História Let The Blood Run - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bottom!taehyung, Flex, Jkkiller, Killer, Taekook, Top!jeongguk, Top!jungkook, Vkook, Yoonseok
Visualizações 584
Palavras 6.083
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, bom, queria primeiro agradecer pelos favs e comentários lindos de vocês, eu amo ler cada um deles <3
Qualquer erro, culpem a minha irmã, a @SweetAly, ela que beta os caps kkk
Bom, não tem muito a ser dito, então... Deixe o sangue correr !
Nome do capítulo: Eu sou melhor que você.

Capítulo 6 - I am better than you


Fanfic / Fanfiction Let The Blood Run - Capítulo 6 - I am better than you

- 5, 4, 3, 2, 1 – eu ouvia a contagem com a respiração pesada e a visão já estava ficando turva devido ao cansaço exaustivo.

- De novo Taehyung, mais uma vez. Você tem 2 minutos para derrubar os três. Comece ! – apoiei minhas mãos nos joelhos e inspirei fundo tentando diminuir a ardência em meus pulmões e relaxar meus músculos que tremiam pelo esforço – Se você não começar agora eu mesmo vou te dar uma surra. Anda, levanta e começa de novo ! – Hoseok gritou mais uma vez e eu rosnei com raiva – Você quer voltar a ser o nerdzinho que apanha todo dia na faculdade ? Aqui não tem espaço pra ele, você sabe disso. Então ou você volta a treinar ou mando Jeongguk se livrar de uma vez de você – tensionei os músculos sentindo uma onda de adrenalina subir por meu corpo apenas à menção de ser descartado pelo moreno.

Eu sabia o que o mais velho estava fazendo, o que ele pretendia me deixando com raiva daquele jeito. Ele aprendeu com o passar do tempo que aquela era a melhor forma de me motivar a fazer qualquer coisa com maior determinação.

Ergui o tronco e me pus de pé com as costas eretas encarando o alaranjado à minha frente. Tentei normalizar minha respiração e me concentrar nos três caras que me rodeavam com aquelas estacas de madeira maciça, prontos para investirem contra mim.

Posicionei-me devidamente e encarei cada um logo antes de Hoseok manear para eles com a cabeça e todos virem para cima de mim. Desviei da primeira investida com uma esquiva para esquerda e com o antebraço direito bloqueei o ataque do segundo oponente usando meu outro braço para lhe acertar uma cotovelada logo no cotovelo o que o fez soltar a arma. O terceiro veio por trás e acertou minha costela no lado esquerdo e eu quase pude ouvir elas se partindo dentro de mim. Virei com ódio nos olhos e afastei sua arma com uma meia lua* acertando seu braço que a segurava. Avancei contra ele e, com a mesma perna que usei antes, o chutei logo abaixo do diafragma. Ele caiu no chão gemendo de dor. Quando me virei o primeiro oponente o qual eu tinha apenas desviado veio cheio de vontade com o pedaço de madeira erguido e se eu não tivesse sido rápido o bastante provavelmente teria tido a cabeça espatifada em mil pedaços, mas quando me desviei por pouco pela segunda vez, a clava bateu no chão e eu me apressei em chutá-la para longe e agarrar o homem com uma mão nos ombros e a outra no cabelo, desferindo uma, duas, três joelhadas em seu rosto até que tivesse a certeza de que ele não levantaria mais. O que sobrou estava desarmado e veio até mim com os punhos prontos para me atingir. Defendi inúmeros ataques seus usando apenas os antibraços, mas, mesmo cansado, eu não podia ficar na defensiva para sempre, eu definitivamente odiava aquilo. Então na primeira oportunidade em que ele abaixou a guarda no meio de um ataque, eu aceitei minha palma aberta no meio da sua testa, o que o fez ficar perceptivelmente atordoado e no segundo seguinte eu já me encontrava agachado com a perna direita esticada lhe dando uma rasteira. No momento em que suas costas tocaram o solo, eu me apressei para subir em seu peito e ergui alto o pulso, mas não o atingi.

Permaneci encarando seu rosto respirando descompassado enquanto as gotas de suor desciam pelo meu rosto. Fechei os olhos e enfim levantei de cima do rapaz estendendo a mão para que ele levantasse. Ele a pegou, mas na hora que eu o puxei para cima seu corpo não se ergueu, ao invés disso, o meu próprio foi puxado para baixo e imobilizado.

- Merda ! – exclamei frustrado sentindo minhas costas pressionadas firmemente sobre o chão do tatame.

- Nunca vire às costas antes de ter certeza que seu oponente não vai levantar mais ! – ouvi a voz de Hoseok e bufei ainda mais irritado – Foi a primeira coisa que eu te disse, logo no primeiro treino.

