História Let me hold your hand - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, JR, Mark, Personagens Originais, Youngjae, Yugyeom
Exibições 28
Palavras 3.474
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


just because é tão linda :(

Capítulo 3 - Message


Fanfic / Fanfiction Let me hold your hand - Capítulo 3 - Message

  Sinto todo o meu sangue se acumular bruscamente em meu rosto, transparecendo assim o meu constrangimento no momento em que ponho meus olhos sobre o corpo completamente despido dele. O ar torna-se praticamente inexistente e por isso em um movimento impulsivo encaro meus próprios pés e sussurro baixinho um "me desculpe", quase sentindo meus pulmões se espremerem com a falta de ar. Admiravelmente consigo mover meu corpo para longe daquele lugar e sem me dar conta estou caminhando um tanto desequilibrada e sem rumo.

Absolutamente tudo. Foi isso o que pude ver no exato momento em que abri a maldita porta e por isso parecia que o meu coração estava muito perto de explodir e algo me dizia que a qualquer momento isso aconteceria. Aquela pergunta rodeava minha cabeça como um parasita e era inevitável fazê-la... Que tipo de pessoa fica nua no quarto e com a porta destrancada? Eu sei que disse o quanto gostaria de ver um homem nu na minha cama. Mas aquele era meu cliente e aquela não era a minha cama. Não que eu quisesse que fosse...

– Está tudo bem Ivy. Vai ficar tudo bem... – Repito para mim mesma quando me sento no chão em algum lugar que não reconheço pela minha desorientação.

O dia nem havia chegado ao fim e eu já estava quase pedindo socorro. Respiro profundamente quase roubando todo o ar da atmosfera na tentativa de "reviver" meus pobres pulmões. Com os olhos fechados e a cabeça escorada na parede levo uma de minhas mãos até o bolso do meu casaco, tateando o mesmo à procura de meu celular. Abro imediatamente meus olhos quando noto que ele não está ali, tento no outro bolso e o encontro vazio. Sinto a adrenalina que estava se esmaecendo de meu organismo retornar violentamente e isso intensificou-se quando tentei nos bolsos de trás do meu jeans e notei que um deles tinha um rasgo consideravelmente grande. Enorme para ser mais exata. Que ótimo. Eu saí daquele quarto tão atordoada que acabei deixando o meu celular cair no meio do caminho. Ou talvez no quarto mesmo...

Fecho os olhos com força assim que lembro que precisava fazer uma ligação. Levanto dali rapidamente refazendo todo o trajeto que havia feito do cafofo deles até ali. Novamente sinto meus pulmões se espremerem à procura de ar e isso devido a minha aproximação daquele dormitório. Durante o percurso eu fixo meus olhos no chão e me sinto cada vez mais frustrada com a ideia de que a droga do celular havia mesmo caído naquele dormitório. Será que dava pra eu ser menos sortuda?

– Aí está você. – Congelo imediatamente ao reconhecer aquele tom de voz – Ivy. Deixou isso cair.

Até penso em tomar alguns segundos para tentar trazer estabilidade pros meus pulmões mais uma vez e pra tentar esmaecer o rubor em minhas bochechas mas ele é muito rápido em se colocar bem na minha frente. Agora devidamente vestido, usava uma  blusa de frio marrom de tom claro e calça jeans de lavagem clara bastante rasgada nos joelhos.

– O-obrigada... – Não sou capaz de olhar para o seu rosto e por isso apenas tomo rapidamente o aparelho de sua mão, para que não desse tempo de notar as minhas mãos trêmulas. Também não consigo distinguir se o motivo dos tremores estão relacionados com a vergonha de minutos atrás ou com o fato daquele "Ivy" ter soado tão espontâneo em sua voz. Talvez as duas coisas.

– Hum... O seu namorado deixou uma mensagem. – Mesmo sem saber qual expressão seu rosto assumia eu pude notar um desconforto de sua parte... Mas espera. Que namorado?

– Mas eu não tenho um... – Levanto o meu olhar automaticamente de modo ingênuo.

– Não? – noto um sorriso discreto no canto de seus lábios. – Isso é estranho.

Franzo o cenho intrigada com o que acabo de ouvir e com aquele "quase" sorriso. Estranho mesmo era conseguir ficar tranquilo e sorrir mesmo depois de ter sido flagrado nu no seu quarto e a pessoa que havia lhe flagrado estar bem na sua frente. Por um momento me sinto uma tola por querer sair correndo dali pela vergonha.

