História Let me see you smile - Capítulo 33


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Amizade, Amor Fraterno, Baekyeol, Câncer, Central Hunhan, Chanbaek, Drama, Exo, Hospital, Hunhan, Kaisoo, Personagens Originais, Romance, Sulay, Taoris
Exibições 29
Palavras 3.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


olá gente~
voltei com o penúltimo capítulo, espero que gostem ^^

Bem, acho que esse título é mais pra mim mesma do que para o capítulo... talvez quem tenha lido o aviso (que eu apaguei) saiba o porquê...

Coloquei muito amor nesse cap, tá? Então leiam com carinho

Capítulo 33 - Aprendendo lições importantes


Fanfic / Fanfiction Let me see you smile - Capítulo 33 - Aprendendo lições importantes

Capítulo 33

 

Aprendendo lições importantes

 

Eu estava deitado na grama de um parque que não me dei ao trabalho de guardar o nome, eu só sabia que estava longe de casa, bem longe, e talvez não quisesse voltar tão cedo. Não com Yumi me importunando a todo tempo. Se pensa que aquela, a da tarde passada, foi a única conversa em que minha irmã tentou me convencer a falar com Sehun, está muito enganado. Ela foi ao meu quarto naquela noite, voltou ao assunto também na hora da janta quando eu só queria comer minha pizza em paz e chorar.

Hoje de manhã Yumi nem me deu bom dia, já foi logo investigando se eu havia ligado para Sehun. Sem responder, peguei minhas chaves e sai com Charlotte berrando que era para eu voltar. "Teu transplante é em uma semana!", ela gritava, mas — como a educação em pessoa que eu era naquela manhã — ignorei.

Não queria ver ninguém conhecido, porque todos pareciam ter se voltado contra mim depois que eu e Sehun brigamos. Até minhas mães, apesar de não falarem nada, me olham com pena e um julgamento profundo. Meus amigos, até mesmo Yixing, vinham com mil e um concelhos e sugestões de como eu deveria agir e me sentir, e isso é incrivelmente insuportável. Sem contar que estão ocupados demais com seus próprios problemas para me dar atenção por muito tempo que não uns três minutos no telefone.

Chanyeol e Baekhyun se tornaram aquele tipo de casal irritante e meloso, daqueles que parecem ter uma bolha em volta que os isola do mundo — mas eu os entendo perfeitamente em ter essa necessidade. Kyungsoo teve uma recente recaída e seus conselhos, além de macabros, são péssimos. Jongin parece que agora vive para "proteger seu pequeno Soo deste mundo cruel", como ele mesmo diz. Chen e Xiumin, apesar de ótimos amigos, são aqueles que pensam que sabem como estou me sentindo e, por conta disso, tentam impor como devo me sentir. Suho e Lay, quem eu realmente pensei que pudesse me apoiar e dar razão, parecem um casal de recém-colegiais apaixonados, apesar de confirmarem com a mais pura convicção que são apenas grandes amigos, e estão ocupados demais passando o pouco tempo que Yixing tem livre, juntos, já que o emprego no hospital o esgota totalmente.

E em nenhuma das vezes que eu consegui a atenção de um deles, pelo menos por alguns segundos, algum me deu um mínimo de razão. O que me faz pensar que talvez Yumi esteja certa e eu esteja me comportando como um perfeito idiota.

Vim neste parque para tentar relaxar, esperando que aqui eu não encontrasse nenhum conhecido, que com certeza me entupiria de sermões inúteis. Porém a vida não gosta de cooperar comigo.

— Oi. — me surpreendi ao reconhecer a voz e me levantei na hora.

— Namjoon? O que faz aqui? — ele sorriu e se sentou. Fiz o mesmo.

— A Hiun me falou que você e o teu namorado terminaram.

— Como você me achou?

— Eu não 'tava procurando na verdade.

— Mas a Yumi te disse que...

