História Let me know - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Romance, Suga
Exibições 24
Palavras 4.040
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Por onde eu começo?
Desculpa pela demora ou pelo capítulo passado?
Eu juro que quando reli o capítulo fiquei chocada com o que eu escrevi. No que eu estava pensando? Onde eu estava com a cabeça? Sério!
Pensei várias vezes em apagar e reescrever o capítulo, não era isso que eu tinha planejado para a história, até mesmo cheguei a começar a reescrever, mas decidi deixar como está se não eu levaria mais tempo ainda para postar.
Eu atribuo essa minha loucura momentânea ao meu TCC (essa coisa não é de Deus!), escrevi o capítulo anterior enquanto ainda estava fazendo meu TCC e saiu do jeito que saiu.
Bem, de qualquer modo, está quase acabando essa fase da minha vida, então, por favor tenham um pouco de paciência, logo, logo voltarei a postar com mais frequência, tudo o que resta agora é passar pela semana de provas, então vem a banca (apresentação do meu TCC, onde vou defender a minha tese >.<) e daí finalmente estarei livre!
Vou acabar esse aviso gigante por aqui, espero que gostem desse capítulo, desculpa pelos erros que tiver, não consegui revisar, como eu disse estou em semana de provas.

Capítulo 18 - Capítulo 18


Depois de quase um mês, aqui estou eu de volta no dormitório. Quando eu entrei, o lugar estava inteiro silencioso, os meninos deviam estar dormindo. Me deitei no sofá e fiquei encarando o teto, eu me sentia mil vezes pior do que quando terminamos.

Pelo menos, naquela situação, eu sabia que ela gostava de mim, que me amava mesmo que nunca dissesse. O barulho da porta se abrindo me distraiu de meus pensamentos, apenas virei a cabeça e peguei no flagra o Namjoon tropeçando na entrada.

-Você chegou? - até pra mim mesmo a minha voz saiu ridícula e patética. Namjoon deu um pulo e soltou um palavrão.

-Estava muito estranho sozinho no meu apartamento. - ele solta um suspiro enquanto se aproxima, recolho as minhas pernas e dou espaço pra que ele se sente. - E você… o que está fazendo aqui? - lhe dou um sorriso fraco.

-Alysson.

-Ah! Então ela te contou…

-Você sabia? - me sinto traído.

-Sabia. Eu tentei fazer com que ela te contasse antes. - ele se encosta no sofá e encara o teto. - A Alysson… não sei… o que ela te contou?

-Tem mais coisas que ela anda escondendo de mim? - a raiva sobe para outro nível. Encarei Namjoon querendo que ele me desse uma resposta e ao mesmo tempo com medo do que ele poderia dizer.

-Não é nada grave. - ele tenta me tranquilizar. - Apenas tivemos uma conversa que me deixou preocupado.

-Sobre?

-Bem… - ele estava hesitando em me contar, mas agora a curiosidade já tinha me mordido e eu nunca deixaria esse assunto passar. - Eu acho que ela precisa de um tempo…

-Que porra! - digo me levantando e começando a andar em frente ao sofá, estava ficando cada vez mais irritado.

-Depois que você a pediu em casamento… você lembra que eu fui até o estúdio? - apenas afirmo com a cabeça. - Ela falou sobre a mãe dela. - uma pontada de culpa se infiltrou na minha raiva, eu não pude me lembrar por dois meses da data de aniversário de morte de sua mãe. - Ela chorou um pouco, mas… eu não sei… ela parecia meio… perdida. Quando fomos na sua casa trabalhar naquela música… ela me contou sobre Paris e eu apenas tive essa impressão… de que ela estava fugindo.

Não falei mais nada sobre isso, de repente muito cansado pra pensar nisso, pra pensar em qualquer coisa. Fechei meus olhos e tirei da minha mente a ideia de voltar para casa e encontrar ela e apenas aceitar toda essa situação, bancar o otário compreensivo. Não era a primeira vez que ela fazia algo do tipo, fugia por medo. Eu não poderia me casar com ela e viver com medo de que uma hora fosse demais e ela simplesmente sumisse, se ela não lutaria por isso… por nós, esse era o momento dela se afastar e sumir, antes que eu a ame mais do que já amo.

