História Leve Como o Vento - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jinki Lee (Onew), Jonghyun Kim, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Taemin Lee
Tags Balé, Ballet, Crossdress, Fluffy, Ontae, Romance, Yaoi
Exibições 131
Palavras 10.785
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eerrr....... Acho que a maioria já viu essas fotos, e é exatamente porque essa menina É QUASE O CLONE FEMININO do Taemin que a foto rolou no fandom OIOÇGHOIGHSOD
Mas é...
Apresento-lhes Mina! )o)

Boa leitura <3

Capítulo 2 - Capítulo 2.


Fanfic / Fanfiction Leve Como o Vento - Capítulo 2 - Capítulo 2.

Mina estava praticamente amortecida quando sua aula de balé terminou naquele dia. Ela sabia o que aconteceria quando saísse por aquela porta: esperaria na secretaria por sua mãe e, neste meio tempo, Jina sairia de sua aula, viria falar consigo e provavelmente a encheria de perguntas do porque não aparecera na semana anterior, e então, Jinki chegaria, e a partir daí, só Deus sabia o que aconteceria. E ela já havia repassado possíveis cenários em sua mente tantas vezes que ela mesma já estava enlouquecendo antes de sequer vir para a aula de balé

E Mina esperou na secretaria.

E esperou.

E esperou...

 

Até que a buzina do carro de sua mãe lhe avisou que era hora de ir para casa.

 

Na aula seguinte, Mina estava ainda mais nervosa em ir para o balé – talvez pelo fato de suas expectativas de ver o subordinado tenham escalado absurdamente do dia anterior para este.

Saiu da aula com um aperto no coração, cabisbaixa.

Esperou ansiosamente na secretaria pela pequenina bailarina que sempre vinha falar consigo.

 

E esperou...

E esperou...

 

E, novamente, a buzina do carro de sua mãe lhe despertara, avisando que era hora de ir embora.

E, novamente, Mina voltou angustiada para casa.

Algo que antes ela estava evitando por medo, agora, mais do que nunca, queria que acontecesse por ansiedade.

Não importasse quantas vezes dissesse que estava tudo bem; nunca estaria tudo bem. Aprendeu da maneira mais difícil que não deveria ter ignorado os telefonemas do mais velho; que deveria ter encarado seus problemas de frente ao invés de fugir deles.

E este sentimento irritante permaneceria, porque, afinal, como ela ligaria para o subordinado de repente, depois de uma semana ignorando todas suas mensagens e ligações?! Seria muita cara-de-pau de sua parte.

Mas não seria mais ainda se ela simplesmente deixasse como as coisas estavam? Não seria ainda pior deixar Jinki no escuro, sem nenhuma chance de poder discutir a situação?!

 

O dia seguinte era quarta-feira, e nas quartas, Mina não tinha aula de balé. E foi aí que ela começou a se questionar se talvez devesse aparecer de surpresa na casa do mais velho, ou se talvez deveria ter marcado para se encontrarem naquela tarde. Mas ele estava trabalhado, e ela não podia tirá-lo do trabalho para discutir algo que nem combinado foi.

 

No dia seguinte, não era dia das aulas de Ballet Preparatório infantil, mas, mesmo assim, bem lá no fundo, Mina talvez tivesse esperanças que Jinki apareceria apenas para falar consigo.

Mas claro que ele não apareceu.

 

E no dia seguinte, a ansiedade estava quase comendo-a viva.

Saiu da aula de balé com o lábio entre os dentes, apertando fortemente a alça da bolsa entre os dedos, com a respiração descompassada e o estômago embrulhado.

Talvez se, nem Jina, nem Jinki, aparecessem hoje, ela poderia, finalmente, aceitar que o mais velho realmente decidiu que não queria mais vê-la, e que também havia afastado Jina de si.

E bastou chegar até a secretaria para que seu coração começasse a martelar em seu peito de ansiedade. O conflito de sentimentos entre querer ver Jinki e não querer ao mesmo tempo, apareceu.

E como das outras vezes, a aula de Balé Preparatório terminou, e as crianças começaram a sair.

Mina tentou manter-se quieta, mas ela não conseguiu evitar levantar os olhos e procurar pela pequenina Jina no oceano de crianças que saiam apressadas dali. Mina jurou que seu coração parou por um momento quanto escutou o tão familiar grito lhe chamando.

-Unnie!! – A garotinha veio correndo de braços aberto em sua direção.

E Mina não soube definir o tamanho do alivio que sentiu quando ela finalmente abraçou a garotinha de novo, apertando-a forte contra o peito.

-Jina, meu Deus, que saudades!

-Unnie! Por que ficou tanto tempo sem vir?! – A voz da garotinha saiu abafada e levemente chorosa, escondendo o rosto na curva do pescoço de Mina.

-Unnie ficou doente, Jina... – Mina mordeu o lábio. Lá se ia mais outra mentira – E você?! O que aconteceu? Porque não veio nas duas últimas aulas?

-Eu também fiquei doente... – Jina afastou-se para que pudesse olhar Mina nos olhos – Fiquei no hospital...

-Hospital?! – Mina arregalou os olhos, mas antes que a garotinha pudesse responder qualquer coisa, uma terceira voz se juntou à conversa.

-Jina pegou uma pneumonia leve nesse final de semana.

E se Jinki soubesse o que só o som daquela voz podia fazer com Mina... Aquilo já foi o suficiente para fazê-la arrepiar pelo corpo todo. Rapidamente, Mina virou-se na direção da voz; Jina estendendo os bracinhos para que o tio a pegasse no colo.

-Mas ela tá bem agora – Jinki sorriu, olhando a sobrinha em seu colo – Certo?

-Certo!! – A garotinha exclamou, abrindo os bracinhos para o alto e arrancando uma gostosa risada do tio.

-Jina – Jinki chamou, colocando-a no chão – Eu preciso conversar um pouco com a unnie. Pode ir na frente e arrumar o cinto direitinho em você? O carro já tá aberto.

-Hm! – A garotinha assentiu, rumando para o carro.

 

E logo que Jina desapareceu dentro do banco de trás do carro, a tensão entre o casal parado em pé de frente a secretaria aumentou. Jinki a olhava intensamente, sem proferir uma palavra, e isso apenas fazia com que ela mordesse o lábio inferior com mais força do que devia. Não conseguia tirar os olhos do chão.

-Jinki, me desculpa-

-Aqui, não – Jinki a interrompeu na mesma hora – Eu realmente não quero conversar isso com você aqui... – Mina se calou no mesmo instante – Eu... Preciso deixar a Jina em casa. A gente pode conversar dentro do carro depois, se você quiser... E eu te trago de volta pro balé, já que eu sei que você não vai querer que eu te leve pra casa.

 

Ouch. Aquilo doeu.

Mina se sentiu ainda mais cruel depois de ter ouvido aquilo.

-Eu realmente apreciaria se você pudesse decidir logo, sabe... – Jinki coçou a nuca, constrangido – Eu... Hm... Ainda preciso voltar pro trabalho...

 

Mina umedeceu os lábios, soltou um rápido suspiro, mas assentiu.

Ela precisava fazer isso.

 

Jinki suspirou, de certa forma... Aliviado?

-Tá certo... – O mais velho murmurou, rumando para a porta de vidro. Parou ali, abriu a porta, e fez sinal para que Mina saísse primeiro.

 

-Ah! A unnie vai com a gente?! – Jina exclamou, já se levantando do banco traseiro e ficando em pé ali mesmo, apenas para alcançar a bailarina mais velha que sentara no banco da carona.

-Jina – O subordinado a repreendeu logo que se sentou no banco do motorista – Você tem que ficar sentada e com o cinto de segurança, lembra?

Mesmo a contragosto, com um bico meigo nos lábios, Jina sentou-se brutamente no carro e colocou o cinto de segurança.

-Ahh... Desfaça esse bico – Jinki riu soprado – Vocês vão se ver semana que vem de novo – O mais velho, com o canto dos olhos, fitou a bailarina mais velha – Não vão?

-Ah! Sim! Claro! – Mina olhou para a garotinha – A gente vai se ver semana que vem, Jina!

Talvez Jina esperasse que Mina ficasse ao seu lado, e não que concordasse com seu tio, mas diante da situação, ela apenas aumentou o bico e assentiu sem proferir nenhuma palavra, arrancando uma risada gostosa de ambos os adultos, e aliviando a atmosfera.

Mas isso somente durou até que Jinki parasse em frente a uma casa de dois andares com um grande gramado, colocasse a bolsa da garotinha no ombro e levasse Jina até a porta, onde uma mulher – que talvez pudesse ser irmã dele, a julgar pelas feições levemente semelhantes – pegou a garotinha no colo, passou a bolsa que Jinki segurava em seu ombro, despediu-se do subordinado e fechou a porta.