— É. E eu caguei pra a informação naquela hora. — fiquei aliviado, ao menos ele não estava ali para me criticar a mando da peste da minha irmã — Meu apartamento fica aqui em frente, eu te vi por acaso quando abri a janela e decidi descer, pra ver como é que tu 'tá.

— Nossa! Você deve ter uma visão ótima — comentei ao ver a grande altura do prédio — Eu to bem. — menti, obviamente, porque é só olhar pra minha cara que você consegue ler "estou sofrendo pra caralho".

— Mesmo? Você parece estar sofrendo... pra caralho. — Namjoon aparentemente é muito bom em ler rostos.

— Só preciso esquecer o Sehun.

— Por quê? — Não respondi, porque realmente eu não sabia. — Lembrar dele dói?

— Dói. Muito.

— E esquecer não vai doer mais? Mesmo que seja por menos tempo que a dor da lembrança, a dor do esquecimento é tão forte que não atinge somente você. — fiquei em silêncio, absorvendo tudo o que podia de suas palavras — Pelo que Yumi me explicou, e ela nunca deixou de enfatizar que você e Sehun são idiotas, — não contive um riso baixo — e pelo que entendi, que não sei se foi muito, vocês não deveriam ter brigado.

— Ah, não, Namjoon. Você também.

— Calma, deixa eu terminar, porra. Vocês não deveriam ter brigado. E eu achei o motivo bem idiota sim. Mas te entendo e entendo ele também, e é isso que acho que precisa fazer. — tocou com a mão no meu ombro e se levantou — Tenta entender ele. Pensa nisso, pelo menos.

 

Yumi

— Vai, vovó, por favor! — arrastei minha voz o máximo que eu conseguia, para tentar convencer vovó com toda a doçura que eu não tenho.

— Pede para sua mãe. — pude ouvir que continuava constante o som das agulhas de tricô. Porque, sim, apesar de ser o oposto de conservadora, e completamente ativista, contra a caça às baleias e tudo mais, minha avó conservou o hábito de fazer tricô e outras tarefas primitivamente femininas.

Bufei para tentar parecer desistente, mas sem tirar a ideia da cabeça, só mesmo para ela pensar que eu desisti.

— O que está tricotando, vó?

— Um protetor de orelhas. Tinha me esquecido de como é forte o inverno na Coréia.

— É pra mim?

— Não. Para mim. Mas se quiser um eu posso fazer para você.

— Não preciso de um, obrigada... Mas tem uma outra coisa que eu preciso...

— Não.

— Por favor!

— Pensei que tinha desistido.

— Eu não! Até parece que não me conhece. — cruzei os braços e ergui o nariz, bem metida mesmo.

Dessa vez foi ela quem suspirou desistente.

— Tudo bem. O que você queria mesmo?

Expliquei, resumidamente, porque não ou obrigada a gastar minha saliva, para ela tudo o que aconteceu com Luhan e Sehun na última semana. Por fim, contei-lhe meu plano brilhante.

— Quer mudar o dia do transplante do seu irmão? — ela não estava chocada como eu pensei que ficaria. Parecia bem indiferente para falar a verdade.

— É. E colocar ele e Sehun no mesmo quarto depois da operação.

— Acho que ainda não entendi.

— Vou explicar outra vez. Sehun vai fazer uma cirurgia na próxima segunda feira, isso é daqui a cinco dias, para remover o tumor no cérebro. Eu liguei para a mãe dele hoje de manhã e ela confirmou tudo. E a cirurgia do Luhan é no domingo, algumas horas antes. Vou usar meu pedido do câncer para mudar o dia do transplante do Luhan e pedir que o coloquem no mesmo quarto que Sehun. Aí, os dois vão acordar e perceber o quanto se amam. — abri os braços quando terminei de falar, para dar aquele tom de entusiasmo.

Eu esperei que ela desse risada ou me chamasse de louca, dissesse que nunca daria certo e recusasse.

