História Let the fire enter you - Capítulo 39


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Lacey (Belle), Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Peter Pan, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Vovó (Granny)
Tags Comedia, Mistério, Once Upon A Time, Ouat, Personagem Original, Romance, Swanqueen, Yuri
Exibições 21
Palavras 4.178
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Magia, Romance e Novela, Violência, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Heeey!!

Obrigada pelo comentário!!

Agora, sem delongas... O encontro!!!!!!!!!!!!!!!
Sério, é perfeito *----* até que... hihi

Boa leitura.

Capítulo 39 - Para sempre, até que...


Assim que chegamos no Granny’s, fiquei paralisada na porta, impressionada com a decoração que agora o enfeitava. As luzes do teto estavam apagadas, e o que iluminava todo o ambiente eram luzes de led penduradas em todos os cantos ao redor da única mesa posicionada no centro, esta com uma toalha vermelha moldada a mão, duas cadeiras dispostas frente a frente e demais pratos, talheres e copos por cima, juntamente de uma vela em cada castiçal. As luzes trocavam de cores lentamente, alternando entre o branco, azul e vermelho. Todo o resto estava escuro, dando o foco principal apenas a mesa. Era um cenário incrível, e principalmente, romântico.

“Então... Gostou?” Ruby perguntou logo atrás de mim, e eu sorri.

“Não.” Ando alguns passos a frente, apoiando a mão na cadeira. “Eu achei maravilhoso.”

Ela pareceu suspirar aliviada, e num instante estava me abraçando por trás, as mãos circulando minha cintura e os dedos se enlaçando sobre minha barriga. Sua boca distribuiu beijos em meu pescoço, e eu sorri mais ainda, inclinando a cabeça para o lado oposto para dar-lhe espaço, enlaçando os dedos nos seus.

“É a primeira vez que tenho algo romântico... Em toda minha vida.” Sussurro, e eu a sinto sorrir contra minha pele, seus dentes me fazendo cócegas.

“Isso me deixa feliz...” Também sussurra. “Saber que sou a primeira em algo.”

“Você é a primeira em muitas coisas também.”

“Por exemplo...?”

“Hmm.” Elevo a mão para trás, alcançando seu rosto, recebendo seu beijo na minha palma antes de começar a acaricia-la. “Você é a primeira pessoa que tenho certeza que me ama.” Digo lentamente, meus pelos eriçando com sua respiração atingindo-me naquele ponto tão sensível. “É a primeira que eu não consigo ter dúvidas de que quero ao meu lado... para sempre. E também que me imagino construindo uma família.” Outra vez a senti sorrir.

“Isso significa que quer morar comigo?” Perguntou ainda no mesmo tom baixo, e eu assenti, fechando os olhos, sentindo-me tão refém daquela sensação inebriante, sendo envolvida pelo sentimento mais puro e delicado que existe. “E você quer ter um bebê comigo?” Outra vez assenti, e dessa vez seu sorriso abriu mais ainda. “Então eu te prometo, que a partir de hoje, todos esses planos serão concretizados, e nós viveremos o começo de ‘felizes para sempre.’”

Virei-me lentamente para ela, mantendo a mão em seu rosto e também levando a outra, esta contornando seu maxilar e pousando em sua nuca. Ela ainda sorria singelamente, aquela sensação ainda a crescer entre nós.

“Você é minha família, meu final feliz, e eu te amo com toda minha força, com toda minha essência.” Finalizou, e eu não resisti e a beijei, puxando-a pela nuca.

Foi um beijo lento que só serviu para me deixar ainda mais viciada naquela sensação que me envolvia mais e mais, como um sonho, mas com a diferença de que era bem real. Ela me abraçou de forma a deixar nossos corpos colados, aqueles saltos me deixando na sua altura e contribuindo para o encaixe de cada parte minha em seu corpo. Separei-me minimamente de seus lábios, sem abrir os olhos, seu hálito tão doce contribuindo para aquele êxtase crescer dentro de mim.

“Eu te quero do meu lado para sempre, Red.”