 

Eu não voltei para meu apartamento, com medo de ela ainda estar lá e com medo de não estar. De ela não dar a mínima para mim, de já ter ido para Paris. Os outros brincaram comigo sobre ter sido expulso de casa outra vez, mas dessa vez eu não tinha energia pra responder suas brincadeiras, então eles pararam.

Passei o dia inteiro na empresa tentando escrever alguma coisa, qualquer coisa. Mas nada prestava, tudo parecia uma merda completa, já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha começado a escrever alguma coisa e isso tinha se transformado nela.

Doente com isso me levantei e encarei furioso a droga do papel, agarrei aquelas folhas cheias de palavras sobre ela e as rasguei de forma furiosa.

-FODA-SE! FODA-SE! FODA-SE! – Gritei com todas as minhas forças para a pequena sala vazia.

Não muito tempo depois alguém bateu na porta e entrou antes que eu pudesse falar qualquer coisa, Jimin colocou sua cabeça para dentro, eu devo ter o assustado com a minha gritaria, virei meu rosto para o outro lado, tentando me recompor antes de falar com ele.

-Eu trouxe comida… você perdeu o horário do almoço.

-Não estou com fome. – digo enquanto me sento de volta e pego outra folha tentando pensar em alguma coisa. Jimin puxa uma cadeira e se senta ao meu lado, colocando a comida que trouxe em cima das folhas.

-Apenas coma essa porcaria. Ninguém mais aguenta o telefone tocando a cada dois minutos.

-Não estou com fome. – repito teimoso.

-Caralho! Então atenda a porcaria do seu telefone e fale você mesmo pra nuna que não está com fome! – ele se levanta e bate a porta quando sai, continuo olhando para a comida e pensando em suas palavras.

Ela estava ligando. Estava preocupada. Uma pequena esperança idiota surgiu em meu peito.

O que isso significava? Ela não iria mais para Paris? Ou estava apenas se sentindo culpada?

A conversa com Namjoon me voltou a mente, ela estava falando sobre a mãe depois do pedido de casamento, ela estava chorando. Será que me apressei de mais com o pedido de casamento? Tentei me lembrar de seu rosto quando a pedi em casamento, mas tudo o que me lembro é do seu sorriso e do sexo incrível.  Por que ela não me disse porcaria nenhum se estava triste?

Foda-se essa merda, cansei de ficar pensando nessas coisas, não ia chegar a resposta nenhuma. Comecei a comer a maldita comida, peguei meu celular que estava no silencioso, tinha mais de trinta ligações perdidas dela, a culpa me pegou de volta, ignorei tudo isso e comecei a escrever um texto para ela.

“Pare de incomodar os outros! Estou comendo o que Jimin trouxe!”

Mal coloquei o celular em cima da mesa e vi a tela se ascender. Ignore, apenas ignore. Ainda estava muito furioso para falar com ela.

 

A segunda noite no dormitório não foi fácil, voltei a minha antiga cama, Jin tentou ter alguma conversa, contou algumas piadas toscas, eu apenas permaneci calado, rolei de um lado para o outro na cama, vi as horas passando, meu celular se ascendendo e apagando. Algumas horas antes eu tinha olhado as mensagens, era um monte de pedidos de desculpas, junto de desculpas esfarrapas sobre porque estava indo a Paris. Ela ainda estava indo, ainda estava fugindo.

Durante a prática eu estava pior do que ontem, não conseguia me concentrar, não conseguia fazer um maldito movimento certo.

Eu estava patético, irritado e irritando a todos, tentando conseguir uma briga com qualquer um, até que finalmente consegui irritar a todos e fui expulso da sala de prática pelo professor de dança.

Quanta idiotice da minha parte, fui repreendido no corredor como uma criança e quando voltei para dentro, fui repreendido outra vez pelo Namjoon. Os outros se mantiveram afastados de mim, enquanto os outros descansavam eu continuei treinando, disposto a fazer as coisas certas, a não deixar isso afetar o meu trabalho, treinei até meu corpo doer, até que não aguentei mais e desabei no chão sem folego, quando me recuperei o suficiente, me levantei e continuei a treinar até que eu era o único naquela sala. Quando eu finalmente me cansei e estava satisfeito o suficiente com os meus passos na nova coreografia, voltei para o dormitório.