— Tudo bem, eu te levo até o hospital. — fiquei surpresa.

— Sério?

— Sim.

— Valeu, vozinha. — eu a abracei.

— Mas não conte à Charlotte. Estamos ferradas se ela souber que te tirei do quarto.

— Até parece que eu vou contar!

Aproveitamos que minha mãe finalmente resolveu voltar a trabalhar e a casa estava vazia, sem Luhan para me encher de perguntas, chamamos um taxi e saímos. Vovó me ajudou a entrar no carro e colocou a cadeira de rodas no porta-malas, entrando logo em seguida. Demos o endereço do hospital e o motorista partiu.

 

Vovó me deixou sozinha com minha médica, que provavelmente estava me olhando bem desconfiada.

— O que foi, Yumi?

— Já tem essa intimidade para falar informalmente comigo, doutora?

— Eu tenho outros pacientes, mocinha, então não ocupe meu tempo.

— Vai ser rápido, prometo.

Ainda bem que eu não usei meu desejo para ir à Disney como todos fazem, vai ser bem mais útil agora.

 

 

Luhan

Eu estava andando meio sem rumo, para tentar organizar as ideias na cabeça. Nem percebi para onde estava indo até que cheguei a um lugar muito familiar.

Toquei o sino pendurado no portão de ferro e esperei por um tempo até que uma freira veio me atender. Me reconheceu da vez que Sehun me trouxe — não adianta, tudo que eu faço me lembra ele — e me deixou entrar, esboçando um sorriso confortante.

Fiquei pouco tempo na recepção e consegui, sendo seguido por outra freira, permissão para ver uma pessoa específica. Uma pessoa pequena e com um coração gigante.

— Ele não está aí, — a mulher falou antes que eu abrisse a porta — estão todos lá em baixo, é a hora do almoço.

Ignorei e abri. Na última cama daquele quarto que continuava um pouco escuro como na outra noite, mesmo com a luz do sol, havia um ursinho de pelúcia e mais nada aparente.

— Eu disse, senhor, estão todos almoçando.

Ignorei-a outra vez, sou ótimo nisso. Andei até o ursinho e o tirei da cama, segurando em meus braços.

— Que ursinho lindo! — falei alto — Acho que o dono dele abandonou aqui. Será que posso levar para casa?

— Não! — escutei o grito.

Saiu de debaixo de uma das camas uma figura baixinha que correu na minha direção, suas roupinhas largas e cinzentas caindo pelo corpo que era pequeno demais. Devolvi a pelúcia ao seu lugar e preparei meus braços para o leve peso do garoto quando este pulou em mim.

— Carinha do nome legal! — seu sorriso mostrava todos os dentes pequenos e brancos, os olhos eram escondidos por uma franja escura e comprida demais — Você voltou! Viu, irmã? — falou se dirigindo à freira que deixava seu posto à porta para se aproximar — Eu disse que o Luhan ia voltar!

— Jisok não parou de falar de você durante a semana toda. — ela riu, retirando o menino do meu colo e colocando-o na cama, ao lado do ursinho de pano — E você, garotinho levado, por que não desceu como os outros para almoçar?

— Não estava com fome. — respondeu com o narizinho empinado — O estomago é meu e eu deveria poder comer à hora que ele me disser que está com fome.

É um clone da Yumi esse menino, só pode ser!

— Mas não vai ter comida depois, menino!

— Jisok, — interrompi — por que não obedece a irmã e vai comer como todos os outros? Depois você vai reclamar de estômago vazio e não vai conseguir brincar.

— ‘Tá bom. — disse desanimado, pegou seu ursinho e saiu do quarto arrastando-o pelo chão.

A freira me olhava espantada.

— Como fez isso? Ele não obedece ninguém.

— É que eu tenho um nome legal. — dei um sorriso divertido antes de sentir uma mão junto à minha e ser puxado por Jisok para fora do quarto.