“Para sempre.” Repetiu, fazendo-me sorrir ainda mais.

Outra vez ela me beijou, de forma casta, ainda colada a mim. Eu não sabia definir o que era aquele sentimento tão suave que me penetrava, mas não me importei, ele me fazia bem, como nunca antes me senti, e Ruby me provocava isso.

Afastei-me para tomar ar, repousando a cabeça em seu ombro, sentindo a sua encostar na minha. Deslizei as mãos em torno de seu pescoço, minha boca colada em sua pele, e ela apenas segurou-me pela cintura, de repente seu corpo movimentando-se poucos centímetros, guiando-me lentamente para frente, e depois para trás, girando num ritmo imaginário. Estávamos dançando sem música alguma, e isso me fez rir brevemente em deleite.

“Eu nunca dancei com alguém antes.” Assumo baixo.

“Estou fazendo uma lista mental das coisas que sou primeira em sua vida.” Ela disse com certo humor, arrancando-me outro riso.

“Não pisei no seu pé, isso deve ser um bom sinal.”

“Quando se tem uma boa professora, tudo evolui rápido.” Gabou-se, e eu apenas mordi seu pescoço em resposta, fazendo-a rir.

“Se a noite já está começando assim, acho que terminará com um pedido de casamento.” Brinquei, e dessa vez ela demorou-se em responder.

“Digamos que chegou perto.”

“O que é semelhante a um pedido desses?”

“Pare de pensar, vai estragar a surpresa.”

“Tem mais?”

“Até de manhã têm várias.”

Ergui o rosto para olhá-la, tendo certeza que ela falava sério. Ela sorriu e selou meus lábios, e assim que afastou-se, um plim pareceu alertá-la de algo.

“A comida está pronta.” Disse animada.

“A Granny quem fez ou é algo congelado?” Sorri debochada, fazendo-a erguer a sobrancelha um tanto incomodada.

“Seria comida encomendada se fosse você a preparar a surpresa.” Retrucou, e eu ri.

“Saiba que cozinho muito bem, ok?” Defendo-me, cruzando os braços.

“E eu melhor ainda.”

“É o que veremos.”

Ela selou meus lábios mais uma vez antes de afastar o corpo do meu por completo. Pediu-me para sentar e dirigiu-se ao interior da lanchonete, não pude enxergar muito além. Sentei-me na cadeira e esperei por sua volta, que não demorou, trazendo consigo uma tigela e depositando no centro da mesa, em seguida trouxe uma garrafa de vinho, que tratou logo de nos servir.

“E eu apresento meu Strogonoff de carne bovina, com champignon e molho barbecue. Acompanhado com batata palha assada e queijo, se preferir.” Ela disse com um sorriso vitorioso, provavelmente por minha curiosidade em provar. “Espero que goste.”

Ela pegou meu prato e serviu uma porção generosa, colocando a batata e deixando-me optar por experimentar com o queijo depois. Depois serviu a si própria e apenas me olhou, esperando que eu provasse, e eu o fiz sem demoras, a curiosidade falando mais alto. Espetei um pedaço e molhei mais no molho, levei a boca, peguei a batata e fiz o mesmo, mastigando e sentindo o delicioso sabor. Fechei os olhos, deixando sair um gemido deliciado em aprovação.

“Red, está incrível!”

“Que bom que gostou.” Ela sorria satisfeita quando abri os olhos.

“Está muito saboroso. Não podia ter feito escolha melhor.”

Ela sorriu mais e eu logo tratei de continuar comendo, estava delicioso, impossível de resistir.

Foi um jantar incrível, o melhor que já tive. Era fato que tive diversas refeições com Red antes, inclusive na Floresta Encantada, mas este era o que eu tinha certeza que nunca esqueceria, nenhum dos detalhes.

Depois ela me levou a praia, onde caminhamos descalças na areia. A lua estava bastante visível sobre o mar escuro, seu reflexo fazendo-se notar nas águas calmas da baía. Ela segurava minha mão, um hábito que eu adorava desde que ficamos juntas. Eu me dividia entre contemplar a lua, o mar, e os olhos de Red, que pareciam mudar de cor toda vez que ela me olhava e sorria.

