História Let me be your lover - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Loris Karius
Tags Comedia, Futebol!, Goleiros, Jogadores De Futebol, Liverpool, Loris Karius, Romance
Exibições 43
Palavras 4.458
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Voltei.
Gente, não liguem, mas a Salmão é caso de estudo... Tem vez que ela fala demais, outras é curta e grossa...
E acho que Loris é até inteligente... Mas tá fazendo merda...
Espero que gostem... Ah lá embaixo vou deixar um link com umas fotos incríveis da cidade... Cuidado pra não se apaixonar...
A foto da capa é pra se ter uma noção do Albert Dock...
Boa leitura.

Capítulo 2 - Plano


Fanfic / Fanfiction Let me be your lover - Capítulo 2 - Plano

POV Loris

Ela não foi tão rápida na corrida, lembrei que possivelmente estava com as pernas cansadas do trabalho como falou na nossa primeira conversa.

Difícil era entender como ela não lembrava de mim, mesmo eu tendo falado o nome dela no restaurante. Outro detalhe que percebi, parecia difícil pra ela encarar as pessoas.

Fui caminhando devagar até a rua do restaurante onde deixei o carro. E pra minha surpresa, Salma havia voltado ali, estava na calçada e usava o celular olhando lá pra dentro.

Me aproximei, ela se assustou e colocou a mão sobre o peito.

Me encarou por alguns segundos, deu um passo pra chegar mais perto e então seu rosto pareceu confuso.

-Você está me seguindo por acaso?-Ela perguntou nervosa.

-Não, meu carro está bem ali...-Eu respondi e apontei.

Ela olhou na direção e então pra mim novamente.

-Está me seguindo sim... Você me beijou, eu saí correndo, é algum psicopata? Quem me garante que o carro ali é seu? Não precisa me responder, eu vou chamar a polícia... –Ela revidou mexendo no celular.

Suas mãos estavam trêmulas. Mas meu rosto agora foi reconhecido.

-Não... Não faz isso... O carro é meu...-Eu falei pegando a chave no bolso.

Destranquei apertando o botão.

 Ela olhou quando a luz do carro acendeu e apagou.

-Ótimo... Agora vai me sequestrar?-Ela disse.

Bem que eu gostaria de levá-la a algum lugar.

-Não... Salma não é? Eu já falei com você antes...-Eu falei.

-Ter falado comigo antes não te dá o direito de me seguir, de me beijar e acho que agora quer me sequestrar... –Ela revidou.

-Não mesmo... Tem certeza que não se lembra de mim?-Eu disse.

Ela me olhou pensativa.

-Só que me beijou há alguns minutos... Aquilo foi um crime... E agora acho que está me enrolando,  fazendo as coisas ficarem pessoais... Alguns psicopatas fazem isso... Vai embora... Não venha mais atrás de mim... Ou a polícia vai resolver tudo... -Salma falou.

E começou a bater na porta do restaurante.

-Salma...—Eu comecei a falar.

Ela parou e me encarou.

-Meu Deus... Você é algum desses caras que  beijei em algum Pub? Pra saber meu nome... E nesses lugares a gente fala até demais por causa da bebida... E agora está querendo se aproximar?-Ela me interrompeu e voltou a bater.

-Calma... Para de bater... Não tem ninguém aí... A gente se falou no Albert Dock outra noite... E foi agradável...  Falamos pouco... Você tinha sido demitida... Depois te encontrei trabalhando nesse restaurante, já vim aqui... E hoje mesmo, estive aqui no jantar... Você serviu vinho na minha mesa... Eu falei seu nome...-Eu disse.

Ela parou de bater.

-Você é o cara novo na cidade?-Ela perguntou.

-Sim...  Sim...-Eu respondi e sorri.

-Não sou boa com rostos...  Nem com nomes... E nem com companhias... O que você quer de mim?-Ela revidou colocando o celular no bolso do casaco.

Começou a aquecer os braços esfregando as mãos sobre eles.

-Ah... Eu te achei interessante...-Eu falei.

-Não... Eu sei o que quer de mim, já me beijou a força...-Salma disse.