- Não – disse entre espaços da minha respiração acelerada – Primeiro você passou 20 minutos resmungando sobre o quanto eu era magro e desengonçado – resmunguei.

– Você ainda é magro e desengonçado – ele respondeu cruzando os braços novamente - Pode sair de cima antes que os pulmões dele sejam esmagados. A bonequinha é muito frágil e legal demais, não precisam se apressar, até o torneio ele já vai estar morto mesmo.

Empurrei o corpo de cima de mim com toda a minha força e me levantei de uma vez para encarar o sorriso sarcástico de Hoseok me encarando.

- Estão dispensados meninos – ele avisou aos outros que levantavam, uns com mais dificuldade que outros, enquanto eu começava a desenrolar a gaze dos meus punhos feridos fazendo uma careta devido à dor.

- Eu queria poder matar você – disse quando ele se aproximou, o que arrancou uma gargalhada escandalosa do mesmo.

- Você poderia, se fosse melhor no que foi designado para fazer – ele disse puxando o meu pulso para desenrolar ele mesmo os panos manchados com sangue seco.

- Você está me irritando - disse sério encarando-o com firmeza.

- E você está irritando o Jeongguk, então você é quem deveria temer alguma coisa aqui – apertei os olhos tanto pela dor das feridas quanto pela frustração de saber que cada palavra dele era verdade.

- Eu estou dando o meu máximo hyung – falei entredentes me sentindo realmente um fracassado.

- Não, definitivamente não está. Ele estava certo quando disse que você tinha potencial, com certeza estava, eu vejo isso em você também. Você evoluiu muito apenas nesses dois meses de treinamento, mas ainda está longe de ser o suficiente, está longe de ser o campeão da Aequum – ele disse me olhando e eu suspirei.

- Eu não sei mais o que fazer, eu treino pra caralho, me esforço ao máximo, mal durmo e ainda sim não consigo...

- Porque você continua se contendo Taehyung, continua hesitando. Você não se deixa explodir, você fica se segurando enquanto luta. Desse jeito você nunca vai chegar a lugar nenhum, talvez só adiantar sua estadia permanente no inferno, porque pode ter certeza de que nenhum daqueles brutamontes vai hesitar quando tiver você na mira deles.

- Eu ainda não tenho total controle do que acontece quando eu... simplesmente explodo – confessei ainda mais frustrado em ter que falar aquilo em voz alta.

- Claro que não tem, você não se deixa tentar. Como vai aprender a controlar qualquer coisa que seja se não deixar ela livre pra saber como realmente funciona ? – ele questionou e eu mordi o lábio com força quando ele começou a tirar a gaze do outro punho – Você tem que parar de achar que sempre vai matar alguém, você pode muito bem só lutar, vencer e pronto. Não é regra assassinar sempre que isso acontecer. E outra coisa, você é uma pessoa só, esse lado é parte de quem você é, basta aprender a conciliar seus dois extremos, simples.

- Não é tão fácil quanto você faz parecer quando fala desse jeito – resmunguei e ele me deu um tapa na cabeça.

- Então se prepare para fracassar de novo no desafio desse mês. Imagino que não seja preciso lembrar que Jeongguk não vai gostar nenhum pouco disso não é ? – fechei a cara e o encarei intensamente, o que o fez franzir as sobrancelhas.

- Aish, você aprendeu com ele a fazer essa cara ? – Hoseok reclamou saindo da sala murmurando outras coisas enquanto se afastava, mas eu mal o ouvi depois daquilo.

Como eu aprenderia qualquer coisa com alguém que eu mal vejo ?

Suspirei fundo mais uma vez, sentando e em seguida deixando meu corpo cair mole no tatame.

Eu estava exausto. Além disso. Mas eu não podia parar, não agora depois de ter me esforçado tanto durante esses dois meses que se passaram.

Hoseok estava certo, se eu fracassasse mais uma vez, Jeongguk podia facilmente me mandar embora e... Eu não quero ir embora. Eu estou dando tudo de mim exatamente porque eu não quero ir.

Primeiro dia

- Bom, Jeongguk já deve ter explicado o que ele quer de você não é ? – concordei com a cabeça – Então agora eu vou te explicar como o seu treinamento vai funcionar – Hoseok sorriu fraco para mim.