Quando o mais velho voltou para o carro, ele simplesmente ligou o motor e começou a dirigir, parando, aparentemente, de forma aleatória em frente a uma sorveteria, dois quarteirões depois da casa de Jina.

 

Silêncio sepulcral.

 

Mina pensou se não seria prudente ela começar a conversa, mas começar por onde? Deveria pedir desculpas por ter mentido ser uma mulher, ou ir direto ao tópico do pomo de Adão e então se desculpar por ele ter descoberto seu segredo da pior forma possível?

Ela apertou os dedos na bolsa que repousava em seu colo. Os batimentos aumentavam de nervoso. Como Jinki terminaria esse relacionamento com ela? Tinha medo de receber ofensas e acusações por parte do mais velho, mas não os negaria, caso isso acontecesse.

 

-Mina, por que não me contou do seu pomo de Adão?! – Jinki soltou de repente, mas sem nenhum indício de raiva, traição, ou de estar chateado. Ele apenas... Perguntou como alguém pergunta se quer tomar um sorvete.

 

A garota franziu o cenho, fitando-o como se ele fosse louco.

Okay.

Não exatamente essa a reação que ela esperava do mais velho.

 

-O quê, exatamente, você quer dizer com “Por que não me contou do seu pomo de Adão?” ?

Jinki suspirou de tal maneira que parecia dizer ‘não é óbvio?’, e em seguida olhou-a com um sorriso de canto no rosto.

-Mina, uma mulher pode ter um pomo de Adão. Não é impossível.

 

 

 

 

 

... Quê?

 

 

 

-Eu procurei sobre isso, e pode ser só uma disfunção hormonal na tireoide que faz aumentar a saliência.

 

Jinki estava falando sério?

 

-É só tratar. Não é o fim do mundo.

 

...

Oh...

Então... Jinki... ? Ele não... ?

Ele acha... ?

Oh....

 

Honestamente, de uma maneira bem estranha, Mina não soube definir se ficava feliz por Jinki ser... Erm... Como ela poderia definir isso? “Tapado” seria muito cruel? “Inocente” muito exagerado? De qualquer forma, ela não sabia se ficava feliz por ainda manter sua aparência de mulher e evitar uma... Briga (?), ou se ficava desapontada pelo fato de que Jinki realmente se agarrou na ideia de que ela era mesmo uma mulher e até se deu ao trabalho de procurar a incidência de pomos de Adão em mulheres.

 

-E-Eu... – Mina gaguejou, desviando os olhos do mais velho e apalpando o dito pomo de Adão – Eu...

-Hey – Jinki segurou o pulso da garota com delicadeza, afastando sua mão dali – Não precisa ter vergonha – Sorriu – Olha só para o meu – Apontou para o próprio pomo de Adão – Isso aqui, sim, chega a ser monstruoso – Riu descontraidamente, e, de certa forma, obtendo êxito em aliviar a tensão do ambiente.

Mina não deveria ter rido junto. Deveria ter continuado séria e levar a discussão adiante, mas... Quem consegue resistir aos encantos de Lee Jinki?

 

A verdade era que a situação era uma bola de neve que a cada dia parecia ficar maior, e a hora que ela atingisse Mina com toda sua força, seria devastador.

 

 

• • •

 

 

Era quarta-feira.

Taemin havia acabado de almoçar e estava em seu quarto, sentado à escrivaninha, com um livro e um caderno abertos, lápis empunhado, calculadora do lado, fazendo os trabalhos da faculdade de contabilidade que deveria fazer.

A sorte dele era que ele não era tão ruim em exatas da mesma maneira que era em humanas. E só rezava para que seu pai jamais voltasse para casa com alguma brilhante ideia de conseguir uma vaga na empresa onde trabalhava pra ele quando se formasse.

Não entenda errado; não era exatamente como se Taemin não gostasse do pai.

Era complicado.

Ambos, ele e a mãe, sabiam que o pai surtaria caso descobrisse os gostos do menino, portanto... Taemin preferia evitar o pai o máximo que pudesse. Era uma espécie de precaução para que ele não acabasse deixando escapar nada que pudesse incriminá-lo; e trabalhar junto do pai o dia todo, sob o mesmo teto e os olhares da figura paterna na mesma empresa, todos os dias, estava fora de cogitação. Além do mais, Taemin não tinha certeza se estava pronto para desistir do balé depois que se formasse. Aquilo ainda era um tabu em sua cabeça.

 

Do primeiro andar, Taemin ouviu o murmúrio dos pais se despedindo.

-Tchau, filho! – O garoto ouviu o pai gritar de lá de baixo.

-Tchau, pai! – Ele gritou de volta.

Baixou os olhos para as contas inacabadas em seu caderno, bateu três vezes a ponta do lápis na folha, antes de largá-lo por cima do caderno, levantar-se da cadeira e afastar as cortinas da janela em cima da escrivaninha.

Com um suspiro pesado, observou o pai entrar em um dos dois carros estacionados em frente a sua casa, dar a partida, e sair poucos segundos depois.

-Por que tem que ser desse jeito...? – Taemin sussurrou para si.

Endireitou-se, fechando as cortinas, mas não voltou a se sentar. Permaneceu fitando os panos da janela se mexerem levemente pela fraca brisa que ali entrava. Pensativo, mordeu o lábio, enquanto os dedos da mão direita penteavam seu cabelo, e os da mão esquerda mexiam no jeans da calça que vestia.

Ele gostaria de usar uma saia agora.

Ele podia usar uma saia agora.

Mas o problema era esse.

Agora.

Só depois que seu pai saiu de casa e não o está mais observando.

Talvez se ele soubesse que não seria repreendido caso o pai o visse usando roupas consideradas por ele “erradas”, Taemin não teria esse forte impulso de vestir-se em roupas femininas no mesmo instante toda vez em que seu pai deixasse a casa. Talvez se tornasse algo casual que ele vestisse sempre que tivesse vontade, apenas.

Mas a questão era essa. Ele não era livre. Não sabia se poderia realizar seus pequenos caprichos no dia seguinte; não sabia até quando seu pai acreditaria na história de que ele fazia taekwondo, porque, afinal, Taemin jamais participou de campeonato de luta nenhum, em contrapartida, nunca participou de apresentação de balé nenhuma também; portanto ele aproveitava cada oportunidade que tivesse.

 

-Querido? – A mãe do garoto chamou-o quando abriu a porta de seu quarto de súbito, assustando-o – Oh, desculpe não ter batido. Eu tô indo pro trabalho agora. Quer que na volta eu traga alguma coisa?

-Hm... Pra falar a verdade, eu tava com vontade de comer salsicha empanada essa semana.

-Tá. Eu passo no quiosque e compro mais tarde. Tchau, filho – E no sopro de um beijo, a mãe do garoto virou-se para sair pela porta, mas o garoto chamou-a antes que pudesse fazê-lo.

-Ah-Mãe!

-Hm?

-Ah... – Taemin baixou a mão que penteava o cabelo para escrivaninha, arranhando a madeira com o dedo indicador – O delineador...

-Ele acabou?

-Hm – Taemin assentiu, timidamente erguendo os olhos para a mãe – Tá acabando...

-Tudo bem. Eu aproveito e compro outro pra você. Mais alguma coisa? Rímel? Blush? Corretivo? Hm... – A mãe ergueu a sobrancelha com um sorriso brincalhão de lado – Sutiã...? – E com sucesso arrancou uma risada do garoto.

-Não – Taemin sorriu largamente – Não precisa de mais nada.

-Hmm.... Tá – Ela caminhou em direção ao garoto – Qualquer coisa, me liga – E o abraçou com força.

-Tá certo – Taemin devolveu o abraço na mesma intensidade – Te amo, mãe.

-Também te amo, filho.

 

Pelo menos, Taemin sabia que podia contar com a mãe, como um pontinho de luz no meio de tanta escuridão.

Então, a mãe saiu pela porta, e poucos minutos depois, Taemin estava sozinho em casa, como ocorria toda quarta-feira. Permaneceu parado no meio do quarto até o momento em que girou o rosto para o comprido espelho localizado em um dos cantos do quarto e analisou seu reflexo.

Taemin gostava do que via. Ele gostava si. Não tinha problemas em ser um homem. Nunca teve. Ele apenas gostava de saias fofas, bichos de pelúcia e fazer adágios.

 

E com toda calma e delicadeza do mundo, mais uma vez, Taemin buscou as roupas que sua mãe escondia no guarda-roupa bem longe dos olhos do pai, e despiu-se de Taemin, para vestir-se de Mina.

 

Taemin gostava de ser Mina.

Mina gostava de ser Mina.

Mina gostava de ser Taemin.

E Taemin gostava de ser ele mesmo.