-Você é sempre assim? Arisca?-Eu perguntei.

-Você me seguiu, puxou meu braço e me beijou... Quer que eu esteja tranquila? Ainda mais sem os meus cigarros...-Ela respondeu.

-O que eu posso fazer pra te deixar mais tranquila? Eu juro que não quero te machucar... Na verdade eu não machuco nem insetos...-Eu revidei.

-Escuta... Eu realmente não estou entendendo você... Não tive um dia muito bom... Eu vou pra casa... Espero que tenha mais sorte com outra garota...-Salma falou.

-Espera... Você disse que não é boa com rostos...-Eu  disse me aproximando dela.

Ficamos próximos, me abaixei um pouco pra ficar da altura dela, nos encaramos.

-Não sou, nem com nomes, nem com companhias...-Ela revidou.

Baixou os olhos.

-Olha pra mim, talvez você me reconheça depois...-Eu falei.

Ela olhou. Ficamos ali por alguns segundos, queria beijá-la outra vez, mas tive o sentimento que Salma estava assustada.

Ela olhou pra baixo outra vez e tocou um pouco abaixo do meu pescoço, mexendo na minha gola.

-Você tem tatuagens pelo corpo...-Ela disse baixo.

Então me encarou novamente. Peguei a mão dela.

-Sim... E meu nome é Loris...-Eu falei apertando a mão.

Voltei a ficar de pé normalmente. Eu sorri.

-Loris... Já vou...-Salma disse tentando soltar a mão.

-Salma, qual Pub você frequenta? -Eu perguntei soltando a mão dela.

-Qualquer um que estiver aberto... Tchau...-Ela respondeu e saiu caminhando.

Eu acompanhei.

-Salma... Eu estou de carro... Posso te levar?-Eu revidei.

-Não...-Ela falou.

-Certo... Então a gente se vê amanhã no jantar... –Eu disse.

Ela parou  e me olhou.

-Eu não posso te impedir de ir ao restaurante, mas, por favor, não me prejudique...-Ela falou.

-Tá... Até amanhã...-Eu revidei.

Ela não falou mais nada e saiu andando.

Fui para o meu carro e voltei pra casa. Meu cachorro me recebeu quando abri a porta, fui logo para o quarto, troquei de roupa e me deitei.

Meus pensamentos estavam confusos, entre Annelie e Salma. Eu estava sendo injusto com a minha namorada, mas a atração por aquela mulher parecia inevitável.

Os lábios como eram, os olhos cansados e assustados, o jeito de lidar com frio, as mãos trêmulas, a voz nervosa. Tantos detalhes pra relembrar, mas os lábios continuavam sendo minha coisa favorita nela.

-Eu já tenho algo favorito nela... Estou ferrado...-Eu falei sozinho.

O beijo não tinha gosto de cigarro, foi até doce eu queria mais, queria um em que eu pudesse tocá-la totalmente, mesmo com aquele jeito um pouco bruto.

Dormi um tempo depois.

Pela manhã fui para o Melwood, fiquei lá até pelo meio da tarde. De lá, saí com Emre, fomos a um café.

-Quer ir à minha casa hoje á noite? Uns amigos vão chegar de Frankfurt lá para as seis horas, seria legal uma noite de vídeo game...-Ele falou.

-Tenho planos hoje à noite... Na verdade todas as noites dessa semana...-Eu disse.

-Namorada voltou?-Ele perguntou.

-Não... Mas tenho planos...-Eu respondi e sorri.

-Loris, que planos são esses?-Ele revidou receoso.

-Planos com alguém interessante...-Eu falei.

-Seu cachorro? Você não conhece quase ninguém aqui...-Emre disse.

-Verdade... Mas o plano é justamente esse, conhecer pessoas...-Eu revidei.

-Ah, então o que acha da gente ir com você nesses seus planos?-Ele continuou.

-Hoje não, mas quem sabe amanhã?-Eu disse.

-Tá bom... Amanhã...-Emre falou.

-Amanhã podemos jantar naquele restaurante, eu gostei de lá...-Eu revidei.