– O que é estranho? – Arqueio uma de minhas sobrancelhas quando pergunto e o assisto alargar ainda mais o sorriso, apertando bem mais os seus olhos. No que ele tanto vê graça?

– Uma moça tão bonita não ter um namorado. – diz por fim. Como se tivesse arrancado um curativo de uma só vez, e se eu não estava conseguindo esmaecer o rubor em minhas bochechas agora era uma missão impossível.

– O q-que disse?

– Eu gaguejei?

Engulo em seco e arregalo bem os olhos após a pergunta. Eu havia gaguejado mas ele definitivamente não. Deixaria transparecer meu constrangimento mas infelizmente sou bem conhecida por não conseguir deixar nada por menos. E assim que ouço a pergunta explicitamente provocante arqueio ainda mais minha sobrancelha. Claramente em uma tentativa falha de parecer intimidadora mas aquele famoso sorriso distraído ainda brincava em seus lábios. Ódio.

– Afinal, o manager está a sua espera. – Solta de repente a frase que eu teria dito para ele se aquele desastre não tivesse acontecido. Imediatamente ponho uma de minhas mãos na frente do rosto sentindo um leve desespero me atingir quando lembro que falhei completamente na tarefa que me foi atribuída. – Não se preocupe, eu expliquei o que aconteceu.

De relance as batidas do meu coração se intensificam tanto quando ouço aquilo que por um instante penso que ele ia sair voando da minha boca

– Explicou? – Retiro a mão do rosto vagarosamente só pra encarar um sorriso ainda mais alheio.

– Sim, expliquei que foi me chamar no dormitório mas houve um imprevisto e teve que sair por um instante.

– Um imprevisto?

– Não mencionei o imprevisto em especial. Ou gostaria que eu tivesse mencionado? – Ele cruza os braços na frente do próprio corpo ao que escora o ombro na parede ao seu lado, pondo todo o peso do corpo ali. Sinto aquela queimação idiota retornar para o meu rosto e infelizmente ele consegue perceber.

– M-me desculpe... e-eu

– Não precisa me pedir desculpa. – Deixa escapar uma risada baixinha, provavelmente adorando tudo aquilo – Foi tão ruim assim o que viu pra me pedir desculpas?

Oh céus!

– Aish! Como pode perguntar coisas assim? – Escondo o rosto atrás de minhas mãos e ouço sua risada sair em um tom mais alto dessa vez.

– Oh! Não me diga que desaprovou o que viu...

– Aniyo! – Digo instantaneamente mas logo em seguida me arrependendo até o meu último fio de cabelo por isso.

Ele abre um sorriso de ponta a ponta com o meu deslize, exibindo todos os seus dentes. Mesmo muito envergonhada com a minha falta de jeito não consigo não olhar para todos aqueles dentes bonitos naquele sorriso.

– Posso saber do que está rindo?

– Você é engraçada. Gosto disso. – Diz ao que suas feições são completamente suavizadas, me dando imediatamente a visão exclusiva da cor de seus olhos.

Castanhos. De tonalidade escura.

– Engraçada? Eu? – Ele só pode estar brincando comigo. Desde quando tinha graça ver uma pessoa se constranger com facilidade?

Ele apenas balança a cabeça positivamente e me lança um sorriso sem a exibição de seus dentes agora. Eu precisava admitir que estava um pouco errada sobre ele ser uma pessoa enjoada, tudo devido ao fato de estar fazendo piadas sobre uma situação nada engraçada o que indicava que pelo menos ele tentava ter senso de humor – muito horrível por sinal – porém não tirava o fato de que estava se aproveitando de tudo pra me ver constrangida e sem jeito. Ou talvez só fosse desse jeito naturalmente.

 

 


***

 

 

Eu havia baixado o aplicativo no qual seria exibida a live em meu celular. Acabo descobrindo que a live solo era do JB, o que me deixou um pouco desconfortável no momento em que fui comunicada mas logo tratei de deixar as coisas pequenas de lado para focar de uma vez por todas no meu trabalho. Apesar de não ser útil nessa transmissão ao vivo – e eu realmente concordo que não era necessário maquiar aquele menino – eu sei que minha presença ali era importante. Não para terceiros e sim para mim mesma. Pelo que pude compreender naquela correria toda, após tudo aquilo, o manager e eu conversaríamos sobre minha permanência no emprego e isso sim me deixava bem desconfortável.

