História Let the fire enter you - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Lacey (Belle), Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Peter Pan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Vovó (Granny)
Tags Comedia, Mistério, Once Upon A Time, Ouat, Personagem Original, Romance, Swanqueen, Yuri
Exibições 19
Palavras 3.896
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Magia, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey!

Estava louca para postar esse cap. Então aproveitem <3

Todo o amor do mundo a quem está comentando, e a todos que continuam aqui acompanhando. São uns amores.

Boa leitura ;-D

Capítulo 36 - Transparência


“Mãe! Acorda!” Jackie me chamava, balançando-me na cama sem nenhuma gentileza.

“Deixa eu dormir garota.” Reclamei, ainda sem abrir os olhos.

Viro-me para o outro lado, pensando ter conseguido me livrar dela. Mas então ela se jogou em cima de mim, assustando-me. Fitei-a nervosa, mas ela simplesmente começou a me fazer cócegas, e eu não tive como não rir, tentando segurar suas mãos em meio as gargalhadas.

“Garota, onde é o incêndio?!” Perguntei, e num gesto a fiz levitar acima de mim, por fim livre da tortura. “Vai tirar a mãe da zona?”

“Chegou uma mensagem para você.”

“Ah não, tudo isso por causa de uma mensagem?” Bufei, recuperando-me de todo o susto. “Quantos anos você tem mesmo?”

Virei-me de bruços, ainda a mantendo próxima ao teto.

“Mas é importante!” Ela protestou.

“Aposto que é Snow perguntando se estou viva.” Digo contra o travesseiro.

“Não é da Snow!”

“Jackie, você esqueceu quando eu te falei que é feio invadir o celular dos outros?”

“Você nunca falou isso.”

“Não achei que fosse precisar. Agora seja uma boa garota e me deixa dormir.”

“É da Ruby.” Disse quase cantarolando.

Abri os olhos e girei novamente para fitá-la, vendo o sorriso debochado em seus lábios. Estendi a mão, e ela cruzou os braços.

“Você não queria dormir?” Indagou irônica.

“Você está andando muito-”

“Com você.” Sorriu mais convencida ainda.

Enfim ela entregou meu celular, e eu pude visualizar a mensagem já aberta por Jackie.

Bom dia! Seria ótimo um café da manhã, o que acha?

Sorri com o texto. Ainda eram oito e meia, e a mensagem chegou em menos de dez minutos, o que me fez rir da ação desesperada de Jackie.

Bom dia, lobinho. Descerei em 15 minutos.

Enviei e por fim repousei o aparelho na cômoda ao lado.

“Você devia ver sua cara.” Jackie provocou, e eu lhe mostrei a língua.

Saí da cama e desfiz o feitiço, deixando-a cair no colchão. Ouvi sua reclamação mas não liguei, simplesmente segui para o banheiro, efetuando minha higiene matinal. Depois voltei para o quarto já com outra roupa, recebendo o olhar zombeteiro de Jackie.

“Tudo isso para um café no Granny’s?”

Tentei encontrar algo exagerado no meu visual. Só trajava um short jeans escuro e justo, uma camisa branca larga e comprida que cobria o short, e um tênis preto de cano baixo.

“O que tem de mais?” Pergunto confusa.

“Você tomou banho!” Disse de forma dramática, e eu a fuzilei com os olhos.

“Agora você vai pagar!”

Apenas dei um passo em sua direção, que estava largada no sofá, quando alguém bateu firme na porta.

“Meu Deus, Ruby está achando que vou fugir?”

Mudei o rumo e fui até a porta, girando o trinco e puxando-o, esperando encontrar a morena logo ali, com aquele sorriso cativante e prestes a me fazer rir. Mas toda a expectativa morreu assim que encontrei a loira parada logo a frente, e minha pele ferveu apenas por vê-la. Como ela ousava vir aqui?

“O que você quer?” Pergunto diretamente.

“Precisamos conversar.” Respondeu no mesmo tom.

“Precisamos? Desculpa, esqueci o momento que viramos amigas e temos qualquer assunto a tratar.”

“É sobre Regina.”

“Eu não tenho nada a falar sobre ela.”

“Mas eu tenho, e espero que você tenha um mínimo de civilidade e me escute.”