-Eu sei o que você gostou de lá...  Mas e aquele papo de tenho namorada, você não precisa se preocupar?-Ele disse.

-Continua, tenho namorada e você não tem o que se preocupar...-Eu falei.

-É mesmo, quem tem que se preocupar é ela... Loris... Eu sei o quanto é difícil ficar longe da namorada, mas isso não nos dá tanto o direito de começar a se aventurar sem ter terminado com ela...-Emre revidou.

-Mas quem disse que estou me aventurando?-Eu perguntei.

-Foi visível ontem o seu interesse naquela garota do restaurante...-Ele respondeu e riu.

-Vou ser sincero com você... Minha relação com a Annelie deu uma esfriada muito grande desde que me mudei pra cá... Quando morei em Manchester foi melhor do que estamos hoje... Ela vem pra cá e quando posso eu vou pra lá, mas parece uma obrigação sabe? Não vou com aquela empolgação, vou com aquele pensamento... Tenho que ir ver a Annelie... Eu sinto falta de chegar em casa, alguém me ligar e querer me encontrar, ou querer que eu vá encontrar e ser possível sem essa coisa de distância... Acordar no meio da semana acompanhado... Na Alemanha era muito mais fácil pra mim e Annelie... Aqui não está dando muito certo...-Eu falei.

-Então pede um tempo pra ela... Melhor do que sair se aventurando por aí... E magoar Annelie...-Emre disse.

-Vou pensar mais um pouco... Não se preocupa...-Eu revidei.

-Mas é a tal Salma mesmo? Que você tem planos hoje?-Ele falou sorrindo.

-Vou deixar a sua pergunta no ar...-Eu disse e ri.

-Só tenha cuidado...-Emre revidou.

Mudamos o assunto, depois do café fui pra casa, estava tão ansioso em voltar ao restaurante que me fiquei um bom tempo tentando escolher uma roupa.

-Loris, você não vai jantar com ela... Qualquer roupa está bom...-Eu falei me olhando no espelho.

Não segui meu pensamento até achar uma roupa que eu gostei pra ocasião.

Quando chegou a hora, fui para o restaurante.

Um garçom me levou até a mesa.

-O senhor que fazer o pedido agora, ou está esperando companhia?-Ele perguntou.

-Não, vou fazer pedido... A mesa é só pra mim mesmo...-Eu respondi.

-Alguma bebida especial?-Ele revidou.

-Não... Vocês tem suco? Estou dirigindo...-Eu falei.

-Temos...-Ele disse.

-Humm... Suco de uva pra mim está bom...-Eu revidei.

-E pra comer?-Ele continuou e me entregou o cardápio.

-O que a chefe Salma está cozinhando hoje?-Eu disse.

-Desculpe senhor, mas a Salma não é chefe aqui... Ela é cozinheira...  Possivelmente ela está trabalhando nas massas hoje...-Ele falou.

-Tem certeza que é ela quem vai fazer a massa que eu pedir?-Eu perguntei.

-Sim...-Ele respondeu.

-Qual você acha que é a especialidade dela?-Eu revidei.

-Espaguete com frutos do mar... Desde que ela começou aqui, os clientes tem pedido bastante ...-Ele falou.

-Ótimo, vou querer isso...-Eu disse.

-Certo... Vou fazer o pedido... Qualquer coisa, me chame...-Ele revidou e saiu.

Um tempo depois, me trouxeram uma entrada e o suco. Observei bem o restaurante procurando ela. Nem parecia estar lá, ou estava muito ocupada pra sair da cozinha .

Passou mais um tempo, o garçom me trouxe o prato.

-Ela está aqui hoje?-Eu perguntei.

-Sim... Mais o restaurante está bem cheio... Então tem muita coisa pra se fazer lá na cozinha... Mas eu disse que era um pedido específico, tinha que ser feito por ela...-Ele respondeu.

-Obrigado...-Eu revidei.

O garçom me deixou sozinho, eu comecei a comer e estava muito bom, enquanto isso eu observava tudo, e ela não apareceu no salão.