Aproveito a caminhada que JB, manager e eu fazíamos para chegar até o tal restaurante para checar a suposta mensagem do "meu namorado". Com um sorriso nos lábios por lembrar da forma como fui comunicada sobre a mensagem, retiro o aparelho do bolso do casaco – dessa vez não caindo mais na bobagem de colocá-lo no bolso de meu jeans – e vou direto para as mensagens.

1 mensagem(s) não lida.

Eu não deveria, mas sinto muito a sua falta.
             Sook.

De repente o sorriso que fora esboçado em meus lábios esmaece completamente. Gradativamente sinto como se tudo ao meu redor estivesse desmoronando, caindo drasticamente. Sou capaz de ouvir as batidas do meu coração bem próximas do meu ouvido e pela terceira vez, naquele mesmo dia, meus pulmões se espremem com a ausência de ar.

Aquilo só podia ser o universo me alertando que ele não conspirava ao meu favor. No momento em que estou tentando retomar minhas forças, mesmo depois de tudo, o passado resolve me fazer uma visita. Como se já não fosse o suficiente todas aquelas cicatrizes deixadas em meu peito, eu precisava mesmo reviver isso tudo? As gotas de suor se acumulam no topo de minha cabeça, escorrendo em uma fileira agonizante pelo meu rosto, me avisando que em instantes eu estaria em um daqueles momentos horríveis da minha vida. Aqui não, por favor, não agora. Repito em minha mente que as coisas se sairiam bem, mas cada vez que pensava positivo as circunstâncias me provavam que tudo estava cada vez mais perdido. Com um pouco de dificuldade tento respirar correta e lentamente, até que em meio ao ato o meu olhar é atraído para o meu lado esquerdo. Um par de olhos curiosos e expressivos me analisavam calmamente, como se quisessem compreender clinicamente o que estava acontecendo, mas no instante em que os percebo acabo os perdendo de vista.

– É aqui. – O manager diz quando nos aproximamos do suposto restaurante.

Ignoro por um instante que estava sendo observada e presto atenção no manager. Ele adentra o local e faz menção para que nós fizéssemos o mesmo. Comumente como já era de se esperar o recinto abrigava muitas mesas e cadeiras por toda a extensão do espaço que não era muito grande por sinal. Aparentemente as cadeiras eram de madeira de nuança escura com seus respectivos estofados brancos, visivelmente a mesma cor das toalhas sobre as mesas. A textura rústica das paredes que cercavam o restaurante tinham a tonalidade bege o que na minha opinião colaborou para que o local se tornasse tão apertado. A decoração era simples e singela e eu até teria por certo observado mais os detalhes se não estivesse tão eufórica ainda com o que me acontecera.

Observo o manager conversar com um homem bem vestido – aparentemente o gerente ou algo do tipo – sentada em uma das cadeiras disponíveis ali. Retorno para aquele meu mantra idiota, mas só até notar que alguém havia sentado ao meu lado.

– Está tudo bem? – Demoro um pouco para reconhecer a voz arrastada de JB.

– Sim. – Forço um sorriso quando volto meu olhar para o seu rosto. Mas minha mente pronuncia imediatamente um "eu acho".

– Não sei se acredito em você. – Ele está um pouco deitado na cadeira, como se estivesse em sua casa ou algo do tipo, enquanto encara as mesas à sua frente.

– Eu realmente não me importo. – Rebato afiada. E eu até pediria desculpas pela grosseria se eu estivesse arrependida. Efetivamente eu não estava em um dos meus melhores momentos para lidar com piadas péssimas.

Ao contrário do que esperava dele...

– Continuo não acreditando.

Solto um suspiro pesaroso, me controlando para não perder todo o meu auto-controle, mas parecia que o objetivo dele era exatamente esse.

– E continuo não me importando...

– Mente muito mal, sabia? – Ele pergunta abrindo um sorriso sem mostrar os dentes.

– Sobre eu não estar bem ou não me importar com sua opinião? – Arqueio uma de minhas sobrancelhas.

– Os dois.

– Argh, nem me conhece e age como se soubesse de algo – Desvio o olhar para encarar também as mesas à nossa frente.

– Está na cara que ficou assim por ter visto a mensagem. – Percebo ele mover os braços para cruzá-los na frente de seu corpo. – A não ser...