- Então, basicamente eu vou ser o responsável pelo seu progresso e se você não apresentar nenhum, talvez eu sofra as consequências ou talvez seja você mesmo que as sofra, ainda não sei – ele falou aquilo tão naturalmente que me fez tremer, mas eu já tinha tomado minha decisão e definitivamente não iria voltar atrás – Nós vamos praticar todos os dias por pelo menos 8 horas e todo final de mês você vai passar por um teste, um desafio escolhido por mim ou pelo próprio Jeongguk para testar sua evolução mensal, geralmente consta em um duelo com alguém de nossa escolha. Então eu aconselho que treine duro e foque bastante. O patrãozinho é bem inconstante e o Jimin está doidinho pra que ele escolha ele, se é que você me entende, então... Só depende de você novato.

Eu lembro bem de como fiquei assustado, mas eu queria muito provar para aquele tal de Jimin que eu podia ser quem o Jeongguk queria que eu fosse, que eu podia ser melhor que ele. E desde daquele dia eu não fiz outra coisa a não ser treinar, treinar e treinar.

1º mês de treinamento

- Vamos Taehyung, continue ! – Hoseok falava firme próximo de mim enquanto eu tentava erguer meu corpo mais uma vez sem deixar os braços fraquejarem – Se você não terminar todas as flexões eu mesmo te expulso daqui ! – ele falou mais alto e eu gemi de dor tentando não cair de cara no tatame.

...

- De novo ! Mais uma série de 15 – fechei os olhos sentindo as dores musculares me levarem à exaustão, mas ainda sim repeti os chutes contra Hoseok, que os receptava com a proteção erguida em seu lado esquerdo.

...

Era a primeira vez que eu o via depois do meu primeiro dia na casa e acho que nunca estive tão nervoso ao vê-lo ali ao lado de mais 2 homens que eu ainda não conhecia. Ele veio assistir meu teste mensal e eu sentia o pesar da obrigação de agradá-lo me atingir com força. Eu tinha que dar o meu melhor, tinha que mostrar que ele estava certo em me escolher. Eu não fracassaria.

...

Suspirei fundo quando minhas costas bateram no chão e eu senti o braço do oponente me sufocar enquanto ele sorria de cima sarcástico para mim.

Quando levantei, Jeongguk não estava mais lá e pude ver o sorriso venenoso de Jimin mesmo à distância. Era a minha primeira derrota.

2º mês de treinamento

Eu treinei como nunca. Usei a vergonha da derrota no mês passado para me motivar ainda mais e Hoseok fazia questão de me lembrar o quão patético eu fui a todo o minuto tentando me levar ao limite da raiva.

- Vamos loirinha, de novo ! Quero mais 3 séries de 20 e se você não conseguir, vai dormir no quintal deitado nos sacos de lixo.

...

Era a primeira vez que eu via o moreno tão de perto depois da falha no primeiro teste e eu lembro bem de respirar fundo antes de encarar o meu oponente pelo menos duas vezes maior e mais encorpado que eu prometendo a mim mesmo que eu não iria decepcioná-lo dessa vez.

...

Eu não fui jogado contra o chão, foi bem mais humilhante que isso. Eu sufocava suspenso pelo ar enquanto o meu quase assassino ria alto me vendo me debater em sua mão. Se Hoseok não tivesse parado a luta, eu cairia morto quando ele me largasse.

Tossi por uns bons minutos segurando a garganta na esperança de puxar o ar mais rápido para os pulmões que ardiam.

Quando olhei para o andar de cima, de onde Jeongguk costumava observar tudo, não o achei e ao passar os olhos ao redor, apenas encontrei o conhecido sorriso debochado de Jimin e a cara decepcionada de Hoseok hyung.

Nunca me senti tão humilhado, ainda mais quando tudo aconteceu bem diante dos olhos da pessoa que eu mais queria impressionar.

Lembro-me de quando cheguei ao meu quarto naquele dia e me encarei no espelho. Meu pescoço exibindo a marca dos dedos daquele homem.

Soquei meu reflexo com força e corteis meus dedos. Mas nada daquilo importava. Eu só queria ser melhor. Hoseok hyung sempre me dizia que eu podia dar mais de mim, ele acreditava que aquele não era o meu limite, mas não parecia que eu podia ir além daquilo.

Mas então eu lembrei daquele dia. Do meu primeiro dia aqui, quando Jimin me ofendeu inúmeras vezes na frente de Jeongguk e de todas as outras vezes que ele me provocou durante esse tempo em que estou aqui, sempre fazendo questão de mostrar o quanto é melhor do que eu. E o jeito que ele olhava para Jeonguuk nos dias de teste, aquele olhar cheio de expectativa. E o moreno o olhava de volta, mesmo que apenas por apenas alguns milésimos e de maneira fria, ele pelo menos olhava. Nem isso ele fazia comigo.