Me surpreendi em encontrar todos na sala, todos estavam sentados e calados, o silêncio era absoluto no lugar. Parei na frente deles, esperando que alguém começasse a falar.

-Alysson estava aqui. – Jin começa. Não é o que eu esperava ouvir.

-O quê? – pergunto enquanto olho em volta, esperando que ela brotasse de algum lugar

-Ela veio atrás do irmão… que veio procurando você. – Hobi explica. – Vocês terminaram? – o tom sério não combinava com o Hobi que eu estava acostumado. Não sabia o que responder, terminamos? Sair de casa e pedir que ela apagasse a luz quando saísse contava como terminar? Inferno, ela ir para Paris contava como terminar?

-Não sei. – sou honesto na minha resposta. – É por isso que estão todos aqui reunidos? – de repente, sincronizados, todos olharam para Namjoon.

-Aconteceu… aconteceu alguma coisa quando… naquela noite que… você veio para o dormitório? – o olhei confuso.

-Nós brigamos. – achei que ele estivesse me escutando naquela noite. – Você sabe disso. – ele se mexeu desconfortável e se levantou. – O quê? – Olhei para os outros que desviaram o olhar.

-Só queremos ter certeza que está tudo bem. Você vem agindo de uma forma estranha.

-Sobre hoje na prática… não vai acontecer de novo. Estou bem agora. Está tudo bem. – Eu tento os tranquilizar, mas todos ainda têm expressão sérias e não parecem ter acredito em uma palavra do que eu disse.

-O menino está certo. Se você não quer mais apenas diga a Alysson que acabou. – Hobi diz com seriedade e até com um pouco de raiva, não sei como reagir a isso, ele se levanta e some dentro de seu quarto.

-Ele só está chateado porque ele gosta da Alysson e não gosta de ignorar as ligações dela. – Namjoon rapidamente o defende.

-Então que ele atenda as ligações. Não vou pedir pra ninguém a ignorar. – Começo a pegar minhas coisas que estão espalhadas pela sala. – Estou voltando para o meu apartamento.

 

 

ALYSSON

 

-Desculpa. – a minha voz ecoa no corredor vazio, Gustavo ainda está parado de braços cruzados ao lado da porta, ainda não me olha. – O que eu tenho feito nos últimos dias… isso não é certo. Não é o que um guardião responsável faria. – Silêncio. – Eu sinto muito por isso. Eu vou tentar ser melhor daqui pra frente. Sobre Paris… você estava certo. O que eu fiz… foi algo ridículo… - engulo com dificuldade, admitir isso não é algo fácil. – Eu estava surtando e fugindo. Apesar que essa não é uma oportunidade que aparece sempre. – Posso ver a sua careta. – Mas isso não vem ao caso agora. O que eu quero dizer é que eu realmente quero saber a sua opinião… sobre Paris. – Ele olha pra mim confuso, descruza os braços e desencosta da parede.

-Achei que ia brigar comigo.

-Não posso brigar com você. A forma como eu me comportei… - solto um suspiro. – Se você fizesse algo como isso… acho que eu faria algo muito pior. Como eu disse, vou tentar ser uma pessoa responsável, vou tentar ser uma guardiã de verdade, mas você tem que ter um pouco de paciência comigo, eu estava acostumada a tomar essas decisões sozinhas, eu me acostumei a ser sozinha. E eu realmente sinto muito por te deixar sozinho quando viemos pra cá. Provavelmente foi um dos motivos pra você entrar em uma banda. – Mais uma vez seus olhos arregalados em minha direção. – Eu sei que não temos o costume de falar sobre essas coisas… sobre nossos sentimentos e… as coisas que nos incomodam, mas eu quero que você seja sincero comigo, quero que fale quando algo te machucar, tudo bem? – Ele volta a baixar a cabeça.