“Por que eu faria isso?”

“Porque é um caso importante, e eu achei que você ainda se preocuparia com a felicidade dela.”

Fitei-a por um longo instante, tentando decidir se batia a porta na cara dela ou se a expulsava num estalar de dedos.

“Vai me deixar entrar ou vamos continuar aqui?”

Trinquei os dentes. Essa criatura já estava abusando da sorte. Mas e se algo tivesse acontecido com Regina? Eu deveria me preocupar? Pelo sim, pelo não, resolvi arriscar, e abri mais a porta, permitindo que ela entrasse. Suspirei quando ela passou por mim, e com um grande esforço, chamei Jackie, que logo apareceu ao meu lado. Retirei a pulseira que nos unia e entreguei a ela, que ergueu a sobrancelha, em dúvida.

“Desça e entregue a Ruby, entendeu? Diga que já vou descer.”

“Mas-”

“Entregue a Ruby, você me entendeu? Não é para ir a lugar algum, é para entregar para ela. Diga.”

“Entregarei a Ruby. OK.” Ela olhou para trás, depois para mim. “Se precisar de algo...”

Assenti e ela foi embora, só então fechando a porta. Respirei fundo e voltei a loira, parada a frente do sofá, as mãos entre a cintura e o hábito de passá-las no cabelo. Aproximei-me após um longo suspiro, e ela me encarou na mesma expressão impaciente. Eu podia jurar que ela estava em puro nervos, e isso me divertia internamente, uma vez que sabia que Regina não se aproximou mais dela.

“O que você fez?” Pergunto diretamente, e ela pareceu confusa.

“Eu fiz?”

“Claro, além de se vingar beijando ela na minha frente.”

“Eu não sabia que você-”

“Oh, por favor, não venha com essa. Não tente mascarar o que fizeram.”

“Não quero fazer isso. Eu sei que foi errado, mas não é isso que vim discutir.”

Cruzei os braços e esperei que prosseguisse, sabia que não adiantaria remoer com ela o que aconteceu, e não era minha intenção alongar aquela conversa.

“Regina está distante e não deixa que ninguém se aproxime.”

“E a novidade é...?” Sorri irônica, o que pareceu incomodá-la ainda mais.

“Ela não me deixa falar nada, e eu achei que você pudesse conversar com ela.”

“Não, espera. Acho que escutei errado.” Digo nervosamente, não acreditando no que escutava, não acreditando que ela estava realmente desesperada a esse ponto. “Você quer que eu fale com ela, para que dê uma chance a você?”

“Não! Tudo que eu quero é que ela fique bem, e eu sei que ela quer falar com você.”

“Céus, você acha mesmo que é simples assim? Coloque-se no meu lugar, Emma, eu nem sei por que estou te escutando.”

“Porque eu sei que se importa com ela ainda.”

“Meu maior erro, não acha?”

“Eu sabia que era perca de tempo falar com você.”

Então ela passou por mim, batendo o ombro no meu propositalmente, e isso fez meu sangue ferver no mesmo instante. Estalei os dedos num impulso, o que a fez parar a um passo da porta, então a girei em minha direção, recebendo sua fúria enquanto notava o vermelho preencher a bola branca de seu olho. Fitei-a da mesma forma, irritada com sua atitude. Quem ela achava que era para me atacar assim?

“Solte-me.” Disse entredentes.

“Você não tem noção não é? Eu perdi a mulher que amei da pior forma, e você não sabe o quanto isso dói.” Digo sinceramente, mesmo que ela mantivesse a pose de touro bravo. “Agora você quer que eu fale com ela por sua causa?”

“Isso não se trata só de você, garota. Regina já passou por muita coisa para merecer um final feliz.”

“E eu não sei disso?”

“Só que ela tem uma vida de verdade, com pessoas de verdade que se importam com ela.”

“O que está insinuando?” Pergunto nervosa. “Está querendo dizer a minha vida não é real aqui?”

“Isso é o que você está dizendo.”

“Ah, porque você nunca pensou em voltar no tempo e nunca ter ido buscar o livro de Henry, para nunca ter o desprazer de me trazer para sua cidade, não é mesmo?”

“Eu fiz o que era certo.”