 

O garotinho por quem eu já nutria um amor muito significativo me mostrou todo o orfanato, que eu já conhecia muito bem. Mas ele falava com tanta empolgação das vezes em que se escondeu atrás de tal móvel ou brincou escondido em tal sala, que eu não me importei em revisitar aquele lugar inteiro. Ele me Apresentava a todos que passavam por nós, sejam crianças ou freiras. Até me levou na pequena capela nos fundos da propriedade para me mostrar ao padre. Aquele ambiente agradável parecia ser o único a ter sido devidamente reformado; os vitrais eram novos e brilhantes, os bancos de madeira estavam envernizados e não haveria um grão de poeira caso se passasse ali um dedo.

— Bem limpo, né? — ele perguntou enquanto saíamos da capela, ia saltitando sem desgrudar a mão da minha.

— Sim, tudo é muito bonito lá dentro.

— Eu que limpei — sua voz não era mais animada como antes — sozinho, porque nenhum dos meninos quis me ajudar.

Eu não sabia o que responder, como em toda situação que envolve uma pessoa triste em uma conversa deprimente, como quando Yumi me disse estar triste e eu não consegui dizer nada. Apenas soltei de sua mão e o levantei no colo, seus bracinhos apertavam meu pescoço e eu retribuía aquele abraço com o mesmo sentimento que tenho por minha irmã. Eu queria cuidar de Jisok, queria tira-lo daquele lugar. E, assim como com Yumi há anos atrás, prometi que o faria.

— Como está o Sehun hyung? — perguntou com o rosto ainda escondido no meu pescoço.

— Não sei...

— Mas eu pensei que fossem namorados. — me olhou confuso — namorados não ficam juntos o tempo todo? Não sabem sempre o que está acontecendo com o outro?

— Namorados não ficam juntos o tempo todo.

— Mas os corações ficam, não é? — ele sorria de um jeito tão inocente — Mesmo quando ele não está com você, você consegue senti-lo, não é, Luhan hyung?

— Eu... consigo, Jisok. Consigo sim. — não pude evitar que uma única e pesada lágrima solitária escapasse da minha força para conte-la.

— Hyung! Não chora! — passou os bracinhos em volta do meu pescoço — Isso deveria ser uma coisa boa.

— É complicado, Jisok.

— Mais que matemática? Porque eu sou muito bom em matemática. — sorri.

— Bem mais.

— Você e o outro hyung não brigaram, né? — ele realmente é muito esperto para a idade que tem — Por favor, diz que não!

Coloquei-o no chão e me virei para que não me visse chorando. Senti-o puxar a barra da minha blusa, tentei ignorar, mas ele era muito insistente e acabei cedendo. Meus joelhos despencaram no chão e eu chorei como nunca, me sentindo extremamente envergonhado por fazer aquilo na frente de uma criança. Jisok também tinha problemas, e já com o seu minúsculo tamanho lidava com eles melhor do que eu com meus nada incríveis 1,78 de altura.

Ele era forte como Yumi, era esperto como ela, e seu abraço tinha o mesmo sentimento acolhedor. Soube disso quando o senti me abraçar, como se fosse eu a criança indefesa que estava naquele abrigo.

— Não tem problema brigar de vez em quando, a irmã Yoonji sempre diz isso. Mas depois você precisa abraçar a pessoa e pedir desculpas. Luhan e Sehun hyung vão fazer isso, não vão? — passou as mãos cobertas pelas mangas grandes do casaco no meu rosto e secou minhas lágrimas.

Me levantei na hora e o levantei no colo, deixei um beijo no topo de sua cabeça, os olhinhos escuros me cobravam uma resposta.

— Prometo que vamos tentar. — falei sem a real intensão de cumprir aquela promessa.

— Não podem tentar! Precisam fazer! Tentar é ruim...

— Não depende só de mim, Jisok. — olhe só, estou conversando com uma criança de quatro anos como se fosse meu psicólogo.