-Eu odiei ficar sozinho. Odiei te acompanhar no trabalho, mas era melhor do que ficar sozinho naquela casa. Odiei não conseguir entender ninguém e ninguém me entender. Odiei a comida. Odiei o modo como as pessoas me olhavam. Odeio que a mãe tenha morrido. Odeio o monte de compromissos e o quanto eu fico cansado e nunca tenho tempo de sair e aproveitar. Mas eu gosto de tocar bateria, eu não preciso falar enquanto faço isso, gosto de ter pessoas me ouvindo e gostando do som que eu faço, até mesmo gosto dos garotos. – ele aponta para dentro do apartamento. – A gente briga um monte, mas acho que finalmente estamos começando a nos entender, eles me ajudam um monte e não me deixam sozinho. – A culpa bate forte em mim. – Eu sei que você precisava trabalhar, eu sei que você não me deixou sozinho porque quis. Eu sei que não deve ser fácil pra você ter que cuidar de mim. Eu aceitei entrar na banda porque eu não queria mais ficar sozinhos, também aceitei porque eu queria aliviar um pouco pro seu lado, queria contribuir de alguma forma. Eu sei que estávamos quebrados, eu vi as contas.

-Não estamos mais quebrados. – eu digo depois de um longo tempo em silêncio, pensei em tudo o que ele disse. – Agora eu não preciso mais trabalhar tanto. Não estamos ricos, longe disso. Mas temos o suficiente pra nos manter confortáveis e até pra você ir pra uma faculdade. Então… se você quiser… se você achar que isso é demais… se você achar que não é isso o que você quer…

-Quero tentar isso. Quero ver até onde eu posso chegar. – eu assinto. – Sobre Paris… - endureço minha espinha esperando por suas próximas palavras. – Você deve fazer como quiser. Eu já te disse, eu vou ficar bem sem você. Não sou mais aquele garotinho que se agarrava na sua perna e te seguia para todos os lados.

-Eu gostava daquele garotinho. – admito. – Pelo menos naquela época você era bonitinho. – ele me olha irritado.

-Vai a merda! Você não é tudo isso que pensa!

Nos alfinetamos mais um pouco só pra esquecer todo o momento meloso e depois ele entra para o seu apartamento, dou uma olhada no meu celular, mas desde a sua última mensagem, não há mais nada dele. O elevador chega no térreo, guardo meu celular no bolso.

Vamos para de agir feito uma pessoa louca! Digo a mim mesma. Acho que já liguei pra ele mais de cem vezes, ele definitivamente não queria falar comigo e acampando na frente de seu apartamento não era a forma certa de fazer com que ele voltasse a falar comigo.

Chego em casa não muito tempo depois, as ruas estavam calmas e com pouco trânsito. Acendo as luzes e sou recebida com o silêncio, tudo está exatamente no mesmo lugar que deixei, são as minhas coisas, fui eu que escolhi cada móvel, cada pequeno detalhe veio inteiramente de mim. E ainda sim, tudo parece estranho e desconhecido.

Paro descalça no meio da sala, olhando para todo o lugar, procurando.

Quando por fim meus olhos voltam para meus pés a realidade cai mais uma vez em cima de mim, me esmagando completamente. Nesse lugar que deveria ser familiar e acolhedor e que agora é apenas estranho e frio, me dou conta que aqui não possui nenhum sinal dele, não há sapatos masculino na entrada, não há casacos jogados em cima do sofá, nem um vídeo game, os controles não estão perdidos em algum lugar da casa, a louça está lavada, não preciso brigar por toalhas molhadas em cima da cama ou ter medo de jogar qualquer papel fora porque pode ter alguma letra de música escrita nela, mesmo que o papel estivesse amassado e jogado no chão.

Não. Aqui não tem nada disso. Esse lugar está livre de vestígios dele.

-Merda! – digo quando a primeira lágrima cai. Eu sou tão idiota!

Quando sinto meu celular vibrando em meu bolso, quase o deixo cair por conta de meus dedos trêmulos, mas não é ele.

-Alô? – minha voz sai trêmula e respiro fundo para tentar me acalmar.

-Olá. É a mãe do Yoongi. Como você tem estado? – a voz dela é calma, seu tom educado.

-Estou bem e a s-senhora? – gaguejo, se antes eu não sabia como a chamar, agora que estou mais perdida do que nunca nesse assunto.

-Estou bem. – longa pausa, será que devo falar alguma coisa? Devo perguntar sobre o pai do Yoongi? Sobre a família? O que eu devo fazer? – Não estou conseguindo falar com meu filho…

-Ah! É! Ele está bastante ocupado esses dias.