“Está sendo uma noite incrível.” Comentei, atraindo sua atenção novamente, mas ela parecia um tanto distante dessa vez. “Graças a você, que tramou tudo aquilo e eu nem desconfiei.”

“Não foi nada fácil. Ainda mais quando pedi a Snow para manter o segredo.”

Nós duas rimos. Eu já sabia da fama de Snow sobre não conseguir guardar um segredo, e realmente, não devia ter sido uma tarefa fácil. Caminhamos mais algum tempo, até que ela parou e virou-se para o mar ou para a lua, soltando minha mão, e eu fiquei um pouco atrás, tentando entender o que ela estava fazendo. Ela parecia pensativa demais.

“Red? Está tudo bem?” Resolvo perguntar. “Red?”

“Eu quero te mostrar uma coisa.” Respondeu mais baixo.

“Outra surpresa?”

“Podemos dizer que sim.”

Por fim ela virou-se, parecia concentrada em algo, ainda mais pensativa. O que ela estava tramando?

“É algo bom? Você está começando a me preocupar.”

“Acho que é bom. Na verdade eu quero te contar uma coisa, só não sei como dizer.”

“É só dizer, você sabe que dispenso maiores discursos.”

Ela me olhou por longos instantes, parecendo me analisar. Estava mais tensa, uma postura contraída. Era como se ela fosse dizer algo terrível.

“Você não vai dizer que está tendo um caso com aquela mulher, vai?” Pergunto, erguendo uma sobrancelha, e por algum motivo, isso a fez rir. Uma gargalhada alta e animada, o que me irritou.

Ela estava rindo de mim? Mas por outro lado, isso tirou sua postura séria.

“Qual a graça?” Resolvo perguntar, mas ela prolongou o riso mais alguns segundos.

Dessa vez a sacudi pelos ombros, e ela segurou minhas mãos, trazendo-me para perto, enfim cessando a gargalhada e mostrando um sorriso alegre.

“Você acha mesmo que eu pensaria em ter um caso com alguém quando eu tenho  você?” Perguntou de forma óbvia, e eu revirei os olhos, fingindo descrença. “Você é a única mulher que eu quero em minha vida, Sam. E eu não teria preparado todo aquele jantar se realmente não te amasse.”

“Você é uma idiota.” Digo, desistindo de manter a farsa, e num instante capturando seus lábios.

Era impossível não intensificar o beijo e desejar mais contato com o corpo dela, era como se nunca estivesse perto o suficiente.

“Hey.” Ela disse no meio do beijo, tentando afastar-se enquanto a puxava para perto. “Assim vai me fazer esquecer o motivo que te trouxe aqui.”

“É mesmo importante?”

Ela sorriu e afastou-se, distribuindo vários beijos pelo meu rosto, segurando-me ali perto, até que olhou-me nos olhos.

“Eu prometo que teremos o resto da noite para fazermos o que quiser.”

“Tudo bem.” Resolvo ceder. “Então o que quer mostrar, lobinho?”

“Exatamente isso.”

Ergui a sobrancelha sem entender. Ela afastou-se mais alguns passos, os pés agora tocando na margem do mar, as pequenas ondas vindo em sua direção. Fechou os olhos e pareceu se concentrar, franzindo o cenho, até que num instante, Red não era Red, e sim um lobo com pelos escuros e uma feição assustadora com os dentes a mostra. Tive que recuar um passo, por precaução. O lobo não era maior que eu, mas pelo corpo malhado, era muito mais forte e ágil que minha condição humana.

“Ahn... Red?” Chamo insegura. Não sabia se ela tinha controle do lobo, na verdade nunca falamos sobre isso. Uma coisa era ela controlar a transformação, outra era controlar-se na fase de lobo. “É você que está ai, não é?” Pergunto outra vez, sentindo-me uma idiota por falar com ela sabendo que não teria resposta.