 

 

• • •

 

 

Uma semana se passara desde a conversa entre Mina e Jinki, e ambos estavam novamente no apartamento do mais velho, assistindo outro filme. Dessa vez um filme de ficção repleto de enigmas, e, enquanto Jinki o via pela quarta vez, ainda intrigado como da primeira, Mina se esforçava para acompanhar a linha de raciocínio da história, vez ou outra fazendo caretas, debatendo consigo mesmo suas teorias, ou se ela havia entendido corretamente o que acabara de acontecer, e, mais frequentemente do que gostaria de admitir, pedia explicação para o mais velho ao seu lado.

-Pera! – Ela soltou do nada, agarrando a coxa do subordinado e assustando-o com a explosão repentina – Ué? Mas-Aquele cara-Ele não tinha... ? – E então um alto suspiro de epifania saiu de sua boca – Então se não é ele... É aquele outro?! O loiro ali?! Porque, fora o outro, ele é o único que sobrou. Mas... – Ela fez uma careta – Não faz sentido!!

E Jinki estourou uma gargalhada.

-É claro que faz. É pra isso que tem o final do filme – E ele livremente se deitou no sofá, puxando Mina por cima de si, mas ainda dando pequenas risadas sopradas, fazendo a garota pular levemente sobre seu peito que subia e descia a cada riso.

E permaneceram assim até o final do filme, trocando pequenas carícias – um beijo na têmpora de vez em quando; o polegar desenhando círculos nas costas das mãos um do outro; afagar os cabelos um do outro – quando Mina fez um bico enorme.

-Não gostei.

-Por que não? – E se o mais velho soubesse o quanto Mina se divertia por dentro toda vez que ele a olhava perdido daquele jeito...

-Ah, poxa! O mocinho que eu gostei podia ter ficado com a mocinha... Mas nãaaaoooo! Vamos matar todo mundo nesses filmes, porque o povo gosta de tragédia, né?!

E Jinki precisou rir da maneira com que a garota reclamou revirando os olhos.

-Bom, eu não tenho culpa se todo mundo morreu, menos ela – Ele deu de ombros – Se quiser eu procuro alguma coisa que tenha um final mais feliz, sei lá.

-Por favor, porque eu realmente tô desamparada aqui!

E lá foi Jinki caçar algum outro DVD dos poucos que tinha que talvez pudesse agradar Sua Majestade. Conseguiu achar uma comédia romântica não muito cliché, nem muito dramática, que sua mãe provavelmente deve ter esquecido lá em uma de suas visitas.

-Que tal? – Jinki mostrou a capa do DVD para a garota, e com sua aprovação, o mais velho inseriu o DVD no aparelho.

Aconchegaram-se pela segunda vez no sofá aquele dia, e os dedos de Jinki não demoraram a acharem os cabelos da garota, onde se enroscaram novamente. E nem quinze minutos foram necessários para que ela começasse a ronronar.

-Isso é bom... – Ela murmurou.

-Mesmo?

-Uhum – Mina trouxe as mãos do mais velho até os lábios. Deu um breve selo em cada uma delas e, por puro mimo, voltou uma das mãos em sua cabeça para que a afagasse de novo como fazia cinco segundos atrás, e arrancando uma risada do mais velho.

-Você consegue ser tão meiga quando quer, sabia? – E ele afundou o rosto na curva do pescoço da garota, distribuindo pequenos beijos e fazendo cócegas com a ponta do nariz.

Dessa vez, Mina não se debateu. Ela riu do fundo dos pulmões, até que se virou de frente para Jinki e escondeu o rosto na curva do pescoço, espertamente revidando da mesma maneira com pequeninos beijos e leves mordidinhas. E claro que os lábios de ambos não ficariam longe por muito tempo.

-Posso te beijar? – Jinki sussurrou com os lábios roçando aos da garota. Os olhos fechados, inalando o perfume doce da outra; uma das mãos segurando sua bochecha, enquanto a outra a segurava pela cintura e a mantinha perto de seu corpo.

Mina suspirou.

-Sabe... Às vezes você ainda fala demais... – Ela abriu um sorriso e riu soprado – Mas eu adoro isso.

E juntaram os lábios, cada um com seu respectivo sorriso.

Mina adorava aquele nó no estômago toda vez que o beijava. Gostava de como seu corpo se aquecia, fosse pela ansiedade ou pelo simples prazer de beijá-lo. Gostava de como não demoravam a entrelaçar as línguas, e de como sempre acabavam fazendo isso ao mesmo tempo. Gostava de passear os dedos pelos fios de cabelo do mais velho; passar o polegar em sua bochecha; de mordiscar os lábios grossos vez ou outra; gostava de quando o mais velho pousava a mão em sua nuca e trazia-a para mais perto; gostava do polegar alheio que roçava sua cintura carinhosamente.

O filme esquecido há muito tempo, já.

 

E os simples dedos nos fios de cabelo do mais velho logo se tornaram os braços em redor de seu pescoço. O polegar que roçava na cintura da garota, agora, passeava pelas costas, arranhando as unhas no pano da roupa.

Mina estava perdida demais em seu paraíso particular para sequer reparar que a posição dos dois mudara, e que Jinki, lentamente, colocara-se por cima de si. E não se importou nem um pouco quando os beijos começaram a descer para seu pescoço. Não quando Jinki traçava os dentes levemente pela linha do queixo; não quando dava leves sucções pela pele. Não quando os mais espontâneos e soprados gemidos surgiam do fundo da garganta.

Porém, seu chão de nuvens rapidamente se desintegrou quando sentiu as mãos do mais velho se arrastarem na direção onde deveriam estar os seios. Mina arregalou os olhos na mesma hora, colocou as mãos nos ombros de Jinki e o afastou de si, encolhendo-se na ponta do sofá e cobrindo o peitoral com os braços.

 

De um lado, Mina respirava ofegante; nervosa; em pânico; fitando o chão e evitando os olhos de Jinki. Engoliu a seco. Não sabia como explicaria a súbita reação para o mais velho, uma vez que ela estava muito bem e a vontade com os toques.

Do outro... Havia um Jinki desconsertado e perdido, imaginando todo tipo de limite que ele poderia ter cruzado e que não deveria tê-lo feito. Ora essa, depois de meio ano juntos, ele imaginou que já estivessem suficientemente à vontade um com o outro. Era natural que eles fizessem sexo, certo? Quer dizer, Mina estava no penúltimo ano da faculdade e ele já era formado. Eram adultos o suficiente para esse tipo de coisa, não eram? Ou talvez Jinki tivesse lido os sinais errado? Ora, não era impossível. Na realidade isso era até mais provável. Mas ele tinha tido tanto cuidado!! Sempre pedia permissão para beijá-la, sempre tomava cuidado para não assustá-la; será que ele realmente estava indo rápido e não tinha percebido? E se ela achar qu-

-Jinki?

E tirando-o a força de seus devaneios, Mina chamou-o, apreensiva.

 

Oh... Certo. Eles ainda estavam naquela situação...

 

Jinki piscou algumas vezes e mexeu a boca, mas nenhuma palavra saiu dali. Piscou outras vezes, baixou a cabeça, vagou os olhos em redor da sala, mexeu a boca mais algumas vezes, e simplesmente nada. Por fim, um suspiro derrotado escapou-lhe dos lábios.

-Eu... – Ele engoliu a seco – Me desculpa, Mina. Isso... Ah, é constrangedor – Coçou a nuca ao olhar para o próprio colo e ver que a tenda dentro de sua calça não lhe favorecia a situação – Eu-Eu vou tomar um banho... – Ele se levantou do sofá – Eu sinto muit-

-Jinki, não faça isso – Mina segurou-o pela mão.

-A-Ah Mina... Eu realmente deveria tomar um banho agora...

-Por favor, Jinki, senta.

-Mina, eu nã-

-Por favor.

 

O mais velho engoliu a seco, suspirou uma última vez, mas acabou por se sentar ao lado da garota.

-Por favor, não pense coisas erradas – Mina apoiou a testa no ombro do subordinado e apertou os dedos envolta de sua mão – Eu gosto muito de você, Jinki, por favor, acredite. É só que... Faz realmente muito tempo pra mim, e eu ainda preciso me acostumar com algumas coisas... Por favor, não desiste de mim. Tenha paciência comigo, por favor.

-Eu... Cruzei alguma linha que não deveria?

Mina sorriu e balançou a cabeça para os lados, negando.

-Eu gosto, na verdade.

-Sério?

-Uh-uh.

E Jinki soltou um suspiro aliviado, deitado a cabeça no encosto do sofá.

-Mas... – Mina mordeu o lábio inferior.

-Mas?!

-Eu acho que posso fazer uma coisa...