Quando terminei pedi uma sobremesa, comi e paguei a conta. E fui embora um pouco frustrado.

No dia seguinte não fui ao CT pela manhã, tinha que ir à tarde. Emre me chamou pra um passeio na cidade junto com os amigos dele.

Fomos para o centro. Enquanto Emre e os amigos tiravam fotos avistei Salma sentada numa escadaria de um prédio

-Já volto....-Eu falei e fui em direção à ela.

De longe eu vi que ela estava com um copo de café e algumas coisas ao seu lado, quando cheguei mais perto, vi tinha morangos um uma sacola e uma caixa pequena com dois croissants.

-Ah não... Até aqui?-Ela disse me olhando.

-Pelo menos você lembrou de mim...-Eu revidei e sentei ao lado dela.

-Você me fez olhar pra sua cara durante um minuto...-Salma falou e deu um gole no café.

-E funcionou... Pensei que não gastasse com comida...-Eu disse.

-Não chamaria isso de comida... Exceto pelos morangos...-Ela revidou e pegou um morango.

Mordeu, os lábios dela me fizeram viajar até a noite que beijei ela.

-Ah... Eu quero agradecer pelo jantar de ontem... O espaguete com frutos do mar estava muito bom...-Eu falei.

- Ah, foi você?-Ela perguntou.

-Sim... Gostei muito...-Eu respondi.

-Você pagou por ele... Tinha que está bom...-Ela revidou e deu gole no café mais uma vez.

-Mas o garçom falou que você fazia isso muito bem...-Eu falei.

-Só fez o trabalho dele... Conhece aqueles homens ali? Não param de olhar pra cá...-Ela disse olhando na direção de Emre e os amigos.

-São meus amigos...-Eu revidei.

-Devia ficar com eles e não comigo...-Salma falou e pegou um dos croissants.

Partiu ao meio com as mãos e mordeu uma das partes.

-Você quer ter um restaurante um dia?-Eu perguntei.

Ela me encarou rapidamente.

-Não...-Ela respondeu de boca cheia.

-Achei que gostasse de cozinhar....-Eu revidei.

-Gostar de cozinhar não me faz ter vontade de ter um restaurante...-Ela falou.

-Esquisito isso...-Eu disse.

-Eu poderia te falar o que é esquisito, mas eu tenho algumas coisas pra fazer agora...-Ela revidou pegando a sacola com morangos e caixa pequena do croissant.

Levantou.

-Espero que cozinhe alguma coisa boa hoje à noite... Vou pedir algo feito por você...-Eu falei.

Ela me encarou novamente.

-Espero que tenha sorte, às vezes eu só descasco batatas e corto cebolas, Loris...-Salma disse  e deu um gole no café.

-Acho que posso ficar com as batatas... E o canivete? Você não me mostrou...-Eu revidei tentando manter ela mais um  pouco ali.

-No meu bolso...-Ela falou  colocando a sacola dos morangos na escadaria.

Então tirou o canivete suíço do bolso do casaco, estendeu a mão aberta com ele.

-Gostaria de saber por que anda com um desses...-Eu disse.

-Quem sabe você me encontra uma outra vez por aí... Já que faz isso o tempo todo...-Ela revidou e guardou o canivete novamente.

Pegou os morangos e saiu andando.

-Tchau... Salma...-Eu falei.

Voltei para onde os rapazes estavam.

-Que encontro rápido, Loris...-Emre disse e riu.

-Vocês marcaram numa escadaria?-O irmão dele perguntou.

-Não, hoje foi sorte...-Eu respondi e sorri.

Os amigos dele começaram a brincar comigo. Continuamos o passeio, até a hora do almoço. Então eu e Emre fomos para Melwood treinar.

À noite, fomos os mesmo ao restaurante. E segui com aquele plano na seman, todas as noites fui jantar, sozinho ou com os rapazes e dei sorte de não comer apenas batatas.

Completando uma semana, fiz o pedido, depois de esperar um tempo, vi Salma na porta da cozinha. Ela tirou o avental e pegou dois pratos sobre um balcão, então veio caminhando em direção ao salão.