– A não ser o que?

Com o auxílio da iluminação do local, consigo reconhecer uma expressão maliciosa nos seus olhos castanhos no instante em que eles são direcionados a mim. O que veio acompanhada de um sorriso debochado, entregando totalmente o que ele queria dizer com aquilo.

– Espera. Acha mesmo que estou assim pelo que vi hoje mais cedo?

Ele não responde. Apenas deixa a pergunta no ar e ainda sorrindo debochado se levanta dali. Daquele jeito distraído, toma passos alheios para chegar até uma cortina que o leva a  uma mesa escondida – na qual seria gravada a sua live solo. Penso por um instante se devo me juntar a eles e noto que ainda estou presa naquele meu momento "quase-crise", contudo em um movimento impulsivo refaço o caminho que Jaebum fez para chegar até a mesa escondida. Talvez assisti-lo naquela tal live me faria esquecer um pouco os problemas pessoais. Passando silenciosamente pela cortina espessa em tom avermelhado recebo aqueles olhos castanhos de imediato em minha direção.

Finjo não vê-los, e escolho uma cadeira bem escondida ali e me sento. Jaebum estava sentado de costa para a cortina e de frente para mim, o manager e a câmera, havia um cardápio em cima de sua mesa e um jogo que aparentava ser um tipo de quebra-cabeças. O manager estava terminando de repassar algumas coisas para ele quando notei que gradativamente o menino ficava mais tenso com o que teria que fazer ali. Nervoso seria a palavra mais adequada.

– Finalmente é minha primeira V solo. – Ele diz para a câmera com um sorriso um tanto tímido nos lábios e ligeiramente desviando os olhos para o seu celular.

No decorrer das coisas pude notar o quanto ele estava se esforçando para que tudo aquilo fosse realmente divertido e para que pudesse entreter as pessoas que assistiam. De braços cruzados e com a cabeça escorada na parede, assistia calmamente cada movimento seu. Tédio? Talvez fosse. Mas automaticamente me dou conta de que minha respiração estava ficando estável novamente enquanto mantinha o olhar atento nele. De modo quieto e daquela forma clinica de analisar as peças de seu quebra-cabeça ele me oferecia um pouco de calmaria e eu estava realmente apreciando aquilo. Até o momento em que o ouvi ler um comentário de uma fã que perguntava por Mark, imediatamente uma sensação esquisita me assolou um pouco, principalmente por vê-lo desconcertado diante da situação.

Por que estavam perguntando por outro membro quando a live era exclusivamente do Jaebum?

Certo. E o que eu tinha a ver com isso? Argh!

Suspiro discretamente para que não fosse notada. Definitivamente só desejava que o dia terminasse e finalmente pudesse tomar banho e deitar na minha cama. Eu realmente agradeci mentalmente quando Jaebum anunciou que a live havia chegado ao fim. Ele agora podia apreciar melhor sua comida, já que passou a live inteira tentando montar aquele quebra-cabeças.

– Enquanto ele termina de devorar toda a comida, podemos conversar agora. – O manager diz enquanto me guia até uma mesa próxima dali.

– Ele estava um pouco inseguro, não estava?

– Sim, estava. – solta uma risada breve – Jaebum fica um pouco inseguro quando precisa fazer algo para divertir e entreter, mas se transforma completamente quando está no palco.

Volto meu olhar para o moreno das pintinhas que abocanhava a comida como se ela pudesse criar pernas e fugir dele a qualquer momento. Involuntariamente abri um sorriso com aquela cena mas tratei logo de desfazê-lo quando ouço Dong-yul oppa chamar minha atenção.

–  Como disse hoje mais cedo, eu realmente gostei muito do que vi em sua pasta. – começou falando de modo formal – Deixou sua faculdade de direito para fazer um curso profissionalizante de maquiagem. Tornou-se vendedora de uma das lojas de maquiagem mais requisitadas do mundo, foi escalada para um cargo alto dentro da loja, teve experiência em desfiles internacionais e participou de um programa de Tv...

Ele faz uma breve pausa para abrir um sorriso e para colocar em cima da mesa algumas folhas grampeadas.

– Esse é o contrato da JYP entertainment. Não precisa ler tudo agora, leve para sua casa e nos traga amanhã cedo. Assinado ou não.