Jinki apenas franziu o cenho e olhou-a desorientado quando a garota se levantou e parou de frente para si. Estava prestes a abrir a boca para perguntar qual era o problema, quando ela simplesmente se ajoelhou e encaixou-se entre suas pernas.

E mesmo antes eu pudesse proferir qualquer objeção ou expressas qualquer duvida, Mina tomou seu rosto em suas mãos, e trouxe-o para perto, até que pudesse beijá-lo. Não foi apenas um selinho. Logo que os lábios se tocaram, Mina rapidamente procurou a língua do outro com a sua.

-Mina – Jinki murmurou entre os beijos – Você realmente não precisa-

-Eu consigo – Ela o olhou nos olhos – Isso eu consigo – Beijou-o outra vez, agora lhe mordendo o lábio inferior e arrancando um rouco grunhido de Jinki.

E entre beijos e mordidas, Mina arrastou os dedos pela blusa do mais velho, arranhando as unhas por cima do pano, provocando os mamilos cobertos e brincando com o botão da calça, antes de abrí-la. Mal chegou a abrir o zíper, e Jinki segurou os suas mãos antes disso.

-Mina, tem certe-

-Eu quero.

E acompanhando o tom decisivo, Mina trouxe as mãos do mais velho para seu rosto, para que se encaixassem em suas bochechas e a continuasse beijando.

Os dedos da garota baixaram o zíper por completo, e a primeira coisa que fez, foi colocar a mão por dentro da calça, sentindo a silhueta do pênis do outro pela primeira vez. Ambos suspiraram nos lábios um do outro.

Fazia, realmente, muito tempo desde a última vez em que Mina... Ou melhor, Taemin, tocara em um pênis que não fora o seu. Não é a mesma coisa. É excitante e surpreendente sentir o calor emanando do pênis de outra pessoa. Sentir contrair; sentir o traçado das veias proeminentes; o comprimento, a espessura... Oh, porra.

Jinki, por sua vez, já não conseguia mais conciliar a sensação dos dedos da garota passeando em seu membro e beijá-la ao mesmo tempo. Permaneceu ali, com os olhos fechados, o rosto dela nas mãos, mas emitindo sofridos suspiros.

Mina abaixou a cueca do mais velho e colocou o membro para fora; Jinki soltou um grunhido do fundo da garganta quando sentiu o ar fresco tocar o membro tensionado. Mina arrastou a palma da mão para cima e para baixo, sentindo a extensão daquele pênis e aproveitando a sensação, distribuindo breves beijos pela linha do maxilar do mais velho.

E foi quando Jinki sentiu o hálito quente, seguido da sensação molhada e macia daquela língua, que ele tombou a cabeça no encosto do sofá, apertou fortemente os olhos e abriu a boca num gemido silencioso.

Mina podia ter ido devagar e até ter provocado Jinki um pouco mais, mas engoliu-o quase que por inteiro sem cerimônias; e descobrir naquela hora que a garota sabia fazer garganta profunda foi um choque e tanto. Jinki arregalou os olhos e curvou-se para frente com a sensação do próprio pênis tão fundo na garganta da menina de tal maneira que ele mesmo se assustou.

-Jesus Cristo, Mina...!!

 

E ela ainda teve coragem de olhá-lo nos olhos e sorrir um sorriso que Jinki teve certeza que teria sido aquele bom e velho sorriso torto e convencido que ele já a vira dar tantas vezes se ela não estivesse com a boca ocupada em outra coisa.

Mina parecia tão impaciente, engolindo-o quase até o talo e retirando-o da boca o suficiente para que só a cabecinha ficasse entre seus lábios, e o engolia de uma vez novamente. A saliva que estava acumulando aos poucos já pingava no chão toda vez que sua boca ia e voltava, e os sons aguados que aquilo fazia apenas contribuíam para que Jinki perdesse cada vez mais sua sanidade. E eram por causa desses gemidos roucos que ele deixava escapar bem ao lado da orelha da garota que a faziam chupá-lo com ainda mais impaciência.

Jinki preferiu guardar para si mesmo a curiosidade de onde a garota aprendera a movimentar a língua da maneira que fazia. Talvez perguntasse isso um dia, depois que eles transassem, quem sabe...

E um desses movimentos, em particular, fê-lo arquear as costas, tombar a cabeça para trás e esticar o pescoço de tal maneira que aquela específica veia tornou-se deliciosamente visível.

Fora o gemido mais sexy que ele dera naquele dia.

-D-Droga, Mina-a...!!

 

Com um ‘pop’, Mina tirou o membro da boca pela primeira vez.

-Tá bom?

Jinki riu soprado.

-Tá brincando?

Trocaram um último beijo apressado antes que Mina o abocanhasse novamente.

Não que Jinki tenha durado muito depois disso.

Travou o músculo das coxas na tentativa de se conter no sofá e não acabar estocando na boca da menina. A última coisa que ele gostaria agora era que Mina engasgasse.

 

-Mi-M-Mina...!! Ta-Talvez você devesse... Ahng! Pa...Rar... Ah, droga! – Jinki apertou os olhos com força enquanto sua boca se abria – Mina, você realmente deveria parar...

Mas ela não de ouvidos. Talvez até estivesse engolindo-o ainda mais do que antes. Jinki não sabia dizer exatamente.

-Ah, Jesus Cristo! – Jinki curvou-se sobra a garota. Os dedos enroscados em seus cabelos e sua testa próxima da dela – Mina, para. Eu tô quase gozando. Mina!! Mina, eu-

Então Jinki passou uma das mãos por trás da cabeça da garota e a outra foi parar em suas costas. Em um estranho abraço, Jinki se perdeu por um momento, soltando um rouco e grave gemido bem ao lado da orelha da garota.

Pousou sua testa no ombro da garota por um momento, brevemente recuperando o fôlego, e quando se endireitou no sofá, entrou em pânico ao ver Mina com as bochechas cheias e os lábios fortemente comprimidos de onde pequenos fios esbranquiçados escorriam. Rapidamente começou a recompor-se da maneira devida dentro de suas roupas.

-Mina, calma! – Falou apressado, passando a barra da blusa nos lábios da garota na tentativa de limpá-los, e fechando o zíper da calça em seguida – Vem! Vamos pro banheiro e-

Ele nem chegou a se levantar do sofá quando, bem diante de seus olhos, escutou alto e claro, o som daquela garganta engolindo o conteúdo guardado dentro daquela boca.

 

Estático.

Com os olhos arregalados e a boca abrindo e fechando, tal qual um peixe.

-Mi-Mina... Você não... Não precisava...

A garota franziu o cenho de leve, com apenas a ponta de um bico nos lábios, e encostou a cabeça nas coxas do mais velho, olhando-o quase que timidamente por baixo da franja.

-Mas eu quis... – Falou meramente acima de um sussurro. Por fim, ergueu o queixo, fazendo lábios de peixinho, claramente esperando por um beijo do outro que, obviamente, jamais negaria.

-Vem cá – Jinki sussurrou quando se separaram do beijo, envolvendo a menina nos braços e trazendo-a para seu colo. Colocou-a sentada de lado, encaixou seu rosto na curva de seu pescoço e abraçou sua cintura. Mina, sutilmente, arrastou os braços até que estivessem em volta do pescoço do mais velho.

-Eu gosto muito de você, Jinki... Eu gosto muito, muito mesmo de você...

-Você não fez aquilo só pra provar isso, certo? Você sabe que não precisava.

Mina chacoalhou a cabeça para os lados.

-Eu realmente fiz porque eu quis. Mas, por favor, acredita quando eu falo que gosto de você. Eu gosto muito, muito, muito mesmo de você.

Jinki abriu um sorriso e beijou seu pescoço.

-Eu amo tanto você também – E depositou outros beijos em meio a outros sorrisos, arrancando risadas e outros sorrisos da garota.

 

Bem, pelo menos, dessa vez, Jinki entendeu o recado nas entrelinhas.

 

 

• • •

 

 

E então, tudo estava flores e amores.

 

Ambos se amavam.

Os dois se viam quatro vezes por semana, e talvez até seis caso saíssem juntos, além do balé. Os dois davam as mãos. Os dois trocavam olhares apaixonados; sorrisos bobos e carícias delicadas. Visitavam parques; iam ao cinema; comiam em algum restaurante ou lanchonete de esquina; tomavam sorvete; e às vezes iam até o apartamento de Jinki, onde também podiam fazer tudo isso. Os dois se beijavam; às vezes se pegavam mais nervosamente no sofá ou em algum local escondido... E ainda havia chances de rolar um boquete da parte de Mina, que Jinki alegremente aceitava.

Que problema poderia haver?

 

Bem...

Talvez o problema fosse exatamente esse.