Chegou à minha mesa e colocou um dos pratos à minha frente, e o outro sobre a mesa também. Sentou.

-Esse prato, é o tempo que você tem comigo hoje, ou seja, meu intervalo de trabalho...-Ela falou apontando para o prato dela.

Eu sorri, ela começou a comer.

-De onde você é Salma?-Eu perguntei.

Ela soltou um riso. Me encarou.

-Durban...-Ela respondeu.

-Minha pergunta foi engraçada?-Eu revidei.

-Foi... Me sentei aqui pra um interrogatório...-Ela falou de boca cheia.

Um garçom nos interrompeu.

-Quer algo pra beber Salma?-Ele disse.

-Só uma taça de vinho... Aquele de sempre... Você quer algo?-Ela revidou e olhou pra mim.

-Suco de uva... Estou dirigindo...-Eu falei.

-É isso... Obrigada, Lewis...-Salma disse.

Ele saiu.

-Onde é Durban?-Eu continuei.

-África do Sul...-Ela falou.

Olhei pra ela incrédulo. Explicava a foto com a mãe.

-Pensei que fosse algo na Irlanda, próximo de Dublin... Você não parece ser da África do Sul...-Eu revidei.

-Por quê? Por que sou branca?-Ela disse me encarando.

-Também... Mas você não tem jeito...-Eu falei.

-Devia ir à África do Sul, pra ter uma ideia de como é tudo... Nem precisa ir, basta fazer uma pesquisa no Google... E você? Não é inglês...-Salma revidou.

-Alemanha... Um distrito chamado Biberach...-Eu disse.

-Quem sabe um dia eu procure isso no Google...-Ela falou enquanto mexia na comida.

-Espero que sim...-Eu revidei.

-Então, Loris... Qual seu interesse em mim? Por que não tenho nada a te oferecer... -Salma disse séria.

Era uma pergunta difícil, eu não tinha um sentimento completo por ela. Apenas curiosidade e desejo. O Garçom voltou, serviu um pouco de vinho pra ela e deixou meu copo com suco.

-Eu sou novo na cidade, e você foi uma das pessoas interessantes que encontrei por acaso...-Eu falei.

-E? Ser interessante é uma coisa... Ser beijada a força é outra...-Ela revidou.

-Já se olhou no espelho? Já percebeu o quanto sua boca é tentadora... É quase impossível olhar nos seus olhos por que ela está bem aí competindo com eles e chamando toda atenção pra si...-Eu disse.

O rosto dela deu uma corada.

-Já me falaram antes que minha boca parecia ter vida própria...  A comida está boa?-Salma falou.

-Está ótima... Você fez ótimos pratos a semana toda...-Eu revidei.

-Obrigada... Eu já acabei... O seu tempo também... Nossa, daria um rim por um cigarro agora... Eles acabaram assim que cheguei aqui...-Ela disse levantando.

-Posso te trazer alguns? Estou de carro, compro e volto aqui pra te entregar...-Eu sugeri.

-Agora só poderei quando o restaurante fechar...-Salma falou.

-Não tem problema, eu trago... Já que me acompanhou no jantar...-Eu disse.

-Quero só ver... Traga cervejas também... Amanhã eu não trabalho...-Ela revidou e riu.

-Tem preferência por marca?-Eu perguntei.

-Acho que você acaba de se tornar um pouco interessante pra mim... O garçom vai trazer a minha preferência... Com licença...-Ela respondeu e saiu.

Eu sorri olhando ela voltar em direção à cozinha, continuei a comer e logo o garçom veio com um guardanapo, me entregou, eu abri e tinha anotada a marca do cigarro e da cerveja.

Terminei o jantar, paguei e saí de lá. Fui a um mercado pra comprar os cigarros e a cerveja, então segui para casa. Coloquei as cervejas na geladeira e deixei os cigarros na cozinha, fui para o quarto me deitei um pouco na cama. Annelie me ligou, conversamos e não tive coragem pra pedir um tempo a ela, nos falamos como se nada estivesse acontecendo, quando desligamos me senti culpado.