-Estou planejando ir até Seoul amanhã, ainda não sabemos onde é a sua nova casa… - outra pausa da parte dela.

-A senhora gostaria que eu lhe levasse até lá? – Por que diabos ofereci isso? Apenas recuse! Recuse! Recuse!

-Isso é muito gentil de sua parte. Não vai atrapalhar seu trabalho?

-Ah! Não. Não, senhora. Eu não tenho nenhum trabalho agendado para essa semana. – qual é o problema com a minha boca?

-Que bom que não estaremos atrapalhando o seu trabalho, vou conferir nossas passagens e lhe mando uma mensagem dizendo a hora que chegaremos em Incheon.

-Sim.

-Até mais querida.

-Sim, sogra.

Encaro o celular pensando no que devo fazer, em como eu vou agir perto dela. Ela me chamou de querida. O que era estranho pra caramba, considerando nossa última conversa onde ela foi fria e me fez um monte de perguntas constrangedoras, dessa vez ela foi até… gentil. Será que o Yoongi contou sobre a nossa briga? Será que ele disse a ele que terminamos? Por que ela me ligaria se ele tivesse dito que terminamos? Volto meus olhos para o celular, devo ligar para o Yoongi?

Eu posso até ligar, mas duvido que ele vá atender. Penso em ligar pra um dos membros, mas eu fui uma chata de marca maior hoje, liguei tanto pra eles que provavelmente não querem ouvir falar de mim tão cedo. Me decido a apenas mandar um texto ao Yoongi, ficaria a critério dele ler ou não, se ele lesse, provavelmente ligaria pra sua mãe e iria a buscar no aeroporto, se não… bem… provavelmente ele estava no dormitório e a chance de nos encontrarmos enquanto eu levar seus pais até sua casa diminuíam.

Obviamente eu queria o ver e conversar com ele, mas não queria fazer isso com seus pais assistindo a tudo de camarote.

 

***

Mais de uma vez eu penso em ligar para ela e dizer que tive um imprevisto, que não pude a esperar e apenas mandar o endereço por mensagem, pego o celular incontáveis vezes, o Yoongi não ligou ou mandou uma mensagem, penso em muitas coisas, mas não faço nada, permaneço parada, olhando atentamente a todas as pessoas que aparecem, procurando algum sinal deles. Eles me encontram rápido, a mãe dele acena levemente para mim, me apresso na direção deles e os cumprimento profundamente não querendo ser desrespeitosa, eles cumprimentam de volta, a situação toda é muita estranha e me sinto mais desajeitada do que nunca, peço para carregar as malas, a mãe de Yoongi cede a pequena mala de mão que carrega, mas seu pai se recusa a me deixar carregar a mala maior. Quando saímos de dentro do aeroporto corro para chamar um táxi, sou empurrada para a parte de trás com a mãe dele, falo o endereço para o motorista, no meio do caminho ela me faz um milhão de perguntas sobre o casamento, tento desviar da maioria delas, mas ela é insistente no assunto e começa a dar um monte de ideias e falar sobre qual é a melhor época pra se casar e depois muda o tópico para bebês e diz que temos que nos apressar e ter logo um bebê, que estou chegando na minha idade ideal para me tornar uma mãe e em como ela adoraria ter um neto.

Achei que ficaria louca dentro daquele carro quando finalmente chegamos, paguei o taxista, tendo uma pequena briga com meu sogro, digo que agora já está pago e que devemos nos apressar e deixar o taxista livre. Será que isso é falta de educação? Apesar da pequena discussão os dois tem um leve sorriso no rosto.

Aperto a campainha desejando que ele esteja em casa, mas ao mesmo tempo com medo. Fico longos segundos esperando que ele atenda a porta até a mãe dele me perguntar se não sei a senha. Será que ainda é a mesma? Digito a senha, a data que nos conhecemos, ou pelo foi o que o Yoongi disse, nunca consegui decorar datas muito bem, a porta destrava.

Assim que entro vejo alguns sapatos largados de qualquer modo e os arrumo rápido, no sofá as jaquetas em cima do sofá me encontram, as pego rapidamente e as seguro, olhando meio alarmada e meio constrangida para a mãe dele que olha a tudo com olhos atentos. Por que estou me sentindo constrangida? Essa não é a minha casa, não é minha culpa que a casa está bagunçada.

