a pedir desculpas caso acontecesse alguma ofensa. Ele era bom de mais e isso o fazia ser aquela pessoa que sempre são enganadas e, consequentemente, sofrem.

— Meyne, meu cunhado! Quando vai perceber que minha irmã te faz de tolo e é ela que maltrata a própria filha? - Reiea o alertava em particular quando tinha oportunidade.

— Por favor, ela é sua irmã! Vocês têm o mesmo sangue e, com certeza, ela jamais seria capaz de fazer algo assim.

— Olha como está cego! Ela coloca sonífero todas as noites pra te fazer dormir!

— Eu durmo porque sempre estou muito cansado devido aos estudos e tantas responsabilidades! Todos sabem que se pudesse, dormiria para sempre!

— Quantas vezes ela preparou-lhe uma refeição, de gosto ácido e horrível para ter ver comer e rir pelas suas costas!

— Ela apenas não é boa cozinheira, mas não faz de propósito.

— Os cofres da família estão se esvaziando com os caprichos dela.

— Quem liga pra dinheiro? Amor e alegria são mais importante. Reiea, pare de ser fofoqueira!

— Meu querido cunhado, o que você tem de bonito, tem de burro! Boboca!

E essas eram basicamente as conversas que tinham. Reiea sempre terminava com uma pequena briga ou ofensa que Meyne nunca retrucava. Ele podia ser apenas um adolescente e sua mente ainda ser quase infantil para a maioria das coisas, mas sabia o que acontecia a sua volta, apenas tentava fazer de tudo para que seu casamento ficasse estável, pois dependia dessa união o futuro da família. E tinha aquele segredo no coração, aquele outro amor impossível que o fazia chorar em segredo, mas que motivava a seguir em frente e se tornar cada vez melhor e maior. Nunca teria aquele amor, mas seria alguém importante para, no mínimo, ganhar notoriedade da sua verdadeira amada. Por isso, se esforçava cada dia mais, para ganhar seu valor e reconhecimento, e quando completou dezoito anos, foi o mais jovem da história de Les Marcheé a alcançar o alto nível de magia e dominar o Selo dos Tiones, uma magia antiga e poderosa (e perigosa) que quando invocada, assumia a forma de um dragão.

Recebeu o título de Lord Mago da Luz. O dragão que sua magia invocava era feito de uma luz que brilhava prateado como a lua cheia, sua aura era fria e congelante, seu poder era proveniente diretamente das Musas e sua existência tão antiga quanto o início da nova era. Seu corpo não era físico, era mais como um espírito de luz cristalizado. Era lindo e assustador e, por isso, Lord Meyne não via motivos de invocá-lo, afinal, quem precisava nos dias atuais de tamanho poder?

Esse era o terceiro Selo que havia sido dominado com a graça das Musas. Assim, Meyne teve a honra de juntar-se ao seleto Coirlem, como parte da Tríade Imperial, onde conheceu as outras duas importantes personalidade que haviam dominado outros selos antes dele, cujos nomes só ouvia falar: Guy Protheroi, Lord Mago da Noite e Lady Crissanea Laeticia, Maga do Sol. Meyne estava tendo um momento muito feliz em sua vida. Seus sonhos começavam a se realizar!

Claro que essa novidade muito agradou Lady Hestea, e o trato com seu esposo sofreu uma mudança como de água para o vinho. Esforçava-se muito em carinho e simpatia, e treinava o dia todo sorrisos e palavras delicadas, cheias de doçura e amor, tudo para que fosse considerada uma esposa perfeita, bondosa e respeitável. Sua intenção era ganhar a confiança da própria Imperatriz, torna-se sua amiga mais íntima, descobrir-lhe os segredos e, quem sabe, poder ter a Imperatriz em suas mãos a ponto de usurpar o seu lugar?

Era um pensamento sujo, maligno e até certo ponto infantil, mas seus ideais a moviam em todos os atos. Esforçou-se para fazer parte do Coirlem, sendo esposa teve privilégio e conseguiu muitas amizades através de sua postura falsa e dissimulada. Enganava a muitos, recebia muitos elogios e inclusive presentes caros. De fato, era linda e chamava atenção por onde passava, e disso ela sempre tirava vantagens. Aproveitou-se da bonança do momento e engravidou novamente, pedindo a benção para ter outra criança albina para usar como trunfo.

Contudo, a Imperatriz ainda jovem em idade, mas uma mulher madura, inteligente e muito cautelosa, tinha no sangue a sabedoria, uma linhagem imperial de longa data. Ela não se deixaria enganar tão facilmente, não tinha nenhum vínculo de amizade íntima com a família Vell, mas conhecia todos os seus membros, principalmente Lord Meyne e suas primas. Passou a observar atentamente Lady Hestea e seu comportamento na corte, e quando esta foi até sua presença pedir mais títulos, mais soberania, mais posses e mais regalias pelo fato de ser mãe de uma criança iluminada e, supostamente, estar esperando por outra, a Imperatriz fez questão de negar, alegando que o fato de gerar uma criança albina não era motivo para nenhum tipo de benefício. Fez ainda mais, criou uma lei onde tornava os títulos pessoais e independentes, ou seja, se os títulos eram dados ao esposo, a esposa não tinha direito algum de se valer deles, teria que conquistar seus próprios títulos por herança ou méritos.

Essa mudança na lei fez a ira de Lady Hestea ser a maior de toda sua vida. Sentiu que a Imperatriz havia feito por gosto, somente para humilhá-la e torná-la qualquer, já que ela não possuía título algum a não serem os de herança que não eram os mais valorosos. Toda sua pompa e poder se dava aos títulos de Meyne! Agora, era como se ela não fosse nada, e nem mesmo ter dado a luz a uma criança albina lhe valia alguma coisa. Aquelas crianças nem precisavam existir. Se ela não poderia ser poderosa, nenhum outro de sua família seria. Secretamente, maquinou seu plano e esperou ansiosa a oportunidade para por em prática sua maldade.

Agora, era mais que uma questão de orgulho, era pessoal, queria derrubar a Imperatriz e traçou seus objetivos com esse ponto fixo. Lembrou-se que, no passado, houve um poder maior de todos que necessitou da ajuda direta das Musas para ser controlado, e sabia que nos dias atuais, ainda havia descendentes daqueles. Essa seria sua arma contra a Imperatriz Beriune de Les Marcheé: Hestea a faria cair mesmo que tivesse que despertar novamente um mal há muito tempo esquecido.

Mas Lady Hestea, em sua mente pequena conjurada pela maldade, parecia ter esquecido que ao lado da Imperatriz, havia um Imperador. Também se esqueceu que ainda era casada e que seu esposo agora pertencia a Tríade, braço direito no Império.


Notas Finais


Obrigada por chegarem até aqui!! <3 Vcs são uns amores!!!!
Eu não esperava que tantas pessoas fossem me acompanhar aqui e estou realmente empolgada com tudo isso, e por isso meu medo de fazer besteira aumenta.

Quero muito saber suas opiniões, sejam elas de qualquer tipo!
Ah, capítulo betado e revisado! Agradecimento especial a minha beta cheia de paciência Marys!! <3
Bjss


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