História Let the darkness enters you - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Fa Mulan, Henry Mills, Lacey (Belle), Lilith "Lily" Page, Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Vovó (Granny)
Tags Maldição, Once Upon A Time, Ouat, Personagem Original, Romance, Swanqueen
Exibições 10
Palavras 3.706
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Magia, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


HEY!

Aahhaha soube que tem gente que fará fuvest. E eu achando que era maluca em fazer psicologia ahaha brincadeira.
Boa sorte a todos.

Bem, agradecendo ao retorno que continuo tendo aqui :3
E... hun..

Boa leitura :D

Capítulo 9 - Rompimento.


Deixei os dias passarem enquanto tentava raciocinar. Não conseguia entender. Na verdade, a resposta parecia estar bem a minha frente, e eu não conseguia enxergar. Como pude aceitar fazer parte de uma maldição que consistia em me entregar as trevas? Isso não me parecia o certo a fazer, e no entanto, que outra escolha eu tinha? Era a minha obrigação trazer Malévola de volta, e me livrar de vez desse peso nas costas. Quantos anos fiquei a deriva, sem minhas memórias, para só então recobrar essa parte apagada e vir até aqui reparar meus erros? Não me fazia sentido se para isso ocorrer eu teria que voltar a ser aquela criatura em busca de vingança consumida pelas mais escuras trevas.

Por que minhas memórias foram apagadas? O que diabos podia ter acontecido no outro mundo? Eu realmente me reencontrei com Snow e David? Com Regina? Realmente me aliei a eles? E se sim, qual era o plano? Tinha que ter um plano, eu tinha que ter pensado em algo para salvá-los, para salvar Jackie, para me salvar. E sobretudo... Salvar o suposto filho que eu tinha.

Eu tinha que encontrar Regina, ela não poderia estar morta, não ela, e não por David e nem por Snow. Tinha que ter alguma boa explicação para isso. Ela devia estar em algum lugar, e eu precisava encontrá-la para obter resposta. Eu só não sabia por onde começar.

Cristeen mencionou Rumple quando eu acordei aqui, e só me restava pensar que ele também estava envolvido nessa maldição. Não era difícil imaginar onde ele estava, e não era difícil encontrá-lo, de qualquer forma. Talvez ele pudesse me dar essa resposta, talvez me desse a localização de Regina, ou até mesmo me respondesse se eu realmente tinha um filho por ai.

Porém, depois de uma semana, eu decidi que deveria conversar com Jackie. Ela não tocou no assunto sobre eu quase ter matado Cristeen, e eu quase não a via pelos corredores, sempre a sentia do lado de fora, treinando, na maioria das vezes sobre os comandos de Cristeen. Isso de nada me deixava tranquila. Esperei amanhecer e fui ao quarto dela com os primeiros raios de sol, enquanto as outras criaturas ainda dormiam. Tive todo o cuidado na hora de acorda-la, e ela estranhou minha presença ali assim que abriu os olhos, passando os dedos no rosto, como se estivesse alucinada.

“O que está fazendo aqui?” Ela pergunta sonolenta. “Que horas são?”

“Hora de termos uma conversa, não acha?”

Ela ainda parecia estar tentando raciocinar, e eu esperei que ela estivesse completamente acordada para começar a falar. A garota passou os dedos nos olhos enquanto fazia algum esforço para se sentar junto aos travesseiros, e eu permaneci imóvel na beira da cama perto dela.

“Eu não entendo o que precisamos conversar.” Ela disse num tom baixo e rouco característicos do sono.

“Você me viu quase matar Cristeen, eu acho que precisamos conversar sim.”

“Eu não quero falar sobre isso.”

“E prefere me evitar agora? Não me lembro de ser assim que resolvemos os problemas.”

“Também não me lembro de que você mata as pessoas para acabar com o que não gosta.”

“Então meu erro vai fazer com que eu desista de me redimir com você?”

“Eu não vejo motivos para tentar se na primeira oportunidade você faria o mesmo.”

“Eu não entendo o motivo que de repente eu me tornei um monstro enquanto a mulher que te abandonou é a vítima da história.”