“Claro, não significa que quisesse fazer. Então por que não acaba logo com isso, Salvadora?” Provoquei, abrindo os braços. “Acabe logo comigo e se livre do seu problema, porque esse é o único jeito de conseguir se ver livre de mim.”

“Cala a boca.” Outra vez ela disse entredentes, e dessa vez as luzes começaram a piscar no quarto. Tampouco me dei por vencida.

“Vamos, mostre o que tem, Salvadora. Acabe com o mal em sua vida!”

Tudo que vi foi uma forte luz explodindo de suas mãos e me atingindo em cheio, arremessando-me para trás. Só parei quando minhas costas bateram na parede, e ela veio abaixo, vários pedaços em cima de mim. Um zumbido me deixou surda, e eu fiquei atordoada no que pareceram horas, o mundo girando ao meu redor. Comecei a me mexer, e após alguns instantes registrei as coisas que estavam em cima de mim. Pedaços variados do concreto, o azulejo, o armário quebrado do banheiro nas minhas costas... Emma vindo em minha direção.

Não sei como, mas num impulso me coloquei em pé, afastando todos os objetos de cima, imediatamente sentindo as dores nas costas, na cabeça e no peito, mas era o que menos importava. Minha pele ferveu, meu sangue borbulhou, e eu estava prestes a entrar em chamas, algo em meu interior pronto para sair e atacar aquela idiota. Ela parou a três metros de mim, a expressão demonstrando o arrependimento imediato, e demasiada cautela enquanto erguia os braços a frente do corpo, como se tentando se render.

“Desculpa, Sam. Eu não queria... Não queria te machucar.” Ela disse rapidamente, de repente o vermelho em seus olhos desaparecendo.

“Desculpa?” Indago num riso seco. “Você me quer longe de sua vida e da vida de Regina, suas desculpas não tem sentido algum.”

“Não é isso que eu quero-”

“Sinto te desapontar, Salvadora, mas a menos que me mate, eu não posso sair da cidade. Então ou você termina seu serviço agora, ou eu-”

“O que está acontecendo aqui?”

De repente David surgiu já indagando, cruzando a sala e vindo em nossa direção, sendo seguido por uma Ruby surpresa e uma Jackie horrorizada. Tive que controlar a vontade de revidar o ataque dela, mas sabia que não mudaria nada, só pioraria.

“Sam, você está bem?” Red perguntou aproximando-se, mas ergui a mão em sua direção, um gesto para ficar onde estava.

“Minha vida não é seu conto de fadas, Emma, e se cruzar meu caminho de novo, serei a pior vilã que você já enfrentou.”

Ela me encarou séria com a ameaça, e eu bufei, fechando a mão em punho. Era como ter um monstro querendo sair de dentro de mim, mas o controlei, e apenas uma fumaça preta saiu com minha respiração. Eu poderia queimá-la, foi o que pensei, mas me neguei, e simplesmente fechei os olhos para sair dali, antes que esse monstro vencesse minha luta interna.

---

Pareceu passar horas enquanto ficava sentada no chão íngreme da floresta, abraçando minhas pernas e enterrando o queixo entre os joelhos, na verdade não importou. O sol ia descendo lentamente o horizonte, mas faltava muito para tocar o oceano, e dessa forma, dar lugar a lua. As dores no meu corpo desapareceram, mas a raiva não. Estava difícil controlar a vontade de voltar e esmagar a cabeça de Emma Swan, de queimá-la lentamente e sentir o sabor da vitória, sentir o gozo de nunca mais ter que dividir o mesmo ar. Mas se eu fizesse isso, eu perderia tudo que me era importante: Jackie. Ela jamais me perdoaria, e eu ganharia o ódio de uma cidade inteira, todos querendo minha cabeça, para variar.

Como pude deixar que aquela criatura me atacasse? Como deixei que ela saísse impune? Nunca deixei que encostassem um dedo em mim, e se o fizessem, eu fazia a pessoa pagar caro. Então por que me contive? Tinha o mesmo direito de revidar o ataque, ninguém iria me culpar por isso, iria? Eu teria razão e seria a Salvadora a culpada.

Afinal, como ela ousava insinuar que minha vida era irreal? Era óbvio que ela não me queria por perto, e aposto que passava horas desejando voltar no tempo e me deixar morrer em Nova Iorque.