Mas eu queria muito que fizesse. Queria que ele me olhasse orgulhoso de novo como fez no dia em que eu matei aquele assaltante. Queria que ele me tocasse de novo do jeito que fez nesse mesmo dia.

Eu já aceitei faz tempo o quanto eu era obsecado por ele, que queria sentir de novo seus toques... Mas queria acreditar que era mais uma espécie de necessidade passageira devido à abstinência de contato físico do que outra coisa mais... significativa.

Não importa o que era. Eu só queria deixá-lo feliz, o mínimo que fosse e era por isso que eu estava aqui agora, caído no chão depois de mais um treino pesado tentando me preparar para o teste do terceiro mês que aconteceria em duas semanas.

Dessa vez eu não podia me dar o luxo de fracassar de novo. Eu pude aprender com Hoseok que a paciência de Jeongguk é extremamente curta e de acordo com Jin hyung, talvez eu já a tenha levado ao limite. Além disso, ainda tinha Jimin quase se empendurando no pescoço do moreno, implorando mesmo que por olhares para voltar ao seu posto de competidor.

Eu definitivamente não podia perder dessa vez.

Finalmente levantei do chão e fui praticamente me arrastando até meu quarto, passando por aquele labirinto de curvas as quais eu tinha agora perfeitamente memorizadas.

Assim que fechei a porta, fui direto para o banheiro, retirando a roupa para encarar meu novo hematoma na parte esquerda na altura das costelas. Contrastava bem com todos os outros que se apagavam pelo meu corpo, todo dias eu ganhava alguma marca nova para me lembrar, mesmo que temporariamente, de cada hora que eu passo naquela sala de treinamento.

Parei de observar as marcas roxas e cortes em processo de cicatrização para focar em meu corpo por completo. Eu definitivamente ainda continuava magro, mas agora podia ver alguma definição nos poucos músculos e mesmo com aquela fisionomia, sabia que tanto minha resistência quanto força e habilidades de luta tinham melhorado, mas como Hoseok hyung mesmo disse, ainda não era o suficiente.

Bufei e me encaminhei para a minha amada banheira. Só ela pra me fazer relaxar agora.

Depois do banho eu mal me lembro de me vestir e quando percebi já estava largado sobre a cama mergulhado em inconsciência.

...

Abri os olhos piscando devagar e encarei o relógio de cabeceira posto à minha direita.

2:30

Bem na hora.

Sentei na cama e me espreguicei devagar estralando alguns ossos e reclamando de dor ao esticar alguns músculos doloridos.

Levantei da cama e vesti um casaco moletom por cima da blusa fina antes de abrir as portas da sacada e sentar na pequena cadeira que pedi a uma das empregadas para deixar ali.

Sentei e me deixei relaxar sentindo o vento frio bater contra minha face e me encolhi de frio.

Fiquei observando o céu até que ouvi seus passos leves contra a grama. Imediatamente olhei para trás e avistei de longe a hora. 2:40. Exatamente a hora em que ele parou de frente para o pequeno arbusto parcialmente coberto. Extremamente pontual.

Me inclinei na cadeira, tomando sempre o cuidado necessário para que ele não me avistasse, já era estranho demais a sacada ficar aberta com esse frio tão intenso.

Ele estava todo de preto como normalmente. Usando um sobretudo longo que parecia o suficiente para protegê-lo do vento congelante.

Como sempre, ele foi adiante segurando uma pequena maletinha com utensílios que eu não conhecia e começou a cuidar daquela planta. Eu mal piscava enquanto o observava cortar com maestria alguns ramos da planta usando suas costumeiras luvas azuis. Era a única peça diferente de preto, além de branco, que eu o via usar.

Pelo menos quinze minutos depois ele se afastou, retirou as luvas e guardou tudo dentro da pequena maleta prateada. O moreno então ficou ali de pé, apenas observando as flores brancas que se encaminhavam para desabrocharem. Era a melhor parte daquilo tudo. Ele observava as flores e eu o observava. Seus olhos negros como o céu daquela hora contrastando com a cor branca das flores que refletia neles.

Eu realmente não sei como conseguia ver tantos detalhes estando relativamente longe de si, mas ainda assim eu conseguia e achava magnífico tudo aquilo. O jeito com que ele olhava fixamente para a planta, quase como se encarasse uma pessoa...

Ele ia ali pelo menos 3 vezes na semana na mesma hora, 2:40 em ponto, cuidar daquela linda planta com flores brancas que eu pude presenciar junto a si, mesmo que escondido,  se abrirem lentamente durante a madrugada algumas semanas atrás.