“Ela ao menos está tentando ser uma pessoa melhor.”

“Lançando uma maldição?” Indignei-me. “Ótimo. Então vou começar a preparar uma outra maldição, já que é assim que você prefere.”

“Você a ajudou a lançar não foi?”

“Para trazer Malévola de volta, e acabar de vez com a dívida que eu tenho. Eu achei que você soubesse disso.”

“E eu sei. Mas eu não acho que ameaçando as pessoas como está fazendo vai te ajudar em algo.”

“Eu perdi a cabeça.”

“Não é como se isso fosse novidade, e não é como se não fosse mais acontecer.”

“Não estou te entendendo, Jackie. Por que está tão hostil comigo?” Estreitei as sobrancelhas, sem realmente compreender seu tom acusativo.

“Porque eu sei o que você precisa fazer para trazer Malévola de volta. E você sempre soube e aceitou isso.”

“Eu não teria aceitado se não fosse extremamente necessário.” Tento inutilmente me defender.

“Não importa os motivos. Se é para fazer mal a alguém, isso nunca deveria ser uma opção.”

Calei-me em sua razão. Eu não poderia contestar isso se era exatamente o que sempre quis que ela pensasse, e era a mesma certeza que deveria dar a ela, como todo super-herói. Eu deveria ser a heroína dela.

“Mas não importa o que eu diga, você já fez a sua escolha. Você escolheu apagar tudo de bom que fez em Storybrooke para ser exatamente como era em Neverland: um monstro.” Sua voz assumiu um tom amargo e repleto de mágoa que me atingiu como uma lâmina fria no peito.

“Terra do Nunca?” Repito, atordoada. “Jackie... Eu queria poder mudar isso tudo, eu queria poder lembrar de tudo que você está falando, mas eu não sei como.”

“Será que não lembra ou é tudo parte do seu plano?”

Eu não conseguia reagir diante de suas acusações, seu tom tão magoado e áspero. Uma coisa era rebater as provocações de Lily ou me defender do sarcasmo de Cristeen, mas as palavras de Jackie eram impossiveis de contradizer.

Primeiro que eu não lembrava o que aconteceu depois de ter ido embora do grupo de Snow. Só lembrava de todo meu passado aqui, desde minha infância com Malévola até continuar minha fuga de Rumple e escapar por um portal. E segundo, porque mesmo que lembrasse, eu não poderia dizer a ela que era certo entregar-se as trevas.

Seus olhos pintavam todas as suas acusações em tons de raiva, mágoa e decepção. Tampouco podia levantar a bandeira branca e me render aos atos heróicos que ela esperava que eu fizesse, porque eu nunca fui o melhor exemplo disso, e sabia que por mais que tivesse tentado o contrário, não era a minha real natureza. E ela sabia disso.