O sentimento de culpa não foi maior que a vontade de ir logo encontrar Salma, quando deu a hora, peguei as coisas  e saí novamente, voltei ao restaurante.  Parei o carro e desci, fiquei encostado vendo os funcionários saírem, eles riam, estavam animados com alguma coisa, até que Salma saiu ela olhou pra um lado e então para o que eu estava. Veio caminhando até mim.

-Como prometido... Cigarros e cervejas...-Eu falei entregando as duas sacolas.

-E não é que ele veio mesmo... Você não vive? Não tem outras coisas mais interessantes pra fazer?-Ela disse e pegou o maço de cigarros da sacola.

-Hoje não tinha nada pra fazer...-Eu revidei.

-E amanhã?-Salma perguntou com um cigarro entre os lábios.

-Amanhã eu não trabalho também...-Eu respondi.

-Vamos...-Ela revidou e saiu caminhando.

-Pra onde? Podemos ir de carro...-Eu falei acompanhando ela.

-Não vou entrar no carro de um estranho... Vamos para o Albert Dock...-Ela disse.

-Mas você anda com um canivete e sabe usar...-Eu revidei.

Ela riu.

-Sim... Mas carros aceleram tudo... E no momento, quero me sentir um pouco mais devagar...-Ela falou.

-Por que o canivete?-Eu perguntei.

-É um costume de ter nascido e crescido em Durban... Na África do Sul são cometidos muitos crimes contra as mulheres lá, mas não só lá, no continente todo, eu ando com um desde a adolescência, quando comecei a sair mais sozinha... O canivete me dá uma chance de me defender... E como ainda prefiro ficar sozinha, mesmo andando em países europeus, acho melhor continuar com ele...-Ela respondeu.

-Saiu de Durban por causa disso?-Eu revidei.

-Não... Devia procurar no google sobre Durban, eu acho a coisa mais linda, essa cidade... Só quis ganhar o mundo mesmo... Mas e você? Por que saiu de Bi... Bi o que mesmo?-Salma falou me encarando.

-Biberach... Bom, melhorar minha carreira...-Eu disse.

-O que você faz mesmo?-Ela perguntou.

-Trabalho com esporte... Já usou o canivete alguma vez?-Eu respondi.

-Não quero responder à essa pergunta...-Ela falou.

Chegamos ao Albert Dock e sentamos no chão.

-Acho que aqui é o seu lugar favorito...-Eu disse.

-É... Mas só à noite... Durante o dia é cheio de turistas, tem o barulho dos barcos... Aquela coisa toda... E você? Já tem um lugar favorito?-Salma revidou.

-Ainda falta conhecer muita coisa aqui... Mas acho que posso colocar esse como um dos meus favoritos também...-Eu falei.

Salma abriu uma lata de cerveja e começou a beber.

-É um lugar público... Então, tudo bem...-Ela disse.

-E por que a cozinha? Foi a única solução pra sua vida?-Eu perguntei.

-Gosto de cozinhar... Não sou chefe, nem tenho essa formação... Fiz alguns cursos... A cozinha me permite trabalhar em qualquer lugar do mundo... Mesmo que eu só descasque batatas e cebolas... E às vezes me imponho pra não lavar a louça do restaurante, vi como vantagem...-Ela respondeu e riu.

-Aposto que já trabalho nesses lugares que vendem peixe com batata frita...-Eu revidei.

Ela soltou uma gargalhada.

-Meu primeiro trabalho aqui... Ingleses são bem esquisitos... Gosta de peixe com fritas?-Salma disse se divertindo.

-Já comi coisa melhor... Tipo o seu espaguete com frutos do mar...-Eu falei.

-Vá ao Baltic Fleet, o peixe deles é temperado e a batata também... Fora as cervejas, eles têm cerveja caseira, feita na adega deles... O lugar é agradável... Mas vez ou outra está lotado...-Ela revidou.

-Vou anotar a dica... Posso beber uma cerveja?-Eu disse.

-Pode...-Salma falou e piscou pra mim.

Peguei e comecei a beber junto com ela que acendeu mais um cigarro.