Mas eu começo a me mover rápido, tentando amenizar um pouco da bagunça, tento ser uma boa anfitriã e digo que vou levar as malas até o quarto de hóspedes, mas a mãe dele diz que vai me acompanhar, ela carrega apenas a sua mala pequeno, deixando para trás a maior, eu lhe mostro o quarto, ela coloca a mala em cima da cama e depois me acompanha até o quarto do Yoongi.

Por quê? Por que ele nunca deixa a toalha no lugar certo? Retiro a toalha de cima da cama e penduro os casacos no armário, metade dos cabides estão vazios, apenas alguns dias antes minhas roupas estavam aqui. Fecho rapidamente o armário e coloca a toalha no lugar certo para secar, ela me segue sem falar nada, apenas olhando tudo o que eu faço, voltamos para a cozinha onde eu lavo a louça que ele deixou suja para trás. A mãe dele abre sem cerimonias a geladeira e começa a inspecionar tudo o que tem dentro dela, retira algumas coisas, então abre a mala maior e começa a retirar um monte de potes e começa a abastecer a geladeira.

-O Yoongi me contou que você ainda não sabe como cozinha muito bem comida coreana. Não tem problema querida, logo, logo você aprende, enquanto isso, trouxe alguns acompanhamentos e se você quiser eu posso te ensinar algumas coisas fáceis e rápidas e sempre que você tiver alguma dúvida pode me ligar. – abro a boca pra responder, mas a fecho logo em seguida, minha mente gira com as palavras que ela disse mas nada parece fazer sentido, o pai do Yoongi continua ajeitando os potes na geladeira enquanto a sua mãe me olha em expectativa, dou o meu melhor para sorrir e a vejo sorrir, quase o mesmo sorriso que seu filho.

-Muito obrigada. – sorrindo ela assente e começa a inspecionar o trabalho do marido. – Hum… eu não tenho certeza de que horas o Yoongi volta. – digo a eles. – Ou se ele volta para cá, acho que ontem a noite ele veio até aqui, mas nos últimos dias ele tem dormido no dormitório. Eu vou ligar e ver se consigo falar com alguém pra lhe dizer que vocês estão aqui, mas… ele tem ficado… hum… distante de seu telefone enquanto trabalha. – estou cada vez mais desajeitada.

Já com o telefone em mãos corro até a sala e começo a olhar para a minha lista de contatos. Acabo me decidindo ligar para o Hope, acho que ele é a única pessoa que me atenderia nesse momento, não demora muito até ele atender.

-ALYSSON!  - Ele grita com a sua voz animada e quase me deixando surda no processo, dou risada e me sinto aliviada que ele não está chateado com o meu comportamento de ontem.  – Que bom que você ligou! Você deveria logo fazer as pazes com o Suga hyung, ele está um saco! – reclama e posso escutar risadas.

-Hum… Que bom que você me atendeu. Eu… hum… preciso que você passe um recado para o Yoongi. – olho discretamente para os dois que ainda estão na cozinha conversando. – Os pais dele estão na casa dele nesse momento, eu os busquei…

-O quê? – é a voz dele, eu congelo completamente, mordo a minha língua para me evitar dizer todas as desculpas que eu preciso, agora não é o momento, não com um monte de gente escutando e não por telefone.

-Seus pais estão na sua casa. Sua mãe me ligou ontem de noite… ela tentou falar com você, mas você não atendeu o celular… Bem… eles estão na sua casa, eu os trouxe até aqui, vou trocar os lençóis do quarto em que eles vão ficar e já estou indo embora. – hesito em dizer mais alguma coisa. – Você deveria vim fazer companhia a eles.

-Aly… - escuto as vozes dos outros reclamando e o barulho de algo batendo. – Será que… que podemos conversar? – me sento no sofá quase morrendo de alívio.

-Sim. Por favor.

-Eu… eu vou pra casa agora. Será que você pode fazer companhia aos meus pais?

-Claro que posso. – há uma pausa estranha, seria nesse momento que ele diria que me ama e eu responderia que o amo mais.

-Te vejo daqui a pouco. – ele diz por fim e encerra a ligação.



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