Descobri esse seu hábito noturno mês passado, depois de não conseguir dormir devido a um machucado no pulso que eu fazia questão de magoar a cada 5 minutos. Naquele dia eu saí na sacada e quase morri de susto ao ver a figura imersa em preto andar pelo jardim vazio. Jurava que era um ladrão ou algo do tipo, mas com tantos seguranças rondando a mansão, seria impossível passear tão tranquilamente pelo jardim da imensa casa.

Então, desde aquele dia eu venho sempre acordando a esse horário para esperar que ele apareça na esperança de poder observá-lo por alguns minutos afastado de sua pose irredutível a qual usa perante à todos os outros. Depois disso, na maioria das vezes, não consigo mais dormir, então desço novamente para a sala de treinamento e treino qualquer coisa que me der vontade.

Hoje era um daqueles dias, então eu calcei apenas chinelos, peguei o celular que eu usava apenas para escutar música e pus os fones de ouvido saindo quarto a fora assim que Jeongguk se afastou para voltar para a mansão. Geralmente eu esperava mais alguns minutos e tentava voltar a dormir, mas hoje eu estava particularmente sem paciência para ficar rolando na cama sabendo que não conseguiria descansar mais.

Desviei meu caminho um pouco e passei na cozinha para pegar uma garrafinha d’água enquanto cantarolava uma canção que tocava alto em meus ouvidos. Já estava saindo sacudindo a cabeça no ritmo da melodia quando dei de cara com alguma coisa dura.

- Ai – afaguei minha cabeça no lugar da batida e quando levantei o olhar travei no lugar encarando o corpo altivo de Jeongguk me encarando – Hã... Eu... Só vim pegar água – expliquei pateticamente, levantando a garrafinha em minha mão esquerda enquanto puxava os fones com a direita.

- Eu estou vendo – ele disse e continuou me olhando não tão de cima, já que nossas alturas eram quase as mesmas. Reconheci as roupas que ele usava no jardim, mas estava sem a maleta prateada.

- Então, eu já vou indo – passei por ele e tentei não tropeçar em nada enquanto seguia meu caminho, mas quase caí quando ouvi sua voz de novo.

- O seu quarto não é para lá ? – olhei para trás vendo-o apontar para o lado contrário do corredor.

- Hã... Sim, é que eu não consegui mais dormir então pensei em ir treinar mais um pouco pra me distrair – disse dando de ombros e me virei para voltar a andar quando percebi que ele não ia falar mais nada.

Eu estava nervoso por falar diretamente com ele depois de tanto tempo, mas respirei fundo me estapeando mentalmente por ser tão estúpido a ponto de me afetar tanto por tão pouca coisa.

Quando cheguei à sala, a essa hora vazia, deixei a garrafinha em algum lugar afastado e fui direto para o saco de areia em uma das extremidades do lugar. Alonguei os braços e os punhos e comecei.

Inicialmente meus socos eram leves e ritmados e eu me manti assim por um tempo. E teria permanecido daquele jeito até finalmente cansar e ir embora se não tivesse ouvido o som da porta abrindo. Parei e segurei o saco tentando ver quem estava entrando, já que eu não costumava acender as luzes quando descia ali àquela hora, deixava que a luz da noite que entrava pelas pequenas janelas laterais iluminasse fracamente o local.

Quase engasguei quando vi Jeongguk caminhar até próximo de onde eu estava. Ele segurava um prato em uma das mãos e bebia alguma coisa com tom avermelhado.

Então simplesmente sentou ali no chão do tatame mesmo e se pôs a comer fingindo que eu não estava ali. Era o que ele sempre fazia. Só ficava lá e fingia que eu não estava no mesmo local.

Eu senti a raiva subir por dentro de mim. Raiva por ele ser daquele jeito. Por não aparecer nunca e quando aparece ainda me ignora e sai assim que percebe que eu não vou conseguir.

Onde estava aquela pessoa que insistia ? Que me incentivava ?

Quando dei por mim, eu socava desesperadamente o saco. Cada soco representava uma pequena porção da minha raiva, da minha frustração. O suor começou a descer pelo meu rosto em gotas pesadas e meus punhos já machucados, voltaram a sangrar, manchando o material sintético no qual eu descontava minha ira, mas nada importava, eu só sabia bater, bater e bater. Até que finalmente parei, me apoiei no saco inspirando rápido e encostei a cabeça no mesmo sentindo finalmente meus músculos relaxarem.

Quando olhei para o lado, me surpreendi ao ver que Jeongguk ainda estava ali e ainda mais quando percebi que estava olhando para mim.

Nós permanecemos assim, nos olhando por bons segundos e por mais estranho que fosse, eu continuaria ali pelo resto da madrugada hipnotizado pelos seus olhos escuros sem expressão. Mas então ele se levantou e eu desviei o rosto voltando a encarar o saco.