Se Regina não a queria perto, era pela culpa de ambas. Não fui eu quem traí ninguém, e não tinha a obrigação de escutar nenhuma das duas, ao menos, não era a minha intenção escutar aquela imbecil da loira.

Culpei-me por me preocupar com Regina. Como não o faria? Apesar do que fez, eu me apaixonei por ela, e a conheci da melhor forma possível, sabia que ela não me amava, e nunca mentiu sobre isso. Ela foi sincera o tempo todo, e me recuso a acreditar que tenha sido tão fria a ponto de manter um caso com Emma. Bufei novamente, deslizando uma mão pela perna nua, e então estalei o dedo, acendendo a chama bem na ponta, onde passei a deslizar pela perna, não sentindo nada além de um calor acolhedor.

“Talvez deva concordar com aquela idiota.” Pensei em voz alta. “Talvez ela esteja certa.”

“Se todas as coisas que a Salvadora diz fossem ter algum fundamento, eu seria sempre a culpada por algum desastre na cidade, ou Henry ficar doente ou um meteoro cair no Granny’s.”

“Sendo que no último caso não seria bem um fenômeno natural.”

Era Regina, nem precisei olhar, sua voz rouca era inesquecível.

“Talvez eu só desse um empurrãozinho.”

Dei um meio sorriso ainda abraçada as pernas, mas notei que ela abaixava-se para sentar ao meu lado, trajando seus costumeiros trajes sociais.

“Suas roupas não vão durar muito aqui, majestade.” Comento casualmente.

“Sabemos que é fácil arranjar roupas novas.”

Suspirei, ainda passando o dedo com a chama acesa na perna, sem maior coragem para olhá-la agora.

“Por que veio aqui? Até onde sei, sou eu o grande perigo nessa cidade.”

“Desculpa mas levar uma surra da Salvadora não te elege a vilã.” Ela zombou como de costume.

“Claro, diga isso a David. Ele sempre acha que estou prestes a atacar alguém.”

“Será por seu temperamento pacífico?” Ironizou, e eu bufei. “Foi por isso que vim aqui.”

“Vai me prender?”

“Como se você não fosse derrubar o prédio no mesmo dia.”

Não respondi, na verdade, não sabia o que dizer. Ter Regina ali e conversar com ela depois de tudo era estranho, mas não errado, de forma que continuei sentada, esperando para ver no que ia dar.

“Só quero dizer que não é sua culpa.” Ela voltou a falar, e eu me perguntei ao quê exatamente ela se referia. “Não crie expectativas em se tornar vilã.”

“E você ainda acredita nessa distinção de bem e mau?” Suspirei sem esperar resposta. “Não me importo em ser considerada a tal vilã. Já fui uma.”

“Uma vez vilã, sempre vilã.”

“E quem disse que isso te priva de ser feliz?”

Ela quem não respondeu, e dessa vez apaguei o fogo e me virei para olhá-la, recebendo seus olhos castanhos pela primeira vez em semanas. Era estranho encará-la após todo esse tempo, realmente olhá-la, e não apenas por obrigação. Pude ver a culpa gritante que ela esbanjava, um arrependimento escrito em sua testa, ela nem precisou dizer nada, eu nem precisei perguntar.

Pensei que sentiria raiva, mas na verdade não senti nada, nem pena, nem remorso, apenas o oco que ela me deixou, nada que doesse naquele momento, nada que me fizesse querer gritar tudo que desejei. Era uma espécie estranha de amor, pensei. Não consistia em desejo nem paixão. Aproximava-se de amizade, mas não era. Eu não queria que ela sentisse aquela culpa o tanto que eu não queria sentir a dor, na verdade não queria sofrimento algum, não queria toda a mágoa que senti nesse mês todo.

“Eu sei que se estivesse no seu lugar eu teria arrancado o coração de Emma sem pensar duas vezes, e a uma hora dessas todos estariam de luto pensando em como me parar.” Ela começou a falar. “E sei que teria todo o direito de fazer o mesmo comigo.”