"Assinado ou não"

O peso das últimas palavras dele me colocaram sobre pressão. Permaneço em silêncio mas respondendo com um sorriso ao que tomo os papéis em minhas mãos. Nunca em toda minha vida as minhas mãos seguraram algo tão pesado, como se de repente aquelas folhas trouxessem para mim o peso do mundo. Muitas coisas estavam em jogo, eu realmente havia passado por muitas coisas para estar onde estava naquele exato momento e por mais certa que estivesse em relação a minha decisão, aquelas folhas não deixavam de pesar.

Afasto um pouco os pensamentos difíceis quando estamos saindo do restaurante, se eu precisava colocar minha mente para trabalhar, que pelo menos fosse quando estivesse em casa. Quando finalmente pisamos do lado de fora do local, me atento a algo que não havia notado antes ali. Na lateral direita do estabelecimento havia um pequeno corredor bem aconchegante. Com paredes revestidas por pedras naturais de coloração grafite, acomodavam confortavelmente algumas mesas e cadeiras para dois. No rodapé de ambos os lados das paredes, algumas luzes davam ao ambiente um ar mais romântico, o que me fez imaginar como seria aquele lugar durante a noite. Principalmente pelas folhas que se espalhavam por toda a extensão das pedras, penso que inevitavelmente o verde das mesmas seriam realçadas pelas luzes. Suspirei pesarosa ao idealizar um encontro ridiculamente clichê bem ali. Sorrisos tímidos, olhares envergonhados, corações acelerados quase em sintonia, mãos suadas e um beijo de boa noite...

Uma tola. Era exatamente isso o que eu era e por isso balanço a cabeça para que pudesse aterrissar de uma vez por todas. Ninguém mais pensava dessa forma e isso era um fato.

– É um dos meus lugares preferidos. – aquele tom de voz característico de quem sempre está distante daquele planeta, soa repentinamente próximo a mim.

Agora estou caminhando praticamente ao seu lado enquanto um manager ocupado em uma ligação está um pouco mais a nossa frente.

– Achei aconchegante. – Confesso em um suspiro, pondo uma de minhas mãos dentro do bolso do casaco, já que segurava as folhas com a outra.

Não recebo uma resposta de volta, e mesmo encarando os meus próprios pés eu sei que ele sorriu.

"Mas calma, ele só é um pouco fechado e sem jeito as vezes mas é um cara legal."

Eu estava começando a concordar com Mark.

 

 


***

 

 

 

Era indiscutivelmente relaxante sentir que meus fios e couro cabeludo estavam devidamente limpos e que o cheiro singular do meu shampoo estava pairando por ali. Após meu banho relaxante tratei de me aninhar em um moletom cinza de cachorrinho. Era o meu preferido e tudo porque o capuz tinha aquelas orelhinhas engraçadinhas de cachorro. Sem mais delongas me afundo no edredom azul marinho da minha cama de casal e mergulho minha cabeça naquela confusão de travesseiros e ursos de pelúcia.

Enfim, em casa.

Mas ainda não podia dormir, não sem antes ler toda aquela papelada. Suspiro pesarosa e em um movimento relutante me levanto dali e estico o braço para alcançar o contrato sobre meu criado-mudo.

– Aqui vamos nós.

Ponho os olhos nos papéis e por instinto sinto vontade de ligar para minha mãe. Era ela quem sempre estava do meu lado quando precisava tomar uma decisão difícil, e essa era por certo uma decisão que colocaria um fim naquele passado que me assombrava e que iniciaria um novo começo para mim. Era como se tudo dependesse daquilo, o que só me deixava ainda mais ansiosa. Desvio o olhar para o meu celular que estava em cima do criado-mudo e involuntariamente recordo daquela maldita mensagem. O aviso que o passado parecia estar bem vivo em minha memória. Era uma escolha definitiva. Insistir no passado ou arriscar no futuro. E é quando estou prestes a dar início a leitura do contrato que ouço meu celular vibrar contra a madeira do criado-mudo. Não consigo evitar que meu coração acelere tão brutalmente contra meu peito mas com um movimento cauteloso pego o aparelho em minhas mãos.

1 mensagem(s) não lida.

Franzo o cenho quando reconheço que a mensagem vinha do aplicativo KakaoTalk. Mas ainda um pouco receosa respiro fundo, pra não ficar ainda mais ansiosa e nervosa.

Sexy Leader:
             Não devia chamar um lugar tão maravilhoso de aconchegante.

 


Notas Finais


hajima haji haji haji hajima


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