- Ainda tem dois sanduiches no prato – o moreno disse simplesmente e saiu. Sem esperar uma resposta e sem olhar para trás.

...

- Taehyung, a gente treinou muito e você por incrível que pareça melhorou pra caramba nessas duas semanas. Não sei o que aconteceu, mas deve ter sido coisa boa. Então é só ir lá e derrotar qualquer um que venha certo ? – Hoseok falou enquanto eu terminava de enrolar as ataduras nos punhos. Apenas concordei com a cabeça.

- Você sabe quem vai ser ? – perguntei curioso em saber com quem eu ia lutar hoje.

- Não. Não fui eu quem escolhi – ele deu de ombros e eu o encarei com o cenho franzido.

- Quem foi então ?

- Jeongguk – senti meu sangue gelar. Ele nunca se importa com nada relacionado a mim, porque diabos se envolveria no meu simples teste mensal ?

Hoseok então me deixou sozinho e eu respirei fundo. Não dava pra errar dessa vez.

Quando cheguei até o local da luta, as mesmas pessoas de sempre estavam assistindo da parte suspensa e alguns outros lutadores se encontravam ao redor na parte de baixo, mas não tinha ninguém de frente para mim me esperando para lutar.

Olhei ao redor e ninguém moveu um músculo. Até que ouvi as portas da sala abrirem e Jimin passar por elas vindo até mim com um sorriso ridiculamente convencido no rosto.

- Somos eu e você hoje ratinho – ele disse e eu cerrei os punhos, mas não mudei minha expressão. Isso sim podia ser dito como uma coisa que eu aprendi com o Jeongguk.

Eu não disse uma palavra sequer e quando olhei para Hoseok podia dizer que ele quase parecia nervoso. Eu mesmo sentia o nervosismo querer tomar conta do meu corpo, mas não. Eu não ia deixar. Não ia me rebaixar na frente de mais ninguém, muito menos dele.

(PARA UMA MELHOR EXPERIÊNCIA, LEIA ESCUTANDO A MÚSICA NAS NOTAS FINAIS)

Então quando todos fizeram silêncio, entendi que deveria me posicionar. Jimin já se encontrava de frente para mim, o sorriso debochado nunca abandonava seu rosto, mas eu também não lhe dava a satisfação de ver qualquer expressão que seja no meu.

Respirei fundo com os olhos fixos em algum ponto à minha frente, repetindo para mim mesmo que aquela era a minha chance de se redimir. Minha maior chance.

Antes de Hoseok dar o sinal, virei meu rosto de relance para cima onde Jeongguk se encontrava bebendo seja lá o que fosse numa taça tão elegante quanto ele mesmo ao lado de Jin hyung que cochichava alguma coisa para ele. Nenhum deles me olhava, como sempre.

Foi nessa hora que Hoseok anunciou o início da luta e eu já entrei nela com raiva.

Jimin me olhava como um predador olha para uma presa, uma presa muito fácil por sinal. Nos aproximamos um do outro com passos curtos e cautelosos até ele avançar primeiro.

Cambaleei para trás ao defender seu chute lateral com os dois braços, mas não tive tempo o suficiente para pensar em nada, pois no segundo seguinte o mais baixo já investia contra mim com uma sequência rápida de socos que foram defendidos por mim, a maioria por puro reflexo. Mas eu não fui capaz de defender todos. Levei um ganho direito na bochecha esquerda e senti imediatamente o gosto do sangue enquanto meu corpo rodava atordoado com a pancada.

- Vamos Taehyung, você é meu substituto, o que quer dizer que, na teoria, você quem devia ser o melhor aqui – suas palavras escorriam veneno, prontas para atingir meu orgulho com mais força do que seu pulso atingiu meu rosto instantes antes. Estava funcionando.

Avancei bufando de raiva contra ele, mas cada ataque meu, seja ele com socos ou chutes ou a sequência completa com os dois, era defendido com uma facilidade irritante por ele.

- Tsc, tsc, tsc, acho que Jeongguk não está gostando nada do que vê. Acho que depois daqui, se eu já não tiver matado você, ele que vai ter essa satisfação – nessa hora, eu, mesmo caído no chão, encontrei forças para me levantar e investir contra ele com toda a vontade existente em meu corpo. Percebi seu sorriso morrer conforme eu aumentava o meu ritmo de ataque e a fúria que colocava em cada golpe.

Em algum momento ele tentou me socar com o braço esquerdo, seu braço lento, consegui desviar e usei minhas mãos para prender seu braço esticado, puxando-o em minha direção junto com seu corpo para desferir um chute com força na altura do seu estômago.