 

~~~~∞~~~~

 

A lua estava escondida aquela noite, e o céu estava escuro, diversas estrelas tentando compensar a falta daquele brilho pálido, mas era insubstituível. Fiquei sentada em cima de uma pedra enorme com um formato engraçado de uma maçã, ou uma pera. A primeira opção me era mais conveniente, me lembrava a Rainha que enfeitiçou meu coração e há algum tempo deixou de me chamar.

Ficava me perguntando o que poderia ter acontecido com ela e com todos os outros, se ela conseguiu sua vingança ou se foi vencida por Snow e seus seguidores. Eu duvidava muito que ela pudesse ser derrotada por qualquer um, embora também não esperasse que Snow se rendesse tão fácil. No meio disso tudo estavam David e Red. O Príncipe defenderia a esposa até o último segundo, e exatamente por esse motivo nunca confiou em mim. Mas já o lobo que era Red... Eu queria poder duvidar de sua lealdade, mas sabia que a amizade entre elas era verdadeira e forte, algo que eu sabia que nunca teríamos. Não mais.

Comecei a acompanhar Peter Pan em suas viagens aos outros mundos, as vezes ajudando a trazer outros garotos para a Terra do Nunca. Mas ele nunca me deixou voltar a Floresta Encantada, e nunca me conta como anda as coisas por lá.

Era impossível negar, em noites como esta, que sentia falta dos dias em que caminhava com todos do acampamento em busca de um novo local para nos esconder, ou aqueles dias em que eu assistia aos combates com alguns dos guerreiros da coroa, e eu me sentia uma idiota orgulhosa por “nossa” vitória. Sentia ainda mais falta das noites em claro em que ficava jogando conversa fora com Red, e em como era divertido receber suas gozações. As vezes conseguia focar só nisso, e esquecer a expressão de decepção em seu rosto quando eu disse que jurei lealdade a Regina, e que iria embora do acampamento. Meu coração ainda dava saltos a mais e um frio na barriga me desestabilizava sempre que relembrava nossos melhores momentos, desde o convite para caçar quando cheguei no acampamento até o instante na clareira, antes de encontrarmos com a Rainha Má. Mas eu podia jurar que era apenas raiva, apenas ressentimento por ela ter escondido as coisas de mim, e ter me abandonado.

Ah... Eu queria acreditar plenamente naquilo, mas só de considerar a possibilidade de visualiza-la vindo me tirar desse mundo, já me fazia esquecer qualquer rancor. Eu não fazia ideia de que sentimento era aquele, mas ele me dava esperança de conseguir sair desse mundo e reencontrá-la.

---

“Você é nova aqui, não é?” Escutei a voz de um garoto atrás de mim, e eu me virei, vendo-o abaixo, há alguns passos da pedra. Ele tinha cabelos castanhos claros e estes lhe percorriam curtos até o fim da nuca, uma franja jogada de lado em sua testa. Sua pele era mais escura e seus olhos assumiam uma parte da noite. Trajava uma calça suja de terra com alguns rasgos, nessas regiões com vestígios de sangue, inclusive na camisa branca de mangas longas, na mesma situação que a roupa de baixo. Não tinha sapatos e seus pés estavam ainda mais imundos que o resto. “Você é a garota que Pan mantém perto.” Ele torna a dizer em voz rouca. Julguei que ele tivesse seus quatorze anos.

“Sim, por que?” Respondo, estranhando sua questão óbvia. Afinal, mesmo com poucos meses de minha estadia na Terra do Nunca, todos os garotos me conheciam, e todos mantinham distância, afinal, me achavam inferior por ser garota.

“Meu nome é Tom. Você deve ser a Samantha.”

“Sam.” Corrijo.

“Sam.” Ele repete.

“O que você quer, afinal? Quem te mandou aqui? Já aviso que não estou com vontade de aturar a brincadeira de vocês hoje.”

“Eu não faço essas brincadeiras.” Ele defendeu-se, e na verdade pareceu ofendido pela forma como cruzou os braços no peito.

“E então?”

“Eu vim com meus próprios pés e minha própria vontade.” Disse de forma firme, o que me fez erguer a sobrancelha, esperando que prosseguisse. “Para perguntar se quer ser minha amiga.”

“Ser sua amiga?” Repito, achando que estava maluca. “Por que?”

“Porque eu achei que fosse querer ter um amigo aqui, já que eu só te vejo sozinha desde que chegou.”

“Eu não fico sozinha.” Defendo-me, também cruzando os braços, e ele quem ergueu a sobrancelha.

“Você só está com Peter Pan para treinar seus poderes. Eu não acho que vocês são amigos.”

“Quem é amigo dele?” Digo baixo, como se o garoto demoníaco pudesse me ouvir. “Todos os outros garotos me odeiam. Você se viraria contra eles se ficasse perto de mim.”

“Eles são uns babacas. E eu aposto que você é mais legal que eles todos.”

Isso me fez rir. Ele realmente era corajoso em vir até aqui propor amizade a pessoa que todos queriam que desaparecesse.

“E então?” Ele insistiu. “Se aceitar, garanto que vamos nos divertir muito juntos.”