“Nada mudaria o que aconteceu, no fim das contas.” Assumo, sem desviar o olhar do seu. “Sim, eu sentiria um prazer enorme em esmagar o coração das duas, você deve imaginar. Mas se eu não fiz isso, é pela mesma razão que Ruby ainda respira. Nós duas temos algo para focar em não fazer mais essas coisas. Eu tenho Jackie, você tem Henry, e eles já são tudo que precisamos para não sair por ai esmagando corações. Por mais tentador que seja.”

“Você tem razão.” Ela suspirou, baixando o olhar brevemente antes de tornar a me fitar. “Não posso mudar os erros que cometi, mas nesse em particular... Eu gostaria de mudar.”

“Mas você não pode, e eu tampouco posso esquecer.”

“Ainda assim eu quero pedir desculpa.” Disse séria, e meu coração bateu uma batida a mais, comovida com sua sinceridade. “Eu não costumo pedir desculpa, mas também não costumo me arrepender do que faço, e esse erro, jamais será esquecido.”

“Você me desapontou de uma forma imensa, Regina. Eu escolhi você mesmo sentindo algo por Ruby, porque o que sentia por você, falou mais alto que tudo. Posso não ser seu final feliz Regina, mas nada justifica o que fez.”

“Eu sei, e me impressionei com sua entrega tão fácil a mim. Não estava acostumada a ter alguém ali a minha espera, me propondo uma segunda chance, e eu estraguei tudo.”

“Você ficou com medo.” Presumi. “Ficou com o mesmo medo que está agora.” Ela ficou em silêncio, e eu a analisei antes de voltar a falar, reparando o quanto ainda parecia tão frágil a minha frente. Quem diria que a Rainha estaria despedaçada por causa da culpa por um erro? “Não vou dizer que esquecerei o que houve, que seremos as melhores amigas, porque sabemos que seria mentira. Mas também mentiria se dissesse não sinto mais nada por você.”

Algo acendeu em seus olhos, lá no fundo. Talvez expectativa, talvez alguma esperança, eu não pude decifrar.

“Eu conheci uma mulher incrível, Regina, alguém que depois de todo um fardo no passado, merece a felicidade, e era claro que por mais que estivesse bem comigo, eu não poderia te dar o final feliz que tanto procura, não quando está tão claro quem você realmente ama.”

“Você bateu a cabeça forte pelo visto.” Ela comentou, fazendo-me abrir um pequeno sorriso.

“Você sabe porque Emma veio falar comigo.”

“Eu já imagino.”

“Então me poupe de ter que fazer algum discurso motivador.”

“Eu não quero ouvir o tanto que você não quer falar.”

“Bem, para eu ter apanhado daquela desgraçada, vou dizer que a força do argumento dela valeu a pena.”

Ela ergueu a mão em direção ao meu rosto, onde me acariciou a maçã, fazendo-me sorrir em receber o afago daquela mão tão macia outra vez. Então ela continuou subindo até o topo de minha cabeça, onde deslizou os dedos entre minhas mechas. Quando voltou a mão a frente do meu rosto, reparei no pedaço de concreto que segurava, que logo tratou de jogar longe, fazendo-me rir.

“Valeu a pena se quebrar toda?” Perguntou, e eu percebi o trocadilho.

“Nós duas sabemos dos sentimentos dela por você, e dessa vez sei que você retribui. Minha vontade é falar para você dar um gelo nela, assim como fez comigo, chutá-la até que sofra muito. Mas, que inferno, você vai seguir seu coração, e nele infelizmente não tem o mesmo feitiço que o meu.”

Isso a fez rir, e eu me contentei com isso. Levantei-me, e a ajudei fazer o mesmo, nossa altura outra vez desigual por causa do seu salto.

“E por acaso você fará o mesmo?” Ela perguntou, e eu tive que sorrir ao assentir.

“Eu estava prestes a ter um encontro casual quando o animal sem focinheira veio para cima de mim.” Ela revirou os olhos, mas acabou sorrindo.

“Por algum acaso já colocou a coleira no seu pet?” Devolveu afiada, mas tampouco me senti ofendida por Red.

“Não, mas você devia amordaçar o seu, antes que eu tome minhas providências.”

Ela sorriu por alguns instantes, eu abaixei a cabeça, pensando por alguns instantes. A conversa com Ruby me veio a cabeça no dia anterior, e então tornei a olhá-la, uma dúvida gritante.