Recuei outro passo, o lobo a essa altura rosnando e com saliva escorrendo pela boca. Parei ali mesmo. Claro, eu podia me teleportar, podia suspende-la no ar, podia atacar se fosse preciso, mas jamais faria isso com Red. Prometi não usar meus poderes com ela. E sair dali não me parecia a melhor solução.

“Red se for alguma brincadeira, saiba que já borrei as calças, então seja um bom totó e pare de fazer essa cara de assassina.”

Esse foi o meu erro. Num segundo a criatura pareceu ganhar maiores proporções quando correu em minha direção, e eu paralisei, sem saber como reagir. Ela saltou sobre mim e logo me vi caindo sobre a areia, preparada para algum fim trágico, para sentir seus dentes em minha garganta. Mas ao contrário disso, eu senti sua língua áspera na minha pele do pescoço, lambendo a região e subindo pelo rosto, na bochecha, até que eu encarei os olhos do lobo, e eu jurei encontrar o mesmo riso de minutos atrás daquela criatura. A lambida parou, mas ela continuou em cima de mim, as patas dianteiras nos meus ombros e as traseiras em torno das minhas pernas. Ela não era nada pequena em comprimento, e tinha mais altura que imaginei. Olhando de perto agora, não havia mais aquela expressão de que estava prestes a me matar, e sim, uma suavidade mesclada com seu divertimento.

“Saiba que estou te odiando nesse exato momento, Ruby Luccas.”

Ela mostrou os dentes outra vez e rosnou, dessa vez soando mais como uma brincadeira do que uma ameaça verdadeira. Levei minhas mãos sobre seus pelos, subindo as patas e deslizando os dedos em seu pescoço, afagando sua cabeça, e ela não reclamou, inclinando-se para baixo para permitir maior acesso.

“Nada mal.” Digo lentamente, conseguindo colocar-me sentada, ainda acariciando seus pelos. Olhando melhor, ela era um lobo incrível, e era impressionante admirá-la tão de perto pela primeira vez. Coloquei-me em pé, sua altura atingindo um pouco abaixo do meu peito. Decidi me vingar de sua brincadeira. “Mas acho que teremos um problema.”

Ela inclinou a cabeça, e eu comecei a me afastar alguns passos, agradecendo por ela continuar parada.

“Você sabe, para depilar todos esses pelos.”

Sua expressão mudou novamente, e ela soltou um rosnado em protesto. Continuei ganhando distância.

“E sabe, lobinho, eu ainda sou maior que você.”

Seu rosnado tornou-se mais alto, e eu senti algo dentro de mim tremer, mas não me permiti parar. Ela já se preparava para avançar, e eu parei por fim, tendo ganhando uns bons 15 metros de distância.

“Vem pegar, totó.”

Ela uivou e avançou em minha direção, e eu me coloquei a correr. Sabia que jamais conseguiria vencer uma corrida contra ela, nem na forma de lobo nem na forma humana, mas ainda assim corri. Ouvia seus passos cada vez mais perto, e eu olhei sobre o ombro para ter certeza de sua localização. Quando pulou para cima de mim, teleportei-me, não para outro lugar, mas sim para vários metros do chão. Enxerguei a criatura confusa logo abaixo, e eu sorri, constatando que o plano deu certo. Abri minhas asas em chamas enquanto caia, e em poucos segundos cheguei perto o suficiente do chão para agarrá-la pelas costelas, segurando-a firme contra o peito. Ela emitiu um rosnado em protesto, fazendo-me rir dessa vez. Consegui vingar-me com maestria.

“Fui eu quem te peguei, totó.”

Ela rosnou outra vez, e eu sorri, cuidadosamente virando-a para mim enquanto voava sobre as águas calmas do oceano.

“Vamos lá, volte a ser a Ruby. Por mais que adore o lobo mau, eu quero passar o resto da noite com minha namorada.”

Ela atendeu meu pedido enquanto eu terminava de falar, voltando a forma humana tão rápido quanto saiu dela. Sua expressão zangada só me fazia sorrir mais.