“Com uma condição.” Resolvo ceder. Afinal, que mal poderia me fazer? Ele abriu um sorriso enorme e descruzou os braços, esperando que eu dissesse. “Se eu achar que você está tramando algo, você vai se arrepender. Entendeu?”

“Entendi.”

Ele escalou a pedra de forma hábil e rápida, de repente em pé a minha frente. A pedra nunca foi tão pequena, mas não me importei, era bom ter companhia. Então ele estendeu a mão após cuspir nela, e eu sabia que deveria fazer o mesmo, era tradição. Cuspi na minha própria mão, e apertei a dele, simbolizando nosso “acordo”.

---

Os dias passaram mais rápidos depois que Tom começou a me fazer companhia. Assumo que era divertido passar o tempo com ele, depois de tanto tempo tendo que ficar sozinha ou aturar o temperamento de Pan nos treinos ou nas viagens. Com Tom aprendi a fazer as melhores travessuras contra os garotos, e ele tornou-se um fiel aliado na hora de avisar sobre qualquer plano que os outros tivessem contra nós, já que ele também passou a ser um inimigo por estar comigo. Não era algo que ele pareceu se importar.

Com a evolução nos treinamentos, eu passei a voar com ele. Eu com minhas asas de fogo, e ele com o pó de fada. Era a nossa melhor arma contra os outros. Passávamos muitas horas juntos, menos nos momentos que eu estava com Pan, e eu julguei que ele não quisesse atrapalhar. Nunca questionei, porque nunca realmente me importava, já bastava o resto do tempo que vivíamos grudados.

“E como você veio parar aqui, afinal?” Ele me perguntou certa noite, quando uma tempestade castigava as matas do lado de fora da caverna que estávamos. “Pan te trouxe?”

“Eu estava fugindo do Senhor das Trevas em outro mundo. Eu achei o feijão mágico e vim parar aqui.”

Maneei a mão no escuro, e quando estalei os dedos, uma fogueira surgiu ali. Ele sorriu agradecido e se aconchegou mais perto do fogo para se aquecer.

“E você tinha amigos lá?”

“Tinha, mas não eram de verdade.”

“Como não? Não eram pessoas?”

Suspirei, abraçando minhas pernas e deitando o queixo entre os joelhos, fitando a chuva de perto, enquanto Tom estava mais atrás.

“Eram sim, mas eles me escondiam coisas.”

“Mas se escondiam, era por algum motivo.”

“Eles achavam que eu era uma criança. E por isso não me contaram nada.” Bufei, uma fumaça preta saindo de minha boca. “Era só uma desculpa. Eles não confiavam em mim, não de verdade.”

“Como pode saber da confiança deles? Talvez eles só quisessem te proteger.”

“Não é mentindo ou omitindo coisas que se faz isso.”

“As vezes é o único jeito.” Disse simplesmente. “As vezes é necessário correr o risco de ferir as pessoas que amamos com mentiras para protegê-las da dor da verdade.”

“É estupidez.” Escondo a cara, agora apoiando a testa no joelho. “E se realmente se importassem comigo, eles teriam vindo atrás de mim.”

“E como sabe que não vieram?”

“Porque eu estou aqui.”

“Mas e se eles não souberem que você está aqui, e continuarem te procurando no outro mundo?”

Não respondi. Eu não tinha pensado nisso. Na verdade, isso nem era uma possibilidade. Nunca ponderei a ideia de qualquer um ter me procurado. Mas e se estiverem lá e estiverem a minha procura? A fagulha de esperança se acendeu em meu peito novamente, a chance de ver Red fazendo meu coração acelerar. Ergui a cabeça em direção a Tom, virando meu corpo, e ele permanecia impassível perto da fogueira, um brilho vermelho em seu rosto acentuando um traço maligno. Claro, era a luz do fogo que o deixava assim.

Mas num instante as esperanças morreram.

“O que mudaria?” Pergunto por fim. “Eu ainda estou aqui e não posso sair a menos que Pan deixe. Nenhum deles poderia sair também.”

“E se encontrássemos um jeito de sair daqui?”

“Você conhece uma forma?”

“Talvez haja uma forma.” Ele sorriu. “Um feijão.”

“Eles estão extintos. É impossível achar um aqui.”

“Na verdade, tem um garoto que foi presenteado com um feijão há alguns anos, mas ele não usa porque gosta daqui.”

“Então só teríamos que pegar dele.” Também sorrio. “Isso vai ser muito fácil.”

“Só temos que passar por ele para conseguir. Ele sempre anda com o feijão.”

“Isso só vai tornar as coisas mais divertidas. Pegamos o feijão, e então vamos embora daqui, para sempre!”

Nós comemoramos juntos e ele me contou detalhes sobre o garoto. Nada relevante, apenas que o nome era Mike e era um dos garotos que mais me odiava. Cada vez mais tornava a aventura interessante.

Resolvemos agir aquela noite, aproveitando a tempestade para não precisarmos sermos tão silenciosos. Tom me levou para o acampamento dos  garotos e me indicou a barraca de Mike, que ficava no centro dos aglomerados de outras barracas. Nos esgueiramos entre cada uma, todas com as luzes apagadas. Eu só tinha que sequestrar o garoto e fazê-lo dar o feijão. Seria algo rápido e ninguém teria tempo de alertar Pan.