“Por que deixou que eu me aproximasse de você, sabendo que foi Red quem me acordou da maldição?”

Ela me encarou longamente, respirando fundo e parecendo pensar antes de responder.

“Eu não entendia sua fixação em mim, não sabia se era alguma vingança particular sua quanto a garçonete, mas... De alguma forma quis arriscar. Não sabia que viriamos até aqui, eu sempre soube que a qualquer instante você correria para os braços daquela mulher.”

“O mundo dá voltas não é?” Rio levemente. “Não contava que seria você a correr para os braços de Emma.”

Ela não pareceu gostar das minhas falas e eu sorri, pegando numa mão sua e acariciando de leve com as minhas duas.

“Da mesma forma que você sabia de Red, eu sabia do interesse de Emma. Era mais fácil quando as duas estavam lá, apenas tentando, e não conseguindo.” Digo, ainda a acariciá-la a mão. “Certa vez Red me beijou, quando revelou que foi ela a me acordar.”

“Eu já imaginava que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.” Disse de forma conformada, eu podia entendê-la agora.

“Eu não quis ir adiante com ela, pois por mais que fosse ela meu amor verdadeiro, meu instinto foi voltar para ti. Eu te devia minha fidelidade, e sinto que devia ter te contado isso antes, mas bem... Eu não tive a maior chance.”

“Há essa altura, eu acharia estranha se o totó não tivesse tentado nada.” Ela sorriu por alguns instantes. “Mas agora, acho que estamos quites.”

Levei a sua mão aos lábios e dei um beijo demorado, então assenti e soltei suavemente.

“Quites, majestade.”

Pisquei-lhe, e num estalar de dedos, teleportei-me, outra vez em frente ao Granny’s. Respirei fundo antes de entrar, e não levou um minuto até que escuto passos correndo em minha direção. Esperei maior confusão, mas na verdade reconheci Jackie, em segundos jogando-se num abraço caloroso, que eu retribuo um tanto atordoada, sem entender o motivo.

“Alguém morreu?” Perguntei baixo, reparando em todos me olhando na lanchonete, mas não havia nenhum sinal de Ruby ali, o que me causou um certo estranhamento.

“Você me assustou sua idiota.” A garota disse ao se afastar, mas não estava nada zangada, pelo contrário, só estava preocupada. “Emma te machucou? Eu queria bater naquela idiota depois do que fez a você.”

“Se eu tirar o bracelete, você vai lá dar uma lição nela?” Perguntei sorrindo.

“É claro que sim!”

Eu ri e a puxei para outro abraço, mais breve.

“Você está bem?” Perguntou-me, os olhos percorrendo meu corpo.

“Sim, estou. E você? Fez o que pedi?”

“Sim, fiz.”

“Então cadê Ruby?”

“Subiu para o quarto depois que voltou.”

“Voltou? Para onde ela foi?”

“Atrás de você, onde mais?”

Meu cérebro estava rodando dentro da cabeça, sem entender suas informações.

“Ela te viu com Regina.” Explicou.

“Aaah!” Sorri entendendo. “Então vou falar com ela.”

Comecei a subir as escadas, mas Jackie veio atrás, tentando me impedir ao puxar-me pela mão.

“Não faça isso!”

“Por que não? Ela ficou com ciúmes de Regina?” Brinquei, mas seria uma ótima revanche de sua atuação com Belle.

“Não sei, mas ela não subiu sozinha para o quarto.” Isso me fez parar, uma pontada atingindo meu peito. “Ela está com Belle.”

Paralisei no meio do corredor. Aquela idiota estava brincando comigo? Como podia levar aquela mulher para o quarto? Como pôde me trair dessa forma?

“Mãe...”

“Fique no quarto.” Comandei.

Se ela achava que aguentaria isso calada, ela estava enganada. Já aguentei a maldita Emma achando que podia ditar minha vida, agora Ruby achava que podia se envolver com qualquer rabo de saia depois de tudo que passamos? Ah, ela estava muito enganada, e eu ia jogar isso na cara dela.


Notas Finais


O tão prometido acerto de contas, o que acharam? Me contem tudo e não escondam nada.
Eu acrescentei partes nesse cap na conversa das duas que não tinha no outro site. hihihi porque precisava, sinceramente.
Então, falem comigo!


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