-Acho que agora é a sua vez de me perguntar algumas coisas...-Eu falei.

Ela deitou  no chão.

-Pode começar a falar das tatuagens... Dá pra saber muita coisa sobre uma pessoa quando ela tem muitas tatuagens, cada uma é uma história...-Ela disse.

-Dá pra eu falar sobre algumas...  Por que não posso te mostrar elas todas sem tirar a roupa...-Eu revidei.

-Não tem problema... Pode começar a falar...-Salma falou.

Eu fui contando as histórias e depois ela falou sobre a delas.

-É engraçado que tenha comidas pelo corpo... Parece um livro de receitas...-Eu disse.

Ela riu.

-Ás vezes bate um pouco de arrependimento... Mas depois eu vejo que a minha vida é cheia de loucuras mesmo... Mas penso em fazer algo diferente no futuro...-Ela revidou.

-Sente falta de casa?-Eu perguntei.

-Um pouco... Mas não quero falar sobre isso agora...-Ela respondeu sentando novamente.

-Tudo bem... Está mais tranquila em relação à mim?-Eu revidei.

-Sim... Perdi mais o medo da sua voz de Batman....-Ela falou e riu.

-Voz de Batman?-Eu disse e ri.

-Você tem uma voz grossa assim...  Escutar ela no Albert Dock á essas horas sem te conhecer é assustador...-Ela revidou tentando me imitar.

E riu novamente, estava ficando bêbada.

-É a primeira vez que me falam isso... Voz de Batman...-Eu falei um pouco envergonhado.

-Não fica assim, você tem voz de Batman e tem sido legal como ele...-Ela disse tocou meu rosto.

A mão estava fria. Ela tirou rapidamente quando eu sorri olhando nos olhos dela.

-Tenho sido legal... Primeiro elogio vindo de você...-Eu revidei.

-Você me comprou cerveja e cigarros... Eu teria que esperar até amanhecer pra poder comprar... Ia ficar meio louca no meu apartamento com a falta de nicotina... Você foi legal... E obrigada...-Salma falou.

-Foi só uma gentileza pela sua no jantar...-Eu disse.

-Seus olhos são bonitos também... As inglesas devem  ficar loucas quando te veem não é? E elas são bem doidas mesmo... As birds... Quase tudo gira em volta de um pássaro aqui...  Gira em torno de The Beatles, um time de futebol... Mas muita gente não sabe que o navio Titanic foi registrado aqui e tem coisas dele no museu marítimo, sendo que ele nunca chegou ao porto de Liverpool, ele saiu de Southampton, lá tem coisas do navio também...- Ela revidou.

-É? Tem coisas do navio?-Eu falei.

-Tem... Faça uma visita lá... Bem interessante... E muitos passageiros e funcionários ou eram daqui ou tinham alguma conexão... Ah, até na construção do Navio, muitas pessoas de Liverpool... Essa cidade é mítica, cheia de lendas... -Salma disse.

- Parece obcecada com a história do Titanic... E o time de futebol? Não gosta?-Eu perguntei curioso.

- A história do Titanic é muito mais do que Rose e Jack, quer dizer, nem fazem parte da história verdadeira... Só fui uma vez ao Anfield Road, outra ao Goodison Park... Não me ligo muito a essas coisas não... Quando cheguei, tudo era novidade, empolgante... Agora eu prefiro descobrir coisas novas daqui... Você gosta? Você é homem e tem cara de que gosta...-Ela respondeu soltando o cabelo.

Ia prender novamente.

-Gosto... E prefiro seu cabelo solto...-Eu revidei impedindo ela.

Ela me olhou nos olhos.  Os dela avermelhados. Estávamos muito próximos.

-Você é bonito né?-Ela falou e sorriu.

-Sabe outra coisa que gosto?-Eu disse olhando os lábios dela.

-O que?-Salma perguntou olhando nos meus olhos.

-Esse seu jeito... Me encanta... Me atrai...-Eu respondi.

Ela desviou os olhos para os meus lábios.