Quando paramos ao redor da única barraca no centro, fiz uma contagem regressiva com os dedos para Tom, e no três, nós avançamos para dentro e agarramos o corpo adormecido do garoto.  Ele começou a se debater e a tentar gritar, mas tapei sua boca. Tom me ajudou a arrastá-lo para fora, e quando estávamos quase fora da barraca, de alguma forma uma arma vermelha surgiu na mão de Mike e ele atirou em qualquer direção. Uma chama vermelha estourou no céu, e isso pareceu ser o alerta de “perigo”, pois de repente todos os outros garotos estavam no cercando, mesmo que sonolentos, todos com as espadas em mãos. Eu poderia teleportar a mim e Tom para longe dali, mas quando tentei localizá-lo, ele estava sendo segurado por dois brutamontes e um terceiro apontando a espada para o seu peito. Mike afastou-se de mim, recuperando-se do susto, e sorriu de forma cretina.

“Achou mesmo que viria aqui e sairia impune, garota?” Disse em tom jocoso a última palavra, e eu o fitei nervosa. Eu tinha que dar um jeito de salvar Tom e acabar com esses cretinos.

“Solte ele antes que todos vocês se arrependam!” Gritei em alto e bom som, sem paciência para responder a provocação de Mike.

“Não temos medo de você garota. E você só está viva aqui, porque é a protegida de Pan.” Ele olhou em direção a Tom. “Mas ele não é, e o faremos pagar pela traição.”

Tom me olhava com os olhos assustados, mas ele passou a gesticular com a cabeça em direção ao chão perto de mim. Segui o olhar pelo chão, com grandes dificuldades de enxergar graças a chuva e a escuridão da noite. Até que vislumbrei um pequeno objeto transparente, e era impossível não reconhecer: o feijão. Devia ter caído enquanto arrastávamos Mike para fora da barraca. Imediatamente me abaixei e segurei o feijão na mão, e sorri com minha vitória. Nem tudo estava perdido, afinal.

“Você pegou meu feijão! Devolva!” Mike gritou furioso ao me apontar um dedo, e eu ri.

“Solte Tom e depois conversamos.” Digo, esperando que ele tivesse medo o suficiente de perder o feijão para soltar Tom.

“Nunca! O feijão por seu amigo.”

Relutei. Era a minha única chance de sair daquele mundo, mas eu não podia deixar Tom sozinho aqui. Não ele que me ajudou e me fez companhia nos últimos meses. Não ele que me levou até esse feijão. Não era justo. E no entanto, eu não queria perder o único meio que tinha para voltar a Floresta Encantada para saber se Red me procurava.

“Escolha, garota! Se não devolver o feijão, irei matar seu amigo.” Mike insistiu, aproximando-se dele e assumindo o posto de apontar a espada agora em direção ao seu pescoço.

“Fuja, Sam!” Tom gritou, e outro garoto socou seu rosto para fazê-lo calar-se. “Use o feijão e vá embora!” Ele insistiu.

“Não sem você.” Digo de forma que ele pudesse escutar. E então encaro Mike, mostrando o feijão. “Solte ele e eu te dou o feijão.”

“Jogue o feijão e eu solto ele.” Ele discordou, e eu estreitei os olhos. Não podia acreditar que ele cumpriria com o acordo.

“Venha aqui que eu te entrego, mas primeiro solte ele.”

Ele sorriu de forma presunçosa. Ele e os dois garotos que seguravam Tom se aproximaram e pararam há alguns metros de mim, enquanto Mike continuou e parou há três passos de mim, a mão estendida. Eu não tinha escolha. Não colocaria a vida de meu único amigo naquele lugar em risco por causa de um feijão. Nós acharíamos outra forma de sair dali e encontrar com Red ou quem quer que seja, mas não dessa forma.

Então estiquei o braço e deixei o feijão cair em sua mão. Ele sorriu e fez um gesto em direção a Tom, que foi solto pelos outros garotos, mas ele permaneceu imóvel por longos segundos, e eu não entendi. Fiz um gesto para que ele viesse até mim, mas ele não moveu-se. Até que ele caminhou até Mike e colocou a mão em seu ombro.

“Bom trabalho.” E então pousou o olhar em mim. “Escolha errada, Samantha.”

Abri a boca para questionar o que estava acontecendo, mas uma nuvem pairou no ar e cobriu o corpo de Tom, ao se dissipar mostrando simplesmente Peter Pan. Meu choque foi imenso. Meu queixo caiu e eu levei as mãos a frente da boca, eu não podia acreditar nisso. Esse tempo todo e Tom nada mais era que Peter Pan?

“Você devia ter ficado com o feijão, ou ter tentado matar a todos aqui.” Ele dizia num sorriso cretino. “Mas ao invés disso preferiu o falso namoradinho.”

“Seu desgraçado!” Gritei em fúria, saindo do estado de choque.

Dei um passo em sua direção, querendo quebrar o nariz e todos os outros ossos de seu corpo naquele instante. Nunca me senti tão enganada como agora, uma frustração crescente enquanto a vontade de matá-lo lentamente crescia em mim. Mas num gesto ele me deteve no ar, e foi ele a dar um passo a frente.

“Você escolheu ser a heroína. Agora vai pagar o preço.”

 