“Me chama de totó de novo, que eu te devoro toda, ouviu?”

“Que bicho mais bravo.”

Ela ergueu a mão e levou ao meu rosto, suas unhas descendo afiadas na minha bochecha enquanto ela me lançava um olhar letal.

“Continue brincando, que eu transformarei suas chamas em meras brasas.”

“Estou contando com isso meu amor.”

Era ainda mais divertido provocá-la quando estava nervosa, era como brincar com minha própria sorte. Sabia que ela podia se vingar rapidinho, e era o que tornava as coisas mais interessantes. Seu olhar deslizou através de mim, e eu deduzi que fossem minhas asas.

“Seu controle com as chamas...” Começou, pausando por um instante.

“É como seu controle com o lobo.” Completo. “É como controlar um monstro todos os dias.”

Ela sorriu, assentindo.

“Mais uma coisa em comum.” Digo.

Ela enlaçou os braços em torno do meu pescoço e beijou-me enquanto a abraçava mais forte. Era incrível experimentar seu beijo enquanto voávamos. Era a primeira vez, inclusive.

“Nos leve de volta a praia, eu quero te mostrar outra coisa.” Ela disse ainda perto.

“Céus, ainda tem mais?”

“Sim, só mais duas coisas.”

Selei seus lábios e obedeci, levando-nos de volta a areia da praia, onde aterrissei sem qualquer problema. Ela segurou minha mão e me guiou novamente, dessa vez por entre as árvores do outro lado da rua. Não entendi onde ela queria chegar, mas também não perguntei.

Seguimos por uma estrada de terra por alguns instantes, fizemos algumas curvas, e depois de quinze minutos, estávamos diante da entrada de uma grande casa, com dois andares. Era de madeira, e estava em perfeito estado. Cinco degraus na frente levavam a porta, dos lados desta vidros cobertos por cortinas do lado de dentro. No segundo andar era possível ver duas janelas de cada lado, mais acima o que pareceu ser o sótão, uma janela menor virada em nossa direção. As árvores abriam-se ao redor da casa, dando espaço a uma garagem do lado direito, e do lado esquerdo uma pequena cerca levava aos fundos. Era uma casa mais distante do centro da cidade, para quem quisesse privacidade e ao mesmo tempo ter acesso a natureza. Um bom lugar para se morar com a...

Paralisei, a pergunta de Red antes do jantar voltando a minha mente.

Isso significa que quer morar comigo?

Olhei para ela, que me olhava com um sorriso contido no canto dos lábios. Não precisei pensar muito para saber o que significava.

“Antes que pergunte, eu não planejei esse lugar por inteiro.” Ela começou a falar. “Eu a descobri em uma de minhas corridas durante o período de lua cheia, há vários meses atrás, e eu achei bonita. Na época estava um típico cenário de filme de terror, você tinha que ver.” Ela sorriu, parecendo se recordar. “Averiguei com Regina, ela disse que não tinha dono. Então eu pensei que seria uma ótima oportunidade para conseguir ter um lugar para morar, que não fosse no mesmo lugar em que trabalho.” Ela pausou, segurando minha outra mão e dessa forma ficando de frente a mim. “Então me interessei por esse lugar, mas não tinha todo o dinheiro para comprar. Regina propôs que se eu arrumasse isso aqui, ela faria um desconto pela mão de obra, e como vê, está habitável.”

“Ruby....”

“Calma, deixa eu terminar.” Ela acariciou-me com os polegares, e eu apenas assenti, esperando para ver onde ela iria chegar. “A mobília tive que jogar a maior parte fora, porque estava desgastada demais, e dessa forma sobrou meia dúzia de coisas, e olha que é uma casa enorme.” Seu sorriso mostrou que ela estava prestes a revelar seus planos. “Eu terminei de arrumar tudo há poucas semanas, não tive muito tempo, você sabe, cuidando de você.”

“Cuidando muito bem.” Acrescento, e ela quem assentiu.