 

Não que Jinki fora um perfeito santo em sua adolescência, mas jamais teve coragem de fazer loucuras como o dia em que ele e Mina estavam no parque e, depois de um toque aqui, um toque ali, ambos acabaram agarrados dentro de um dos banheiros de uma praça de alimentação, onde Mina propiciara um maravilhoso boquete antes da refeição.

 

Ou como na vez em que estava no cinema e de repente a mão de Mina estava em seu pênis ao invés do pote de pipoca. Nunca passou tanto nervoso na vida, nem nunca mordeu tão forte sua mão para conter os gemidos que ameaçavam lhe escapar da garganta. Foi aí que ele entendeu o motivo de ela querer sentar no fundo aquele dia. Jinki fê-la prometer que nunca mais faria isso no cinema de novo, mesmo que de certa forma a próprio contragosto. Mina prometeu, mas a promessa não durou um mês por culpa do próprio Jinki~

 

Ou como em muitas outras vezes, em muitos outros lugares, seja no meio do trânsito, ou mesmo na casa de Jinki. Na realidade, Mina se divertia toda vez que o mais velho se desesperava com a situação.

 

Boquete no parque.

Boquete no cinema.

Boquete no banheiro de algum estabelecimento.

Boquete no banheiro da balada.

Boquete no carro, no meio do trânsito.

Boquete neste exato momento, no sofá do apartamento de Jinki.

 

-Mi-Mina... Mina, é o suficiente – O mais velho afagou a cabeça da garota – D-Deixa eu fazer em você também...

Mina chacoalhou a cabeça para os lados levemente, finalmente retirando o pênis da boca por poucos segundos, apenas para responder, antes de voltar a abocanhá-lo.

-Não precisa.

-Mas eu quero..!

 

Mina não deu ouvidos. Continuou a sugá-lo, afundando as bochechas e movimentar a língua.

-Mi-Mina, por favor... Mina, me escuta. Mina, para um pouco, por favor. Mina!!

E Jinki, finalmente, explodiu. Pousou as mãos nos ombros da garota e a afastou de si o suficiente para que ela parasse como que fazia e pudesse olhá-lo.

-Mina, eu não consigo entender – Falou honestamente, com os olhos cheios de dúvidas – Por que não me deixa fazer isso em você? Por que eu não posso te tocar?! Olha... Antes, tudo bem. A gente ainda não tinha tanta intimidade e eu nunca iria te forçar a nada, mas... Meu Deus, Mina, você tá fazendo um boquete em mim! Por que eu não posso fazer um oral em você também?! Por que eu não posso te tocar?! Me explica, por favor!!

Mina fitava o chão, nervosamente mordendo o lábio inferior.

 

Por que Jinki tinha que perguntar isso eventualmente? Tudo estava indo tão bem...!!

 

-Mina, eu te amo – Jinki proclamou em alto e bom tom, com toda a honestidade – Eu te amo, e você sabe disso. Me explica porque você tá agindo assim.

Mina, no entanto, apenas abaixou ainda mais a cabeça, sem proferir uma única palavra.

Jinki suspirou nervoso, ignorando qualquer que fosse o estado atual de seu pênis e simplesmente guardou-o na calça e fechou o zíper. Enlaçou os dedos em volta do pulso da menina.

-Mina... – Tentou fazê-la levantar e sentar no sofá ao seu lado, mas ela resistiu. Não se mexeu dali, nem levantou a cabeça – Tá legal, agora você tá me assustando de verdade, Mina – Jinki acabou por se ajoelhar em frente a ela – Mina, qual é o problema? Você agindo desse jeito faz parecer que tem alguma notícia muito ruim pra me dar, tipo... Eu sei lá. Eu tô ficando com medo que por acaso você tenha alguma doença e não queira me contar. E mesmo se for isso, por favor, me conta!

Sem resposta.

Jinki engoliu a seco e, mesmo que lhe doesse perguntar aquilo, ele sentiu necessidade.

-O problema sou eu? Você não me ama mais? Por isso não me deixa te tocar? Por isso não quer transar comigo?

-Não é isso...! – Mina sussurrou chorosa.

-Então o que é, Mina?! Por que tá agindo assim?! Me diz, pelo amor de Deus! – Mina limitou-se em chacoalhar a cabeça para os lados, negando – Por que não?!?

-Não posso...

-Mina!!

-Eu não consigo...

-Por quê?!

-Você me odiaria... – E o primeiro soluço audível soou.

-Por que eu te odiaria?! – Jinki apertou a mão da garota na sua – Você... Me traiu...? – A pergunta saiu mais amarga de sua boca quanto gostaria, mas sentiu um enorme alívio quando Mina chacoalhou a cabeça fervorosamente para os lados, negando – Então o que é?

-Eu tenho medo de falar... – Mina trouxe a mão de Jinki até seu rosto e se aconchegou a ela – Você me odiaria pra sempre... Eu não quero que você me odeie... – Ela mordeu os lábios, contendo outro soluço – Mas eu sei que você vai...

-Mina, eu prometo que eu não vou. Mas, por favor, me fala, porque eu tô muito assustado de ver você assim.

-Você vai... Não importa o quanto prometa...

-Mina...?

-Jinki... – Ela prosseguiu, mas ainda sem olhá-lo nos olhos – E se eu não fosse... Mina?

-.... Hm?

-E se eu não fosse, apenas Mina? E se eu fosse outra pessoa também?

-Quer dizer... Dupla personalidade...?

-Não! Não! – Ela chacoalhou a cabeça para os lados – Isso é... Talvez mais complicado do que isso... Eu...

E um grunhido agudo escapou da garganta da garota, fazendo-a encolher-se em uma bola ao abraçar a si mesma, preparando-se para o impacto inevitável que estava prestes a acontecer.

Jinki via as lágrimas pingando no chão. Via como ela tremia. Ouvia o choro sofrido, mas completamente impotente, uma vez que ela não compartilhava consigo seus medos.

-Mina...?

-M-Me d-d-descul-pa... – E ainda cabisbaixa, Mina puxou sua peruca aos poucos, revelando os curtos e lisos cabelos pretos. Ela não ousou levantar os olhos para ver a reação de Jinki. Não teve coragem, e já fazia uma boa ideia de qual reação seria. E os minutos de silêncio que se seguiram foram tão agonizantes como se alguém a apunhalasse pelas costas.

 

-Mina, eu ainda não tô entendendo.

 

Aí estava. Aquele toque de negação, desconfiança e seriedade na voz.

 

-M-Me-Me-Me des-cu-ulpa... – Mina soluçava terrivelmente. Os lábios não paravam de tremer.

-Mina-

-Eu sou um homem, Jinki... – Mina, agora Taemin, correu os dedos pelo cabelo natural, agarrando-os com força – E-Eu sou um homem, me desculpa!! Me desculpa...!! – Silêncio, e então Taemin continuou – Po-Por isso eu não qu-queria que me tocasse... Por isso que e-eu... – Levou uma das mãos até a garganta, sentindo o pomo de Adão – Me d-esculpa... Eu não deveria ter mentido... Mas... Mas tem tanto tempo... E desde aquela noite... – Um soluço grotesco lhe escapou pela garganta – Desde aquela festa... Eu devia ter mantido distância, mas... – Taemin mordeu os lábios, e, pela primeira vez depois do início daquela conversa, ele levantou a cabeça – Eu não consegui.

 

Aquele rosto... Taemin quis chorar ainda mais forte quando viu a expressão daquele rosto. Não sabia dizer se era traição, surpresa, medo, desconfiança, nojo, descrença, tristeza, raiva, ou tudo junto. Ele odiou ver Jinki olhando para si daquele jeito. Odiou mais ainda a expressão de pânico que se instalou no outro quando Jinki, finalmente, percebeu quem ‘Mina’ era na realidade. Taemin podia jurar que vomitaria a qualquer instante de tanto que seu estômago se embrulhou com o pânico. Ele apenas sabia tremer sob o olhar enigmático do mais velho.

-Por favor, vá embora...

E Taemin não pôde fazer outra coisa, senão arregalar os olhos. Seu sangue correu frio nas veias no mesmo instante. Mal abriu a boca para tentar falar algo, quando fora cortado pelo tom sério e desprovido de emoções do mais velho.

-Taemin, por favor. Vá embora.

Outro soluço grotesco foi ouvido.

-Me desculpa, Jinki...  – Taemin apertou forte os olhos uma última vez, deixando as lágrimas rolarem livremente. Levantou-se no mesmo momento, pegou a pequena bolsa que trouxera e correu em direção à porta. Sequer colocou os sapatos antes de sair; segurou-os nas mãos, junto da peruca, e bateu a porta atrás de si.

 

Sentado no chão da sala, Jinki fitou o nada durante muito tempo, digerindo vagarosamente o que acabara de acontecer.

Fechou os olhos, suspirou profundamente e escondeu o rosto nas mãos.

Pomo de Adão, pft. E ainda por cima, o filho de seu superior...