~~~~∞~~~~

 

“Sinto muito te decepcionar Jackie.” Digo ao me levantar da cama. “Mas eu nunca serei o herói dos contos de fadas.”

Ela não respondeu, e eu suspirei, afastando-me. Outra tontura antecedeu os flashes que me atacaram a cabeça. Levei as mãos no couro cabeludo e pressionei os dedos ali, tentando voltar ao meu eixo e colocar as imagens em ordem. Parecia em vão.

“O que foi?” Escutei Jackie perguntar. “Está passando mal?”

Mal era apelido quando a imagem nítida de Peter Pan se fez em minha mente, e só então eu pude lembrar de tudo... Todo o meu passado em Neverland. Respirei fundo e me recompus, recuperando minha postura. Já não adiantava falar com Jackie, ela jamais me entenderia, e isso agora estava óbvio.

“Pelo contrário.” Digo, olhando-a por sobre o ombro. “Estou ótima.”

E dito isso eu fui embora de seu quarto. O sol ainda subia o céu, mas eu já tinha muito o que fazer hoje.


Notas Finais


OMG
Ela lembrou de Neverland?
ahahaha
Vejam, ela está estranhamente recuperando as piores partes de suas memórias, logo depois de saber que tem que se entregar as trevas. Coincidência viu?

Ah!
Estou escrevendo meus últimos caps, nem perguntem a última coisa que escrevi porque param de ler agora ahahaha mentira, tenho solução para tudo.
Mas enfim... Estou planejando fazer caps extras, contendo cenas que não mostrei durante a história, uma vez que meu foco é a Sam e POVS (Pontos de vistas) que corroborem para o andamento da história. Mas tem cenas que quero colocar, então, já deixo avisado. Querem que poste aqui? Porque posso apenas deixar guardado para mim. E se querem ler, já comecem a se manisfestar o que querem ver que sentiram falta durante a história. Eu jugarei o que vale a pena escrever.

Bem... Era só isso.

Até o próximo.


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