— Você que pensa! — só que ele é um psicólogo muito bom e sincero, realmente um mini-Yumi — Se você perdoar ele também vai, hyung.

— Você acha? — sorri triste.

— Claro que sim! Os dois têm nomes legais!

Como é mais simples o mundo aos olhos de uma criança. Se ao menos eu ainda fosse uma, penso que talvez conseguisse perdoar Sehun. Se fosse Jisok no meu lugar tudo já estaria resolvido, seria tão fácil; crianças não têm tanto orgulho, correm atrás do que as deixa feliz e não se importam com mais nada.

Talvez eu consiga, por um dia, fazer-me de criaça.

 

 

 

Sehun

A banheira. Esse não é um bom lugar para se afogar lágrimas. Elas podem escorrer e sumir na agua, mesmo assim isso não acaba com a tristeza te todo, elas vão se camuflar na agua da banheira, mas ainda estarão lá. Como a tristeza que as pessoas tanto tentam mascarar.  Pode estampar o rosto que for, pode mandar moldar seus olhos, um canto inclinado nos lábios, pode até ordenar à sua voz que ela se transforme em um riso e saia pela boca, mas as lágrimas continuam lá, pode ter certeza.

E as suas lágrimas, Sehun, onde estão?

Eu sou mais uma dessas pessoas que as escondem. Hábito meio idiota esse, não é? Pois bem, mas todo mundo o faz. E não me venha com esse papo de que “chorar faz bem e você precisa por seus sentimentos para fora”. O sentimento é meu e eu enfio ele no cu se eu quiser.

Toda essa raiva que eu acho que estou sentindo é uma farsa, eu sei disso. Amei Luhan e ainda o amo muito, mas seu egoísmo me magoa de uma forma...

 — Sehun! — já era a décima vez que minha mãe insistia — Não pode passar a vida nesse banheiro! Por favor, saí daí! — esperou um tempo e eu não respondi, mas saí da banheira e ainda molhado andei até a porta, encostando a cabeça ali — Pelo menos me da um sinal de que ainda não morre...

Abri a porta, abracei minha mãe assim que a vi, sem me importar com o fato de estar nu, muito menos o de estar molhado, era minha mãe e eu sabia que ela não ia me julgar, nem recusar. Tive essa confirmação quando senti seus braços em volta de mim e sua mão afagando meus cabelos molhados, um carinho suave e protetor.

Alí, mesmo que tremendo de frio, me senti acolhido e confortável o suficiente para deixar uma lágrima escapar de sua prisão feita de grades de raiva, grades estas que se desfizeram completamente. E se antes eu julgava que Luhan fora idiota, agora eu sei que fui o mesmo.

 

Yumi

 Minha conversa com a doutora foi tão bem sucedida que senti que poderia me levantar da cadeira e andar, tamanha era minha felicidade por ela e os diretores terem aceitado essa minha ideia maluca. Melhor coisa que aconteceu no dia. Agora era só ligar para Namjoon e descobrir se ele cumpriu sua parte em meu grande plano. Afinal, apenas juntar Luhan e Sehun em uma sala não é garantia de sucesso, eu tenho que cuidadosamente plantar naquelas cabeças de pedra uma saudadezinha, um sentimentozinho de culpa, uma vergonhazinha na cara. Traduzindo: eles precisam saber que o que fizeram ao brigar foi a maior merda do século antes do grande dia — vou chamar o dia do meu plano assim — para que o perdão venha simultaneamente dos dois lados e eles se abracem, se beijem e se comam.

“—Yumi?”

— Sim, Namjoon oppa! Falou com o Lunnie?

“— Ele parecia bem mal. Tipo pra caralho.”

 — É. Ele fica assim quando faz merda.

 “— Eu dei um toque pra ele, acho que ele entendeu.”

   — O que disse?

  “— Pra ele tentar entender o Sehun.”