Ele era mesmo um idiota...

 

 

Já Taemin passou correndo pelos corredores, passando a manga da camiseta no rosto, na esperança de tentar desembaçar a vista por conta do choro, mas acabou borrando ainda mais a maquiagem. Descalço, com os cabelos naturais à mostra e o rosto lamentável, correu até o elevador mais próximo, preferindo não olhar para os lados e evitar que se envergonhasse mais ainda.

Apertou freneticamente o botão do elevador e fechando-o imediatamente depois que ele abriu as portas. Encostou as costas na parede de metal e deslizou até se sentar no chão. Num primeiro momento, chorou. Chorou muito, da maneira que não conseguiu na frente de Jinki. Logo após, começou a se recompor, já que não faltava muito para que o elevador atingisse o térreo. Recolocou a peruca o melhor que pôde, calçou os sapatos e enxugou as lágrimas, delicadamente reajustando o que sobrou da maquiagem no espelho do elevador.

 

Ele entrou como Mina. Pois sairia como Mina.

Não dificultaria a vida do subordinado mais do que já fizera ao sair daquele apartamento como Taemin, mesmo que ele tivesse ciência da câmera de segurança do elevador. Quanto menos pessoas soubessem, melhor para o mais velho.

 

 

• • •

 

 

Taemin não dormiu aquela noite.

Como poderia? Sua vida havia simplesmente se descarrilhado e, de um momento para o outro, não se via mais no controle dela. Como se viver escondendo seus caprichos do pai já não fosse preocupação o bastante, agora, ele tinha muitas outras. E Jinki estando no topo da lista.

Se o mais velho quisesse, ele poderia arruinar sua vida num estalar de dedos.

Taemin não sabia o que pensar disso. Afinal, não tivera uma conversa propriamente dita e civilizada com o mais velho sobre o fato de Mina e ele mesmo serem a mesma pessoa. Mas não poderia culpar o mais velho. Qualquer um reagiria daquele jeito. E o fato de não saber o que Jinki faria com aquela informação facilmente tirou seu sono.

Ele não poderia ficar bravo caso Jinki decidisse contar a seu pai sobre seu segredo no dia seguinte. Era fato que o mais velho estava chocado, arrasado e sentindo-se traído, portanto, era natural que ele descontasse esses sentimentos de alguma forma, e que seu alvo fosse o causador deles. Por outro lado, Taemin não conseguia ter certeza se Jinki faria uma coisa dessas. Ah... Aquilo era tão conflitante! Por mais que ele gostaria que Jinki mantivesse segredo sobre Mina, parte dele ainda gostaria que o mais velho contasse a seu pai. Quem sabe assim parte da culpa que sentia se esvaísse...

 

Surpreendentemente, no dia seguinte, quando seu pai voltou do trabalho, tratou-o como fizera todos os dias. Um breve abraço, um beijo na testa, um afago no cabelo. Como se... Jinki não tivesse dito absolutamente nada.

 

 

No dia seguinte, como o esperado, Jinki não apareceu para buscar Jina no balé. Jinki não apareceu a semana toda.

Não mandou nenhuma mensagem, nem telefonou.

E Taemin não sabia se ele era quem deveria mandar mensagens ou telefonar. Tinha quase cem por cento de certeza que o mais velho ignoraria – e quem sabe, até apagaria – suas mensagens, e não atenderia seus telefonemas. Enquanto que a mísera porcentagem de esperança que Jinki o respondesse se restringia apenas na ideia de, na melhor das hipóteses, marcarem um dia para conversar e Jinki lhe dar um pé na bunda pessoalmente. Bem... Não que eles ainda estivessem namorando...

 

E foi aí que Taemin começou a suspeitar que talvez o balé não fosse uma das melhores coisas para ele.

Apenas para começar, ele já vinha mentindo para seu pai por anos e armando complexos teatros com sua mãe toda vez que fosse fazer algo que a figura paterna não aprovasse. Era estressante e apavorante viver no constante medo de que algum dia fosse descoberto.

Talvez fosse hora de crescer e engavetar os sonhos de criança.

Taemin amava o balé, mas já não tinha certeza se a dança lhe serviria de alguma utilidade neste ponto de sua vida, se não apenas para lhe trazer preocupação. Ele estava com vinte e um anos, no terceiro ano da faculdade de contabilidade e cada vez menos duvidava que seu pai acabaria colocando-o sob o teto da mesma empresa em que trabalhava...

... E com Lee Jinki.

 

Talvez... Ele devesse se despedir de Mina também.

Afinal, não era como se alguém – além de sua mãe – o aceitaria como é, mesmo com seus caprichos peculiares... Certo?

 

 

• • •

 

 

-... E daí que “ela” simplesmente puxou o cabelo e foi só aí que eu me toquei que era uma peruca... – Jinki fez aspas com os dedos, enfatizando a palavra, e quando terminou de falar, tomou um gole da cerveja do copo a sua frente.

-Tá. E o que isso quer dizer? Por acaso ela é careca?

Jinki bufou, devolvendo o copo à mesa com força o suficiente para fazer o barulho de vidro soar.

-Sério, Jonghyun? Às vezes eu juro que você consegue ser mais lerdo do que eu.

Minho, do outro lado da mesa, não se conteve e riu da braveza do mais velho, colocando a mão na boca e evitando que a cerveja que acabara de beber fosse cuspida.

-A garota nunca te deixou ver, nem saber onde ela morava, escondia o pomo de Adão, não deixava você tocar nela, e o Jonghyun que é lerdo?

-Minho, vê se cala essa boca. Isso é muito diferente.

-Diferente por quê? – Minho comprimiu os olhos e deu um sorriso de lado debochante – Porque você estava apaixonado por ela, que na verdade é ele?

-Porque eu tive sorte o bastante de ele ser o maldito filho do meu chefe – Jinki respondeu entre os dentes, apertando o copo com força.

-Cara... Outro cara fez boquete em você... – Jonghyun apoiou o queixo na mão, olhando para algum ponto no teto e imaginando sabe-se lá o quê – E de bônus ele ainda é filho do seu chefe – Estalou as mãos, gargalhando – Isso tá saindo melhor que a encomenda!

Jinki suspirou pesado, esfregando o rosto com as mãos e o apoiando nelas sobre a mesa.

-Só parem de falar, por favor – Ele suspirou – Eu não sei o que pensar... – Esfregou a têmpora com força – Se esse menino conta alguma coisa pro pai dele, eu tô na rua.

-E o que tanto tem pra se pensar, hyung? – Jonghyun cruzou os braços, encostando-se a cadeira.

-Ah! – Jinki olhou-o incrédulo – Com licença?! Muita coisa?! Porra, ela-ele me enganou o tempo todo, Jonghyun!! Eu abri meu coração pra uma pessoa que não era quem dizia ser, e meu emprego tá em jogo!

-Tá. E se por acaso essa pessoa tivesse aberto o coração dela para você sendo quem ela realmente é? Se o garoto tivesse se declarado pra você na lata, você teria retribuído como fez com a garota? – Jinki abriu a boca para responder, mas Jonghyun o cortou antes – Não me venha com nenhuma porcaria de ‘eu não sei’ porque eu e você sabemos que você não teria pensado duas vezes pra rejeitar.

Jinki manteve-se calado, com os lábios comprimidos em uma linha fina. Desviou os olhos para o copo de cerveja nas mãos.

-Ele tá certo, hyung – Minho levou o copo de cerveja até a boca.

Sim... Ele estava certo. Jinki não negaria isso. Claro que ele não seria frio, nem mal-educado, mas, sim, ele rejeitaria o garoto.

Jonghyun suspirou, correndo os dedos pelo cabelo.

-Além disso, você tá preocupado com o seu emprego? E como deve estar o psicológico desse garoto? Eu, no lugar dele, estaria cagando de medo que você contasse que eu me visto de mulher pro meu pai. Especialmente alguém como o seu chefe – Suspirou – Olha... Eu fico contente que você não tenha falado nada pro pai do garoto. A esse ponto, ele mesmo deve estar sofrendo o suficiente sozinho de ansiedade por não saber o que você pretende. Mas... Sabe, eu ainda não entendo – Jonghyun franziu o cenho, olhando o copo de bebida entre as mãos.

-Não entende o quê? – Jinki grunhiu.

– Se vocês se davam tão bem quando você não sabia da verdade, por que agora tem que ser diferente? – Jonghyun ergueu os olhos para Jinki.

Jinki riu, incrédulo.

-Tá falando sério, Jonghyun? Qual parte de ele ser ‘homem e filho do meu chefe’ você não entendeu? Se fosse com você, não seria diferente?

Jonghyun riu soprado, mas antes que respondesse, o garçom apareceu para entregar os três pedidos que fizeram.