-Você é muito arrumadinho pra mim... E tem voz de Batman...-Ela revidou tocando meu rosto.

-Eu deixo você me desarrumar...-Eu sussurrei e beijei ela.

Ela não me empurrou, senti sua mão fria na minha nuca,  eu coloquei a minha na cintura dela, trazendo ela pra mais perto do meu corpo. Os lábios macios me faziam ignorar o gosto de cigarro misturado com a cerveja, ela deslizou a mão da nuca para o meu corpo até o início da minha calça, então parou e tirou, fui descendo com  beijos pelo pescoço dela sem me importar com o cheiro de fumaça e comida, Salma estava ofegante, desci mais um pouco até o decote dela, mordi um dos seios de leve, ela me empurrou devagar.

-Há algo muito errado nisso... Eu já beijei uns alemães antes, em Berlin, e eles não beijam assim...-Ela falou me encarando.

-Assim como?-Eu perguntei acariciando o rosto dela.

-Assim, desse jeito... Bom...-Salma respondeu.

Eu sorri e toquei os lábios dela.

-É que os seus lábios inspiram... Talvez esses outros que você beijou, não tenham prestado atenção nisso...-Eu revidei me inclinando pra beijar ela novamente.

-Não sei o que estou fazendo... Mas vou continuar....-Ela disse e aceitou meu beijo.

-Nem eu... Eu sussurrei em meio ao beijo.

Deixamos a conversa de lado e continuamos com os beijos por um tempo.

-Você é cheiroso...-Salma falou enquanto dava beijos no meu pescoço.

Nós paramos.

-Tenho sido legal, sou bonito, beijo bem, e agora cheiroso... São muitos elogios vindo de você...-Eu revidei sorrindo.

Ela riu.

-Acho melhor irmos... Me senti até um pouco mal agora... Tenho cheiro de comida ...-Ela disse levantando.

-É que você só insiste em me encontrar depois do trabalho...-Eu falei e levantei.

Salma pegou as sacolas e acendeu um cigarro.

- Você que insiste nisso... Vamos embora...-Salma revidou.

Fomos caminhando até o início do Albert Dock.

-Amanhã você não trabalha, quer dizer... Hoje... Estou sem opção de jantar...-Eu disse.

-Acontece, pelo menos já está sabendo disso e não fará viagem perdida...-Ela falou.

-Qual a solução que você me dá?-Eu perguntei.

-Fique em casa... Ou saia com seus amigos... –Ela respondeu.

-Ou poderíamos nos encontrar em algum lugar de sua preferência...-Eu sugeri.

-Não... Eu tenho algumas coisas pra fazer...-Salma falou.

-Então quando? Posso ao menos te ligar qualquer hora?-Eu disse.

-Ah, você sabe onde me encontrar depois... Nada de ligações, não vou trabalhar, mas estarei bem ocupada... Saia por Liverpool, descubra a sua Liverpool...-Ela revidou e deu um passo pra ir embora.

Puxei ela novamente, segurei pela cintura e nos beijamos por alguns segundos.

-Pra eu não esquecer a sua boca... –Eu sussurrei cessando o beijo.

Ela sorriu.

-Tchau, Loris... –Salma falou e deu um passo pra trás.

-Tchau, Salma... Não quer que eu te leve em casa?-Eu revidei.

 -Não...-Ela disse e  saiu andando.

 Voltei a rua onde meu carro estava e fui pra casa. Fiquei feliz com a noite e mais ansioso com o meu possível próximo encontro com ela.

Mas pensei em Annelie também, eu estava muito errado, com as duas.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E ai como foi?
Espero que tenha sido ao menos legal...
Quando será que Loris vai abrir o jogo de verdade?
E Salmão? Quando será que vai abrir o jogo em relação ao que está sentindo? Pra mim ela tá idfc ( I don't Fu***Ing care)
KKKKKKKKK
Aqui o Link das fotos...
https://www.buzzfeed.com/jackmurray/reasons-why-liverpool-is-the-worst-place-on-earth?utm_term=.uigQJ5XZY#.euoNEXPA1
Obrigada por acompanhar e até o próximo.


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