Ele pareceu completamente desnorteado ao notar o que tinha acontecido, que ele tinha sido atingido por mim daquele jeito e, em meio ao sangue, meus dentes apareceram em um sorriso satisfeito. Ele não é tão bom assim e agora que eu sei disso não vou parar até que ele esteja no chão.

Eu senti minha confiança voltar, mas quando me aproximei dele novamente, uma lamina passou raspando pela lateral direita do meu corpo. Olhei atordoado para Jimin que me encarava com ódio puxando a lança afiada de volta para si já preparado para o próximo ataque.

Passei meus olhos pelos lados do tatame e ninguém parecia instigado a interferir. Ele podia me matar, mas ninguém moveu um músculo sequer.

Me abaixei a tempo de não ter a cabeça arrancada pela longa lamina da arma e me afastei quando o mais baixo rodou junto com ela cortando meu peito em uma cicatriz grande e relativamente profunda que espirrou sangue por toda a minha blusa larga. Mais uma investida e a parte contrária da lança, por sorte aquela que não possui a lamina, me derrubou no chão e minhas costas atingiram estrondosamente as prateleiras de armas.

- Você vai morrer agora e Jeongguk vai assistir literalmente de camarote só para me parabenizar depois. De preferência no quarto dele, na cama – ele sorriu de lado soberbo encarando meu corpo caído.

Eu tinha chegado ao meu máximo. Ouvi todas as suas provocações calado, tentando não me deixar levar por elas, mas no momento em que aquelas palavras saíram da boca dele...

Parabenizar

Ele e Jeongguk

Na cama...

Foi bem ali, exatamente naquela hora que eu finalmente senti. Quase pude ouvir o barulho do click depois de pelo menos 3 meses.

Dessa vez eu não hesitei, não me contrapus em nenhum instante. Só deixei a onda de torpor me invadir e ao levantar a cabeça mais uma vez eu sabia, eu não iria perder aquela luta.

Sorri abertamente com a cabeça baixa e me levantei devagar observando o rosto confuso de Jimin se contorcer em raiva. Eles sempre ficavam com raiva quando eu ria, era o que me dava mais vontade de continuar rindo.

- Você acha mesmo que ele quer você ? – perguntei inclinando a cabeça para o lado já posto devidamente de pé – Por que ele iria querer alguém como você ? – insisti sentindo aquela autoconfiança que eu só sentia quando estava em momentos como aquele.

- Garoto insolente – Jimin riu de lado, mas eu sentia seu incomodo com a minha mudança de atitude repentina – A pergunta aqui é por que ele iria querer você – ele apontou com a lâmina para mim, mas eu não recuei. Sequer cogitei na possibilidade. Permaneci encarando e olhei rapidamente em volta. Todos olhavam confusos, não deviam estar escutando uma palavra sequer e provavelmente estavam se perguntando por que Jimin ainda não acabou de vez comigo.

Iludidos. Não ia acontecer.

- Porque eu sou melhor que você – respondi dando de ombros.

- É mesmo ? Não é o que parece, não sei se percebeu, mas é minha arma que está apontada pro seu coração e não o contrário – ele então aproximou a lamina afiada e a pressionou contra meu peito numa tentativa clara de me intimidar.

Falhou.

- Não se preocupe, em menos de cinco minutos a situação não vai ser mais essa e sim, eu sou melhor que você. Já substitui você na arena e se Jeongguk quiser posso mostrar a ele o quão melhor eu posso substituir você na cama dele – no momento em que ergui o canto da boca para sorrir ele já tinha me atacado.

Ele puxou a lança e a ergueu novamente descendo-a de uma vez contra mim com um grunhido cheio de raiva. Uma das prateleiras foi atingida e caiu no chão derrubando as armas que estavam sobre ela. Eu pulei para o lado desviando dos ataques de um Jimin irado de raiva. Ele rosnava a cada investida e eu não conseguia parar de rir mesmo com o esforço para desviar de cada uma delas.

- Vai ficar fugindo de mim a noite toda ? Jeongguk não gosta de covardes – nessa hora eu fechei a cara e para desviar de mais um de seus ataques rolei para o lado agarrando as primeiras armas que caíram da prateleira quebrada e que estavam ao meu alcance.

Quando levantei avancei contra ele segurando duas machadinhas que se encaixavam perfeitamente em minhas mãos de dedos longos.

Eu via em vermelho de novo e Jimin não estava dessa cor, eu tinha que pintá-lo.

Era uma luta intensa e mesmo com toda a minha autoconfiança, eu ainda me esforçava e sabia que se brincasse demais, era eu quem acabaria num saco preto quando a luta chegasse ao fim.