-Hyung, honestamente, eu cheguei num ponto da minha vida que se alguém me fizer feliz, a última coisa que vai me importar é quem a pessoa é – Jonghyun cortou um pedaço da comida e levou-o até a boca, e os outros dois o acompanharam – Cansei de ficar sozinho. Hm! Isso tá muito bom! – Jonghyun olhou para Minho, apontando para o pedaço de massa em seu prato.

-Tá mesmo – Jinki concordou – Que isso?

-Uma torta de brócolis especial com uns tomates secos divinos que eu descobri aqui outro dia – Levou outro pedaço até a boca e o abocanhou.

O garfo de Jinki parou no ar quando ele ouviu aquela informação. Observou o pedaço de torta preso no talher e piscou algumas vezes.

-Jura? E eu nunca gostei de brócolis... – Franziu o cenho.

Jonghyun riu de leve.

-Sério?

-Uhum.

-Por quê? – Perguntou Minho, mesmo com a boca cheia e desinteressado.

-Não sei. A aparência disso sempre foi esquisita.

-Então você nunca nem experimentou pra saber?! – Jonghyun perguntou.

-Bem...

E então Jonghyun estourou uma gargalhada.

-Tá parecendo que a tal de Mina é a torta e o tal de Taemin é o brócolis.

-Você realmente tá comparando o meu relacionamento fodido com comida?!

E Jonghyun deu de ombros, enquanto Minho ria loucamente.

 

 

• • •

 

 

-Me desculpa, mas eu ainda não entendi porque você tá aqui.

Jinki grunhiu, esfregando o rosto com as mãos, deitado no sofá de três lugares ao lado de Jonghyun.

-Honestamente, nem eu sei direito.

Já fazia duas semanas desde o ocorrido, e Jinki simplesmente não conseguia calar a boca sobre o quão absurdo era toda essa história de Mina ser o filho do seu chefe.

Jonghyun suspirou, fechando o notebook em seu colo e cruzando as pernas em cima do sofá.

-Olha, você já tá deitado nesse sofá tem, pelo menos, vinte minutos, e não para de suspirar. Eu já entendi que é por causa daquele garoto, mas mesmo assim! – Jonghyun jogou as mãos para o alto, exasperado – Você já não tinha se decidido quanto a isso quando cortou relações com ele? Não tô entendendo porque você tá aqui todo inquieto por causa dele. Por quê, Jinki?

-Eu... – Jinki piscou várias vezes, fitando o teto.

Jonghyun tinha razão. Jinki já havia se decidido, não havia? Preferiu se afastar do garoto e não se envolver em mais complicações, e ainda se pensava um altruísta por não ter contado nada para os pais do garoto, e imaginava que em troca, Taemin também não tivesse abrido a boca. Então por quê? Por que ele ainda estava inquieto?

-Eu não sei – Jinki franziu o cenho – Sabe aquela sensação de que tem alguma coisa faltando?

-Bom, geralmente e preencho isso com comida – Jonghyun deu de ombros.

-Ah, Jonghyun, vá se ferrar! – Jinki jogou a primeira almofada que conseguiu tatear na direção do mais novo – Eu tô falando sério! – Bufou, levantando-se do sofá – Eu nem sei porque eu vim aqui, pra começar.

-Whooaa! Whoooaaa! Calma lá, cowboy – Jonghyun levantou as mãos em rendição – Foi só uma brincadeira. Senta aí e se acalma – Apontou para o sofá – Me explica isso de faltar alguma coisa. Vocês já não conversaram e resolveram as coisas?

-Bom... – Jinki mordeu os lábios. Correu os dedos pelos cabelos enquanto sentava no sofá e desviou os olhos para o chão – Não exatamente...

-Que?!? – Jonghyun arregalou os olhos, completamente descrente – Como assim vocês não conversaram depois de toda aquela algazarra?! Tá me dizendo que você deixou por isso mesmo?! Sumiu do mapa sem dar nenhuma chance do garoto se explicar?

-Mas o quê eu podia fazer, Jonghyun?! – Jinki retrucou – Já-Já aconteceu alguma coisa assim com você antes?! Namorar com uma garota e, de repente, surpresa!! Ela tem um presentinho no meio das pernas e o pai dela pode ferrar a sua vida num estalar de dedos! Meu Deus, eu... Urgh! – Jinki bagunçou os cabelos – Eu ainda beijei ele! Eu quase transei com ele! Como... Como que ele pode se vestir daquele jeito?! – Jinki suspirou, apoiando o cotovelo nos joelhos e escondendo o rosto nas mãos – Ele passa até maquiagem...

-Jinki... – Jonghyun comprimiu os olhos, falando manso, porém sério – Como você consegue falar uma merda dessas? Primeiro, não é como se ele tivesse te traído. Você é que não sabia desse outro lado dele; ou melhor, dela. E segundo, você tá sendo um preconceituoso de merda falando isso. Qual o problema de ele passar maquiagem? Hm? Qual o problema de gostar de saia? Qual o problema de ele gostar de outros homens?! – Jonghyun sorriu ironicamente de lado, passando a ponta da língua no lábio inferior – Concordo que ele não devia ter deixado a situação ficar desse tamanho pra te contar isso. Mas mesmo assim... – Jonghyun olhou-o de canto – Isso não te dá o direito de crucificá-lo desse jeito.

Jinki riu sem saber porquê. Talvez de desespero.

-O que você faria no meu lugar? – Jinki encostou as costas no sofá – Marcaria um dia pra vocês conversarem, não dando a mínima pro fato de que ele escondeu de você-

-Eu tô saindo com um cara.

 

Ah, sim.

Jinki parou no mesmo instante em que ouviu aquela frase e permaneceu encarando o mais novo, talvez esperando que algo mais saísse daquela boca.

-Eu tô saindo com um cara – Jonghyun repetiu, umedecendo os lábios e erguendo as sobrancelhas – E agora? Vai surtar comigo igual tá surtando por causa desse menino?

Jinki demorou a processar tudo o que acabou de escutar.

-É sério? – Sussurrou, e Jonghyun limitou-se em apenas assentir com a cabeça – Você vai contar pro Minho?

-Ele já sabe.

-Quê?

-E não deu a mínima pro fato de eu estar saindo com um homem, diferentemente de você...~ - Ergueu uma sobrancelha.

-Mais alguém sabe?

-Vejamos... – Jonghyun esticou o indicador – Minha irmã – Esticou o dedo médio – Minha mãe... O pessoal do meu trabalho, minha vizinha... E olha que ela é chata, hein.

-Só eu não sabia...

Jonghyun riu.

-E não foi por falta de jogar pistas. Só você não ligou os pontos – Suspirou – Olha, hyung... – Jonghyun esfregou a palma das mãos, pensativo – Eu tô começando a achar que é por isso que muita gente é infeliz, sabe? Porque tão procurando a felicidade num lugar que não vão achar. Eu conheci o Kibum sem querer numa dessas reuniões com o pessoal do trabalho, e... Eu sei lá. Quando eu vi, eu já tava adorando o chão que ele pisava – Riu consigo mesmo.

-Kibum, uh?

-É. Kibum. Agora seja honesto. Toda essa sua frustração não tem nada a ver com essa sua ladainha de que ‘você foi enganado e ele é o filho do chefe’, tem? É porque você realmente se apaixonou pela Mina, e não consegue aceitar que, na verdade, se apaixonou por um homem, não é? – Jinki comprimiu os lábios; manteve-se sério. Baixou os olhos para o chão, mas nada respondeu – Mesmo que você não aceite os sentimentos dele, podia dar uma chance de ele se explicar, não acha?

Jinki suspirou nervoso.

-Jonghyun, como eu poderia aceitar os sentimentos dele? Se eu apareço namorando um homem no meu emprego, especialmente o filho do meu chefe, o que eles vã-

-Esse é o seu problema –Jonghyun o interrompeu – É, eu concordo que pense em você, mas já é um egoísmo pra você mesmo. Não tem problema nenhum você gostar de outro homem, ou de namorar outro homem, ou de transar com o-

-Você já transou com esse tal de Kibum?!

-Jinki, esse não é o pon-

-Transou?!

Jonghyun suspirou, mas acabou assentindo.

-Meu Jesus Cristo! – Jinki tampou o rosto com as mãos.

-Ah, tenha dó, hyung! Até parece que você é virgem!!

-Mas-mas-mas Jonghy-

-Mas nada, que saco!! Quase não tem diferença, se quer saber –Jonghyun apontou um dedo acusador para o mais velho – Agora vê se cria culhão pra ter uma conversa decente e deixa o menino se explicar, porque ele deve estar arrasado com a falta de atenção que você deu pra isso; e, pelo amor de Jesus Cristo, se você gosta mesmo desse menino, dá uma chance pra vocês e, uma vez na vida, para de ligar pro que as pessoas falam, tá? Esquece que ele é o filho do chefe – Jonghyun apontou para a porta da sala – Agora vai. Tira a bunda daí! Vai logo!