“Achei melhor esperar que as coisas melhorassem, que os problemas diminuíssem, mas, você reparou que os problemas aqui nunca vão embora por completo. Então eu pensei que seria idiotice esperar mais se estamos aqui, enfim juntas, em paz, ou quase, e alongar demais para dar esse passo, mais que merecido.” Sorri em expectativa, apenas esperando que ela terminasse. “Não sei se vai gostar da casa, mas podemos arranjar outra, não importa tanto, eu só queria um lugar reservado para que possamos dar início a nossa vida juntas. Sabe? Você, eu e Jackie. Não fica longe da cidade, e nós sabemos que isso não é problema para nenhuma de nós.”

“Ruby...”

“Tudo bem, vou direto ao ponto.” Como se fosse preciso, penso sozinha. “Sam, você quer morar comigo?”

“Red, por que faz a pergunta se sabe a resposta?” Sorrio, aproximando o rosto do dela. “É tudo o que eu mais quero.”

“Então você aceita?”

“Com uma condição.”

“Qual?”

“Aquela bibliotecária não colocará os pés aqui.”

“Sam...” Ela começou o protesto, e eu ri, selando seus lábios.

“É brincadeira. Mas te proíbo de ficar sozinha com ela aqui.”

“Sam...” Outra vez selei seus lábios.

“Tudo bem... Isso não é brincadeira.”

“Sam, cala a boca.”

Não era preciso dizer mais nada. Desenlacei nossos dedos e os levei em seu rosto, acariciando-a enquanto a beijava e sentia suas mãos deslizarem meu corpo. Não levou muito tempo para que ela começasse uma tour pelo interior da casa, sem proferir uma única palavra enquanto me conduzia pelos cômodos e pela escada, sem nada para derrubarmos no processo. A casa ecoava nossos movimentos e nossos beijos. Ela me lançou para trás e eu achei que cairia no chão, mas cai em algo macio e confortável. Olhei e sorri ao notar a cama, ou melhor, o colchão sobre o piso de madeira. Sorri e mal tive tempo de pensar em alguma pergunta, Red já estava sobre mim, beijando toda minha pele, várias peças de roupas ficará pelo caminho. Não importava. Tudo que sentia era a felicidade por estar com ela em nossa casa, em começar nossa vida juntas como uma família de verdade. Enfim eu tinha tudo que sempre sonhei: estar com quem amo perto de mim. E jamais abriria mão disso.

---

O sol já estava alto quando acordei, mas a loba ao meu lado continuava dormindo tranquilamente, virada para cima com um braço sobre a barriga e o outro largado ao lado do corpo. Adorava admirar seu corpo nu todas as manhãs, era um hábito que nenhuma de nós se incomodava de eu possuir. Aposto que ela faria o mesmo se gostasse de acordar cedo.

Inclinei-me em sua direção, selando seus lábios e descendo em suaves beijos pelo seu maxilar, contornando seu queixo e descendo seu pescoço, que foi o momento que senti suas mãos subirem meu corpo. Parei e voltei a olhá-la, vendo-a sorrir enquanto abria os olhos lentamente, ainda sonolenta. Selei seus lábios novamente, e dessa vez ela retribuiu.

“Bom dia, querida.” Digo ainda perto.

“Bom dia, ruiva.” Respondeu, acariciando-me lentamente as costas com uma das mãos, era evidente que ainda estava com sono.

“Eu já disse que te amo hoje?” Pergunto ao beija-la outra vez, seu sorriso ainda presente.

“Se contar a madrugada como hoje...” Ela começou, e eu suguei seu lábio inferior, fazendo-a parar. “Não, você não disse.”

“Eu te amo, Ruby.”

Sua outra mão chegou em meu rosto, e ela me acariciou suavemente. Inclinei a cabeça e fechei os olhos. Adorava receber suas carícias.

“E eu amo você.”

Sorri e a beijei, até voltar a me deitar em seu peito para aproveitar suas carícias. Era impossível não lembrar da noite passada, principalmente quando estávamos naquela casa, na nossa casa. Era um sonho tornado realidade.