 — Muito bem, Nam! Merece até um biscoito. — Escutei sua risada antes que encerrasse a ligação.

Próximo passo: Falar com o restante dos meus amigos pirados e ver se eles topam um fim de semana na praia.

           

 Quando eu e vovó chegamos em casa, Charlotte nos esperava, provavelmente sentada na cadeira, os cotovelos apoiados à mesa, uma expressão nada feliz, seu silêncio me dizia isso. Não era um bom sinal.

 Mas é aquele ditado: segura na mão da vó e vai! Não é assim?

 — Por favor, me deixe sozinha com ela. — sua voz estava muito baixa, cheia de decepção. Senti a mão da vovó se soltar da minha e entrei em um pequeno desespero — Yumi, vem aqui.

 Meu cu trancou, mas eu fui. Não tenho medo nem da morte, porque iria ter da minha mãe? Com dificuldade movi minha cadeira até onde, por intuição construída em anos vivendo nessa casa, eu sabia ser a mesa de jantar.

 — O que tem a dizer?

— Hum... Me desculpa? — escutei-a soltar um suspiro.

— Yumi, você é tão irresponsável!

— Eu tinha coisas pra resolver. Não sou irresponsável coisa nenhuma, não fale do que não sabe!

— Não grite comigo!

— É você que está gritando! — cruzei os braços a frente do corpo.

 — Está bem, não vamos gritar então.

  — Por mim, ótimo.

 — Pare de falar comigo assim. — Charlotte estava prestes a explodir de raiva.

 — Assim como? — foi a gota d’água.

  — Chega! Lá pra cima! Agora!

  — Quer que vá flutuando até lá? — gritei de volta, apontando para as rodas da cadeira.

Apertei meus olhos e franzi os lábios, esperando pelo tapa que nunca veio. Aos poucos fui relaxando os músculos, abri os olhos de surpresa — mesmo isso não fazendo a mínima diferença para mim — ao ouvir seus soluços. Charlotte estava chorando.

 Deve estar sendo difícil para ela e só agora eu me toquei disso. Acho que os pais nunca pensam que terão de enterrar seus filhos um dia, devem sempre torcer para que seja ao contrário. Seu choro me fez sentir um aperto no peito, senti formar-se na minha garganta um enorme nó de tristeza. Tristeza por Charlotte que teria que me ver morrer; pois a quem morre a morte não é nada, mas para quem fica trás uma dor inexplicável. Eu senti isso com Tao, depois com Kris e agora é minha mãe quem sentirá essa dor, tudo por minha causa.

Retirei sabe-se lá de onde minhas ultimas forças restantes para me equilibrar sobre minhas pernas magras e fracas. Ignorei as dores na cabeça, no coração, nos pulmões. Me estiquei o máximo que consegui para alcançar seu corpo e a abracei como nunca antes tinha feito. Chamei-a de mãe com um carinho que nunca expressei antes. Disse que a amava, surpresa em como essas palavras saíram tão facilmente.

Senti desatar aquele nó, e as lágrimas que eu tanto guardei desceram pelo meu rosto. Estávamos tristes, as duas. Foi, portanto, inevitável que principiássemos um riso e que este se transformasse em risadas calorosas, confortantes para as duas.

 Eu não queria findar aquele abraço.

 


Notas Finais


Vou fazer um apelo aqui: Eu sinto realmente falta de comentários, porque preciso saber se a história ta boa ou uma merda, se vcs não me disserem o que acham, não apontarem meus erros, eu nunca vou saber onde eles estão (tendeu?)
Comentários bons, ruins, ameaças de morte... aceito tudo

[PESSOAS LINDAS QUE COMENTAM PODEM IGNORAR ISSO <3 SARANGHAEYO]

Se eu demorar outra vez não fiquem bravos
Eu juro que sempre tento fazer o meu melhor

ATÉ O PRÓXIMO, UNICÓRNIOS LINDUS ^^

ABRACINHO~


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