-Q-Quê? Agora?!

-Deus, hyung. Você é o mais velho, mas eu juro que também é o mais estúpido – Jonghyun massageou as têmporas, pressentindo uma dor-de-cabeça que viria – É! Agora!! – Levantou-se e foi em direção a Jinki – Vai, levanta. Sai, sai, sai! – Gesticulou os braços, fazendo o mais velho se levantar e andar de costas, tropeçando e esbarrando nas coisas pelo caminho. Espantou-o até a porta – Muito bem, tenham uma boa conversa, vocês dois. Tchauzinho~! – Cantarolou, fechando a porta na cara do mais velho.

 

Jinki passou bons dois minutos parado, olhando incrédulo para a porta de madeira a sua frente.

 

 

• • •

 

 

Bem... Jinki não era tão burro assim... Por outro lado, talvez fosse lento demais para certas coisas...

 

Apesar do ultimato sutil que Jonghyun lhe dera para conversar de uma vez por todas com o garoto, Jinki adiou sua decisão até o segundo dia daquela semana no qual ele buscaria sua sobrinha no balé, e se deparou com uma garotinha triste porque, pela segunda semana consecutiva, sua bailarina preferida não apareceu para as aulas.

E quando Jinki foi perguntar à secretaria, no intuito de acalmar os nervos de sua sobrinha o que teria acontecido à bailarina mais velha, ele recebeu o balde de água fria que faltava para, finalmente, seguir o conselho de Jonghyun.

 

Taemin... Ou melhor, Mina, havia saído do balé.

 

-Jonghyun, ele saiu do balé. O que que eu faço?!

-Eu sei lá! – Jonghyun respondeu do outro lado da linha – Por que ele sairia?

-Eu não sei!

-Oh, Deus, você nunca sabe de nada!! – O mais novo bufou – Tá... Ele falou alguma coisa que pudesse tem algo a ver com isso? Tipo... Estudos? Provas? Trabalho?

-Eu... – Jinki mordeu o lábio, preparando-se para a bronca que sabia que viria – Eu ainda não conversei com ele...

-Você o quê?! – Jonghyun praticamente gritou ao telefone com a voz aguda – Puta que p-Jinki você-Urgh, eu não acredito. Quando eu acho que não dá pra ficar pior, você se supera.

-Yah!! Da onde tá saindo tanta petulância de você ultimamente?!

-Provavelmente de mim, seu bocó – Uma terceira voz soou ao telefone, e essa, ele não conhecia – Eu não aguento mais ouvir essa história sua pelo Jonghyun. Eu já tô ficando puto. Vai na casa desse garoto agora, conversa de uma vez, e aproveita e pergunta porque ele saiu do balé. Pelo amor de Deus!!

Okay... Jinki estava com os olhos arregalados e de cenho franzido, bastante perdido.

-Esse foi o... ?

-Sim. Foi o Kibum – Jonghyun respondeu dessa vez – E você escutou ele. Deixa pra saber do balé depois. Vai logo, cacete.

 

Jinki revirou os olhos com a audácia e palavreado do mais novo, mas assentiu.

A próxima coisa que sabia, era que havia estacionado o carro exatamente em frete à casa dos Lee. A casa do seu superior no trabalho.

E lá estava ele, apertando a campainha do portão. Baixou a cabeça, observou o desgaste de seus sapatos e fez uma nota mental de mandar polí-los. Olhou brevemente a vizinhança, reparando nas várias casas semelhantes que havia ali, quando a porta da frente finalmente abriu.

-Oh? Jinki?!

A figura da mãe estava parada no degrau da porta, surpresa de ver o assistente ali, sem nem ao menos receber um aviso prévio.

Jinki curvou-se brevemente, cumprimentando-a.

-Srª Lee – Sorriu.

Ela caminhou até o portão e o abriu para que pudesse conversar confortavelmente com o rapaz.

-Jinki-yah, eu sinto muito, mas meu marido ainda não chegou – Ela franziu o cenho – Você não deveria estar com ele agora?

Claro. Era natural que ela associasse a presença do subordinado ao marido, uma vez que eles trabalhavam juntos.

-Ah, eu sei, Srª Lee – Sorriu – De segunda, terça e sexta eu sou liberado um pouco mais cedo pra buscar a minha sobrinha no balé.

E Jinki pôde perceber a breve mudança no brilho do olhar daquela mulher quando mencionou a palavra “balé”.

-Oh! – Ela forçou um sorriso – Sua sobrinha faz balé? Quantos anos ela tem?

-Ela tem oito anos – Jinki forçou o mesmo sorriso. Desviou os olhos para o chão e começou a brincar com os dedos – Ela... Hm... Eu... Posso conversar com seu filho?

Ela hesitou. E Jinki não sabia se deveria falar sobre Mina com a mulher ou não. Não sabia até onde Taemin mantinha segredo sobre Mina. Seria possível que nenhum dos pais soubessem?

-O Taemin? – Riu brevemente de nervoso – Por quê? Ele não tem nada a ver com a empresa ainda. E se for algo que precise que seja falado pro meu marido, eu posso fazer isso – Sorriu forçado novamente.

Então Jinki se lembrou das várias vezes em que ele se ofereceu para levar a menina para casa quando ia buscar Jina, e que em todas elas, Mina recusara o convite com a justificativa de que sua mãe chegaria em breve para lhe buscar.

Mordeu os lábios.

Resolveu arriscar.

-Na verdade... Preciso conversar sobre Mina...

Um suspiro assustador escapou dos lábios da mulher, e seus olhos se arregalaram em pavor.

-Como... Como você sabe?!

-Minha sobrinha frequenta a mesma escola de balé que seu filho e... Bem... – Jinki engoliu a seco – Descobri sobre Mina de uma maneira um tanto infeliz...

A mãe do garoto correu os dedos pelos cabelos, mordiscando o canto dos lábios.

-Você contou a ele?!

Jinki balançou a cabeça para os lados.

-Não. Pode ficar tranquila. Não contei, e nem pretendo.

-Jinki... Me responda honestamente... – Ela ergueu os olhos para os do subordinado – Foi por sua causa que ele quis sair? – Jinki fechou os olhos e assentiu. A mãe fechou os olhos e respirou fundo, deixando a informação fresca penetrar em sua mente. Ela comprimiu os lábios e assentiu – Tá... Tá. Entra. Mas vocês não vão conseguir conversar muito. Em quarenta minutos meu marido chega, e eu tenho quase certeza que vai ser inapropriado ele vir você e seu carro aqui.

-Eu poderia levá-lo para outro lugar pra conversar? Sem ter pressão?

-Outro lugar? – Ela ergueu uma sobrancelha.

-É... Na verdade eu pensei que a gente podia conversar na minha casa. Eu levo, a gente conversa, e eu trago ele de volta.

-Por que isso soa como se ele já esteve na sua casa antes? – E Jinki apenas soube desviar os olhos, sentindo o inevitável rubor aparecer em suas bochechas. E a realização, enfim, bateu na mãe, que olhou-o atônita – Ah, meu Deus! – Ela levou as mãos aos cabelos, andando de um lado para o outro em plena calçada – Como... ?! – Ela suspirou, derrotada – O Taemin nunca me contou nada... Por quê? Eu-Olha, quer saber? Entra. Eu acho que vou abrir a garrafa de vinho da geladeira. E Jinki? – Ela o chamou, antes de abrir passagem para que ele entrasse em sua casa – Você sabe que eu e meu marido gostamos muito de você a ponto de te abrigar como um filho, se um dia precisar. Mas eu juro por Deus que se você fizer meu filho piorar, eu vou acabar fazendo alguma besteira. Eu vou deixar você levar ele daqui pra conversar seja lá o que precisem conversar, mas eu quero ele aqui de volta antes das onze, e quero que resolvam esse assunto inacabado de vocês. Tá claro?

-Sim, senhora.

-Entra. Ele tá lá em cima – Ela apontou com a cabeça para as escadas no canto do cômodo, assim que abriu a porta – Segundo quarto à direita. Ele deve estar estudando, mas é só bater na porta que ele te deixa entrar.

-Muito obrigado, Srª Lee – Jinki curvou-se além dos costumeiros 90º, num sinal de profundo agradecimento.

Ela cruzou os braços.

-Promete que não vou me arrepender de deixar você entrar?

-Prometo, Srª Lee.

Ela suspirou.

-Tá... Vai, vai... – Balançou a mão pelo ar, sinalizando o quarto no andar de cima, e rumou para a cozinha para procurar a dita garrafa de vinho.


Notas Finais


Até o próximo x)~


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