“Sabe... Você esqueceu uma coisa.” Digo lentamente, deslizando o dedo numa linha reta na sua barriga, até um pouco abaixo do umbigo, e então voltando a subir até entre os seios.

“O que seria?” Perguntou num bocejo.

“Você disse que tinha mais duas surpresas. Uma era a casa. E a outra? Você disse também que tinha surpresas até de manhã.” Fingi olhar um relógio imaginário no pulso. “E já é de tarde.”

“Você tem uma boa memória quando quer.”

“Você prometeu a surpresa, agora conte.”

Ela suspirou. Respirou fundo. Fez uma pausa. Comecei a me perguntar o que podia ser. Ontem na praia ela parecia prestes a me dizer algo antes de se transformar em lobo, e estava no mesmo estado de tensão, embora agora ela parecesse mais relaxada.

“Sam, a quanto tempo estamos juntas?”

Pensei por alguns instantes, relembrando.

“Três meses?”

“E nesses três meses, quantas vezes fizemos sexo?”

“Amor, eu não sou boa em matemática. São números demais.” Brinquei, mas dessa vez ela não riu, e eu sabia que não devia arriscar mais brincadeiras. “Quase todos os dias. Menos os que meu sangue não permitia.”

“E você lembra qual foi a última vez que isso aconteceu comigo?”

Pensei por mais tempo, tentando lembrar. Realmente, fazíamos sexo quase todos os dias nesses três meses, mas não me lembro de ser ela a estar no período que toda mulher enfrenta.

“Red, você é abençoada! Você não menstrua!” Digo animada com a ideia, olhando-a, e ela me ergueu a sobrancelha, estreitando as sobrancelhas, em seguida fazendo um gesto negativo com a cabeça. “Não é isso?”

“Não. Mas cheguei a conclusão de que nunca brincarei de ‘detetive’ com você.”

Revirei os olhos e tornei a deitar em seu peito, tentando pensar no que poderia ser. Mas parecia que não havia mais nenhuma outra solução.

“Amor, você realmente não sabe?” Ela insistiu. “Sabe, tem outros motivos para isso não acontecer comigo, nesse período.”

“Problemas hormonais?”

“Problemas não.”

“Ruby, eu não sei. Vá direto ao ponto.”

Ela respirou fundo, mas não demorou a voltar a falar.

“Sam-”

Meu celular tocou, em algum lugar da casa, mas era possível ouvir seu toque ecoar por todo o local. Olhei para Red.

“Preciso atender. Me ajuda a achar?” Pergunto a ela, que assentiu.

Levantamos rapidamente do colchão e ela me guiou pelo longo corredor até as escadas, onde alcançou meu celular em um dos degraus e me entregou. Vi o número de Snow na tela e suspirei, rezando para que não fosse nenhum problema.

“Ahn... Oi Snow.” Digo, notando o longo silêncio pesado do outro lado.

“Sa-Sam...” Ela gaguejou, e isso me deixou em alerta.

“O que aconteceu?”

“Sam... Eu sinto muito, mas eu não tive como impedir. Foi quando todos estávamos dormindo, e só nos demos conta de manhã. Não queríamos te alertar, mas não a encontramos em lugar algum.” Ela lançou tudo de uma vez, parecendo desesperada.

“Hey, calma. Não estou entendendo nada.” Peço, tentando manter a calma, mas o aperto no meu peito já me respondia. “O que aconteceu?”

“Jackie.” Ela estava chorando do outro lado, e isso só serviu para me deixar desesperada pensando no pior. “Ela foi levada, Sam. Jackie foi levada por sua sobrinha.”


Notas Finais


Não me matem, eu juro que tudo será revelado no próximo cap. hihi

Mas o que acharam do encontro?
O que a Ruby ia contar?
E a casa? *---------------*

Mas... cadê a Jackie?!

Muahahaha
Desculpe, não consigo não atiçar a curiosidade.

Logo posto o próximo.


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