Estupidez. Isso estava totalmente fora de questão.

O barulho das laminas de nossas armas se chocando estava ensurdecedor e eu tenho certeza de que quem estava assistindo mal piscava atento a qualquer movimento de nós dois. Era quase como uma dança, quase não, era uma dança, uma em que os movimentos deviam ser os mais precisos e calculados possíveis. Quem der o primeiro passo errado tem grandes chances de cair e não levantar mais.

Em algum momento tive uma pequena brecha e olhei novamente de relance para cima procurando o moreno. E para minha total surpresa, ele finalmente estava olhando para mim. Não para a luta ou para Jimin, para mim, nos meus olhos e sorriu fraco inclinando a cabeça quase como se estivesse se divertindo com a situação, feliz com o que estava vendo, com meu desempenho...

Aquilo conseguiu me motivar mais do que a raiva. Eu estava o agradando e pela primeira vez nesses três meses de treinamento, eu me senti realmente como seu campeão no meio de uma batalha.

Gritei e cruzei os machados em frente ao rosto prendendo a haste da lança, que pretendia me atingir, entre as lâminas dos dois antes de empurrar para frente e fazer Jimin cambalear. Nesse momento eu rodei as armas e parti a do mais velho no meio, fazendo a parte da lâmina cair com um ruído alto no chão, mas não esperei para ver a reação estupefata de Jimin, apenas avancei e desci um dos machados para baixo, ele se defendeu com a parte que ainda restava da lança que tinha em suas mãos e o impacto a partiu também para que logo depois eu o acertasse com um chute alto no queixo que o fez cair no chão.

Eu não queria parar, então quando suas costas bateram no chão eu subi em sua cintura e ergui o machado na mesma direção de seu rosto completamente assustado olhando para mim.

Era como duas semanas atrás, em que eu decidia se socava ou não o homem com quem treinava e era também como naquela noite. E assim como nela, eu podia ouvir a voz de Jeongguk em minha orelha, mesmo sabendo que ele estava à metros de distância de mim.

Você quer matá-lo

Eu quero. Ele me humilhou e eu ia fazê-lo, mas então ouvi outra voz.

Você é uma pessoa só, esse lado é parte de quem você é, basta aprender a conciliar seus dois extremos... Você tem que parar de achar que sempre vai matar alguém.

Aquilo era um treino, apenas um treino. Eu não preciso matá-lo agora, mas ainda sim quero que ele tenha medo. Medo o suficiente para pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa daquele tipo novamente para mim.

De hoje em diante ele vai saber do que eu sou realmente capaz de fazer quando quero.

Dessa forma eu abaixei o braço com força acompanhado de um grito de raiva, mas não acertei Jimin, ao invés disso abri uma rachadura no assoalho ao atingi-lo com a lâmina afiada do machado.

Ele estava de olhos fechados, apertados enquanto esperava que eu realmente desferisse um golpe final contra si.

Eu respirava rápido sentindo a adrenalina se esvair vagarosamente do meu corpo, mas eu ainda sentia minha outra parte comigo.

Outra parte não, eu por completo. Não ia ser mais diferente a partir desse dia. Eu gosto de ser assim e eu quero ficar daquele jeito permanentemente.

Então só levantei com os dedos ainda firmes ao redor das armas em cada uma das mãos (foto delas nas notas finais). Olhei primeiro para elas e notei o quanto meus dedos ficavam bem em volta do cabo preto da arma e no quão bem eu consegui manuseá-las. Depois olhei ao redor e franzi o cenho encarando com tédio todas aquelas pessoas olhando abismadas para mim. Em seguida ergui o olhar para Jeongguk pela terceira vez naquele dia, dessa vez ele ainda estava ali após o fim da luta, mas tentei não ficar tão afetado com isso, apesar de sentir cada célula do meu corpo borbulhar sob o seu olhar inquisidor.

Por último só virei o corpo para onde Hoseok hyung mantinha um sorrisinho levemente orgulhoso nos lábios e ergui as duas machadinhas negras nas mãos.

- Posso ficar com elas ?


Notas Finais


E aí ????? O que acharam ????
Link da msc 👉👉 https://youtu.be/LkIWmsP3c_s
Foto das machadinhas 👉👉 https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/40/01/c5/4001c55f0cfa87eeacdd26cee6b8c44d.jpg

Bom, é isso, espero que gostem e deixem seus comentários lindossss
E peço que deem uma chance pra minha one shot bbzinha 💙
👉👉https://spiritfanfics.com/historia/love-on-the-brain-9454260

Bjs e até a próxima 💙


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